Calce Uma Causa

O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que estamos vivendo, com todas as consequências catastróficas e milhares de mortes tem, segundo especialistas, origem na exploração da natureza e dos animais. E não é a primeira vez que acontece. 

Em 2003 o vírus SARS surgiu numa situação parecida e matou quase 800 pessoas. Os dois são da família “coronavírus”, transmitidos entre animais silvestres. O que aconteceu foi que seres humanos entraram na corrente de contaminação ao consumir carne em mercados de animais silvestres, mantidos e abatidos sob péssimas condições sanitárias.

A ciência avisou. 

Doenças transmitidas de animais para humanos serão cada vez mais comuns se continuarmos a destruir habitats. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong avisaram em 2007 que se nada mudasse outro caso como o de 2003 aconteceria. Segundo eles, o crescimento da demanda por proteína animal era uma “bomba relógio”. O governo local não fez nada a respeito, inclusive liberando o comércio de animais silvestres algum tempo depois do surto, por interesses econômicos.

Em 2013 a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação divulgou um relatório chamando atenção para o aumento do consumo de carne, expansão das terras agrícolas, mudanças dramáticas e outros pontos críticos para o surgimento de doenças. De acordo com a organização, desde 1940, 70% das novas doenças vieram do consumo de animais. 

Mais tarde saiu o relatório Fronteiras 2016 sobre questões emergentes de preocupação ambiental do PNUMA, citando doenças zoonóticas como Ebola, gripe aviária e Zika Vírus como exemplos das consequências de redução e fragmentação de habitats, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

E a China?

O vírus se expandiu a partir de um ponto na China, sim, mas é importante lembrar que a maioria das pessoas não consome animais silvestres, como bem explicado nesse vídeo. Sob hipótese alguma justificaríamos xenofobia e racismo. A população do país é vítima, assim como em qualquer outro lugar do mundo. 

É fácil apontar, criticar e demonizar o que não é familiar. Mas a criação de animais em confinamento existe no mundo todo, inclusive no Brasil, assim como uso de antibióticos que resultam em superbactérias, venda de carne contaminada e tráfico de animais silvestres.

Entre vários exemplos, vale lembrar do H1N1 em 2009, que surgiu entre porcos criados em confinamento no ocidente. E aqui no Brasil, cerca de 18% da carne de frango apresenta algum tipo de contaminação por salmonela, porque existe uma tolerância de até 20%. Por que isso é considerado normal?

Não é hora de apontar dedos, e sim de pensar o que estamos fazendo com o Planeta. Consumir animais, consumir o meio ambiente, consumir excessivamente qualquer coisa a qualquer custo. Enquanto não repensarmos toda a lógica de consumo, de forma sistêmica, nada vai mudar. 

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Como reduzir o impacto ambiental em uma viagem?

Como reduzir o impacto ambiental em uma viagem?

Ei, você aí que está planejando as férias e quer saber como reduzir o impacto ambiental na sua viagem! Vem com a gente que hoje você vai saber tudinho que precisa ;)

Primeiro passo: o meio de transporte

  • Voar é um privilégio (em 2017, 3% da população mundial andou de avião) que deve ser aproveitado com consciência. Viagens de avião produzem monóxido e dióxido de carbono, óxido de nitrogênio, vapor dꞌágua, material particulado e mais uma pá de coisa que contribui com o aquecimento global. Você pode começar escolhendo companhias mais ecológicas - em buscadores tem como optar por voos com baixa emissão de CO², por exemplo.
  • Se você for dirigindo, dê carona! Carros cheios em boas condições emitem muito menos CO² por passageiro que aviões. Prepara a playlist, faz a revisão do carro e se joga na estrada!
  • Se puder optar, vá de busão! Esse é o meio de transporte mais ecológico. Uma viagem longa de ônibus pode emitir de 9g a 65g de CO² por passageiro por quilômetro rodado, em comparação com os 230g a 510g de avião.

Segundo passo: na viagem 

Em 2017, foram geradas 5,7 milhões de toneladas de lixo em voos. Copinhos, talheres, guardanapinhos embalados, cafézinho, entre outras coisas. Se cada passageiro gera em média 1,5kg por voo, vamos reduzir o que conseguimos?

  • Prefira versões digitais de bilhetes de embarque, mapas e recuse os comprovantes. Peça por SMS ou email o que for necessário e se liberrrte dos papeizinhos!
  • Shampoo, condicionador e desodorante sólidos não só são mais práticos, ecológicos e ocupam menos espaço na mala. Eles resolvem o problema do limite de líquidos permitido em voos internacionais.

E a comida? Bom, isso é uma conversa à parte. Em vôos domésticos, viagens de carro e ônibus, leve a sua marmita e seja feliz. Mas de acordo com a pesquisa da Mari Dutra, em viagens longas muitas companhias calculam a comida por passageiro e o que não for consumido, vai fora. Para evitar desperdício, opte pela sua refeição. Não deixe de levar seus talheres e copo, de qualquer forma! Como esses já vem embalados, você pode recusar. Na hora de comprar a passagem é possível especificar a refeição, e a boa notícia é que algumas companhias permitem que você recuse a refeição nesse momento, então fique de olho pra levar a marmita!


Terceiro passo: onde ficar?

  • Se puder optar, fique onde você tem acesso a uma cozinha! Cozinhe as refeições mais básicas e leve lanchinhos pra comer na rua. 
  • Vai ficar em hotel? Dispense shampoos e sabonetes descartáveis. Leve os seus! 
  • Reuse sempre as toalhas. Você não precisa lavar a cada banho, né?
  • Aqui também vale recusar comprovantes, contratos e papéis em geral. Opte pelas versões digitais!

