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Vida com significado: propósito além do consumo

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Vida com significado: propósito além do consumo
Não é raro nosso pensamento nos levar aos desejos de consumo: Qual restaurante escolher? Qual viagem eu gostaria de fazer? Não por acaso, estamos inseridos em ambientes que favorecem esse tipo de impulso. Se o diário que usávamos antes para desabafar não interferia no nosso comportamento, sua versão online (a tal rede social) manipula nossos desejos e nossa atenção o tempo todo. Com a nova tecnologia, ninguém vai estimular o uso da folha em branco, porque ela não tem potencial publicitário. Quem tem acesso à internet passa quase 10 horas por dia sob a influência dela. Nesse espaço somos tratados ora como consumidores (com a propaganda preenchendo espaços vazios ou com conteúdo patrocinado em destaque), ora como mercadoria (quando nossos dados de navegação são vendidos para pesquisas ou quando colocamos nossa imagem espontaneamente a serviço de uma marca), mas quase nunca como as pessoas complexas que somos. As sugestões de consumo nos sobrecarregam até o ponto em que a identidade que sobressai em nós é a do consumidor. E consumindo na mesma velocidade a que somos sugestionados, não notamos o que está por trás de cada produto: o caminho que a matéria prima percorre até se transformar em um produto e chegar à loja mais próxima da gente.   Terra, raízes e relações humanas Deixamos de produzir o que é necessário para nossa existência e designamos essa tarefa à indústria. Com isso, a história do produto desaparece e também a conexão com a terra, fonte das mais variadas matérias primas. Um tomate parece apenas um tomate, e não resultado de um trabalho conjunto do homem com a terra, que transformou a semente em fruto. Em algum momento alguém teve que cuidar daquele solo, semear, tratar a planta e então colher os tomates para recomeçar o ciclo. Aquele que enxerga a natureza apenas como provedora de belezas escondidas, que estão muito longe do nosso olhar diário, não consegue ter um relacionamento protetor com ela. Quem sente a natureza perto (e a enxerga na árvore que cresce no canteiro da calçada, na planta que consegue nascer mesmo em uma rachadura no concreto), também sente a obrigação de cuidar para que ela não desapareça. Isso explica o impulso pelo êxodo urbano, a mudança para o campo e o resgate das nossas origens. E esse resgate das origens aparece como forma de resistência ao mercado e ao consumismo. Entender o que usavam, comiam e faziam nossos antepassados, antes da obsolescência programada e da ascensão do fast-food, permite que façamos melhores escolhas. O movimento de fazer as coisas com as próprias mãos (pães, cervejas, queijos, etc.) é uma aposta de reconexão, como afirma o jornalista Michael Pollan. Não exclusivo do universo da alimentação, fazer os próprios cosméticos também proporciona autonomia e maior aceitação do próprio corpo. Como nossas atitudes também impactam as outras pessoas a nossa volta, em primeiro grau os nossos amigos e familiares, é natural que essa busca por mais significado se reflita nos nossos relacionamentos. Hoje eles estão muito restritos a um contexto de consumo: presentear os familiares no Natal ou ir ao McDonalds em família, por exemplo. Faz-se necessário resgatar o aspecto humano dessas relações, exercitar a empatia e cultivar relações menos genéricas. Sim, somos também consumidores! Mas ainda precisamos nos apoderar das escolhas que fazemos. Devemos mostrar nos próximos anos, que além da nossa identidade ser composta por aquilo que consumimos ou desejamos - como coloca Zygmunt Bauman -, a maneira como escolhemos consumir ajuda a formar o mundo em que desejamos viver.

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