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Um dia em Centrul Vechi, Bucareste

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Um dia em Centrul Vechi, Bucareste
Bucareste é uma cidade de contrastes visuais. Além da perceptível desigualdade entre a elite romena e os demais habitantes do país, um dos mais pobres da Europa, há uma narrativa muito forte da conflitante história da cidade explicitada nas suas ruas e prédios. Junto às várias construções medievais, da época em que o governante do país era o temido príncipe Vlad Tepes, que deu origem ao mito de Drácula, convivem pacificamente a arquitetura neoclássica que, no século passado, confeririu à Bucareste o apelido de “Paris do Leste” e, claro, a o tradicional estilo arquitetônico comunista, que ocupou grande parte da cidade com seus blocos de prédios idênticos. Acima de tudo isso, se ergue opressivamente no ponto mais alto da cidade o inimaginavelmente luxuoso Palácio do Parlamento, que conta um complexo sistema de túneis subterrâneos cujos destinos até hoje nunca foram revelados ao público e é o considerado prédio mais pesado do mundo. E, nas calçadas e jardins e porões, os bares moderninhos, galerias de arte, restaurantes de cozinha molecular e projetos experimentais diversos que associaram à Bucareste o título não oficial de “nova Berlin”. O Centrul Vechi me parece uma junção de tudo isso - das partes boas e ruins de uma cidade resiliente que, até não muito tempo atrás, tinha suas manifestações de individualidade e criatividade reprimidas por uma ditadura, mas que é, hoje, radicalmente cheia de vida. Pra começar um dia no Centrul Vechi, a dica é pegar um café da manhã pra levar e já ir explorando o bairro. Aproveita pra experimentar o covrigi, uma pastelaria típica que, apesar dos protestos romenos contra a comparação, é muito parecida com um pretzel. Dá pra encontrar essa delícia em praticamente qualquer lugar, mas a rua Regina Elisabeta está lotada de padarias sem nome grudadinhas uma na outra. Escolha o covrigi que estiver recém saindo do forno e não se acanhe pela simplicidade dos estabelecimentos - o sabor caseiro não vai decepcionar. Foto 1 Caminhando de lá até o nosso próximo ponto, a hypadíssima livraria Cărtureşti Carusel, se passa pelo prédio do Palácio da Economia - na minha opinião, um dos mais bonitos da área - e se adentra a parte das ruazinhas de pedra exclusivamente para pedestres. É bom ir na Cărtureşti com bastante tempo pra matar - além de uma seleção ótima de livros em inglês, o subsolo é uma galeria de arte e o andar de cima é um bistrô. No térreo, além de todo o tipo de gadget tecnológico bacaninha, se encontra uma seleção incrível de chás e vinhos romenos. Aliás, apesar de os vinhos de lá não serem muito conhecidos aqui pelo Brasil, a Romênia é um dos maiores produtores de vinho do mundo e a grande popularidade do enoturismo na região confirma a qualidade do produto. Pra quem gosta de vinhos, a dica é aproveitar a existência de tipos de uvas endêmicas à região e experimentar vinhos completamente diferentes, como os feitos a partir da uva Fetească neagră. Foto 2b Caso agora a vontade seja encontrar um lugarzinho tranquilo pra folhear o livro recém-comprado, a dica é ir visitar o Monastério Stavropoleos e aproveitar pra relaxar no jardim. O lugar é super pequeninho, mas vale a pena visitar o interior pela arte bizantina, que é bem diferente do padrão estético que estamos acostumados a ver aqui no Brasil ou nas igrejas da Europa Ocidental. Foto 3 Para o almoço, não há como errar indo no sensacional Cara’cu Bere, unânime entre turistas e moradores. O restaurante, cujo nome significa “carrinho de cerveja”, existe desde 1879 e uma das práticas seguidas nos seus anos iniciais era a de sempre servir almoço gratuito aos estudantes da cidade. Hoje em dia já não é mais assim, mas eles oferecem um menu especial pra estudantes que custa 12,50 lei (aproximadamente 10 reais) - um preço que está bem abaixo da média dos demais pratos do restaurante e ainda inclui um chopp da casa! Além disso, o lugar é lindíssimo e toda a noite rolam apresentações de música erudita e/ou música e dança romena tradicional. Sério, não dá pra perder. Foto 4 Bem pertinho do restaurante acontece uma feirinha de antiguidades e artesanato que rola dentro de um prédio histórico na Strada Doamnei. O espaço é bem pequeno e completamente abarrotado de todo o tipo de coisa, de decoração de natal à capacetes usados por soldados na Primeira Guerra Mundial. Vale a pena dar uma passada por lá pra explorar os objetos antigos e encontrar coisas muito bonitas entre os artesanatos locais. Foto 6 Pra quem curte arte de rua, vale a pena caminhar um pouco mais pro norte, até a fronteira do bairro, pra visitar a Garajul Ciclop, uma enorme garagem abandonada que foi completamente coberta por pinturas e grafitti. Lá perto fica também o provável melhor café da cidade, no Camera din Față. Eles têm uma seleção imensa de grãos e blends do mundo inteiro - o único problema sendo que, assim como vários estabelecimentos em Bucareste, eles não têm menu em inglês. Aqui a nossa salvação é o fato do romeno ser uma língua latina, o que nos permite, com um pouco de esforço, entender a maior parte dos ingredientes descritos. Inclusive, já ouvi de vários romenos que eles conseguem entender espanhol e português com facilidade - muito mais do que nós conseguimos entender eles. Ou seja, no aperto, precisando muito se comunicar com alguém que só fala romeno, tá valendo falar um português bem devagarinho e tentar a sorte! Foto 7 De tardezinha, tem um barzinho aberto ao público no terraço Hostel Pura Vida onde se pode ir assistir pôr do sol e aproveitar uma vista de cima da parte mais antiga da cidade. Se for verão, só não dá pra esquecer de chegar cedo pra garantir uma mesa antes que o lugar fique lotado! Inclusive, se estiver muito calor, outra dica que pode ser útil é a do melhor gelato do bairro: Cremeria Emilia, sem erro. Outra opção é explorar a Pasajul Macca-Villacrosse, uma rua coberta lindíssima e cheia de barzinhos de shisha/narguilé. No mais, o melhor (e mais barato) kebab da cidade é o Dristor Kebap e, pra finalizar um dia no Centrul Vechi, não há outra recomendação senão as ruas Lipscani e Franceză. A atmosfera de lá é ótima, influenciada pelo estado de espírito alegre do povo romeno, e as ruas ficam cheias de gente aproveitando a noite e a cidade. Foto 8  

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