Finalmente: curtindo a viagem

Na hora de curtir as férias no seu destino, não esqueça do seu kit lixo zero! Água na garrafinha (você pode encher em bebedouros ou filtros), copinho (para beber, comer sorvete, açaí ou mesmo pipoca), guardanapos, canudo, talheres e o que mais você julgar necessário na sua rotina. Recuse os comprovantes, use o mapa no celular e leve ecobags para as compras - ah sim, não deixe de consumir de produtores e estabelecimentos locais. ;)

Se você ainda não decidiu pra onde vai, dá um pulo nesse link aqui cheinho de dicas e destinos imperdíveis aqui no blog.

Boas férias! 

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9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

Se você está procurando por fontes pra saber mais sobre assuntos como meio ambiente, feminismo e veganismo, saiba que veio ao lugar certo. De tempos em tempos, renovamos nossa lista de preferidos com lançamentos pra você acompanhar, conhecer, se engajar e quem sabe até indicar para aqueles amigos mais difíceis de convencer.

Acreditamos que conhecimento é a base para entender as lutas que escolhemos e mostrar a importância de cada uma delas. Então prepara que aí vem uma boa dose de conhecimento pra você <3


LIVROS

Ideias para adiar o fim do mundo - Ailton Krenak

O livro de apenas 85 páginas é uma leitura leve, mas consistente. O autor, nascido na região do vale do Rio Doce, traz o olhar dos povos indígenas sobre o momento atual. Fala com propriedade sobre as relações do homem com a natureza, sobre como a modernidade nos fez esquecer que somos todos parte de um sistema e o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres.

Fominismo: quando o machismo se senta à mesa - Nora Bouazzouni 

Nesse livro de ensaios, a autora aborda as relações entre o corpo feminino, a alimentação e o patriarcado. Ao longo das páginas, percebemos como a cozinha - e a mesa - estão intimamente ligadas a questões milenares de gênero. É um daqueles livros que você ~devora e no final fica querendo mais. 

Uma vida sem lixo - Cristal Muniz

Um verdadeiro guia para quem está na empreitada de reduzir a produção de lixo e de quebra deixar a vida mais leve, mais prática (sim!) e ter mais autonomia nas escolhas do dia-a-dia. O livro da Cristal é a evolução do conteúdo já produzido no blog e ajuda a simplificar a vida em casa sem precisar colocar a sua saúde e a do Planeta em risco. 


DOCUMENTÁRIOS 

Estou me guardando para quando o carnaval chegar - Marcelo Gomes

O documentário brasileiro mostra o dia a dia na cidade de Toritama, em Pernambuco, a capital brasileira do jeans. É pra você assistir e repensar profundamente o seu consumo, especialmente de peças no material - todo ano, 20 milhões de jeans são fabricados nessa cidade através de longas jornadas em péssimas condições de trabalho. 

Sob a Pata do Boi - Marcio Isensee e Sá

Outro documentário brasileiro, dessa vez abordando o impacto da pecuária na Amazônia. Você já sabe, porque leu aqui, mas sempre vale conferir mais fontes pra entender ainda melhor e sob novas perspectivas o problema! Um documentário que põe o dedo na ferida e denuncia o que acontece por lá e também na esfera política do Brasil. 


The Next Black - David Dworsky e Victor Kohler

Vamos falar de coisa boa também? Nesse doc conhecemos novas tecnologias voltadas para a sustentabilidade e como algumas mentes criativas estão buscando inovação para o futuro da moda. Pra assistir e ver que tem, sim, como pensar um mundo melhor <3


PODCASTS 

Outras Mamas

É bem possível que você já conheça ou já tenha ouvido falar nesse que é o primeiro podcast vegano & feminista do Brasil. Formado pelas maravilhosas Thais Goldkorn e Barbara Miranda, além de convidados mega especiais, fala sobre questões de gênero, veganismo, sociedade, consumo, meio ambiente e ecofeminismo. 

Ouça no Spotify


Backstage 

O Modefica tem um podcast sobre moda, sabia? A cada edição, uma convidada ou convidado aborda o assunto sob sua ótica junto com a editora Marina Colerato. Pense em debates super ricos sobre indústria, carreira, gênero, raça e o que tiver acontecendo no mundo da moda - mas indo muito além da passarela e da capa de revista, claro! 

Ouça no Spotify ou iTunes.


Copiô, parente 

Produzido pelo ISA, Instituto Socioambiental, ONG que defende povos indígenas, comunidades tradicionais, direitos humanos e meio ambiente. O podcast é apresentado por Letícia Leite e nas suas edições semanais traz os principais destaques do universo político em torno das questões dos povos da floresta. É um canal perfeito para quem quer se informar e entender melhor meio ambiente, patrimônio cultural e direitos humanos, mas principalmente as questões das Terras Indígenas no Brasil. 

Ouça no Soundcloud.

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5 atitudes que podemos aprender (e levar pra vida) com a Semana do Meio Ambiente

5 atitudes que podemos aprender (e levar pra vida) com a Semana do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado todo dia 5 de junho e é o maior evento relacionado ao tema que existe. 💚 Esse ano (2019, pra você que chegou depois), com sede na China, o tema das discussões durante a semana que vai de 3 a 7 é “poluição do ar”.

Qual a importância disso?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 7 milhões de pessoas morrem todo ano vítimas de doenças relacionadas à poluição do ar. No ano passado, alguns estudos ligaram esse problema até a casos de diabetes. A poluição do ar afeta inclusive o crescimento das árvores em grandes cidades como São Paulo.

