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Amazonas: O que fazer para que colapsos do tipo não se repitam

Amazonas: O que fazer para que colapsos do tipo não se repitam

Por Modefica

Violência. Não há palavra melhor para descrever o que estamos vendo acontecer com a população do Amazonas nos últimos dias. O colapso no sistema de saúde, com particular destaque para a falta de oxigênio nos hospitais, foi previsto e anunciado, o que revela a presente calamidade como uma escolha das lideranças políticas e empresariais locais. 

A situação toda causa ultraje, mas não surpresa. A violência do Estado está tão presente nas manchetes dos jornais e na vida das pessoas (particularmente das pretas e pobres) que nossos olhos parecem ter se acostumado com a cartilha. Os métodos variam – metralhadoras na mão de policiais dentro de uma favela carioca ou ignorar os avisos sobre a iminente falta de um insumo crucial para salvar vidas na pandemia –, mas o resultado é o mesmo.

O Amazonas tem cerca de 4,2 milhões de habitantes dos quais quase 75% se declararam como pardos no censo de 2010. O estado também tem o município com a maior concentração de indígenas do país. Estamos falando de pessoas para as quais os direitos humanos universais são sistematicamente negados, e cujos corpos não valem o pranto. Não é possível falar sobre o que está acontecendo na região norte sem colocar estes dados na mesa.

O estado, aliás, fica na mesma região do país onde o desmatamento só aumenta - o maior dos últimos 10 anos, segundo estudo recente -, enquanto o governo diz desconhecer dados divulgados por institutos e organização não governamentais.

"A destruição da vida em todas as suas formas é hoje tão importante quanto a força produtiva do biopoder na formação das relações capitalistas". O que a filósofa e ativista feminista anticapitalista Silvia Federici está dizendo é que a morte de alguns grupos é meio para "adquirir matérias-primas, desacumular trabalhadores indesejados, debilitar a resistência e reduzir os custos da produção do trabalho". Em outras palavras, não é um mero acidente de percurso, uma falha de um sujeito específico, mas um projeto político onde o Estado decide quem deve morrer e quem deve viver para perfeita prosperidade do capital.

Um caso de necropolítica

Toda gestão da crise do Coronavírus no Brasil foi violenta e já temos uma série de análises sobre como tal gestão tem revelado mais uma faceta da necropolítica brasileira. O que não podemos agora é deixar o que está acontecendo no Amazonas fora dessa análise. Caso contrário, tendemos a enxergar a situação como algo completamente pontual e fora da curva quando, na verdade, é um mecanismo muito bem articulado há décadas.

Para os não familiarizados com o conceito, necropolítica pode ser traduzida como a "destruição material dos corpos e população humanas julgadas como descartáveis ou supérfluas". É o poder do Estado de escolher quem morre e quem vive, e executar pessoas a partir desta ótica. Você consegue imaginar a cidade de São Paulo, onde mais de 60% da população é declarada branca, passando por tal situação? Alguns bairros específicos ou no interior do Estado sofrem com o mesmo mal, mas a diferença no censo revela a diferença dos esforços empregados para cuidar da população.

Restaurar o tecido social

Coibir e eliminar a prática da necropolítica é um projeto de longo prazo, que exigirá uma atuação incansável da sociedade. Isso significa que, num primeiro momento, é hora de empregar esforços para conter os danos, como:

• Fazer doações em dinheiro para os grupos locais;
• Compartilhar as necessidades que os grupos locais estão apontando;
• Facilitar a chegada de EPIs;
• Pressionar para que o estado se articule rapidamente para normalizar a situação.



Depois, porém, é hora de reunir a indignação e transformá-la em combustível para a empreitada de restaurar o tecido social, fragilizado após décadas de implementação da agenda neoliberal, cuja estratégia central foi (e continua sendo) a quebra de vínculos comunais, o individualismo, a disputa entre sujeitos e a meritocracia. Não podemos deixar a indignação do agora se transformar em poeira e perder de vista que, para não ver o que estamos vendo acontecer nas cidades amazonenses novamente, será preciso um projeto político que valorize a vida.

