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Ser vegano é muito mais do que não comer carne

Ser vegano é muito mais do que não comer carne

Hoje em dia, “veganismo” não é mais um palavrão. Mas quando a Insecta nasceu, o mundo era um lugar um pouco diferente. Em 2014 era difícil encontrar produtos veganos em lojas e supermercados convencionais, e eram poucas as marcas que trabalhavam pensando no meio ambiente e nos animais.

De lá pra cá, muita coisa mudou. 

E isso é  uma ótima notícia, principalmente quando a gente lembra que a cada dia, uma pessoa vegana poupa 1,1 mil litros de água, 20,4 quilos de grãos, 2,7 metros quadrados de terra florestada e a vida de pelo menos um animal. (fonte).

O crescimento do veganismo significa mais e mais pessoas ampliando essa estimativa, o que é só vantagem para todo mundo. Nem precisamos falar que está mais do que comprovado que o veganismo não é um modismo ou uma “dieta” passageira, né?

Além de ir muito além de apenas alimentação, é um estilo de vida baseado na empatia, que vem ganhando adeptos e sendo apoiado pela ciência.

Você pode ler aqui e ali alguma pesquisa enviesada falando sobre perigos de aderir a uma alimentação vegetariana estrita, mas pode ter certeza: o veganismo é uma das melhores maneiras individuais (com reflexos coletivos) de contribuir para a proteção do nosso planeta, que mais do que nunca precisa que todo mundo se mexa!

Estamos em uma emergência climática e isso também não é novidade. Só para relembrar, Vários estudos comprovam que a pecuária lança para a atmosfera pelo menos 32 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO²) por ano, praticamente metade de todas as emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo.

A pecuária também é responsável por 65% de todas as emissões humanas relacionadas com o óxido nitroso, outro gás do efeito estufa que é muito mais nocivo que o dióxido de carbono e que ainda por cima permanece na atmosfera por 150 anos.

Aqui no Brasil, 80% do desmatamento é causado pela pecuária. A Amazônia está virando pasto, e a gente tem falado sobre isso faz tempo.

No mundo, a soja é o segundo maior fator de desmatamento, e antes que alguém diga que é culpa dos veganos, vamos lembrar que a esmagadora maioria da soja produzida é para alimentação de animais - que são engordados para o abate, transformados em produtos e consumidos por uma pequena parcela da população, enquanto a maioria passa fome. 

Além de tudo, o consumo de carne é uma prática elitista e excludente. Ser vegano é muito mais do que não comer carne, é ter consciência coletiva.

Um estudo recente da Universidade de Oxford indicou que se quisermos manter o aquecimento global abaixo de 2 graus neste século, é preciso reduzir em 75% o consumo de carne bovina e em 90% o de carne suína em todo o mundo. Nós achamos que é possível, mas precisamos de todo mundo junto nessa! 


Os impactos positivos do veganismo 

O veganismo pode ajudar a poupar água, em números muito mais expressivos do que banhos curtos e torneira desligada durante a escovação dos dentes. Em tempos de crise hídrica no Brasil, pensar nisso como uma estratégia a longo prazo para solucionar esse problema é importantíssimo.

O gasto de água no cultivo de grãos para alimentar animais para o consumo humano, por exemplo, representa 56% de toda a água consumida nos Estados Unidos.  Aliás, quando pensamos nessa questão de tudo que é investido para criar e alimentar animais que serão sacrificados, o impacto é ainda maior.

Interrompendo esse ciclo, só os Estados Unidos poderiam alimentar 800 milhões de pessoas com a sua produção de grãos. E para a galera do “nem peixe?” vamos lembrar alguns estudos projetam que em 2048 não vai mais ter peixes comestíveis no mar.

E não é só isso: a pesca tem um impacto na vida de outros animais marinhos, como tubarões, baleias, golfinhos e tartarugas. Em média, 40% do que é pescado no mundo todo é descartado porque é capturado nas redes por acidente. 


Tá bom, por mais que a gente sonhe, não é possível que o mundo todo vire vegano do dia para a noite. Mas pra ter uma ideia, se durante um ano, uma vez por semana uma pessoa deixar de comer um hambúrguer de carne e optar por um à base de plantas, isso evita a emissão de 1,5 tonelada de CO². É difícil visualizar esse número, né?É o mesmo que ir e voltar de Natal (RN) a Porto Alegre (RS) em um carro comum. 

Mas e se todo mundo virasse mesmo vegano?

As vacas se multiplicariam e tomariam conta do planeta? Por mais que muitos não veganos achem que isso é uma possibilidade, não tem como acontecer, pois grande parte dos bovinos criados em fazendas se reproduzem por inseminação artificial atualmente. Na verdade, o que se sabe é que seria reduzido em até 75% o uso do solo em todo o planeta.


Somos um mercado em crescimento, com muito orgulho!

E vamos de boas notícias. Uma pesquisa do IPEC revelou que mais de 30% dos entrevistados já escolhem opções veganas em restaurantes e outros estabelecimentos, mesmo não sendo veganos ou vegetarianos. 

De 2014, ano do nascimento da Insecta, a 2018, foi calculado um crescimento de 677% na oferta de produtos veganos aqui no Brasil. Aliás, nosso país é o sexto que mais tem lançado produtos veganos nos últimos anos. É orgulho que fala?

Os leites vegetais estão ficando cada vez mais populares. Não só entre os veganos, mas também para pessoas com alergias, restrições alimentares e preocupação com a saúde. Só em 2018 o mercado das alternativas aos lacticínios cresceu 51,5%. Aqui no Brasil, o mercado de proteína vegetal vem em um crescimento contínuo de 11% ao ano. E isso a gente consegue ver na prática, com novos produtos aparecendo todo dia, e melhor do que isso: cada vez com preços mais acessíveis e democráticos. 

Lembra da quantidade assustadora de grãos que são cultivados para alimentar animais para consumo humano? E se isso, ou parte disso, fosse voltado para desenvolver alternativas veganas à carne? Todos os anos são 250 milhões de toneladas de grãos. O nosso país tem um enorme potencial para produzir proteína vegetal e as empresas sabem disso!

 

Veganismo não é só sobre comida


A popularização do veganismo impacta todas as áreas. Consumidores mais exigentes cobram das empresas uma responsabilidade maior com os animais e o meio ambiente. 

Na moda, o mercado onde a Insecta está, não é diferente. Você deve ter notado a quantidade de novas marcas veganas que surgiram nos últimos anos, mas além disso, gigantes já estabelecidas estão sendo obrigadas a rever seus conceitos. 

