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Lavar as mãos (infelizmente) não é uma realidade para todos

Lavar as mãos (infelizmente) não é uma realidade para todos

Nós, como um pequeno negócio, estamos passando por um momento de muitas incertezas desde que fechamos nossas lojas por conta do COVID-19.

Entretanto, é necessário entender nosso lugar de privilégio frente à essa situação, né? Nosso novo Liliocera é o chinelo-pantufa pensado para passarmos por esse momento com muita cor e consciência, e 6% do valor dessas vendas será repassado diretamente para União dos Moradores de Paraisópolis para que possam redistribuir esse $ da melhor forma.

Mas por que Paraisópolis? O que está acontecendo?

Em meio à crise do COVID-19, na internet surgiu um novo desafio ensinando como lavar as mãos corretamente. É um movimento ótimo, afinal de contas lavar as mãos pode mesmo salvar vidas em tempos de surtos virais, e por ser uma medida de higiene tão básica é impactante pensar que não é algo que pode ser seguido por todos.

Quando pensamos em escassez por conta do corona vírus, nosso imaginário pode criar imediatamente cenas com pacotes de papel higiênico pra lá, caixas e mais caixas com mantimentos e álcool gel para cá, afinal pra parte da população o medo de que falte mantimentos os faz querer estocar produtos básicos.

Mas de acordo com o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), hoje quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, representando 16,5% da população do Brasil. Como, então, tomar as medidas básicas de higiene contra o vírus em condições como essas?

Além da falta de água, há a falta de ajuda do governo na prestação de socorro. Explicitando: o SAMU não chega. Isso levou Paraisópolis, a segunda maior comunidade de São Paulo, a contratar um serviço médico privado 24 horas por dia, incluindo ambulâncias, médicos, enfermeiras e socorristas para combater o vírus na comunidade. E isso não é de hoje não, viu?

Equipe médica caminha por Paraisópolis, em São Paulo – Amanda Perobelli/Reuters

Quem estava desassistido pelo Estado, agora está mais ainda. Muitos dos moradores dessa comunidade trabalham no bairro vizinho, o Morumbi, marco zero do surto no Brasil, o que faz com que estejam na linha de frente em termos de risco.

O isolamento também se torna um desafio quando pensamos em casas de um único cômodo abrigando uma família inteira. Na tentativa de enfrentar esse desafio, a associação de moradores está tentando usar duas escolas locais – fechadas devido ao vírus – para abrigar até 500 casos suspeitos e confirmados, sem sintomas graves.

Seja comprando água, sabão, ou auxiliando no pagamento do serviço médico que tem atendido a comunidade, o intuito é ajudar de alguma forma quem mais precisa. Vamos juntos?

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O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que estamos vivendo, com todas as consequências catastróficas e milhares de mortes tem, segundo especialistas, origem na exploração da natureza e dos animais. E não é a primeira vez que acontece. 

Em 2003 o vírus SARS surgiu numa situação parecida e matou quase 800 pessoas. Os dois são da família “coronavírus”, transmitidos entre animais silvestres. O que aconteceu foi que seres humanos entraram na corrente de contaminação ao consumir carne em mercados de animais silvestres, mantidos e abatidos sob péssimas condições sanitárias.

A ciência avisou. 

Doenças transmitidas de animais para humanos serão cada vez mais comuns se continuarmos a destruir habitats. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong avisaram em 2007 que se nada mudasse outro caso como o de 2003 aconteceria. Segundo eles, o crescimento da demanda por proteína animal era uma “bomba relógio”. O governo local não fez nada a respeito, inclusive liberando o comércio de animais silvestres algum tempo depois do surto, por interesses econômicos.

Em 2013 a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação divulgou um relatório chamando atenção para o aumento do consumo de carne, expansão das terras agrícolas, mudanças dramáticas e outros pontos críticos para o surgimento de doenças. De acordo com a organização, desde 1940, 70% das novas doenças vieram do consumo de animais. 

