Calce Uma Causa

Qual o impacto ambiental da produção de um sapato?

Qual o impacto ambiental da produção de um sapato?
Na Green Friday apresentamos o nosso primeiro Relatório De Impacto Socioambiental, onde explicamos direitinho a nossa produção e falamos do futuro que queremos construir. Mas achamos que pra você entender ainda melhor a diferença que estamos fazendo (e ainda pretendemos fazer) é importante contar mais algumas coisas sobre a produção tradicional de calçados: 
  • As indústrias de calçados e vestuário geraram entre 5% e 10% da poluição global em 2016.
  • Produtos de couro têm o maior impacto (por conta da cadeia de extração e beneficiamento), seguidos pelos sintéticos (por conta da produção de polietileno e poliéster) e por fim dos calçados de tecido (afetam a disponibilidade de água doce, devido ao cultivo de algodão). 

Como a gente dribla isso? Focando a nossa em materiais veganos e cada vez mais em material reaproveitado. ;) 


Por aqui o que a gente faz é reutilizar tudo que for possível como enchimento de palmilha, evitando mandar para aterros. 

  • A indústria calçadista também gera resíduos industriais, como lodos de estações de tratamento de efluentes, cromo (utilizado no curtimento do couro), enxofre, cloro e outros compostos  altamente solúveis quando jogados (ilegalmente) na água. 
  • Eles afetam os organismos aquáticos e também os humanos, causando problemas de fígado, dermatites, irritações do trato respiratório e podem agir como disruptores endócrinos. 

 

Como evitar isso? Rastreabilidade. Estamos em contato com grande parte dos nossos fornecedores para ter certeza de que tudo que é feito nas fábricas é feito de maneira correta, e nossa meta é ter uma cadeia 100% rastreável. 

  • Um estudo feito na China concluiu que a maior parte das emissões de CO² vem do momento da produção nas fábricas, porque lá a matriz energética dominante é a queima de carvão. 
  • No Brasil temos uma matriz energética muito mais limpa, e quando você consome marcas locais ajuda a evitar essas emissões lá no outro lado do planeta (além das geradas no transporte). 
  • Priorizar produtos feitos em menor escala também é uma maneira de ajudar a reduzir emissões, seja lá onde for a produção. 

A indústria calçadista ainda tem muitos problemas, mas sabemos que pode melhorar, é só querer. Estamos aqui, abrindo caminhos e mostrando que é possível uma produção mais limpa e responsável, mas precisamos que todo mundo embarque nessa com a gente. Vamos?  

Ah, você ainda não viu o nosso relatório? Clique aqui pra conferir! Continue lendo

5 atitudes que podemos aprender (e levar pra vida) com a Semana do Meio Ambiente

5 atitudes que podemos aprender (e levar pra vida) com a Semana do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado todo dia 5 de junho e é o maior evento relacionado ao tema que existe. 💚 Esse ano (2019, pra você que chegou depois), com sede na China, o tema das discussões durante a semana que vai de 3 a 7 é “poluição do ar”.

Qual a importância disso?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 7 milhões de pessoas morrem todo ano vítimas de doenças relacionadas à poluição do ar. No ano passado, alguns estudos ligaram esse problema até a casos de diabetes. A poluição do ar afeta inclusive o crescimento das árvores em grandes cidades como São Paulo.

Em 2018 foi lançado o relatório “Poluição do Ar na Ásia e no Pacífico: Soluções Baseadas em Ciência” que estabelece 25 medidas com uma meta ousada: garantir ar limpo para 1 bilhão de pessoas até 2030. Dá uma olhada nelas (em inglês) aqui.

O que fazer a respeito?

Você deve ter percebido que a maioria das medidas é relacionada a indústrias, governos, e mudanças em larga escala. Mas não é por isso que nós vamos sentar e esperar que eles se mexam, né? Nós já falamos sobre poluição do ar aqui no blog e sobre como todos podemos ajudar a melhorar esse problema com pequenas mudanças. O que a gente pode fazer? (e dá pra começar agora!)