É claro que essas práticas resistem e não acabaram por completo, principalmente entre as pessoas que são os alvos principais da necropolítica. No entanto, será preciso uma união e mobilização social mais ampla para resistir à austeridade e inverter a percepção da sociedade sobre a prática do Estado de matar, passando de algo ultrajante, porém pouco surpreendente, para uma postura de total recusa a esta política da morte. A costura desse novo tecido social só será feita com muita solidariedade – e não menos intenção.

Estudiosos do neoliberalismo, os autores Pierre Dardot e Christian Laval são específicos em dizer que essa costura solidária se dará a partir "da recusa de se conduzir em relação a si mesmo como uma empresa de si e a recusa de se conduzir em relação aos outros de acordo com a norma da concorrência". Em outras palavras, se recusar agir para consigo e para com os outros na base da competição, do individualismo e da percepção do outro enquanto inimigo a ser combatido. Não estamos sobremaneira falando de uma "desobediência passiva", mas sim de ativamente estabelecer, com relação aos outros, "relações de cooperação, compartilhamento e comunhão", práticas opostas às estabelecidas pelo capitalismo neoliberal, que nos diz diariamente que a regra é "cada um por si e Deus por todos".

Conseguir dar os primeiros passos rumo à restauração do tecido social implicará automaticamente no repensar da política, no papel do Estado e quais pessoas escolheremos (se é que escolheremos alguma) para representar e agir pelos interesses coletivos.

Numa sociedade minimamente sã isso significa escolher lideranças que valorizem a vida de todas as pessoas. Significa também:
• Se embrenhar em práticas coletivas, capazes de gerar vínculos de solidariedade. Isso pode significar se juntar a um coletivo, ao grupo do bairro, aos agricultores urbanos que têm perto de você ou formar o seu próprio grupo;
• Aprender e ensinar. Tendo Paulo Freire como mantra, a educação pode ser libertadora e a educação popular, que nem sempre acontece em ambientes formais como a escola ou universidade, é uma ferramenta importante na construção de novos mundos. Sugiro este IGTV para pensar mais sobre o tema.
• Se conectar com outras realidades. Quão longe para fora do seu universo você consegue ir? Vá se conectando com pessoas de diferentes universos para entender as múltiplas realidades e saber como você pode agir sobre elas.
• Reaprender sobre o papel da política na nossa vida. Já que durante muitos anos nós fomos incentivados a nos afastarmos da política ou pensar "política" como algo ruim, é preciso um esforço de reapropriação do tema, conceito e prática. Para Michel Foucault, a política não é "nada mais, nada menos do que aquilo que nasce com a resistência à governamentalidade". Em outras palavras: façamos política!

(Fotos:  Edmar Barros/Futura Press e Bruno Kelly/Reuters)

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Máscaras de tecido: proteção e sustentabilidade na pandemia

Máscaras de tecido: proteção e sustentabilidade na pandemia

Acessório indispensável na rotina de quase toda a população mundial, as máscaras de proteção têm preocupado ambientalistas, governos e autoridades de saúde dos quatro cantos do planeta – não só pelo uso correto, como também pelo descarte.

Comprovadamente eficazes para frear a propagação do novo coronavírus, os EPIs descartáveis acabam em lixeiras de rua, na coleta seletiva ou misturados a outros dejetos. Só que, além de não serem biodegradáveis, essas máscaras podem estar contaminadas, ameaçando a saúde de todos que tiverem eventual contato com elas. Coincidência ou não, só no Brasil, o número de trabalhadores da limpeza urbana infectados pela covid-19 é quase seis vezes maior que o verificado na população em geral, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).

E o estrago que esses resíduos causam não para por aí. Feito de polietileno de alta densidade, poliéster e polipropileno, que levam quase 500 anos para se decompor, o lixo mascarado está chegando aos rios e oceanos. ONGs da Europa e do Brasil já denunciaram o problema, que deve ser mais profundo do que se vê, pois enxergamos na superfície apenas 15% da realidade do lixo oceânico.



Tem solução
Como são consideradas lixo hospitalar, as máscaras descartáveis não devem ser descartadas junto aos dejetos comuns; precisam ser encaminhadas a unidades de saúde para um destino adequado ou descontaminação. Só que, em um planeta onde 13 milhões de toneladas de plástico mergulham em águas profundas a cada ano, a falta orientação na venda e distribuição faz com que essa conscientização pareça utópica.

