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Couro e desmatamento: uma relação bem próxima

Couro e desmatamento: uma relação bem próxima

Você sabe que somos uma marca vegana, então entende nosso posicionamento em relação ao couro, né? Não achamos correto sacrificar um animal - seja de vaca, cabra, cobra, crocodilo ou qualquer outro - para usar a sua pele para qualquer fim, muito menos estético. 


Muita gente argumenta em relação ao couro dizendo que “pelo menos a vaca não morreu em vão porque foi completamente aproveitada”. Além de discordarmos dessa lógica, porque em primeiro lugar a vaca nem deveria ter morrido, a verdade é que o couro não é apenas um subproduto “inocente” da indústria da carne. 


Quando falamos especificamente em vacas, o couro vem de animais criados para produzir carne, mas também da indústria do leite (quando deixam de ser lucrativas por não produzirem mais leite suficiente) e de bezerros recém-nascidos ou retirados prematuramente do útero por terem um couro macio e considerado nobre. Você acha isso certo?


É errado também pensar que os pecuaristas em geral aproveitam todas as partes dos animais para evitar o desperdício. O couro vale aproximadamente 10% do valor total de uma vaca, sendo muito valioso e representando mais receita e mais lucro. Em 2020, a indústria do couro correspondeu a 18% da receita total dos frigoríficos.

 

A produção do couro é altamente poluente


Além do veganismo, um dos nossos pilares é o ecológico, ou seja, nos preocupamos também com questões de impacto ambiental e consciência coletiva. Mais uma vez, o couro e toda a sua cadeia estão contra os nossos princípios. 


A pegada ecológica do couro é imensa. A fabricação do material consome muita água, sendo uma das indústrias mais sedentas. São gastos aproximadamente 17093 litros de água para produzir 1 quilo de couro. 


Fora isso, ainda tem o processo do curtimento, que é a pior parte em termos ambientais. Para que o couro não se decomponha (afinal é a pele de um animal!) são aplicados produtos específicos que interrompem essa degradação natural e deixam o material com textura e maleabilidade ideais para o uso. 


Os produtos químicos usados nos curtumes são altamente tóxicos e poluentes. O descarte dos efluentes acontece sem o menor cuidado em grande parte dos casos, e isso significa água contaminada indo parar em cursos d’água e no solo. 


O cromo e o arsênico são os principais materiais usados nesse processo, ambos cancerígenos. Além do dano ao ecossistema, os trabalhadores dos curtumes também têm suas vidas impactadas. Casos de câncer por exposição aos produtos tóxicos infelizmente são muito comuns.


A criação de animais em si já tem sua pegada bastante conhecida. Só que essa pegada está quase sempre associada à produção de carne, mas não podemos esquecer que o couro faz parte, além de ser uma parte lucrativa, dessa história.

Na última metade do século, 70% da floresta Amazônica foi desmatada para dar lugar a pastagens ou ao cultivo de rações, segundo o PETA. Como a gente já falou bastante aqui, a Amazônia está virando pasto. 

Curtume de couro bovino Tannery do Brasil sob responsabilidade da JBS Couros multado em 2015 por inúmeras irregularidades. Uma das mais graves foi o lançamento de efluentes no Rio Paraguai, em Cáceres, a 224 km de Cuiabá

A cadeia do couro é intimamente ligada ao desmatamento


E daí vem o problema do desmatamento. Provavelmente você ficou sabendo sobre a investigação conduzida pela Stand Earth, que relacionou mais de 150 marcas de moda com o desmatamento da floresta, né?  


A pecuária não só é um dos grandes responsáveis pelas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) no país, como é também o principal motivo de desmatamento na Amazônia.


Em 2020, o bioma perdeu a maior área dos últimos 12 anos de acordo com o Inpe: foram 11.088 km² desmatados, e a criação de gado é o principal fator. Mais de 90% do desmatamento é ilegal e dá lugar a pastos, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).


Um estudo do World Resources Institute descobriu que entre 2001 e 2015 a pecuária foi responsável pela perda de 36% da cobertura vegetal em todo o mundo. Um total de 21,8 milhões de hectares, ou 45% dessa área, foi no Brasil.  


Talvez você tenha ficado sabendo também sobre o relatório da Rainforest Foundation Norway, que divulgou que assentos de carros da Volkswagen, BMW, Daimler, grupo PSA e Renault podem estar sendo produzidos com couro proveniente de gado criado em áreas de desmatamento ilegal no Brasil.


Mais uma vez estão aí os mesmos personagens: pecuária, couro, desmatamento. E mais uma pesquisa indicando o quão difícil é rastrear as etapas dessa cadeia, já que a "lavagem de gado" é uma prática conhecida que consiste na transferência de animais de fazendas ilegais para outras que são autorizadas a fazer a venda final, entre outros métodos de burlar a fiscalização.


Essa e outras práticas clandestinas são conhecidas e “todo mundo sabe” que isso acontece. Mesmo assim, as empresas que compram gado da Amazônia têm feito pouco para evitar isso.


Então, mais uma vez, vale lembrar do poder do consumidor. Você acha certo usar a pele de um animal que foi morto, sendo que hoje existem outras alternativas? Você quer mesmo arriscar financiar o desmatamento da Amazônia? 

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10 jeitos de evitar o plástico na cozinha

10 jeitos de evitar o plástico na cozinha

Nem sempre percebemos, mas lidamos com muito plástico na cozinha! São detalhes que fazem parte do dia a dia, muitas vezes hábitos herdados de outras gerações e algumas “verdades absolutas” que não lembramos de questionar. 


Mas sabia que tem como eliminar todo esse plástico do seu cotidiano sem fazer sacrifícios? 


Seguindo nossa série de posts sobre como ter uma cozinha mais sustentável (o primeiro está aqui, vem ler), hoje é dia de falar desse vilão do meio ambiente que já estamos cansadas de saber que não tem mais lugar no mundo que queremos. 


A melhor notícia é que basta sair do piloto automático para ter uma cozinha sem plástico e com mais saúde!


  1. Plástico filme: Tem gente que não vive sem ele. Usa para embalar frutas, verduras, fechar potes e pratos com sobras de comida. O plástico filme é um hábito muito comum e presente nas cozinhas brasileiras, mas não tem nada de ecológico.

Além de ser de… plástico, ele não é reciclável e é quase impossível reaproveitar porque tem uma durabilidade baixíssima. Vale também para os plásticos que embalam alimentos que vem em bandejinhas, que por sua vez também são um problema…


Se livrar do plástico filme é fácil: use potes com tampa para guardar alimentos. Frutas não precisam ser embaladas individualmente. Se você vai levar na bolsa para lanchar, envolva em um guardanapo de pano ou um saquinho reutilizável. Para fechar pratos ou potes sem tampa, use tecidos encerados, que são laváveis e reutilizáveis. Pronto!


  1. Esponja: A esponja comum de cozinha é um problemão. Feita de uma mistura de plásticos, torna a reciclagem quase impossível, além de pouco viável economicamente. Cada plástico tem especificidades que dificultam muito a reciclagem, além de estarem amalgamados.

Outro grande problema é que essas esponjas facilmente acumulam bactérias, e isso faz com que muita gente troque de esponja com uma frequência muito grande. A história você já sabe: depois de usada, a esponja vai para o lixo comum, para o aterro e fica lá por centenas de anos. 


Troque a esponja comum por bucha vegetal. Não, a bucha não risca panelas nem pratos, porque ao ser molhada ela amolece. Você encontra em feiras livres opções de bucha sem embalagem, que podem inclusive ter cerca de 1 metro. Você vai cortando os pedacinhos e usando conforme precisar. 


A higienização é fácil: deixe de molho em água fervente, se quiser com um pouco de vinagre, sempre que achar necessário. Quando ela ficar muito mole devido ao uso, pode ir para o lixo comum ou para a composteira!


  1. Potes: A praticidade dos potes de plástico é inegável, mas você quer mesmo encher a sua cozinha com esse material? Mesmo os que dizem ser seguros para a saúde e não liberar substâncias tóxicas podem, em algum nível, ter essa liberação durante o uso e o frequente congela-esquenta-congela, além de riscarem na lavagem, mancharem e ficarem com cheiro. 

A melhor alternativa é o pote de vidro, que não mancha, não pega cheiro, não risca e pode sim ser congelado! É só não encher os potes até a boca, deixando uns dois dedos de altura vazios, e tampar depois da comida congelar. Para descongelar sem choque térmico, tire do freezer e coloque na geladeira.


Além disso, você pode reaproveitar potes de vidro de alimentos que você comprou. Não precisa sair correndo e comprar um monte de pote novo, basta guardar o que você já tem! 