Mais tarde saiu o relatório Fronteiras 2016 sobre questões emergentes de preocupação ambiental do PNUMA, citando doenças zoonóticas como Ebola, gripe aviária e Zika Vírus como exemplos das consequências de redução e fragmentação de habitats, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

E a China?

O vírus se expandiu a partir de um ponto na China, sim, mas é importante lembrar que a maioria das pessoas não consome animais silvestres, como bem explicado nesse vídeo. Sob hipótese alguma justificaríamos xenofobia e racismo. A população do país é vítima, assim como em qualquer outro lugar do mundo. 

É fácil apontar, criticar e demonizar o que não é familiar. Mas a criação de animais em confinamento existe no mundo todo, inclusive no Brasil, assim como uso de antibióticos que resultam em superbactérias, venda de carne contaminada e tráfico de animais silvestres.

Entre vários exemplos, vale lembrar do H1N1 em 2009, que surgiu entre porcos criados em confinamento no ocidente. E aqui no Brasil, cerca de 18% da carne de frango apresenta algum tipo de contaminação por salmonela, porque existe uma tolerância de até 20%. Por que isso é considerado normal?

Não é hora de apontar dedos, e sim de pensar o que estamos fazendo com o Planeta. Consumir animais, consumir o meio ambiente, consumir excessivamente qualquer coisa a qualquer custo. Enquanto não repensarmos toda a lógica de consumo, de forma sistêmica, nada vai mudar. 

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Compostagem urbana em grandes cidades é possível sim!

Compostagem urbana em grandes cidades é possível sim!

Práticas de compostagem urbana são possíveis e vamos provar! Você que nos acompanha já tá mais do que sabendo que estamos sempre de olho na questão dos resíduos, apostamos na economia circular como maneira de dar nova vida ao que já existe e defendemos arduamente a compostagem. E acreditamos que essa pode ser uma ação coletiva e uma solução para as grandes cidades. Quer ver como? 

Pra começar, vale lembrar que metade do resíduo que produzimos em casa é orgânico e compostável, mas acaba indo pro aterro (ou pior, lixão) e lá vira um problema ambiental, além de ser um baita gasto municipal - ou seja, nosso dinheiro! Se todos os resíduos orgânicos fossem compostados, os municípios economizariam MILHÕES a cada ano. 

O que está sendo feito a respeito? 

  • Na Coréia do Sul, 95% do resíduo orgânico é reciclado (ou seja, compostado). Depois de uma crise na década de 90, o governo começou a recolher recicláveis gratuitamente, mas impôs uma taxa por sacola de orgânico. Em 2006 se tornou ilegal mandar resíduos compostáveis para aterros e lixões, sendo obrigatória a separação. Hoje moradores de Seul usam sacolas biodegradáveis para restos de comida (que por sinal diminuíram drasticamente), descartados em lixeiras automatizadas. 13 mil toneladas de resíduos compostáveis produzidos diariamente na Coréia do Sul são reaproveitadas.
  • Em Boras, na Suécia, o volume de lixo nos aterros foi reduzido em 99%. Lá eles usam a biodigestão dos resíduos para gerar energia. Entre os resultados, conta de luz e transporte público mais baratos, além da despoluição do rio Viskan, que já foi um esgoto a céu aberto. 

E no Brasil? Temos bons exemplos sim! 

