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Como viver com menos lixo e menos gasto

Como viver com menos lixo e menos gasto

O conceito de uma vida lixo zero tem crescido nos grandes centros, especialmente pela conscientização do impacto em cascata que os descartes provocam. Apesar de nem todo mundo fazer sua parte – em especial as indústrias –, podemos reduzir os danos com ações individuais que, gradualmente, influenciam também quem está ao nosso redor – e ainda fazem bem ao bolso. Separamos algumas que são simples: 

  • Desembrulhe menos e descasque mais

Escolha alimentos frescos, preferencialmente orgânicos, produzidos por pequenos agricultores. Além de podermos usar até as cascas e nos surpreendermos com receitas fáceis e deliciosas, aquilo que não for consumido pode ir pra composteira (que a gente mesmo pode construir, se não quiser comprar pronta). É um jeito de unir nutrição, criatividade e sustentabilidade.

  • Reuse tudo que puder

Além de reaproveitar embalagens (podem virar vasos, potes, embrulhos e uma infinidade de ideias), trocar roupas, sapatos e livros é uma excelente forma de renovar sem desperdiçar.

  • Adeus aos plásticos

Copo, canudo, talheres, sacolas...pode nomear que a gente diz: se tiver como substituir por outro material, faça! O item certamente vai ser utilizado muitas vezes, poluindo menos e compensando o investimento da compra – o que, no fim das contas, é uma economia.

  • Consuma consciente

Sabe aquela peça linda que você viu em alguma vitrine? Ela é mesmo necessária? Vai ser muito usada? Avaliar cada compra é importante porque otimiza insumos, incentiva as empresas a terem itens de qualidade e reduz o impulso.

No nosso site, disponibilizamos o e-book 30 Dias sem Lixo, pelo qual dá pra pagar quanto vocês quiserem. Quem tiver mais dicas, pode nos mandar pelas redes sociais que vamos adorar atualizar a lista!

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Quem vê cara, pode estar não vendo nutrição

Quem vê cara, pode estar não vendo nutrição

Quem nunca deixou de lado um hortifrúti amassado, manchado ou com alterações estéticas? Sabe-se lá se é vício que a cultura do agrotóxico plantou, mas a verdade é que alimentos naturais de aparência “imperfeita” acabam descartados mesmo em iniciativas sustentáveis, perdendo espaço para os mais bonitos e afetando não apenas a cadeia produtiva, como o bolso de todo mundo.

O desperdício impressiona: segundo a ONU, chega a 1/3 de tudo o que é produzido no mundo. No Brasil, conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 29 milhões de toneladas de frutas e legumes são descartadas por ano – e uma das principais causas é a “inconformidade”.

Conforme a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), o valor perdido anualmente com alimentos que não conquistaram o consumidor chega a R$ 7,1 bilhões. Gente, isso equivale ao custo de mais de 15 mil cestas básicas!

E desprezar comida também significa desperdício de recursos (água, terra, trabalho humano etc.), além de impacto ambiental: alimentos descartados respondem por 8% das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Como faz?

Ainda temos muito chão pela frente para mudar o mindset, mas atitudes pioneiras já inspiram e ajudam a conscientizar. As iniciativas envolvem desde conexão entre fornecedores e quem precisa de doações até venda ao cliente final – e o melhor: com preços menores. Graças a elas, vegetais renegados ganham uma segunda chance de mostrar que também podem ser deliciosos e surpreendentes, evitando que o visual os destine ao lixo.

A gente separou algumas empresas que promovem consumo e distribuição de hortaliças que, apesar da aparência, valem a pena:

Fruta Imperfeita: Delivery em SP de cestas de produtos que costumam sofrer bullying no mercado. Funciona há quatro anos, por assinatura mensal.

Comida Invisível: Plataforma que atua como ponte direta entre restaurantes, supermercados, hotéis e bares com Pessoas Físicas e o Terceiro Setor, para facilitar a doação de alimentos menos valiosos para o comércio, porém próprios para o consumo.

Conhece mais alguma? Conta pra gente que vai ser um prazer incluir na lista!

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10 trocas simples rumo a uma vida lixo zero!

10 trocas simples rumo a uma vida lixo zero!