  1. Utensílios: Aqui é simples: ao invés de colheres, conchas, espátulas, acessórios e aquele monte de coisa plástica e colorida, dê preferência aos materiais naturais e duráveis. 

Os utensílios de bambu estão em alta (o que significa maior acessibilidade e preços mais baratinhos) e são bonitos, além de ecológicos e naturalmente atóxicos. Sempre procure por materiais como madeira, bambu, vidro, porcelana ou inox. 


Ainda tem toda aquela variedade de cacarecos de cozinha como porta-guardanapos, porta-frios, lugares americanos, porta-copos, colherinhas, formas de gelo, tábuas de corte, abridores de latas, saca-rolhas, cabos de talheres, organizadores de gavetas, medidores, organizadores de pia, rodinhos, escorredores de louça… a lista é gigante, e garantimos que a esmagadora maioria dessas coisas tem opção em outros materiais além do plástico. 


  1. Luvas: Você usa luva para lavar a louça? A não ser que você precise por algum motivo específico, como sensibilidade na pele e alergias, a melhor dica é não usar. 

Caso seja necessário, recomendamos procurar por luvas de silicone, que são muito mais duráveis, podem ser lavadas, não rasgam como as comuns de borracha e tem durabilidade e resistência muito maiores. 


  1. Detergente: Os materiais de limpeza comuns vêm todos embalados. E as embalagens, claro, são de plástico. Como se livrar disso? Apostando em detergentes ecológicos. 

Você tem algumas opções: dispensar o detergente líquido e passar a usar sabão de coco em barra, fazer seu próprio detergente com apenas sabão de coco, vinagre e álcool, ou ainda adotar opções ecológicas que existem no mercado, que são vendidas com embalagens recicláveis de papelão. 


  1. Lixeira: Ai, o lixinho da cozinha… outro vício do brasileiro e uma das grandes desculpas para ter sempre em casa sacolinhas plásticas do supermercado. Será que precisa mesmo? 

Primeiro de tudo, você pode reduzir em até 50% o lixo da cozinha se começar a compostar. Você pode ter uma lixeira com fundo removível e lavável caso precise de uma na cozinha. Centralize todo o lixo orgânico em só um recipiente maior, que você leva para a coleta de lixo na sua rua. Isso já reduz muito a quantidade de saquinhos! 


Não, higienizar com água e detergente a sua lixeira pequena não vai representar um grande gasto de água. 


  1. Embalagens: Difícil ir ao supermercado fazer as compras mais básicas e não voltar pra casa com a sacola cheia de produtos embalados em plástico né? Essa é uma das maiores frustrações de quem tenta viver uma vida sem lixo!

A nossa dica aqui é optar sempre que possível por compras a granel e feiras. Infelizmente, nem todo mundo tem tempo e disponibilidade pra fazer isso, então também vale escolher produtos com embalagens de papelão ou vidro quando tiver a opção. 


  1. Água engarrafada: É muito fácil parar de comprar água para consumir em casa. Basta ter um (ou mais, dependendo da quantidade de pessoas que moram com você) filtro de barro ou cerâmica. Essa é uma das melhores tecnologias de filtragem que existem, a água sai fresca e limpinha, sem cheiros e sem precisar vir embalada em plástico.

Vale lembrar aqui que as “marcas de água” não vendem água, e sim garrafas. E uma porcentagem muito pequena de todo esse plástico é reciclada. Chega de garrafinhas (ou mesmo garrafonas de 20 litros) e viva o filtro!


  1. Tapetinhos: Pensou que a gente ia esquecer deles? Os tapetinhos e passadeiras são ótimos para ajudar a manter a cozinha limpa, principalmente perto de pias e fogões. Mas muitos deles são feitos em materiais como EVA, poliamida, poliéster, polipropileno, PVC e outros tipos de plástico. 

Nossa dica: prefira os tapetes de tecido ou de fibras naturais! São muito mais fáceis de lavar, você pode comprar de artesãos e fortalecer o comércio local, e se quiser “transformá-los” em tapetes antiderrapantes é só aplicar cola quente ou silicone na parte de baixo. 



E aí, conta pra gente qual dessas dicas você vai colocar em prática primeiro?


Lembrando sempre que você não precisa (aliás, não deve!) se desfazer das coisas que já tem. A ideia é não gerar lixo, certo? Então aproveite e faça durar tudo que já está por aí funcionando bem. ;)

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O que as NFTs e o metaverso têm a ver com o efeito estufa?

O que as NFTs e o metaverso têm a ver com o efeito estufa?

As NFTs, a criptoarte e o metaverso entraram em pauta e não sairão tão cedo. A moda, inclusive, tem se aliado muito a essas novas plataformas para furar a bolha, conquistar públicos diferentes ou mesmo propor soluções mais sustentáveis para o consumo.

Só que um assunto pouco falado dentro desse boom tecnológico é que, apesar do metaverso não existir fisicamente, os seus impactos existem. E eles ficam aqui mesmo, no Planeta Terra. 

Sério que até isso emite carbono? Sério. E vamos explicar como isso acontece.

Afinal, o que é um NFT?

Um NFT é um token (uma chave, um símbolo), associado a um certificado digital que assegura sua propriedade. Só existe um proprietário para cada token. A sigla NFT significa “Non-fungible Token”, ou “símbolo não fungível”. Esse conceito de fungibilidade se refere à deterioração com o tempo. Um item não-fungível é algo exclusivo e que dura “para sempre”.

Os NFTs podem ser qualquer coisa: imagens, vídeos, gifs, informações e por aí vai, desde que sejam registrados no meio digital. Diferente das criptomoedas, que funcionam como dinheiro e podem ser trocadas entre si, os NFTs são únicos e limitados.

Esses tokens são armazenados digitalmente em uma rede Blockchain, que é uma estrutura de rede de dados. Essa rede permite a verificação pública e tem segurança criptográfica, além de assegurar a propriedade do detentor e a originalidade do NFT.

Como um criptoativo polui?

Os NFTs são registros permanentes. A tecnologia usada para mantê-los não é centralizada e exige vários computadores no mundo todo executando protocolos e cálculos. Isso acontece tanto na criação de um NFT, quanto em cada vez que ele é movimentado de uma carteira digital para outra. 

Toda vez que uma obra de arte digital é criada como um token não fungível e sempre que for comprada e revendida, uma quantidade de energia será gasta por esses computadores. 

As redes utilizadas para processar e registrar NFTs são as mesmas de criptomoedas, como a Ethereum. Essa rede consome cerca de 40 TWh (terawatts-hora) por ano, segundo  estimativas de especialistas. 

Cientistas independentes chegaram à conclusão que a criação de um NFT pode produzir mais de 200 quilos de gases poluentes, equivalente a dirigir mais de 800 quilômetros em um veículo a gasolina. Algumas transações de NFTs teriam um gasto energético similar ao consumo de uma família em um país desenvolvido durante dois meses.

Ao descobrir o impacto causado pela criptoarte, o artista Memo Akten resolveu fazer as contas e rastrear a atividade de 18.000 NFTs de vários artistas. Ele considerou não só a criação das artes, mas também os lances que as obras recebem por interessados, as vendas e as revendas no mercado de arte digital, que está super aquecido. 

O resultado dessa experiência originou o site Cryptoart.WTF, uma espécie de calculadora que estimava o impacto ambiental de artes criptografadas. A intenção do site, segundo ele, nunca foi de expor os artistas, mas sim de chamar a atenção das plataformas onde as movimentações aconteciam. Só que justamente o que ele não queria aconteceu: o site teve que ser desligado porque estavam utilizando as informações para perseguir e “cancelar” artistas. 

Esse gasto energético e consequente emissão de gases do efeito estufa acontece pois essas transações usam um conceito chamado de “prova de trabalho”. Nesse sistema, um servidor precisa fazer uma série de cálculos complexos que exigem muito processamento, o que consome muita energia. 

Outro problema é o custo médio de energia nos países onde ficam os principais servidores (e mineradores de criptomoedas), levando em consideração a matriz energética local. Grande parte dos servidores estão localizados em países cuja matriz energética ainda depende de combustíveis fósseis - petróleo, carvão e gás natural, que são as mais poluentes.

E não para por aí. Se a gente for analisar friamente e problematizar todo o processo, vale lembrar do hardware: do gasto com a produção dos equipamentos, passando por sua rápida obsolescência ao lixo eletrônico no fim da linha.

E na moda?

Um assunto desse universo diretamente relacionado com a moda é a rede Blockchain em si. Pela primeira vez, é possível verificar a origem e trajetória de arquivos digitais de forma incorruptível. O Blockchain pode garantir a autoria de criações e uma cadeia totalmente transparente.