Só nos últimos anos, nomes de peso como Versace, Burberry, Prada, Gucci, Michael Kors, Alexander McQueen, Balenciaga e Chanel dispensaram o uso de pele nas suas coleções. Algumas dessas marcas foram além e deixaram de usar couros exóticos, como píton, crocodilo, lagarto e outros animais que eram cruelmente criados e sacrificados em nome da moda. O fim do uso de peles parece estar cada vez mais próximo. Na Califórnia, a partir de 2023, será proibido comercializar esse tipo de “produto”. Reino Unido, Áustria e Japão já proibiram a criação de animais para o uso de suas peles. 

Também precisamos falar sobre o couro, que é um material muito presente na indústria calçadista - no caso, o segmento ao qual a Insecta pertence. Sapatos e bolsas de couro ainda são o padrão, mas tem cada vez mais novidades e tecnologias mostrando que outros caminhos são possíveis. 

Uma delas é o “couro” feito de frutas. Um dos mais conhecidos é o de abacaxi, conhecido como Piñatex, que deu vida a alguns calçados por aquiCriado por uma mulher, esse material é feito a partir da folha do abacaxi, que é descarte da produção da fruta. São 25 milhões de toneladas de "lixo" proveniente do abacaxi todo ano, que poderiam ser transformadas nesse super material! De quebra, o Piñatex é vegano e pensado de forma circular. Tem também os couros de maçã, uva, kombucha, milho e claro, os cogumelos, queridinhos do momento. 

No começo de 2021, a Hermès, marca tradicional e conhecida pelas peças de couro, anunciou uma parceria com a startup MicroWorks, que produz o Fine Mycelium, tecido que imita o couro animal, mas é feito a partir de cogumelos. Outro material feito de fungos, o Mylo, também já está começando a aparecer no mercado de moda. 

Em 2020 foi criado o Mylo Consortium, composto de marcas como Adidas, Lululemon, Stella McCartney e o conglomerado Kering. Todas essas marcas já estão trabalhando em lançamentos com esse material que é ao mesmo tempo natural e tecnológico, mas sem crueldade animal e ambientalmente correto.

O mercado dos cosméticos também vem avançando muito. Segundo um relatório da Grand  View Research, os cosméticos veganos estão tendo um crescimento de até  25%  ao  ano,  cerca de  10%  a  mais  do  que  os cosméticos  comuns - já conseguimos vislumbrar um futuro onde ser vegano será o padrão, como deveria ser! 

Quando o assunto é indústria de cosméticos e higiene a gente logo lembra: e os testes em animais? Esse é outro tema que vem sendo cada vez mais discutido e a gente vibra a cada conquista.

Em lugares como Colômbia, Reino Unido, Israel, Austrália, Índia, Guatemala, Noruega, Nova Zelândia, Suíça e Turquia os testes em animais já são totalmente proibidos. Nos Estados Unidos, estados como Califórnia, Nevada, Illinois, Virginia, Maryland e Havaí também já proibiram essas práticas cruéis e desnecessárias. Outra ótima notícia é que em 2020 o governo chinês revogou a obrigatoriedade do uso de animais em testes de produtos de beleza e higiene pessoal. 

Aqui no Brasil também estamos progredindo. Em oito estados diferentes (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) o uso de animais é proibido em determinadas indústrias. O Rio de Janeiro, aliás, foi o primeiro estado nas Américas a promulgar uma proibição completa dos testes em animais para cosméticos. 


Um futuro vegano vem aí 

Quantos veganos há no Brasil? Infelizmente, não existe nenhuma pesquisa com números precisos, mas a Sociedade Vegetariana Brasileira fez uma estimativa em comparação a outros países e chegou a um número aproximado de 7 milhões. Segundo esse cálculo, teríamos também 30 milhões de brasileiros vegetarianos atualmente. 

Falando em pesquisas, em 2017, segundo a Datafolha, 73% dos brasileiros se sentiam mal pensando sobre a origem da carne que consumiam, e 63% afirmaram que pretendiam reduzir esse consumo (Ficamos pensando aqui quantos será que conseguiram, e se você é um deles, parabéns!). 

Outra pesquisa, realizada pelo IPEC para a Sociedade Vegetariana Brasileira, mostrou que 46% dos brasileiros deixaram de consumir carne pelo menos uma vez por semana por vontade própria (veja aqui). Segundo um estudo feito pela Mind Miners, 30% dos entrevistados que afirmaram que estão pensando em mudar sua forma de alimentação falaram que o vegetarianismo era a principal opção. 

Um ponto muito importante que a gente percebe quando vai analisar essas pesquisas é que há dois principais motivos para as pessoas virarem veganas ou pelo menos considerarem o veganismo: um deles é o impacto causado pelo consumo dos produtos de origem animal no meio ambiente (aquela lista de números e porcentagens que a gente falou no começo do post, por exemplo).

Mas o principal, claro, é a empatia com o bem-estar dos animais. A preocupação com a saúde e busca por uma alimentação mais saudável também aparece, mas quase sempre em terceiro lugar, depois desses dois grandes motivos. 

Em 2019, a revista The Economist declarou aquele como “o ano do vegano”, quando foi calculado que ¼ dos millennials se identificavam vegetarianos ou veganos. Seja qual for a motivação, o que importa é que o interesse pelo veganismo tem crescido no mundo todo, de maneira constante.

Grande parte das pesquisas indica os millennials como público que vem puxando a fila, mas sabemos que tem gente de várias idades e gerações repensando seu consumo e sua relação com o planeta e os animais.

Por aqui, acreditamos que falar sobre o assunto, trazer informações e promover o debate é um dos melhores caminhos para tornar o veganismo cada vez mais popular e atraente. 

Vamos juntos?

 

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Como estamos garantindo os direitos dos animais na prática?

Como estamos garantindo os direitos dos animais na prática?

O Dia Internacional dos Direitos dos Animais é comemorado em 10 de Dezembro.
No Brasil, o 11 de Setembro foi a data escolhida para o tema, é o Dia dos Direitos dos Animais.

Há várias outras datas voltadas para esse assunto com nomes e enfoques diferentes, mas a verdade é que ainda há muito o que melhorar. 

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi criada pela Liga Internacional dos Direitos dos Animais em 1977, sendo proclamada numa Conferência da UNESCO em 1978. Porém, diferente do que muitos pensam, o órgão não oficializou o documento.

Apesar de servir como base para muitos debates sobre ética, é também cercada de polêmicas. Essa Declaração é composta por 14 artigos que falam sobre a senciência animal, existência digna e direito à vida, porém, artigos como o 9º são alvos de muita discussão.