  1. Deixar o carro em casa e dar preferência ao transporte coletivo ou, quando possível, bicicleta, patinete e afins.
  2. O clássico desligar luz, computador e qualquer coisa alimentada pela energia elétrica quando não estiver usando (incluindo o carregador do celular que fica esquecido na tomada).
  3.  Consumir produtos locais é ótimo para reduzir as emissões de poluentes do transporte. Se ligar na hora de escolher geladeiras e refrigeradores de ar: muito da poluição doméstica vem de gases produzidos por esses aparelhos. Use com responsabilidade e confira a eficiência energética antes de comprar. Consumir produtos locais também é ótimo para reduzir as emissões de poluentes do transporte.
  4. Reduza (ou zere, se possível) o consumo de Isopor, e quando for necessário utiliza-lo faça o descarte correto, nós já falamos sobre isso aqui no Blog. O isopor é um dos maiores poluidores dos oceanos e quando descartado do jeito errado, se aventura e sai por aí indo parar em lagos, rios e mares, onde fica boiando e é engolido por animais.
  5. Além de tudo isso, vamos falar daquele assunto velho conhecido: precisamos gerar menos lixo, principalmente o plástico que não pode ser reciclado. E precisa ser uma ação global. Em março desse ano, a União Europeia aprovou uma lei para proibir até 2021 itens como talheres, pratos, canudos outros descartáveis. A queima de resíduos plásticos a céu aberto é uma das principais fontes de poluição do ar, liberando gases tóxicos responsáveis também pelo efeito estufa. Cerca de 40% de todo o lixo do mundo é queimado, segundo estudos.   Incinerar lixo não é a solução, e sim parar de produzir (e usar!) coisas que não podem ser recicladas, pra começar.
No Brasil ainda estamos engatinhando nessa mudança em termos de políticas públicas, inclusive com algumas falhas. Mas cabe a nós fazer o possível para mudar o cenário enquanto medidas maiores não são tomadas. Vamos? Continue lendo

O problema não é o plástico

O problema não é o plástico
Quando você pensa que não tem mais nada pra problematizar, a gente vem e PÁ. Problematiza a problematização do plástico. Por mais que se fale muito (e cada vez mais, que bom) na poluição plástica, esse não é o único problema ambiental que o planeta enfrenta. Já parou pra pensar que alguns substitutos ao plástico podem ter impacto ainda maior? Olha como a coisa é complicada: um estudo Dinamarquês comparou sacolas de vários tipos de plástico, papel e algodão, e a menor pegada ambiental é... das plásticas. É onde se gasta menos energia e emite menos CO². Eles analisaram materiais diferentes considerando as sacolas disponíveis na Dinamarca:  LDPE (Polietileno de baixa densidade), PP (Polipropileno), rPET (PET reciclado), Poliéster, Biopolímero, papel pardo e algodão. No fim das contas, quem ganhou foi a LDPE - aquele plástico mais firme de algumas sacolas de supermercado. Os caras ainda fizeram estimativas de quantas vezes uma sacola de cada material precisa ser reutilizada pra compensar o impacto da sua produção e chegar aos pés da famigerada sacolinha plástica: 37 vezes para as de polipropileno, 43 vezes para as de papel pardo (papel branco tem uma pegada muuuito maior devido ao processo de branqueamento), 7100 vezes para as de algodão e cerca de 20000 se o algodão for orgânico   Mas calma, não precisa entrar em pânico. Eles analisaram quesitos bem específicos nesse estudo - o lixo marinho, por exemplo, não foi considerado. Essa pesquisa teve foco na extração de material virgem, emissões de carbono durante fabricação e transporte, geração de resíduos durante a produção, entre outros. E daí, nesses quesitos, o plástico bate o algodão.  A conclusão? Reutilize tudo até desmanchar. E quando desmanchar, conserte. A orientação final do estudo é usar e reusar até não poder mais mesmo as sacolinhas de plástico.  Essa notícia serviu pra duas coisas: 1) dar tela azul na cabeça, e 2) fazer a gente lembrar que não dá pra entrar numa guerra cega contra o plástico e esquecer de outras coisas que também são problemáticas - como, por exemplo, o processo de produção de algumas coisas, como o algodão virgem, essa fibra sedenta Quer mais um exemplo bem próximo de problematização da problematização? A história dos canudinhos. Quando a capital do Rio de Janeiro aprovou a lei que impede os vendedores de servir bebidas com canudo de plástico, muita gente comemorou. Mas como tudo nesse mundo, tem o outro lado também. Como muito bem lembrado pela Ligia nesse texto aqui, o plástico é extremamente barato. O vendedor humilde do quiosque e o pequeno comerciante já saem perdendo nessa mudança. Enquanto os grandes restaurantes tem canudos diferentões, biodegradáveis e caros, o ambulante faz o que? Opta pelo copo de plástico, que é mais barato, mas ainda é um problema ambiental.    E da inclusão, alguém lembrou? Canudos de plástico são os mais adequados para PcD (pessoas com deficiência), como a Mariana trouxe nesse desabafo. Banir o canudinho é trazer um problema para as pessoas que precisam dele. E não adianta vir com soluções como “leva um na bolsa”, ou “deixa lá é só pedir”, porque isso não é inclusão. Inclusão é, como ela falou aqui, ser apenas mais um, sem ter que ficar pedindo ajuda.  O debate é longo, e surge aqui uma baita oportunidade pra empresas e pesquisadores investirem no desenvolvimento de versões biodegradáveis e realmente eficientes de canudos dobráveis. É preciso trabalhar, antes de qualquer coisa, a empatia, e daí surgem as soluções reais.  Como sempre, não estamos trazendo nenhuma solução mágica. Queremos ampliar a conversa. Vamos respirar fundo e admitir: o problema não é o plástico. Esse é um material que trouxe muitas soluções pra muitas coisas e facilita a vida quando usado da maneira correta. O problema é como o plástico é usado. Vamos parar de tratar como descartável algo que dura pra sempre? Continue lendo