O Modefica já tinha, lá em 2017, falado sobre o grande potencial do Blockchain para mudar radicalmente a moda. Elas mostraram como esta é uma ferramenta poderosa para deixar essa indústria mais transparente, minimizar o greenwashing e aproximar os consumidores da história por trás das roupas. 

Dentro do Blockchain, cada movimentação é registrada de forma permanente. Nas cadeias de produção, cada produto tem todas as informações da sua trajetória abertas, compartilhadas e incorruptíveis. Já imaginou que revolução?

Moda e metaverso 

As marcas estão explorando o universo digital e inventando novas maneiras de criar desejo por suas peças. A “escassez digital” é uma dessas maneiras, onde uma peça tem um número limitado de tokens que só existem no metaverso para quem possuir o seu NFT, por exemplo.

Alguns designers de grandes marcas já apostaram no metaverso, como Nicolas Ghesquière, da Louis Vuitton, que assinou uma coleção de skins para o jogo League of Legends. A Balenciaga lançou uma coleção dentro do Fortnite e posteriormente apresentou a coleção de inverno 2021 com um game próprio. A Gucci lançou um tênis digital usando realidade aumentada, o The Virtual 25, que custava entre $9 e $12 dólares.

Muitos falam sobre a onda da moda digital como uma alternativa mais sustentável para reduzir o consumo de materiais e o descarte. Mas a gente fica pensando: será que isso não se torna apenas mais um jeito de “desculpar” o consumismo e perpetuar a cultura de que peças podem ser compradas para serem usadas apenas uma vez (ou, no caso, apenas para uma foto)?

Claro, uma peça de roupa digital elimina grande parte das etapas produtivas da vida real, eliminando também problemas como a exploração da mão de obra, uso de recursos não renováveis, geração de resíduos e o descarte no fim da vida útil. Só que isso tudo precisa ser analisado com cuidado, antes que o metaverso se torne um grande fast-fashion gastador de energia e gerador de gases do efeito estufa. 

A boa notícia é que já há diversas iniciativas para amenizar os impactos desse universo, mas a mais importante está só começando a ser discutida: a mudança radical da matriz energética mundial. Enquanto combustíveis fósseis forem amplamente explorados, haverá mudança climática, mesmo com uma atualização nos modelos usados pela Blockchain e os agentes envolvidos nessas transações. 

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Sua praia preferida pode deixar de existir em alguns anos

Sua praia preferida pode deixar de existir em alguns anos

As consequências da crise climática não são novidade se você acompanha as notícias: incêndios, secas, enchentes, ondas de frio, ondas de calor, chuvas que não dão trégua, pessoas desabrigadas, perdendo tudo e sendo obrigadas a deixar suas cidades… Evidências não faltam para provar que o caos climático é uma emergência ambiental e social.

Em 2021, o mundo acompanhou as catástrofes que aconteceram no Brasil e também fora dele. No Canadá, uma cidade inteira foi destruída por um incêndio florestal. Na Groenlândia, choveu no ponto mais alto pela primeira vez. 

Os incêndios florestais deram o que falar. Atingiram da Sibéria aos Estados Unidos e quebraram recordes de emissões de CO2. Só no Canadá e na Califórnia foram emitidas 83 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera.  

Julho de 2021 foi o mês mais seco na Califórnia desde o início da coleta de dados, em 1895. Os três maiores incêndios de 2021, Bootleg, Dixie e Caldor Fires, queimaram cerca de 650 mil hectares no estado. 

No Brasil, tivemos mais de 73 mil focos de incêndio só na Amazônia em 2021. A floresta não aguenta mais e chegou ao ponto de emitir mais carbono do que consegue absorver. Além disso, entramos em 2022 com um rastro de destruição causado por enchentes no sul da Bahia. 

Cientistas dizem que o que aconteceu em 2021 é uma prévia do que está por vir. Mesmo assim, o negacionismo ainda é forte, alimentado por fake news e manipulações da realidade feitas para atender interesses de setores que são grandes responsáveis pela emergência em que estamos. 

Gentrificação climática, migração climática e refugiados do clima

Nos Estados Unidos, a migração para as áreas urbanizadas cresceu assustadoramente nos últimos anos. Os eventos extremos, como secas, incêndios e furacões, são alguns dos principais responsáveis por isso. Hoje, 83% das pessoas vivem nas áreas urbanas.

Essa migração em massa já está causando impactos e sobrecarga nas cidades, como a falta de água e serviços básicos para todos. Phoenix, capital do estado do Arizona, é a cidade que mais cresce no país e já existe uma grande preocupação: quando a estação da seca chegar, vai ter água para todo mundo?

O Banco Mundial publicou um estudo prevendo que 216 milhões de pessoas em seis regiões do mundo poderão ser forçadas a se mudarem de seus países até 2050 para fugirem de eventos climáticos adversos. 

Falta de água, fome, terras cada vez menos produtivas, temperaturas elevadas, eventos extremos e aumento do nível do mar são alguns dos fatores que aumentam os números de refugiados climáticos a cada ano.

As cidades mais seguras e os locais longe das zonas de alagamento vão se tornando cada vez mais caras. A especulação imobiliária garante que os mais ricos tenham acesso a moradias que não serão atingidas (pelo menos não tão cedo) por enchentes, ressaca e avanço do mar sobre as faixas de areia. 

Cidades submersas e perda de território

Em 1900, o nível global do mar estava subindo 0.6 milímetros por ano. Depois de 1930, o número começou a dobrar a cada ano, chegando a 3.1mm por ano por volta de 1990. Desde então, os oceanos cada vez mais quentes aceleraram o derretimento das calotas polares, o que fez o nível subir ainda mais. Atualmente, o aumento é de 6 mm por ano. Em 2020, o nível global chegou ao recorde de 91.3 mm.

Tem gente que acha que milímetro é pouco, mas não se engane: esses números aparentemente ínfimos são suficientes para impactar a vida de muitas pessoas.

As cidades costeiras e as localizadas perto de deltas de rios serão obrigadas a evacuar milhões de pessoas graças à perda de território e de terras para agricultura. Entre as 10 maiores cidades do mundo, 8 ficam localizadas perto da costa do mar, de acordo com o Atlas dos Oceanos das Nações Unidas. 

No Brasil, entre as cidades mais vulneráveis estão o Rio de Janeiro, Santos, Fortaleza, Recife, Salvador e, no Sul do Brasil, o Vale do Itajaí. 

A Climate Central publicou uma pesquisa com três cenários: o pior cenário do aumento de temperatura (até 4°C) pode fazer o mar invadir terras ocupadas por até 15% da população global atual, o equivalente a cerca de um bilhão de pessoas.

No cenário considerado otimista, com aumento da temperatura média global de até 1,5º,  cerca de 100 cidades litorâneas em 39 países seriam afetadas com o aumento do nível do mar. Para isso acontecer a emissão de gases do efeito estufa deveria chegar a zero até 2050. 

O cenário realista simula um aumento de 3ºC e é alarmante. Grande parte do litoral brasileiro seria inundado pelo Atlântico. Parte do litoral paulista, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Recife teriam parte de sua infraestrutura portuária e urbana submersa.  

As praias brasileiras das regiões Sul, Sudeste e Nordeste podem perder até 150 metros de suas orlas, avenidas e prédios com o avanço das águas. As maiores perdas de faixas de praias serão registradas nos estados do Pará, Maranhão, Piauí e Ceará.

Ainda segundo esse estudo, há países que podem perder mais de 60% do seu litoral, como a República Democrática do Congo, Gâmbia, Ilhas Jersey, Suriname, Comores, Guiné-Bissau e Paquistão. A Austrália pode ter 50% do seu litoral engolido pela erosão, ou quase 11,5 mil quilômetros de praias. O Canadá perderia praias em quase 6,5 mil quilômetros do seu litoral.

A corrida já começou

Já chegamos a um ponto sem volta, onde mesmo as previsões mais otimistas contam com mudanças irreversíveis. O que fazer agora? Uma mudança radical no jeito que produzimos e vivemos é urgente, e isso não é apenas responsabilidade dos cidadãos: os governos precisam agir. 

A transição energética é um dos pontos cruciais, mas a indústria dos combustíveis fósseis não está interessada em ajudar. No estado do Texas, a cidade McCamey é conhecida como “capital eólica”, e mesmo assim a população local ainda tem uma matriz energética baseada nos combustíveis fósseis. Nem o governo local incentiva as pessoas a fazerem a transição.