Esse artigo específico fala que "animais destinados ao abate devem sê-lo sem sofrer ansiedade nem dor", deixando passar aí o fato de que eles poderão ser explorados por humanos, contrariando a ideia de que todos têm direito à vida e à liberdade.

Já é comprovado que os animais passam por sofrimento psicológico, emocional e claro, físico. Um exemplo são as orcas, que sofrem de depressão e tédio vivendo em cativeiro, tendo inclusive fazer uso de antidepressivos. Animais em zoológicos frequentemente apresentam comportamentos ansiosos que não são encontrados entre os que vivem na natureza, indicando altos níveis de estresse. 

É preciso também falar sobre os números assustadores ligados ao uso dos animais como “produtos”. Há estimativas de que cerca de 200 milhões de animais são mortos diariamente para o consumo humano. DIARIAMENTE!

Os Estados Unidos são grandes responsáveis pelo que é chamado “agricultura industrial”, onde os animais são criados de forma cruel, em ambientes fechados onde mal podem se mexer, como se fossem máquinas, feitas para produzir leite, carne e ovos em escala. 

Como chegamos nisso?



Senta que lá vem história

Olhando para trás, a ideia de que os animais estão a serviço dos humanos vem de muito, muito tempo, há cerca de 12 mil anos, quando foi iniciada a domesticação para comer, usar suas peles para se aquecer e etc.

Sim, naquela época era tudo diferente, o próprio ser humano era outro, mas o problema é que ao longo da evolução humana, essa relação de poder não mudou muito. 

Em IV a.C, Aristóteles dizia que os animais são irracionais e estão aí para nos servir. No século XVII, Descartes afirmava que os animais não possuem alma nem razão. Ele foi um dos grandes responsáveis por consolidar o uso de animais para experimentos científicos - na época, recebeu críticas e foi questionado por outros pensadores, mas o barulho não foi suficiente para mudar o que já estava estabelecido. 

As bases filosóficas do pensamento dos direitos dos animais só começam a ter mais estrutura por volta do século XVIII. Dessa época, Jeremy Bentham é o autor da famosa frase: "A questão não é eles pensam? ou eles falam?, a questão é: eles sofrem?Além de levar em consideração a dor e a existência de um sofrimento entre os animais, ele descartava a ideia previamente estabelecida de que a falta de raciocínio, lógica ou “inteligência” deveria ser um critério para como tratamos outros seres.

Outra famosa frase é do escocês John Oswald, que em seu livro de 1791 “The Cry of Nature or an Appeal to Mercy and Justice on Behalf of the Persecuted Animals”  argumentou que se cada humano testemunhasse a morte do animal que come, a dieta vegetariana seria bem mais popular. 

Em 1892, outro livro influente abordou os direitos dos animais: “Animals' Rights: Considered in Relation to Social Progress”, do britânico Henry Salt. Ele também formou a Liga Humanitária na época com o objetivo de banir a caça como esporte.

Aqui no Brasil, a história do direito dos animais tem nomes como Laerte Levai, Sônia Felipe e Daniel Braga Lourenço. Laerte Levai foi promotor do Ministério Público do Estado de São Paulo, e durante esse período promoveu ações civis públicas contra o uso de animais em rodeios, circos, vaquejadas, rinhas, experimentação científica e matadouros, além de denunciar criminalmente quem maltratasse ou torturasse animais. Ele também é autor do livro “Direito dos Animais”, de 1998, além de vários artigos e capítulos de livros jurídicos nesse tema.

Atualmente, não são poucos os nomes de pessoas ligadas à política, sociedade civil, artistas, influenciadores (e até empresas, como nós!), que lutam pela causa animal, ampliando cada vez mais a discussão e principalmente a propagação da informação. 

Especismo

O termo especismo é usado para descrever a discriminação praticada pelo ser humano contra outras espécies. É essa crença que temos desde sempre que nós, humanos, somos moralmente superiores às outras espécies e podemos fazer o que quisermos com elas.

Na prática, o especismo é a ideia que sustenta o uso de animais em indústrias como a alimentícia, têxtil, cosmética e farmacêutica - tanto como ingrediente como para testes. O especismo não é uma questão de odiar ou não gostar deles. Você provavelmente conhece muitas pessoas que amam animais, mas mesmo assim apoiam seu uso em testes, usam couro e comem carne. 

No livro “Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas?”, a psicóloga Melanie Joy explica que temos percepções diferentes dos animais: podemos reconhecer uma espécie como uma praga, outra como um bichinho fofo de estimação e outra como comida. Um exemplo disso é quando tendemos a nos importar menos, ou sentir menos empatia, com os animais pequenos. Muitas pessoas consideram um cavalo mais “evoluído” do que um rato. Existe essa tendência a considerar animais menores menos conscientes ou desenvolvidos. Isso é especismo.

Outro clássico é o uso de animais como insulto. Chamar de “vaca”, “burro”, “cobra”, dizer que alguém “fez cachorrada” e outros termos são formas de comparar alguém que você quer xingar com uma outra espécie, como se ela fosse inferior à nossa. 

Essas e outras questões estão profundamente ligadas à cultura e à maneira como nos organizamos como sociedade. Aprendemos desde a infância que os animais de outras espécies são seres inferiores. Além disso, o ser humano se beneficia da exploração dos animais, tendo, dessa forma, pouco incentivo para desafiar essas crenças. Enquanto não questionamos isso, estamos dentro da zona de conforto. 

Bem-estarismo

Outro “ismo” muito presente na discussão dos direitos dos animais é o bem-estarismo. Em linhas gerais, os direitos dos animais dizem que os humanos não têm direito de usar os animais para os seus interesses. Já o bem-estarismo é a ideia de que os animais podem ser usados, desde que tratados de forma ética. 

O bem-estarismo defende que animais podem, por exemplo, ser criados para o abate e o uso para a indústria alimentícia, se tiverem uma vida digna, observando determinadas práticas e processos. 

Hoje em dia, o bem-estar animal está em alta, especialmente no que se refere aos animais de fazenda. É muito comum encontrar nos supermercados “ovos de galinha feliz”, selos que garantem que os animais são criados soltos, fazendas orgânicas e por aí vai.

É uma saída encontrada por muitas pessoas que se preocupam com a crueldade, mas ainda não conseguiram transicionar para uma alimentação à base de plantas. Infelizmente, não é uma solução, e é preciso estar atento, porque muitas indústrias cooptam esse termo para continuar explorando animais, ao invés de encontrar novas alternativas. Afinal, mesmo tendo uma vida boa, não existe abate humanizado para quem não quer morrer. 