Uma peça de roupa pode liberar milhares de microplásticos na lavagem

Uma peça de roupa pode liberar milhares de microplásticos na lavagem

Microplásticos. Uma palavra, um problemão. E você ainda vai ouvir falar muito nisso, porque eles estão em tudo - tudo mesmo, incluindo a água que bebemos, a água do mar, o sal marinho, as nossas roupas e até a sua cervejinha do fim de semana. 

Os famigerados microplásticos já contaminaram o gelo do Ártico. E não vão parar de contaminar tudo se a gente continuar despejando eles às toneladas, todos os dias, nos nossos mares. Os microplásticos são pedacinhos de plástico com cerca de 5 milímetros, mas já se fala sobre pedaços de 1 milímetro ou menos em estudos científicos. E ainda tem as primas dos microplásticos, as microfibras. São fibras têxteis com menos de 5 milímetros de comprimento que são liberadas pelos tecidos durante a lavagem.  

Todo ano TRILHÕES de microfibras são liberadas nas lavagens de roupas, segundo esse estudo da Ellen Macarthur FoundationNesse relatório fica bem claro: as microfibras presentes em materiais como poliéster, acrílico e nylon foram identificadas como grandes contribuintes pro problema dos microplásticos nos oceanos. Isso significa nada menos do que: a sua brusinha pode estar intoxicando o planeta.

Num estudo brasileiro, foram feitas lavagens com e sem detergente em peças de algodão, acrílico, poliéster e poliamida. Todas as peças liberaram fibras, e ainda mais nas lavagens com detergente. A conclusão foi que uma única peça de roupa pode desprender entre milhares e centenas de milhares de fibras. Num cenário de tratamento de esgoto ideal, a conta chegou mais de 700 toneladas de fibras sintéticas em escala mundial chegando aos mares. 

Enquanto não desenvolvem filtros que impeçam essas fibras de escaparem das máquinas de lavar, tem gente tentando minimizar o problema. Tipo os caras que criaram o Guppyfriend, um saquinho pra lavar as roupas dentro, que promete segurar boa parte das fibras. Tem também a Cora Ball que você joga na máquina junto com as roupas e captura um certo volume de microfibras.

Essas (e outras que tão aparecendo todo dia) são boas ideias pra ajudar a reduzir esse problema sim, mas não são soluções. A conclusão mais lógica pra resolver essa tragédia ambiental você já deve estar imaginando. Não dá mais pra consumir sintéticos como se não houvesse amanhã, porque do jeito que tá, é possível que não haja mesmo.

Então o que cada um de nós pode fazer é optar sempre que possível por peças de materiais naturais (como algodão, liocel, fibra de bambu, linho, modal), otimizar as lavagens das roupas na máquina  e (essa a gente sabe que é difícil, mas não custa tentar) lavar menos na máquina e mais à mão. Pra saber mais sobre toda a questão do plástico nos oceanos, nós indicamos a websérie Mares Limpos produzida pelo Menos 1 Lixo em parceria com a ONU Meio Ambiente. E pra uma dose bem didática e rápida de informação tem esse vídeo que fala justamente sobre as microfibras:

Nada como entender o problema pra conseguir agir da melhor maneira, né? Ah, e vale sempre lembrar: não precisa se preocupar com a liberação de microplásticos nos nossos tecidos PET! Explicamos direitinho nesse post como tá tudo sob controle por aqui.