  • A Revolução dos Baldinhos começou em Santa Catarina há mais de 10 anos com a gestão comunitária do lixo como solução para um problema de saúde pública. Foi necessário um trabalho forte de conscientização e fiscalização. Hoje, parte do que é compostado é vendido e vira renda dos agentes comunitários envolvidos. Em 2015, o grupo realizou a I Formação em Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos que resultou em uma cartilha ensinando como se engajar na revolução.
  • Aliás, vale lembrar aqui que em Abril de 2019 Florianópolis sancionou uma lei que obriga o município a destinar adequadamente todos seus resíduos sólidos orgânicos por meio dos processos de reciclagem e compostagem - não vale mais mandar lixo orgânico para aterro ou incineração!
  • No Rio de Janeiro tem a VideVerde, primeira empresa de compostagem licenciada pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente) que cuida dos resíduos de empresas. Eles também fazem o ciclo fechado, recolhendo os resíduos, compostando, adubando e produzindo alimentos orgânicos!

E na sua cidade, tem alguma iniciativa legal? Conta pra gente! 

A maioria dessas iniciativas começaram pequenas, mas graças à colaboração da sociedade cresceram e tiveram sucesso. É preciso políticas públicas que facilitem a implementação desse tipo de ação, e pra isso temos que ficar em cima, exigir, incomodar mesmo! Não vale só esperar o governo agir. Se a gente se organizar direitinho, todo mundo composta. ;)

E, lembre-se, você só precisa de 2 galões de água pra começar a compostar em casa.

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Como reduzir o impacto ambiental em uma viagem?

Como reduzir o impacto ambiental em uma viagem?

Ei, você aí que está planejando as férias e quer saber como reduzir o impacto ambiental na sua viagem! Vem com a gente que hoje você vai saber tudinho que precisa ;)

Primeiro passo: o meio de transporte

  • Voar é um privilégio (em 2017, 3% da população mundial andou de avião) que deve ser aproveitado com consciência. Viagens de avião produzem monóxido e dióxido de carbono, óxido de nitrogênio, vapor dꞌágua, material particulado e mais uma pá de coisa que contribui com o aquecimento global. Você pode começar escolhendo companhias mais ecológicas - em buscadores tem como optar por voos com baixa emissão de CO², por exemplo.
  • Se você for dirigindo, dê carona! Carros cheios em boas condições emitem muito menos CO² por passageiro que aviões. Prepara a playlist, faz a revisão do carro e se joga na estrada!
  • Se puder optar, vá de busão! Esse é o meio de transporte mais ecológico. Uma viagem longa de ônibus pode emitir de 9g a 65g de CO² por passageiro por quilômetro rodado, em comparação com os 230g a 510g de avião.

Segundo passo: na viagem 

Em 2017, foram geradas 5,7 milhões de toneladas de lixo em voos. Copinhos, talheres, guardanapinhos embalados, cafézinho, entre outras coisas. Se cada passageiro gera em média 1,5kg por voo, vamos reduzir o que conseguimos?

  • Prefira versões digitais de bilhetes de embarque, mapas e recuse os comprovantes. Peça por SMS ou email o que for necessário e se liberrrte dos papeizinhos!
  • Shampoo, condicionador e desodorante sólidos não só são mais práticos, ecológicos e ocupam menos espaço na mala. Eles resolvem o problema do limite de líquidos permitido em voos internacionais.

E a comida? Bom, isso é uma conversa à parte. Em vôos domésticos, viagens de carro e ônibus, leve a sua marmita e seja feliz. Mas de acordo com a pesquisa da Mari Dutra, em viagens longas muitas companhias calculam a comida por passageiro e o que não for consumido, vai fora. Para evitar desperdício, opte pela sua refeição. Não deixe de levar seus talheres e copo, de qualquer forma! Como esses já vem embalados, você pode recusar. Na hora de comprar a passagem é possível especificar a refeição, e a boa notícia é que algumas companhias permitem que você recuse a refeição nesse momento, então fique de olho pra levar a marmita!


Terceiro passo: onde ficar?

  • Se puder optar, fique onde você tem acesso a uma cozinha! Cozinhe as refeições mais básicas e leve lanchinhos pra comer na rua. 
  • Vai ficar em hotel? Dispense shampoos e sabonetes descartáveis. Leve os seus! 
  • Reuse sempre as toalhas. Você não precisa lavar a cada banho, né?
  • Aqui também vale recusar comprovantes, contratos e papéis em geral. Opte pelas versões digitais!