A solução mais prática é barata e muitas vezes estilosa: máscaras de tecido, como as de algodão com duas camadas. Reutilizáveis, respiráveis e higiênicas, são laváveis com água e sabão, reduzindo significativamente o volume de lixo e deixando os modelos descartáveis pra quem atua na linha de frente contra a doença.

Uma dica: as opções com amarração, além de não machucar atrás da orelha, se adaptam a qualquer formato e tamanho de rosto. Aonde for, use – e reuse – a sua!

Fotos: Operation Mer Prope, Brian Yurasits/Unsplash e Inseta Shoes 

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Vencemos o Prêmio Muda 2020!

Vencemos o Prêmio Muda 2020!
Nesta semana, trouxemos mais um prêmio pro nosso casulo! Vencemos a edição 2020 do Prêmio Muda na categoria Empresa B de Médio Porte, ao lado de outras empresas que buscam mudar o mundo, como a Natura e o Projeto Fio.

Organizada por Vogue, GQ, Glamour e Casa Vogue, a premiação reconhece marcas de moda, beleza e design que prezam pela sustentabilidade social e ecológica no Brasil. Empresas de pequeno, médio e grande porte foram contempladas nesta edição, que categorizou os vencedores nas categorias Terra (aspectos ambientais) e Gente (aspectos sociais).

Na mesma categoria que a gente, foram indicadas a EcoSimple, nossa principal fornecedora de tecidos ecológicos, e a Pantys, marca parceira de calcinhas absorventes que também admiramos muito.

"Há 7 anos a gente tenta fazer moda de forma sustentável e mais consciente. Receber um prêmio como esse é um reconhecimento enorme pra gente. E espero que daqui uns anos a gente não precise mais separar moda sustentável da moda. Espero que todas as empresas estejam seguindo por esse caminho", disse Babi Mattivy, nossa CEO e fundadora, na transmissão do evento, que foi totalmente online (assista à premiação completa aqui).

A gente fica muito feliz com mais esse reconhecimento! Nos últimos anos, também levamos os prêmios Vogue Ecoera e Vegan Fashion Awards PETA, em 2015, e o B Corp Best for the World” (Melhor Empresa B para o Mundo), em 2018.

Conheça os outros premiados na edição 2020 do Prêmio Muda:
> Beleza
Categoria Gente e Terra - pequenas empresas
Unevie (@uneviecosmeticos)

> Moda
Categoria Gente - pequenas empresas
Projeto Fio (@projetofio)

Categoria Terra - pequenas empresas
Comas (@comas_sp)

> Design
Categoria Gente
Yankatu (@_yankatu_)

Categoria Terra
Flavia Amadeu (@flaviaamadeudesign)

> Empresa B - Empresa de Grande Porte
Natura (@naturabroficial)
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A luta antirracista também se faz com seu voto

A luta antirracista também se faz com seu voto

"Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela" - Angela Davis

2020 foi o ano em que o Brasil e o mundo repetiram que não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. Em plena pandemia, manifestações ocuparam as ruas e as redes sociais em apoio ao movimento Black Lives Matter - Vidas Negras Importam. Agora, com a chegada de mais uma eleição no Brasil, é hora de colocar a luta antirracista em prática mais uma vez e eleger quem se preocupa com aquilo que a gente acredita.

E se tem um lugar onde representatividade faz muita diferença, é no legislativo. Em ambientes onde ainda imperam bancadas como a da bala, a evangélica e a ruralista, conseguir eleger pessoas preocupadas com os direitos dos grupos minorizados e que lutam por mais igualdade social é muito importante.

Neste ano, há muitas opções de voto em mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+ nas principais cidades do país. A gente acredita que colocar mais mulheres negras nas Câmaras de Vereadores é um passo importante para mexer nas estruturas da sociedade. E, mais do que isso, é fundamental analisar as propostas apresentadas e escolher quem está realmente comprometida com essas causas. Saber o que cada candidatura propõem ajuda na tomada de decisão e é importante para poder cobrar resultados de quem vencer.

Se informe, vote com consciência, cobre os eleitos. A luta é constante e cada voto conta.