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Usamos PET reciclado nos nossos sapatos e tá tudo bem

Usamos PET reciclado nos nossos sapatos e tá tudo bem

Já passamos do dia da sobrecarga do planeta , que veio mais cedo que nunca, mas nem tudo está perdido. Nesse ano de 2018 a campanha do Julho Sem Plástico virou assunto, tem leis banindo canudinhos e sacolas plásticas e temos visto várias ações que mostram que sim, tem como pensar num mundo com menos lixo. E junto com isso, as pessoas começaram a pensar mais e questionar o uso desse material como descartável.

Um dos debates mais interessantes que vimos é o do Modefica, que questiona como ninguém muitas verdades absolutas. Então, vamos logo ao ponto: é verdade que PET reciclado não é uma solução sustentável pra moda?

Antes de mais nada, vamos falar sobre responsabilidade. Tem a responsabilidade estendida, que é da empresa. Isso significa que quando fazemos e vendemos algo, isso é problema nosso pra sempre. Basicamente, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que produz" - ainda mais se for plástico.

Quando esse produto é comprado, vira responsabilidade do consumidor também. Isso é responsabilidade compartilhada. Os nossos sapatos não vão parar em aterros sanitários se depender de nós (e “nós” inclui você e a Insecta).

Temos um projeto de fechamento de ciclo, onde você devolve o sapato usado e nós transformamos em componentes para sapatos novos. Então, independente da composição do tecido (que pode ser 100% PET ou PET + algodão reciclado), ele vira recheio de palmilhas. E vira muitas vezes sem problemas. Sem aterro, sem plástico indo parar onde não deve.

Quando o problema é microplástico, vale lembrar que essa é uma questão muito mais ligada a roupas, que são lavadas constantemente e soltam esses resíduos no enxágue. Sapatos nem devem ser lavados em máquina ou ficar de molho, né? Aconselhamos limpar os nossos com um pano úmido ou escova macia. A sujeira sai, mas os microplásticos não.

E agora vale aquela lembrança: nós trabalhamos com materiais reaproveitados sempre que possível. Damos vida nova a materiais que já existem e que podiam virar lixo. É o caso das garrafas PET que transformamos em tecido - pra ter ideia, em quatro anos de empresa, cerca de 10.532 garrafas de plástico viraram sapatos, e muitos já voltaram para o fim de ciclo, ao invés de irem para o lixo.

Entendemos que esse sistema pode não ser perfeito. Mas como gostamos de falar, aqui na Insecta nós temos a humildade pra saber que não vamos conseguir curar o mundo, por mais que tenhamos muita vontade. Nosso objetivo é incentivar as pequenas ações pra que todo mundo saiba que pode ajudar sim, e que aos pouquinhos as mudanças acontecem.

E além de tudo isso, vale lembrar que estamos sempre pesquisando e trabalhando pra criar soluções melhores. Nada é definitivo. Sempre pode melhorar.

Quer continuar essa conversa? Tem alguma dúvida? Quer saber mais sobre como fazemos nossos sapatos? Vamos conversar. Pode ser pelas nossas redes sociais ou pelo hello@insectashoes.com

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O seu cristal pode ser um problema

O seu cristal pode ser um problema

Sabe aquele cristal de quartzo ou ametista que você tem aí pra atrair boas energias? Você por acaso sabe de onde essa pedra veio? É bem provável que não, porque não é moleza ter esse tipo de informação. E lamentamos informar, até os inofensivos cristais podem ser fruto de exploração de pessoas e danos ao meio ambiente. ):

Você já ouviu falar em toda a questão dos diamantes e de como a sua extração envolve crimes seríssimos contra pessoas, animais e o planeta, né?

Os cristais de menor valor (as chamadas “pedras semi-preciosas) também podem ser bem problemáticos, principalmente por conta dos garimpos clandestinos. É problema que não acaba mais: trabalho escravo, desmatamento, degradação ambiental, riscos à saúde dos trabalhadores e outros impactos que vão muito além, como a produção de lixo nos acampamentos, fogueiras, caça de animais silvestres e escavações feitas sem nenhum cuidado. Ainda tem o impacto social, que chega nas cidades próximas. Vai desde o aumento na demanda dos serviços locais até o aumento da violência e prostituição.