Finalmente: curtindo a viagem

Na hora de curtir as férias no seu destino, não esqueça do seu kit lixo zero! Água na garrafinha (você pode encher em bebedouros ou filtros), copinho (para beber, comer sorvete, açaí ou mesmo pipoca), guardanapos, canudo, talheres e o que mais você julgar necessário na sua rotina. Recuse os comprovantes, use o mapa no celular e leve ecobags para as compras - ah sim, não deixe de consumir de produtores e estabelecimentos locais. ;)

Se você ainda não decidiu pra onde vai, dá um pulo nesse link aqui cheinho de dicas e destinos imperdíveis aqui no blog.

Boas férias! 

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9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

Se você está procurando por fontes pra saber mais sobre assuntos como meio ambiente, feminismo e veganismo, saiba que veio ao lugar certo. De tempos em tempos, renovamos nossa lista de preferidos com lançamentos pra você acompanhar, conhecer, se engajar e quem sabe até indicar para aqueles amigos mais difíceis de convencer.

Acreditamos que conhecimento é a base para entender as lutas que escolhemos e mostrar a importância de cada uma delas. Então prepara que aí vem uma boa dose de conhecimento pra você <3


LIVROS

Ideias para adiar o fim do mundo - Ailton Krenak

O livro de apenas 85 páginas é uma leitura leve, mas consistente. O autor, nascido na região do vale do Rio Doce, traz o olhar dos povos indígenas sobre o momento atual. Fala com propriedade sobre as relações do homem com a natureza, sobre como a modernidade nos fez esquecer que somos todos parte de um sistema e o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres.

Fominismo: quando o machismo se senta à mesa - Nora Bouazzouni 

Nesse livro de ensaios, a autora aborda as relações entre o corpo feminino, a alimentação e o patriarcado. Ao longo das páginas, percebemos como a cozinha - e a mesa - estão intimamente ligadas a questões milenares de gênero. É um daqueles livros que você ~devora e no final fica querendo mais. 

Uma vida sem lixo - Cristal Muniz

Um verdadeiro guia para quem está na empreitada de reduzir a produção de lixo e de quebra deixar a vida mais leve, mais prática (sim!) e ter mais autonomia nas escolhas do dia-a-dia. O livro da Cristal é a evolução do conteúdo já produzido no blog e ajuda a simplificar a vida em casa sem precisar colocar a sua saúde e a do Planeta em risco. 


DOCUMENTÁRIOS 

Estou me guardando para quando o carnaval chegar - Marcelo Gomes

O documentário brasileiro mostra o dia a dia na cidade de Toritama, em Pernambuco, a capital brasileira do jeans. É pra você assistir e repensar profundamente o seu consumo, especialmente de peças no material - todo ano, 20 milhões de jeans são fabricados nessa cidade através de longas jornadas em péssimas condições de trabalho. 

Sob a Pata do Boi - Marcio Isensee e Sá

Outro documentário brasileiro, dessa vez abordando o impacto da pecuária na Amazônia. Você já sabe, porque leu aqui, mas sempre vale conferir mais fontes pra entender ainda melhor e sob novas perspectivas o problema! Um documentário que põe o dedo na ferida e denuncia o que acontece por lá e também na esfera política do Brasil. 


The Next Black - David Dworsky e Victor Kohler

Vamos falar de coisa boa também? Nesse doc conhecemos novas tecnologias voltadas para a sustentabilidade e como algumas mentes criativas estão buscando inovação para o futuro da moda. Pra assistir e ver que tem, sim, como pensar um mundo melhor <3


PODCASTS 

Outras Mamas

É bem possível que você já conheça ou já tenha ouvido falar nesse que é o primeiro podcast vegano & feminista do Brasil. Formado pelas maravilhosas Thais Goldkorn e Barbara Miranda, além de convidados mega especiais, fala sobre questões de gênero, veganismo, sociedade, consumo, meio ambiente e ecofeminismo. 

