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o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

Feminismo é, antes de mais nada, necessário. É um movimento social, filosófico e político, cujo objetivo principal é alcançar direitos iguais entre os sexos. Não tem nada a ver com ódio aos homens ou pregar que um é melhor do que o outro. É simples assim: o feminismo visa combater o machismo, o sexismo e a misoginia. 

Hoje em dia, felizmente, o feminismo está em pauta e muitos preconceitos e estereótipos estão caindo. Muita gente já entendeu que as feministas não são “mal amadas”, são somente mulheres que desejam lutar por seus direitos sociais e políticos.

Como você já deve saber, aqui na Insecta nos consideramos uma empresa feminista. Não só porque fomos fundadas por mulheres e a maior parte das pessoas que trabalham aqui são mulheres, mas também porque entendemos a urgência e a necessidade de olhar o mundo dessa maneira.


Por que o Feminismo é importante?


Sem dúvidas estamos melhor do que há algumas décadas, mas os direitos entre homens e mulheres ainda não são iguais, e falta muito para chegar lá. Se a gente for começar falando no ambiente de trabalho, por exemplo, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual, o mundo precisará de 257 anos para superar a desigualdade de gênero no trabalho.


No Brasil, as mulheres ganham em média 20,5% menos que os homens em todas as ocupações. A situação piora se forem mulheres negras: elas recebem menos da metade do salário de um homem branco (44,4%). As lideranças também carecem de representatividade. Apenas 2,8% dos cargos mais altos em empresas são preenchidos por mulheres.

E se não bastasse tudo isso, ainda há o trabalho doméstico, que não é computado como trabalho, mas a gente sabe muito bem que é! 88% das brasileiras acumulam a dupla jornada, que une as tarefas domésticas e o trabalho pago, aquele do expediente de todo dia. Entre os homens, o número cai praticamente pela metade. 

Podemos também falar de um assunto bem mais grave e complicado: a violência contra a mulher. Somos o quinto país no ranking mundial de feminicídio. 7 a cada 10 mulheres são violentadas durante a vida, 35% dos feminicídios são causados pelo parceiro íntimo e o número de vítimas entre mulheres grávidas só aumenta. Em 2019, 66,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram mulheres negras 

Na internet também há violência. Ameaças, xingamentos e perseguição, além de tudo aquilo que as pessoas não teriam coragem de dizer ao vivo, são ditas online. Em 70,5% dos casos de exposição de conteúdo íntimo sem consentimento na internet, as vítimas são mulheres.

E as mulheres também foram mais afetadas pela pandemia do Covid-19. Elas representam 70% das pessoas que trabalham na linha de frente. 40,5% tiveram sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse causados pela pandemia. Há ainda estudos que sugerem aumento de pelo menos 10% na violência doméstica contra as mulheres durante a pandemia. 

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

Feminismo, história e conquistas

Os primeiros registros do movimento feminista, com esse nome mesmo, são do fim do século 19, acompanhando a Revolução Industrial. Porém, se a gente olhar com atenção, muito antes disso já existiam mulheres incríveis que lutaram por direitos e liberdade. 

A revista AZmina fez uma análise muito bacana de mulheres brasileiras que não nos contam na escola, mas que tiveram papéis importantíssimos em várias lutas e momentos históricos: 

  • Dandara dos Palmares teria liderado no século 17 as falanges femininas do exército do quilombo do Palmares, participando de lutas de defesa do quilombo na região da Serra da Barriga, em Alagoa. Em 2018 ela passou a compor o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria. 
  • Clara Camarão lutou contra as invasões holandesas na região da capitania de Pernambuco. Também faz parte do Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria, entrando em 2017. 
  • Luísa Mahin liderou uma das principais revoltas negras de resistência à escravidão em Salvador no início do século 19, a Revolta dos Malês. 

Esses são apenas alguns nomes (e talvez você os reconheça do nosso primeiro planner feminista, pois falamos delas lá! ), mas servem para a gente entender que o feminismo é algo que sempre permeou a vida das mulheres, levando a se organizarem e lutarem pelo que acham certo.