 

Garimpo ilegal de ametista em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

Lá em 2011 aconteceu a Operação Senzala em Diamantina. Foram libertadas 31 pessoas que viviam em condições análogas à escravidão numa mina de cristal de quartzo. Estavam sem água potável nem instalações sanitárias, sem treinamento pra operar máquinas (o que aumenta o risco de acidentes) e trabalhando em jornadas exaustivas sem equipamentos de proteção individual (os famosos EPIs). Se quisessem botas, luvas, chapéus e material de higiene, isso era por conta de cada um. Outro problemão é em relação à saúde dos trabalhadores. Nas galerias subterrâneas, eles fazem perfurações nas rochas e usam explosivos pra abrir novos caminhos. Isso libera poeira e gases tóxicos que podem causar danos à saúde como a silicose, uma doença pulmonar crônica e incurável, causada pela exposição à sílica, muito comum nesses ambientes.

Garimpo ilegal de ametista em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

Por isso, quando você vai comprar aquela pedra toda mística e energizada é muito importante exigir do comerciante que ele trabalhe com mineradoras de acordo com o comércio justo. Segundo o presidente do Sindijoias de Minas Gerais, os comerciantes só podem comprar pedras preciosas de mineradoras legalizadas ou de cooperativas de garimpeiros - sejam esses empresários daqui mesmo ou de fora do Brasil.  

Mas a realidade do contrabando e do garimpo clandestino ainda é muito comum. Comprar pedra lá fora pode ser cilada também. Muitos comerciantes da Índia, China, Tailândia e Japão enriquecem garimpos clandestinos levando pedras daqui para fora do país E aí se o papo é clandestinidade você já sabe, né? O consumidor final paga barato por um produto que deixou pra trás trabalhadores explorados, invasão de terras indígenas, violência e danos ao meio ambiente.

Até o garimpo legalizado precisa de etapas como o desmatamento da área antes de fazer a perfuração, então pense nos ecossistemas que podem ser degradados pra sempre se isso for feito sem planejamento. A exploração mineral ilegal, feita com equipamentos como escavadeiras hidráulicas, brocas e furadeiras, pode ainda trazer mercúrio à superfície. Ele contamina a água e entra rapidinho na cadeia alimentar, prejudicando desde os menores bichinhos até as pessoas que vivem perto. Trabalhos de garimpos ilegais soterram nascentes e acabam com a água de comunidades próximas, que são, muitas vezes, comunidades carentes que dependem desses rios para ter acesso à água e viver. Já o garimpo mecanizado (com máquinas), pode destruir margens de rios e acabar com ecossistemas locais.

Garimpo ilegal em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

E aí, como fazer pra saber se estamos compactuando com isso tudo? Infelizmente, ainda não é fácil ter uma garantia da origem dos cristais em questão. Pra esse caso não temos uma resposta simples. A melhor saída é aquela mesma de sempre: dar preferência pra produção local, comprar de marcas menores e de quem vende pedras extraídas em garimpos próximos (onde é possível ter o contato mais direto com os responsáveis), exigir da sua marca ou loja preferida que ela corra atrás desse controle. Pensar, questionar, se informar e exigir que as empresas se atualizem. Assim como você pergunta quem fez suas roupas, saber de onde veio qualquer coisa é muito, muito importante para um consumo mais consciente e responsável.

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Estamos na lista B Corp Best for the World 2018! 🐞

Estamos na lista B Corp Best for the World 2018! 🐞

Todo ano sai a lista “B Corp Best for the World” (Melhor Empresa B para o Mundo), que é um reconhecimento às empresas que criam impactos positivos com o seus negócios. Nós saímos nessa lista! Conquistamos um lugar na categoria Meio Ambiente pelas nossas práticas no ano de 2017. 💚

A Certificação B a gente mostrou aqui, lembra? Recebemos esse selo porque somos uma empresa economicamente rentável que faz o possível pra que os negócios sejam usados como uma força para mudanças positivas. Ou seja, queremos ser melhores para o mundo e fazemos acontecer

O reconhecimento é feito pela ONG B Lab, que avalia empresas em seis categorias diferentes: Meio ambiente, Clientes, Trabalhadores, Comunidade, Governança e Pontuação Geral. Hoje são mais de 2.400 empresas com Certificação B no mundo. Nós estamos entre as 145 Empresas B da América Latina, e como já contamos, fomos a 1ª empresa de calçados a conseguir a certificação no Brasil, e a 2ª de moda, lá em 2016.