A indústria petroleira cria fake news espalhando que as energias limpas são mais caras, menos confiáveis e que a economia depende do petróleo. Enquanto isso, cada vez mais pessoas vêm sofrendo as consequências da crise climática acelerada por uma sociedade baseada na queima de combustíveis fósseis. 

Quebrar as narrativas existentes e apostar na educação e na conscientização é mais do que necessário. É preciso também fazer as pessoas verem que mudança climática não é só sobre os países longínquos, é aqui, agora, é a vida de cada um de nós. 

Para muitos, a ideia de uma “emergência climática” é algo abstrato, assim como o esvaziamento dos termos relacionados a ela. Os líderes parecem pouco interessados em fazer algo a respeito, mas alguns pequenos passos já foram tomados. Precisamos de lideranças que assumam a responsabilidade. 

Temos pouco tempo para agir, e vale lembrar: 2022 é ano de eleição no Brasil. Pense nisso na hora de votar!

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Você sabe para onde vão as roupas que você doa?

Você sabe para onde vão as roupas que você doa?

Quando você doa ou descarta uma roupa, imagina onde ela vai parar? Muita gente doa para instituições, enquanto outras pessoas acabam mesmo jogando no lixo comum. A verdade desanimadora é que, em alguns casos, acaba tudo indo para o mesmo lugar. 

A essa altura você já deve ter visto ou pelo menos ouvido falar no lixão têxtil que existe no deserto do Atacama, no Chile. São verdadeiras dunas formadas por peças de roupas descartadas - a maioria delas com origem de mercados como o europeu, asiático ou estadunidense, enviadas ao país para serem revendidas na América Latina. 

As montanhas de roupa vêm da zona franca de Iquique, um porto que fica a 1.800 quilômetros da capital Santiago. Isso não é novidade. O Chile é o maior importador de roupas usadas da América Latina. Existe um comércio bem estabelecido há quase 40 anos que envolve lojas de todo o país, abastecidas com lotes comprados pela zona franca do norte dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Ásia.

Quase 60 mil toneladas de roupas de segunda mão chegam ao porto chileno anualmente, só que em torno de 39 mil toneladas vão parar nessa região do Atacama conhecida como Alto Hospicio. Tudo que não é comercializado em Santiago ou em outros países termina no deserto. 

Isso gera um movimento comum de pessoas que vão até o deserto coletar peças para revender em suas comunidades ou para levar roupas para as suas famílias. As peças de frio, tão comuns nos países do hemisfério norte, são especialmente desejadas por pessoas em situações vulneráveis.

Essa não é uma realidade apenas da América Latina. Os portos de Gana recebem milhões e milhões de peças (aproximadamente 15 milhões por semana) que são descartadas por empresas de moda e doadas para ONGs na Europa, China e Estados Unidos. Lá, são negociadas com comerciantes que as revendem. 

Só que essas roupas, que são compradas por peso, têm chegado ao país em estado cada vez pior, um reflexo direto da indústria do fast fashion, marcado por peças baratas e pouco duráveis. Os comerciantes nem os consumidores têm interesse em comprá-las e o destino é o aterro. 

Estima-se que mais ou menos 40% das roupas enviadas para Gana terminam em lixões. Alguns desses lixões estão localizados perto do mar, o que resulta em peças indo parar no oceano. 

No Brasil, a realidade é bem mais nebulosa. Não há rastreabilidade do que é doado, revendido ou descartado. Mas o que sabemos é que por aqui, tudo que não é reciclado vai para o aterro, e a reciclagem têxtil brasileira é muito mais focada em cortes, aparas e retalhos da produção de roupas, e não as roupas usadas em si. 

Por que isso acontece?

Talvez você se surpreenda, mas “terceirizar o lixo” é uma prática comum e institucionalizada em nosso planeta. Nos países mais desenvolvidos do hemisfério norte, roupas descartadas ou doadas são encaminhadas para centros de triagem que fazem uma seleção: algumas são revendidas, outras são doadas e o resto é exportado para países em desenvolvimento.

O que parece uma “caridade” dos países do norte global é uma grande sacanagem - a quantidade assustadora de roupas de segunda mão que chega nos países mais pobres afeta o crescimento econômico da indústria têxtil interna. Por exemplo: mesmo em países africanos produtores de algodão e com produção têxtil local, a roupa usada importada é mais barata que a feita em casa.

Mas a terceirização do lixo não fica só na roupa. Nessa prática, nações mais ricas se livram da responsabilidade de manejar os seus próprios resíduos. Reciclar e dar um destino adequado ao lixo é, para eles, mais caro do que simplesmente despachar para outros países. 

Até pouco tempo atrás, cerca de metade de todo o plástico descartado no mundo era enviado para ser reciclado ou processado na China. Só que o país deu um basta em 2018, porque não conseguia mais dar conta de todo o volume. A partir deste ano, a China baniu a importação de plásticos recicláveis que não têm origem industrial e o recebimento de lixo de países como os Estados Unidos. O reflexo disso foi uma sobrecarga em outros países asiáticos como Malásia, Índia, Indonésia, Bangladesh e Vietnã. 

O grande problema é que muitas vezes esse envio ocorre de forma ilegal, sem o menor controle (e respeito) e os países ricos descartam recicláveis e não recicliáveis misturados, apenas para eliminá-los de seu território. Em uma escala muito menor, é mais ou menos o que acontece quando alguém joga tudo misturado no saco de lixo para que a coleta da cidade se virar, sabe? 

Para tentar controlar essa bagunça, em 2019 mais de 180 países fecharam um acordo que entrou em vigor em 1º de Janeiro de 2021, restringindo o envio de lixo a nações mais pobres. A convenção ainda passa a considerar vários tipos de plástico como “perigosos” devido a seu potencial poluidor.

Esse acordo atualiza a Convenção da Basiléia, de 1989, que dispõe sobre o controle dos movimentos transnacionais de resíduos perigosos. Enquanto a ONU celebrou esse feito histórico, países como Estados Unidos e Brasil não aderiram. É retrocesso que chama. 

Agora, as nações que entraram no acordo têm a responsabilidade de identificar, empacotar de forma adequada, monitorar e rastrear o movimento dos dejetos plásticos para além de suas fronteiras. Não vale mais mandar qualquer coisa dentro de um contêiner para que os outros se virem. É preciso do aval dos governos locais para a entrada de qualquer carregamento, e mesmo quem não quis participar será afetado. 

Essa convenção é um reflexo de movimentos que já estavam acontecendo, e ganharam ainda mais força. Só em 2020 o Reino Unido recebeu 22 pedidos de repatriação de lixo plástico de sete países. A Malásia devolveu 42 contêineres de resíduos ilegais só no mês de janeiro. A ministra do Meio Ambiente Yeo Bee Yin disse que a Malásia não vai se transformar em um lixão dos países desenvolvidos, e ainda alfinetou: "O que os cidadãos do Reino Unido acreditam que enviam para reciclagem é, na verdade, despejado em nosso país". 

Entre os setores que mais produzem esse tipo de resíduo polêmico estão saúde, tecnologia, aeroespacial, alimentos e bebidas e… moda.

O problema é político, ambiental e social

Uma pesquisa publicada pelo CUTS International (Consumer Unity & Trust Society) revelou que o algodão produzido na Comunidade da África Oriental (EAC) vira roupa na Ásia e é vendido nos Estados Unidos e Europa Lá, os consumidores usam, em média, dois ou três anos. Quando a roupa é descartada, volta à EAC como peça de segunda mão, produto usado por até 70% da população africana. 

Parece absurdo pensar que o algodão produzido em casa faz essa viagem para se tornar um problema para a indústria têxtil local, né? A mesma EAC, para fomentar o crescimento da produção local, chegou a apresentar uma proposta de lei para banir a importação de roupas usadas a partir de 2019. 

As roupas descartadas levam em média 200 anos para se desintegrarem completamente, deixando um rastro de resíduos poluentes durante todo esse tempo. No Atacama, caminhões enterram roupas no subsolo para evitar incêndios causados pelos produtos químicos e tecidos sintéticos que a compõem.

Você já sabe que empilhar ou enterrar lixo não é o jeito certo de fechar o ciclo, né? Então você já deve estar imaginando que as pilhas e pilhas de roupas no deserto do Atacama e nos lixões ganeses liberam poluentes, gases tóxicos e contaminam o solo e os lençóis de água subterrâneos. 

Segundo um estudo do WWF, o volume de plástico que vaza para os oceanos todos os anos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas. Nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas de plástico no mar a cada km2. Junto com isso ainda tem as peças de roupa dos lixões em Gana, feitas na maioria com sintéticos como o poliéster, que liberam microplásticos. 

