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Tem agrotóxico até na roupa que a gente veste

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Tem agrotóxico até na roupa que a gente veste

Veneno na comida, na água e até nas roupas. Parece difícil escapar do famigerado Glifosato, agrotóxico largamente usado no Brasil. Apesar de estar relacionado a mais de 26 doenças, incluindo desregulação endócrina, câncer de mama, síndrome da angústia respiratória, malformação de fetos e mortalidade infantil, ele e sua turma estão aí, firmes e fortes, cada vez mais presentes em nossas vidas. 


Recentemente, estudo inédito do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) revelou a presença de resíduos de dezenas de agrotóxicos em alimentos ultraprocessados muito comuns no dia a dia do brasileiro, incluindo produtos voltados para o público infantil. 


Sinceramente? A gente até já sabia que ultraprocessados são alimentos de baixo valor nutricional ligados a problemas sérios de saúde, mas não sabíamos que tinham literalmente veneno dentro dos pacotinhos. 


A pesquisa do Idec analisou 27 produtos divididos em oito categorias, das quais seis apresentaram resíduos de agrotóxicos. Eles descobriram que 59% dos produtos mais consumidos no país contém veneno. Além disso, todos os que têm trigo na composição apresentaram resíduos de algum agrotóxico. 


O brasileiro não perde tempo, e esse vídeo do Filiril rindo (pra não chorar) da nossa própria desgraça viralizou. Divertido, didático e informativo. Se você ainda não viu, aproveita para dar o play:


https://www.instagram.com/tv/CPoAoWmnGVK/ 


Enquanto os fabricantes alegam que a quantidade de agrotóxico está “dentro dos limites permitidos”, nós questionamos: os limites permitidos já não são altos demais? A verdade é que não há padrões claros, muito menos envolvendo alimentos ultraprocessados. 


Muitos especialistas, inclusive, acreditam não haver limites seguros, já que agrotóxicos são nada menos do que veneno. Este estudo divulgado em 2019 mostrou que não há dose segura, e estas substâncias são tóxicas ao meio ambiente e à vida em qualquer concentração.  


Mas o que esperar em um país onde o Glifosato pode ser comprado em qualquer estabelecimento para usar indiscriminadamente na jardinagem? 


Pois é, de acordo com essa reportagem d’O Joio e o Trigo, desde no final dos anos 90 este e outros herbicidas podem ser comprados como “produtos para jardinagem amadora”. Como eles explicam na reportagem, não há controle das quantidades compradas no uso doméstico. Se alguém quiser comprar mil garrafas, tudo bem. 


O veneno chega nas casas e é usado como se fosse inofensivo, sem luvas, sem EPI, sem nenhum cuidado em relação à concentração e aplicação. As embalagens, que no campo devem ser devolvidas para que não haja contaminação, no uso doméstico vão para o lixo comum mesmo. Talvez a pessoa ainda dê uma lavadinha e jogue o que sobrou no ralo da cozinha. 


E tem veneno na água que a gente bebe também, lembra? Em 2019, uma pesquisa revelou ter identificado um verdadeiro coquetel que mistura diferentes agrotóxicos na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. 


Dos 27 pesticidas encontrados no abastecimento de água, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.


E se não bastasse, tem agrotóxico na roupa que a gente veste também! De acordo com o relatório Fios da Moda, a produção de algodão no Brasil é a que mais consome agrotóxico por hectare, principalmente o glifosato.


Como informa a organização Pesticide Action Network, o algodão cobre 2.4% das terras cultivadas do mundo, utiliza 16% dos inseticidas e 6% dos pesticidas. No Brasil, até o algodão BCI consome agrotóxicos. 


Ligado a desmatamento ilegal, corrupção e abusos dos direitos humanos, é responsável por uma parcela desproporcional do uso global de pesticidas no algodão. Apesar de o Brasil ser responsável por apenas 5% da área mundial de cultivo de algodão e por 11% da produção mundial em 2019/20, também responde por cerca de 25% do total de pesticidas utilizados no algodão em nível global. 


Se já ficamos indignados com este tipo de notícia, é importante saber que há pessoas no governo dispostas a piorar. Como contamos aqui, o PL do Veneno faz parte do Pacote da Destruição e pode ser aprovado flexibilizando ainda mais o uso de agrotóxicos, além de outros retrocessos. 


De acordo com o Idec, o estudo “Tem Veneno Nesse Pacote” expõe informações cruciais para a luta por melhores políticas públicas. A indignação tem que colocar a gente em movimento, exigindo, fiscalizando e usando nossa voz como consumidores e cidadãos. 


Inclusive, é possível votar nessa petição exigindo uma moda sem veneno, formalizando o seu NÃO ao PL 6299/02, conhecido como PL do Veneno.


Mais uma vez, a gente lembra: ano de eleição tá aí, o que os seus candidatos e candidatas pretendem fazer a respeito?




Fontes:

https://idec.org.br/veneno-no-pacote 

https://apublica.org/2021/06/agrotoxicos-estao-presentes-em-itens-do-lanche-das-criancas-mas-anvisa-nao-fiscaliza/ 

https://ojoioeotrigo.com.br/2021/01/o-envenenamento-invisivel-das-cidades/ 

https://www.modefica.com.br/glifosato-agrotoxico-algodao-26-doencas/ 

https://www.modefica.com.br/o-agro-nao-e-pop/ 

https://reporterbrasil.org.br/2019/04/coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios/ 

https://www.modefica.com.br/por-uma-moda-sem-veneno-ativistas-empresas-e-entidades-do-setor-dizem-nao-ao-pl-do-veneno/ 

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