A chamada primeira onda do feminismo surgiu no século 19 na Europa. O direito ao voto foi a grande bandeira das sufragistas, além dos direitos à educação, ao trabalho e ao divórcio. No Brasil, a primeira onda também foi marcada pela luta pelo voto, direito conquistado apenas em 1932. 

A escritora e educadora Nísia Floresta é um dos grandes nomes da época, por ter, entre outras coisas, criado uma escola para meninas com aulas de matemática, ciências sociais e línguas. 

Nas décadas de 1960 e 1970 surgiu a segunda onda, influenciada pelo livro "O Segundo Sexo", de Simone de Beauvoir, lançado em 1949. Nessa onda a grande discussão foi em torno do direito ao corpo e ao prazer. 

O Brasil vivia a ditadura militar, e foi quando aconteceram as primeiras manifestações feministas do país, protestando contra o governo. Em 1977 o divórcio passou a ser permitido por lei para as brasileiras, e é chocante pensar que faz tão pouco tempo. A atriz Leila Diniz é um símbolo da época, indo à praia grávida e usando biquíni, quando não era bem visto mostrar a barriga. 

Nessa época surgiu o Movimento Negro Unificado (MNU), que teve entre suas fundadoras a filósofa, antropóloga e militante dos movimentos negro e feminista Lélia Gonzalez. 

Em seguida, nos anos 1980, Angela Davis e Patricia Hill Collins foram os grandes nomes, quando o feminismo negro ganhou força e visibilidade. O feminismo no Brasil entrou em sua terceira fase junto com o fim da ditadura, e junto com tudo isso surgiram várias políticas públicas: foram criados o Conselho Nacional da Condição da Mulher (CNDM), em 1984, e a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher, em 1985.  

Hoje se fala sobre uma quarta onda, que ainda não é unanimidade, mas seria caracterizada pela ampliação do feminismo graças à internet e as redes sociais. Não há dúvidas que o acesso à informação ajudou muitas mulheres a se organizarem, se entenderem como feministas e a impulsionar o movimento em países latino-americanos. No Brasil, a alteração do Código Penal em 2015, classificando o feminicídio como homicídio qualificado e em 2018 a criminalização da importunação sexual. 

Ao longo da história surgiram vertentes e maneiras diferentes de pensar o feminismo. São várias, e muitas vezes você pode se ver em mais de uma. Cada mulher tem uma vivência diferente partindo do seu recorte de classe social, raça, orientação sexual, origem e alinhamento político. Aqui na Insecta, gostamos de ver o feminismo sob a ótica interseccional. 


Feminismo interseccional

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

O feminismo interseccional não é considerado uma vertente, e sim uma maneira de entender que existem outras opressões além do gênero. Esse olhar leva em consideração raça, classe social, origem, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, entre outros fatores. 

A interseccionalidade acontece quando partimos do princípio que não existe uma mulher universal, mas vários grupos de mulheres diferentes com questões e vivências específicas. É ir além do machismo e do sexismo, lutando para acabar com todos os sistemas de opressão que afetam as mulheres, cada uma à sua maneira.

Um dos grandes desafios do feminismo interseccional é sair da sua bolha. Como feministas, precisamos aprender sobre as questões que não nos afetam pessoalmente e compreender a sua importância. É também um exercício de aceitar o nosso privilégio e usá-lo para ajudar quem está em situações mais vulneráveis. 

Entender que a luta de outras mulheres é válida mesmo sendo diferente da sua realidade é uma questão de empatia, ou, como se fala dentro do feminismo, sororidade. 


Sororidade 

A palavra sororidade vem do latim: soror significa “irmã”. Até pouco tempo atrás, era um neologismo na língua portuguesa, mas em 2017 passou a integrar o dicionário Houaiss. No mesmo ano, a pergunta “o que é sororidade?” foi a quinta mais feita por brasileiros na categoria “o que é?” do Google.

A definição de sororidade é: “sentimento de irmandade, empatia, solidariedade e união entre as mulheres, por compartilharem uma identidade de gênero; conduta ou atitude que reflete este sentimento, especialmente em oposição a todas as formas de exclusão, opressão e violência contra as mulheres”. 