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Como viver com menos lixo e menos gasto

Como viver com menos lixo e menos gasto

O conceito de uma vida lixo zero tem crescido nos grandes centros, especialmente pela conscientização do impacto em cascata que os descartes provocam. Apesar de nem todo mundo fazer sua parte – em especial as indústrias –, podemos reduzir os danos com ações individuais que, gradualmente, influenciam também quem está ao nosso redor – e ainda fazem bem ao bolso. Separamos algumas que são simples: 

  • Desembrulhe menos e descasque mais

Escolha alimentos frescos, preferencialmente orgânicos, produzidos por pequenos agricultores. Além de podermos usar até as cascas e nos surpreendermos com receitas fáceis e deliciosas, aquilo que não for consumido pode ir pra composteira (que a gente mesmo pode construir, se não quiser comprar pronta). É um jeito de unir nutrição, criatividade e sustentabilidade.

  • Reuse tudo que puder

Além de reaproveitar embalagens (podem virar vasos, potes, embrulhos e uma infinidade de ideias), trocar roupas, sapatos e livros é uma excelente forma de renovar sem desperdiçar.

  • Adeus aos plásticos

Copo, canudo, talheres, sacolas...pode nomear que a gente diz: se tiver como substituir por outro material, faça! O item certamente vai ser utilizado muitas vezes, poluindo menos e compensando o investimento da compra – o que, no fim das contas, é uma economia.

  • Consuma consciente

Sabe aquela peça linda que você viu em alguma vitrine? Ela é mesmo necessária? Vai ser muito usada? Avaliar cada compra é importante porque otimiza insumos, incentiva as empresas a terem itens de qualidade e reduz o impulso.

No nosso site, disponibilizamos o e-book 30 Dias sem Lixo, pelo qual dá pra pagar quanto vocês quiserem. Quem tiver mais dicas, pode nos mandar pelas redes sociais que vamos adorar atualizar a lista!

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Quem vê cara, pode estar não vendo nutrição

Quem vê cara, pode estar não vendo nutrição

Quem nunca deixou de lado um hortifrúti amassado, manchado ou com alterações estéticas? Sabe-se lá se é vício que a cultura do agrotóxico plantou, mas a verdade é que alimentos naturais de aparência “imperfeita” acabam descartados mesmo em iniciativas sustentáveis, perdendo espaço para os mais bonitos e afetando não apenas a cadeia produtiva, como o bolso de todo mundo.

O desperdício impressiona: segundo a ONU, chega a 1/3 de tudo o que é produzido no mundo. No Brasil, conforme o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 29 milhões de toneladas de frutas e legumes são descartadas por ano – e uma das principais causas é a “inconformidade”.

Conforme a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), o valor perdido anualmente com alimentos que não conquistaram o consumidor chega a R$ 7,1 bilhões. Gente, isso equivale ao custo de mais de 15 mil cestas básicas!

E desprezar comida também significa desperdício de recursos (água, terra, trabalho humano etc.), além de impacto ambiental: alimentos descartados respondem por 8% das emissões de gases que causam o efeito estufa.

Como faz?

Ainda temos muito chão pela frente para mudar o mindset, mas atitudes pioneiras já inspiram e ajudam a conscientizar. As iniciativas envolvem desde conexão entre fornecedores e quem precisa de doações até venda ao cliente final – e o melhor: com preços menores. Graças a elas, vegetais renegados ganham uma segunda chance de mostrar que também podem ser deliciosos e surpreendentes, evitando que o visual os destine ao lixo.

A gente separou algumas empresas que promovem consumo e distribuição de hortaliças que, apesar da aparência, valem a pena:

Fruta Imperfeita: Delivery em SP de cestas de produtos que costumam sofrer bullying no mercado. Funciona há quatro anos, por assinatura mensal.

Comida Invisível: Plataforma que atua como ponte direta entre restaurantes, supermercados, hotéis e bares com Pessoas Físicas e o Terceiro Setor, para facilitar a doação de alimentos menos valiosos para o comércio, porém próprios para o consumo.

Conhece mais alguma? Conta pra gente que vai ser um prazer incluir na lista!

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10 trocas simples rumo a uma vida lixo zero!

10 trocas simples rumo a uma vida lixo zero!

A mudança do mundo passa por todos, e algumas trocas simples podem representar um ganho significativo nesse contexto.  Da separação do lixo à prioridade para itens fabricados com responsabilidade socioambiental, transformar o mindset pode te surpreender com ainda mais conforto, saúde e qualidade de vida. Quer ver algumas ideias?