Ouça no Spotify


Backstage 

O Modefica tem um podcast sobre moda, sabia? A cada edição, uma convidada ou convidado aborda o assunto sob sua ótica junto com a editora Marina Colerato. Pense em debates super ricos sobre indústria, carreira, gênero, raça e o que tiver acontecendo no mundo da moda - mas indo muito além da passarela e da capa de revista, claro! 

Ouça no Spotify ou iTunes.


Copiô, parente 

Produzido pelo ISA, Instituto Socioambiental, ONG que defende povos indígenas, comunidades tradicionais, direitos humanos e meio ambiente. O podcast é apresentado por Letícia Leite e nas suas edições semanais traz os principais destaques do universo político em torno das questões dos povos da floresta. É um canal perfeito para quem quer se informar e entender melhor meio ambiente, patrimônio cultural e direitos humanos, mas principalmente as questões das Terras Indígenas no Brasil. 

Ouça no Soundcloud.

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5 coisas que você não sabia sobre insetos polinizadores 

5 coisas que você não sabia sobre insetos polinizadores 

Lá em 1962, Rachel Carson chamou atenção do mundo para as consequências do uso de agrotóxicos em seu livro “Primavera Silenciosa”. Hoje estamos presenciando esses impactos, com contaminação da comida, água e a morte em massa de insetos polinizadores. Pouca gente sabe, mas esses insetos são importantíssimos para a vida na terra, e hoje queremos falar um pouco mais sobre eles - já que de inseto a gente entende! ;)

As abelhas não são os únicos polinizadores. Apesar de serem as mais famosas e numerosas (no Brasil, existem aproximadamente 1,7 mil espécies de abelhas), também fazem esse super trabalho borboletas, beija-flores, morcegos e até mesmo alguns macacos. 

Os polinizadores colaboram com mais de 75% dos cultivos alimentares do planeta, entre eles café, maçã, amêndoa, tomate e cacau, além de várias outras frutas e sementes. Segundo estudos, cerca de dois terços da alimentação dos seres humanos vem de plantas polinizadas.

60% das espécies de plantas cultivadas no Brasil dependem da polinização. Essas plantas são voltadas para as áreas mais variadas, desde alimentação até o biodiesel. São 141 espécies, e dessas, 85 precisam de polinização animal para crescer. 

Os insetos polinizadores ajudam a garantir segurança alimentar. O acesso de mais pessoas a uma alimentação saudável e nutritiva só pode existir graças aos polinizadores! Eles garantem a biodiversidade dos alimentos transportando pólen por grandes distâncias, enriquecendo os cultivos naturalmente. 

Eles estão correndo grande risco. Desaparecimento e mortes em massa acontecem devido à perda de habitat, mudanças climáticas e principalmente o uso de agrotóxicos. Em apenas três meses, mais de 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas por apicultores de quatro estados brasileiros, segundo a Agência Pública e Repórter Brasil. Grande parte dos agrotóxicos são fatais para os insetos, o que parece não fazer sentido: se eles são tão importantes para uma agricultura mais produtiva, por que usar produtos que causam a sua morte? Falamos mais sobre a questão dos agrotóxicos aqui

 

Quero salvar os insetos polinizadores! O que posso fazer? 