Em 2018 foi lançado o relatório “Poluição do Ar na Ásia e no Pacífico: Soluções Baseadas em Ciência” que estabelece 25 medidas com uma meta ousada: garantir ar limpo para 1 bilhão de pessoas até 2030. Dá uma olhada nelas (em inglês) aqui.

O que fazer a respeito?

Você deve ter percebido que a maioria das medidas é relacionada a indústrias, governos, e mudanças em larga escala. Mas não é por isso que nós vamos sentar e esperar que eles se mexam, né? Nós já falamos sobre poluição do ar aqui no blog e sobre como todos podemos ajudar a melhorar esse problema com pequenas mudanças. O que a gente pode fazer? (e dá pra começar agora!)

  1. Deixar o carro em casa e dar preferência ao transporte coletivo ou, quando possível, bicicleta, patinete e afins.
  2. O clássico desligar luz, computador e qualquer coisa alimentada pela energia elétrica quando não estiver usando (incluindo o carregador do celular que fica esquecido na tomada).
  3.  Consumir produtos locais é ótimo para reduzir as emissões de poluentes do transporte. Se ligar na hora de escolher geladeiras e refrigeradores de ar: muito da poluição doméstica vem de gases produzidos por esses aparelhos. Use com responsabilidade e confira a eficiência energética antes de comprar. Consumir produtos locais também é ótimo para reduzir as emissões de poluentes do transporte.
  4. Reduza (ou zere, se possível) o consumo de Isopor, e quando for necessário utiliza-lo faça o descarte correto, nós já falamos sobre isso aqui no Blog. O isopor é um dos maiores poluidores dos oceanos e quando descartado do jeito errado, se aventura e sai por aí indo parar em lagos, rios e mares, onde fica boiando e é engolido por animais.
  5. Além de tudo isso, vamos falar daquele assunto velho conhecido: precisamos gerar menos lixo, principalmente o plástico que não pode ser reciclado. E precisa ser uma ação global. Em março desse ano, a União Europeia aprovou uma lei para proibir até 2021 itens como talheres, pratos, canudos outros descartáveis. A queima de resíduos plásticos a céu aberto é uma das principais fontes de poluição do ar, liberando gases tóxicos responsáveis também pelo efeito estufa. Cerca de 40% de todo o lixo do mundo é queimado, segundo estudos.   Incinerar lixo não é a solução, e sim parar de produzir (e usar!) coisas que não podem ser recicladas, pra começar.
No Brasil ainda estamos engatinhando nessa mudança em termos de políticas públicas, inclusive com algumas falhas. Mas cabe a nós fazer o possível para mudar o cenário enquanto medidas maiores não são tomadas. Vamos? Continue lendo

Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Ser mulher, ser mãe e educar filhos não é moleza, a gente sabe. Mas sabemos também que o mundo tá diferente, tá mudando. Temos uma geração de mães que ensinam empatia, feminismo e consciência ambiental pros filhos porque esses são valores que elas vivem. São mulheres que admiramos demais. Na Insecta temos uma mãe na equipe. A Bia, nossa designer, é mãe da Laura, de 2 anos e 6 meses. Laurinha já tinha muito contato com a natureza mesmo antes de andar, e adora. Ela aprende com a mãe a importância de cuidar do meio ambiente, das plantas, não desperdiçar água e cuidar dos animais. Hoje ela já sabe até separar o lixo e leva a própria sacola pro supermercado ou feira. Imagina a cena, gente ♡

Outra mulher que admiramos é a Timeni, mãe da Helena, de 11 meses. A pequena está em outra fase, ainda mama no peito, aprendendo andar, não fala mamãe nem papai (mas o irmão da Timeni garante que já fala titio). Ela tenta ser a sua melhor versão pra ser um exemplo pra filha. Abriu mão das fraldas descartáveis e usa as de pano, uma escolha bem consciente e sustentável que a gente sabe que demanda sair da zona de conforto.

A Letícia é mãe do Nícolas, de 2 anos e 8 meses, que é uma daquelas crianças que chegou de surpresa e pelo visto já tomou conta: ela contou que ele tem energia de sobra. A família dela é de vegetarianos, e o Nícolas é educado pra tratar bem os animais - que ele gosta até demais, adora apertar os bichinhos (grrrr, ganas).

Já o desafio da Mariana é ser mãe de dois. Ben, de 5 anos, “é um menino da terra, da areia, da lama, do mar”, como ela nos contou. Nina, de 3, sabe o que quer e como quer desde bebê. Os filhos da Mari têm a sorte de conviverem com o sítio dos avós. Eles sabem de onde vem a comida e presenciam os momentos de plantar e colher.

Perguntamos pra essas mulheres como funciona na vida real criar filhos com escolhas mais conscientes e sustentáveis. Bia tem uma horta de temperos em casa e procura ensinar Laurinha a valorizar o sabor real dos alimentos. Timeni encontra com facilidade em São Paulo verduras e grãos orgânicos, mas acha perrengue especialmente produtos de higiene, vestimenta e limpeza mais sustentáveis. Letícia acredita no equilíbrio. Ela dá preferência pra alimentação saudável, mas não priva o filho de provar coisas, como por exemplo um bolo de chocolate em algum aniversário. Mariana contou que a chegada do primeiro filho trouxe uma mudança pra ela também, que passou a se alimentar de orgânicos e integrais e optou por um consumo mais consciente. E a Bia ainda tocou num assunto bem importante que pra nós faz todo o sentido: ela procura roupas em brechós infantis e grupo de trocas de mães - que é uma grande sacada justamente naquelas fases em que as roupinhas duram meses e já não servem mais.