O bem-estarismo é considerado também uma forma de especismo, já que não condena o uso e exploração dos animais para benefício humano.

Nesse contexto, alguns animais (vacas, galinhas, peixes) podem ser explorados enquanto outros são considerados membros da família (gato, cachorro).


E na lei, como funciona?

Muita gente não sabe, mas há um artigo na Constituição de 1988 que condena a crueldade contra os animais. O Artigo 255 trata sobre meio ambiente, “impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Fala sobre a preservação da fauna e da flora, o cuidado com os nossos biomas e proíbe “práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade".

É sério, está tudo lá. Parece brincadeira, pois o que vemos no cotidiano é, muitas vezes, o exato contrário.

E agora, para piorar, ainda houve um grande retrocesso: em 2017, foi acrescentada uma Emenda Constitucional que determina que práticas esportivas que utilizem animais não são consideradas cruéis “desde que sejam manifestações culturais, registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro”. O texto fala sobre regulamentações que assegurem o bem-estar dos animais envolvidos, mas na prática, será que isso existe?

No fim das contas, o que temos é uma legislação de bem-estar animal, protetiva dentro da exploração humana, que permite que práticas cruéis como vaquejada e outros “esportes” sejam constitucionais. 

Outro exemplo é a Lei Arouca, que estabelece procedimentos como a “insensibilização através de sedação” e outros protocolos para o uso de animais em pesquisas científicas e criou o CONCEA (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), exigindo a criação de Comissões de Ética no Uso de Animais.

A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) condena quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Também inclui atos de crueldade em animais vivos, mesmo que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos - foi inclusive por conta dessa parte que foi criada a Lei Arouca, que abre uma brecha enorme nesse sentido. 

Quanto aos animais selvagens, a Lei de Crimes Ambientais determina ser crime “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”. Na prática, o que a gente vê é: você não deve matar animais, mas se quiser pode.

O viés bem-estarista ainda aparece na Lei 7.705/92 do estado de São Paulo, que fala do tal do “abate humanitário”. Essa lei determina a obrigatoriedade, em todos os matadouros e abatedouros, de métodos de insensibilização do animal para que o abate não seja cruel e doloroso. Como se isso fosse possível. 

Para melhorar pelo menos um pouco, recentemente foi sancionada a Lei 1.095/2019, que aumenta a punição para maus-tratos de animais. Estão abrangidos os animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A nova lei tem um item específico para animais domésticos, inclusive. 

Com uma análise mais aprofundada encontramos facilmente brechas e o viés bem-estarista em grande parte da legislação que trata dos direitos dos animais no Brasil. Além disso, até o ano de 2019 eles eram considerados objetos, de acordo com o Código Civil.

Depois de muitos anos, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto Lei 27/2018, que confere a eles a natureza jurídica “sui generis”, sendo sujeitos de direitos despersonificados, reconhecendo também que possuem natureza biológica e emocional e são seres sencientes, passíveis de sofrimento.

 

O caminho ainda é longo

Apesar da nossa legislação ainda ser incipiente, o crescimento do veganismo e a luta constante dos ativistas estão ajudando a transformar essa realidade. Mesmo assim, é preciso lembrar que quando o assunto é direitos dos animais, há camadas muito mais profundas para serem trabalhadas. A dependência da sociedade nos produtos de origem animal é uma barreira para rever esses conceitos. Eles podem ser encontrados em lugares onde menos esperamos, e muitas indústrias se baseiam há séculos no seu uso. 

As crenças culturais são outra grande barreira. Por exemplo, as concepções patriarcais de masculinidade, que pregam que o homem másculo e bem sucedido deve comer muita carne vermelha. A caça e a pesca esportiva e outras atividades semelhantes estão no cerne das identidades masculinas hegemônicas. 

E é impossível não tocar no viés social. Quando começamos a falar sobre direitos dos animais, é comum sentir um certo desconforto ou até culpa, pensando no cenário político e social que vivemos. Um mundo cheio de fome, violência, opressão, trabalhadores perdendo seus direitos, pessoas sendo mortas por preconceitos de religião, orientação sexual ou cor de pele parece ter muitos assuntos urgentes. 

Como falar em direitos dos animais quando nem os humanos os têm? Não podemos esquecer que uma luta não invalida a outra. Por aqui, acreditamos que todos os animais têm direito a viver de forma digna, em liberdade e da maneira que a sua natureza merece.

E convidamos você a pensar sobre isso junto com a gente. 


Mais links pra quem quer aprofundar no assunto!

https://www.ecycle.com.br/especismo/ 

https://www.animal-ethics.org/etica-animais-secao/especismo-pt/ 

https://www.projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-especismo/ 

http://www.justificando.com/2016/10/27/por-que-falar-em-especismo/ 

https://www.treehugger.com/what-are-animal-rights-127600 

https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11446/A-protecao-aos-animais-no-Brasil-objetos-ou-sujeitos-de-direitos 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_dos_animais

https://animalequality.org.br/blog/direitos-dos-animais-quais-sao-e-por-que-eles-precisam-ser-defendidos/ 

https://www.worldanimalprotection.org.br/blogs/bem-estar-ou-direito-dos-animais 

https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-ambiental/a-verdadeira-natureza-juridica-da-declaracao-universal-dos-direitos-dos-animais-e-sua-forca-como-carta-de-principios/ 

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O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que estamos vivendo, com todas as consequências catastróficas e milhares de mortes tem, segundo especialistas, origem na exploração da natureza e dos animais. E não é a primeira vez que acontece. 

Em 2003 o vírus SARS surgiu numa situação parecida e matou quase 800 pessoas. Os dois são da família “coronavírus”, transmitidos entre animais silvestres. O que aconteceu foi que seres humanos entraram na corrente de contaminação ao consumir carne em mercados de animais silvestres, mantidos e abatidos sob péssimas condições sanitárias.

A ciência avisou. 

Doenças transmitidas de animais para humanos serão cada vez mais comuns se continuarmos a destruir habitats. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong avisaram em 2007 que se nada mudasse outro caso como o de 2003 aconteceria. Segundo eles, o crescimento da demanda por proteína animal era uma “bomba relógio”. O governo local não fez nada a respeito, inclusive liberando o comércio de animais silvestres algum tempo depois do surto, por interesses econômicos.

Em 2013 a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação divulgou um relatório chamando atenção para o aumento do consumo de carne, expansão das terras agrícolas, mudanças dramáticas e outros pontos críticos para o surgimento de doenças. De acordo com a organização, desde 1940, 70% das novas doenças vieram do consumo de animais. 

