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o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

Feminismo é, antes de mais nada, necessário. É um movimento social, filosófico e político, cujo objetivo principal é alcançar direitos iguais entre os sexos. Não tem nada a ver com ódio aos homens ou pregar que um é melhor do que o outro. É simples assim: o feminismo visa combater o machismo, o sexismo e a misoginia. 

Hoje em dia, felizmente, o feminismo está em pauta e muitos preconceitos e estereótipos estão caindo. Muita gente já entendeu que as feministas não são “mal amadas”, são somente mulheres que desejam lutar por seus direitos sociais e políticos.

Como você já deve saber, aqui na Insecta nos consideramos uma empresa feminista. Não só porque fomos fundadas por mulheres e a maior parte das pessoas que trabalham aqui são mulheres, mas também porque entendemos a urgência e a necessidade de olhar o mundo dessa maneira.


Por que o Feminismo é importante?


Sem dúvidas estamos melhor do que há algumas décadas, mas os direitos entre homens e mulheres ainda não são iguais, e falta muito para chegar lá. Se a gente for começar falando no ambiente de trabalho, por exemplo, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual, o mundo precisará de 257 anos para superar a desigualdade de gênero no trabalho.


No Brasil, as mulheres ganham em média 20,5% menos que os homens em todas as ocupações. A situação piora se forem mulheres negras: elas recebem menos da metade do salário de um homem branco (44,4%). As lideranças também carecem de representatividade. Apenas 2,8% dos cargos mais altos em empresas são preenchidos por mulheres.

E se não bastasse tudo isso, ainda há o trabalho doméstico, que não é computado como trabalho, mas a gente sabe muito bem que é! 88% das brasileiras acumulam a dupla jornada, que une as tarefas domésticas e o trabalho pago, aquele do expediente de todo dia. Entre os homens, o número cai praticamente pela metade. 

Podemos também falar de um assunto bem mais grave e complicado: a violência contra a mulher. Somos o quinto país no ranking mundial de feminicídio. 7 a cada 10 mulheres são violentadas durante a vida, 35% dos feminicídios são causados pelo parceiro íntimo e o número de vítimas entre mulheres grávidas só aumenta. Em 2019, 66,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram mulheres negras 

Na internet também há violência. Ameaças, xingamentos e perseguição, além de tudo aquilo que as pessoas não teriam coragem de dizer ao vivo, são ditas online. Em 70,5% dos casos de exposição de conteúdo íntimo sem consentimento na internet, as vítimas são mulheres.

E as mulheres também foram mais afetadas pela pandemia do Covid-19. Elas representam 70% das pessoas que trabalham na linha de frente. 40,5% tiveram sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse causados pela pandemia. Há ainda estudos que sugerem aumento de pelo menos 10% na violência doméstica contra as mulheres durante a pandemia. 

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Feminismo, história e conquistas

Os primeiros registros do movimento feminista, com esse nome mesmo, são do fim do século 19, acompanhando a Revolução Industrial. Porém, se a gente olhar com atenção, muito antes disso já existiam mulheres incríveis que lutaram por direitos e liberdade. 

A revista AZmina fez uma análise muito bacana de mulheres brasileiras que não nos contam na escola, mas que tiveram papéis importantíssimos em várias lutas e momentos históricos: 

  • Dandara dos Palmares teria liderado no século 17 as falanges femininas do exército do quilombo do Palmares, participando de lutas de defesa do quilombo na região da Serra da Barriga, em Alagoa. Em 2018 ela passou a compor o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria. 
  • Clara Camarão lutou contra as invasões holandesas na região da capitania de Pernambuco. Também faz parte do Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria, entrando em 2017. 
  • Luísa Mahin liderou uma das principais revoltas negras de resistência à escravidão em Salvador no início do século 19, a Revolta dos Malês. 

Esses são apenas alguns nomes (e talvez você os reconheça do nosso primeiro planner feminista, pois falamos delas lá! ), mas servem para a gente entender que o feminismo é algo que sempre permeou a vida das mulheres, levando a se organizarem e lutarem pelo que acham certo.

A chamada primeira onda do feminismo surgiu no século 19 na Europa. O direito ao voto foi a grande bandeira das sufragistas, além dos direitos à educação, ao trabalho e ao divórcio. No Brasil, a primeira onda também foi marcada pela luta pelo voto, direito conquistado apenas em 1932. 

A escritora e educadora Nísia Floresta é um dos grandes nomes da época, por ter, entre outras coisas, criado uma escola para meninas com aulas de matemática, ciências sociais e línguas. 

Nas décadas de 1960 e 1970 surgiu a segunda onda, influenciada pelo livro "O Segundo Sexo", de Simone de Beauvoir, lançado em 1949. Nessa onda a grande discussão foi em torno do direito ao corpo e ao prazer. 

O Brasil vivia a ditadura militar, e foi quando aconteceram as primeiras manifestações feministas do país, protestando contra o governo. Em 1977 o divórcio passou a ser permitido por lei para as brasileiras, e é chocante pensar que faz tão pouco tempo. A atriz Leila Diniz é um símbolo da época, indo à praia grávida e usando biquíni, quando não era bem visto mostrar a barriga. 

Nessa época surgiu o Movimento Negro Unificado (MNU), que teve entre suas fundadoras a filósofa, antropóloga e militante dos movimentos negro e feminista Lélia Gonzalez. 

Em seguida, nos anos 1980, Angela Davis e Patricia Hill Collins foram os grandes nomes, quando o feminismo negro ganhou força e visibilidade. O feminismo no Brasil entrou em sua terceira fase junto com o fim da ditadura, e junto com tudo isso surgiram várias políticas públicas: foram criados o Conselho Nacional da Condição da Mulher (CNDM), em 1984, e a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher, em 1985.  

Hoje se fala sobre uma quarta onda, que ainda não é unanimidade, mas seria caracterizada pela ampliação do feminismo graças à internet e as redes sociais. Não há dúvidas que o acesso à informação ajudou muitas mulheres a se organizarem, se entenderem como feministas e a impulsionar o movimento em países latino-americanos. No Brasil, a alteração do Código Penal em 2015, classificando o feminicídio como homicídio qualificado e em 2018 a criminalização da importunação sexual. 

Ao longo da história surgiram vertentes e maneiras diferentes de pensar o feminismo. São várias, e muitas vezes você pode se ver em mais de uma. Cada mulher tem uma vivência diferente partindo do seu recorte de classe social, raça, orientação sexual, origem e alinhamento político. Aqui na Insecta, gostamos de ver o feminismo sob a ótica interseccional. 


Feminismo interseccional

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

O feminismo interseccional não é considerado uma vertente, e sim uma maneira de entender que existem outras opressões além do gênero. Esse olhar leva em consideração raça, classe social, origem, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, entre outros fatores. 

A interseccionalidade acontece quando partimos do princípio que não existe uma mulher universal, mas vários grupos de mulheres diferentes com questões e vivências específicas. É ir além do machismo e do sexismo, lutando para acabar com todos os sistemas de opressão que afetam as mulheres, cada uma à sua maneira.

Um dos grandes desafios do feminismo interseccional é sair da sua bolha. Como feministas, precisamos aprender sobre as questões que não nos afetam pessoalmente e compreender a sua importância. É também um exercício de aceitar o nosso privilégio e usá-lo para ajudar quem está em situações mais vulneráveis. 

Entender que a luta de outras mulheres é válida mesmo sendo diferente da sua realidade é uma questão de empatia, ou, como se fala dentro do feminismo, sororidade. 


Sororidade 

A palavra sororidade vem do latim: soror significa “irmã”. Até pouco tempo atrás, era um neologismo na língua portuguesa, mas em 2017 passou a integrar o dicionário Houaiss. No mesmo ano, a pergunta “o que é sororidade?” foi a quinta mais feita por brasileiros na categoria “o que é?” do Google.

A definição de sororidade é: “sentimento de irmandade, empatia, solidariedade e união entre as mulheres, por compartilharem uma identidade de gênero; conduta ou atitude que reflete este sentimento, especialmente em oposição a todas as formas de exclusão, opressão e violência contra as mulheres”. 

Só lendo a definição já dá pra ver que tem muito dos ideais do feminismo aí, né? A sororidade nada mais é do que um laço entre as mulheres, unidas para lutar contra as opressões e discriminações de gênero. 

A sororidade vem como uma resposta ao mito de que as mulheres são naturalmente rivais. Isso não passa de uma construção da sociedade baseada no machismo estrutural, onde meninas aprendem desde cedo que homens têm amizades sinceras baseadas na fraternidade, mas mulheres estão sempre competindo. 

Graças à sororidade surgem as redes de apoio, poderosos meios de fazer com que as mulheres não se sintam sós, se organizem e apoiem umas às outras, fazendo que todas as vozes sejam ouvidas por igual. 

É sobre entender que coletivamente temos mais força para movimentar as estruturas sociais e promover as mudanças que buscamos. Acima de tudo, é entender que somos aliadas, e não inimigas, sem nunca deixar de observar todos os recortes, dando voz e força a todas as lutas femininas. 


Ecofeminismo 

Estudos e estatísticas confirmam: as pessoas mais afetadas pela crise climática são as mulheres. Segundo a ONU, as mulheres representam 80% das pessoas obrigadas a deixar suas casas em função das mudanças climáticas e seus desdobramentos. 

Em grande parte dos casos, isso acontece porque as mulheres ficam para trás para proteger os filhos, ou porque não têm meios para sair de casa, da cidade ou do país por conta própria. Muitas mulheres não têm condições (ou permissão) para usar transporte privado sozinhas, não têm carro, não sabem dirigir ou não podem pagar por combustível.  

As Nações Unidas afirmam que as mulheres enfrentam “maiores riscos e maiores encargos” com os impactos das mudanças climáticas. A maioria das pessoas pobres do mundo são mulheres, e as pessoas pobres são as mais propensas a sofrer com a catástrofe climática. 

E mesmo assim, segundo a ONU, a maioria dos países com maior sucesso no combate à pandemia da Covid-19 é chefiada por mulheres - mesmo que as mulheres sejam chefes de Estado e de Governo em apenas 20 países no mundo todo. 

Por que estamos falando tudo isso? Para introduzir um assunto que gostamos demais, o Ecofeminismo. Essa é uma vertente do movimento feminista que conecta a luta pela equidade de gênero com a defesa do meio ambiente. 

A  ideia  de  superioridade  do  ser  humano foi uma das bases para a formação de sociedades ocidentais capitalistas e patriarcais que exploram economicamente a natureza e oprimem as pessoas que estão fora desse ideal. Entender esse cenário antropocêntrico, colonialista, racista e sexista, levando em consideração as relações entre um ambiente em desequilíbrio  com  as  desigualdades  sociais,  é  um  dos  pontos  de  partida  do  ecofeminismo.