De acordo com a estimativa da organização humanitária Tearfund, entre 400,000 e 1 milhão de pessoas morrem a cada ano em países em desenvolvimento por doenças causadas pela má administração de resíduos.

O problema é sistêmico

No relatório “A new textiles economy: redesigning fashion’s future” ( “A nova economia têxtil: recriando o futuro da moda”) da Fundação Ellen Macarthur mostrou que a reciclagem é uma oportunidade para a indústria da moda, que perde mais de US$ 100 bilhões em materiais perdidos a cada ano. 

Mas para isso seria necessária uma reformulação radical. As empresas teriam que começar a se responsabilizar, de fato, com tudo que colocam no mundo. As marcas de fast fashion, que produzem 50 coleções ao ano, teriam que pisar no freio e começar a produzir menos, com mais cuidado, e já pensando lá na frente, no descarte dessas roupas. 

Apesar de tudo, ainda vemos uma luz no fim do túnel, que pode ser o começo de novas práticas e o impulsionador de novas políticas em relação ao descarte. O fato dos países desenvolvidos serem “obrigados” a lidar com seu lixo, ao invés de enviá-lo para algum lugar distante, pode ser o empurrão que faltava para o surgimento de iniciativas que promovam a circularidade.

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Cozinha lixo zero: como reaproveitar o que você anda jogando fora

Cozinha lixo zero: como reaproveitar o que você anda jogando fora

Quando falamos em lixo zero, a primeira coisa que vem à cabeça é recusar sacolinhas, evitar embalagens e deixar de usar plásticos de uso único, certo? Mas esse conceito é muito mais amplo e também se aplica aos resíduos não recicláveis, ou o famoso lixo orgânico. Os resíduos orgânicos são todo e qualquer material de origem biológica, como sobras de alimentos, borra de café, resíduos de jardinagem, dejetos humanos e animais. 


Diariamente são geradas mais de 40 mil toneladas de lixo orgânico no Brasil. E grande parte disso vem da cozinha, com restos de comida, cascas, talos e partes de vegetais que ainda tinham potencial de uso mas acabam indo fora. 


O Banco Mundial prevê que o volume de lixo produzido no mundo vai aumentar em cerca de 70% nos próximos 30 anos. Se queremos falar sobre a sobrecarga da terra, precisamos lembrar disso também: produzir alimentos e jogar no lixo é um jeito de desgastar os recursos naturais - e jogar dinheiro fora!


Por isso, separamos 5 jeitos de reduzir o seu lixo orgânico. São cascas, talos e partes de vegetais que têm muito potencial e não precisam ir diretamente para a lixeira! Use tudo até o fim e saiba que aqui são só 5 dicas, mas esse universo é muito mais amplo. 


Limão


Antes de jogar fora o limão espremido, ele pode ser usado para limpar e até desengordurar várias coisas na cozinha:


Para limpar a parte interna da chaleira, encha-a com água e um punhado de cascas de limão e ponha-a para ferver. Assim que começar a borbulhar, desligue o fogo e deixe descansar por uma hora. Escorra e lave bem. 


Para desengordurar alguma superfície, é só aplicar sal e bicarbonato de sódio e esfregar meio limão. Essa técnica é ótima para limpar tábuas de corte! Os potes plásticos que você usa para aquecer a marmita de todo dia podem ficar de molho em uma mistura de água e limão para tirar odores e manchas. 


Limão e/ou outras frutas cítricas


Não só o limão, mas qualquer outra fruta cítrica pode ser usada para fazer um vinagre limpador super cheiroso e eficiente. É só colocar as cascas da fruta em um pote de vidro com vinagre branco suficiente para cobrir todas as cascas. Deixe tampado descansando por duas semanas. Depois desse tempo, coe a mistura e use em um borrifador para limpar a cozinha, o banheiro e qualquer superfície engordurada!

Café


Além de estimulante pra você, o café pode ser também para as suas plantinhas. A borra do café tem nutrientes importantes para o solo: carbono, nitrogênio e matéria orgânica. Misture com água na proporção de 100 gramas de borra para um litro de água e borrife nos vasos e canteiros de plantas. 


Além de ser um ótimo fertilizante, essa mistura ainda ajuda como repelente de larvas, caracóis e lesmas, elimina bactérias e outros micro-organismos danosos ao solo.  


Batata


Na hora de cortar a batata, não jogue as pontinhas fora! Elas podem ser usadas para tirar a ferrugem de panelas e outros utensílios de ferro. Polvilhe a panela ou forma com sal, esfregue bem a batata na superfície, enxágue, seque, cubra levemente com óleo por dentro e por fora e aqueça a panela no forno a 200º por 30 minutos. Pronto!


 


Couve


Mais uma receitinha para as suas plantas: os talos da couve são super nutritivos e também podem ajudar a enriquecer o solo e fortalecer as plantinhas. Guarde os talinhos que não usar na sua refeição e faça uma infusão em água, deixando descansar por 24 horas. Retire os talos, coloque o líquido em uma garrafa e use para regar as plantas. . 


Cebola e alho


Sabia que as cascas de cebola e alho podem virar um pesticida natural? Ao invés de intoxicar a sua horta ou as suas plantas com produtos químicos, use o que a natureza já tem de bom. 


Para se livrar de piolhos, pulgões e outras pragas, coloque as cascas da cebola e do alho em uma panela com água. Espere ferver e desligue o fogo. Espere a água esfriar e, depois, coe. Coloque esse líquido num borrifador e aplique nas plantas. Tchau, bichinhos chatos!


Vale também usar em pratos ou compostar!


Além de servirem para substituir industrializados na limpeza e outras utilidades domésticas, cascas de frutas, talos e restinhos também podem ser usados para a alimentação. Só porque o corte ou a parte do vegetal não serviu para uma receita, não quer dizer que não pode ser usado em outra!


A ideia mais simples é guardar e congelar todos esses restinhos até ter uma quantidade considerável. Depois, é só ferver, acertar o sal e pronto: você já tem um caldo de vegetais pronto para usar em várias receitas. 


Agora, se os restinhos por algum motivo não estão bons para alimentação, você sempre pode compostar. A compostagem é a reciclagem do resíduo orgânico, que se transforma em um excelente fertilizante para as suas plantinhas ou para a sua horta. 

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Como escolher suas roupas: conheça os tecidos

Como escolher suas roupas: conheça os tecidos

Qual o tecido mais sustentável? Essa não é uma pergunta fácil de responder, porque vai depender muito do que é feito nesse tecido, qual o seu uso, quanto tempo será usado, como será descartado quando não tiver mais utilidade, como será lavado… são vários fatores para levar em consideração antes de mais nada.

Porém, se pensarmos no processo produtivo do material já podemos ter uma resposta preliminar. Sabemos que os materiais naturais cultivados de forma orgânica são os mais interessantes, assim como fibras que podem ser recicladas, alimentando uma cadeia circular. 

Vamos falar aqui dos tecidos mais comuns e mais conhecidos, trazendo informações para você avaliar e colocar na balança na hora de escolher. Nossa dica para quem quer se aprofundar é mergulhar no relatório Fios da Moda , que traz essas e muitas outras informações sobre as fibras mais usadas aqui no Brasil. 

Então vamos lá:

Algodão

Presente em camisetas, no nosso jeans, blusinhas, malhas, pijamas… o algodão muitas vezes se passa por ecológico simplesmente por ser uma fibra natural. Mas é muito importante entender de onde vem, de que forma é cultivado e se há algum controle ou rastreabilidade envolvido no processo.

A produção de algodão é em sistema de monocultura, sendo bastante danosa ao ambiente, pois torna as plantações mais vulneráveis a pragas e doenças e empobrece o solo. Por conta disso, o algodão tradicional depende do uso de pesticidas, e não é pouca coisa. No Brasil, é a quarta cultura que mais usa agrotóxicos, consumindo cerca de 10% dos defensivos agrícolas no país. 

Quanto aos agrotóxicos o problema já é sabido. Afetam a saúde do meio ambiente, das pessoas, contaminam águas superficiais e lençóis subterrâneos, causam mortalidade de abelhas e outros polinizadores e intoxicam tudo por onde passa. 

Um dado muito falado sobre a cultura do algodão é o uso de água. De fato, lá fora, o cultivo é responsável por altíssimos gastos de água para irrigação, mas, de acordo com o relatório Fios da Moda, aqui no Brasil o cultivo de algodão não precisa de irrigação artificial. Isso é um ponto a favor do algodão nacional, definitivamente, mas não devemos parar por aí. 