E como levar as ideias de feminismo pra criação dos filhos? Pra Bia, essas questões tem que ser reforçadas quase que diariamente, porque as pessoas não sentem como palavras ditas naturalmente podem ser machistas e ofensivas. Timeni sente a mesma coisa e faz o possível pra educar quem está ao redor da Helena e criar um ambiente sem discursos nocivos. Letícia entende que precisa ensinar o filho que não existe divisão de gênero. Ela pratica esses ensinamentos diariamente, seja na decisão de não cortar o cabelo do filho com um “corte de menino”, comprar roupas confortáveis independente de serem da seção feminina ou masculina e chamar colegas mais próximas de "amigas" e não de "namoradinhas". É isso que deixa ela confiante: “sei que a medida que ele for crescendo vai ser mais difícil barrar as influências externas e que pra isso ele vai ter que ter uma base boa e muito consciente em casa.”

No caso da Mariana, que tem um filho e uma filha, o desafio é mostrar que apesar do que ainda é dito por aí, os dois são iguais, com os mesmos direitos. Ela ensina que eles devem cuidar e apoiar um ao outro na busca dos seus sonhos, e ambos têm o mesmo incentivo e as mesmas oportunidades. Feminismo também é sobre se conectar com outras mulheres, ter um momento de trocas, conversas e conselhos. Alguns períodos de adaptação, como o puerperio (quando a mãe e o bebê estão “se conhecendo”), são difíceis e Mariana acredita que teria sido ainda mais se não fosse pelas conversas com outras mães. Também temos a vantagem da internet, onde rolam grupos de discussão, blogs, vlogs, stories, apps, como lembrado pela Timeni.

Quando o assunto é uma educação mais sustentável e feminista, a Bia conta que alguns assuntos ainda devem ser abordados aos poucos, ou com mulheres que compartilham das mesmas ideias para que sejam enriquecedor e prazeroso, sem julgamentos. E num exemplo de sororidade na prática, Letícia contou que as amigas não tem filhos, mas apoiam a maneira que ela cria o Nícolas, dão dicas, compartilham links de reportagens e também aprendem muito com ela.

Esse texto foi pensado pra o Dia das Mães, mas a gente quer mais é ver a mulherada se conectando, trocando, se apoiando e ajudando diariamente pra tornar o mundo mais saudável pra todos. Como a Mari disse, “criar seus filhos para o mundo junto a pessoas que acreditam no mesmo que você é muito mais fácil”. Vamos juntas? ♡

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10 mudanças fáceis pra ter uma vida mais verde

10 mudanças fáceis pra ter uma vida mais verde

Dizem por aí que o ano só começa depois do Carnaval. Pra muita gente, a virada que conta é astrológica, que acontece em março. E mesmo pra quem conta o novo ano a partir de 1º de janeiro, sempre é tempo de fazer resoluções (e revoluções também).

A gente te ajuda a dar os primeiros passos. Confere 10 dicas bem facinhas que você pode ir incorporando ao dia a dia, adaptando à sua realidade sempre que precisar:

1 - Chega de desperdiçar comida Planeje o cardápio da semana. Você vai saber exatamente do que precisa (e do que não precisa). Sabe aquela técnica tradicional de fazer a lista de compras e tentar ir ao mercado\feira o mínimo possível? É isso. Evita compras por impulso e você não fica com a geladeira cheia de comida estragando. Ah, e ainda economiza em $ pra investir em você.

2 - Considere o veganismo Se você não quiser (ou não puder) cortar totalmente os ingredientes de origem animal, tudo bem. Cada um tem o seu tempo e a sua realidade. Mas você pode considerar reduzir esses ingredientes da sua alimentação em 2018. Faça um dia da semana vegano, conheça novas receitas (no blog temos vaaarias), descubra novos sabores. É bom pra sua saúde, pro planeta e claro, pros animais.    

3 - Ame as suas roupas O tema do Fashion Revolution de 2018 foi “Loved Clothes Last”, mas vale pra qualquer ano. Isso quer dizer, na prática, que quando você cuida do que tem, você tem por mais tempo. E assim não precisa renovar guarda-roupas a cada virada de estação. Observe as instruções de lavagem. Faça pequenos reparos, pregue novos botões, ajuste, reajuste. Sempre vale mais a pena manter uma peça do que comprar outra.

4 - Deixe o carro em casa A gente sabe, nem sempre tem como. Ainda mais pra quem tem dias puxados com várias paradas. Mas promete que vai tentar? Ande de carona com amigos, use a bicicleta ou vá a pé pra compromissos perto de casa. Aliás, priorize os compromissos perto de casa - vá no mercadinho do seu bairro e não no mercadão lá longe, por exemplo.

5 - Se informe Esse é o melhor jeito de saber qual a melhor atitude tomar. Sair da zona de conforto é um movimento que tem que vir lá de dentro, e quando você tem informação fica tudo mais fácil. Descubra quem fez suas roupas. Saiba de onde vem os alimentos que você consome. Se informe sobre as marcas que você consome e decida quem você vai apoiar. Se informe também sobre pontos de coleta de resíduos recicláveis, sobre como funcionam as coisas na sua cidade. Curiosidade abre um tanto de portas. ;)

6 - Se liberte da sacola plástica plmdds Vamos falar disso mais uma vez? Vamos sim, até todo mundo abandonar essa praga da vida moderna. Já mostramos aqui no blog que as sacolinhas são um problema e que reduzir ao máximo é a melhor saída. O segredo é ter uma ecobag sempre por perto. Não quer andar carregando muita coisa? A ecobag do besouro é pequena e se for bem dobrada, cabe até no bolso #ficadica.  

