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Calce Uma Causa

Por Que Não Couro?

Por Que Não Couro?

Quando falamos dos problemas envolvendo a produção de produtos de couro, muitas pessoas costumam reagir com a seguinte frase: “mas se já mataram a vaca (o porco, o bezerro e a ovelha) para carne, por que não aproveitar o couro”?

Em partes, esse raciocínio faz sentido. Principalmente no Brasil, a produção de gado de corte e leite é gigantesca, uma indústria valiosa que acaba resultando também em uma indústria de pele bovina igualmente rica. Pelo ponto de vista do direito dos animais, realmente não faz sentido consumir carne e laticínios, e ser contra o couro, já que a interdependência deles é inegável (por exemplo, na Índia, onde o couro bovino é o do búfalo, e a carne desse animal é extremamente barata, o couro chega a valer 10 vezes mais do que a carne. O aumento da exportação de carne e couro de búfalo aconteceu organicamente pela grande demanda de leite).

Isso não quer dizer que estamos negando o poder da indústria do couro, principalmente a brasileira.  Sua influência é tão forte por aqui que ela conseguiu passar uma lei que proíbe nomenclaturas como “couro sintético” e “couro vegetal". As lojas não podem usar essas nomenclaturas com risco de serem multadas em alguns mil reais se forem pegas na chamada “blitz do couro”.

MEIO-AMBIENTE

Do outro lado da história, o couro não deixa de ser um símbolo de exploração animal, mas, mais do que isso, é um símbolo de desastre ambiental. Para transformar uma pele animal, cuja putrefação acontece rapidamente após o animal perder a vida, é preciso uma boa dose de insumos químicos altamente tóxicos, poluentes <2>, e responsáveis por gerar uma porcentagem de resíduos ainda não totalmente tratáveis, como cromo, arsênico, e outros metais pesados. Kanpur, na Índia, virou um dos maiores fornecedores de couro do mundo <3>.

Em contrapartida, a cidade está em acelerado processo de devastação, com rios totalmente intoxicados com os resíduos dos curtumes, pessoas doentes, crianças nascendo já com deficiências e uma população à mingua, cuja única água disponível para beber está contaminada de cromo. Um inegável desastre socioambiental retratado no premiado documentário “The Toxic Price Of Leather”.

“What Are Your Shoes Stepping On?” é outro documentário sobre o tema, mas que se concentra em retratar um curtume que fornece couro para empresas produtoras de sapatos na Europa. Em português, a matéria “Como O Couro Está Matando Lentamente As Pessoas E Os Lugares Que A Produzem”, fornece números globais da indústria do couro e toca em suas questões socioambientais.

SINTÉTICO OU NATURAL?

No Brasil, a situação não é tão escrachada e existem leis de proteção ao meio ambiente. Mas, questionamentos sobre a fiscalização efetiva da lei à parte e não deixando de lado a tragédia do Vale dos Sinos, já é amplamente entendido que na equação total de prós e contras, a produção de materiais sintéticos, com exceção do PVC, é menos prejudicial às pessoas e ao planeta do que a produção do couro.

Produzir couro consome 20% mais energia do que produzir um material oriundo do petróleo, como o PU <4>Em todo o seu ciclo, o impacto do ambiental “couro” sintético representa apenas 1/3 do impacto ambiental do couro.

Quando falamos de descarte, ambos são prejudiciais ao meio-ambiente quando estão apodrecendo em aterros sanitários. Aterros sanitários são ambientes isentos de condições ideais (tipo: oxigênio) para que materiais com propriedades biodegradáveis possam, de fato, se biodegradar. O que deixa pouca vantagem para o couro. O couro degrada mais rápido, porém emite os mesmos gases poluentes e ainda conta com o agravante dos metais pesados usados em seu curtimento.  

COURO DE CACHORRO?

Como já falamos por aqui, é de conhecimento da maioria que na Ásia, principalmente na China e na Coreia, é completamente normal matar cachorros para comer. O couro logo é aproveitado pela indústria da moda chinesa, que fornece roupas e produtos para o mundo todo, normalmente sob o nome de “couro de cordeiro” (porque no ocidente vender couro de cachorro pega mal).

Você pode se sentir ok usando couro de vaca, porco, peixe e ovelha, mas você se sentiria tão bem quanto se soubesse que a sua carteira foi feita de couro de cachorro?

Sabemos que muitas pessoas não se sentiriam e essa é mais uma maneira a qual a indústria global do couro pode ser, digamos, hábil em descumprir as leis.

 

MAS QUAL EU DEVO ESCOLHER?

Ao decidir entre um produto de couro e um produto sintético, é importante ponderar não só questões sociais, animais e ambientais, mas também entender seu hábitos de compra.

Na matéria “Couro Ou Sintético? O Que Levar Em Consideração Antes De Fazer A Sua Escolha” lá no Modefica, nós dissecamos todas as dúvidas que podem surgir sobre o assunto. Falamos sobre curtimento vegetal, látex e outras alternativas.

Em suma, a escolha entre um produto de couro e um produto sintético (ou vegetal) deve ser feita com o auxílio de informações diversas. Não deixe as marcas fazerem a escolha por você. Não tem uma linha clara e inquestionável que divide o sim ou não, “do mal” e “do bem”. A nossa dica é: pare, entenda e reflita; só depois decida.