O termo teria surgido durante a década de 1970, cunhado pela feminista francesa  Françoise d’Eaubonne. Ela usou a expressão “ecological feminisme” ao falar sobre as conexões entre as mulheres e seu potencial para uma “revolução ecológica” - lembrando que durante essa década o debate sobre meio ambiente estava a todo vapor, quando finalmente os debates começaram a ser mais levados a sério. 

Um exemplo de literatura ecofeminista que é bem provável que você conheça é o livro A política sexual da carne: Uma teoria feminista-vegetariana, da autora Carol J. Adams. Esse livro é o resultado da pesquisa que ela fez relacionando historicamente (indo lá para as cavernas, inclusive!) ideias como machismo, sexismo e fazendo conexões entre o consumo de carne, a exploração dos animais e a exploração das mulheres. 

Nem todas as autoras ecofeministas incluem os animais em seus discursos. Por isso, assim como o próprio feminismo, o ecofeminismo possui várias vertentes e olhares, mas sempre partindo do mesmo ponto: a dominação das mulheres e da natureza.

A  história  mostra  que  muitas  lutas  contra  a  exploração  do  meio  ambiente  tiveram  mulheres  na  linha  de  frente,  mesmo  quando  não   foram  reconhecidas   como   principais   lideranças. Mulheres  indianas  lideraram  o  Movimento  Chipko,  enfrentando  madeireiros  e  impedindo  a  derrubada  de  árvores  nas  florestas do  país.  

As  campesinas  bolivianas  tiveram  forte  participação  na  resistência contra a privatização das águas, conhecida como “Guerra da Água”, no começo dos anos 2000. O Movimento Cinturão Verde, que plantou milhões de árvores em regiões pobres e devastadas do Quênia, teve como principal nome Wangari Maathai, vencedora do Nobel da Paz, e a participação de muitas mulheres. 

Também foram elas que lideraram as mobilizações recentes contra a construção da barragem de Belo Monte, no Pará. Esses   são   apenas   alguns  exemplos   de   como   as   mulheres,   em   especial  aquelas  que  vivem  em  regiões  periféricas  ou  rurais,  de povos  tradicionais  e  originários, movimentam  suas  comunidades  em busca de justiça socioambiental ao longo do tempo.

O Ecofeminismo já é algo “natural” para aquelas que vivem junto à natureza e conseguem enxergar com mais clareza a dependência que nós, seres humanos, temos dela. O desafio para muitas pessoas é entender o quanto estamos relacionados, nós e o meio ambiente, e partir daí para um olhar mais ativista.


Feminismos, Ecofeminismos e novos olhares para o seu dia a dia 


Para nós, pensar o feminismo e todas as suas complexidades é um exercício diário, levando em consideração todas essas coisas que acabamos de te contar. Por isso, há alguns anos, resovemos criar um planner feminista, feito para ajudar mais mulheres a levar esses pensamentos (e aprendizados!) pra suas próprias vidas. 

Dia  após  dia,  ano  após  ano,  fica cada vez mais gritante a importância de cuidar, lutar, se unir, buscar o melhor para si e para o mundo. Defender causas grandiosas e importantes começa pelo autocuidado,  construído  e  exercitado  todos os dias.  As  lutas  sociais,  feministas,  antirracistas  e  ambientais  precisam  de  pessoas  empoderadas  e  conscientes, capazes de gerar transformações individuais e coletivas. E, quando fazemos isso em conjunto, somos ainda mais fortes.

Há alguns anos, nosso planner se propõe a ser uma  ferramenta  de  autocuidado,  autoconhecimento, reflexão  e inspiração. Trazemos ideias para melhorar o dia a dia, ajudando cada mulher a se conectar com a natureza e com a sua essência. 

planner feminista 2022

Na edição de 2022 (que é não datada) trouxemos também informações e histórias de mulheres  e  movimentos  que  lutam  por  um  planeta  melhor  para  todos  os  seres  que  vivem  nele.  Porque  acreditamos  que  a  preocupação  com  o  ambiente  precisa  estar  em  tudo,  assim  como  a  luta  contra todos os tipos de desigualdades.

Em 2022, a proposta do nosso planner é trazer, além de todo o conteúdo que você já conhece e sabe que é o nosso diferencial, um enfoque ecofeminista, e te convidar a fazer parte desse universo junto com a gente. 

Além do conteúdo, lá dentro você vai encontrar um planner semanal, que pode ser usado na forma de planner personalizado - do jeito que quiser, anotando o que quiser e definindo metas, exercícios e compromissos do jeito que preferir. 

planner feminista 2022

Nosso planner 2022 ainda tem dicas para estimular hábitos sustentáveis, informações sobre impacto das coisas cotidianas (como por exemplo consumo de carne, ovos e laticínios - aquele empurrãozinho para você considerar o veganismo!), muita informação sobre feminismo, mulheres inspiradoras e claro, com um visual maravilhoso pra inspirar só de olhar, do jeito que a gente gosta. 

 

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Como aproveitar a chegada da primavera para construir hábitos mais conscientes

Como aproveitar a chegada da primavera para construir hábitos mais conscientes

É primavera, e como diz a música, “um novo tempo há de vencer pra que a gente possa florescer”. Aqui na Insecta não trabalhamos com estações de moda, mas as estações do ano nos influenciam, e muito. A natureza é a nossa principal fonte de inspiração, com todas as suas cores, formas, particularidades e ciclos. 

O nome “primavera” vem do latim. O verão era chamado de veris, que significa “bom tempo”. E a primavera, que vinha logo após o período de frio, se tornou o “primeiro verão”, ou primo vere.

A primavera, assim como o outono, são equinócios - nome que também vem do latim e significa “noites iguais”. O equinócio da primavera é um dos dois únicos dias do ano em que a noite e o dia duram 12 horas no mundo todo. Nesse momento, em função da inclinação da Terra em relação ao Sol, os raios estão incidindo diretamente sobre a Linha do Equador, iluminando com a mesma intensidade norte e sul. Depois dessa virada de estação, durante todo o verão e até o começo do outono, os dias são maiores que as noites, e essa energia de renovação influencia tudo e todos. 


A natureza é feita de ciclos e nós também 


Com o fim do inverno, o clima muda, mesmo em regiões onde as estações não são tão marcadas por temperaturas. A primavera é o momento de reprodução de árvores e plantas, e isso fica marcado pela presença de flores cheias de cores e perfumes.

Tanto plantas quanto animais saem de um estado de hibernação, quando passam mais recolhidos durante o inverno - já reparou como até as suas plantas de casa param de crescer durante os meses mais frios? 

Durante a primavera as estrelas são os animais polinizadores: pássaros, abelhas, borboletas e besouros ficam mais ativos, voando de flor em flor e ajudando as plantas a se reproduzirem, levando pólen de lá para cá.

Quem tem alergias com certeza sente essa mudança  e sabe exatamente quando essa troca de pólen está no auge. 

A estação também é marcada por movimentos de metamorfose. As borboletas, por exemplo, saem dos seus casulos prontas para colorir os dias e fazer a importante função da polinização. É estimado que existam cerca de 24 mil espécies de borboletas e 140 mil de mariposas no mundo todo. Cada uma com suas particularidades, cores e formas, mas com a transição de lagarta para crisálida e depois para a sua forma final, que abre asas e ganha o mundo. 

As pessoas que menstruam também têm ciclos. Alguns mais longos e outros mais curtos, que são perceptíveis para quem pratica o autoconhecimento e a observação do próprio corpo. Os hormônios promovem várias transformações dentro de apenas um mês, implicando em mudanças físicas e emocionais. A observação dos ciclos do corpo da mulher já foi diretamente ligada à natureza, em tempos onde não havia tabus e mudanças culturais de uma sociedade patriarcal.

Relacionando com os ciclos femininos, a primavera é considerada o início, representando o nascimento de um novo ciclo. É, de acordo com muitas crenças antigas, um momento de despertar, saindo da introspecção da hibernação do inverno, florescendo junto com a natureza. 

Primavera e saúde mental 

Mais do que nunca é preciso falar sobre saúde mental.

A primavera, de todas as estações, é uma grande aliada para quem está passando por momentos difíceis. O fim do inverno, o despertar das plantas e dos animais, os dias mais longos e o tempo mais quente ajudam, e muito, o nosso corpo a se sentir melhor e a mente mais otimista. 

Existe um transtorno de humor chamado “transtorno afetivo sazonal”, que é mais comum em países do hemisfério norte, onde o inverno é rigoroso e a iluminação solar é drasticamente reduzida. Porém, essa oscilação ocorre em pessoas de todo mundo, e a chegada da primavera é reconhecidamente um ponto de virada para quem sofre com esse tipo de depressão. 

Há vários estudos que analisaram principalmente pessoas no hemisfério norte, e eles indicam uma forte relação entre primavera e verão e a melhoria da saúde mental. De acordo com os especialistas, alguns dos sintomas aliviados pela chegada da primavera são o humor, o cansaço, os ciclos do sono e até a alimentação. 

Estamos vivendo um período diferente, onde é muito mais fácil sentir tristeza, preocupação, revolta e eco-ansiedade. E além de tudo isso, a orientação ainda é que façamos o possível para ficar em casa, evitando aglomerações e ambientes com muitas pessoas. Por isso, muita gente tem deixado de se expor ao sol, que é tão importante para a saúde. 

A luz natural da primavera é importantíssima para fazer com que o nosso corpo, digamos, “entre no ritmo”. Ter uma exposição frequente ao sol matinal durante a primavera regula nosso organismo melhor do que qualquer relógio despertador.  Nossos olhos possuem um conjunto de receptores que fazem a ponte entre o mundo exterior e nosso relógio biológico, lá no cérebro. A luz azul esverdeada, que corresponde à cor do céu em um dia de sol, é captada por esses receptores e impacta em todo o regramento do organismo. Se você tem feito de tudo para pegar um solzinho matinal, saiba que está fazendo certo!

Vale tudo: janela, varanda, laje, quintal. Se onde você mora não pega sol, vale também dar uma caminhada pelo bairro (com todo o cuidado e sempre de máscara, né?) para ter esse contato com o sol e com o ar fresco da primavera.

Aproveite a hora de sair para passear com o cachorro para cuidar da saúde de vocês - porque ele também precisa, e muito, desse sol diário! 


Primavera e as plantas


É claro que não vamos deixar de falar sobre elas: as plantas! Mesmo nas cidades grandes, onde muitas vezes não temos contato com animais silvestres e não conseguimos perceber as alterações no seu comportamento, as plantas nos lembram: é primavera. 


Quando o inverno começa a chegar ao fim, já podemos ver novas flores abrindo, um colorido todo diferente nas árvores das ruas e novos ramos e folhas nas plantinhas que temos em casa.

É ou não é? 


Cuidar de plantas é uma delícia e a gente ama.

E além de embelezarem nossas casas e muitas vezes serem uma conexão com a natureza para quem mora em cidades grandes, elas são ótimas aliadas na saúde mental e na educação sobre os ciclos. As plantas nos ensinam sobre tempo, paciência, cuidado, foco.

Ensinam sobre o momento de se recolher e esperar o inverno passar, para voltar com tudo na primavera. 


