Um dia no Bom Fim, Porto Alegre

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Um dia no Bom Fim, Porto Alegre
A sensação de inquietude, de querer conhecer o mundo inteiro está presente diariamente dentro de muitos de nós. Mas, antes de se aventurar pelo mundo, podemos conhecer todas as esquinas de nosso bairro e peculiaridades de nossa cidade para que o cotidiano também nos seja prazeroso. O Bom Fim (Bonfa para os íntimos), um dos bairros mais antigos de Porto Alegre e com uma história cheia de peculiaridades, é hoje o habitat de estudantes, senhoras de idade, judeus, artistas e vegetarianos. Um bairro de classe-média alta, por onde circulam toda as classes devido à intensidade do comércio, diversas linhas de ônibus e proximidade a dois grandes hospitais e ao principal campus da universidade federal.
Ruas arborizadas e floridas - sempre bom olhar para cima! Ruas arborizadas e floridas - sempre bom olhar para cima!
Vamos começar a manhã com velharias: sebos e brechós! A primeira parada é o Maria-Sem-Vergonha, um brechó mais tradicional, mas onde se encontra artigos com ótimo custo-benefício. Já o outro brechó não fica na Oswaldo, como toda a programação da manhã, mas vale a pena para quem quer algo um pouco mais chique ou peças de marca: Las Gallas Brechó, na Felipe com a Vasco. Na mesma quadra do Maria, um pouco de modernidade no melhor estilo “de tudo”: a loja Mistura Urbana, cheia de cacarecos bonitos, presentes inusitados e várias, mas várias coisas que você vai querer comprar, mas não vai poder pela comparação do tamanho da coisa com sua sala ou do valor com sua carteira, mas vale a pena dar uma olhada. O bairro tem dois sebos tradicionais, interessantes e próximos, com acervos que vão de lançamentos a relíquias: a Livraria Londres e a Traça Livraria e Sebo.
Av. Oswaldo Aranha: maior e principal rua do bairro. Av. Oswaldo Aranha: maior e principal rua do bairro.
O Bom Fim na hora do almoço torna-se um problema... São diversos opções maravilhosas e pouco estômago. O vegano Café Bonobo está promovendo almoço todos os dias, um PF delicioso, saudável e lindo, por 16 reais. Tem que subir metade da lomba da Felipe, mas vale a pena! Outra opção vegana é o Raw, que está fazendo muito sucesso. O Suprem, vegetariano indiano, já se tornou tradicional e é perfeito para quem adora comida bem saborosa e agridoce e não está lá muito preocupado com as calorias do prato. Para quem gosta de uma comida mais tradicional, a italiana Vicenzo Spaghetteria oferece várias opções de massas e uma boa carta de vinhos, além de um ambiente aconchegante. Para a sobremesa, dicas contrastantes na linha do tempo do bairro: Cronks, deliciosa sorveteria artesanal e veterana no bairro, e as novas Chocólatras, doceria com várias filiais na cidade que abriu uma na Fernandes, e El Churrero, um pedacinho do Uruguai no Bonfa, com churros sequinhos e bem recheados.
Chocólatras: difícil escolher qual doce pegar!
Para a tarde, uma boa ideia é encontrar estações do Bike Poa e desfrutar das ciclovias existentes pelo bairro, a maioria com árvores garantindo sombra. O Bar Ocidente tem recebido o Brique do Desapego em alguns domingos, com muitas roupas, acessórios e objetos, música alta e animada e local para lanche. Processed with VSCOcam with f2 preset
Brique do Desapego no Ocidente.
As feiras de rua também são ótima opção: às terças de manhã na Rua Gen. João Telles e aos sábados de tarde na Rua Irmão José Otão. Ambas ofertam produtos naturais e orgânicos para levar para casa, mas também muita coisa gostosa para comer no local. Na Av. Vasco da Gama encontram-se dois estabelecimentos vizinhos e muito interessantes: a Espaço Vídeo, uma das locadoras de vídeo mais antigas e duradouras de Poa, e a Palavraria, uma livraria pequena que, além de ótima seleção de livros, conta com cafeteria e eventos culturais.
Av Vasco da Gama: Palavraria e Espaço vídeo, muitas árvores e ciclovia. Av. Vasco da Gama: Palavraria e Espaço vídeo, muitas árvores e ciclovia.