A mudança do mundo passa por todos, e algumas trocas simples podem representar um ganho significativo nesse contexto.  Da separação do lixo à prioridade para itens fabricados com responsabilidade socioambiental, transformar o mindset pode te surpreender com ainda mais conforto, saúde e qualidade de vida. Quer ver algumas ideias?

  1. É mole? Não, é shampoo sólido

Além de não usar plástico nas embalagens, shampoos e condicionadores sólidos consomem quase 80% menos de água que os mesmos cosméticos em líquido ou gel. Além disso, são feitos com ingredientes 100% vegetais, totalmente biodegradáveis e sem derivados químicos, fazendo um bem absurdo pra saúde dos cabelos e da pele.

  1. Sempre ela: a Ecobag

Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA), mais de 3 trilhões de sacolas plásticas são consumidas a cada ano em todo o mundo. Ter sua própria embalagem para compras ou transporte de utensílios, portanto, te afasta dessa cadeia tenebrosa, que atola a natureza de lixo e ameaça espécies em terra e na água. Vale lembrar que todos os pacotes usados pelo comércio têm seu custo embutido nas vendas, então usar ecobags também impacta positivamente no bolso.

  1. Alô, mamães: fraldas de pano

A Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (Anses) da França encontrou 60 substâncias tóxicas – incluindo glifosato, o agrotóxico mais usado no mundo – em fraldas descartáveis infantis. Também foram identificados disruptores endócrinos e substâncias cancerígenas derivadas do cloro. Se cada criança usa pelo menos 4 mil unidades até os 3 anos, imaginem tudo que ela está absorvendo em contato direto com elementos tóxicos que ainda contribuem para que cada fralda leve, em média, 450 anos para se decompor! Precisa mais argumento para testar os modelos de pano?

  1. Deixa a moça respirar!

Ainda falando de descartáveis, os absorventes menstruais não são muito diferentes das fraldas não. Além de levar aproximadamente 100 anos pra sumir na natureza, eles podem causar assaduras, alergias e infecções pela presença de fragrâncias, corantes e materiais sintéticos, sem falar que prejudicam a ventilação e favorecem a proliferação de bactérias. Alternativas como coletores, calcinhas absorventes e modelos de pano têm conquistado muitas mulheres, inclusive da nossa equipe. E a gente garante: escolhendo o modelo adequado pra cada fluxo, não vaza e fica beeem mais confortável que os sintéticos!

  1. Copo Menos 1 lixo

 

Assim como os canudos já foram banidos, os copos descartáveis deveriam estar com dias contados no planeta: segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (ABRELPE), só no Brasil, quase 1500 toneladas de resíduos diários têm origem neste produto, rodando por aí por pelo menos 400 anos. Mas a gente pode adotar um copo reutilizável e levá-lo do trabalho à festa (sim, é super cool essa tendência ecofriendly). O modelo Insecta é retrátil, 100% feito no Brasil e livre de BPA, ftalatos e metais pesados, além de lindão e com alça na tampa pra você pendurar onde quiser.

       6. Desinfetado por natureza

Os detergentes industrializados seriam chamados de veneno se não rendessem tanto dinheiro aos fabricantes e comerciantes, mas a boa notícia é que com insumos naturais e biodegradáveis a gente pode manter a casa limpinha sem prejudicar a saúde e a natureza – além de gastar bem menos. Vinagre, bicarbonato de sódio, limão e água quente fazem milagres pela higienização e desodorização de ambientes, funcionando, inclusive, como poderosos desengordurantes.

  1. Café à moda antiga

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu que o café em cápsula pode ser até 14 vezes mais prejudicial ao meio ambiente que o passado em filtro de papel, porque suas embalagens são de reciclagem muito trabalhosa. Para evitar este amargo impacto, sugerimos a prensa francesa, que, além de charmosa, faz um cafezinho delicioso!

  1. Limpa os ouvidos (e o ambiente), menino!

Pequenos resíduos – mas grandes problemas ambientais –, cotonetes estão entre os lixos mais encontrados nos oceanos, junto com os canudos plásticos, porque acabam passando reto nas estações de tratamento. Felizmente, já existem alternativas em papel nas farmácias, e você ainda pode otimizar a higiene no banho mesmo.