Só lendo a definição já dá pra ver que tem muito dos ideais do feminismo aí, né? A sororidade nada mais é do que um laço entre as mulheres, unidas para lutar contra as opressões e discriminações de gênero. 

A sororidade vem como uma resposta ao mito de que as mulheres são naturalmente rivais. Isso não passa de uma construção da sociedade baseada no machismo estrutural, onde meninas aprendem desde cedo que homens têm amizades sinceras baseadas na fraternidade, mas mulheres estão sempre competindo. 

Graças à sororidade surgem as redes de apoio, poderosos meios de fazer com que as mulheres não se sintam sós, se organizem e apoiem umas às outras, fazendo que todas as vozes sejam ouvidas por igual. 

É sobre entender que coletivamente temos mais força para movimentar as estruturas sociais e promover as mudanças que buscamos. Acima de tudo, é entender que somos aliadas, e não inimigas, sem nunca deixar de observar todos os recortes, dando voz e força a todas as lutas femininas. 


Ecofeminismo 

Estudos e estatísticas confirmam: as pessoas mais afetadas pela crise climática são as mulheres. Segundo a ONU, as mulheres representam 80% das pessoas obrigadas a deixar suas casas em função das mudanças climáticas e seus desdobramentos. 

Em grande parte dos casos, isso acontece porque as mulheres ficam para trás para proteger os filhos, ou porque não têm meios para sair de casa, da cidade ou do país por conta própria. Muitas mulheres não têm condições (ou permissão) para usar transporte privado sozinhas, não têm carro, não sabem dirigir ou não podem pagar por combustível.  

As Nações Unidas afirmam que as mulheres enfrentam “maiores riscos e maiores encargos” com os impactos das mudanças climáticas. A maioria das pessoas pobres do mundo são mulheres, e as pessoas pobres são as mais propensas a sofrer com a catástrofe climática. 

E mesmo assim, segundo a ONU, a maioria dos países com maior sucesso no combate à pandemia da Covid-19 é chefiada por mulheres - mesmo que as mulheres sejam chefes de Estado e de Governo em apenas 20 países no mundo todo. 

Por que estamos falando tudo isso? Para introduzir um assunto que gostamos demais, o Ecofeminismo. Essa é uma vertente do movimento feminista que conecta a luta pela equidade de gênero com a defesa do meio ambiente. 

A  ideia  de  superioridade  do  ser  humano foi uma das bases para a formação de sociedades ocidentais capitalistas e patriarcais que exploram economicamente a natureza e oprimem as pessoas que estão fora desse ideal. Entender esse cenário antropocêntrico, colonialista, racista e sexista, levando em consideração as relações entre um ambiente em desequilíbrio  com  as  desigualdades  sociais,  é  um  dos  pontos  de  partida  do  ecofeminismo.

O termo teria surgido durante a década de 1970, cunhado pela feminista francesa  Françoise d’Eaubonne. Ela usou a expressão “ecological feminisme” ao falar sobre as conexões entre as mulheres e seu potencial para uma “revolução ecológica” - lembrando que durante essa década o debate sobre meio ambiente estava a todo vapor, quando finalmente os debates começaram a ser mais levados a sério. 

Um exemplo de literatura ecofeminista que é bem provável que você conheça é o livro A política sexual da carne: Uma teoria feminista-vegetariana, da autora Carol J. Adams. Esse livro é o resultado da pesquisa que ela fez relacionando historicamente (indo lá para as cavernas, inclusive!) ideias como machismo, sexismo e fazendo conexões entre o consumo de carne, a exploração dos animais e a exploração das mulheres. 

Nem todas as autoras ecofeministas incluem os animais em seus discursos. Por isso, assim como o próprio feminismo, o ecofeminismo possui várias vertentes e olhares, mas sempre partindo do mesmo ponto: a dominação das mulheres e da natureza.

