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Você ainda bebe água na garrafa descartável?

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Você ainda bebe água na garrafa descartável?

O hábito de beber água na garrafa de plástico descartável está tão enraizado no nosso cotidiano que pra muita gente parece que nem existe outra opção, né? Só que, como você já deve saber, o que as garrafas plásticas têm de práticas, elas têm de poluentes. 


Segundo o Atlas do Plástico, pelo menos 1,5 milhão de toneladas de plástico são usadas na produção dessas garrafas, e a demanda brasileira por esse tipo de produto cresce 7% ao ano. Em dados do Governo Federal, a estimativa é do consumo de cerca de 25 bilhões de litros de água engarrafada por ano, entre garrafinhas e garrafões.


Uma pesquisa da Euromonitor apurou que a cada minuto, aproximadamente 1 milhão de garrafas plásticas são vendidas em todo o mundo, e que só em 2017 foram consumidas cerca de 500 bilhões de garrafinhas. 


Isso é um problemão, porque sem um sistema eficiente de reciclagem, o Brasil descarta por ano 4,7 bilhões de garrafas PET na natureza de forma indevida (Atlas do Plástico). 

Mas vamos às notícias mais animadoras?


Sabendo que o mundo está atolado em plástico, e que a melhor saída é parar de produzir o material, algumas iniciativas estão entrando no jogo para revolucionar o mercado da água embalada. 


Hoje os principais materiais em discussão são o alumínio e as embalagens cartonadas, aquelas de papelão já usadas em sucos e leites. 


O alumínio sai na frente por ter uma grande vantagem, principalmente aqui no Brasil: De acordo com a Abralatas (Associação dos Fabricantes de Latas de Alumínio), 97,4% das latinhas são recicladas por aqui. 


Os catadores são atores importantíssimos nessa dinâmica, já que eles fazem um trabalho ambiental valioso (e sem incentivos do governo, diga-se de passagem) e ajudam a economia circular a andar. De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis, são cerca de 800 mil catadores no país inteiro fazendo a reciclagem acontecer. 


Sabia que cada latinha tem 80% de alumínio reutilizado na sua composição? Isso quer dizer que cerca de 76% do alumínio extraído até hoje ainda está em uso. Segundo a Abralatas, o alumínio reciclado economiza 95% da energia necessária para a produção do metal.


Resumindo, beber água na latinha tem muitas vantagens ambientais, sociais e econômicas. O que falta é o produto ser popularizado e as pessoas aderirem – sabemos que essa é uma parte delicada, já que ainda estamos muito acostumados à água na garrafinha. 


Por outro lado, as embalagens cartonadas não são novidade, mas já foram alvos de críticas justamente por conta da reciclagem. 


Alguns exemplos incluem a marca de água na caixinha criada por Jaden Smith, a Just Water, a Flow e a mais famosa, Boxed Water is Better. Apesar das ótimas intenções, a embalagem tipo Tetra Pak não tem uma boa taxa de reciclagem nos Estados Unidos, onde foram lançadas. 


São múltiplas camadas incluindo papelão, plástico e alumínio, que não são aceitas em todos os centros de reciclagem e demandam um manuseio especializado. Infelizmente, não só por lá, grande parte das embalagens cartonadas vão parar nos aterros. 


Aqui no Brasil, de acordo com os dados do CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem), 42,7% das embalagens longa-vida foram recicladas em 2020. Ainda há a previsão de um crescimento da reciclagem dessas embalagens devido a alguns fatores como crescimento das iniciativas de coleta seletiva com organização de municípios, cooperativas e comunidade e ao desenvolvimento de novos processos tecnológicos. 


De olho nesse crescimento, e também adicionando um toque mais sustentável na composição do produto, a Água na Caixa é uma nova iniciativa brasileira de águas embaladas mais ecológicas. A empresa é nova e vem dando o que falar. Nascida em 2020, já está presente em 3 mil pontos e em 15 estados brasileiros em de redes de farmácia e mercados.

O diferencial dessa embalagem, de acordo com os fundadores, é que ela é 82% renovável, constituída de papel (54%), plástico de cana-de-açúcar (28%), e alumínio. Ela ainda tem um design pensado para facilitar o reuso – você pode reabastecer a caixinha com água novamente depois que terminar. 


Essa é uma grande sacada, lembrando que o Brasil é o país do filtro de barro, um dos melhores sistemas de filtragem de água do mundo. 


Sabemos que algumas pessoas ainda irão defender as garrafas PET por terem uma produção mais barata ou por serem, em teoria, recicláveis. Só que é preciso lembrar que entre 1950 (desde que o plástico começou a ser produzido em larga escala) e 2017, um total de 9,2 bilhões de toneladas do material foram produzidas e menos de dez por cento de tudo isso já foi reciclado. 


Além disso, ao beber água envasada em uma garrafa plástica, ingerimos uma média de 325 partículas de plástico por cada litro. De acordo com o Atlas do Plástico, pessoas que bebem água de garrafas plásticas ingerem em torno de 130.000 microplásticos todos os anos.


Apostamos nessas alternativas à garrafinha plástica principalmente para aqueles momentos em que somos pegos de surpresa sem nossa garrafa reutilizável na bolsa, ou então quando fazemos uma refeição fora de casa, em lancherias e restaurantes. Eliminar as embalagens plásticas nessas situações já faria uma grande diferença!


A melhor solução, sempre, é evitar consumir novas embalagens. 

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