 

 

 

 

Esclarecimento De Fontes: <1> É difícil chegar em números oficiais, mas estima-se que a pele da vaca vale 10% do seu total (é possível entender um pouco nessa análise detalhada do USDA). A partir desse raciocínio, o couro torna a indústria da carne das vacas mais economicamente sustentável (já que vender o couro acaba sendo mais lucrativo do que vender a carne). <2> Outra prova da potencial toxicidade dos curtumes é Hazaribagh, em Dhaka, Bangladesh, ter sido listada pelo Instituto Blacksmith, em 2013, como uma das 10 ameaças tóxicas do mundo. Dos 270 curtumes localizados em Bangladesh, cerca de 90% deles estão localizados em Hazaribagh. <3> Segundo levantamento do IBGE, divulgado em outubro de 2015, a Índia está em primeiro lugar no ranking de número de cabeças de gado no mundo, ganhando do Brasil, na 2º posição com 212,3 milhões de animais. Entre os anos de 2014 - 2015, a Índia foi responsável por exportar 6,5 bilhões de dólares em couro (os números brasileiros não somam nem a metade: 2,94 bilhões) e o país é reconhecido por abocanhar entre 5% a 12% da demanda de couro em países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Espanha. <4> Lucy Siegle, To Die For – Is Fashion Wearing Out The World?, editora Fourth Estate (2011) Artigo atualizado em 17/05/2017 às 11:27hr.

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Qual o impacto ambiental da produção de um sapato?

Qual o impacto ambiental da produção de um sapato?
Na Green Friday apresentamos o nosso primeiro Relatório De Impacto Socioambiental, onde explicamos direitinho a nossa produção e falamos do futuro que queremos construir. Mas achamos que pra você entender ainda melhor a diferença que estamos fazendo (e ainda pretendemos fazer) é importante contar mais algumas coisas sobre a produção tradicional de calçados: 
  • As indústrias de calçados e vestuário geraram entre 5% e 10% da poluição global em 2016.
  • Produtos de couro têm o maior impacto (por conta da cadeia de extração e beneficiamento), seguidos pelos sintéticos (por conta da produção de polietileno e poliéster) e por fim dos calçados de tecido (afetam a disponibilidade de água doce, devido ao cultivo de algodão). 

Como a gente dribla isso? Focando a nossa em materiais veganos e cada vez mais em material reaproveitado. ;) 


Por aqui o que a gente faz é reutilizar tudo que for possível como enchimento de palmilha, evitando mandar para aterros. 

  • A indústria calçadista também gera resíduos industriais, como lodos de estações de tratamento de efluentes, cromo (utilizado no curtimento do couro), enxofre, cloro e outros compostos  altamente solúveis quando jogados (ilegalmente) na água. 
  • Eles afetam os organismos aquáticos e também os humanos, causando problemas de fígado, dermatites, irritações do trato respiratório e podem agir como disruptores endócrinos. 

 

Como evitar isso? Rastreabilidade. Estamos em contato com grande parte dos nossos fornecedores para ter certeza de que tudo que é feito nas fábricas é feito de maneira correta, e nossa meta é ter uma cadeia 100% rastreável. 

  • Um estudo feito na China concluiu que a maior parte das emissões de CO² vem do momento da produção nas fábricas, porque lá a matriz energética dominante é a queima de carvão. 
  • No Brasil temos uma matriz energética muito mais limpa, e quando você consome marcas locais ajuda a evitar essas emissões lá no outro lado do planeta (além das geradas no transporte). 
  • Priorizar produtos feitos em menor escala também é uma maneira de ajudar a reduzir emissões, seja lá onde for a produção. 

A indústria calçadista ainda tem muitos problemas, mas sabemos que pode melhorar, é só querer. Estamos aqui, abrindo caminhos e mostrando que é possível uma produção mais limpa e responsável, mas precisamos que todo mundo embarque nessa com a gente. Vamos?  

Ah, você ainda não viu o nosso relatório? Clique aqui pra conferir! Continue lendo

Você pode estar jogando dinheiro fora

Você pode estar jogando dinheiro fora

Calma, não entre em pânico. O que queremos dizer é que na maioria das vezes, o que é chamado de “lixo” na verdade tem um baita valor econômico. Então é bem possível que você já tenha jogado, de uma forma ou outra, dinheiro no lixo. 

Isso acontece porque muito do que vira descarte pode ser matéria-prima para produzir algo novo. Essa é a base da Economia Circular, que já falamos por aqui, e parte do princípio contrário à linha reta de extração, produção e descarte que é como se trabalha atualmente. Na economia circular nada é desperdiçado – ou volta para a natureza para ser transformado em energia, ou o material volta para o ciclo de produção.  

Parece mágico, mas ainda é um sonho. Pra mudar o sistema, é preciso que as pessoas entendam que o “lixo” tem valor: "o resíduo tem um valor ambiental, mas também um valor econômico.

Para garantir que esse material volte para a cadeia produtiva, temos que fazer com que ele seja interessante nesse sentido", palavras do Luís Fernando Barreto, promotor de Justiça e presidente da Abrampa, durante o Fórum Economia Limpa, que rolou em São Paulo.  

E pra entender esse valor, é importante a gente saber o que é resíduo, rejeito, reciclável e orgânico.

  • Os resíduos secos são aqueles que podem ser reutilizados (ou reciclados).
  • Os resíduos orgânicos são sobras de comida, cascas, folhas secas e podas. Esses materiais são reciclados através da compostagem.
  • O rejeito é o que não pode ser reutilizado nem reciclado.

Num mundo ideal, tudo isso seria separado de forma correta, cada um seguindo o seu caminho e o volume de resíduos nos aterros seria drasticamente reduzido.  Durante a Semana do Meio Ambiente rolou um bate-papo incrível - Lixo: alternativas individuais, solução coletiva.  