Um ótimo momento para começar uma alimentação vegetariana


Com todo esse clima de recomeços no ar, você já pensou em colocar em prática algum projeto mais voltado para si na primavera?

Se a ideia de comer melhor ou adotar uma alimentação vegetariana ou vegana anda passando pela sua cabeça, agora é um momento ideal. 


A primavera traz uma verdadeira fartura de alimentos, e comer os vegetais da estação é sempre uma boa pedida. Além de terem os preços reduzidos por estarem na safra, o fato de estarem no momento apropriado para o cultivo favorece o plantio local. Isso contribui para a diminuição de emissão de gases e desperdício de alimentos com transporte. O uso de agrotóxicos também é menos necessário nas colheitas sazonais. 

Em um momento cheio de cor e saúde literalmente brotando do chão, a boa é aproveitar para encher o prato com tudo isso. As temperaturas mais altas também nos dão vontade de consumir alimentos mais leves, e é nessa hora que entram em cena frutas, vegetais, brotos e legumes. 

Aproveite esse novo ciclo para promover mudanças reais e positivas na sua vida!

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Por Que Não Couro?

Por Que Não Couro?

Quando falamos dos problemas envolvendo a produção de produtos de couro, muitas pessoas costumam reagir com a seguinte frase: “mas se já mataram a vaca (o porco, o bezerro e a ovelha) para carne, por que não aproveitar o couro”?

Em partes, esse raciocínio faz sentido. Principalmente no Brasil, a produção de gado de corte e leite é gigantesca, uma indústria valiosa que acaba resultando também em uma indústria de pele bovina igualmente rica. Pelo ponto de vista do direito dos animais, realmente não faz sentido consumir carne e laticínios, e ser contra o couro, já que a interdependência deles é inegável (por exemplo, na Índia, onde o couro bovino é o do búfalo, e a carne desse animal é extremamente barata, o couro chega a valer 10 vezes mais do que a carne. O aumento da exportação de carne e couro de búfalo aconteceu organicamente pela grande demanda de leite).

Isso não quer dizer que estamos negando o poder da indústria do couro, principalmente a brasileira.  Sua influência é tão forte por aqui que ela conseguiu passar uma lei que proíbe nomenclaturas como “couro sintético” e “couro vegetal". As lojas não podem usar essas nomenclaturas com risco de serem multadas em alguns mil reais se forem pegas na chamada “blitz do couro”.

MEIO-AMBIENTE

Do outro lado da história, o couro não deixa de ser um símbolo de exploração animal, mas, mais do que isso, é um símbolo de desastre ambiental. Para transformar uma pele animal, cuja putrefação acontece rapidamente após o animal perder a vida, é preciso uma boa dose de insumos químicos altamente tóxicos, poluentes <2>, e responsáveis por gerar uma porcentagem de resíduos ainda não totalmente tratáveis, como cromo, arsênico, e outros metais pesados. Kanpur, na Índia, virou um dos maiores fornecedores de couro do mundo <3>.

Em contrapartida, a cidade está em acelerado processo de devastação, com rios totalmente intoxicados com os resíduos dos curtumes, pessoas doentes, crianças nascendo já com deficiências e uma população à mingua, cuja única água disponível para beber está contaminada de cromo. Um inegável desastre socioambiental retratado no premiado documentário “The Toxic Price Of Leather”.

“What Are Your Shoes Stepping On?” é outro documentário sobre o tema, mas que se concentra em retratar um curtume que fornece couro para empresas produtoras de sapatos na Europa. Em português, a matéria “Como O Couro Está Matando Lentamente As Pessoas E Os Lugares Que A Produzem”, fornece números globais da indústria do couro e toca em suas questões socioambientais.

SINTÉTICO OU NATURAL?

No Brasil, a situação não é tão escrachada e existem leis de proteção ao meio ambiente. Mas, questionamentos sobre a fiscalização efetiva da lei à parte e não deixando de lado a tragédia do Vale dos Sinos, já é amplamente entendido que na equação total de prós e contras, a produção de materiais sintéticos, com exceção do PVC, é menos prejudicial às pessoas e ao planeta do que a produção do couro.

Produzir couro consome 20% mais energia do que produzir um material oriundo do petróleo, como o PU <4>Em todo o seu ciclo, o impacto do ambiental “couro” sintético representa apenas 1/3 do impacto ambiental do couro.

Quando falamos de descarte, ambos são prejudiciais ao meio-ambiente quando estão apodrecendo em aterros sanitários. Aterros sanitários são ambientes isentos de condições ideais (tipo: oxigênio) para que materiais com propriedades biodegradáveis possam, de fato, se biodegradar. O que deixa pouca vantagem para o couro. O couro degrada mais rápido, porém emite os mesmos gases poluentes e ainda conta com o agravante dos metais pesados usados em seu curtimento.  

COURO DE CACHORRO?

Como já falamos por aqui, é de conhecimento da maioria que na Ásia, principalmente na China e na Coreia, é completamente normal matar cachorros para comer. O couro logo é aproveitado pela indústria da moda chinesa, que fornece roupas e produtos para o mundo todo, normalmente sob o nome de “couro de cordeiro” (porque no ocidente vender couro de cachorro pega mal).

Você pode se sentir ok usando couro de vaca, porco, peixe e ovelha, mas você se sentiria tão bem quanto se soubesse que a sua carteira foi feita de couro de cachorro?

Sabemos que muitas pessoas não se sentiriam e essa é mais uma maneira a qual a indústria global do couro pode ser, digamos, hábil em descumprir as leis.

 

MAS QUAL EU DEVO ESCOLHER?

Ao decidir entre um produto de couro e um produto sintético, é importante ponderar não só questões sociais, animais e ambientais, mas também entender seu hábitos de compra.

Na matéria “Couro Ou Sintético? O Que Levar Em Consideração Antes De Fazer A Sua Escolha” lá no Modefica, nós dissecamos todas as dúvidas que podem surgir sobre o assunto. Falamos sobre curtimento vegetal, látex e outras alternativas.

Em suma, a escolha entre um produto de couro e um produto sintético (ou vegetal) deve ser feita com o auxílio de informações diversas. Não deixe as marcas fazerem a escolha por você. Não tem uma linha clara e inquestionável que divide o sim ou não, “do mal” e “do bem”. A nossa dica é: pare, entenda e reflita; só depois decida.

 

 

 

 

Esclarecimento De Fontes: <1> É difícil chegar em números oficiais, mas estima-se que a pele da vaca vale 10% do seu total (é possível entender um pouco nessa análise detalhada do USDA). A partir desse raciocínio, o couro torna a indústria da carne das vacas mais economicamente sustentável (já que vender o couro acaba sendo mais lucrativo do que vender a carne). <2> Outra prova da potencial toxicidade dos curtumes é Hazaribagh, em Dhaka, Bangladesh, ter sido listada pelo Instituto Blacksmith, em 2013, como uma das 10 ameaças tóxicas do mundo. Dos 270 curtumes localizados em Bangladesh, cerca de 90% deles estão localizados em Hazaribagh. <3> Segundo levantamento do IBGE, divulgado em outubro de 2015, a Índia está em primeiro lugar no ranking de número de cabeças de gado no mundo, ganhando do Brasil, na 2º posição com 212,3 milhões de animais. Entre os anos de 2014 - 2015, a Índia foi responsável por exportar 6,5 bilhões de dólares em couro (os números brasileiros não somam nem a metade: 2,94 bilhões) e o país é reconhecido por abocanhar entre 5% a 12% da demanda de couro em países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Espanha. <4> Lucy Siegle, To Die For – Is Fashion Wearing Out The World?, editora Fourth Estate (2011) Artigo atualizado em 17/05/2017 às 11:27hr.

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Ser vegano é muito mais do que não comer carne

Ser vegano é muito mais do que não comer carne

Hoje em dia, “veganismo” não é mais um palavrão. Mas quando a Insecta nasceu, o mundo era um lugar um pouco diferente. Em 2014 era difícil encontrar produtos veganos em lojas e supermercados convencionais, e eram poucas as marcas que trabalhavam pensando no meio ambiente e nos animais.

De lá pra cá, muita coisa mudou. 

E isso é  uma ótima notícia, principalmente quando a gente lembra que a cada dia, uma pessoa vegana poupa 1,1 mil litros de água, 20,4 quilos de grãos, 2,7 metros quadrados de terra florestada e a vida de pelo menos um animal. (fonte).

O crescimento do veganismo significa mais e mais pessoas ampliando essa estimativa, o que é só vantagem para todo mundo. Nem precisamos falar que está mais do que comprovado que o veganismo não é um modismo ou uma “dieta” passageira, né?

Além de ir muito além de apenas alimentação, é um estilo de vida baseado na empatia, que vem ganhando adeptos e sendo apoiado pela ciência.

Você pode ler aqui e ali alguma pesquisa enviesada falando sobre perigos de aderir a uma alimentação vegetariana estrita, mas pode ter certeza: o veganismo é uma das melhores maneiras individuais (com reflexos coletivos) de contribuir para a proteção do nosso planeta, que mais do que nunca precisa que todo mundo se mexa!

Estamos em uma emergência climática e isso também não é novidade. Só para relembrar, Vários estudos comprovam que a pecuária lança para a atmosfera pelo menos 32 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO²) por ano, praticamente metade de todas as emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo.

A pecuária também é responsável por 65% de todas as emissões humanas relacionadas com o óxido nitroso, outro gás do efeito estufa que é muito mais nocivo que o dióxido de carbono e que ainda por cima permanece na atmosfera por 150 anos.

Aqui no Brasil, 80% do desmatamento é causado pela pecuária. A Amazônia está virando pasto, e a gente tem falado sobre isso faz tempo.

No mundo, a soja é o segundo maior fator de desmatamento, e antes que alguém diga que é culpa dos veganos, vamos lembrar que a esmagadora maioria da soja produzida é para alimentação de animais - que são engordados para o abate, transformados em produtos e consumidos por uma pequena parcela da população, enquanto a maioria passa fome. 

Além de tudo, o consumo de carne é uma prática elitista e excludente. Ser vegano é muito mais do que não comer carne, é ter consciência coletiva.

Um estudo recente da Universidade de Oxford indicou que se quisermos manter o aquecimento global abaixo de 2 graus neste século, é preciso reduzir em 75% o consumo de carne bovina e em 90% o de carne suína em todo o mundo. Nós achamos que é possível, mas precisamos de todo mundo junto nessa! 


Os impactos positivos do veganismo 

O veganismo pode ajudar a poupar água, em números muito mais expressivos do que banhos curtos e torneira desligada durante a escovação dos dentes. Em tempos de crise hídrica no Brasil, pensar nisso como uma estratégia a longo prazo para solucionar esse problema é importantíssimo.

O gasto de água no cultivo de grãos para alimentar animais para o consumo humano, por exemplo, representa 56% de toda a água consumida nos Estados Unidos.  Aliás, quando pensamos nessa questão de tudo que é investido para criar e alimentar animais que serão sacrificados, o impacto é ainda maior.