     9. Embrulhado em  <3

Recuse embrulho de presente! A gente tem certeza que ninguém vai se importar de receber uma surpresa sem pacote se a justificativa for clara, e ela ainda pode inspirar atitudes semelhantes em cascata.

  1. Atenção aos Rs

Reduza o consumo e favoreça o reuso, transformando e otimizando itens que poderiam virar lixo. Garrafas podem virar vasos fofos, camisetas velhas funcionam bem como pano e perecíveis podem ser 100% aproveitados. Aliás, que tal relembrar essa receita de casca louca de banana, que foi sucesso gastronômico quando publicamos, em maio?

Além dessas sugestões, temos várias outras no nosso e-book 30 dias sem Lixo, pelo qual você paga o quanto quiser para baixar.

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7 Ideias variadas para aliviar a tensão do isolamento

7 Ideias variadas para aliviar a tensão do isolamento

Pra ajudar a aliviar um pouco o período que estamos vivendo, temos experimentado mudanças durante os últimos meses – algumas inspiradas em comentários dos nossos seguidores, que sempre compartilham ideias com a gente. Querem ver?

  1. Preparar incensos caseiros com folhas secas, além de ser um hobby, tem nos levado a descobrir novos aromas e sensações. Palo Santo, por exemplo, foi uma ótima surpresa, fácil de queimar e com cheirinho amadeirado delícia que vem carregado de boas energias.
  2. Definir prioridades tem sido um exercício e tanto, que certamente vai ser levado para o pós-pandemia. Uma dica: exercitar a empatia é uma tarefa cada vez mais bem-vinda nos tempos atuais, então, a gente superrecomenda tentar se colocar no lugar do outro antes de tomar qualquer atitude 😉
  3. Autocuidado: palavrinha que virou moda, mas eita que tende a ser esquecida, né? Seja desligando o celular na hora do banho, tirando um tempinho pra alongar ou curtindo uma boa comidinha, um filme ou uma conversa, ficou explícita a importância de encontrar meios de nos acolhermos. Quando dá pra juntar mais de um, então, o dia melhora e muito.
  4. Desviciar de notícias. Sabemos que é fundamental ter informação, mas tudo que é demais pode virar problema. Então, escolha um período para se atualizar, mas evite a noite, porque isso acaba influenciando na qualidade do sono. Você estará a par, mas conseguirá pensar em outras coisas. 
  5. Organizar espaços. Ficar muito tempo no mesmo ambiente pode ajudar a refletir sobre o que realmente importa para o nosso bem-estar. Já pensou sobre quantas peças de roupa foram necessárias nesses quatro meses, e quais efetivamente fariam falta de fossem passadas adiante?
  6. Encontrar um lugar ao sol. Nem que seja num cantinho, por 15 minutos: pegue o sol que for possível para reenergizar o corpo e a alma.
  7. Fazer o bem. Participe de alguma iniciativa socioambiental, do jeito que puder: doando, divulgando, trabalhando. Diversas entidades ou voluntários independentes tiveram suas atividades prejudicadas pela pandemia, e com certeza vão agradecer imensamente qualquer envolvimento novo.

 

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Em meio à pandemia, adoção de pets aumenta e a gente comemora!

Em meio à pandemia, adoção de pets aumenta e a gente comemora!

Alguém querendo boas notícias na pandemia? Temos uma excelente! A busca por adoção de pets no Brasil aumentou muito nos últimos três meses, o que é ótimo para aliviar a superlotação de abrigos e para ajudar na saúde mental dos humanos, que têm enfrentado um dos piores cenários psicológicos dos últimos tempos.

Apesar de não haver um número oficial, os relatos de ONGs protetoras sobre crescimento nas adoções variam entre 50% e 200% de março até o início de junho, confirmando que o brasileiro – ao que parece – está mais consciente não apenas da alegria que é ter um bichinho em casa, como de que vidas não devem ser compradas.

Em um contexto de quase 3,9 milhões de animais em condições de vulnerabilidade no país (levantamento do Instituto Pet Brasil), acompanhar essa tendência é animador. Até porque, mesmo na quarentena, seguem as denúncias de comércio ilegal – uma indústria cruel que, pautada por modismos e dinheiro, trata seres vivos como produtos e matrizes, desconsiderando cuidados com saúde e qualidade de vida e, muitas vezes, provocando sofrimento e morte dos “exemplares”.