Nessa conversa o papel e a importância do trabalho dos catadores foi abordado e muito bem explicado pelo Eduardo, que é catador e fundador da primeira cooperativa de catadores do Brasil, a Coopamare.   Atualmente no Brasil quem dá conta da maioria dos recicláveis são os catadores. Segundo o Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), existem de 800 mil a 1 milhão de catadores em atividade, e como explicado por Eduardo, eles fazem “de graça” o serviço de coleta seletiva que a prefeitura deveria fazer - são eles que coletam cerca de 90% do que é reciclado no Brasil.

Além do alto gasto do orçamento das prefeituras para a destinação dos resíduos (e esse dinheiro é seu!), também tem o alto gasto com desperdício - estima-se que cerca de R$120 bi em resíduos sólidos que poderiam ser matéria-prima não são valorizados no Brasil. Também é estimado que cerca de 80% de todos os resíduos sólidos urbanos poderiam ser reciclados, mas só 13% chegam lá. Ou seja, dinheiro jogado no lixo.

Enquanto isso, algumas “soluções” preguiçosas andam surgindo, como a ideia de incinerar resíduos para “acabar com os lixões”. Como foi colocado no bate-papo por Elisabeth Grimberg, sócia-fundadora do Instituto Pólis, esse é um atalho para não precisar fazer a separação e encaminhamento corretos, além de simplesmente queimar material reciclável. É muito diferente do caso da biodigestão, um método de reciclagem a partir de compostos orgânicos que gera energia limpa. Essa sim é uma forma de produção de energia sustentável, obtida da reciclagem do lixo orgânico.   

Acabar com os lixões é um trabalho muito mais profundo de investimento em coleta adequada nas cidades e conscientização da população e das empresas. É importante que os governos garantam legislações que forcem as empresas e os cidadãos a se responsabilizarem por seus produtos, porque não dá pra esperar só pela boa vontade sem apostar em educação ambiental e incentivos palpáveis. No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos é um bom começo, mas ainda está longe de ser uma solução mágica.   

Se depois de tudo isso você tá querendo fazer a sua parte mas não sabe por onde começar, a dica é se informar sobre a situação da reciclagem na sua cidade. Aqui você pode pesquisar o descarte adequado de resíduos onde você mora.

Pelo app Cataki você consegue encontrar catadores perto de você para encaminhar seus recicláveis de uma forma muito bacana. Além disso, a LOGA tem um material super bacana explicando como embrulhar corretamente materiais perigosos antes de encaminhar, para proteger quem fará a coleta:  

 

Bora começar a cuidar melhor do que você descarta? ;) 

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35 milhões de brasileiros não têm água potável

35 milhões de brasileiros não têm água potável

Se você abre a torneira e a água corre imediatamente, transparente, abundante, e sabe que vai estar lá quando você quiser, não tenha dúvida: você faz parte de uma parcela privilegiada da população.


Sabia que 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água potável? 

Esse número apavorante é do Ranking do Saneamento Básico – 100 Maiores Cidades – 2018, do Instituto Trata Brasil, com dados Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).  

E não para por aí: quase metade da população (48%) não tem esgotos sequer coletados, o mínimo do saneamento básico. Mesmo com microplástico, veneno e tudo, quem tem acesso ilimitado a água está incrivelmente melhor do que a maioria.   

Quando a gente tem água em abundância no dia a dia, acaba esquecendo da sua importância. Faz um tempo rolou uma polêmica no nosso Instagram: trouxemos o dado de que lavar louça na máquina reduz o gasto de água em relação a lavar à mão. Surgiram vários questionamentos mega importantes - nem todo mundo pode ter máquina, o gasto de energia, as peças plásticas, o lixo eletrônico e a logística reversa dos fabricantes, entre outros. E tá todo mundo mais do que certo, viu?

Mas também vieram muitas dicas e ideias para gastar menos água nesse momento cotidiano que às vezes a gente faz no piloto automático.

A @juschagas lembrou que a gente pode usar uma bacia para coletar a água da torneira, ensaboar a louça, enxaguar na bacia e dar uma última passada com água limpa, também na bacia.

Aproveitamos pra trazer outras dicas pra você gastar menos água no dia a dia sem esforço:  

  • Feche a torneira enquanto ensaboa as mãos, escova os dentes, faz a barba, etc…
  • Ao enxaguar a louça, faça em grupos, e não peça por peça. 
  • Tome banhos mais curtos, pulando o momento de contemplação dos mistérios do universo (você pode pensar na vida enquanto se seca).
  • Varra a calçada ou o pátio ao invés de usar mangueira. Se for preciso, use um balde com água reaproveitada. 
  • Conserte vazamentos para não gastar água que você nem chega a usar.
  • Lave frutas e verduras em uma bacia com bicarbonato de sódio.
  • Use pouco detergente em qualquer situação.
  • Recolha a água da chuva para regar as plantas ou lavar o quintal.
  • Reaproveite a água do cozimento dos alimentos.
  • Enquanto a água do chuveiro esquenta, deixe um balde no box. Use essa água para a descarga, lavar o pátio, regar plantas (quando esfriar, claro), lavar o chão… 
  • Repense o consumo de carne e derivados de animais (pensou que a gente não ia lembrar disso?).

É bom lembrar que nós, meros mortais, não chegamos nem perto do gasto de água de uma indústria, da produção de uma calça jeans ou dele mesmo, o agronegócio. Tem até aquela piada: “não esquece de fechar a torneira pra economizar água pro agronegócio gastar.”