Pequenas ações do dia a dia podem fazer toda a diferença 💪

  • Prefira alimentos orgânicos sempre que possível.
  • Plante árvores e cultive flores - o que você conseguir no espaço que tem!
  • Deixe flores silvestres e ervas crescerem no seu jardim, é importante para os insetos e são fontes ricas de alimentação (inclusive para nós, no caso das PANC’s).
  • Construa um "hotel para abelhas": basta ter uma madeira oca com furos, bem acessível e ao mesmo tempo protegida de chuva e animais. Abelha solitárias irão se abrigar por lá.
Conheça iniciativas como a Sem Abelha, Sem Alimento e SOS Abelha Sem Ferrão para saber mais ;) Continue lendo

Conheça a história do Piñatex, nosso novo material 🍍

Conheça a história do Piñatex, nosso novo material 🍍

Você já ouviu falar no Piñatex, o “couro” produzido a partir de folhas de abacaxi? Lá em 2016 contamos nesse post aqui e começamos a namorar esse material incrível. 

O nascimento do Piñatex tem tudo a ver com os questionamentos e aprendizados da fundadora da empresa, Carmen Hijosa. Sempre inconformada, saiu de casa aos 19 anos e trabalhou duro até se tornar uma autoridade em design de peças em couro. Prestando consultoria para grandes empresas, entrou em contato com a cadeia produtiva desse material e descobriu o quão nociva é, tanto em termos sociais quanto ambientais. Decidiu que encontraria uma solução. 

Pesquisando fibras naturais, Carmen descobriu que a folha do abacaxi tem propriedades super interessantes e que é descarte da produção da fruta - são 25 milhões de toneladas de "lixo" proveniente do abacaxi todo ano. 

O Piñatex surgiu como subproduto da colheita de abacaxi, e fazer o material traz benefícios para as comunidades agrícolas: o processo industrial gera biomassa, que pode ser convertida em fertilizante para os fazendeiros. O Piñatex é vegano, biodegradável e pensado de forma circular. 

Além disso, toda a cadeia produtiva foi pensada do zero para ser justa, transparente e responsável social e ecologicamente, apoiando pequenas comunidades e cooperativas nas Filipinas - mas com planos de expansão. Não é à toa que Carmen foi premiada diversas vezes. Ela é uma mulher incrível e super indicamos assistir ao TED Talks em que conta a sua história, fala sobre consumo consciente e mudanças que vem de dentro para criar impactos positivos no mundo. 

Bom, e agora a novidade que estávamos querendo tanto te contar: a Insecta e a Piñatex se juntaram para produzir modelitos de Argia e Lampiris nesse material revolucionário! 

Voe para conhecer de pertinho, calce, leve para passear por aí. Clique aqui pra conhecer a linha!

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O seu protetor solar causa problemas ambientais?

O seu protetor solar causa problemas ambientais?

Se você usa protetor solar diariamente, esse post é pra você. Mas também é pra quem só usa na praia ou piscina (e deveria usar diariamente, viu?). Vamos te contar um pouco sobre protetores solares químicos, físicos e a importância de saber qual é qual. 


Protetores químicos

  • São os mais conhecidos e comprados. São feitos com ingredientes que penetram na sua pele, assim como os raios solares, e absorvem as radiações solares. 
  • Muitos dos ingredientes são nocivos à saúde e ao meio ambiente, tanto que no Brasil tem PL em tramitação para proibi-los.
  • E em lugares do México, Havaí e Palau eles já estão banidos.  
  • Mesmo que você more longe da praia ou não mergulhe no mar, os químicos vão parar na água pelo chuveiro quando você toma banho. Outra parte deles é absorvida pelo seu corpo. 

Os danos ambientais


Os danos à saúde

  • Oxibenzona (benzophenone-3): relacionada a distúrbios hormonais.  
  • ‍Homosalato (homosalate): desequilibra hormônios como estrogênio e progesterona.
  • Ensulizole (phenylbenzimidazole sulfonic acid): relacionada a casos de câncer.
  • 4-metilbenzilideno-cânfora (4-methylbenzylidene camphor): relacionado a distúrbios endócrinos.
  • Octinoxato (ethylhexyl methoxycinnamate): alergias e distúrbios hormonais.
  • Sim, todas essas substâncias aparecem na maioria dos protetores solares químicos.