  1. É mole? Não, é shampoo sólido

Além de não usar plástico nas embalagens, shampoos e condicionadores sólidos consomem quase 80% menos de água que os mesmos cosméticos em líquido ou gel. Além disso, são feitos com ingredientes 100% vegetais, totalmente biodegradáveis e sem derivados químicos, fazendo um bem absurdo pra saúde dos cabelos e da pele.

  1. Sempre ela: a Ecobag

Segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA), mais de 3 trilhões de sacolas plásticas são consumidas a cada ano em todo o mundo. Ter sua própria embalagem para compras ou transporte de utensílios, portanto, te afasta dessa cadeia tenebrosa, que atola a natureza de lixo e ameaça espécies em terra e na água. Vale lembrar que todos os pacotes usados pelo comércio têm seu custo embutido nas vendas, então usar ecobags também impacta positivamente no bolso.

  1. Alô, mamães: fraldas de pano

A Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho (Anses) da França encontrou 60 substâncias tóxicas – incluindo glifosato, o agrotóxico mais usado no mundo – em fraldas descartáveis infantis. Também foram identificados disruptores endócrinos e substâncias cancerígenas derivadas do cloro. Se cada criança usa pelo menos 4 mil unidades até os 3 anos, imaginem tudo que ela está absorvendo em contato direto com elementos tóxicos que ainda contribuem para que cada fralda leve, em média, 450 anos para se decompor! Precisa mais argumento para testar os modelos de pano?

  1. Deixa a moça respirar!

Ainda falando de descartáveis, os absorventes menstruais não são muito diferentes das fraldas não. Além de levar aproximadamente 100 anos pra sumir na natureza, eles podem causar assaduras, alergias e infecções pela presença de fragrâncias, corantes e materiais sintéticos, sem falar que prejudicam a ventilação e favorecem a proliferação de bactérias. Alternativas como coletores, calcinhas absorventes e modelos de pano têm conquistado muitas mulheres, inclusive da nossa equipe. E a gente garante: escolhendo o modelo adequado pra cada fluxo, não vaza e fica beeem mais confortável que os sintéticos!

  1. Copo Menos 1 lixo

 

Assim como os canudos já foram banidos, os copos descartáveis deveriam estar com dias contados no planeta: segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos (ABRELPE), só no Brasil, quase 1500 toneladas de resíduos diários têm origem neste produto, rodando por aí por pelo menos 400 anos. Mas a gente pode adotar um copo reutilizável e levá-lo do trabalho à festa (sim, é super cool essa tendência ecofriendly). O modelo Insecta é retrátil, 100% feito no Brasil e livre de BPA, ftalatos e metais pesados, além de lindão e com alça na tampa pra você pendurar onde quiser.

       6. Desinfetado por natureza

Os detergentes industrializados seriam chamados de veneno se não rendessem tanto dinheiro aos fabricantes e comerciantes, mas a boa notícia é que com insumos naturais e biodegradáveis a gente pode manter a casa limpinha sem prejudicar a saúde e a natureza – além de gastar bem menos. Vinagre, bicarbonato de sódio, limão e água quente fazem milagres pela higienização e desodorização de ambientes, funcionando, inclusive, como poderosos desengordurantes.

  1. Café à moda antiga

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu que o café em cápsula pode ser até 14 vezes mais prejudicial ao meio ambiente que o passado em filtro de papel, porque suas embalagens são de reciclagem muito trabalhosa. Para evitar este amargo impacto, sugerimos a prensa francesa, que, além de charmosa, faz um cafezinho delicioso!

  1. Limpa os ouvidos (e o ambiente), menino!

Pequenos resíduos – mas grandes problemas ambientais –, cotonetes estão entre os lixos mais encontrados nos oceanos, junto com os canudos plásticos, porque acabam passando reto nas estações de tratamento. Felizmente, já existem alternativas em papel nas farmácias, e você ainda pode otimizar a higiene no banho mesmo.

     9. Embrulhado em  <3

Recuse embrulho de presente! A gente tem certeza que ninguém vai se importar de receber uma surpresa sem pacote se a justificativa for clara, e ela ainda pode inspirar atitudes semelhantes em cascata.