Mas nessas pequenas ironias a gente vê uma certa derrota, um “se não conseguir salvar o mundo, não vou fazer mais nada”.

Só que não podemos nunca desistir, e a mensagem que deve ficar é, além das pequenas ações individuais, procurar por soluções coletivas.

Em muitas cidades do Brasil já existe o IPTU verde, que dá descontos para imóveis residenciais, comerciais, mistos, institucionais e industriais que adotem estratégias ecológicas. O valor do desconto vai de 5% até a isenção total do imposto, dependendo da cidade.

As construções podem usar medidas como captação da água da chuva para reuso, painéis fotovoltaicos, separação dos resíduos e encaminhamento para reciclagem, plantio de árvores nativas, entre várias outras pequenas mudanças que são boas pra todo mundo. Você pode usar o temido momento da reunião de condomínio para sugerir a implementação de práticas sustentáveis no seu prédio, vila, condomínio, ou onde você morar, e ajudar a correr atrás desse isenção, que é bacana pro seu bolso e pro planeta.

E se na sua cidade não tiver IPTU verde ou afins, não desista. Cobre da prefeitura, se reúna com vizinhos e amigos e faça o melhor que pode.   

Indo além do IPTU, exigir ações efetivas dos governantes (mesmo que às vezes pareça que estamos falando sozinhos) é o que devemos fazer para que mais pessoas tenham acesso a água e condições dignas de vida.

Não deixe de se informar e saber o que está acontecendo na sua cidade, participe de protestos, se articule, mesmo que pela internet.  

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O que está acontecendo na Amazônia e o que você pode fazer a respeito

O que está acontecendo na Amazônia e o que você pode fazer a respeito

Mesmo que você tenha passado as últimas semanas na lua, não tem como não ter ficado sabendo do que aconteceu no Brasil - até a NASA estava de olho nas queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste, atingindo com tudo a floresta Amazônica. 

Vamos começar pelo básico: a Floresta Amazônica ocupa 40% do território brasileiro, além de partes de países vizinhos. Essa região mágica tem mais de 30 mil espécies de plantas, 1,8 mil de peixes, 1,3 mil de aves, 311 de mamíferos e 163 de anfíbios. Isso é 30% das espécies do planeta inteiro. 

Lá ocorrem os famosos “rios voadores”, massas imensas de vapor que levam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, além de influenciar no clima da América do Sul. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro manda mais de 300 litros de vapor por dia para a atmosfera.

Floresta Amazônica produz água que irriga plantações, enche rios e leva chuva para praticamente todo país. Além disso, junto com outras florestas tropicais, armazena até 140 bilhões de toneladas métricas de carbono, o que é decisivo para a regulação do clima do planeta. 

O que está acontecendo na Amazônia?   

As queimadas aumentaram 82% em relação ao ano passado no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os estados mais atingidos são Mato Grosso, Pará, Amazonas, Tocantins e Rondônia, todos com áreas de Floresta Amazônica. Muitos levantaram a hipótese de queimadas naturais devido ao tempo seco, porém, há mais umidade na Amazônia do que nos últimos 3 anos, como explicou a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar: “Não há fogo natural na Amazônia. O que há são pessoas que praticam queimadas, que podem piorar e virar incêndios na temporada de seca”.

O gerente do Programa Amazônia do WWF Brasil, Ricardo Mello, confirma que não há queimadas naturais na Amazônia como no cerrado, atingido pelo calor e tempo seco.  

Por que isso está acontecendo?   

Você já sabe, porque leu aqui, que a Amazônia está virando pasto. As queimadas que estão ocorrendo são principalmente fruto do preparo da terra para  criação de gado ou para plantar soja e milho - que viram ração de gado. 

A Amazônia está correndo sérios riscos de chegar a um ponto irreversível. Sem o poder dessa floresta, manter o aquecimento global abaixo de 2 graus é quase impossível, já que ela devastada se tornaria um produtor de carbono. 

O mundo está acompanhando em pânico o que acontece aqui. O governo norueguês viu que o Brasil não está se mexendo para evitar o desmatamento e por isso deixou de mandar R$130 milhões para o Fundo Amazônia.

A Alemanha também anunciou que não enviaria R$155 milhões a projetos de preservação na Amazônia. Na internet, logo subiram a hashtag #PrayForAmazonia, mas felizmente houve uma mobilização que a substituiu por #ACTForAmazonia, mostrando para as pessoas que nesse caso agir é decisivo e totalmente possível.  

Na sexta-feira, 23 de agosto, o movimento Extinction Rebellion convocou protestos nas embaixadas brasileiras de todos os países, além de vários outros movimentos internacionais que incentivam as pessoas a contatarem seus representantes e pressionarem para não fazer negócios com o presidente do Brasil.

Aqui, o movimento #AmazôniaNaRua organizou manifestações em várias cidades durante os dias 23, 24 e 25 de Agosto. O povo foi às ruas para manifestar a sua indignação com as políticas ambientais do atual governo e já se articula para o dia 20/09, quando acontecerá uma greve global pelo clima.   

E agora, como agir?   