Interrompendo esse ciclo, só os Estados Unidos poderiam alimentar 800 milhões de pessoas com a sua produção de grãos. E para a galera do “nem peixe?” vamos lembrar alguns estudos projetam que em 2048 não vai mais ter peixes comestíveis no mar.

E não é só isso: a pesca tem um impacto na vida de outros animais marinhos, como tubarões, baleias, golfinhos e tartarugas. Em média, 40% do que é pescado no mundo todo é descartado porque é capturado nas redes por acidente. 


Tá bom, por mais que a gente sonhe, não é possível que o mundo todo vire vegano do dia para a noite. Mas pra ter uma ideia, se durante um ano, uma vez por semana uma pessoa deixar de comer um hambúrguer de carne e optar por um à base de plantas, isso evita a emissão de 1,5 tonelada de CO². É difícil visualizar esse número, né?É o mesmo que ir e voltar de Natal (RN) a Porto Alegre (RS) em um carro comum. 

Mas e se todo mundo virasse mesmo vegano?

As vacas se multiplicariam e tomariam conta do planeta? Por mais que muitos não veganos achem que isso é uma possibilidade, não tem como acontecer, pois grande parte dos bovinos criados em fazendas se reproduzem por inseminação artificial atualmente. Na verdade, o que se sabe é que seria reduzido em até 75% o uso do solo em todo o planeta.


Somos um mercado em crescimento, com muito orgulho!

E vamos de boas notícias. Uma pesquisa do IPEC revelou que mais de 30% dos entrevistados já escolhem opções veganas em restaurantes e outros estabelecimentos, mesmo não sendo veganos ou vegetarianos. 

De 2014, ano do nascimento da Insecta, a 2018, foi calculado um crescimento de 677% na oferta de produtos veganos aqui no Brasil. Aliás, nosso país é o sexto que mais tem lançado produtos veganos nos últimos anos. É orgulho que fala?

Os leites vegetais estão ficando cada vez mais populares. Não só entre os veganos, mas também para pessoas com alergias, restrições alimentares e preocupação com a saúde. Só em 2018 o mercado das alternativas aos lacticínios cresceu 51,5%. Aqui no Brasil, o mercado de proteína vegetal vem em um crescimento contínuo de 11% ao ano. E isso a gente consegue ver na prática, com novos produtos aparecendo todo dia, e melhor do que isso: cada vez com preços mais acessíveis e democráticos. 

Lembra da quantidade assustadora de grãos que são cultivados para alimentar animais para consumo humano? E se isso, ou parte disso, fosse voltado para desenvolver alternativas veganas à carne? Todos os anos são 250 milhões de toneladas de grãos. O nosso país tem um enorme potencial para produzir proteína vegetal e as empresas sabem disso!

 

Veganismo não é só sobre comida


A popularização do veganismo impacta todas as áreas. Consumidores mais exigentes cobram das empresas uma responsabilidade maior com os animais e o meio ambiente. 

Na moda, o mercado onde a Insecta está, não é diferente. Você deve ter notado a quantidade de novas marcas veganas que surgiram nos últimos anos, mas além disso, gigantes já estabelecidas estão sendo obrigadas a rever seus conceitos. 

Só nos últimos anos, nomes de peso como Versace, Burberry, Prada, Gucci, Michael Kors, Alexander McQueen, Balenciaga e Chanel dispensaram o uso de pele nas suas coleções. Algumas dessas marcas foram além e deixaram de usar couros exóticos, como píton, crocodilo, lagarto e outros animais que eram cruelmente criados e sacrificados em nome da moda. O fim do uso de peles parece estar cada vez mais próximo. Na Califórnia, a partir de 2023, será proibido comercializar esse tipo de “produto”. Reino Unido, Áustria e Japão já proibiram a criação de animais para o uso de suas peles. 

Também precisamos falar sobre o couro, que é um material muito presente na indústria calçadista - no caso, o segmento ao qual a Insecta pertence. Sapatos e bolsas de couro ainda são o padrão, mas tem cada vez mais novidades e tecnologias mostrando que outros caminhos são possíveis. 

Uma delas é o “couro” feito de frutas. Um dos mais conhecidos é o de abacaxi, conhecido como Piñatex, que deu vida a alguns calçados por aquiCriado por uma mulher, esse material é feito a partir da folha do abacaxi, que é descarte da produção da fruta. São 25 milhões de toneladas de "lixo" proveniente do abacaxi todo ano, que poderiam ser transformadas nesse super material! De quebra, o Piñatex é vegano e pensado de forma circular. Tem também os couros de maçã, uva, kombucha, milho e claro, os cogumelos, queridinhos do momento. 

No começo de 2021, a Hermès, marca tradicional e conhecida pelas peças de couro, anunciou uma parceria com a startup MicroWorks, que produz o Fine Mycelium, tecido que imita o couro animal, mas é feito a partir de cogumelos. Outro material feito de fungos, o Mylo, também já está começando a aparecer no mercado de moda. 

Em 2020 foi criado o Mylo Consortium, composto de marcas como Adidas, Lululemon, Stella McCartney e o conglomerado Kering. Todas essas marcas já estão trabalhando em lançamentos com esse material que é ao mesmo tempo natural e tecnológico, mas sem crueldade animal e ambientalmente correto.

O mercado dos cosméticos também vem avançando muito. Segundo um relatório da Grand  View Research, os cosméticos veganos estão tendo um crescimento de até  25%  ao  ano,  cerca de  10%  a  mais  do  que  os cosméticos  comuns - já conseguimos vislumbrar um futuro onde ser vegano será o padrão, como deveria ser! 

Quando o assunto é indústria de cosméticos e higiene a gente logo lembra: e os testes em animais? Esse é outro tema que vem sendo cada vez mais discutido e a gente vibra a cada conquista.

Em lugares como Colômbia, Reino Unido, Israel, Austrália, Índia, Guatemala, Noruega, Nova Zelândia, Suíça e Turquia os testes em animais já são totalmente proibidos. Nos Estados Unidos, estados como Califórnia, Nevada, Illinois, Virginia, Maryland e Havaí também já proibiram essas práticas cruéis e desnecessárias. Outra ótima notícia é que em 2020 o governo chinês revogou a obrigatoriedade do uso de animais em testes de produtos de beleza e higiene pessoal. 

Aqui no Brasil também estamos progredindo. Em oito estados diferentes (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) o uso de animais é proibido em determinadas indústrias. O Rio de Janeiro, aliás, foi o primeiro estado nas Américas a promulgar uma proibição completa dos testes em animais para cosméticos. 


Um futuro vegano vem aí 

Quantos veganos há no Brasil? Infelizmente, não existe nenhuma pesquisa com números precisos, mas a Sociedade Vegetariana Brasileira fez uma estimativa em comparação a outros países e chegou a um número aproximado de 7 milhões. Segundo esse cálculo, teríamos também 30 milhões de brasileiros vegetarianos atualmente. 

Falando em pesquisas, em 2017, segundo a Datafolha, 73% dos brasileiros se sentiam mal pensando sobre a origem da carne que consumiam, e 63% afirmaram que pretendiam reduzir esse consumo (Ficamos pensando aqui quantos será que conseguiram, e se você é um deles, parabéns!). 

Outra pesquisa, realizada pelo IPEC para a Sociedade Vegetariana Brasileira, mostrou que 46% dos brasileiros deixaram de consumir carne pelo menos uma vez por semana por vontade própria (veja aqui). Segundo um estudo feito pela Mind Miners, 30% dos entrevistados que afirmaram que estão pensando em mudar sua forma de alimentação falaram que o vegetarianismo era a principal opção. 

Um ponto muito importante que a gente percebe quando vai analisar essas pesquisas é que há dois principais motivos para as pessoas virarem veganas ou pelo menos considerarem o veganismo: um deles é o impacto causado pelo consumo dos produtos de origem animal no meio ambiente (aquela lista de números e porcentagens que a gente falou no começo do post, por exemplo).

Mas o principal, claro, é a empatia com o bem-estar dos animais. A preocupação com a saúde e busca por uma alimentação mais saudável também aparece, mas quase sempre em terceiro lugar, depois desses dois grandes motivos. 

Em 2019, a revista The Economist declarou aquele como “o ano do vegano”, quando foi calculado que ¼ dos millennials se identificavam vegetarianos ou veganos. Seja qual for a motivação, o que importa é que o interesse pelo veganismo tem crescido no mundo todo, de maneira constante.

Grande parte das pesquisas indica os millennials como público que vem puxando a fila, mas sabemos que tem gente de várias idades e gerações repensando seu consumo e sua relação com o planeta e os animais.

Por aqui, acreditamos que falar sobre o assunto, trazer informações e promover o debate é um dos melhores caminhos para tornar o veganismo cada vez mais popular e atraente. 

Vamos juntos?

 

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Como estamos garantindo os direitos dos animais na prática?

Como estamos garantindo os direitos dos animais na prática?

O Dia Internacional dos Direitos dos Animais é comemorado em 10 de Dezembro.
No Brasil, o 11 de Setembro foi a data escolhida para o tema, é o Dia dos Direitos dos Animais.

Há várias outras datas voltadas para esse assunto com nomes e enfoques diferentes, mas a verdade é que ainda há muito o que melhorar. 

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi criada pela Liga Internacional dos Direitos dos Animais em 1977, sendo proclamada numa Conferência da UNESCO em 1978. Porém, diferente do que muitos pensam, o órgão não oficializou o documento.

Apesar de servir como base para muitos debates sobre ética, é também cercada de polêmicas. Essa Declaração é composta por 14 artigos que falam sobre a senciência animal, existência digna e direito à vida, porém, artigos como o 9º são alvos de muita discussão.

Esse artigo específico fala que "animais destinados ao abate devem sê-lo sem sofrer ansiedade nem dor", deixando passar aí o fato de que eles poderão ser explorados por humanos, contrariando a ideia de que todos têm direito à vida e à liberdade.

Já é comprovado que os animais passam por sofrimento psicológico, emocional e claro, físico. Um exemplo são as orcas, que sofrem de depressão e tédio vivendo em cativeiro, tendo inclusive fazer uso de antidepressivos. Animais em zoológicos frequentemente apresentam comportamentos ansiosos que não são encontrados entre os que vivem na natureza, indicando altos níveis de estresse. 

É preciso também falar sobre os números assustadores ligados ao uso dos animais como “produtos”. Há estimativas de que cerca de 200 milhões de animais são mortos diariamente para o consumo humano. DIARIAMENTE!

Os Estados Unidos são grandes responsáveis pelo que é chamado “agricultura industrial”, onde os animais são criados de forma cruel, em ambientes fechados onde mal podem se mexer, como se fossem máquinas, feitas para produzir leite, carne e ovos em escala. 

Como chegamos nisso?



Senta que lá vem história

Olhando para trás, a ideia de que os animais estão a serviço dos humanos vem de muito, muito tempo, há cerca de 12 mil anos, quando foi iniciada a domesticação para comer, usar suas peles para se aquecer e etc.