 

7 - Evite alimentos embalados Parece difícil, mas não é. Ainda mais se você já tem o hábito de fazer feira e comprar a granel. Alimentos prontos e embalados vendidos nos supermercados têm uma lista de pequenos problemas, e evitando consumir esse tipo de produto a gente corta o mal pela raiz: normalmente os vegetais são cultivados de forma industrial, com muito uso de agrotóxicos. As embalagens são de plástico, isopor ou plástico filme, que não é reciclável. Empresas que comercializam esse tipo de produto costumam descartar frutas e vegetais com aspecto “imperfeito”, ou seja, é comida totalmente comestível indo fora.  

8 - Economize energia Pelo valor da conta da luz (taí um ótimo incentivo), mas também pelo meio ambiente. Pequenas práticas podem ajudar no cotidiano e juntas viram uma baita economia: desligue computador, tv e outros eletrônicos durante a noite e quando sair de casa. Até na função standby eles consomem energia, sabia? Troque suas lâmpadas por LED. Elas podem parecer mais caras na hora da compra, mas duram muito mais e economizam energia.

9 - Use pilhas e baterias recarregáveis Infelizmente, nem essas duram pra sempre. Mas com certeza duram mais do que pilhas comuns, que levam até 100 anos pra se degradarem na natureza. E você já sabe, né? Muitas vezes elas vão parar em lixões, liberando toda aquela química no solo e na água subterrânea. Além disso, é um gasto ($) e a geração de resíduo com embalagem.

10 - Tenha um kit permanente na bolsa Aqui você vai adaptar conforme a sua necessidade, sabendo o que você mais consome e o que você pode cortar com preparo antecipado. Tem gente que leva garrafinha de água, outros preferem copinho, tem quem leve guardanapos de pano e até canudinho de metal ou bambu na bolsa. E aqui uma dica que é ótima pra quem não dispensa o cafézinho na rua: você pode ter uma colherinha de café na bolsa. E nunca mais vai precisar usar aqueles palitinhos plásticos que duram um total de 3 segundos e depois viram lixo.  

Viu? Tudo moleza. Ter atitudes mais sustentáveis é fácil e quando você vê já faz parte do cotidiano.

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Brasil Eco Fashion Week: uma moda mais sustentável é possível

Brasil Eco Fashion Week: uma moda mais sustentável é possível

Bom mesmo é ver o que a gente acredita ganhando cada vez mais força, né? Por isso queremos te contar, com muita alegria, que a Insecta estará no primeiro grande evento dedicado à moda brasileira com foco na sustentabilidade - a Brasil Eco Fashion Week, ou BEFW. Vai rolar no Unibes Cultural, no Sumaré, zona oeste de São Paulo entre 22 e 24 de novembro (com uma abertura só pra convidados no dia 21), então já vai separando um espaço na agenda pra dar um pulo. É imperdível e aberto a todos que quiserem visitar. ♡

Feito nos moldes da Eco Fashion Week, que rola desde 2010 no Canadá, a nossa semana de moda também é pensada para apresentar soluções e mostrar pra todo mundo que um consumo mais consciente é possível. Aliás, o BEFW vai muito além de um evento de moda, porque não fica limitado a lançamentos de coleções e modismos. A proposta é dar força a novas ideias, conectar quem faz com quem quer consumir essa moda mais sustentável e ainda apresentar essa possibilidade pra quem não conhece.

A gente vai participar do showroom, que é um espaço inovador no evento. Além das vendas para varejo e atacado, será aberto para a visitação do público. Além de nós, mais de 30 marcas estarão por lá esperando pra mostrar a sua produção sustentável pra quem quiser conhecer. Quem visitar a BEFW pode participar de várias atividades, oficinas, palestras, workshops e rodas de conversa. E pra pausa entre uma atividade e outra, terá praça de alimentação com slow food pra recarregar as energias com saúde. O evento é gratuito, mas é necessária uma inscrição prévia. 

Brasil Eco Fashion Week

Onde: Unibes Cultural - Rua Oscar Freire, 2500

Quando: Dias 22 a 24 de novembro das 10h às 21h

Mais informações e programação completa no site oficial. 

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Sustentabilidade: Entendendo A Teoria E A Prática

Sustentabilidade: Entendendo A Teoria E A Prática
Nós falamos tanto sobre sustentabilidade atualmente, mas a dúvida que fica é: será que nós sabemos o que essa palavrinha significa? Quando você pensa em sustentabilidade, o que te vem à mente? Papel reciclado? Mudas de árvores? As lixeiras coloridas da coleta seletiva? Primeiro, vamos falar de teoria. Em relação à definição teórica, há variáveis de significado quando o assunto é ‘sustentabilidade’, porém a mais conhecida de todas talvez seja a estabelecida em 1987 durante a Comissão Mundial Sobre Meio Ambiente E Desenvolvimento sobre ‘desenvolvimento sustentável’: "O desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras em satisfazerem as suas próprias necessidades." Mas, mesmo que a definição de ‘desenvolvimento sustentável’ tenha sido amplamente usada como sendo igual à definição de ‘sustentabilidade’, uma coisa não é igual à outra. Sendo assim, uma definição ampla sobre sustentabilidade é: “A habilidade de continuar a ter um determinado comportamento por um período indeterminado de tempo”. Entretanto, para alguns, tanto a sustentabilidade como o desenvolvimento sustentável dependem do tripé divididos em ‘economia’, ‘sociedade’ e ‘meio ambiente’. Ou seja, para garantir tanto as necessidades do futuro quanto uma determinada prática por tempo indeterminado é preciso balancear serviços, crescimento industrial, crescimento agropecuário e uso eficiente da força de trabalho (economia) com equidade, empoderamento, mobilidade social, participação e preservação cultural (social) com biodiversidade, recursos naturais, integridade dos ecossistemas e águas e ar limpos (meio ambiente).  

