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Como posso ajudar mais os animais?

Como posso ajudar mais os animais?

Às vezes a gente quer muito fazer a diferença, mas não sabe bem por onde começar. Se identificou? Pois é, hoje o papo é sobre como podemos ajudar mais os animais, no dia a dia mesmo, pondo em prática microrrevoluções. Já teve um post aqui mesmo com 10 dicas de mudanças que você pode fazer pra ter uma vida mais verde (confere lá que tá bem bom).

Agora queremos quer dar mais uma força pra quem quer ser uma pessoa mais do bem a partir de agora e se engajar mais na proteção animal. Antes de qualquer coisa, a pior coisa é pensar que não vai conseguir fazer tudo e acabar fazendo nada. Olha como você pode fazer a diferença de vários jeitos, dependendo do quanto você pode se envolver:

# pergunte (e se pergunte) de onde veio sua comida Curiosidade abre um tanto de portas, e esse é o primeiro passo pra uma vida mais consciente. Quando você começa a pensar melhor nas escolhas que faz é um caminho sem volta - ainda bem! Tirar os animais do seu prato é uma maneira instantânea de fazer algo por eles. Se informe, saiba como são feitas as coisas que você consome. Pense se é mesmo isso que você quer patrocinar, e se a resposta for não, saiba que existe outro caminho.

# adote, apadrinhe ou seja voluntário em alguma ONG Como a gente já falou por aqui, proteger os animais é muito mais fácil do que você imagina. Qualquer um pode ser um protetor dos animais fazendo o que está ao seu alcance, sabia? Alguns denunciam maus-tratos, outros resgatam bichos da rua, levam no veterinário, dão lar temporário ou adotam. Se você não tem como levar um bichinho pra casa, mesmo que por um tempo, pense em fazer voluntariado! Sempre tem alguma ONG precisando de ajuda e você pode fazer isso com doações em dinheiro, ração, carona, divulgação, ou até ajudando a levar os cães pra passear. E se você está pensando em aumentar a família, não pense duas vezes, adote!

# cobre do poder público Cada vez mais a gente vê que pressão popular faz diferença. Então assinar abaixo-assinado, participar de passeata, protesto, até usar hashtag e compartilhar post funciona, sim. Não tenha medo de cobrar e exigir. Se informe: saiba quem são os políticos que podem te ajudar (e os que você deve ficar de olho). A Repórter Brasil, dos mesmos responsáveis pelo aplicativo Moda Livre, lançou faz pouco tempo o Ruralômetro. É uma ferramenta que ajuda a medir o impacto socioambiental dos projetos que os parlamentares votam ou propõem. Bora ficar no pé deles!

# colabore com algum santuário O trabalho dos ativistas nos santuários é o famoso trabalho de formiguinha. Eles recolhem animais que nem sempre tem são fáceis de cuidar - como por exemplo cavalos, vacas e bois, para dar a chance de uma vida digna. Os santuários sempre estão precisando de apoio financeiro pra cobrir despesas veterinárias, comida ou voluntários para cuidar dos animais. Se você está pensando em botar a mão na massa nesse ano e quer entrar a fundo na proteção animal, considere ajudar um santuário.

# opte por produtos sem crueldade Sem animais nos pratos ou crueldade nas roupas. Ou em qualquer outro ítem, né? A gente tem muita sorte de hoje em dia ter tanta gente interessada em pesquisar produtos veganos e incomodar os SACs das empresas pra que elas sejam mais transparentes. Por conta disso as empresas estão começando a se ligar nesse público (olha aí o que a gente falou da pressão que faz diferença!). Não tem por que continuar usando cosméticos, produtos de limpeza e outras coisas de empresas envolvidas em testes com animais. Sempre que existir a opção cruelty free, escolha essa. E isso vale também para roupas - a gente tem boas dicas aqui pra você ter um guarda-roupas mais amigo dos animais.