A  história  mostra  que  muitas  lutas  contra  a  exploração  do  meio  ambiente  tiveram  mulheres  na  linha  de  frente,  mesmo  quando  não   foram  reconhecidas   como   principais   lideranças. Mulheres  indianas  lideraram  o  Movimento  Chipko,  enfrentando  madeireiros  e  impedindo  a  derrubada  de  árvores  nas  florestas do  país.  

As  campesinas  bolivianas  tiveram  forte  participação  na  resistência contra a privatização das águas, conhecida como “Guerra da Água”, no começo dos anos 2000. O Movimento Cinturão Verde, que plantou milhões de árvores em regiões pobres e devastadas do Quênia, teve como principal nome Wangari Maathai, vencedora do Nobel da Paz, e a participação de muitas mulheres. 

Também foram elas que lideraram as mobilizações recentes contra a construção da barragem de Belo Monte, no Pará. Esses   são   apenas   alguns  exemplos   de   como   as   mulheres,   em   especial  aquelas  que  vivem  em  regiões  periféricas  ou  rurais,  de povos  tradicionais  e  originários, movimentam  suas  comunidades  em busca de justiça socioambiental ao longo do tempo.

O Ecofeminismo já é algo “natural” para aquelas que vivem junto à natureza e conseguem enxergar com mais clareza a dependência que nós, seres humanos, temos dela. O desafio para muitas pessoas é entender o quanto estamos relacionados, nós e o meio ambiente, e partir daí para um olhar mais ativista.


Feminismos, Ecofeminismos e novos olhares para o seu dia a dia 


Para nós, pensar o feminismo e todas as suas complexidades é um exercício diário, levando em consideração todas essas coisas que acabamos de te contar. Por isso, há alguns anos, resovemos criar um planner feminista, feito para ajudar mais mulheres a levar esses pensamentos (e aprendizados!) pra suas próprias vidas. 

Dia  após  dia,  ano  após  ano,  fica cada vez mais gritante a importância de cuidar, lutar, se unir, buscar o melhor para si e para o mundo. Defender causas grandiosas e importantes começa pelo autocuidado,  construído  e  exercitado  todos os dias.  As  lutas  sociais,  feministas,  antirracistas  e  ambientais  precisam  de  pessoas  empoderadas  e  conscientes, capazes de gerar transformações individuais e coletivas. E, quando fazemos isso em conjunto, somos ainda mais fortes.

Há alguns anos, nosso planner se propõe a ser uma  ferramenta  de  autocuidado,  autoconhecimento, reflexão  e inspiração. Trazemos ideias para melhorar o dia a dia, ajudando cada mulher a se conectar com a natureza e com a sua essência. 

planner feminista 2022

Na edição de 2022 (que é não datada) trouxemos também informações e histórias de mulheres  e  movimentos  que  lutam  por  um  planeta  melhor  para  todos  os  seres  que  vivem  nele.  Porque  acreditamos  que  a  preocupação  com  o  ambiente  precisa  estar  em  tudo,  assim  como  a  luta  contra todos os tipos de desigualdades.

Em 2022, a proposta do nosso planner é trazer, além de todo o conteúdo que você já conhece e sabe que é o nosso diferencial, um enfoque ecofeminista, e te convidar a fazer parte desse universo junto com a gente. 

Além do conteúdo, lá dentro você vai encontrar um planner semanal, que pode ser usado na forma de planner personalizado - do jeito que quiser, anotando o que quiser e definindo metas, exercícios e compromissos do jeito que preferir. 

planner feminista 2022

Nosso planner 2022 ainda tem dicas para estimular hábitos sustentáveis, informações sobre impacto das coisas cotidianas (como por exemplo consumo de carne, ovos e laticínios - aquele empurrãozinho para você considerar o veganismo!), muita informação sobre feminismo, mulheres inspiradoras e claro, com um visual maravilhoso pra inspirar só de olhar, do jeito que a gente gosta. 