E por que conquistamos esse lugar especial? Porque como você provavelmente já tá sabendo, nos preocupamos com o planeta e fazemos o possível pra que a nossa produção e os nossos produtos reflitam isso na prática, na vida real. A avaliação de impacto B leva em conta o  desempenho ambiental das empresas nas instalações, materiais, emissões e uso de recursos e energia. Nós respondemos um questionário sobre a nossa cadeia de distribuição e transporte e o impacto ambiental de todo o nosso processo.

Também é importante que os produtos resolvam alguma questão ambiental - no nosso caso, usamos materiais reciclados, trabalhamos muito pra reduzir ao máximo nossa geração de resíduos e ainda fechamos o ciclo dos nossos produtos, transformando em novos sapatos ao invés de descartes. Estamos super felizes e queremos dividir isso com você. Assim, você pode ainda mais tranquilidade sabendo que quando compra um Insecta ele tem todo esse pensamento por trás, e é reconhecido. 💚

Quer conhecer outras empresas que, assim como a gente, têm práticas do bem? Clica pra saber: bthechange.com/bestfortheworld

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Webserie "Mares Limpos" vai falar sobre o problema do plástico nos oceanos

Webserie "Mares Limpos" vai falar sobre o problema do plástico nos oceanos

Você que nos acompanha já deve estar por dentro de toda a questão do lixo nos oceanos, né? Vira e mexe falamos por aqui sobre o problema dos plásticos descartáveis e sempre que podemos trazemos dicas pra contornar a situação que não é nada animadora. 8 milhões de toneladas de plástico são descartadas anualmente nos oceanos, e por conta disso há previsões de que em 30 anos vai ter mais plástico do que peixe no mar. Ninguém mais está livre: os famigerados microplásticos já chegaram nas águas da Antártida.

A Fe Cortez, do Menos 1 Lixo, produziu em parceria com a ONU Meio Ambiente uma websérie falando justamente sobre essa situação. "Mares Limpos" é uma produção com 10 episódios bem educativa, que tem tudo pra ser aquele empurrão que falta pra muita gente começar a pensar melhor as suas escolhas cotidianas. 

Mas a gente não tá aqui só pra te contar que vai rolar essa série e falar pra você assistir. Queremos que você compartilhe, mostre pros amigos, marque a família nos comentários e faça que mais pessoas comecem a pensar em maneiras de reduzir o plástico na vida e, consequentemente, nos oceanos. Bora todo mundo junto? A websérie Mares Limpos vai ao ar a partir de hoje, 07 de junho, no canal do Menos 1 Lixo. Já começa a assistir!

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Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Ser mulher, ser mãe e educar filhos não é moleza, a gente sabe. Mas sabemos também que o mundo tá diferente, tá mudando. Temos uma geração de mães que ensinam empatia, feminismo e consciência ambiental pros filhos porque esses são valores que elas vivem. São mulheres que admiramos demais. Na Insecta temos uma mãe na equipe. A Bia, nossa designer, é mãe da Laura, de 2 anos e 6 meses. Laurinha já tinha muito contato com a natureza mesmo antes de andar, e adora. Ela aprende com a mãe a importância de cuidar do meio ambiente, das plantas, não desperdiçar água e cuidar dos animais. Hoje ela já sabe até separar o lixo e leva a própria sacola pro supermercado ou feira. Imagina a cena, gente ♡

Outra mulher que admiramos é a Timeni, mãe da Helena, de 11 meses. A pequena está em outra fase, ainda mama no peito, aprendendo andar, não fala mamãe nem papai (mas o irmão da Timeni garante que já fala titio). Ela tenta ser a sua melhor versão pra ser um exemplo pra filha. Abriu mão das fraldas descartáveis e usa as de pano, uma escolha bem consciente e sustentável que a gente sabe que demanda sair da zona de conforto.

A Letícia é mãe do Nícolas, de 2 anos e 8 meses, que é uma daquelas crianças que chegou de surpresa e pelo visto já tomou conta: ela contou que ele tem energia de sobra. A família dela é de vegetarianos, e o Nícolas é educado pra tratar bem os animais - que ele gosta até demais, adora apertar os bichinhos (grrrr, ganas).