# não visite atrações turísticas que exploram animais A viagem dos sonhos vai ser esse ano? Estamos aceitando convites Só não esquece de pesquisar muito bem tudo que você vai fazer antes de chegar lá. Falamos aqui mesmo sobre zoológicos e atrações que usam animais, como passeios em elefantes, camelos, cavalos ou as ilhas dos porcos (hoje já são várias), que são vendidas como paraísos para os bichinhos e até parecem inofensivas, mas escondem crueldade e nenhum compromisso com a preservação da vida selvagem e respeito aos animais. Se você quer pesquisar o roteiro e garantir que sua visita gere benefícios aos animais, confira sites de proteção animal e de ONGs com dicas de lugares para visitar. Mas se você não quer ter esse trabalho, deixe de fora o turismo com animais, assim você não estará contribuindo com a exploração.

# fale com as pessoas 📣 A melhor coisa que você pode fazer é ser uma boa influência. Se você já se convenceu que temos que ajudar os animais, conversar com amigos, colegas e família é o próximo passo. Mostre como é fácil dando o exemplo. Leve lanches veganos pra galera provar e mostre como é gostoso. Seja uma pessoa compreensiva e entenda que cada um tem o seu tempo.

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Zoológicos e os dois lados desse debate

Zoológicos e os dois lados desse debate
Em um mundo ideal, zoológicos não existiriam. Não importa com quem você converse, até defensores de zoológicos concordam com essa afirmação. O problema é que não vivemos num mundo ideal, vivemos em um mundo onde o habitat natural dos animais está sendo destruído, onde animais são maltratados em circos ou turismo ‘exótico’contrabandeados e vendidos ilegalmente. Nesse mundo não-ideal, qual o papel do zoológico?   Prós E Contras Segundo Especialistas. Considera-se jardim zoológico "Qualquer coleção de animais silvestres mantidos vivos em cativeiro ou em semi-liberdade e expostos à visitação pública", que tem como finalidade "atender a finalidades sócio-culturais e objetivos científicos". Mas, como ressalta Felipe Germano em uma matéria especial para a Superinteressante, “Fora dos livros, porém, a coisa é um pouco mais complexa. Os zoológicos são, ao mesmo tempo, polos de entretenimento e de encarceramentos abusivos, locais responsáveis pelo salvamento de espécies e pela morte de animais.”   Vamos começar pelos contras: Acima de qualquer coisa, e um dos pontos mais problemáticos dos zoológicos, está a mensagem negativa transmitida aos visitantes, principalmente, às crianças, sobre a ética de enjaular um ser vivo: “Um zoológico transmite uma mensagem perversa, sobretudo porque se volta para um público infantil ao qual dizemos que enjaular um ser vivo para o nosso deleite é válido. Acredito que agora vem uma mudança de modelo para a qual já estamos preparados, porque quando se diz às crianças que não é certo prender animais isso lhes parece uma obviedade”, disse Gerardo Biglia, advogado da ONG SinZoo, sobre o fechamento do zoológico mais famoso de Buenos Aires. Depois, vem a questão de colocar animais em ambientes pequenos, muitos deles levando vidas isoladas, como o caso do urso mais triste do mundo, e que estão milhas de distância de representar seu habitat natural. Já imaginou viver trancafiado num lugar envolto em concreto, absolutamente sozinho, com pouca ou nenhuma interação, e ainda ter que lidar com visitantes batendo nos vidros, ou jogando coisas na sua direção, fazendo barulho e gritando? Muitos animais, inclusive, são retirados do seu habitat natural para viverem trancafiados nas jaulas e expostos ao público como peças de museu. Recentemente, a ONG Friends Of Animals impediu que os EUA ‘importassem’ 18 elefantes da Suazilândia, na África, para deixa-los expostos em zoológicos pelo país. Em uma entrevista ao The Guardian, Priscilla Feral, presidente da ONG lembrou que “zoológicos não são um ecossistema. Se zoos pudessem criar elefantes e baleias, eles não precisariam roubá-los da natureza. É nefasto fazer isso e, em seguida, confiná-los em uma armadilha para turistas”. A exposição dos animais ao público tenta suprir uma falta de dinheiro público para a