 

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Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Ser mulher, ser mãe e educar filhos não é moleza, a gente sabe. Mas sabemos também que o mundo tá diferente, tá mudando. Temos uma geração de mães que ensinam empatia, feminismo e consciência ambiental pros filhos porque esses são valores que elas vivem. São mulheres que admiramos demais. Na Insecta temos uma mãe na equipe. A Bia, nossa designer, é mãe da Laura, de 2 anos e 6 meses. Laurinha já tinha muito contato com a natureza mesmo antes de andar, e adora. Ela aprende com a mãe a importância de cuidar do meio ambiente, das plantas, não desperdiçar água e cuidar dos animais. Hoje ela já sabe até separar o lixo e leva a própria sacola pro supermercado ou feira. Imagina a cena, gente ♡

Outra mulher que admiramos é a Timeni, mãe da Helena, de 11 meses. A pequena está em outra fase, ainda mama no peito, aprendendo andar, não fala mamãe nem papai (mas o irmão da Timeni garante que já fala titio). Ela tenta ser a sua melhor versão pra ser um exemplo pra filha. Abriu mão das fraldas descartáveis e usa as de pano, uma escolha bem consciente e sustentável que a gente sabe que demanda sair da zona de conforto.

A Letícia é mãe do Nícolas, de 2 anos e 8 meses, que é uma daquelas crianças que chegou de surpresa e pelo visto já tomou conta: ela contou que ele tem energia de sobra. A família dela é de vegetarianos, e o Nícolas é educado pra tratar bem os animais - que ele gosta até demais, adora apertar os bichinhos (grrrr, ganas).

Já o desafio da Mariana é ser mãe de dois. Ben, de 5 anos, “é um menino da terra, da areia, da lama, do mar”, como ela nos contou. Nina, de 3, sabe o que quer e como quer desde bebê. Os filhos da Mari têm a sorte de conviverem com o sítio dos avós. Eles sabem de onde vem a comida e presenciam os momentos de plantar e colher.

Perguntamos pra essas mulheres como funciona na vida real criar filhos com escolhas mais conscientes e sustentáveis. Bia tem uma horta de temperos em casa e procura ensinar Laurinha a valorizar o sabor real dos alimentos. Timeni encontra com facilidade em São Paulo verduras e grãos orgânicos, mas acha perrengue especialmente produtos de higiene, vestimenta e limpeza mais sustentáveis. Letícia acredita no equilíbrio. Ela dá preferência pra alimentação saudável, mas não priva o filho de provar coisas, como por exemplo um bolo de chocolate em algum aniversário. Mariana contou que a chegada do primeiro filho trouxe uma mudança pra ela também, que passou a se alimentar de orgânicos e integrais e optou por um consumo mais consciente. E a Bia ainda tocou num assunto bem importante que pra nós faz todo o sentido: ela procura roupas em brechós infantis e grupo de trocas de mães - que é uma grande sacada justamente naquelas fases em que as roupinhas duram meses e já não servem mais.

E como levar as ideias de feminismo pra criação dos filhos? Pra Bia, essas questões tem que ser reforçadas quase que diariamente, porque as pessoas não sentem como palavras ditas naturalmente podem ser machistas e ofensivas. Timeni sente a mesma coisa e faz o possível pra educar quem está ao redor da Helena e criar um ambiente sem discursos nocivos. Letícia entende que precisa ensinar o filho que não existe divisão de gênero. Ela pratica esses ensinamentos diariamente, seja na decisão de não cortar o cabelo do filho com um “corte de menino”, comprar roupas confortáveis independente de serem da seção feminina ou masculina e chamar colegas mais próximas de "amigas" e não de "namoradinhas". É isso que deixa ela confiante: “sei que a medida que ele for crescendo vai ser mais difícil barrar as influências externas e que pra isso ele vai ter que ter uma base boa e muito consciente em casa.”

No caso da Mariana, que tem um filho e uma filha, o desafio é mostrar que apesar do que ainda é dito por aí, os dois são iguais, com os mesmos direitos. Ela ensina que eles devem cuidar e apoiar um ao outro na busca dos seus sonhos, e ambos têm o mesmo incentivo e as mesmas oportunidades. Feminismo também é sobre se conectar com outras mulheres, ter um momento de trocas, conversas e conselhos. Alguns períodos de adaptação, como o puerperio (quando a mãe e o bebê estão “se conhecendo”), são difíceis e Mariana acredita que teria sido ainda mais se não fosse pelas conversas com outras mães. Também temos a vantagem da internet, onde rolam grupos de discussão, blogs, vlogs, stories, apps, como lembrado pela Timeni.