A cada canil clandestino desativado, são mais e mais cenas chocantes de animais confinados, desnutridos, vivendo em ambientes imundos e sem qualquer assistência. Chegamos a falar sobre isso em outro texto, alertando que o problema seguirá existindo enquanto houver demanda.

Mas, como a intenção desse post é falar de coisa boa, vamos celebrar a mudança de mentalidade sobre a escolha de um animal de estimação. Afinal, eles são companheiros, fieis e amorosos, e decidir assumir seres tão leais envolve compromisso e a consciência de que não estamos olhando para  um objeto – e sim uma vidinha fofa que vai depender da gente por anos.

Vale lembrar que não são apenas os humanos que proporcionam segurança, saúde e felicidade aos mascotes. Os peludos são excelentes aliados para melhorar sintomas de ansiedade e depressão, e várias pesquisas mostram que a convivência com eles aumenta a concentração de serotonina, conhecida como hormônio da felicidade, no sangue – reflitam sobre esses benefícios em tempos de estresse crônico, potencializado pelo confinamento.

Se você tem um pet em casa, sabe bem do que estamos falando, né? Se ainda não tem, esta pode ser uma oportunidade de adaptação, pois mais tempo em casa pode significar mais disposição para uma relação de confiança e respeito. Aliás, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Qualibest, 40% dos tutores brasileiros de cães já tinham vira-latas em fevereiro, enquanto, entre os donos de felinos, esse índice subiu para 66%, e 30% dos entrevistados que ainda não tinham um amigo de quatro patas afirmaram que pretendiam ter um futuramente.

Se você chegou a esse futuro, um alerta: tenha a disponibilidade de, reduzido ou terminado o isolamento, reajustar rotinas sem traumas pra ninguém. Com essa compreensão, só temos a comemorar, em nome dos bichinhos e das pessoas!

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Como a indústria da carne afeta a vida em tempos de Covid-19

Como a indústria da carne afeta a vida em tempos de Covid-19

Optar por não consumir produtos de origem animal é uma filosofia de vida que vai bem além da defesa dos direitos dos bichinhos, demonstrando não apenas autocuidado, como também respeito ao meio ambiente e às próximas gerações.

Apesar de ainda ter gente que acha uma postura radical, cada vez mais pessoas se dão conta que a indústria da carne é uma das mais poluentes do mundo, consumindo água em volumes excessivos e destruindo o solo. Isso sem falar no fato de que 75% das terras cultiváveis do planeta são usadas para pastagem e produção de ração para a pecuária. Ou seja: é muita terra que poderia estar gerando sustento e abastecimento de famílias através do plantio de alimentos.

E não estamos fazendo alarde, viu. Somente no Brasil, de acordo com informações divulgadas pela ONU, mais de 80% do desmatamento entre 1990 e 2005 foi realizado para dar conta do consumo de carne. Por essas e outras, as rotinas alimentares tradicionais estão mudando – e rápido.

Coronavírus 

Até mesmo a pandemia de Covid-19 está relacionada à indústria da carne. O modelo é tão insustentável que, não à toa, os índices de contágio em frigoríficos são superelevados, chegando a 10% do total de casos no Brasil. Isso acontece porque as etapas requerem o trabalho manual de muitas pessoas, que atuam ombro a ombro, num esquema que é prato cheio pra contaminação. Alguns estudos, inclusive, estão analisando a possibilidade de contaminação pela própria carne crua e, se confirmados, representarão um alerta vermelho.

Pra uma cadeia produtiva que prejudica tanto o planeta, a busca por alternativas é fundamental, e não faltam opções saudáveis que podem colaborar. O basicão arroz com feijão, por exemplo, pode perfeitamente substituir a quantidade de proteína animal necessária ao organismo, e materiais reciclados podem render roupas, calçados e acessórios incríveis.

