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O seu cristal pode ser um problema

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O seu cristal pode ser um problema

Sabe aquele cristal de quartzo ou ametista que você tem aí pra atrair boas energias? Você por acaso sabe de onde essa pedra veio? É bem provável que não, porque não é moleza ter esse tipo de informação. E lamentamos informar, até os inofensivos cristais podem ser fruto de exploração de pessoas e danos ao meio ambiente. ):

Você já ouviu falar em toda a questão dos diamantes e de como a sua extração envolve crimes seríssimos contra pessoas, animais e o planeta, né?

Os cristais de menor valor (as chamadas “pedras semi-preciosas) também podem ser bem problemáticos, principalmente por conta dos garimpos clandestinos. É problema que não acaba mais: trabalho escravo, desmatamento, degradação ambiental, riscos à saúde dos trabalhadores e outros impactos que vão muito além, como a produção de lixo nos acampamentos, fogueiras, caça de animais silvestres e escavações feitas sem nenhum cuidado. Ainda tem o impacto social, que chega nas cidades próximas. Vai desde o aumento na demanda dos serviços locais até o aumento da violência e prostituição.

 

Garimpo ilegal de ametista em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

Lá em 2011 aconteceu a Operação Senzala em Diamantina. Foram libertadas 31 pessoas que viviam em condições análogas à escravidão numa mina de cristal de quartzo. Estavam sem água potável nem instalações sanitárias, sem treinamento pra operar máquinas (o que aumenta o risco de acidentes) e trabalhando em jornadas exaustivas sem equipamentos de proteção individual (os famosos EPIs). Se quisessem botas, luvas, chapéus e material de higiene, isso era por conta de cada um. Outro problemão é em relação à saúde dos trabalhadores. Nas galerias subterrâneas, eles fazem perfurações nas rochas e usam explosivos pra abrir novos caminhos. Isso libera poeira e gases tóxicos que podem causar danos à saúde como a silicose, uma doença pulmonar crônica e incurável, causada pela exposição à sílica, muito comum nesses ambientes.

Garimpo ilegal de ametista em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

Por isso, quando você vai comprar aquela pedra toda mística e energizada é muito importante exigir do comerciante que ele trabalhe com mineradoras de acordo com o comércio justo. Segundo o presidente do Sindijoias de Minas Gerais, os comerciantes só podem comprar pedras preciosas de mineradoras legalizadas ou de cooperativas de garimpeiros - sejam esses empresários daqui mesmo ou de fora do Brasil.  

Mas a realidade do contrabando e do garimpo clandestino ainda é muito comum. Comprar pedra lá fora pode ser cilada também. Muitos comerciantes da Índia, China, Tailândia e Japão enriquecem garimpos clandestinos levando pedras daqui para fora do país E aí se o papo é clandestinidade você já sabe, né? O consumidor final paga barato por um produto que deixou pra trás trabalhadores explorados, invasão de terras indígenas, violência e danos ao meio ambiente.

Até o garimpo legalizado precisa de etapas como o desmatamento da área antes de fazer a perfuração, então pense nos ecossistemas que podem ser degradados pra sempre se isso for feito sem planejamento. A exploração mineral ilegal, feita com equipamentos como escavadeiras hidráulicas, brocas e furadeiras, pode ainda trazer mercúrio à superfície. Ele contamina a água e entra rapidinho na cadeia alimentar, prejudicando desde os menores bichinhos até as pessoas que vivem perto. Trabalhos de garimpos ilegais soterram nascentes e acabam com a água de comunidades próximas, que são, muitas vezes, comunidades carentes que dependem desses rios para ter acesso à água e viver. Já o garimpo mecanizado (com máquinas), pode destruir margens de rios e acabar com ecossistemas locais.

Garimpo ilegal em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

E aí, como fazer pra saber se estamos compactuando com isso tudo? Infelizmente, ainda não é fácil ter uma garantia da origem dos cristais em questão. Pra esse caso não temos uma resposta simples. A melhor saída é aquela mesma de sempre: dar preferência pra produção local, comprar de marcas menores e de quem vende pedras extraídas em garimpos próximos (onde é possível ter o contato mais direto com os responsáveis), exigir da sua marca ou loja preferida que ela corra atrás desse controle. Pensar, questionar, se informar e exigir que as empresas se atualizem. Assim como você pergunta quem fez suas roupas, saber de onde veio qualquer coisa é muito, muito importante para um consumo mais consciente e responsável.

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