Calce Uma Causa

Como reduzir o impacto ambiental em uma viagem?

Como reduzir o impacto ambiental em uma viagem?

Ei, você aí que está planejando as férias e quer saber como reduzir o impacto ambiental na sua viagem! Vem com a gente que hoje você vai saber tudinho que precisa ;)

Primeiro passo: o meio de transporte

  • Voar é um privilégio (em 2017, 3% da população mundial andou de avião) que deve ser aproveitado com consciência. Viagens de avião produzem monóxido e dióxido de carbono, óxido de nitrogênio, vapor dꞌágua, material particulado e mais uma pá de coisa que contribui com o aquecimento global. Você pode começar escolhendo companhias mais ecológicas - em buscadores tem como optar por voos com baixa emissão de CO², por exemplo.
  • Se você for dirigindo, dê carona! Carros cheios em boas condições emitem muito menos CO² por passageiro que aviões. Prepara a playlist, faz a revisão do carro e se joga na estrada!
  • Se puder optar, vá de busão! Esse é o meio de transporte mais ecológico. Uma viagem longa de ônibus pode emitir de 9g a 65g de CO² por passageiro por quilômetro rodado, em comparação com os 230g a 510g de avião.

Segundo passo: na viagem 

Em 2017, foram geradas 5,7 milhões de toneladas de lixo em voos. Copinhos, talheres, guardanapinhos embalados, cafézinho, entre outras coisas. Se cada passageiro gera em média 1,5kg por voo, vamos reduzir o que conseguimos?

  • Prefira versões digitais de bilhetes de embarque, mapas e recuse os comprovantes. Peça por SMS ou email o que for necessário e se liberrrte dos papeizinhos!
  • Shampoo, condicionador e desodorante sólidos não só são mais práticos, ecológicos e ocupam menos espaço na mala. Eles resolvem o problema do limite de líquidos permitido em voos internacionais.

E a comida? Bom, isso é uma conversa à parte. Em vôos domésticos, viagens de carro e ônibus, leve a sua marmita e seja feliz. Mas de acordo com a pesquisa da Mari Dutra, em viagens longas muitas companhias calculam a comida por passageiro e o que não for consumido, vai fora. Para evitar desperdício, opte pela sua refeição. Não deixe de levar seus talheres e copo, de qualquer forma! Como esses já vem embalados, você pode recusar. Na hora de comprar a passagem é possível especificar a refeição, e a boa notícia é que algumas companhias permitem que você recuse a refeição nesse momento, então fique de olho pra levar a marmita!


Terceiro passo: onde ficar?

  • Se puder optar, fique onde você tem acesso a uma cozinha! Cozinhe as refeições mais básicas e leve lanchinhos pra comer na rua. 
  • Vai ficar em hotel? Dispense shampoos e sabonetes descartáveis. Leve os seus! 
  • Reuse sempre as toalhas. Você não precisa lavar a cada banho, né?
  • Aqui também vale recusar comprovantes, contratos e papéis em geral. Opte pelas versões digitais!

Finalmente: curtindo a viagem

Na hora de curtir as férias no seu destino, não esqueça do seu kit lixo zero! Água na garrafinha (você pode encher em bebedouros ou filtros), copinho (para beber, comer sorvete, açaí ou mesmo pipoca), guardanapos, canudo, talheres e o que mais você julgar necessário na sua rotina. Recuse os comprovantes, use o mapa no celular e leve ecobags para as compras - ah sim, não deixe de consumir de produtores e estabelecimentos locais. ;)

Se você ainda não decidiu pra onde vai, dá um pulo nesse link aqui cheinho de dicas e destinos imperdíveis aqui no blog.

Boas férias! 

Continue lendo

Um dia no centro histórico de Porto, Portugal

Um dia no centro histórico de Porto, Portugal

Banhada tanto pelo Rio Douro quanto pelo Oceano Atlântico, Porto é a principal cidade do norte de Portugal e o segundo maior destino turístico do país. O primeiro é a capital Lisboa e as comparações entre as duas partem não só de viajantes, como existe uma certa rixa entre lisboetas e portuenses. No entanto, ninguém precisa criar rankings no coração e é possível amar intensamente as duas, entendendo que cada uma apresenta peculiaridades que fazem delas diferentes, mas complementares.

O melhor de tudo? É possível visitar Porto em uma viagem de final de semana a partir de Lisboa, já que, de trem, o trajeto leva menos de 3h. Por isso, quando em Portugal, visitar Porto é obrigatório e este roteiro pelo centro histórico mostra o porquê. Não se assuste com o tamanho do texto! O roteiro foi pensado (e testado) com consciência de que, muitas dessas atrações, são de passagem ou não levam muito tempo para conhecer. Também está cheio de descrições e contextos históricos, perfeito para o viajante curioso que vê no turismo uma oportunidade de expandir a mente. 