Já o desafio da Mariana é ser mãe de dois. Ben, de 5 anos, “é um menino da terra, da areia, da lama, do mar”, como ela nos contou. Nina, de 3, sabe o que quer e como quer desde bebê. Os filhos da Mari têm a sorte de conviverem com o sítio dos avós. Eles sabem de onde vem a comida e presenciam os momentos de plantar e colher.

Perguntamos pra essas mulheres como funciona na vida real criar filhos com escolhas mais conscientes e sustentáveis. Bia tem uma horta de temperos em casa e procura ensinar Laurinha a valorizar o sabor real dos alimentos. Timeni encontra com facilidade em São Paulo verduras e grãos orgânicos, mas acha perrengue especialmente produtos de higiene, vestimenta e limpeza mais sustentáveis. Letícia acredita no equilíbrio. Ela dá preferência pra alimentação saudável, mas não priva o filho de provar coisas, como por exemplo um bolo de chocolate em algum aniversário. Mariana contou que a chegada do primeiro filho trouxe uma mudança pra ela também, que passou a se alimentar de orgânicos e integrais e optou por um consumo mais consciente. E a Bia ainda tocou num assunto bem importante que pra nós faz todo o sentido: ela procura roupas em brechós infantis e grupo de trocas de mães - que é uma grande sacada justamente naquelas fases em que as roupinhas duram meses e já não servem mais.

E como levar as ideias de feminismo pra criação dos filhos? Pra Bia, essas questões tem que ser reforçadas quase que diariamente, porque as pessoas não sentem como palavras ditas naturalmente podem ser machistas e ofensivas. Timeni sente a mesma coisa e faz o possível pra educar quem está ao redor da Helena e criar um ambiente sem discursos nocivos. Letícia entende que precisa ensinar o filho que não existe divisão de gênero. Ela pratica esses ensinamentos diariamente, seja na decisão de não cortar o cabelo do filho com um “corte de menino”, comprar roupas confortáveis independente de serem da seção feminina ou masculina e chamar colegas mais próximas de "amigas" e não de "namoradinhas". É isso que deixa ela confiante: “sei que a medida que ele for crescendo vai ser mais difícil barrar as influências externas e que pra isso ele vai ter que ter uma base boa e muito consciente em casa.”

No caso da Mariana, que tem um filho e uma filha, o desafio é mostrar que apesar do que ainda é dito por aí, os dois são iguais, com os mesmos direitos. Ela ensina que eles devem cuidar e apoiar um ao outro na busca dos seus sonhos, e ambos têm o mesmo incentivo e as mesmas oportunidades. Feminismo também é sobre se conectar com outras mulheres, ter um momento de trocas, conversas e conselhos. Alguns períodos de adaptação, como o puerperio (quando a mãe e o bebê estão “se conhecendo”), são difíceis e Mariana acredita que teria sido ainda mais se não fosse pelas conversas com outras mães. Também temos a vantagem da internet, onde rolam grupos de discussão, blogs, vlogs, stories, apps, como lembrado pela Timeni.

Quando o assunto é uma educação mais sustentável e feminista, a Bia conta que alguns assuntos ainda devem ser abordados aos poucos, ou com mulheres que compartilham das mesmas ideias para que sejam enriquecedor e prazeroso, sem julgamentos. E num exemplo de sororidade na prática, Letícia contou que as amigas não tem filhos, mas apoiam a maneira que ela cria o Nícolas, dão dicas, compartilham links de reportagens e também aprendem muito com ela.

Esse texto foi pensado pra o Dia das Mães, mas a gente quer mais é ver a mulherada se conectando, trocando, se apoiando e ajudando diariamente pra tornar o mundo mais saudável pra todos. Como a Mari disse, “criar seus filhos para o mundo junto a pessoas que acreditam no mesmo que você é muito mais fácil”. Vamos juntas? ♡

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O que têm em comum PANCs, autonomia alimentar e Jardim Botânico?

O que têm em comum PANCs, autonomia alimentar e Jardim Botânico?

Na última Virada Sustentável fizemos uma expedição ao Jardim Botânico de Porto Alegre. As guias foram as biólogas Paula Braga Fagundes e Denise Dalbosco Dellaglio, que foram conversando e trazendo vários assuntos que amamos durante o passeio. Achamos tudo tão interessante que deu vontade de trazer aqui pra quem não estava lá aprender também.