  1. Atenção aos Rs

Reduza o consumo e favoreça o reuso, transformando e otimizando itens que poderiam virar lixo. Garrafas podem virar vasos fofos, camisetas velhas funcionam bem como pano e perecíveis podem ser 100% aproveitados. Aliás, que tal relembrar essa receita de casca louca de banana, que foi sucesso gastronômico quando publicamos, em maio?

Além dessas sugestões, temos várias outras no nosso e-book 30 dias sem Lixo, pelo qual você paga o quanto quiser para baixar.

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7 Ideias variadas para aliviar a tensão do isolamento

7 Ideias variadas para aliviar a tensão do isolamento

Pra ajudar a aliviar um pouco o período que estamos vivendo, temos experimentado mudanças durante os últimos meses – algumas inspiradas em comentários dos nossos seguidores, que sempre compartilham ideias com a gente. Querem ver?

  1. Preparar incensos caseiros com folhas secas, além de ser um hobby, tem nos levado a descobrir novos aromas e sensações. Palo Santo, por exemplo, foi uma ótima surpresa, fácil de queimar e com cheirinho amadeirado delícia que vem carregado de boas energias.
  2. Definir prioridades tem sido um exercício e tanto, que certamente vai ser levado para o pós-pandemia. Uma dica: exercitar a empatia é uma tarefa cada vez mais bem-vinda nos tempos atuais, então, a gente superrecomenda tentar se colocar no lugar do outro antes de tomar qualquer atitude 😉
  3. Autocuidado: palavrinha que virou moda, mas eita que tende a ser esquecida, né? Seja desligando o celular na hora do banho, tirando um tempinho pra alongar ou curtindo uma boa comidinha, um filme ou uma conversa, ficou explícita a importância de encontrar meios de nos acolhermos. Quando dá pra juntar mais de um, então, o dia melhora e muito.
  4. Desviciar de notícias. Sabemos que é fundamental ter informação, mas tudo que é demais pode virar problema. Então, escolha um período para se atualizar, mas evite a noite, porque isso acaba influenciando na qualidade do sono. Você estará a par, mas conseguirá pensar em outras coisas. 
  5. Organizar espaços. Ficar muito tempo no mesmo ambiente pode ajudar a refletir sobre o que realmente importa para o nosso bem-estar. Já pensou sobre quantas peças de roupa foram necessárias nesses quatro meses, e quais efetivamente fariam falta de fossem passadas adiante?
  6. Encontrar um lugar ao sol. Nem que seja num cantinho, por 15 minutos: pegue o sol que for possível para reenergizar o corpo e a alma.
  7. Fazer o bem. Participe de alguma iniciativa socioambiental, do jeito que puder: doando, divulgando, trabalhando. Diversas entidades ou voluntários independentes tiveram suas atividades prejudicadas pela pandemia, e com certeza vão agradecer imensamente qualquer envolvimento novo.

 

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Em meio à pandemia, adoção de pets aumenta e a gente comemora!

Em meio à pandemia, adoção de pets aumenta e a gente comemora!

Alguém querendo boas notícias na pandemia? Temos uma excelente! A busca por adoção de pets no Brasil aumentou muito nos últimos três meses, o que é ótimo para aliviar a superlotação de abrigos e para ajudar na saúde mental dos humanos, que têm enfrentado um dos piores cenários psicológicos dos últimos tempos.

Apesar de não haver um número oficial, os relatos de ONGs protetoras sobre crescimento nas adoções variam entre 50% e 200% de março até o início de junho, confirmando que o brasileiro – ao que parece – está mais consciente não apenas da alegria que é ter um bichinho em casa, como de que vidas não devem ser compradas.

Em um contexto de quase 3,9 milhões de animais em condições de vulnerabilidade no país (levantamento do Instituto Pet Brasil), acompanhar essa tendência é animador. Até porque, mesmo na quarentena, seguem as denúncias de comércio ilegal – uma indústria cruel que, pautada por modismos e dinheiro, trata seres vivos como produtos e matrizes, desconsiderando cuidados com saúde e qualidade de vida e, muitas vezes, provocando sofrimento e morte dos “exemplares”.