Quando o assunto é uma educação mais sustentável e feminista, a Bia conta que alguns assuntos ainda devem ser abordados aos poucos, ou com mulheres que compartilham das mesmas ideias para que sejam enriquecedor e prazeroso, sem julgamentos. E num exemplo de sororidade na prática, Letícia contou que as amigas não tem filhos, mas apoiam a maneira que ela cria o Nícolas, dão dicas, compartilham links de reportagens e também aprendem muito com ela.

Esse texto foi pensado pra o Dia das Mães, mas a gente quer mais é ver a mulherada se conectando, trocando, se apoiando e ajudando diariamente pra tornar o mundo mais saudável pra todos. Como a Mari disse, “criar seus filhos para o mundo junto a pessoas que acreditam no mesmo que você é muito mais fácil”. Vamos juntas? ♡

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#PergunteAUmaMulher

#PergunteAUmaMulher

Sem clichê, por favor. Estamos em 2018. Vamos falar sobre o que é ser mulher hoje? E antes de mais nada, vamos lembrar que pra entender o que pensa e o que sente uma mulher só tem um jeito: perguntando e deixando ela falar. Quando o assunto é ser mulher hoje no mercado de trabalho, foram muitos avanços sim, mas ainda é claro que tem grandes barreiras pra quebrar: as mulheres representam 43,8% dos trabalhadores brasileiros e recebem, em média, 76% do salário dos colegas homens.

As mulheres ocupam só 37% dos cargos de direção e gerência no Brasil, e nesses cargos, recebem salários que correspondem a 68% dos homens na mesma função. No mundo, 34% das empresas não possuem mulheres em cargos de liderança. Na América Latina 48% das empresas não têm mulheres em cargos de liderança sênior.

E só as mulheres sabem como é fazer parte dessa realidade. A Insecta é uma empresa criada, dirigida e composta na esmagadora maioria por mulheres. Cada uma com suas referências, vivências e área de atuação. Perguntamos umas pras outras e dividimos ao longo dessa semana nas redes sociais. Aqui está o conteúdo completinho pra você saber tudo que a gente pensa (e nos conhecer melhor).

Barbara Mattivy

Idade: 32

O que faz: Fundadora da Insecta, responsável pelas áreas de branding, marketing e administrativo/financeiro. Vou desde os stories até os boletos kkk

Por que fomentar o empreendedorismo feminino? Sem conseguir fugir do clichê, acho que o futuro é feminino e o mundo precisa de mais liderança feminina. Além de dados que dizem que empresas dirigidas por mulheres têm uma sobrevivência mais longa e pensam melhor a questão da sustentabilidade, a mulher no papel de líder consegue trazer uma gestão mais empática, humana e responsável. Fica nas mãos dela reduzir a desigualdade de gênero, contratar e empoderar mais mulheres, trazer mais diversidade para a equipe e dirigir uma empresa do bem, sem que o lucro venha a qualquer custo.  

Aline Dalbem

Idade: 24

O que faz: Como assistente administrativo, atuo nas funções financeiras e administrativas da Insecta, entre as atividades diárias estão pagamento de fornecedores, conciliações bancárias, controle dos caixas das lojas, gerenciamento de benefícios para o time e muitas outras.

Como é ser mulher em uma função majoritariamente exercida por homens? Desde o início da faculdade de Engenharia sempre me deparei com desafios por ser mulher e ter meu trabalho reconhecido com igualdade. Foi na Insecta em que eu me encontrei como mulher e futura engenheira atuando em algo que faz a diferença.    