Algodão Orgânico

O algodão orgânico é o melhor dos algodões. Não utiliza agrotóxicos nem pesticidas e é cultivado em um sistema agroecológico, de forma a manter a saúde do solo, dos ecossistemas e das pessoas envolvidas no processo. É adaptado às condições locais, com o emprego de sistemas de rotação de culturas (que contribuem para a restauração da qualidade do solo) e sem o uso de sementes geneticamente modificadas. 

Infelizmente, o algodão orgânico ainda tem um valor mais alto nas lojas, principalmente por ser produzido em escala menor do que o tradicional. Mas a nossa dica é: se você tiver como optar entre os dois, fique com o orgânico sempre!

Poliéster

É a fibra têxtil mais consumida no mundo, mas também uma das mais problemáticas. Demora cerca de 400 anos para se degradar, é derivada de um recurso não renovável (o petróleo), libera microplásticos durante as lavagens, tem um alto gasto energético durante sua produção… são vários contras, na verdade.

Entre os prós estão a durabilidade, que é realmente grande quando a roupa é bem cuidada, e o fato de ser reciclável. Mesmo se você for comprar em brechó, nossa dica é tentar evitar os materiais sintéticos, pois a cada lavagem estarão liberando microplásticos na água.

Poliéster reciclado 

O tecido feito de garrafas PET pós consumo é uma das apostas da Insecta, mas como explicamos aqui, a nossa aplicação é um pouco diferente do vestuário. O poliéster de PET reciclado poupa o meio ambiente, usa 59% menos da energia que o convencional para ser produzido, reduz de 25 a 75% as emissões de gases do efeito estufa, gasta menos energia e água que a produção de algodão.

Porém, fique de olho: em peças de roupa, libera microplásticos na lavagem e também demora centenas de anos para se decompor. 

Acrílico

Tão popular quanto o poliéster e o algodão, o acrílico está presente principalmente nas roupas de inverno. A “lã acrílica” rapidamente substituiu a lã animal por ser muito mais barata, leve, fácil de lavar e de produzir. Infelizmente, é a opção vegana mais acessível para peças de frio, e dizemos infelizmente porque não é lá muito ecológica.

O acrílico é, da mesma forma que o poliéster, uma fibra derivada do petróleo. Sua extração e produção é igualmente poluente, demanda energia e depende de um recurso não renovável. O polimetil-metecrilato (PMMA) foi criado em 1893 e se tornou popular na produção de suéteres, cobertores, roupas de cama em geral, toalhas e capas de almofadas, entre outros. É um material leve, resistente e de grande durabilidade - e justamente por isso sabemos que leva centenas de anos para se degradar. 

Viscose 

A viscose é uma fibra artificial, mas vem de fontes naturais. Proveniente da polpa de árvores de rápido crescimento, tem um sério problema de desmatamento: cerca de 30% da viscose vem de árvores ameaçadas de extinção.

O processo de produção da fibra ainda passa por uma transformação química, com o uso de vários produtos que podem acabar sendo despejados de forma incorreta no meio ambiente, além de afetar a saúde dos trabalhadores. A produção de viscose consome mais energia que a de PET e mais água que a produção de outras fibras sintéticas. 

Hoje já há várias iniciativas buscando a regularização e certificação da produção de viscose - segundo relatório da Textile Exchange, a participação de mercado dos produtores de viscose certificada aumentou de cerca de 35% da produção global em 2015 para cerca de 80% em 2018, e isso é bem animador. Mas por enquanto, é melhor evitar sempre que possível quando não houver informações sobre a cadeia de valor da peça.  

Linho 

Uma fibra natural de alta qualidade, é isolante térmico, não forma bolinhas e é antibactericida. É fácil de lavar, seca rápido e dispensa o ferro de passar. O linho também é produzido de uma forma muito mais sustentável do que o algodão, porque é resistente a pragas e dispensa o uso de agrotóxicos. 

É uma planta versátil, que pode ser cultivada em climas quentes ou temperados e tem um ciclo de vida muito rápido: são 60 dias entre o plantio e a colheita. 

O problema do linho é que muitas vezes tem o preço médio elevado, tornando essa fibra tão bacana menos acessível. Nossa dica: se puder escolher, vá de linho!

Cânhamo

Você ainda vai nos ver falando muito dessa fibra! 

O cânhamo é uma fibra natural, extraído de plantas super resistentes que não dependem de pesticidas para crescer e ainda gastam pouca água na sua irrigação. Comparado com o algodão, reduz o consumo de água em até 90%! Além disso, é possível produzir mais fibra do que algodão ou linho, usando a mesma quantidade de terra.

O tecido feito com a fibra de cânhamo é muito resistente, que não irrita a pele e é leve. É uma fibra sensacional e cheia de potencial, mas por ser do mesmo gênero da conhecida Cannabis sativa (a maconha), mas de outra espécie (Cannabis Ruderalis),  é cercado de tabus. A legislação brasileira autoriza a importação da fibra ou de objetos confeccionados no material, mas ainda não podemos produzir por aqui. 

O cânhamo é uma grande aposta e somos muito fãs dessa fibra. Se tiver a oportunidade de escolher peças nesse material, se jogue!

Misturas de fibras

Se todos os tecidos fossem 100%, seria muito mais fácil escolher. Só que infelizmente não é bem assim. Se você olhar nas etiquetas das roupas, vai ver que grande parte delas tem mais de uma fibra na sua composição. Isso acontece porque muitas vezes o resultado final desejado por quem fez o tecido não é facilmente atingido com apenas um material. 

É muito normal ver misturas de algodão e poliéster, algodão e elastano (principalmente no jeans), poliéster e viscose… então conhecer as propriedades, as potências e as desvantagens de cada material é ainda mais importante!

Outra coisa que você precisa saber é que quando os fios são misturados, isso praticamente inviabiliza a reciclagem. Ou seja, uma camiseta de poliéster com algodão não poderá ser reciclada no fim da sua vida útil. 

E aí? Qual o melhor tecido? 

Como falamos antes, os melhores tecidos são os naturais, produzidos de forma orgânica, respeitando o solo, a biodiversidade e os trabalhadores envolvidos no processo. Sempre que for possível, a opção algodão orgânico, linho ou cânhamo é a melhor. 

Só que nem sempre o uso da sua roupa tem a ver com o tipo de material. Por exemplo, uma peça esportiva precisa de propriedades específicas. Então, a dica é: fique preferencialmente com as fibras de produção local, pois assim você não contribui com emissões geradas pelo transporte. 

Outro ponto é que os materiais reciclados são geralmente melhores em termos de sustentabilidade do que os virgens ou os que não são biodegradáveis. E por falar em biodegradável, nossa dica é não esquentar a cabeça com isso, a não ser que você vá levar a peça para uma usina de compostagem quando não quiser mais usar. 

Por fim, o que fica é: escolha com calma e procure estender ao máximo o uso do que você já tem. Cuide bem das suas roupas e você não precisará comprar peças novas. Aposte nos brechós, conserte peças estragadas, siga as instruções de lavagem e priorize sempre o que for mais natural. 

 

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Como lavar as roupas do jeito certo

Como lavar as roupas do jeito certo

Você lava as suas roupas de acordo com as instruções? Quando falamos sobre estender ao máximo o ciclo de vida útil das coisas, esse é um ponto muito importante. As roupas vem com etiquetas que são os seus manuais de instrução, e seguir essas orientações é a chave do sucesso para ter roupas mais bem cuidadas e por muito mais tempo.

Lógico, você não precisa decorar todos os símbolos, mas ter um guia sempre à mão (como por exemplo este post!) é uma boa para não se perder na hora da lavagem. A seguir, te apresentamos os principais símbolos de cada etapa da lavagem e o que eles significam: 

Lavagem

O símbolo da lavagem é chamado de tina, nome daquela espécie de bacia de madeira que se usava para lavar roupas antigamente. Também chamam de bacia e vasilha, mas mais importante do que saber o nome é saber reconhecer este e os símbolos que o acompanham nas etiquetas. 

Quando ela vem com números, eles representam a temperatura máxima da água para lavagem da peça. Em alguns casos ela tem uma mãozinha dentro d’água, informando que a peça deve ser lavada à mão em temperatura máxima de 40ºC.

Os traços abaixo da tina representam o modo de lavagem na máquina: ciclo normal quando não houver traços, ciclo suave quando houver um traço e ciclo muito suave quando houver dois traços.

Quando houver um X sobreposto, quer dizer que a peça não deve ser lavada de maneira convencional e precisa de uma limpeza profissional, representada por outro símbolo que vamos ver mais pra frente. 