Sim, naquela época era tudo diferente, o próprio ser humano era outro, mas o problema é que ao longo da evolução humana, essa relação de poder não mudou muito. 

Em IV a.C, Aristóteles dizia que os animais são irracionais e estão aí para nos servir. No século XVII, Descartes afirmava que os animais não possuem alma nem razão. Ele foi um dos grandes responsáveis por consolidar o uso de animais para experimentos científicos - na época, recebeu críticas e foi questionado por outros pensadores, mas o barulho não foi suficiente para mudar o que já estava estabelecido. 

As bases filosóficas do pensamento dos direitos dos animais só começam a ter mais estrutura por volta do século XVIII. Dessa época, Jeremy Bentham é o autor da famosa frase: "A questão não é eles pensam? ou eles falam?, a questão é: eles sofrem?Além de levar em consideração a dor e a existência de um sofrimento entre os animais, ele descartava a ideia previamente estabelecida de que a falta de raciocínio, lógica ou “inteligência” deveria ser um critério para como tratamos outros seres.

Outra famosa frase é do escocês John Oswald, que em seu livro de 1791 “The Cry of Nature or an Appeal to Mercy and Justice on Behalf of the Persecuted Animals”  argumentou que se cada humano testemunhasse a morte do animal que come, a dieta vegetariana seria bem mais popular. 

Em 1892, outro livro influente abordou os direitos dos animais: “Animals' Rights: Considered in Relation to Social Progress”, do britânico Henry Salt. Ele também formou a Liga Humanitária na época com o objetivo de banir a caça como esporte.

Aqui no Brasil, a história do direito dos animais tem nomes como Laerte Levai, Sônia Felipe e Daniel Braga Lourenço. Laerte Levai foi promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo, e durante esse período promoveu ações civis públicas contra o uso de animais em rodeios, circos, vaquejadas, rinhas, experimentação científica e matadouros, além de denunciar criminalmente quem maltratasse ou torturasse animais. Ele também é autor do livro “Direito dos Animais”, de 1998, além de vários artigos e capítulos de livros jurídicos nesse tema.

Atualmente, não são poucos os nomes de pessoas ligadas à política, sociedade civil, artistas, influenciadores (e até empresas, como nós!), que lutam pela causa animal, ampliando cada vez mais a discussão e principalmente a propagação da informação. 

Especismo

O termo especismo é usado para descrever a discriminação praticada pelo ser humano contra outras espécies. É essa crença que temos desde sempre que nós, humanos, somos moralmente superiores às outras espécies e podemos fazer o que quisermos com elas.

Na prática, o especismo é a ideia que sustenta o uso de animais em indústrias como a alimentícia, têxtil, cosmética e farmacêutica - tanto como ingrediente como para testes. O especismo não é uma questão de odiar ou não gostar deles. Você provavelmente conhece muitas pessoas que amam animais, mas mesmo assim apoiam seu uso em testes, usam couro e comem carne. 

No livro “Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas?”, a psicóloga Melanie Joy explica que temos percepções diferentes dos animais: podemos reconhecer uma espécie como uma praga, outra como um bichinho fofo de estimação e outra como comida. Um exemplo disso é quando tendemos a nos importar menos, ou sentir menos empatia, com os animais pequenos. Muitas pessoas consideram um cavalo mais “evoluído” do que um rato. Existe essa tendência a considerar animais menores menos conscientes ou desenvolvidos. Isso é especismo.

Outro clássico é o uso de animais como insulto. Chamar de “vaca”, “burro”, “cobra”, dizer que alguém “fez cachorrada” e outros termos são formas de comparar alguém que você quer xingar com uma outra espécie, como se ela fosse inferior à nossa. 

Essas e outras questões estão profundamente ligadas à cultura e à maneira como nos organizamos como sociedade. Aprendemos desde a infância que os animais de outras espécies são seres inferiores. Além disso, o ser humano se beneficia da exploração dos animais, tendo, dessa forma, pouco incentivo para desafiar essas crenças. Enquanto não questionamos isso, estamos dentro da zona de conforto. 

Bem-estarismo

Outro “ismo” muito presente na discussão dos direitos dos animais é o bem-estarismo. Em linhas gerais, os direitos dos animais dizem que os humanos não têm direito de usar os animais para os seus interesses. Já o bem-estarismo é a ideia de que os animais podem ser usados, desde que tratados de forma ética. 

O bem-estarismo defende que animais podem, por exemplo, ser criados para o abate e o uso para a indústria alimentícia, se tiverem uma vida digna, observando determinadas práticas e processos. 

Hoje em dia, o bem-estar animal está em alta, especialmente no que se refere aos animais de fazenda. É muito comum encontrar nos supermercados “ovos de galinha feliz”, selos que garantem que os animais são criados soltos, fazendas orgânicas e por aí vai.

É uma saída encontrada por muitas pessoas que se preocupam com a crueldade, mas ainda não conseguiram transicionar para uma alimentação à base de plantas. Infelizmente, não é uma solução, e é preciso estar atento, porque muitas indústrias cooptam esse termo para continuar explorando animais, ao invés de encontrar novas alternativas. Afinal, mesmo tendo uma vida boa, não existe abate humanizado para quem não quer morrer. 

O bem-estarismo é considerado também uma forma de especismo, já que não condena o uso e exploração dos animais para benefício humano.

Nesse contexto, alguns animais (vacas, galinhas, peixes) podem ser explorados enquanto outros são considerados membros da família (gato, cachorro).


E na lei, como funciona?

Muita gente não sabe, mas há um artigo na Constituição de 1988 que condena a crueldade contra os animais. O Artigo 255 trata sobre meio ambiente, “impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Fala sobre a preservação da fauna e da flora, o cuidado com os nossos biomas e proíbe “práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade".

É sério, está tudo lá. Parece brincadeira, pois o que vemos no cotidiano é, muitas vezes, o exato contrário.

E agora, para piorar, ainda houve um grande retrocesso: em 2017, foi acrescentada uma Emenda Constitucional que determina que práticas esportivas que utilizem animais não são consideradas cruéis “desde que sejam manifestações culturais, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro”. O texto fala sobre regulamentações que assegurem o bem-estar dos animais envolvidos, mas na prática, será que isso existe?

No fim das contas, o que temos é uma legislação de bem-estar animal, protetiva dentro da exploração humana, que permite que práticas cruéis como vaquejada e outros “esportes” sejam constitucionais. 

Outro exemplo é a Lei Arouca, que estabelece procedimentos como a “insensibilização através de sedação” e outros protocolos para o uso de animais em pesquisas científicas e criou o CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), exigindo a criação de Comissões de Ética no Uso de Animais.

A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) condena quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Também inclui atos de crueldade em animais vivos, mesmo que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos - foi inclusive por conta dessa parte que foi criada a Lei Arouca, que abre uma brecha enorme nesse sentido. 

Quanto aos animais selvagens, a Lei de Crimes Ambientais determina ser crime “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”. Na prática, o que a gente vê é: você não deve matar animais, mas se quiser pode.

O viés bem-estarista ainda aparece na Lei 7.705/92 do estado de São Paulo, que fala do tal do “abate humanitário”. Essa lei determina a obrigatoriedade, em todos os matadouros e abatedouros, de métodos de insensibilização do animal para que o abate não seja cruel e doloroso. Como se isso fosse possível. 

Para melhorar pelo menos um pouco, recentemente foi sancionada a Lei 1.095/2019, que aumenta a punição para maus-tratos de animais. Estão abrangidos os animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A nova lei tem um item específico para animais domésticos, inclusive. 

Com uma análise mais aprofundada encontramos facilmente brechas e o viés bem-estarista em grande parte da legislação que trata dos direitos dos animais no Brasil. Além disso, até o ano de 2019 eles eram considerados objetos, de acordo com o Código Civil.

Depois de muitos anos, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto Lei 27/2018, que confere a eles a natureza jurídica “sui generis”, sendo sujeitos de direitos despersonificados, reconhecendo também que possuem natureza biológica e emocional e são seres sencientes, passíveis de sofrimento.

 

O caminho ainda é longo

Apesar da nossa legislação ainda ser incipiente, o crescimento do veganismo e a luta constante dos ativistas estão ajudando a transformar essa realidade. Mesmo assim, é preciso lembrar que quando o assunto é direitos dos animais, há camadas muito mais profundas para serem trabalhadas. A dependência da sociedade nos produtos de origem animal é uma barreira para rever esses conceitos. Eles podem ser encontrados em lugares onde menos esperamos, e muitas indústrias se baseiam há séculos no seu uso. 

As crenças culturais são outra grande barreira. Por exemplo, as concepções patriarcais de masculinidade, que pregam que o homem másculo e bem sucedido deve comer muita carne vermelha. A caça e a pesca esportiva e outras atividades semelhantes estão no cerne das identidades masculinas hegemônicas. 

E é impossível não tocar no viés social. Quando começamos a falar sobre direitos dos animais, é comum sentir um certo desconforto ou até culpa, pensando no cenário político e social que vivemos. Um mundo cheio de fome, violência, opressão, trabalhadores perdendo seus direitos, pessoas sendo mortas por preconceitos de religião, orientação sexual ou cor de pele parece ter muitos assuntos urgentes. 

Como falar em direitos dos animais quando nem os humanos os têm? Não podemos esquecer que uma luta não invalida a outra. Por aqui, acreditamos que todos os animais têm direito a viver de forma digna, em liberdade e da maneira que a sua natureza merece.

E convidamos você a pensar sobre isso junto com a gente. 


Mais links pra quem quer aprofundar no assunto!

https://www.ecycle.com.br/especismo/ 

https://www.animal-ethics.org/etica-animais-secao/especismo-pt/ 

https://www.projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-especismo/ 

http://www.justificando.com/2016/10/27/por-que-falar-em-especismo/ 

https://www.treehugger.com/what-are-animal-rights-127600 

https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11446/A-protecao-aos-animais-no-Brasil-objetos-ou-sujeitos-de-direitos 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_dos_animais

https://animalequality.org.br/blog/direitos-dos-animais-quais-sao-e-por-que-eles-precisam-ser-defendidos/ 

https://www.worldanimalprotection.org.br/blogs/bem-estar-ou-direito-dos-animais 

https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-ambiental/a-verdadeira-natureza-juridica-da-declaracao-universal-dos-direitos-dos-animais-e-sua-forca-como-carta-de-principios/ 

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Como ter uma boa noite impacta a saúde

Como ter uma boa noite impacta a saúde

Muitas pessoas querem saber como ter uma boa noite de sono. Afinal, com a rotina agitada e as mudanças causadas pela pandemia de COVID-19, é normal que o sono sofra alterações, como a insônia e até o sonambulismo.

Para te ajudar a entender um pouco mais sobre os benefícios e a importância de uma boa noite de sono, preparamos um conteúdo com algumas informações e dicas. Confira!