Manhã Uma das melhores formas de iniciar o contato com uma cidade é vendo-a de cima. De um mirante ou prédio alto, é possível não só ter uma ideia geral da configuração urbana, mas também descobrir pontos de interesse a visitar. Porto possui um local perfeito para isso: a Torre dos Clérigos oferece ampla vista do centro e está no topo de uma ladeira, então o resto deste roteiro, todo a pé, é quase sempre em descidas (em várias cidades portuguesas, pensar na inclinação da rota é sempre muito importante!).

A Torre dos Clérigos é o local perfeito para iniciar um dia em Porto.

A belíssima construção, inaugurada em 1763 pela Irmandade dos Clérigos, tornou-se na época a mais alta torre sineira (que abriga sinos) do país e serviu, ao longo dos séculos e entre muitas outras funções, para orientação dos marinheiros que chegavam pelo Douro. Então encare as escadas, pois a vista faz valer cada um dos 240 altos degraus.

De volta às charmosas ruas de Porto, dirija-se para a Igreja dos Carmelitas e, no caminho, dê uma paradinha na Livraria Lello, famosa pelas gigantescas estantes, escadarias ondulares e detalhes em dourado. É preciso pagar 3 euros para entrar, o que faz a livraria faturar mais de 10 mil euros por dia e vender mais livros do que quando não cobrava a entrada, já que o valor de entrada é abatido de qualquer compra na loja. Chegando à igreja, você vai perceber que, na verdade, são duas igrejas! À direita está a do Carmo e, à esquerda, a dos Carmelitas (mas o local como um todo é mais conhecido pelo segundo nome). Observe com atenção os azulejos da lateral da Igreja do Carmo, um exemplo importante e de alta qualidade dessa arte portuguesa. O arabescos e anjos, pintados de azul na cerâmica, combinam perfeitamente com a fachada Rococó da construção.

 

Já a dos Carmelitas é de estilo Barroco, porém mais suave do que muitas construções do gênero e com um certo ar islâmico na torre. E, se os azulejos da do Carmo são o destaque do exterior, o interior da dos Carmelitas distingue-se pela harmonia, já que, mesmo rica em detalhes, não é exagerada. Caminhando pelo relaxante Jardim da Cordoaria, chegaremos à principal rua da região, a Campo dos Mártires da Pátria, onde está o Centro Português de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação, um enorme prédio de pedra e cimento, hoje pintado de amarelo. O museu é gratuito e pouco disputado, com um acervo fotográfico apaixonante para qualquer admirador da arte.

 

Nosso próximo destino é a Rua São Bento da Vitória, atrás do museu e onde é possível entender como Porto mescla perfeitamente os atributos de uma metrópole com a simplicidade de uma cidade pequena. As diversas casinhas, de cores intensas ou azulejos detalhados, os carros estacionados por cima das calçadas, as roupas penduradas nas janelas e, principalmente, a calmaria fazem da travessa um caminho delicioso. No final da rua, a igreja homônima prova (para quem ainda não percebeu) que é quase impossível andar algumas quadras em Portugal e não encontrar, pelo menos, uma igreja. Toda essa simplicidade desemboca em um local nada interiorano de Porto, o não muito conhecido Miradouro da Vitória. Além da vista incrível, que mostra a grandiosidade da cidade, é cercado por prédios abandonados e deteriorados, apresenta algumas pichações e guarda duas árvores, uma inteira e outra que sobrou apenas o toco. Esse último se transformou em um “banco natural” - perfeito para relaxar enquanto aprecia o clima excêntrico do miradouro.

 

Dali voltaremos para a rua principal e partiremos em direção à já visitada Torre dos Clérigos. Ao lado da torre está a rua que nos levará aos próximos pontos e que também oferece uma ótima opção para o almoço. O Hand’ Go é um mini restaurante estilo “take away” que oferece pizzas deliciosas e, o melhor de tudo, com diversas opções veganas montadas na hora! Há sabores com funghi e trufas, além de sucos naturais cheios de sabor, tudo com a possibilidade de comer na bancada esprimidinha ou levar para saborear em um banco pelas ruas.

 

Tarde Seguimos em direção à Praça da Liberdade, onde é possível sentir os ares de uma cidade grande e importante como Porto. Há muito movimento e energia passando pela praça e, ao fundo, ela é embelezada pela imponente Câmara Municipal do Porto.

Logo depois da praça, vemos um prédio intrigante com azulejos azuis e janelas amarelas que, se não fosse pela pequena cruz no topo, mal daria para perceber que se trata de um local religioso: é a Igreja de Santo António dos Congregados.

A Igreja de Santo António dos Congregados quase se passa por um prédio secular. Dali já é possível avistar a grandiosa Estação São Bento, nossa próxima parada. Lá dentro, pare entre as centenas de turistas e nativos que chegam e partem de Porto a partir desta clássica estação e admire os murais.

Os murais da Estação São Bento frequentemente a colocam entre as mais belas estações ferroviárias do mundo.