Secagem

O símbolo da secagem é o quadrado. Para secagem em tambor (centrífuga ou máquina de lavar), o quadrado é preenchido por um círculo: com um ponto dentro para secagem em temperatura baixa, com dois pontos para secagem em temperatura normal e, com um X sobreposto para avisar que não se deve secar essa peça em tambor. 

Os traços verticais dentro do quadrado significam que você deve secar essa roupa no varal. Dois traços significam secagem por gotejamento e um traço sem gotejamento. Já os traços horizontais indicam secagem na horizontal, ou seja, você não deve pendurar a peça. Daí é a mesma coisa: dois traços para gotejamento e um traço para sem gotejamento. O traço diagonal significa que a peça deve ser seca na sombra.

Alvejamento

O triângulo é o símbolo usado para informar o processo de alvejamento. Há três variações: o triângulo sozinho para qualquer tipo de alvejante, o triângulo com dois traços diagonais para não usar alvejantes clorados (apenas com oxigênio) e o triângulo sobreposto por um X para não alvejar. 

Passadoria

Esse é facinho de identificar: o ferrinho de passar roupa dá as instruções de cuidado na hora de passar. Com um ponto na parte interna, a temperatura máxima da base do ferro deve ser de 110ºC. Com dois pontos, 150º C e, com três pontos, 200ºC. No caso do X sobreposto ao símbolo, não é para passar essa roupa. 

Lavagem a seco

Se a peça não pode ser lavada de maneira convencional, ela precisa ir para a lavanderia, e lá os profissionais vão tomar os seguintes cuidados: a letra P dentro de um círculo representa limpeza a seco em processo normal com percloretileno. Com um risco abaixo, o processo deve ser suave. A letra F dentro do círculo significa processo normal com Hidrocarboneto, e com um risco abaixo, processo suave. 

Uma letra A dentro do círculo indica que é permitido o uso de qualquer solvente, um W dentro do círculo indica o processo de wet cleaning e um círculo com um X avisa que não é pra lavar a seco. Essas últimas informações você provavelmente não vai precisar usar, mas é importante saber caso uma roupa sua seja estragada na lavanderia!

Manual de instruções e de compras

As etiquetas são muito mais do que um papelzinho que dá coceira. Elas também informam qual a composição de cada peça, e cada tecido precisa de uma manutenção específica. Então, antes de cortar fora, não esqueça de conferir (e guardar, caso a peça seja muito delicada!). 

Se a sua resposta para a lavagem de roupa é jogar tudo junto na máquina, conhecer os símbolos também é importante. Quem não gosta de lavar roupa na mão ou não tem tempo para ter todos os cuidados pode conferir as informações antes de comprar uma roupa nova e evitar dores de cabeça. 

Cuidar das roupas que você já tem é uma atitude sustentável, porque faz elas durarem muito mais e você não precisa de compras desnecessárias. Além disso, nada como manter em bom estado aquela roupa que você ama por muito mais tempo, né?

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Conheça as principais certificações e selos de responsabilidade ambiental

Conheça as principais certificações e selos de responsabilidade ambiental

Se você já deu uma olhada na nossa página de certificações [https://insectashoes.com/pages/certificacoes], deve ter visto que temos selos e premiações bem bacanas, que atestam que a Insecta atende a padrões de responsabilidade ambiental, social e empresarial de várias organizações. 


Estes selos são muito bacanas porque são uma maneira de você saber mais sobre uma empresa e entender as preocupações dela em relação a diferentes assuntos e causas. Também são um “atestado” de transparência, porque para recebê-los, é preciso que as empresas abram seus processos produtivos, fornecedores e outros detalhes para serem avaliadas. 


Grande parte dessas certificações são voluntárias, o que significa que as empresas têm o interesse de se engajar e seguir as orientações para ter as certificações. Normalmente, esses selos só são dados depois de auditorias cuidadosas, analisando vários critérios, entrevistas com funcionários, fornecedores e até testes nos produtos para garantir qualidade e veracidade das informações. 


Para ajudar você a fazer escolhas melhores na hora de abrir a carteira, trouxemos alguns dos principais selos presentes em produtos de moda e beleza no Brasil e alguns internacionais: 


ABR - Algodão Brasileiro Responsável 

Este é um programa da ABRAPA (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) que fomenta os pilares social, ambiental e econômico na produção e cultivo do algodão. O programa prevê um cultivo mais sustentável, com metas de preservação do meio ambiente, proteção de nascentes, cursos e reservas de água, além da preservação dos biomas, do solo e da qualidade do ar.


ABVTEX - Associação Brasileira do Varejo Têxtil

Criado em 2010, fornece serviços de auditoria para ajudar as empresas a cumprirem as regras da legislação trabalhista brasileira tanto no ambiente de trabalho de fornecedores quanto no dos seus subcontratados. Cinco órgãos auditores independentes (ABNT, Bureau Veritas, DNV GL, Intertek e SGS) auditam empresas no Brasil todo, avaliando se são cumpridos os 18 critérios de regularidade. Entre eles estão a formalização da empresa,  a validação da lista de subcontratados, instalações físicas e jornada de trabalho, ocorrência de trabalho infantil, forçado ou análogo a escravo, registro dos trabalhadores, recolhimento de FGTS e INSS, políticas anti-discriminação, abuso e assédio.

Amigo do Clima

Este é um programa relativamente novo, cujo objetivo é apoiar empresas, organizações, eventos e pessoas a compensarem suas emissões de Gases de Efeito Estufa. Fornece o apoio desde a construção das estratégias de compensações até as compensações em si, garantindo transparência e rastreabilidade.

B Corporation

Criado em 2006, o objetivo do Selo B é redefinir o sucesso das empresas. Empresas B têm a responsabilidade de fornecer soluções para problemas sociais e ambientais e o propósito de criar um impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. No Brasil, fomos a primeira empresa calçadista a conseguir esta certificação e a segunda de moda, em 2016! Falamos mais dessa certificação super bacana aqui no blog: https://insectashoes.com/blogs/blog/pare-de-salvar-o-mundo-comece-a-reinventa-lo 

BCI - Better Cotton Initiative

Organização sem fins lucrativos que existe para tornar a produção global de algodão melhor para as pessoas que o produzem, para o meio ambiente e para o futuro do setor. Oferece treinamentos para os agricultores para que se mantenham atualizados sobre o uso de recursos como água e solo, além da redução dos agrotóxicos e entendimento dos princípios de trabalho decente. 

C2C - Cradle to Cradle™  

A certificação está enraizada nos princípios de design circular de William McDonough e Dr. Michael Braungart. Os produtos são classificados em  Básica, Bronze, Prata, Dourado e Platina. As categorias avaliadas são: saúde do material, reutilização, energia renovável e gerenciamento de pegada de carbono, administração de recursos hídricos e impacto social. Concedida em níveis, a C2C garante categorias O objetivo é a circulação dos materiais como nutrientes seja em ciclos biológicos (produtos biodegradáveis) ou ciclos técnicos (produtos recicláveis).

Certificado Produto Vegano SVB

Criado em 2013 pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), certifica produtos do ramo alimentício, cosmético ou de vestuário que atendam os seguintes critérios: sem ingredientes de origem animal, empresa que não testa produto finalizado em animais, fornecedores não testam ingredientes em animais. O processo é voluntário e inclui uma avaliação da composição química e o envio de informações e documentos comprobatórios para a entidade.

CCF Rabbit (Choose Cruelty-Free)

Selo da ONG australiana Choose Cruelty-Free e atesta empresas que não testam em animais. Eles só certificam uma empresa quando todas as suas empresas (mãe e subsidiárias) também são certificadas, um diferencial bem interessante para quem quer passar longe de qualquer possibilidade de exploração animal. 

Cruelty Free 

O Selo Cruelty Free do PETA é bastante conhecido, e certifica produtos cosméticos, de cuidados pessoais e de limpeza doméstica. As empresas precisam responder um questionário e assinar uma declaração afirmando que não conduzem, encomendam ou pagam por quaisquer testes em animais em todo o mundo, além de se comprometerem a não fazer futuramente. Falamos um pouco mais dele aqui: https://insectashoes.com/blogs/blog/saiba-a-importancia-do-selo-cruelty-free-nos-produtos 

Eureciclo

A EuReciclo faz a compensação ambiental de embalagens, certifica a realização de logística reversa e cumpre com a política nacional de resíduos sólidos para que o lixo gerado tenha a destinação ambientalmente correta. A compensação ambiental consiste em destinar de forma ambientalmente correta uma massa de resíduos equivalente à massa das embalagens que uma empresa coloca no mercado. Temos esse selo, e você pode conferir mais detalhes aqui: [https://insectashoes.com/pages/certificacoes]

FSC - Forest Stewardship Council

Não restrito ao setor da moda, promove o manejo ambientalmente adequado, socialmente benéfico e economicamente viável das florestas do mundo. A certificação é voluntária, obtida depois de uma auditoria feita por órgãos competentes que avaliam os 10 princípios gerais da instituição e 57 critérios que se aplicam a florestas certificadas. Os princípios vão dos direitos de povos originários à redução de impacto na manipulação da floresta.  