A cada canil clandestino desativado, são mais e mais cenas chocantes de animais confinados, desnutridos, vivendo em ambientes imundos e sem qualquer assistência. Chegamos a falar sobre isso em outro texto, alertando que o problema seguirá existindo enquanto houver demanda.

Mas, como a intenção desse post é falar de coisa boa, vamos celebrar a mudança de mentalidade sobre a escolha de um animal de estimação. Afinal, eles são companheiros, fieis e amorosos, e decidir assumir seres tão leais envolve compromisso e a consciência de que não estamos olhando para  um objeto – e sim uma vidinha fofa que vai depender da gente por anos.

Vale lembrar que não são apenas os humanos que proporcionam segurança, saúde e felicidade aos mascotes. Os peludos são excelentes aliados para melhorar sintomas de ansiedade e depressão, e várias pesquisas mostram que a convivência com eles aumenta a concentração de serotonina, conhecida como hormônio da felicidade, no sangue – reflitam sobre esses benefícios em tempos de estresse crônico, potencializado pelo confinamento.

Se você tem um pet em casa, sabe bem do que estamos falando, né? Se ainda não tem, esta pode ser uma oportunidade de adaptação, pois mais tempo em casa pode significar mais disposição para uma relação de confiança e respeito. Aliás, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Qualibest, 40% dos tutores brasileiros de cães já tinham vira-latas em fevereiro, enquanto, entre os donos de felinos, esse índice subiu para 66%, e 30% dos entrevistados que ainda não tinham um amigo de quatro patas afirmaram que pretendiam ter um futuramente.

Se você chegou a esse futuro, um alerta: tenha a disponibilidade de, reduzido ou terminado o isolamento, reajustar rotinas sem traumas pra ninguém. Com essa compreensão, só temos a comemorar, em nome dos bichinhos e das pessoas!

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Como a indústria da carne afeta a vida em tempos de Covid-19

Como a indústria da carne afeta a vida em tempos de Covid-19

Optar por não consumir produtos de origem animal é uma filosofia de vida que vai bem além da defesa dos direitos dos bichinhos, demonstrando não apenas autocuidado, como também respeito ao meio ambiente e às próximas gerações.

Apesar de ainda ter gente que acha uma postura radical, cada vez mais pessoas se dão conta que a indústria da carne é uma das mais poluentes do mundo, consumindo água em volumes excessivos e destruindo o solo. Isso sem falar no fato de que 75% das terras cultiváveis do planeta são usadas para pastagem e produção de ração para a pecuária. Ou seja: é muita terra que poderia estar gerando sustento e abastecimento de famílias através do plantio de alimentos.

E não estamos fazendo alarde, viu. Somente no Brasil, de acordo com informações divulgadas pela ONU, mais de 80% do desmatamento entre 1990 e 2005 foi realizado para dar conta do consumo de carne. Por essas e outras, as rotinas alimentares tradicionais estão mudando – e rápido.

Coronavírus 

Até mesmo a pandemia de Covid-19 está relacionada à indústria da carne. O modelo é tão insustentável que, não à toa, os índices de contágio em frigoríficos são superelevados, chegando a 10% do total de casos no Brasil. Isso acontece porque as etapas requerem o trabalho manual de muitas pessoas, que atuam ombro a ombro, num esquema que é prato cheio pra contaminação. Alguns estudos, inclusive, estão analisando a possibilidade de contaminação pela própria carne crua e, se confirmados, representarão um alerta vermelho.

Pra uma cadeia produtiva que prejudica tanto o planeta, a busca por alternativas é fundamental, e não faltam opções saudáveis que podem colaborar. O basicão arroz com feijão, por exemplo, pode perfeitamente substituir a quantidade de proteína animal necessária ao organismo, e materiais reciclados podem render roupas, calçados e acessórios incríveis.

Se você ainda não se vê como agente desta mudança evolutiva, que tal usar o momento para começar a experimentar? Existem tantas receitas deliciosas, práticas e baratas e tantas marcas investindo em design e qualidade sem ingredientes animais que colaborar com o meio ambiente pode ser um bom experimento na quarentena. Comece devagar, experimentando alguns dias sem carne, tentando receitas novas e conhecendo novos conceitos. A gente aposta que o bem-estar vai ser a cereja do bolo!

 

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