MEODEOS, o que usar então?

Calma, que temos a resposta. Não precisa sair sem proteção! 

  • Uma boa opção é usar protetores físicos (além de evitar o sol entre as 10h e as 16h, apostar em chapéu, guarda-sol, mangas longas e tecidos inteligentes sempre que possível).
  • Esses protetores criam uma barreira física na nossa pele, que reflete a radiação solar.
  • São feitos com óxido de zinco e dióxido de titânio, muito mais suaves na pele. 

Legal! Posso fazer o meu em casa?

  • NÃO! E óleo de coco também não é proteção solar, ok?
  • Protetores solares físicos precisam industrializados, com regulamentação da Anvisa e farmacêutico responsável, como a Cristal Muniz explicou muito bem nesse super guia aqui.

Beleza, então onde encontro? 

As maravilhosas Nyle Ferrari, Esthefany Tavares, Juliana Rocha, Leila Marin e Tereza Thomé fizeram uma super análise de acordo com o banco de dados do Environmental Working Group’s (EWG), que é pesquisa substâncias químicas nocivas para a saúde e para o meio ambiente. Elas chegaram a uma lista com os melhores e piores protetores solares e você pode conferir aqui.


O bacana é que essa lista ainda conta com outras observações, como: se a marca testa em animais, se usa ingredientes de origem animal e ainda se o SAC é atencioso com o consumidor. ;)

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Qual o impacto ambiental da produção de um sapato?

Qual o impacto ambiental da produção de um sapato?
Na Green Friday apresentamos o nosso primeiro Relatório De Impacto Socioambiental, onde explicamos direitinho a nossa produção e falamos do futuro que queremos construir. Mas achamos que pra você entender ainda melhor a diferença que estamos fazendo (e ainda pretendemos fazer) é importante contar mais algumas coisas sobre a produção tradicional de calçados: 
  • As indústrias de calçados e vestuário geraram entre 5% e 10% da poluição global em 2016.
  • Produtos de couro têm o maior impacto (por conta da cadeia de extração e beneficiamento), seguidos pelos sintéticos (por conta da produção de polietileno e poliéster) e por fim dos calçados de tecido (afetam a disponibilidade de água doce, devido ao cultivo de algodão). 

Como a gente dribla isso? Focando a nossa em materiais veganos e cada vez mais em material reaproveitado. ;) 


Por aqui o que a gente faz é reutilizar tudo que for possível como enchimento de palmilha, evitando mandar para aterros. 

  • A indústria calçadista também gera resíduos industriais, como lodos de estações de tratamento de efluentes, cromo (utilizado no curtimento do couro), enxofre, cloro e outros compostos  altamente solúveis quando jogados (ilegalmente) na água. 
  • Eles afetam os organismos aquáticos e também os humanos, causando problemas de fígado, dermatites, irritações do trato respiratório e podem agir como disruptores endócrinos. 

 

Como evitar isso? Rastreabilidade. Estamos em contato com grande parte dos nossos fornecedores para ter certeza de que tudo que é feito nas fábricas é feito de maneira correta, e nossa meta é ter uma cadeia 100% rastreável. 

  • Um estudo feito na China concluiu que a maior parte das emissões de CO² vem do momento da produção nas fábricas, porque lá a matriz energética dominante é a queima de carvão. 
  • No Brasil temos uma matriz energética muito mais limpa, e quando você consome marcas locais ajuda a evitar essas emissões lá no outro lado do planeta (além das geradas no transporte). 
  • Priorizar produtos feitos em menor escala também é uma maneira de ajudar a reduzir emissões, seja lá onde for a produção. 

A indústria calçadista ainda tem muitos problemas, mas sabemos que pode melhorar, é só querer. Estamos aqui, abrindo caminhos e mostrando que é possível uma produção mais limpa e responsável, mas precisamos que todo mundo embarque nessa com a gente. Vamos?  