Se você ainda não se vê como agente desta mudança evolutiva, que tal usar o momento para começar a experimentar? Existem tantas receitas deliciosas, práticas e baratas e tantas marcas investindo em design e qualidade sem ingredientes animais que colaborar com o meio ambiente pode ser um bom experimento na quarentena. Comece devagar, experimentando alguns dias sem carne, tentando receitas novas e conhecendo novos conceitos. A gente aposta que o bem-estar vai ser a cereja do bolo!

 

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ANTIRRACISMO: O QUE PODEMOS FAZER NA PRÁTICA

ANTIRRACISMO: O QUE PODEMOS FAZER NA PRÁTICA

Finalmente o combate ao racismo vem ganhando espaço no Brasil e em todo mundo. O movimento Vidas Negras Importam, que mobilizou muita gente nas redes sociais e fora delas nos últimos dias, tem nos mostrado como é importante tomar atitudes hoje para poder desenhar um amanhã mais justo. Falamos sobre isso aqui, inclusive.

Aí é que tá. Falar é até fácil, mas não resolve. Colocar a mão na massa e efetivamente participar e promover ações e atitudes inclusivas devem estar na pauta individual e coletiva, o que envolve assumir que o preconceito está impregnado em hábitos e culturas que vão bem além da discriminação escancarada, né?

Talvez o primeiro passo seja aceitar que o racismo passa por toda a nossa sociedade, está em cada um de nós. Em expressões que a gente usa, em pequenas atitudes diárias que nem percebemos. Com isso em mente, buscar verdades envolvidas, através de autores negros e com quem vive a realidade na pele, pode ser um caminho para entender o papel de cada um de nós nisso. Não parece, mas é trabalho, é ruptura.

Existem autores contemporâneos muito legais que podem ajudar nisso, como a americana Angela Davis e a brasileira Djamila Ribeiro, ambas filósofas. Elas são bem didáticas em mostrar como chegamos até aqui, e mesmo algumas saídas. Segundo a Djamila, por exemplo, depois de percebido o privilégio branco, é hora de usá-lo pra virar o jogo: utilizar essa posição para dar mais espaço a pessoas negras, por exemplo.

Em uma entrevista à BBC, ela explicou: “Na educação, se a gente é educador, tem que questionar a nossa bibliografia. Será que na nossa bibliografia tem autores e autoras negros e negras? Se nós elaboramos o mundo, por que nossas elaborações de mundo não estão presentes nessas bibliografias? Se é empregador, está empregando pessoas negras, criando de fato programas com metas de diversidade para que pessoas negras tenham acesso?” Ela aborda mais sobre isso no livro Pequeno Manual Antirracista. Ações já aconteceram neste sentido, algumas inclusive com bastante repercussão.

Nessa matéria linda do TAB Uol, a jornalista Mirella Nascimento lembra do episódio de uma novela ambientada na Bahia, estado com o maior percentual de população negra do Brasil (76,3%), que recebeu críticas por causa do baixo número de atores negros em seu elenco, o que chegou a render à emissora uma notificação do MPT (Ministério Público do Trabalho).

Por aqui, tentamos ao máximo fazer a nossa parte:

* Temos como prioridade a inclusão de modelos pretos no casting dos ensaios; 

Aproveitamos oportunidades para trabalhar com parceiros diversos, como as afroempreendedoras do Afromascaras (spoiler!);  

Atualmente, 37,5% da nossa equipe se identifica como negra;

* Priorizamos a contratação de negros em atividades terceirizadas como redaçãofotografia, produção de vídeos;

Além disso, tivemos uma parceria linda com a Gabriela Moura em 2017, que rendeu uma coluna aqui no blog com textos que são mais atuais do que nunca. E já tivemos alguns bate-papos na loja de Pinheiros pra debater esse tema;

* Nossa última campanha de dia das mulheres falou sobre interseccionalidade.

Mas sabemos que ainda temos muito a melhorar. Nossa liderança, por exemplo, ainda é 100% branca.

No coletivo, queremos ver mais pessoas mobilizadas e fazendo sua parte na luta antirracista, em vez de relativizar. Dando voz para quem precisa ser ouvido. Usando seu privilégio para que isso ocorra.