Mas admire com atenção, pois é possível, através deles, conhecer partes da história e costumes portugueses em representações de batalhas, da realeza e de civis na vida cotidiana. Detalhes dos murais revelam aspectos da vida portuguesa.

Partimos pela rua Av. Dom Afonso Henriques até chegar a Sé do Porto, catedral que começou a ser construída ainda no século XII, sendo, assim, um dos mais antigos monumentos do Porto. O prédio mescla os estilos Românico, Gótico e Barroco e seu claustro (pátio interior de uma igreja ou monastério para descanso dos religiosos) é imperdível pelos azulejos ricos em arabescos, figuras de animais e natureza e pinturas de colunas detalhadas.

 

Do Terreiro da Sé, amplo espaço em frente a catedral, é possível avistar o Douro e frequentemente encontrar estudantes de arte que ali sentam-se para observar e desenhar as linhas ecléticas da construção.

Em uma caminhada de 5min a partir da Sé, chegamos ao ponto mais alto (literal e metaforicamente) do nosso roteiro: a Ponte Luís I. Inaugurada em 1886, a obra de Théophile Seyrig, ex-sócio e similar estético de Gustave Eiffel, é referência mundial para pontes em formato de arco. Mesmo para quem não entende ou se interessa por arquitetura, é impossível não se surpreender pela estrutura e se apaixonar pela vista que caminhar pela parte superior proporciona.

 

É do topo da ponte que é possível entender por que Porto é considerada por muitos uma das mais belas cidades da Europa. O visual combina prédios históricos e religiosos, áreas verdes que tomaram conta de muros, as antigas muralhas da cidade, o Cais da Ribeira, alguns grafites, a moderna Ponte do Infante... tudo que faz de Porto fascinante e singular.

 

Caminhar na parte superior da Ponte Luís I é uma das atrações mais fantásticas de Porto.

Cruzando a ponte chega-se a Vila Nova de Gaia, município vizinho e a casa das famosas cavas de Vinho do Porto. Voltamos, porém, para o mesmo lado já que o nosso próximo destino é a parte de baixo do centro. Para descer, duas opções: uma escadaria e um funicular. Esse último, de nome estranho e que lembra certa música italiana, é uma espécie de elevador utilizado para subir ou descer grandes ladeiras. Da estação Batalha é possível pagar 2,50 euros para descer até a estação Ribeira. O valor é um pouco alto por um trajeto de cerca de 1min, porém o ângulo diferenciado da Ponte Luís I faz valer a pena.

 

Final da tarde e noite Seja pelas escadas ou pelo funicular, chegamos ao Cais da Ribeira, área mais baixa do centro e uma das regiões mais características de todo o Porto. Daqui é possível ver a coloração azul escuro e sentir o frescor do Douro, ao mesmo tempo em que se observa uma característica bem marcante da arquitetura lusitana: casinhas de cores fortes, justapostas e com micro varandas cercadas por metal esculpido.

Bares, restaurantes e esporádicas feiras fazem do local bastante movimentado e frequentado não apenas por turistas, mas também por muitos locais. Músicos dão um clima especial. Barcos possibilitam explorar o Douro mais a fundo. A vista surpreende para qualquer ângulo e em cada detalhe.

E é tudo isso que transforma o Cais da Ribeira num local que permite empregar o (brega e hiper utilizado) adjetivo “mágico”. Mais mágico ainda para quem se permitir sentar em um dos bancos de madeira e simplesmente contemplar, ficar em silencio, ler um livro, pensar na vida... ou seja, relaxar, algo muitas vezes esquecido em um roteiro turístico. Quem deseja desopilar ainda mais pode se dirigir a um dos bares de vinho nas casinhas coloridas, como o famoso Wine Quay Bar, que possuem balcões no exterior virados para o rio.

Subindo a bela Rua Alfândega, chegamos à Praça do Infante Dom Henrique. No centro do gramado, a estátua do infante (título dado a filhos legítimos do rei/rainha que não herdarão a coroa) aponta de forma simbólica para o horizonte, para o “além-mar”, já que o nobre foi uma das principais figuras da Era dos Descobrimentos.

Envolta da praça estão o Palácio da Bolsa e o Mercado Ferreira Borges. O primeiro, um majestoso prédio do século XVIII, pode ser conhecido em visitas obrigatoriamente guiadas e tem como grande destaque o Salão Árabe, onde, através de muito ouro, palavras desenhas e detalhes, é possível apreciar as influências islâmicas herdadas no país lusitano após séculos de guerras territoriais e trocas comerciais com os Mouros.

Já o mercado substituiu o já deteriorado Mercado da Ribeira que ali ficava, mas, após as reformas, não voltou a ser destinado para o comércio de alimentos. O belo edifício, de enormes janelas e estrutura em metal vermelho, hospeda hoje o centro cultural Hard Club e sua programação (majoritariamente shows) pode ser a forma perfeita de terminar o dia, entrando em contato com a intensa vida cultural da cidade.

Continue lendo
x