Uma Nova Perspectiva: Os Limites Planetários (Planetary Boundaries)

Ao olhar para o tripé do desenvolvimento sustentável e para os pilares da sustentabilidade, é fácil perceber que eles são colocados no mesmo nível de importância. Porém, sem um meio ambiente capaz de suportar o desenvolvimento humano não há sociedade, nem economia. Através desse ângulo de visão, entendemos que o meio ambiente é a base da sustentabilidade, enquanto o desenvolvimento econômico e social acontecem em cima dessa base. Com isso em mente, por mais que alguns ainda defendam a ideia dos pilares e do tripé da sustentabilidade, ela é tida como ultrapassada por muitos especialistas no tema. Hoje, a real sustentabilidade é vista por muitos pelos olhos dos limites planetários, ou seja, fronteiras que não podem ser cruzadas em se tratando de meio ambiente, pois colocam o desenvolvimento humano em risco "O que há de novo sobre o conceito é que, ao invés de compreender o ambiente, a economia e a sociedade como três pilares do desenvolvimento sustentável, ele deixa claro que o desenvolvimento sustentável só pode ter lugar dentro do espaço operacional seguro identificados pelas realidades biofísicas de limiares naturais críticos.” – ONU   Entendendo A Sustentabilidade Na Prática Na prática, sustentabilidade tem que prezar pelo bem estar ambiental em primeiro lugar, mas não pode excluir as questões sociais nem econômicas. Soluções realmente sustentáveis não devem perder de vistas as barreiras planetárias que não podem ser cruzadas e, ao mesmo tempo, devem promover bem estar para toda a sociedade. Um exemplo prático de uma ‘sustentabilidade míope’ é quando pensamos em soluções limitadas, e isoladas, para os problemas da moda - como só usar roupas de segunda mão e não comprar mais roupas novas. No quesito ambiental, usar o que já existe é a saída mais sustentável, mas, por outro lado, virar de costas para questões da mão de obra e como reposicionar os 40 milhões de trabalhadores diretos envolvidos na produção de moda é excludente e pouco eficiente, logo, é uma solução insustentável. É importante entender que não há saída única para problemas múltiplos. Soluções realmente sustentáveis, e que gerem impacto, precisam ser bem pensadas e elaboradas de frente para todos os problemas do mundo hoje – das mudanças climáticas à desigualdade social. Por conta de sua complexidade, a sustentabilidade falha tremendamente na prática. Não só por isso, há diversos especialistas que garantem que a luta maior da sustentabilidade deve ser em criar um novo sistema econômico onde pessoas e meio ambiente sejam respeitados. Naomi Klein, David Harvey, Fred Magdoff e John Bellamy Foster, Anneleen Kenis, entre outros, falam, há anos, que dentro do sistema capitalista é impossível garantir sustentabilidade. Na moda, Tansy Hoskins, por exemplo, defende que uma indústria que nasceu a partir de desigualdades e que é responsável por fortalecer o capitalismo é incapaz de ser transformada sem olharmos para o sistema econômico vigente. Talvez eles estejam certos, afinal, 4 das 9 barreiras dos limites planetários já foram cruzadas, a desigualdade social só se aprofunda e cada vez mais a o capital e, consequentemente o poder (de decisão), ficam na mão de poucos. “Entretanto, nós devemos reconhecer que mesmo se tudo que precisa ser feito dentro do capitalismo for feito, isso não resolverá o problema fundamental – um sistema econômico que causa danos sociais e ambientais na própria forma como ele funciona” – What Every Environmentalist Needs To Know About Capitalism. aaaa
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Como a nova geração da ecologia pode nos inspirar? – Parte 2