Algumas ações muito legais já começam a florescer. A campanha Pretos no Enem, por exemplo, ajuda a custear a taxa de inscrição de estudantes que não poderiam fazer o exame de outro jeito. O Movimento Amplia faz a mesma coisa. Durante as manifestações dos últimos dias, diversos advogados se propuseram a dar consultoria jurídica a quem fosse preso injustamente pela polícia (sabemos que, na maioria das vezes, isso acontece com homens negros). Falando na Gabriela Moura, ela escreve no coletivo Blogueiras Negras, que está precisando de assinaturas para se manter no ar. Tem gente doando quantias a movimentos ligados à causa, e tem perfis com muitos seguidores abrindo suas contas nas redes sociais pra que artistas e pensadores negros possam ter mais visibilidade. São muitas as possibilidades. O importante mesmo é não ficar só no discurso.

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Vidas Negras importam: Pensar em um amanhã exige um posicionamento hoje

Vidas Negras importam: Pensar em um amanhã exige um posicionamento hoje

“Se você é neutro em situações de injustiça, você escolheu o lado do opressor.” - Desmond Tutu

O racismo é entendido como um conjunto de ideias que desumaniza e que nega a dignidade a pessoas e a grupos sociais com base na cor da pele, no cabelo e em outras características físicas ou de origem cultural.

Ele se apoia em crenças, valores e ações, e além de primeiramente ameaçar o direito básico à vida, vem sistematizando e perpetuando estruturalmente a distribuição desigual de acesso a oportunidades, a recursos, a informações, a atenção e a poder no cotidiano, na sociedade, nas instituições e nas políticas do Estado. 

O setor da moda tem sido em muitos aspectos a definição de opressão, apropriação e exclusividade. Diante dos últimos acontecimentos um posicionamento é urgente, para viabilizar desde uma construção de processos que possibilitem enfrentar e sustentar conversas desconfortáveis e promover aprendizagens, até ações mais efetivas.

A falta de reflexão sobre o papel do branco nas desigualdades raciais é uma forma de reiterar persistentemente que as desigualdades raciais no Brasil constituem um problema exclusivamente do negro pois só ele é estudado, dissecado, problematizado” - Maria Aparecida Silva Bento, “Branqueamento e Branquitude no Brasil,”

Dessa forma, ser antirracista exige que pessoas brancas se coloquem disponíveis para enfrentar o desconforto das conversas sobre o racismo e refletir criticamente como a branquitude se constrói nas relações, nas práticas sociais e instituições. Pensar em um novo futuro demanda posicionamentos e ações hoje

Diante de todas as manifestações: não há “mas”. As respostas à opressão não permitem, nem nesse momento nem em nenhum outro, conjunção adversativa.

Agora não é hora de silêncio. Nós nos colocamos ao lado da comunidade negra em busca de justiça e igualdade. E como você pode ajudar? Se informe, se eduque, faça parte dessa luta!

O que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas?

Qual o papel da população branca?

Assine e compartilhe petições, faça doações para fundos, divulgando esses movimentos, use seu privilégio a favor da causa. Saiba mais em https://vidasnegrasimportam.carrd.co/#doacoes.

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Lavar as mãos (infelizmente) não é uma realidade para todos

Lavar as mãos (infelizmente) não é uma realidade para todos

Nós, como um pequeno negócio, estamos passando por um momento de muitas incertezas desde que fechamos nossas lojas por conta do COVID-19.

Entretanto, é necessário entender nosso lugar de privilégio frente à essa situação, né? Nosso novo Liliocera é o chinelo-pantufa pensado para passarmos por esse momento com muita cor e consciência, e 6% do valor dessas vendas será repassado diretamente para União dos Moradores de Paraisópolis para que possam redistribuir esse $ da melhor forma.

Mas por que Paraisópolis? O que está acontecendo?

Em meio à crise do COVID-19, na internet surgiu um novo desafio ensinando como lavar as mãos corretamente. É um movimento ótimo, afinal de contas lavar as mãos pode mesmo salvar vidas em tempos de surtos virais, e por ser uma medida de higiene tão básica é impactante pensar que não é algo que pode ser seguido por todos.

Quando pensamos em escassez por conta do corona vírus, nosso imaginário pode criar imediatamente cenas com pacotes de papel higiênico pra lá, caixas e mais caixas com mantimentos e álcool gel para cá, afinal pra parte da população o medo de que falte mantimentos os faz querer estocar produtos básicos.