A importância de uma boa noite de sono na saúde

Não saber como ter uma boa noite de sono pode trazer muitos impactos negativos na rotina. Quando dormimos pouco, o corpo entende que não descansou o suficiente e, no dia seguinte, economiza energia. Assim, as atividades são prejudicadas por conta das horinhas a menos de repouso.

Também é comum que as noites mal dormidas atrapalhem o aprendizado, a memória e a concentração no trabalho, diminuindo a produtividade e a energia ao longo do dia. Além disso, dormir mal interfere diretamente no nosso humor, podendo nos deixar irritados, atrapalhando as relações.

Por isso, os benefícios de uma boa noite de sono são muitos. É nessa hora que o nosso corpo consegue descansar e exercer funções reparadoras, como o aumento da imunidade, a manutenção do metabolismo e dos hormônios, além da prevenção de doenças, como a diabetes e a hipertensão.

Conheça alguns distúrbios do sono

Antes de explicarmos sobre o que fazer para ter uma boa noite de sono, é importante falarmos de alguns dos distúrbios mais comuns, que podem acontecer com pessoas de todas as idades. Veja quais são eles abaixo.

Insônia

Você passou muitas horas tentando dormir sem sucesso ou teve o sono interrompido diversas vezes durante a noite? Se a resposta é sim, então, você já teve insônia. Ela é um dos distúrbios mais comuns, caracterizada pela dificuldade em começar a dormir ou manter o sono ao longo da noite.

Apneia do sono

A apneia é uma interrupção temporária da respiração durante o sono devido à obstrução das vias aéreas. Assim, é normal que ocorram roncos e o despertar no meio da noite. Por conta disso, muitas pessoas que sofrem com o distúrbio acordam cansadas e podem apresentar outros problemas, como irritabilidade.

Sonambulismo

O sonambulismo acontece durante a fase mais avançada do sono. Com isso, é comum que a pessoa se levante, esteja de olhos abertos, caminhe e fale, mas continue dormindo, sem conseguir controlar os movimentos.

Dicas para melhorar a qualidade de sono

Agora que você já sabe a importância de uma noite bem dormida e as principais disfunções do sono, é hora de conhecer algumas dicas de como ter uma boa noite de sono. Saiba mais a seguir.

Higiene do sono 

Você já ouviu falar em higiene do sono? O nome pode parecer estranho, mas trata-se de um conjunto de práticas e hábitos que ajudam a melhorar a qualidade do sono e contribuir para o adormecimento. 

Aqui, é importante criar uma rotina para a hora de dormir, incluindo deitar-se apenas quando estiver com sono, apagar luzes, não fazer barulhos no quarto e evitar dormir durante o dia.

Durma em ambientes 100% escuros, o famoso blackout

Para isso, criamos a máscara tapa olho para dormir Belina. Muito bem acolchoada com espuma na região dos olhos, ela é suuuper fofinha, ajuda a restaurar a pele durante a noite, evita inchaços ou olheiras na área dos nos olhos e proporciona um sono melhor, porque bloqueia totalmente a luz. Também tem elástico na parte de trás da cabeça, para melhor adaptação a cada formato de rosto. Um sonho, né?

tapa olho para dormir


Feita em fibra de viscose certificada, não agride o meio ambiente, muito menos a quem veste. Essa é uma peça livre de crueldade. E dá pra ficar melhor: ao comprar uma máscara de dormir, você estará ajudando o projeto Panela Cheia. Estilo próprio, consciência coletiva! ;)

tapa olho para dormir

Prática de exercícios físicos

A prática de exercícios físicos é superimportante para quem quer saber como ter uma boa noite de sono. Durante as atividades, o corpo libera endorfina, hormônio responsável pelo bem-estar e que nos ajuda a ter um sono mais tranquilo. 

No entanto, é importante que as atividades sejam realizadas de manhã ou à tarde, pois o exercício deixa o corpo mais energizado e com alta temperatura, atrapalhando o sono.

Cuidado com a alimentação

A alimentação é muito importante para quem busca saber como ter uma boa noite de sono. Quando comemos alimentos pesados, a digestão é mais lenta, o que atrapalha o adormecimento. Por isso, é importante fazer refeições leves durante a noite, assim como evitar bebidas estimulantes, como café, refrigerante, chá-verde e chocolate.

Evite o uso de eletrônicos antes de dormir

Se você tem o hábito de mexer no celular, no computador ou no notebook antes de dormir, saiba que isso pode prejudicar o seu sono, já que as luzes emitidas pelos eletrônicos atrapalham a liberação dos hormônios que levam ao adormecimento. 

Por isso, vale a pena deixá-los fora de alcance na hora de dormir. Se preferir, você pode contar com a ajuda de um tapa-olho.

Cuide do seu sono e do seu bem-estar com as dicas da Insecta

Aqui, na Insecta, acreditamos que saber como ter uma boa noite de sono é fundamental para a manutenção da saúde. Aliado à alimentação saudável e à prática de exercícios, o sono é responsável por uma melhora na qualidade de vida e, consequentemente, a forma como nos relacionamos com o mundo. 

Por isso, aqui no blog, você encontra diversas dicas de como utilizar os óleos essenciais para ter uma rotina mais relaxante, tanto à noite, na hora de dormir, quanto no dia a dia. Não deixe de conferir.

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Moda sustentável: saiba mais sobre o movimento

Moda sustentável: saiba mais sobre o movimento

Você já ouviu falar em moda sustentável? Cada vez mais, esse conceito tem ganhado espaço, pois busca questionar o processo de produção que gera impactos ambientais nocivos, repensando as formas tradicionais de desenvolvimento e trazendo um ponto de vista ecológico.


E foi exatamente dessa premissa que surgiu a Insecta. Por isso, hoje, vamos te ajudar a entender um pouco mais sobre o que é sustentabilidade na moda e qual é a importância disso nos dias atuais. Confira!

A indústria da moda e o impacto do meio ambiente

A indústria da moda e sustentabilidade nem sempre andaram juntas. Com a popularização das fast fashion a partir da década de 1990, a produção de roupas passou a ser feita de forma cada vez mais rápida e a preços baixos.  

Com isso, as coleções chegam às lojas a cada semana, levando a um consumo desenfreado às custas do meio ambiente e à desvalorização de trabalhadores da indústria têxtil, que são explorados e recebem, em média, de US$ 2 a US$ 3 por dia. 

As pegadas ambientais da indústria têxtil vão desde os agrotóxicos usados no plantio do algodão até o descarte da roupa em aterros sanitários. Para se ter uma ideia, a moda é responsável por 8% das emissões de carbono na atmosfera, ficando atrás apenas da indústria petrolífera. 

Segundo um relatório da Ellen MacArthur Foundation, devido ao alto descarte da indústria, cerca de R$ 500 bilhões são perdidos anualmente, e 25% de tudo o que é produzido vira lixo, poluindo e levando a uma rápida degradação da natureza. 

O que é moda sustentável?

Na contramão das fast fashion e do consumismo, a moda sustentável tem como premissa utilizar métodos de produção que não geram impactos ambientais. Aqui, o objetivo é que todas as etapas de produção, desde utilização das matérias-primas até a venda, sejam feitas de forma sustentável.

A sustentabilidade na moda prevê a utilização de recursos menos nocivos ao meio ambiente, como tecidos orgânicos e certificados, e a reutilização de materiais descartados, como roupas usadas, borracha e garrafas, assim como fazemos na Insecta.

Produzir peças duráveis é outro ponto-chave para a moda sustentável. Afinal, de nada adianta utilizar materiais ecologicamente corretos e não pensar na vida útil do produto. Por isso, é importante se preocupar com a fabricação de itens que possam ser utilizados por muito tempo, em contrapartida às peças de fast fashion, que são utilizadas, em média, apenas cinco vezes.

Conheça algumas formas de moda sustentável

Agora que você já entendeu um pouco mais sobre a complexa relação entre moda e sustentabilidade, é hora de conhecer os diversos tipos de moda sustentável que existem por aí. Dá só uma olhada:

Zero-waste fashion

O zero-waste fashion, que significa “moda lixo zero”, é uma filosofia que tem como objetivo levar a zero a produção de lixo durante a indústria têxtil. Aqui, os designers pensam em como utilizar os materiais em toda a sua capacidade sem gerar desperdício de recursos.

Upcycling

Dentro da moda sustentável, o Upcycling é um dos movimentos que tem ganhado bastante popularidade nos últimos anos. Ele tem como objetivo dar um novo rumo a materiais que seriam descartados, como resíduos, plástico e roupas antigas, que são utilizadas para fazer novas peças de forma criativa.

Slow fashion

O slow fashion, que significa “moda devagar”, faz oposição direta ao fast fashion e defende uma produção têxtil lenta, com valorização de quem fez e dos processos e condições de trabalho de quem fabrica as peças.

Insecta: onde o eco e o sexy caminham juntos

Aqui, na Insecta, fazemos uma moda sustentável que vai desde a utilização de materiais ecologicamente corretos até o fechamento de ciclo, onde você pode devolver um Besouro usado e ajudar a transformá-lo em um novo calçado, contribuindo para a economia circular.

Por isso, estamos sempre falando sobre a importância da moda sustentável e o consumo consciente por aqui. Então, que tal ficar por dentro do assunto e saber mais sobre como você pode ajudar o meio-ambiente com passos simples? Continue lendo

Pilares da sustentabilidade: entenda a importância

Pilares da sustentabilidade: entenda a importância

No mundo corporativo, a proteção ao meio ambiente e os pilares da sustentabilidade têm sido conceitos amplamente explorados. Isso se dá principalmente na promoção da imagem de empresas que, muitas vezes, não possuem práticas tão sustentáveis assim.

Na Insecta, a sustentabilidade não é apenas uma palavra bonita utilizada para enfeitar os nossos produtos e ações. Por aqui, ela permeia toda a nossa cadeia de produção e nossos valores, tanto é que sempre debatemos o assunto no blog. 

Por isso, hoje vamos explicar quais são os três pilares da sustentabilidade e como os aplicamos em todos os aspectos e ações da Insecta. Continue a leitura para saber mais.

O discurso sustentável e o mundo corporativo

Nunca se falou tanto em sustentabilidade. Seja em campanhas publicitárias ou em rótulos de produtos, essa palavrinha mágica pode ser vista com frequência estampando os anúncios das mais diversas empresas e marcas por aí. E não é à toa! Com o passar do tempo, as cobranças por práticas sustentáveis têm se tornado cada vez maiores.

No entanto, o que deveria ser uma prática séria se tornou apenas uma palavra vazia utilizada para autopromoção. Não é difícil encontrar grandes empresas usando a palavra sustentabilidade, mas que, na prática, não são nem um pouco sustentáveis. 

O problema do greenwashing

A tática de utilizar a sustentabilidade como mera estratégia de marketing é conhecida como greenwashing, palavra que pode ser traduzida para algo como “lavagem verde”. Aqui, as empresas utilizam discursos e propagandas com características ecologicamente corretas e sustentáveis, mas que não são realmente aplicadas. 