Como a nova geração da ecologia pode nos inspirar? – Parte 2
Como já comentamos no primeiro post, novos comportamentos estão emergindo, principalmente entre os jovens, que são os protagonistas de uma mudança iminente em relação ao entendimento do que é sustentável e ético. Nesse segundo post damos continuidade ao tema:   Recusar, reduzir, reusar, reciclar e compostar Fazer sua comida ou seus cosméticos em casa faz repensar as embalagens e os descartes. E é isso que o movimento Zero Waste pretende: encarar o consumo e o lixo de frente, questionar para onde vai todo o excesso e qual é a contribuição das pessoas com esse problema. Os adeptos desse movimento param de agir de forma automática e enxergam a necessidade de reduzir ou zerar sua produção de lixo. A nova-iorquina Lauren Singer é um exemplo desse comportamento ativo, que reduz totalmente a produção de lixo. O incômodo começou quando ela notou que um colega, repetidamente, levava lanches para a faculdade em uma sacola plástica de uso único,uma garrafa de água descartável e um pote de plástico. Lauren, enquanto estudante de um curso de ecologia, pensou que não bastava dizer que amava o meio ambiente, ela tinha que viver como se ela amasse o meio ambiente. A partir dessa percepção, começou o Trash is for Tossers, um blog onde ela documenta sua rotina sem produzir lixo.   Como colocar em prática? Como primeiro passo, você pode pensar sobre o seu lixo. Parece estranho, mas é exatamente por não levarmos esse assunto a sério, que temos um problema tão grande. Analise seu lixo, descubra quanto você produz e do que ele é composto (mais lixo orgânico, mais lixo reciclável?), descubra se seu condomínio tem coleta seletiva ou onde tem um posto de reciclagem próximo a sua casa e faça um plano de redução de resíduos. Parar diminuir sua produção de lixo, você não precisa substituir nada que tem em casa. A tentação de comprar coisas novas, como canudos de metal pode ser grande, mas vendo o que já tem nos armários e usando a criatividade é possível encontrar soluções sem gastar dinheiro e recursos da natureza. A Cristal Muniz, do projeto Um Ano sem Lixo, já fez um post para o nosso blog com cinco dicas básicas para seguir em direção à produção zero de lixo. Clique aqui para ler e botar em prática já!   Comer seus vegetais As recomendações alimentares menos polêmicas, incluindo as do jornalista Michael Pollan, incentivam o consumo de comida de verdade, principalmente vegetais. A atual oferta alimentar é muito pobre por ser ultra processada e cheia de açúcares e gorduras. Por excluir quase que totalmente alimentos frescos, deixa-se de consumir frutas e verduras no dia a dia. Essa onda dá força ao veganismo, que não é apenas uma dieta alimentar e inclui também preocupação com as roupas e cosméticos, por exemplo. Veganos são contra qualquer tipo de exploração animal e não consomem leite, ovos, mel, couro, gelatina ou outros derivados. Sendo impossível separar preocupação ambiental da alimentação, a escolha de viver de acordo com suas crenças passa pela compaixão animal. Recusar a dieta onívora ou resgatar animais abandonados tem tudo a ver com esse comportamento.   Como colocar em prática? Você pode começar comendo mais vegetais, depois experimentar passar as segundas-feiras sem carne até trilhar o caminho do vegetarianismo. Receitas podem ser úteis e a gente te indica várias aqui no blog. É provável que você queira ler alguns livros para ter certeza de que é esse o caminho que você quer seguir. Algumas opções que discutem ética e maus tratos são Comendo Animais, do Jonathan Safran Foer; Libertação Animal, do Peter Singer. Para não descuidar da nutrição, veja os conselhos do Dr. Eric Slywitch nos livros Alimentação sem Carne e Virei Vegetariano, E Agora?. O documentário Cowspiracy, do qual já falamos por aqui, também pode ajudar nessa expedição. De nada adianta reclamar da falta de opções veganas sem deixar isso claro para os donos de estabelecimentos comerciais. Você pode escrever uma carta e mandar para os seus restaurantes e lojas favoritos. 994545_395790273859040_1801934394_n imagem: Fazenda Santa Adelaide   Comprar local e orgânico Preferir comprar de perto além de diminuir a pegada ambiental do produto também colabora para o crescimento da economia brasileira, pra tirar o dinheiro da mão de meia dúzia de bancos de investimento e distribuir entre pessoas que tem nome de verdade. Quanto menos elos na cadeia de produção, mais fácil de descobrir se todo mundo está recebendo direito, se a forma como as coisas são feitas é ética. Quando um produto atravessa três continentes só no processo produtivo, fica quase impossível controlar tudo que acontece em cada deslocamento. Comprar orgânicos diretamente do produtor é uma atitude que assegura e incentiva a plantação de alimentos melhores, sem o uso de agrotóxicos. Esse comportamento cria a possibilidade de conversar e conhecer os responsáveis pelo cultivo dos alimentos, que muito provavelmente são mais saudáveis por trabalharem sem veneno, sem pesticidas. Existem comunidades, chamadas CSA (Community Supported Agriculture, ou Comunidade em Suporte à Agricultura) que se comprometem a comprar a produção de uma pequena fazenda, pagando mensalmente e retirando cestas semanais de produtos. Os participantes dividem os benefícios e também os riscos para garantir que o trabalho continue. Em caso de chuvas intensas, por exemplo, em que se perde parte da produção, é justo que os trabalhadores ainda sejam remunerados. Também são feitas assembleias para discutir assuntos de interesse comum, como as variedades plantadas a cada estação.   Como colocar em prática? O Idec tem um mapa de feiras orgânicas em todo o Brasil, esse conteúdo preciso pode ser acessado aqui. São 500 feiras no país todo, quem sabe você não acha uma pertinho da sua casa? Outra opção é participar de uma comunidade CSA, você pode conferir a lista com alguns produtores brasileiros aqui. Comprar pão daquele seu vizinho que deixa a rua mais cheirosa, ou geleia do seu colega de trabalho. Por enquanto não tem jeito tecnológico de encontrar essas pessoas, mas é garantido que se você perguntar entre os amigos ou os vizinhos vai conseguir boas dicas. Quem mora no Rio de Janeiro tem a sorte de ter a Junta Local por perto. Eles reúnem produtos artesanais feitos em pequena escala em eventos no site, onde é possível montar sua cesta com itens locais. Continue lendo