Pegamos emprestado do Menos 1 Lixo essa lista com 8 coisas que você pode fazer para ajudar a causa Amazônica, que vai direto ao ponto e é totalmente possível. Bora:   

  1. Doe para organizações que trabalham diariamente pela preservação da floresta.
  2. Pare (se não, reduza drasticamente) de comer carne vermelha.
  3. Pressione por boicote internacional.
  4. Organize protestos, vá a protestos, divulgue protestos.
  5. Apoie e pesquise sobre causas ribeirinhas, indígenas e quilombolas.
  6. Apoie ativistas e negócios de impacto socioambiental.
  7. Se informe, pesquise, estude e leia jornais para se manter embasado.
  8. Cobre manifestação de pessoas que são formadoras de opinião.
Não fique indiferente. O problema é nosso!  Só será possível evitar um colapso global se todos agirem. Ainda temos tempo, mas ele é curto e precioso. Vamos juntos? Continue lendo

7 tipos de poluição e como evitá-las (parte 2)

7 tipos de poluição e como evitá-las (parte 2)

Nesse post aqui começamos uma conversa sobre poluição. Falamos sobre água, terra, ar e as maneiras mais “comuns” de poluir, além de trazer (como sempre!) dicas para reduzir as suas emissões em cada quesito.

Mas o assunto é longo, então trouxemos algumas formas de poluição menos faladas, mas não menos importantes. Vem com a gente:   

Poluição luminosa

Pense em grandes centros urbanos onde a vida não para. É luz acesa 24h por dia. Apesar de tornar as cidades mais seguras, essa iluminação sem intervalo afeta a nossa saúde, sem contar a dos animais. Pássaros ficam confusos sobre quando é dia ou noite, insetos perdem a noção de quem são, onde estão, para onde vão. E já pensou no quanto de energia se gasta deixando as luzes acesas o tempo todo?

O que fazer?  

É difícil você ter controle sobre a iluminação pública, ainda mais quando ela é um importante fator de desenvolvimento e segurança. Mas você pode reduzir as luzes na sua casa sempre que possível, desligar aparelhos eletrônicos em geral quando não estiver ou quando for dormir.   

Poluição sonora

Se você mora em uma cidade grande ou perto de zonas industriais essa já deve ser sua velha conhecida. Trânsito, máquinas, som alto, obras tudo isso comprovadamente aumenta o estresse, provoca problemas auditivos e dificulta muito a comunicação entre animais silvestres. 

O que fazer? 

Substituir o carro pela bicicleta, andar de transporte coletivo ou a pé. Esse é um tipo de poluição que precisa de soluções coletivas, como a pressão nos órgãos públicos para que haja regulamentação, além do cultivo de parques e áreas verdes para atuarem como refúgios.   

Poluição visual  

Pense em período de eleição. É isso. Essa poluição é um problema com a cara da urbanização. Propagandas, cartazes, fios elétricos, lixo, torres de telefone, placas...  

O que fazer? 

Pressão nos órgãos públicos para que haja regulamentação, além do cultivo de parques e áreas verdes para atuarem como refúgios. Na sua casa, um ambiente cheio de verde pode ajudar muito a relaxar a sua vista com estímulos naturais 🌿  

Poluição nuclear

Já viu o seriado? É tipo mais perigoso de poluição e não tem como descontaminar. Mas não é gerada só por acidentes de grandes dimensões como Chernobyl. Lixo hospitalar, resíduos de centros de pesquisas, laboratórios e até alguns produtos como inseticidas podem gerar essa contaminação. 

O que fazer? 

Se você tem contato com ambiente hospitalar, deve tomar todos os cuidados para descartar corretamente tudo que for envolvido com radiação. Fique de olho nas políticas de resíduos do hospital ou laboratório para que façam o tratamento correto. Denuncie se souber de algo irregular.   

Poluição térmica

Indústrias e usinas de energia usam água para resfriar máquinas, e essa água é devolvida ao curso com uma temperatura muito maior. Peixes e todo o ecossistema aquático podem ser afetados severamente. O desmatamento também pode causar esse aquecimento. Ao retirar árvores e plantas de margens de lagos e rios, a água fica mais exposta ao sol e absorve mais calor, mudando a dinâmica da vida que há por ali.    

O que fazer? 

Nesses casos é bem provável que você não consiga trazer ações práticas e diretas. Mas sempre vale fiscalizar como cidadão. Ficar de olho nas empresas perto da sua casa e nas que produzem o que você consome. Estar por dentro do que acontece é uma forma de saber quando você pode agir e denunciar irregularidades para órgãos competentes.

Poluição sonora aquática

Momento que você vai ler e pensar “ata”. Mas existe. Transporte marítimo, barcos, jet-skis, além de pesquisas sísmicas causam um baita ruído lá embaixo, e isso atrapalha - e muito! - a comunicação e a orientação dos animais.

Poluição espacial

Quando o cerumano literalmente vai longe demais. Sabia que quando o homem foi à lua deixou lixo por lá? Além disso, há toneladas de satélites desativados, pedaços de latarias e outros cacarecos orbitando em torno da Terra.  Além de ser uma montanha de lixo flutuante, ainda tem o perigo de cair lá de cima, se chocar com outras coisas em órbita e gerar muitos problemas.   

 

A conversa foi looonga, mas acreditamos que pra saber como agir, é sempre importante saber o que está acontecendo. Se além de separar o lixo, economizar água, apagar as luzes e andar de bicicleta você ainda quer fazer mais, lembre-se que sempre pode denunciar comportamentos inadequados para os órgãos da sua cidade. Ao se deparar com pessoas, comércios ou indústrias cometendo crimes ambientais, denuncie!