manutenção desses locais. Zoológicos não têm condições financeiras para cuidar dos animais nem mesmo dentro do que estipula a lei. Rio de Janeiro e Salvador já tiveram seus zoológicos interditados pelo IBAMA por não terem condições de cuidar dos animais, e em Belo Horizonte, 940 animais morreram nos últimos 3 anos. Isso sem contar os ‘acidentes’ com visitantes, que levam ao assassinato do animal, como foi o caso do gorila Harambe, do zoológico de Cincinatti. Para atrair o público e dinheiro, os zoológico precisam apostar cada vez mais em espécies grandes e exóticas, colocando a maior quantidade de animais em um pequeno espaço físico em vista de ter melhor custo/benefício. Além disso, os zoológicos normalmente estão localizados a milhas de distância do habitat natural dos animais, tendo esses que enfrentar não só um ambiente não natural como também condições climáticas completamente diferentes.   Os prós segundo especialistas: Entretanto, mesmo professores internacionais que têm opiniões divididas em relação aos zoológicos, e até mesmo o IBAMA, afirmam que o zoológico é um lugar de importante reconhecimento da vida selvagem além de ser destino de animais resgatados de contrabando ou outras situações de risco, como também local de procriação de espécies em extinção. Daniel Blumstein, presidente do departamento de ecologia e biologia evolutiva da UCLA, afirma que "muitas vezes, as únicas pessoas que sabem sobre doenças dos animais selvagens ou animais de criação são médicos veterinários do jardim zoológico”. Para ele, interações com animais em uma sociedade cada vez mais urbanizada é importante. “Eu tenho sentimentos mistos sobre jardins zoológicos, mas, se for bem feito, eles podem desempenhar um papel crucial", afirma. Para Maria Isabel Gomes, Coordenadora de Geração de Conhecimento dos Recursos Faunísticos do Ibama. "Os zoológicos são um grande parceiro do Ibama na questão do abandono de animais. Alguns até mesmo servem no processo de reintegração de fauna, são centros de reabilitação, ajudam na libertação de volta à natureza". Na matéria de Germano na Super,  Carmel Croukamp, diretora do Parque das Aves - zoo dedicado à aves, localizado em Foz do Iguaçu, afirmou que "os zoológicos do resto do mundo não são mais tão ricos em termos de animais remanescentes; os animais selvagens europeus morreram, em geral, há 800 anos", disse ela. "Os zoológicos brasileiros têm sido muito efetivos em salvar espécies com reprodução em cativeiro. Um exemplo disso é o caso do mutum-de-alagoas, que foi extinto da natureza. Só existiam 200 animais no planeta, recebemos 10 casais e conseguimos gerar 22 filhotes. Parece pouco, mas é um aumento de 10% da população mundial", explicou Carmel.   Conclusão Em suma, se o papel dos zoológicos é cuidar das espécies e dos animais, fica claro que eles não vêm fazendo isso muito bem, e não só no Brasil, como no mundo. A reforma desse sistema, mesmo que venha acontecendo nos últimos 30 anos, precisa caminhar a passos largos para realmente atender as necessidades dos animais e a preservação da fauna e da flora de maneira a se distanciar cada vez mais do encarceramento e da exposição dos animais como objetos. "Um jardim zoológico de conservação é muito diferente de um jardim zoológico de entretenimento", disse Ben Minteer, especialista em ética da Universidade Estadual do Arizona. A necessidade comercial é claramente um conflito com o desejo de criar ambientes naturais para os animais. Estudos já provaram que essa necessidade de animais atraentes para o público pode diminuir a proporção real de espécies ameaçadas sob o cuidado dos zoológicos, já que várias espécies ameaçadas são pouco atraentes, sendo assim negligenciadas. Finalizaremos aqui com a frase de Feral: "Nós devemos ver a mudança em zoológicos nos próximos 20 anos, mas eu realmente espero que reste algo de vida selvagem daqui há 20 anos também", disse Feral. "Espero que o último elefante, ou a última girafa, não seja o residente de um jardim zoológico. Se você respeitar os animais e a natureza, você tem que garantir o seu habitat. " Continue lendo
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