O bairro é moradia de uma grande parte da comunidade judaica de Porto Alegre, abrigando, dessa forma, comércio kosher, duas sinagogas, a Associação Israelita Hebraica e o Instituto Marc Chagall. Este último abriga o Museu Nacional das Migrações Judaica, onde é possível conhecer um pouco da história não só do povo judaico, mas do próprio Bom Fim.
Museu judaico na Rua Gen. João Telles. Museu judaico na Rua Gen. João Telles.
Para o lanche da tarde existem opções bem saudáveis: várias bancas de fruta pelas ruas arborizadas e uma filial do Saúde no Copo, com seus smoothies coloridos e perfeitos para gelar o calor porto-alegrense.
Banca de frutas também na Rua Gen. João Telles Banca de frutas também na Rua Gen. João Telles.
Mas o local que não pode faltar no seu itinerário, seja de manhã, de tarde ou de madrugada, é a Lancheria do Parque, ou apenas Lanchera. O tradicionalíssimo estabelecimento do bairro serve vários pratos e lanches, porém a grande estrela é o suco. Ache um lugar para sentar no meio da confusão, escolha as frutas que vai combinar, ouça os gritos dos garçons (que ninguém sabe como se entendem tão bem com um sistema tão doido) e desfrute de um suco que vem no próprio liquidificador, serve de 2 a 3 pessoas e tem um preço delicioso como ele.
Lancheria do parque: suco e experiência imperdível. Lancheria do parque: suco e experiência imperdível.
De noite a calmaria do bairro é contrastada pela loucura do Ocidente, um dos bares/boates mais antigos e alternativos de Poa, com programação bem eclética e noite LGBT. Depois da festa dá para comer as delícias árabes do Sim Sala Bim, que por anos foi uma carrocinha (ou “food truck” nesses tempos de gourmetização) na frente do bar, mas hoje é um estabelecimento do outro lado da rua. Um bar de destaque no bairro é o Lagoom Brewery Pub, perfeito para os amantes de cerveja e para quem quer um lugar mais discreto e íntimo.
Brique da Redenção: passeio clichê, mas sempre divertido. Brique da Redenção: passeio clichê, mas sempre divertido.
Como comentei no início, os limites teóricos do Bom Fim (um retângulo formado pelas avenidas paralelas Oswaldo Aranha e Independência e pelas ruas também paralelas Felipe Camarão e da Conceição), não correspondem ao que a população de Porto Alegre reconhece. O Parque Farroupilha, mais conhecido como Redenção, fica, segundo os mapas da prefeitura, no Bairro Farroupilha. Mas quase ninguém sabe ou se importa com isso e, então, a Redenção fica no Bonfa. O parque é um dos mais importantes da cidade e conta com monumentos, um lago com pedalinho, chafarizes, muitos eucaliptos centenários... Ou seja, é um enorme e maravilhoso parque, mas que se diferencia de um parque comum por três atrações. O Auditório Araújo Viana, palco de shows históricos em Poa, que, após ficar anos abandonado, foi totalmente reformado e reaberto em 2012, passando a contar com intensa programação. O Parquinho da Redenção, um parque de diversões para crianças que oferece a melhor vista do bairro do topo da sua roda-gigante. E, por último, um dos passeios mais tradicionais e deliciosos do bairro: o Brique da Redenção, na Av. José Bonifácio. Sábados conta com a Feira Ecológica do Bom Fim e aos domingos com banquinhas de artesanato e antiguidades. Duas novas cafeterias nas proximidades do Bom Fim não poderiam ficar de fora desta lista. O Yami Café fica na Francisco Ferrer, logo, no bairro Rio Branco, mas é bem pertinho e vale a pena ir provar suas maravilhas: os mais diferentes cafés, salgados e doces, opções sem glúten, e interessantes PFs no almoço. A outra tem feito fila na rua nos finais de semana: a Pink Velvet Bakery tem uma pegada estadunidense e decoração rosa divertida, contando com vários sabores de donuts, cupcakes e cookies. A Pink alegrou o bairro logo na estreia por voltar a oferecer as maravilhosas tortas da antiga cafeteria Tortas do Parque, que fechou há alguns anos. É o Bom Fim e seus entornos se renovando, unindo arquitetura antiga, sinagogas e comércio tradicional, com estabelecimentos diferenciados, culinária vegetariana e moderna e muitas maravilhas açucaradas. Vale a pena conhecer, frequentar e amar.

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