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7 tipos de poluição e como evitá-las (parte 1)

7 tipos de poluição e como evitá-las (parte 1)

Dia 14 de agosto é o Dia do Combate à Poluição. Em 2019 esse assunto está mais do que nunca em evidência, já que o tema da Semana do Meio Ambiente foi a poluição do ar. Mas essa não é a única poluição que existe, como você já deve saber.

É tanta coisa que resolvemos dividir essa conversa em duas partes: uma falando das poluições mais presentes no dia a dia e outra explicando as menos faladas, mas ainda relevantes. 
Vamos te contar um pouquinho sobre os vários tipos de poluição, de quebra queremos lembrar que todos temos poder pra reduzir a maioria, e mostraremos como:   

Poluição atmosférica:

O principal responsável pelo Aquecimento Global. É quando o ar é contaminado por gases, líquidos, partículas sólidas em suspensão e mesmo energia. Vem de carros e veículos em geral, aviões, queimadas, emissões de gases em criação intensiva de animais e até o forno à lenha da pizzaria. Falamos mais sobre essas questões nesse post aqui.

O que fazer? 

Preferir transporte público, bicicleta e se puder, ir a pé. Sabia que até as viagens de avião devem ser repensadas? Tem companhia aérea pedindo para os clientes viajarem somente quando necessário. Infelizmente, você vai ter que reavaliar a sua demanda por pizzaValorizar produtos locais que não atravessam grandes distâncias de caminhão ou avião é outra dica. E, como sempre, considerar reduzir o seu consumo de carne.   

Poluição do solo:  

Os agrotóxicos, o lixo mal gerenciado, lixões e aterros são os principais poluentes. Substâncias tóxicas se infiltram no solo e degradam tudo por onde passam. Além disso, acontece em cemitérios! 

O que fazer? 

Separar o lixo corretamente e se certificar que você está mandando o mínimo possível para os aterros é o primeiro passo. Separe, composte, recicle, reduza os descartáveis na sua vida. E quanto aos agrotóxicos, o recado é preferir, sempre que possível, alimentos orgânicos.   

Poluição da água:

A poluição das fontes de água doce afeta diretamente a disponibilidade de um dos recursos naturais mais importante que existem, além de causar a morte de muitos animais. Derramamento de esgotos, microplásticos, crimes ambientais como o de Mariana ou Brumadinho, descarte inadequado de lixo, vazamentos de petróleo, e tantas outras causas já foram explicadas aqui no blog. A contaminação dos lençóis subterrâneos também é um problema, que começa ali em cima na poluição do solo e penetra na terra, chegando à água. 

O que fazer? 

Separe o lixo corretamente, composte, recicle, reduza os descartáveis e dê preferência aos alimentos orgânicos. A receita é basicamente a mesma. E já que estamos falando sobre água, economize. Use menos.  

Curtiu? Fica de olho que logo mais tem a segunda parte da nossa super matéria sobre o assunto. Já adiantamos aqui: vamos falar sobre poluições menos comentadas, como a luminosa, a térmica e aquela que está bem famosinha graças a um seriado. ;)

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O que é Eco Ansiedade e o que fazer para evitar

O que é Eco Ansiedade e o que fazer para evitar

Sabia que saúde mental se relaciona com as questões ambientais? A tal da Eco Ansiedade é um problema que tem aumentado tanto quanto o nível dos oceanos. Entre os sintomas, ataques de pânico, pensamentos obsessivos, perda de apetite, medo, exaustão e insônia, com um gatilho em comum: a preocupação com o que está acontecendo e o que vai acontecer no futuro do nosso Planeta.

A American Psychological Association publicou em 2017 um relatório sobre os impactos da crise climática na saúde mental, usando o termo “eco-anxiety”. A revista inglesa Psychology Today descreveu o fenômeno como uma “desordem psicológica recente que afeta um número crescente de indivíduos preocupados com a crise ambiental”. E não podemos esquecer das sequelas emocionais em pessoas que passam por traumas gerados por catástrofes como enchentes e furacões - cada vez mais frequentes.

Mas para tudo, por favor, respira, se concentra: a gente não quer te ver mal. Compartilhamos tudo isso pra conscientizar e criar uma rede de pessoas interessadas e prontas para agir.  Por isso criamos essa lista com ações que você pode (e deve) fazer para evitar ou aliviar a famigerada eco ansiedade:

# Se desconecte 

Tá tudo bem cuidar de você, parar um pouco e descansar a cabeça. Saia para andar, medite, dê uma volta de bicicleta, leia um livro, veja uma série engraçadona, e muito importante - não se culpe por isso. Você precisa desses momentos para recarregar.

# Encontre pessoas com a mesma paixão que você

Pode ser online ou offline, como você preferir. Mas encontrar pessoas que estão no mesmo barco é sempre bacana para dividir experiências, traçar objetivos e ações para promover a sustentabilidade. Divida o peso, mas também os momentos de leveza.

# Faça o melhor que você pode e se dê crédito por isso 

Um passo de cada vez. Não é tudo ou nada. Cada pequena ação conta, além de fazer você se sentir no controle. A gente tem vááários posts aqui no blog com dicas pra quem quer começar a viver uma vida mais verde: aqui, aqui, aqui e aqui, por exemplo.  Se você puder, participe de mutirões de limpeza, faça voluntariado em ONGs, vá a protestos, ponha a mão na massa. Você vai sentir que está fazendo parte da mudança (e está!) e vai se sentir muito melhor. 

# Use a sua voz para impactar seu entorno

Se você gosta de uma boa conversa, chame as pessoas próximas para uma sincerona. Mas você também pode fazer isso pelas redes sociais, postando fotos inspiradoras, falando das pequenas ações que mudaram a sua vida, conversando, dividindo. Você não precisa ter milhões de seguidores para compartilhar boas ideias. 