GOTS - Global Organic Textile Standard

A sigla corresponde ao padrão internacional para certificação de têxteis orgânicos. Só produtos com 70% de fibras orgânicas podem ser certificados e os insumos químicos (como corantes, por exemplo) devem atender aos critérios ambientais e toxicológicos da certificadora. Alguns exemplos de considerações na certificação são: mão de obra (trabalho justo, com salário justo e sem trabalho infantil ou escravo), produtos químicos usados, tipo de fibra, tratamento de águas residuais e embalagem. O selo também garante que toda a cadeia de abastecimento atende a rígidos padrões sociais e ambientais. 

IBD Orgânico

Atende às normas do mercado brasileiro e também as certificações feitas para o Mercado Comum Europeu e o Mercado Norte Americano. Atende os segmentos de agricultura, pecuária, fibras, aquicultura, processamento, insumos, extrativismo, cosméticos, vinhos e produtos de limpeza.

Leaping Bunny (Cruelty Free International)

Mais um selo internacional que garante que nenhum teste em animais foi feito no desenvolvimento do produto certificado.  

PETA Approved

O Peta é a maior organização de direitos dos animais do mundo. O selo é uma maneira de promover, conscientizar e apoiar práticas, serviços e produtos livres de crueldade animal e 100% veganos. Essa certificação garante que nenhum dos ingredientes ou insumos do produto é derivado ou foi testado em animais. A Insecta tem esta certificação!


Rótulo Ecológico ABNT

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui desde 1993 o Rótulo Ecológico, uma certificação voluntária que visa atestar o desempenho ambiental de produtos ou serviços no Brasil. Os critérios levam em conta o impacto ambiental do produto no ar, na água, no solo e na saúde ao longo de todo o seu ciclo de vida.

Ufa! e estes são apenas alguns dos principais selos que você pode encontrar por aí. Cada segmento tem seus selos específicos, assim como diferentes critérios de avaliação ambiental e social. 

Se você quiser saber um pouco mais e conhecer outros selos, indicamos uma visita ao site do IDEC: https://idec.org.br/greenwashing/desvende-os-selos Continue lendo

Cânhamo: a fibra do futuro

Cânhamo: a fibra do futuro

Sim, você não se enganou: vamos falar do cânhamo, planta do mesmo gênero da Cannabis sativa (também conhecida como maconha). Apesar de ser do mesmo gênero, é de outra espécie. A Cannabis ruderalis tem apenas 0,3% da substância psicoativa da maconha, o THC, e tem propriedades bem diferentes, sendo considerada a “maconha industrial”. 

Comparada ao algodão, a cultura do cânhamo ganha, e de longe. É uma produção muito mais sustentável, com benefícios para todos os envolvidos. É uma matéria-prima sustentável, renovável, biodegradável e reciclável, além de ser mais barata e muito mais rentável para o produtor. 

Em termos de fibra têxtil, o cânhamo permite produzir muito mais do que algodão ou linho, usando a mesma quantidade de terra, e é mais longa e resistente do que as duas.  

Apesar de estar em alta nos debates atualmente, não é como se o cânhamo fosse uma novidade recém descoberta. Dizem que em 8.000 a.C já eram feitas roupas, cordas e outros artigos têxteis com a planta, e arqueólogos encontraram objetos de cerâmica feitos a partir do cânhamo datados de 10 mil anos a.C. 

Infelizmente, a planta caiu em desuso por ser associada à maconha, sendo então coberta de tabus, tendo seu cultivo proibido e perdendo espaço para as fibras sintéticas como o poliéster, mais barato e com um marketing muito mais forte. 

Nos últimos anos, depois da flexibilização da legislação em países como China e Estados Unidos, a planta voltou a ser usada em larga escala na indústria têxtil, alimentícia, de beleza, de remédios e até de wellness. 

Uma planta ecológica desde o plantio

O plantio de cânhamo industrial é considerado uma cultura regenerativa, porque a planta tem capacidade de crescer e se desenvolver usando pouca água, além de ser muito resistente a pragas - ou seja, usa nada ou quase nada de pesticidas. 

Também é uma plantinha pouco exigente. Cresce rapidamente (leva de 90 a 100 dias para ser cultivada da semente à colheita) em vários tipos de solo e clima. Estima-se que 80% dos solos férteis no Brasil podem ser usados para o seu plantio, por exemplo!

As raízes do cânhamo são profundas, e com isso ajudam a manter o solo úmido e evitam a erosão. Quando cultivada, a planta ajuda a sequestrar o carbono da atmosfera. Cada tonelada de cânhamo produzida equivale à remoção de 1,63 tonelada de carbono do ar. Melhor ainda: os produtos feitos no material mantêm esse carbono “preso”, evitando que voltem para a atmosfera. 

Tecidos melhores

Antes de mais nada, vale contar que as cordas e as velas dos navios usados pelos colonizadores das américas eram feitas de cânhamo. A primeira bandeira dos Estados Unidos também foi feita usando o material. Ou seja, a resistência dessa fibra é indiscutível!

Quando vira tecido, essa plantinha tem uma longa lista de atributos positivos: é naturalmente resistente aos raios ultravioleta que causam o câncer de pele, muito resistente ao sol, não desbotando ou se desgastando, cinco vezes mais resistente do que o algodão em termos de usabilidade, tem longa durabilidade, absorve melhor o tingimento, demandando menos tinta e menos processos, não retém umidade, inibe o desenvolvimento de micro-organismos e é hipoalergênica.  

Um negócio bom pra todo mundo 

O cânhamo tem alto teor de canabidiol, o CBD, substância com grande potencial medicinal e terapêutico reconhecido. Alguns remédios feitos a partir da substância já são legalizados para autismo severo e a epilepsia. Quando falamos em uso medicinal da maconha estamos falando, na verdade, do CBD. 

O óleo de cânhamo pode ser convertido em biocombustível, cuja queima é menos poluente em relação aos combustíveis fósseis. Além da produção de biodiesel com sementes e caule da planta, a parte fibrosa pode ser usada para fazer versões quimicamente semelhantes às da gasolina convencional.

As sementes do cânhamo ainda são uma resposta interessante para a nutrição. Elas são consideradas um superalimento, sendo fonte de proteínas completas de origem vegetal. Essas super sementes contém 21 aminoácidos, 9 dos quais o corpo humano não consegue produzir. O óleo de cânhamo fornece todos os aminoácidos essenciais.

Precisamos de educação para acabar com o tabu

A liberação da produção no Brasil ainda gera discussão, pois esbarra em tabus, como a associação com a maconha. A legislação brasileira tem uma única exceção: o uso medicinal dos derivados de cânhamo. 

Atualmente, há um Projeto de Lei (399/ 2015) em tramitação na Câmara que prevê a legalização do plantio de cannabis para fins medicinais e industriais. A eventual aprovação daria espaço para empresas solicitarem ao governo o plantio de cânhamo para fabricação de cosméticos e têxteis, mas sabemos que essas coisas levam tempo. 

Por enquanto, é preciso investir na educação e na disseminação de conhecimento. O cânhamo é uma planta sensacional que pode trazer inúmeros benefícios às pessoas e ao Planeta!

Referências: 

https://vocesa.abril.com.br/mercado/cosmeticos-a-base-de-cannabis-um-mercado-a-todo-vapor/ 

https://www.citizenwolf.com/blogs/news/why-hemp-is-the-most-sustainable-fabric

https://sinditextilsp.org.br/home/2021/10/primeiro-jeans-de-canhamo-do-brasil-e-lancado-pela-vicunha/ 

https://vogue.globo.com/Apresenta/noticia/2021/10/cannabis-revoluciona-setor-da-moda-com-processos-mais-sustentaveis.html

https://ffw.uol.com.br/noticias/business/marketing-da-maconha-marcas-que-usam-canhamo-estao-de-olho-nos-prs-de-moda/ 

https://istoe.com.br/moda-canabica/ 

https://fcem.com.br/noticias/canhamo-conquista-moda/ 

https://envolverde.com.br/como-o-canhamo-pode-contribuir-para-um-planeta-mais-sustentavel/ 

https://veja.abril.com.br/blog/cannabiz/canhamo-pode-revolucionar-a-industria-textil/ 

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