Mais tarde saiu o relatório Fronteiras 2016 sobre questões emergentes de preocupação ambiental do PNUMA, citando doenças zoonóticas como Ebola, gripe aviária e Zika Vírus como exemplos das consequências de redução e fragmentação de habitats, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

E a China?

O vírus se expandiu a partir de um ponto na China, sim, mas é importante lembrar que a maioria das pessoas não consome animais silvestres, como bem explicado nesse vídeo. Sob hipótese alguma justificaríamos xenofobia e racismo. A população do país é vítima, assim como em qualquer outro lugar do mundo. 

É fácil apontar, criticar e demonizar o que não é familiar. Mas a criação de animais em confinamento existe no mundo todo, inclusive no Brasil, assim como uso de antibióticos que resultam em superbactérias, venda de carne contaminada e tráfico de animais silvestres.

Entre vários exemplos, vale lembrar do H1N1 em 2009, que surgiu entre porcos criados em confinamento no ocidente. E aqui no Brasil, cerca de 18% da carne de frango apresenta algum tipo de contaminação por salmonela, porque existe uma tolerância de até 20%. Por que isso é considerado normal?

Não é hora de apontar dedos, e sim de pensar o que estamos fazendo com o Planeta. Consumir animais, consumir o meio ambiente, consumir excessivamente qualquer coisa a qualquer custo. Enquanto não repensarmos toda a lógica de consumo, de forma sistêmica, nada vai mudar. 

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Molho de Tomate com Borogodó!

Molho de Tomate com Borogodó!

Massa é aquela comida fácil, rápida e que aquece a alma. Mas fazer o seu próprio molho dá aquela preguiça porque tem que cozinhar por muito tempo e dá trabalho demais tirar a pele e as sementes...

Assar o tomate para fazer o molho faz toda a diferença e da um borogodó para um simples molho de tomate! Essa receita é bem fácil e você pode ajustar para o seu gosto.

- 12 tomates maduros

- 6 dentes de alho

- Manjericão fresco

- Azeite

Eu quis fazer um molho bem rústico e não tirei a pele nem a semente, mas se preferir um molho mais fino você pode tirar.

Pique os tomates em 4, esmaguei os alhos, espalhei os galhos de manjericão, temperei com sal e azeite. Levei o ao forno pré aquecido a 180 graus por 2 horas. Se gostar do molho bem pedaçudo é só tirar os galhos, as cascas do alho e dar uma amassada com o garfo. Eu usei o liquidificador ou mixer para fazer um purê. Acerte o tempero a gosto e pode incrementar com outros ingredientes. Dicas: Ele pode ser congelado por até 3 meses e usado para fazer outra receitas ;) Os 2 melhores tipos de tomate para fazer molho são o italiano e o carmem, mas pode usar o que tiver na sua geladeira mesmo. 3 dicas para fazer a Massa Perfeita:

  1. Litro de água para cada 100g de massa crua
  2. Água salgada igual ao mar!
  3. Siga o tempo de cozimento da embalagem da massa para ter o ponto perfeito

Siga o tempo de cozimento da embalagem da massa para ter o ponto perfeito

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Onde estão as proteínas na dieta vegetariana?

Onde estão as proteínas na dieta vegetariana?

Esse post foi originalmente ao ar no dia 1 de Novembro, o Dia Mundial Vegano, ou Dia Mundial do Veganismo. Mas as informações que a gente trouxe valem para o ano todo, o tempo todo. Segundo o portal Vista-se, a data foi criada em 1994 por Louise Wallis, presidente da Vegan Society da Inglaterra, comemorando o aniversário de 50 anos da instituição.

Sim, desde 1944 os veganos já se organizavam em prol do ativismo pelos animais, e provavelmente desde 1944 uma pergunta não quer calar: e-as-proteínas? Se você ainda não é e está pensando em veganizar, ou tem interesse em uma alimentação sem crueldade e quer saber mais a respeito, trazemos verdades: uma alimentação sem ingredientes de origem animal não é sinônimo de falta de nutrientes. Listamos os alimentos com maior teor proteico* pra você lembrar de ter sempre em casa (e pra responder a perguntinha mais ouvida por vegetarianos e veganos desse mundão).

 

Cereais 

Chia 16,5g

Quinoa crua 4,4g

Arroz Integral cozido 2,6g

 

Verduras  

Espinafre 2,9g

Brócolis cozido 2,1g

Couve-Flor 1,9g

 

Leguminosas  

Grão de Bico 8,8g

Ervilha em Vagem 7,5g

Tofu 6,6g

 

Oleaginosas  

Amendoim grão cru 27,2g

Amendoim torrado salgado 22,4g

Amêndoas torradas 18,6g

 

*Valores para cada 100g de alimento.

Lembramos que não somos nutricionistas, assim como 99% das pessoas que perguntam sobre as proteínas da sua dieta. Pra que você tenha a melhor alimentação para as suas necessidades específicas, independente de ser ou não vegana, não deixe de consultar um profissional qualificado. E aproveita pra descobrir receitas maravilhosas aqui no blog!

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Tecido vegano: como se aquecer sem exploração animal?

Tecido vegano: como se aquecer sem exploração animal?

O Brasil tem um clima bastante diverso, é verdade. Porém, em regiões nas quais o inverno é mais rigoroso, onde o agasalho reforçado é obrigatório, nem sempre é fácil encontrar casacos quentinhos sem abrir mão de contar com tecido vegano na composição. 

Basta cair a temperatura para as lojas encherem as vitrines de peças com tecidos não veganos, feitos com a pele ou o pelo de bezerros, chinchilas, coelhos, raposas, vacas e ganso. Lã, couro, entre outros materiais de origem animal são muito usados para forrar casacos, porém, extraídos de forma cruel. 

Quando paramos para ler as composições, percebemos que tem bicho em tudo. Chega até a assustar o fato de que tecidos aparentemente inofensivos são fruto de exploração animal. Por isso, no post de hoje, vamos te ajudar a encontrar opções de tecidos sustentáveis para se aquecer no inverno.

O que são os tecidos?

Antes de falarmos sobre o produto vegano, é importante definirmos o que são tecidos: materiais feitos a partir de fios, que podem ser naturais ou sintéticos. Eles são amplamente utilizados na indústria têxtil, na fabricação de roupas, cobertores, panos e outros itens.