Ah, você ainda não viu o nosso relatório? Clique aqui pra conferir! Continue lendo

No dia mundial do veganismo a gente pergunta: carne vegetal é mesmo para veganos?

No dia mundial do veganismo a gente pergunta: carne vegetal é mesmo para veganos?

Parece carne, tem gosto de carne, às vezes até cheiro de carne… mas é feito de vegetais. No ano de 2019 vimos a “carne vegetal” tomar conta de menus e prateleiras rapidamente. É verdade, esse assunto não é novo- já falamos sobre em 2016, mas o que lá atrás parecia uma coisa distante, daquelas que “não tem no Brasil, meninas”, se tornou uma realidade e já tá rendendo polêmica.

O sucesso é grande e tá todo mundo de olho nesse mercado. Os hambúrgueres vegetais já correspondem a 30% das vendas totais (!!!) do Grupo Pão de Açúcar em São Paulo, depois de só 4 meses nas prateleiras dos supermercados. No mundo, só em 2018 as vendas das tais “carnes” chegaram a US$ 19,5 bilhões.

É muita grana envolvida, e empresas nada veganas como Nestlé, Tyson Foods, JBS e BRF querem a sua fatia. A Seara, do Grupo JBS, e o BRF, maior exportadora mundial de frango, não só lançaram os seus burgers vegetais como estão investindo em pesquisa para comercializar alternativas vegetarianas para frango e peixe.

A Marfrig, uma das líderes mundiais em abate de animais e produção de carne, chegou chutando a porta com o seu lançamento e rendeu uma discussão amigável com a Fazenda do Futuro. Redes de fast food como Burger King e McDonald’s aos poucos ganham seus lanches à base de vegetais e tudo isso divide opiniões. 

E aí, essas ~carnes~ são de fato veganas? E são para veganos? A verdade é que o principal alvo desses produtos é o público que gosta de carne. Por mais que o consumo de carne siga estável em escala mundial, não tem como negar que muitas (e muitas!) pessoas estão reduzindo ou deixando de consumir por diversos motivos. A proposta é facilitar a transição para uma alimentação com menos (ou sem) proteína animal, mostrando que não é preciso abrir mão do sabor de um hambúrguer.

Opções “veggie” estão cada vez mais abundantes, deixando de mirar em um público nichado, deixando pra trás preconceitos e ampliando o leque de adeptos. Mas é preciso ser cuidadoso ao rotular um produto como vegano. Por mais que ele seja produzido sem crueldade e sem ingredientes de origem animal, pode pertencer a uma empresa que não trabalha com esses valores - aqui o “greenwashing” vira “vegan washing”

A produção e o consumo da carne estão entre as maiores responsáveis pela crise climática. Já falamos sobre isso aqui, e não é difícil encontrar dados para entender o tamanho do problema. Isso que nem falamos do quesito crueldade.

No Brasil, para cada 1 milhão de reais obtidos com a pecuária bovina são 22 milhões de custos em prejuízos ambientais. Para fazer os hambúrgueres vegetais são necessários 96% menos terra, 87% menos água e 89% menos CO² em comparação aos de carne. Além disso, não são usados antibióticos e as toneladas de soja que são plantadas para alimentar os animais que logo serão abatidos não são mais necessárias. Mas apesar de tudo isso ainda se trata de uma comida processada. É fast food, mesmo que menos danoso à saúde e ao meio ambiente. Não podemos esquecer que a melhor maneira de ter uma vida saudável sendo vegano ou não é a “comida de verdade”

Então, se você quiser experimentar uma carne vegetal e levar os amigos carnívoros junto, vá na boa! Mas não esqueça que o caminho para uma alimentação mais saudável para todos é a valorização da produção local, agroecológica, orgânica e justa. Aqui nós falamos um pouco sobre soberania alimentar e super indicamos a leitura se você quer começar a se inteirar sobre esses assuntos. 

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