Com isso, muitos consumidores acabam sendo enganados, já que são levados a comprar algo acreditando que estão contribuindo para alguma causa ambiental, o que costuma não ocorrer. Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), 48% das embalagens de produtos possuem informações falsas sobre responsabilidade ambiental.

Quais são os três pilares da sustentabilidade?

Agora que você já sabe o que é greenwashing e como as empresas utilizam a sustentabilidade a seu favor, chegou a hora de conhecer um pouco mais sobre os três pilares da sustentabilidade e como eles devem ser aplicados. Dá só uma olhada.

Pilar social

O pilar social da sustentabilidade está relacionado ao capital humano, ou seja, as atividades desenvolvidas pela empresa e que afetam a comunidade em geral, além de funcionários e público-alvo. Portanto, para que uma empresa seja socialmente sustentável, é preciso nutrir relações respeitosas com fornecedores, consumidores e colaboradores.

Pilar ambiental

O pilar ambiental da sustentabilidade diz respeito às condutas da empresa em relação ao meio ambiente. Aqui, a empresa ou a marca devem buscar formas de reduzir o impacto ambiental em todo o processo de produção, desde insumos até as matérias-primas, reduzindo o desperdício de recursos.

Pilar econômico

O pilar econômico da sustentabilidade se refere à produção e oferta de produtos de forma economicamente sustentável, respeitando os concorrentes e mantendo um crescimento que não desrespeite funcionários e o meio ambiente em nome do lucro.

Como a Insecta aplica os três pilares da sustentabilidade?

Na Insecta, a sustentabilidade não é só uma palavra para enfeitar as nossas ações e produtos. Por aqui, a gente busca levar os três pilares da sustentabilidade para toda a nossa cadeia de produção. Abaixo, elencamos de que forma aplicamos essas práticas em nossos processos.

Veganismo

O veganismo entende que animais são seres sencientes e não temos direito de explorá-los para obter lucros. Por isso, todos os nossos produtos são feitos sem nada de origem animal. Além disso, sempre buscamos melhorar nossos processos em termos de materiais e temos o certificado do selo Peta.

Reutilização de materiais

Por aqui, a gente acredita que o produto verde é aquele que já existe. Então, nada melhor do que reutilizar materiais para a produção de novos produtos. Para isso, a gente reaproveita diversos recursos, como garrafa PET reciclada, borracha reciclada, algodão reciclado, tecidos reutilizados e roupas de brechó, que dão vida a novos Besouros.

Remuneração justa e valorização de produtores locais

A Insecta também acredita muito na transparência de cada processo de produção dos produtos. Portanto, trabalhamos com custos abertos para que você saiba quanto custa cada calçado feito aqui. Além disso, nossos sapatos são todos feitos localmente por trabalhadores devidamente remunerados.

Economia circular

A economia circular é outra prática que a gente aplica no nosso processo de produção. Então, quando você tem um Besouro parado em casa, é possível enviá-lo por Correios ou entregar nas nossas lojas para que ele seja desmontado e transformado em novos calçados. Com isso, a gente espera reduzir a produção de lixo e incentivar a reciclagem.

Insecta: construir um mundo mais sustentável é possível

A Insecta entende os impactos da sustentabilidade na criação de um mundo melhor, com mais respeito pelos recursos naturais e pela vida animal. Por esse motivo, levamos a sério os pilares da sustentabilidade e a nossa responsabilidade nesse processo. 


Por aqui, você fica sempre sabendo de como a gente busca procurar novas formas de fazer produtos que consideram os pilares da sustentabilidade. Então, que tal ficar por dentro do nosso blog e saber mais sobre como consumir de forma sustentável?

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Greenwashing: entenda mais sobre esse assunto

Greenwashing: entenda mais sobre esse assunto

Você sabe o que significa greenwashing? Ele faz referência à apropriação de causas ambientalistas por meio de técnicas de marketing, com o objetivo de criar uma imagem positiva da marca, principalmente para esconder ou desviar a atenção de impactos negativos causados por ela.

Em outras palavras, esse termo é usado para falar de empresas que querem mudar sua imagem perante o público, mas sem uma real preocupação em mudar seus processos nocivos ao meio ambiente e à sociedade como um todo.

Para te ajudar a ficar por dentro do assunto, a Insecta trouxe um conteúdo para explicar o que é greewashing e como você pode identificar marcas que utilizam esse tipo de apropriação no dia a dia. Continue a leitura e saiba mais.

De onde surgiu o termo “greenwashing”?

O termo "greenwashing'' pode ser traduzido para algo como “lavagem verde” e foi criado em 1986 pelo ativista ambiental Jay Westerveld, após uma visita em um hotel de Samoa, na Polinésia. 

No local havia um pedido para que os hóspedes utilizassem uma mesma toalha durante a estadia, com o objetivo de “salvar o planeta” ao evitarem o desperdício de água. A partir dessa ocasião, o ativista norte-americano apontou a distorção do discurso ambiental como forma de beneficiar apenas a própria empresa. 

Com a crescente relevância da sustentabilidade e o aumento da cobrança por práticas que beneficiam o meio ambiente, muitas empresas ainda utilizam o discurso ecológico apenas como estratégia de marketing e aumento de lucros, enquanto, na prática,  continuam prejudicando a natureza.

Como identificar empresas que praticam greenwashing?

Como vimos, o greenwashing é uma prática de empresas e marcas que se apropriam de causas ambientais para benefício próprio. Entender como os negócios utilizam esse discurso no dia a dia nem sempre é uma tarefa fácil, mas há formas de ficar por dentro. Confira alguns exemplos de greewashing.

Falta de políticas trabalhistas

Não é novidade que empresas utilizam o discurso sustentável nos produtos, mas, no trato com os colaboradores, a realidade é bem diferente. Por isso, o desrespeito às leis trabalhistas, como horas e benefícios combinados, também é considerado uma prática de greenwashing.

Usar ingredientes que agridem o meio ambiente

É muito comum que empresas que praticam o greenwashing coloquem informações sobre práticas sustentáveis nas embalagens. No entanto, essa é mais uma apropriação do discurso ambiental, já que, em muitos casos, não há explicação sobre o processo de produção ou composição do produto.

Utilizar informações falsas

Assim como a falta de informações sobre a produção e composição dos produtos que se vendem como sustentáveis, as informações falsas também são táticas utilizadas por empresas. Por isso, é comum que muitas embalagens contenham selos e certificações de práticas sustentáveis que, na verdade, a empresa nunca conquistou.

Não informar se as embalagens são recicláveis

A reciclagem é parte fundamental para a diminuição da produção de lixo e, consequentemente, para o cuidado com o meio-ambiente. Portanto, é importante que as embalagens e os produtos contenham o selo reciclável, já que esse detalhe facilita o trabalho da coleta seletiva.

Como combater o greenwashing?

Agora que você já sabe como identificar uma empresa ou propaganda greenwashing, é hora de conhecer algumas formas de contornar a situação. Saiba como fazer isso com passos simples.

Informação é poder

Para contornar o greenwashing, é importante que tenhamos informações sobre as práticas, certificações e fabricação dos produtos que consumimos. Aqui, vale a pena pesquisar sobre as empresas na internet e compartilhar as informações com grupos de amigos. Quanto mais pessoas souberem do problema, mais fácil será combatê-lo.

Familiarize-se com os rótulos

Como dissemos, muitas empresas utilizam rótulos e selos de certificações sustentáveis em embalagens, quando, na prática, a história não é bem assim. Por isso, é importante estar familiarizado com os rótulos ambientais presentes no Brasil e no mundo. Dessa forma, fica mais fácil identificar o problema.

Dê preferência a empresas transparentes e sustentáveis

Na hora de comprar, dê preferência a empresas que se preocupam com a transparência nos processos de produção e nos insumos e matérias-primas utilizadas na fabricação dos bens, como fazemos aqui na Insecta. Vale a pena ficar por dentro das redes sociais e sites da empresa para ter acesso a essas informações e, assim, comprar de forma consciente.

Insecta: por uma sustentabilidade transparente e acessível

A forma como você se posiciona em relação ao greenwashing é importante para que essas práticas sejam cada vez mais conhecidas e combatidas no dia a dia. Afinal, é a partir do acesso a essas informações que a mudança pode ocorrer. 

Por aqui,  trabalhamos de forma transparente para que você sempre saiba como é o nosso processo de produção e como os nossos produtos impactam o meio ambiente. Então, não deixe de ficar por dentro do nosso blog e conhecer mais sobre como fabricamos os Besouros que chegam até você. Continue lendo

Economia circular: um guia

Economia circular: um guia

Provavelmente você já ouviu falar sobre Economia Circular, mas é possível que ainda não tenha entendido bem o que é isso afinal de contas. Esse é um conceito aparentemente simples, mas que tem vários detalhes e revela algumas agradáveis surpresas quando você vai estudar para entender melhor.

Dá pra dizer que economia circular é “o assunto do momento”, e já adiantamos: você vai ouvir falar cada vez mais nisso! E se pensa que é algo muito complexo, olha só: é bem provável que você faça parte de iniciativas circulares e nem saiba! 

 

Por que o mundo precisa da Economia Circular? 

 

Não é novidade que a situação atual do Planeta não é boa. Os limites estão em um nível quase insustentável, vide o Dia da Sobrecarga da Terra, que tem chegado cada dia mais cedo.

Estamos em estado de emergência climática, e a Economia Circular é uma das mudanças necessárias para contornar essa situação e nos ajudar a repensar a maneira como produzimos e consumimos.

Pra ter apenas uma ideia do que estamos passando, ⅓ de todo alimento produzido no mundo é desperdiçado todos os anos, 80% dos produtos comprados são descartados ainda nos primeiros seis meses da compra e 40 bilhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidos anualmente. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil produz cerca de 541 mil toneladas de lixo por dia.  

Se a questão dos resíduos é um problemão, o esgotamento dos recursos naturais é outro. De acordo com o relatório da Ellen MacArthur Foundation, cerca de 82 bilhões de toneladas de matéria-prima são inseridas no sistema produtivo mundial todos os anos, ou seja, extração de novos materiais, grande parte de recursos não renováveis (como por exemplo o petróleo e a mineração).

Todos esses números (que, sinceramente, são até difíceis de visualizar, né?) são explicados pelo modelo econômico atual, baseado em extrair   produzir  descartar, conhecido como Economia Linear.

Para que possamos mudar esse cenário será necessária uma mudança sistêmica, com a transição para um modelo baseado na extensão máxima da vida dos produtos: a Economia Circular. Nós já estamos caminhando para lá. Vamos? 

 

Economia Linear x Economia Circular 

 

Vivemos em um sistema de economia linear. Isso significa que o crescimento econômico depende do consumo de recursos finitos. Nesse modelo, os recursos são extraídos da natureza, transformamos em produtos, usados e descartados (na grande maioria das vezes, prematuramente).