Entre os tipos de tecido de roupa, o mais utilizado é o algodão, que é natural, mas gera diversos problemas para o meio ambiente. A cada 500 gramas produzidos, são utilizados 150 gramas de fertilizantes e pesticidas, substâncias extremamente nocivas ao solo e à água. No entanto, já há opções sustentáveis, como o algodão orgânico.

Também há a lã, bastante utilizada na produção de roupas de frio, mas que também está relacionada com o sofrimento animal. Devido à indústria têxtil, as ovelhas são tratadas como máquinas e podem sofrer maus tratos durante a tosquia. Isso sem falar no couro, que, além de ser um produto que gera maus tratos, contribui para a poluição da água e o aumento dos gases de efeito estufa.

Tecidos sintéticos: aliados ou vilões?

Os materiais sintéticos são grandes aliados. No entanto, muitas dessas fibras não são exatamente amigas do planeta. Fala-se muito sobre o acrílico, principal material usado nas peles e nas lãs sintéticas.

Um relatório publicado em 2014 ranqueou 9 fibras sintéticas em relação aos impactos negativos, e o acrílico ficou com o primeiro lugar. Não são poucos os estudos que mostraram que ele não é inofensivo. 

A gente entende e concorda que alguns materiais não são perfeitos, mas quando o foco é tirar os animais das nossas roupas, é necessário fazer escolhas bem pensadas. Pense que cerca de 10 a 15 vidas são salvas a cada casaco sintético produzido. 

A melhor saída é consumir com consciência e responsabilidade. O consumo excessivo gera demanda para uma alta produção, e aí já viu, né? Uma boa notícia é que cada vez mais marcas trabalham com fibras recicladas, inclusive para produzir peles fake. Consequentemente, tem até couro de laboratório chegando por aí.  

Como saber se um tecido é vegano?

Para encontrar roupas veganas, é superimportante seguir alguns passos e ficar bastante atento a certos detalhes. Abaixo, elencamos algumas dicas para te ajudar a conferir a composição dos tecidos.

De olho nas etiquetas

Ler etiquetas e rótulos é a primeira coisa a fazer para conhecer um tecido vegano. Ser desconfiado quanto ao que você está comprando pode te salvar de adquirir coisas como couro de cachorro ou pele verdadeira vendida como se fosse falsa.

Atenção a composição

Fique de olho na lista de composição para materiais como alpaca, angorá, cashmere, pele, couro, mohair, pashmina, shearling, seda, camurça, tweed, lã e pena, especialmente, nos forros de casacos acolchoados. 

Dê preferência para as peças que tenham acrílico, algodão, denim, náilon, poliéster, rayon, veludo, modal, tencel, sarja, primaloft, thermolite e thinsulate na composição, pra citar os principais.

Esteja atento aos detalhes

Para saber se um tecido é vegano, também é bom dar uma olhada nas instruções de lavagem e tirar a dúvida final: alguns materiais oriundos de animais só podem ser lavados a seco, então essa especificação pode ser um bom indicativo. 

O que fazer se não houver etiqueta?

Pense que os pelos dos animais crescem do mesmo jeito que o seu cabelo: com uma direção. Peles sintéticas são costuradas em linhas retas, então confira a base de onde saem os pelos e veja as costuras. 

Obviamente, a pele natural não tem costuras, mas uma base de couro. A ponta dos pelos também pode ser uma pista: fios naturais afinam na ponta, enquanto os falsos têm a mesma largura do começo ao fim.

Se você pretende comprar em brechó, a atenção deve ser redobrada. Quanto mais antiga for a peça, menos sintética ela será. Nesse caso, você terá que refletir se a compra vale a pena por estar evitar a produção de uma nova peça de lã ou se você realmente não quer um produto de origem animal na sua vida, mesmo sendo vintage.

Conheça mais sobre o tecido vegano com a Insecta

Ler etiquetas, conhecer as marcas que você consome, pesquisar e estar sempre atento são ações que valem para qualquer estação do ano. Na Insecta, incentivamos o uso do tecido vegano ou, no mínimo, sustentável. Aqui, indicamos 6 passos para um guarda-roupa amigo dos animais. Então, tenha sempre isso em vista, independentemente da temperatura que faz aí, na sua cidade. 

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Como posso ajudar mais os animais?

Como posso ajudar mais os animais?

Às vezes a gente quer muito fazer a diferença, mas não sabe bem por onde começar. Se identificou? Pois é, hoje o papo é sobre como podemos ajudar mais os animais, no dia a dia mesmo, pondo em prática microrrevoluções. Já teve um post aqui mesmo com 10 dicas de mudanças que você pode fazer pra ter uma vida mais verde (confere lá que tá bem bom).

Agora queremos quer dar mais uma força pra quem quer ser uma pessoa mais do bem a partir de agora e se engajar mais na proteção animal. Antes de qualquer coisa, a pior coisa é pensar que não vai conseguir fazer tudo e acabar fazendo nada. Olha como você pode fazer a diferença de vários jeitos, dependendo do quanto você pode se envolver:

# pergunte (e se pergunte) de onde veio sua comida Curiosidade abre um tanto de portas, e esse é o primeiro passo pra uma vida mais consciente. Quando você começa a pensar melhor nas escolhas que faz é um caminho sem volta - ainda bem! Tirar os animais do seu prato é uma maneira instantânea de fazer algo por eles. Se informe, saiba como são feitas as coisas que você consome. Pense se é mesmo isso que você quer patrocinar, e se a resposta for não, saiba que existe outro caminho.

# adote, apadrinhe ou seja voluntário em alguma ONG Como a gente já falou por aqui, proteger os animais é muito mais fácil do que você imagina. Qualquer um pode ser um protetor dos animais fazendo o que está ao seu alcance, sabia? Alguns denunciam maus-tratos, outros resgatam bichos da rua, levam no veterinário, dão lar temporário ou adotam. Se você não tem como levar um bichinho pra casa, mesmo que por um tempo, pense em fazer voluntariado! Sempre tem alguma ONG precisando de ajuda e você pode fazer isso com doações em dinheiro, ração, carona, divulgação, ou até ajudando a levar os cães pra passear. E se você está pensando em aumentar a família, não pense duas vezes, adote!

# cobre do poder público Cada vez mais a gente vê que pressão popular faz diferença. Então assinar abaixo-assinado, participar de passeata, protesto, até usar hashtag e compartilhar post funciona, sim. Não tenha medo de cobrar e exigir. Se informe: saiba quem são os políticos que podem te ajudar (e os que você deve ficar de olho). A Repórter Brasil, dos mesmos responsáveis pelo aplicativo Moda Livre, lançou faz pouco tempo o Ruralômetro. É uma ferramenta que ajuda a medir o impacto socioambiental dos projetos que os parlamentares votam ou propõem. Bora ficar no pé deles!