# Se informe

Por pior que seja, não fuja da realidade. Se mantenha informado, saiba o que está acontecendo. Só assim você poderá saber quais atitudes tomar.

# Compartilhe coisas boas

Se manter informado é sempre bom, mas compartilhar só desgraça não, né? Você não precisa viver em um mundo verdinho e perfeito o tempo todo, mas mostrar que existe esperança e coisas boas acontecendo é sempre válido. Às vezes tudo que você precisa é marcar uma pessoa num post bacana. 

# Procure ajuda

Se você estiver realmente se sentindo mal, com sintomas graves de ansiedade ou depressão, por favor, não deixe de buscar ajuda médica. Se cuide. Não é frescura, saúde mental é importante e tem que ser a sua prioridade. 

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Desertificação: o que podemos fazer para combater?

Desertificação: o que podemos fazer para combater?

Você sabe o que é desertificação? Esse assunto parece distante para quem vive nas grandes cidades, mas, na verdade, está bem ligado à forma como vivemos e consumimos. Em 2018, o Brasil registrou os maiores números de desmatamento na região amazônica de toda a história e atingiu 52 hectares da Amazônia por dia. 

Existem várias teorias sobre o futuro da Amazônia caso os desmatamentos não diminuam. Uma das principais teses aponta para a savanização, ou seja, a transformação da densa floresta em uma vegetação rala. Uma sucessão de eventos trágicos poderia piorar ainda mais as coisas, levando à formação de um deserto.

Por isso, no post de hoje, decidimos falar um pouco sobre o que é desertificação e qual é o nosso papel para combatê-la. Quer saber mais sobre o assunto? Continue a leitura do conteúdo que preparamos.

O que é desertificação?

O processo de desertificação é definido como uma degradação ambiental causada pelo manejo inadequado dos recursos naturais nos espaços áridos, semiáridos e subúmidos secos, que compromete os sistemas produtivos das áreas susceptíveis, os serviços ambientais e a conservação da biodiversidade. 


A desertificação do solo acontece quando ele perde a capacidade de se renovar e se torna um solo infértil, com recursos biológicos finitos. Isso pode acontecer por conta de desmatamento, queimada, falta de irrigação ou, claro, como consequência das mudanças climáticas.

A desertificação no Brasil também é um assunto alarmante. Boa parte da região semiárida está virando deserto. Essa área engloba oito estados da região Nordeste, o norte de Minas Gerais e parte do Espírito Santo, afetando  35 milhões de pessoas e causando problemas socioeconômicos e ambientais.

Quais são as causas da desertificação?

Entre as causas da desertificação, podemos destacar as atividades humanas e intensa ocupação do solo, assim como o desmatamento, a irrigação inadequada, o uso de fertilizantes químicos e a mineração.

Esse processo causa um desequilíbrio nos ecossistemas e coloca a fauna e a flora locais em risco, ameaçando a vida de milhares de espécies, inclusive a humana. Com todos esses problemas, a atividade migratória pode se intensificar, gerando desemprego e afetando a circulação de renda em diversos municípios.

Saiba quais são as formas de combate

Segundo o Secretariado da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCDD), até 2030, 135 milhões de pessoas no mundo todo serão obrigadas a migrar devido à deterioração da terra. Porém, existem formas de combater o problema com algumas ações no dia a dia. Saiba quais são.

Repense o consumo de itens

Você já parou para pensar no consumo de água por trás das coisas que consumimos? Muitos itens que utilizamos no dia a dia gastam uma grande quantidade de água para serem produzidos. A camiseta de algodão, por exemplo,  gasta 2.700 litros para ser feita.

Para plantar o algodão, que utilizamos para fazer tecidos e roupas, gastamos água e recursos que são desviados para irrigar as plantações do material. Isso gera impactos negativos e leva à desertificação. Por isso, precisamos entender e questionar a origem do que compramos, dando preferência a peças de segunda mão ou com algodão orgânico e agroecológico.

Dê preferência a alimentos locais

A produção de alimentos também é responsável por um alto consumo de água. De acordo com a ONG Mercy for Animals, a pecuária consome ⅓ de toda a água consumida no mundo. Aqui, no blog, nós já falamos sobre o impacto negativo e o alto consumo de água na produção de alimentos de origem animal. 

Por isso, é importante lembrar de consumir alimentos locais produzidos em condições que não degradam o solo e o ambiente onde são feitos. Evitar produtos de monocultura, como a soja, que empobrecem o solo e os que não são encontrados naturalmente nas regiões onde são cultivados também são bons caminhos para evitar esse processo.  

Repense o seu voto

As políticas públicas voltadas ao meio ambiente são extremamente importantes no combate à desertificação. Por isso, precisamos entender que o nosso voto tem poder. Na hora de escolher um candidato, fique de olho em quais são as propostas para a reversão desse cenário e não deixe de cobrar ações práticas caso ele seja eleito.

Insecta: cuide do meio ambiente e faça parte da mudança com a gente

Na Insecta, acreditamos que é imprescindível perguntar quem fez, onde foi feito, e de onde vem as coisas que consumimos. Se o assunto é Meio Ambiente, o problema é de todo mundo e cada um é responsável por fazer o melhor possível. 