Basicamente, o destino da maioria das coisas é o lixo (inclua aqui lixões, aterros sanitários, oceanos, etc.). Esse sistema não dá certo e isso já é mais do que comprovado. Se seguirmos dessa forma, o colapso no sistema e a escassez de recursos vai chegar rapidamente. Com menos recursos disponíveis, os custos da extração serão cada vez mais elevados. É uma bola de neve muito preocupante.

O grande erro da economia linear está no design dos produtos. As coisas não são pensadas para durar, e sim para serem descartadas. E de qualquer jeito, gerando contaminação decorrente do descarte de componentes tóxicos por aí.  

 

Imagem: Ideia Circular https://www.ideiacircular.com/economia-circular/  

 

Já a Economia Circular é um conceito baseado nos ciclos da natureza, que é o exato oposto do processo produtivo linear. Nos sistemas circulares, resíduos são insumos para a produção de novos produtos. Pensa com a gente: no meio ambiente, restos de frutas se decompõem e viram adubo para outras plantas crescerem. Não existe a ideia de lixo, e tudo serve de nutriente para um novo ciclo.

Na Economia Circular, o destino final de um material deixa de ser uma questão de gerenciamento de resíduos, mas parte do processo de produção. O conceito de lixo deixa de existir, porque tudo é aproveitado.

Ao contrário da ideia de produzir cada vez mais, a Economia Circular  usa de forma inteligente os recursos naturais. Aqui também é um ponto importante a otimização dos processos produtivos, priorizando energias renováveis. 

 

Imagem: Ideia Circular https://www.ideiacircular.com/economia-circular/

Hoje em dia a Economia Circular é muito associada a pequenas empresas, que pelo seu formato mais enxuto têm mais facilidade de adaptar processos. Mas esse conceito tem com um preceito importante funcionar em qualquer escala, para grandes e pequenos negócios, para organizações, empresas e pessoas, em qualquer lugar.

Agora, uma coisa que precisamos deixar claro é que a transição para a Economia Circular implica em uma mudança total. Não é uma adaptação ou ajuste do formato que estamos acostumados, e sim uma mudança sistêmica. 

 

De onde surgiu essa ideia? 

 

A ideia de circularidade tem origens históricas e filosóficas. A ideia de retroalimentação e de ciclos pertence a diversas escolas de pensamento. Um exemplo que ilustra muito bem o que estamos falando é a famosa frase de Antoine Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", ou, resumidamente, como dizemos hoje em dia: “não existe fora”. 

O economista britânico Kenneth Boulding é considerado o pai do termo “economia circular”. Em 1966, no artigo “The economics of coming spaceship earth”, defendeu que “o Homem precisa encontrar o seu lugar em um sistema ecológico cíclico que seja capaz de reproduzir continuamente a forma material, embora não possa evitar aportes de energia”. A ideia, porém, foi amplamente difundida por Ellen MacArthur, velejadora que deu a volta ao mundo sozinha.

Ao percorrer mais de 50 mil quilômetros em 3 meses, essa mulher incrível percebeu que estender a vida útil dos suprimentos tinha relação com o uso de recursos finitos e como sua conservação inteligente tem impacto direto na qualidade de vida e sobrevivência. Ela fundou a Ellen MacArthur Foundation, que trabalha com empresas, governos e universidades para difundir a Economia Circular e acelerar essa revolução sistêmica. 

 

Escolas de pensamento 

 

Se você gosta de design, a Economia Circular é um prato cheio para estudar e se aprofundar em várias escolas de pensamento. Esse modelo é uma síntese de várias correntes que se complementam, trazendo suas principais ideias:  

 

  • Design Regenerativo: conceito que vem da área agrícola, criado para manejar os recursos naturais de forma consciente. 
  • Economia de Performance: creditado por ter cunhado o termo "Cradle to Cradle" (do berço ao berço) na década de 70, é a abordagem do ciclo fechado para processos de produção;  
  • Cradle to Cradle: Título do livro-manifesto de 2002 escrito pelo arquiteto William McDonough e pelo engenheiro químico Michael Braungart. Eles falam sobre gestão de recursos na lógica circular de criação e reutilização, eliminando a ideia de “lixo”. 
  • Ecologia Industrial: Fala sobre um ecossistema industrial, onde os resíduos conectam indústrias diferentes: o que não serve para uma se torna a matéria-prima para outra, e elas vivem dentro de um ciclo fechado se retroalimentando. 
  • Biomimética: É o design inspirado na natureza. As melhores soluções são “copiadas” e aplicadas das mais variadas formas. 

 

Como funciona a Economia Circular? 

 

Se a gente for resumir as principais características da Economia Circular, dá pra dizer que são: a minimização da extração de recursos, a maximização da reutilização e o aumento da eficiência de processos e produtos.

Há também uma divisão de tipos de matérias-primas em ciclos biológicos e técnicos. Os biológicos são, obviamente, materiais de base natural, como algodão e madeira. Eles retornam ao sistema pela compostagem ou processos de digestão anaeróbica. Sim, quando você composta e usa o seu próprio fertilizante nas suas plantinhas, está fazendo um processo circular! Já os ciclos técnicos são componentes de produtos. Eles voltam ao ciclo através de reutilização, reparo, remanufatura ou reciclagem. 

 

Design Circular 

 

Beleza, mas e como funciona, na prática, essa ideia de reaproveitamento de absolutamente tudo? A resposta está no design.

Podemos partir daquele princípio já bem conhecido que diz que todo lixo é um erro de design. Se a ideia é acabar com o descarte e criar produtos que podem ser reinseridos no ciclo, é na hora da concepção que isso deve ser pensado.

Estamos acostumados com o design na sua forma mais sem-vergonha: nos anos 30, num esforço de estimular a economia depois da Grande Depressão de 1929, surgiu a ideia da obsolescência programada.

Os produtos são projetados com a intenção de que se tornem obsoletos e sejam descartados e substituídos o mais rápido possível. Se você está lendo esse texto em um celular, um dos grandes exemplos disso está aí na sua mão. Com produtos feitos para não durar, ninguém pensa em logística reversa, pois não houve planejamento para um processo de desmontagem ou reaproveitamento. A reciclagem se limita a uma sub-ciclagem, resultando em materiais de qualidade e funcionalidade inferior, que não resistirão a muitos ciclos.

Na economia circular, acontece o oposto: na hora de criar um produto (qualquer que seja), a sua longevidade é levada em consideração, pensando em formas de estender seu tempo de uso, incluindo a possibilidade de serem facilmente consertados ou atualizados pelos  usuários.

É mais vantajoso para as empresas criar produtos que sejam facilmente desmontados, consertados e reutilizados ou revendidos, pois nesse cenário elas mesmas recebem de volta seus produtos através da logística reversa. 

 

Responsabilidade Compartilhada e Consciência Coletiva 

 

Se a gente for falar em logística reversa, precisa lembrar que a responsabilidade de retornar os materiais para quem os produz ou fornece é também do consumidor.

Ao descartar algo no lixo comum, o destino é o aterro. Nós, como consumidores, devemos nos informar antes da compra do que fazer com o produto no fim da sua vida, e também cobrar as empresas por soluções nesse sentido, caso não existam.  

 

Por isso é tão importante que haja transparência do lado das empresas. Informar o consumidor sobre as iniciativas e boas práticas adotadas, mesmo pequenas, é essencial. Outro jeito de descobrir se uma marca ou empresa tem responsabilidade ambiental é ficar de olho nas certificações: hoje em dia há vários selos que comprovam que a empresa passou por uma análise cuidadosa levando em consideração vários fatores, e por isso você pode confiar.  

O funcionamento desse sistema não depende apenas das empresas, mas de todos os envolvidos no ciclo de vida de um produto.

A logística reversa é uma ferramenta da economia circular. Ela representa um estímulo à reciclagem, redução na exploração da matéria-prima virgem e diminuição na emissão de Gases do Efeito Estufa. E pensando principalmente no cenário do Brasil, é importante pois tem vantagens sociais, como a profissionalização, aumento de renda e melhores condições de vida e trabalho dos catadores de materiais recicláveis.

Aqui temos a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei (Lei nº 12.305/10) que exige transparência no gerenciamento de resíduos e pede pela implementação da logística reversa em vários tipos de empresas.

É um excelente começo, mas ainda fica restrita a setores específicos, precisando ser revista, ampliada e adotada por todo tipo de negócio.  

 

Novos Modelos de Negócio 

 

Chegamos em uma parte que você vai conseguir enxergar com muita clareza no seu dia a dia. Os negócios circulares já existem e estão por aí, participando da nossa vida sem que a gente perceba.

Insecta é um negócio circular, caso você esteja se perguntando. Temos como missão estender a vida útil de materiais que já existem, produzindo sapatos e acessórios com tecidos que chegaram ao fim do seu ciclo. 

Nossos próprios produtos são reinseridos no ciclo quando chegam ao fim, virando material para novos produtos. 

É muito provável que você já utilize outros modelos de negócio que fazem parte da economia circular: Uber, Airbnb e aluguel de bicicletas são só alguns exemplos entre os mais conhecidos.

Nesse modelo de negócio, o serviço ou a experiência são vendidos, ao invés do produto. Pense bem: 92% do tempo os carros das grandes metrópoles ficam estacionados, e transportam normalmente 1,5 pessoas por viagem.

Para muita gente vale muito mais a pena chamar um motorista de aplicativo quando precisa se deslocar, ao invés de investir uma grana em um carro que vai ficar parado e vai precisar de manutenção, seguro, pagamento de impostos e tudo mais. Você não precisa ter uma bicicleta se vai usar apenas para passear no parque: pode alugar uma compartilhada por um tempo e depois devolver.

Quem gosta de passar férias cada vez em um lugar diferente também vai se identificar, e provavelmente está sempre procurando achados no Airbnb. O que acontece nesses casos é que você aproveita a experiência e o uso do produto, e perrengues como manutenção passam a ser resolvidas pela empresa ou proprietário.  

 

Desafios 

 

Todo ano, aqui no Brasil, mais de R$ 8 bilhões em materiais vão para aterros e lixões em vez de serem reciclados, em estimativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Infelizmente, por aqui ainda estamos na fase de resolver nosso gerenciamento de resíduos, ainda longe de pensarmos em novos modelos de negócio em uma escala maior e mais transformadora. 

Para chegarmos na mudança sistêmica que a Economia Circular pede, precisamos de contribuição multidisciplinar de pessoas de todas as áreas de atuação e conhecimento, e incentivos governamentais.

Mas podemos começar a dar nossos passos valorizando as empresas que conhecemos, fomentando essa nova economia. 

 

http://www.portaldaindustria.com.br/industria-de-a-z/economia-circular/ 

https://www.ellenmacarthurfoundation.org/pt/economia-circular/conceito 

https://www.ideiacircular.com/economia-circular/ 

https://www.creditodelogisticareversa.com.br/post/t-economia-circular-o-que-e-e-quais-seus-beneficios 

https://www.ecycle.com.br/economia-circular/ 

https://www.modefica.com.br/economia-circular-na-moda/#.YRgEWohKjIU 

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X vinnu_lennartc

Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 15h as 24h.

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