# colabore com algum santuário O trabalho dos ativistas nos santuários é o famoso trabalho de formiguinha. Eles recolhem animais que nem sempre tem são fáceis de cuidar - como por exemplo cavalos, vacas e bois, para dar a chance de uma vida digna. Os santuários sempre estão precisando de apoio financeiro pra cobrir despesas veterinárias, comida ou voluntários para cuidar dos animais. Se você está pensando em botar a mão na massa nesse ano e quer entrar a fundo na proteção animal, considere ajudar um santuário.

# opte por produtos sem crueldade Sem animais nos pratos ou crueldade nas roupas. Ou em qualquer outro ítem, né? A gente tem muita sorte de hoje em dia ter tanta gente interessada em pesquisar produtos veganos e incomodar os SACs das empresas pra que elas sejam mais transparentes. Por conta disso as empresas estão começando a se ligar nesse público (olha aí o que a gente falou da pressão que faz diferença!). Não tem por que continuar usando cosméticos, produtos de limpeza e outras coisas de empresas envolvidas em testes com animais. Sempre que existir a opção cruelty free, escolha essa. E isso vale também para roupas - a gente tem boas dicas aqui pra você ter um guarda-roupas mais amigo dos animais.

# não visite atrações turísticas que exploram animais A viagem dos sonhos vai ser esse ano? Estamos aceitando convites Só não esquece de pesquisar muito bem tudo que você vai fazer antes de chegar lá. Falamos aqui mesmo sobre zoológicos e atrações que usam animais, como passeios em elefantes, camelos, cavalos ou as ilhas dos porcos (hoje já são várias), que são vendidas como paraísos para os bichinhos e até parecem inofensivas, mas escondem crueldade e nenhum compromisso com a preservação da vida selvagem e respeito aos animais. Se você quer pesquisar o roteiro e garantir que sua visita gere benefícios aos animais, confira sites de proteção animal e de ONGs com dicas de lugares para visitar. Mas se você não quer ter esse trabalho, deixe de fora o turismo com animais, assim você não estará contribuindo com a exploração.

# fale com as pessoas 📣 A melhor coisa que você pode fazer é ser uma boa influência. Se você já se convenceu que temos que ajudar os animais, conversar com amigos, colegas e família é o próximo passo. Mostre como é fácil dando o exemplo. Leve lanches veganos pra galera provar e mostre como é gostoso. Seja uma pessoa compreensiva e entenda que cada um tem o seu tempo.

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10 mudanças fáceis pra ter uma vida mais verde

10 mudanças fáceis pra ter uma vida mais verde

Dizem por aí que o ano só começa depois do Carnaval. Pra muita gente, a virada que conta é astrológica, que acontece em março. E mesmo pra quem conta o novo ano a partir de 1º de janeiro, sempre é tempo de fazer resoluções (e revoluções também).

A gente te ajuda a dar os primeiros passos. Confere 10 dicas bem facinhas que você pode ir incorporando ao dia a dia, adaptando à sua realidade sempre que precisar:

1 - Chega de desperdiçar comida Planeje o cardápio da semana. Você vai saber exatamente do que precisa (e do que não precisa). Sabe aquela técnica tradicional de fazer a lista de compras e tentar ir ao mercado\feira o mínimo possível? É isso. Evita compras por impulso e você não fica com a geladeira cheia de comida estragando. Ah, e ainda economiza em $ pra investir em você.

2 - Considere o veganismo Se você não quiser (ou não puder) cortar totalmente os ingredientes de origem animal, tudo bem. Cada um tem o seu tempo e a sua realidade. Mas você pode considerar reduzir esses ingredientes da sua alimentação em 2018. Faça um dia da semana vegano, conheça novas receitas (no blog temos vaaarias), descubra novos sabores. É bom pra sua saúde, pro planeta e claro, pros animais.    

3 - Ame as suas roupas O tema do Fashion Revolution de 2018 foi “Loved Clothes Last”, mas vale pra qualquer ano. Isso quer dizer, na prática, que quando você cuida do que tem, você tem por mais tempo. E assim não precisa renovar guarda-roupas a cada virada de estação. Observe as instruções de lavagem. Faça pequenos reparos, pregue novos botões, ajuste, reajuste. Sempre vale mais a pena manter uma peça do que comprar outra.

4 - Deixe o carro em casa A gente sabe, nem sempre tem como. Ainda mais pra quem tem dias puxados com várias paradas. Mas promete que vai tentar? Ande de carona com amigos, use a bicicleta ou vá a pé pra compromissos perto de casa. Aliás, priorize os compromissos perto de casa - vá no mercadinho do seu bairro e não no mercadão lá longe, por exemplo.

5 - Se informe Esse é o melhor jeito de saber qual a melhor atitude tomar. Sair da zona de conforto é um movimento que tem que vir lá de dentro, e quando você tem informação fica tudo mais fácil. Descubra quem fez suas roupas. Saiba de onde vem os alimentos que você consome. Se informe sobre as marcas que você consome e decida quem você vai apoiar. Se informe também sobre pontos de coleta de resíduos recicláveis, sobre como funcionam as coisas na sua cidade. Curiosidade abre um tanto de portas. ;)

6 - Se liberte da sacola plástica plmdds Vamos falar disso mais uma vez? Vamos sim, até todo mundo abandonar essa praga da vida moderna. Já mostramos aqui no blog que as sacolinhas são um problema e que reduzir ao máximo é a melhor saída. O segredo é ter uma ecobag sempre por perto. Não quer andar carregando muita coisa? A ecobag do besouro é pequena e se for bem dobrada, cabe até no bolso #ficadica.  

 

7 - Evite alimentos embalados Parece difícil, mas não é. Ainda mais se você já tem o hábito de fazer feira e comprar a granel. Alimentos prontos e embalados vendidos nos supermercados têm uma lista de pequenos problemas, e evitando consumir esse tipo de produto a gente corta o mal pela raiz: normalmente os vegetais são cultivados de forma industrial, com muito uso de agrotóxicos. As embalagens são de plástico, isopor ou plástico filme, que não é reciclável. Empresas que comercializam esse tipo de produto costumam descartar frutas e vegetais com aspecto “imperfeito”, ou seja, é comida totalmente comestível indo fora.  