Como a nova geração da ecologia pode nos inspirar? - Parte 1

Como a nova geração da ecologia pode nos inspirar? - Parte 1
maxresdefaultImagem: divulgação Assumir a responsabilidade e fazer sua parte para tornar o mundo um lugar mais sustentável ainda é, infelizmente, uma atitude que está distante da maior parte da população. Na maioria dos casos, uma mudança de modo de agir só acontece em situações de urgência e necessidade (como uma crise no abastecimento de água), ou por iniciativa do governo, por meio de leis que obrigam o cidadão a adotar alternativas mais ecológicas (como leis que proíbem a distribuição de sacolinhas plásticas em supermercados, ou que proíbem a circulação de carros em dias específicos de acordo com o final da placa). Uma das causas para esta inércia por parte da população é o fato de que os impactos da produção em massa, do uso de energia não renovável e do desmatamento estão muito distantes do dia a dia das pessoas, especialmente aquelas que vivem nas cidades. Também a solução parece muito distante, e é normalmente delegada ao governo, que deve fazer valer a legislação existente e encontrar maneiras de resolver novos problemas. Mas essas soluções não devem ousar tocar nos privilégios da população! Ou seja, o cidadão quer que o problema seja resolvido, mas não quer ser parte da solução! E os governantes, com medo de perder popularidade, acabam recuando de decisões importantes. À falta de iniciativa da sociedade soma-se a ganância das grandes corporações, que tentam demonstrar um falso equilíbrio entre preocupação ambiental e obtenção de lucros. Falso porque, nesta balança, o lucro sempre pesa mais. Com isso, exploram cada vez mais os recursos naturais e humanos, até o limite (e frequentemente além) do que permite a legislação - que muitas vezes é pouco restritiva justamente para atender aos interesses das empresas. Dentro desse cenário, novos comportamentos emergem. Principalmente entre os jovens, que são os protagonistas de uma mudança iminente em relação ao entendimento do que é sustentável e ético. Eles questionam como o estilo de vida deles pode impactar negativamente no meio ambiente e na sociedade e resolvem por vontade própria mudar.   Comprar menos, desperdiçar menos, ter menos Todos os comportamentos emergentes que reforçam a preocupação com o futuro do meio ambiente têm em comum a consciência de que é preciso diminuir o ritmo. Ou seja, para começar a reparar o estrago já feito temos que reavaliar nossos desejos e necessidades de consumo. Apesar do estímulo constante da publicidade e dos veículos de massa, as pessoas que escolhem um estilo de vida minimalista conseguem filtrar tantos incentivos para consumir e passam a adotar soluções práticas que permitem que elas vivam com menos desejos e mais propósito. Elas questionam o tempo todo o que realmente agrega valor às suas vidas; o que não tem essa característica, simplesmente não deve fazer parte dela. E por deixar o caminho livre para o que realmente importa, sobra espaço para relacionamentos, cuidados com a saúde e contribuições com a sociedade. O que pode parecer simplesmente livrar-se de posses materiais é na verdade muito mais que isso. A vida com menos coisas abre portas para um comportamento onde a troca e o compartilhamento conseguem suprir as necessidades por objetos e até serviços.   Como colocar em prática? O Tem Açúcar? facilita e incentiva o empréstimo de objetos entre vizinhos. Alguns eletrodomésticos ou ferramentas, por exemplo, são usados poucas vezes por ano. Por meio dessa rede poderosa, quem já tem pode compartilhar com os outros. O recém-criado grupo Share Sugar promete promover a troca de serviços ou produtos. É possível propor o escambo entre um espaço em seu escritório e o trabalho de um designer, por exemplo. Conceito parecido com o do Bliive, que propõe a troca de tempo e possui um site bem estruturado que permite que você compartilhe seus conhecimentos e acumule fichas de tempo para explorar atividades do seu interesse. (Para quem lê em inglês) O site The Minimalists convida para uma jornada de 21 dias em busca do minimalismo, com desafios e propostas realistas para transformar isso em um hábito, sem que isso traga excesso de pressão ou infelicidade. Screen-Shot-2015-10-12-at-9.44.01-AM-1024x678Imagem: death to stock photo   Fazer em casa, fazer com as mãos Fazer é ter a habilidade de construir, transformar e criar algo a partir do nada. Se agir é mais valioso que falar, colocar a mão na massa é enfrentar de frente seus próprios valores e ter autonomia completa de escolha de ingredientes e materiais. O "fazer" entrega a possibilidade de testar o valor intangível das coisas, de entender o que é realmente difícil, trabalhoso ou demorado. Principalmente nas cidades grandes, o consumidor está muito distante (física e intelectualmente) do lugar onde os alimentos são plantados, as roupas são produzidas, etc. O resultado é que as pessoas se acostumam a isso e passam a questionar menos, a ter menos curiosidade. Por outro lado, nasce uma corrente de pessoas querendo fazer, resgatando técnicas esquecidas lá no tempo das avós como bordado, costura manual ou massa caseira. Não à toa as feiras de trabalhos manuais e de design independente crescem tanto, e alguns jovens trocam o trabalho formal no escritório pelo que era hobbie e virou paixão.   Como colocar em prática? Não precisa nascer sabendo, dá pra aprender muita coisa com tutoriais em vídeo na internet. Duvida? Aqui vai uma lista de coisas para aprender pelo Youtube: (Em inglês) Como fazer seu próprio desodorante, pra não depender dos industrializados, no canal Trash is for Tossers. Como fazer molho de tomate caseiro, com a chef Paola Carosella que defende a comida de verdade, no canal Do campo à mesa. Como plantar alecrim em casa, e ter uma casa perfumada, no canal Sabor de Fazenda. Como fazer conserva de berinjela, pra presentear ou pra ter para servir, no canal Banquete. Quem preferir aprender com aulas no modo offline pode sempre contar com a programação cuidadosa do SESC da sua região. Quem já souber costurar pode frequentar as oficinas do Ateliê Vivo, que disponibiliza modelagens de estilistas a quem quiser ter uma nova experiência com a moda, que não envolva consumo. Continue lendo
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