Aqui, no blog, você encontra outros conteúdos que podem te ajudar a repensar os hábitos de consumo e a entender como fazer parte da mudança com ações do dia a dia. Há um longo caminho pela frente, mas com pequenos passos, podemos aprender a cuidar melhor do nosso planeta. Continue lendo

Liberação de agrotóxicos: Como eles impactam a saúde?

Liberação de agrotóxicos: Como eles impactam a saúde?

Você acredita se a gente disser que somos envenenados diariamente? Parece absurdo, mas é verdade. Em média, o brasileiro consome 5,2 litros de pesticidas por ano. Um número alto, que mostra que a liberação de agrotóxicos é um problema que pode impactar a saúde de todos.

Por isso, no post de hoje, resolvemos falar um pouco mais sobre o que são agrotóxicos e quais são os impactos dessas substâncias na saúde e no meio ambiente. Continue a leitura e saiba mais.

O que são os agrotóxicos?

Os agrotóxicos ou pesticidas são produtos químicos utilizados para proteger grãos e plantas de possíveis pragas e doenças que possam comprometer as plantações.  Eles surgiram durante a Segunda Guerra Mundial e foram utilizados como arma química, mas só no período pós-guerra passaram a ser usados como o propósito que conhecemos hoje.


Alguns tipos de agrotóxicos envolvem o controle de insetos, fungos, ácaros e roedores. Mas não somente eles. A liberação de agrotóxicos e seu uso indiscriminado podem causar danos a outros animais, como as abelhas, e à saúde de seres humanos.

Quais são os efeitos dos agrotóxicos?

Um estudo que saiu há pouco tempo mostrou que uma em cada quatro cidades brasileiras têm água contaminada. É um coquetel que mistura 27 agrotóxicos identificados pelas próprias empresas de abastecimento de água. 

Dessas substâncias, 16 são classificadas pela ANVISA como altamente tóxicas e 11 são associadas a casos de câncer, disfunções hormonais, doenças crônicas e má-formação fetal. Para piorar, desses 27 pesticidas, 21 já são proibidos na União Europeia por serem extremamente danosos à saúde e ao meio ambiente.

A questão dos pesticidas no Brasil é complexa e está longe de ter uma resolução. De acordo com o Ministério da Agricultura, em 2020, o governo Bolsonaro aprovou o registro de 493 agrotóxicos, volume 4% superior ao de 2019. Segundo o Greenpeace, cerca de 30% desses agrotóxicos são vetados no bloco europeu. 

Liberação de agrotóxicos e a exploração de animais

Por conta dos agrotóxicos nos alimentos, nossa comida é tão contaminada que está sendo boicotada lá fora. E quando se fala em agrotóxico, vale lembrar que a aprovação dessas substâncias depende de estudos e testes feitos com animais.  

Os agrotóxicos fazem mal e, além de contaminarem a água, o solo, os alimentos e a saúde dos trabalhadores, enriquecem uma indústria de exploração animal e ainda são responsáveis pela morte em massa de polinizadores. As abelhas estão desaparecendo e o motivo é comprovado: a liberação de agrotóxicos. 

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 75% dos cultivos destinados à alimentação humana no mundo dependem das abelhas. Elas são tão importantes que, de acordo com a reportagem, há base legal para considerar a morte de abelhas um crime ambiental.

Como reduzir o consumo de agrotóxicos?

Como você percebeu, a liberação de agrotóxicos no Brasil é um tema difícil e que causa danos à saúde de toda a população, além de prejudicar animais e ecossistemas. 


Talvez, consumir apenas alimentos sem agrotóxico ainda não seja um caminho viável para muita gente, mas é possível reduzir a ingestão dessas substâncias com algumas dicas práticas no dia a dia.

Consuma frutas da estação

Consumir frutas da estação traz diversos benefícios à saúde, já que, na época correta, os frutos conseguem se proteger das pragas e não precisam de tantos agrotóxicos.

Dê preferência a produtores locais

Ao preferir os produtores locais, além de ajudar no sustento de diversas famílias que dependem da agricultura familiar, você pode consumir um produto mais saudável e fresco, já que eles não necessitam de longos transportes para chegar até os centros de distribuição. Por isso, que tal dar uma olhada na feira do bairro e em iniciativas de agricultura familiar da sua região?

Lave bem os alimentos

Ao lavar bem os alimentos, é possível retirar uma parte dos resíduos das substâncias químicas. Uma boa dica é utilizar uma escova para fazer uma higienização mais eficiente. Vale lembrar que esse passo não elimina todos os agrotóxicos dos alimentos, mas ajuda a reduzi-los.

 

Se puder, opte por orgânicos

Os alimentos sem agrotóxicos, ou orgânicos, são supernutritivos e saudáveis, pois não possuem nenhum pesticida. Além disso, eles são mais saborosos e produzidos com técnicas que protegem o solo e a saúde dos trabalhadores. Por isso, se puder, vale a pena fazer a substituição e incluir mais orgânicos na alimentação.

Insecta: por uma vida sem veneno

Na Insecta, acreditamos que a liberação de agrotóxicos desenfreada é um assunto que traz impactos graves à saúde e ao meio ambiente, e que a luta ainda vai longe. Contudo, os especialistas estão cada vez mais refutando o mito da necessidade dos agrotóxicos para aumentar a produtividade dos cultivos


Por isso, é preciso questionar como nos livramos dessas substâncias. Afinal, os orgânicos são mais caros? Existem alternativas para valorizar os alimentos locais e promover a segurança alimentar? Todas essas são perguntas que precisamos nos fazer, assim como ir em busca de alternativas, tornando-as mais acessíveis a todas as pessoas.

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