8 - Economize energia Pelo valor da conta da luz (taí um ótimo incentivo), mas também pelo meio ambiente. Pequenas práticas podem ajudar no cotidiano e juntas viram uma baita economia: desligue computador, tv e outros eletrônicos durante a noite e quando sair de casa. Até na função standby eles consomem energia, sabia? Troque suas lâmpadas por LED. Elas podem parecer mais caras na hora da compra, mas duram muito mais e economizam energia.

9 - Use pilhas e baterias recarregáveis Infelizmente, nem essas duram pra sempre. Mas com certeza duram mais do que pilhas comuns, que levam até 100 anos pra se degradarem na natureza. E você já sabe, né? Muitas vezes elas vão parar em lixões, liberando toda aquela química no solo e na água subterrânea. Além disso, é um gasto ($) e a geração de resíduo com embalagem.

10 - Tenha um kit permanente na bolsa Aqui você vai adaptar conforme a sua necessidade, sabendo o que você mais consome e o que você pode cortar com preparo antecipado. Tem gente que leva garrafinha de água, outros preferem copinho, tem quem leve guardanapos de pano e até canudinho de metal ou bambu na bolsa. E aqui uma dica que é ótima pra quem não dispensa o cafézinho na rua: você pode ter uma colherinha de café na bolsa. E nunca mais vai precisar usar aqueles palitinhos plásticos que duram um total de 3 segundos e depois viram lixo.  

Viu? Tudo moleza. Ter atitudes mais sustentáveis é fácil e quando você vê já faz parte do cotidiano.

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Sorbet vegano de coco

Sorbet vegano de coco

Com as altas temperaturas dessa época do ano nada como um sorbet para se refrescar e se esbaldar, não é? Diferente do sorvete que tem como base o leite de vaca, o sorbet tem em sua base água, o que torna mais leve e refrescante. Seus micro cristais de gelo, que lembram uma raspadinha, derretem na boca e é refresco imediato. Ele não é tão cremoso quanto o sorvete tradicional, mas é uma ótima pedida para quem quer evitar excesso de gordura.

Com apenas 4 ingredientes e um pouco de paciência, você irá conseguir fazer um sorbet caseiro super saboroso, leve e aerado. Perfeito para aqueles que tem intolerância ou alergia a lactose, ou para quem busca algo mais saudável, sem ingredientes químicos e excesso de açúcar, como muitos sorvetes e sorbets industrializados.

Você vai precisar de:

Coco ralado seco - 2 xícaras (200 g)

Água filtrada quente - 4 xícaras (1 litro)

Açúcar demerara - 1/2 xícara (100 g)

Óleo de coco - 2 colheres de sopa (30 ml) (opcional)

Como fazer

1- Em um liquidificador coloque o coco ralado e a água quente. Bata em velocidade máxima por cerca de 5 minutos.

2- Coe o leite com um coador voal ou com um pano de prato limpo.

3- Transfira o leite de coco para uma panela grande e adicione o açúcar demerara, o óleo de coco e 1/4 xícara do bagaço do leite de coco (opcional).

4- Leve ao fogo médio e cozinhe até o açúcar e o óleo de coco dissolver completamente.

5- Transfira para um recipiente e espere esfriar.

6- Se você não tiver máquina de sorvete, leve a mistura ao freezer por cerca de 4 horas ou até endurecer. Retire a cada 30 minutos depois primeira hora no congelador e misture bem com uma colher ou batedor elétrico. Leve de volta ao freezer e repita o processo até a mistura começar a ficar consistente. Apesar de ser uma etapa chata e trabalhosa, ela é importante para deixar o sorbet leve e aerado. – Se você tiver máquina de sorvete, coloque a mistura na máquina e siga as instruções do fabricante até obter uma massa consistente e aerada. Transfira para um recipiente e leve ao freezer até endurecer.

7- Retire o sorbet do congelador 5 minutos antes de servir. Rendimento: 1 litro aproximadamente

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Brownie de chocolate (vegano e sem glúten)

Brownie de chocolate (vegano e sem glúten)

Clássico na confeitaria americana, o brownie conquistou o mundo graças ao seu sabor intenso de chocolate e massa úmida. O problema é que em sua composição leva muita gordura e açúcar refinado, não agradando quem tem uma alimentação equilibrada. Pensando nisso, decidi fazer um brownie bem mais saudável, sem qualquer ingrediente de origem animal, com menos gordura e com açúcar mascavo. O ingrediente inusitado desta receita, que pode causar estranhamento e desconfiança, é o feijão.

Sim, o feijão preto, aquele da feijoada! É ele que vai servir de base para a massa. Não adianta torcer o nariz sem provar primeiro. Se você já comeu feijão preto cozido sem sal e sem tempero vai notar que ele tem um sabor bem sutil. Que pode muito bem ser escondido pelo chocolate 70% cacau, que tem sabor mais forte. Além de o brownie ficar mais saudável, o feijão preto serve para deixar a massa macia e úmida, que nem do brownie tradicional. Uma delícia!

Você vai precisar de:

Feijão preto cozido e escorrido - 1 1/2 xícara (300 g)

Açúcar mascavo peneirado - 1 xícara (120 g)

Farinha de aveia (sem glúten, se necessário) - 1/2 xícara (60 g)

Óleo de coco (ou outro óleo vegetal) - 1/4 xícara (60 ml)

Chocolate 70% cacau picado - 1/3 xícara (50 g)

Cacau em pó - 2 colheres de sopa (8 g)

Extrato de baunilha - 2 colheres de chá (10 ml) - opcional

Bicarbonato de sódio - 1 colher de chá (5 g)

Vinagre de maçã - 1 colher de chá (5 ml)

Como fazer:

1- Coloque o feijão e o óleo de coco derretido no liquidificador e bata bem até obter uma pasta lisa, sem pedacinhos de feijão.

2- Transfira para um recipiente e adicione o açúcar mascavo, a farinha de aveia, o cacau em pó, o extrato de baunilha e o vinagre de maçã. Misture bem até ficar homogêneo.

3- Derreta o chocolate em banho-maria e incorpore à massa até ficar homogênea.

4- Preaqueça o forno a 180 ºC.

5- Unte uma fôrma retangular de bolo inglês (24 cm x 10 cm) com óleo e polvilhe cacau em pó.

6- Adicione o bicarbonato de maçã na massa e misture rapidamente.

7- Transfira para a fôrma e nivele o topo. Leve ao forno preaquecido por cerca de 30 minutos.

8- Retire do forno e espere 15 minutos para desenformar. Caso você tentar com o brownie ainda quente ele irá se despedaçar.

Rendimento: 8 pedaços Brownie de chocolate sem glúten e vegano

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Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 15h as 24h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!