A escolha do Jardim Botânico não foi por acaso. É um dos nossos cenários preferidos pra fotos e abriga a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, que tá correndo risco de ser fechada por falta de apoio do governo. Encerrar atividades de fundações como essa mostra uma baita falta de interesse na pesquisa e na produção de conhecimento em relação ao meio ambiente. E isso tem bem a ver com os dois conceitos que as biólogas apresentaram no nosso passeio: autonomia alimentar e soberania alimentar.

De um jeito beeem simplificado, a ideia é valorizar o cultivo de espécies locais por agricultores locais. Se pensar no Brasilzão, parece loucura não aproveitar todo nosso potencial. Quando o assunto é biodiversidade, somos um dos países mais importantes do planeta (isso sempre ouvimos na escola, lembra?). Só que apesar disso a nossa agricultura ainda é muito baseada em espécies que nem são naturais daqui, cultivadas com pesticidas e sementes geneticamente modificadas.

A coisa é tão doida que chega ao ponto de empresas de herbicidas tratarem pitangueiras, goiabeiras, carqueja, cambará e outras plantinhas nativas como ervas daninhas que devem ser eliminadas. Os alimentos que compramos em supermercados viajam milhares de quilômetros enquanto a produção local fica de lado por falta de incentivos.

Como a própria Paula Fagundes nos contou: "pensar em soberania alimentar serve pra refletirmos sobre a diversidade oferecida nos supermercados, que se restringe a poucas e sempre mesmas espécies, enquanto moramos no país com a maior biodiversidade em plantas do planeta". A bióloga trouxe o exemplo da feijoa/goiabeira serrana (Acca selowiana), uma goiabinha da serra gaúcha muito consumida na Nova Zelândia, mas não aqui. A produção local, que além de ser mais saudável, evitar desperdício, gastos com transporte, poluição e valorizar a biodiversidade, ainda valoriza o produtor. Quanto mais regionalizada a produção, mais bem remunerado é o agricultor. É ganha-ganha-ganha.

Aí voltamos ao assunto do Jardim Botânico: trabalhos como o da Fundação Zoobotânica ajudam a cuidar do nosso patrimônio natural. Eles tem projetos de pesquisa e proteção da biodiversidade local, planejamento de conservação de biodiversidade, produção de sementes e mudas, acolhimento e destinação de animais silvestres feridos ou vítimas de tráfico (o CETAS - Centro de Triagem de Animais Silvestres), e, claro, tudo isso ainda oferecendo um espaço lindo cheio de verde 💚  Um dos jeitos de valorizar as plantas nativas e ter mais autonomia é pensar nas PANCS, as plantas alimentícias não convencionais. É bem provável que você já tenha ouvido falar nelas.

O professor Valdely Kinupp (que é um dos grandes nomes quando o assunto é PANC) fez uma pesquisa na região metropolitana de Porto Alegre e encontrou 1.500 espécies nativas, sendo que 311 delas (21%) podem ser consumidas como alimento e gerar renda. Provavelmente muitas delas crescem livremente em quintais, mas vão sendo eliminadas porque ninguém sabe do seu potencial!  

Como a gente adora mostrar o lado otimista aqui, muita gente anda botando a mão no mato (não ia fazer essa piada, mas não deu pra resistir). Tem muitos (muitos!) blogs bacanas e iniciativas falando sobre PANCs, ensinando como cultivar, cozinhar e como valorizar essas plantinhas com tanto potencial. Pra citar alguns: Outra Cozinha, Come-se, Jaca Verde, Crioula, Movimento Other Food e Projeto colaborativo Ka'a-eté, que mapeia PANCs. Concordamos com Glenn Makuta: comer é um ato político.

Tudo que a gente põe no prato tem uma história e é muito bom ter o poder de decidir qual história valorizar. Quando se pensa em meio ambiente, além de tirar a carne do prato, comprar na feirinha orgânica e fechar a torneira, é importante também apoiar políticas que valorizem os produtores locais e a conservação da nossa biodiversidade.

As instituições que trabalham com pesquisa nessa área são cada vez mais necessárias - a bióloga Paula Fagundes contou que as espécies nativas são um foco de estudo muito importante pra contornar a fome que será acentuada pelas mudanças climáticas (que já tão aí). Só assim a gente consegue chegar num patamar de soberania alimentar, aproveitando tudo que temos sem depender (e pagar caro) só das coisas que vem de fora.

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