Mas de acordo com o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), hoje quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, representando 16,5% da população do Brasil. Como, então, tomar as medidas básicas de higiene contra o vírus em condições como essas?

Além da falta de água, há a falta de ajuda do governo na prestação de socorro. Explicitando: o SAMU não chega. Isso levou Paraisópolis, a segunda maior comunidade de São Paulo, a contratar um serviço médico privado 24 horas por dia, incluindo ambulâncias, médicos, enfermeiras e socorristas para combater o vírus na comunidade. E isso não é de hoje não, viu?

Equipe médica caminha por Paraisópolis, em São Paulo – Amanda Perobelli/Reuters

Quem estava desassistido pelo Estado, agora está mais ainda. Muitos dos moradores dessa comunidade trabalham no bairro vizinho, o Morumbi, marco zero do surto no Brasil, o que faz com que estejam na linha de frente em termos de risco.

O isolamento também se torna um desafio quando pensamos em casas de um único cômodo abrigando uma família inteira. Na tentativa de enfrentar esse desafio, a associação de moradores está tentando usar duas escolas locais – fechadas devido ao vírus – para abrigar até 500 casos suspeitos e confirmados, sem sintomas graves.

Seja comprando água, sabão, ou auxiliando no pagamento do serviço médico que tem atendido a comunidade, o intuito é ajudar de alguma forma quem mais precisa. Vamos juntos?

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O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que estamos vivendo, com todas as consequências catastróficas e milhares de mortes tem, segundo especialistas, origem na exploração da natureza e dos animais. E não é a primeira vez que acontece. 

Em 2003 o vírus SARS surgiu numa situação parecida e matou quase 800 pessoas. Os dois são da família “coronavírus”, transmitidos entre animais silvestres. O que aconteceu foi que seres humanos entraram na corrente de contaminação ao consumir carne em mercados de animais silvestres, mantidos e abatidos sob péssimas condições sanitárias.

A ciência avisou. 

Doenças transmitidas de animais para humanos serão cada vez mais comuns se continuarmos a destruir habitats. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong avisaram em 2007 que se nada mudasse outro caso como o de 2003 aconteceria. Segundo eles, o crescimento da demanda por proteína animal era uma “bomba relógio”. O governo local não fez nada a respeito, inclusive liberando o comércio de animais silvestres algum tempo depois do surto, por interesses econômicos.

Em 2013 a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação divulgou um relatório chamando atenção para o aumento do consumo de carne, expansão das terras agrícolas, mudanças dramáticas e outros pontos críticos para o surgimento de doenças. De acordo com a organização, desde 1940, 70% das novas doenças vieram do consumo de animais. 

Mais tarde saiu o relatório Fronteiras 2016 sobre questões emergentes de preocupação ambiental do PNUMA, citando doenças zoonóticas como Ebola, gripe aviária e Zika Vírus como exemplos das consequências de redução e fragmentação de habitats, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

E a China?

O vírus se expandiu a partir de um ponto na China, sim, mas é importante lembrar que a maioria das pessoas não consome animais silvestres, como bem explicado nesse vídeo. Sob hipótese alguma justificaríamos xenofobia e racismo. A população do país é vítima, assim como em qualquer outro lugar do mundo. 

É fácil apontar, criticar e demonizar o que não é familiar. Mas a criação de animais em confinamento existe no mundo todo, inclusive no Brasil, assim como uso de antibióticos que resultam em superbactérias, venda de carne contaminada e tráfico de animais silvestres.

Entre vários exemplos, vale lembrar do H1N1 em 2009, que surgiu entre porcos criados em confinamento no ocidente. E aqui no Brasil, cerca de 18% da carne de frango apresenta algum tipo de contaminação por salmonela, porque existe uma tolerância de até 20%. Por que isso é considerado normal?

Não é hora de apontar dedos, e sim de pensar o que estamos fazendo com o Planeta. Consumir animais, consumir o meio ambiente, consumir excessivamente qualquer coisa a qualquer custo. Enquanto não repensarmos toda a lógica de consumo, de forma sistêmica, nada vai mudar. 

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