Beatriz Griep

Idade: 33

O que faz: Sou responsável pelos desenvolvimentos, pesquisas constantes para atualizações e novos modelos da marca,  busca na melhoria de processos, componentes, matéria prima entre outros. Definição de cartela de cores, estamparia, contato com fornecedor  e equilíbrio da coleção também fazem parte do meu escopo de trabalho

Qual é o principal desafio de ser mãe e estar no mercado de trabalho? Com certeza é conseguir conciliar vida pessoal e trabalho, não é qualquer empresa que entende isso (na verdade quase nenhuma). Normalmente tu tens que estar a disposição da empresas 24h por dia (tem muitos profissionais que se sujeitam a isso) para ser considerada uma boa profissional, o que ao meu ver não é uma verdade. O equilíbrio para mim é o maior motivador que existe, dá tempo sim para trabalhar e ter filho, desde que se trabalhe focada e que você seja respeitada enquanto estiver em casa.  

Giuliana Almada

Idade: 27

O que faz: Sou analista de produto, cuido de toda a parte de contato com fornecedores e acompanhamento de produção. Faço a compra dos materiais e planejo os nossos pedidos de coleção. Analiso a demanda dos nossos clientes, o que dá certo e o que não dá, e planejo qual será a nossa oferta de opções, volume e numeração. Além disso, faço a ponte com lojas que revendem nossos sapatos lá fora e cuido de todo o procedimento de exportação.

Quais são os desafios de negociar com fornecedores homens? O maior desafio é me fazer respeitar, não apenas por ser mulher, mas também pelo combo gênero/idade/experiência. Por sorte temos fornecedores muito parceiros, com quem já criei uma relação bacana, e daí é muito mais fácil ser natural. Mas em algumas ocasiões fica claro que não está havendo uma "confiança" que eu sei o que estou falando. Nessas situações, preciso agir de forma bem assertiva e direta, me munir de informações para rebater questionamentos (que sempre ocorrem), justamente para afirmar minha competência e impor respeito.  

Lucy Horn

Idade: 28

O que faz: Sou assistente de ecommerce :) Faço contato com nossos sistemas entrega (transportadora/bike) e NF, cadastro o produto, confirmo o seu pedido e faço o besouro chegar lindinho na sua casa <3

O que é indispensável no relacionamento à distância com a consumidora? É indispensável quando se está a distância ter uma comunicação clara e objetiva. Fazer a consumidora se sentir tranquila na hora da compra online. Nós mulheres sempre temos mais segurança em compras online, pois sabemos exatamente o que e como queremos. Então, mantendo essa comunicação redondinha, não tem erro. :)    

   

Jéssica Albuquerque

Idade: 31

O que faz: Designer, faço a direção criativa (pensando os conceitos das fotos, dos vídeos, campanhas em geral) e direção de arte (criando os materiais visuais da marca).

Qual é a importância de representar diferentes tipos de mulheres em campanhas? Retratar a nossa pluralidade, na busca de gerar visibilidade e identificação.   

 

Luísa Saldanha

Idade: 32

O que faz: Sou redatora da Insecta. Cuido de praticamente tudo que aparece escrito em nome da marca. Também ajudo a equipe de marketing a pensar campanhas e planejar estratégias. Alguns dos textões lá do blog são meus também: tenho a sorte de poder pesquisar bastante sobre assuntos que me interessam como veganismo, meio ambiente e consumo consciente.

Como ser mulher influencia na criação dos seus textos? Ainda tem muita coisa por aí sendo escrita pra mulheres, mas não por mulheres. Quando escrevo, acredito que alcanço de forma mais empática mulheres que me leem. Ser uma mulher que escreve também é procurar mulheres como fonte e referência e, consequentemente, poder ser uma referência para as outras. <3 

 

Luiza Lambert

Idade: 22

O que faz: Sou assistente de marketing. Respondo os clientes da Insecta em todos os pontos de contato, como e-mail, Facebook e Instagram. Faço planejamento de conteúdo para as redes sociais e auxilio na produção das fotos mensais da Insecta.

Qual é a importância de ouvir outras mulheres? Ouvir uma mulher é ter empatia. É ter a consciência que, mesmo que a gente se identifique com a outra em diversos aspectos, nós somos super diferentes uma da outra. É mais do que compreender e respeitar, é sentir com ela.     

Raisa Machado

Idade: 27

O que faz: Sou assessora de imprensa com um pé na criação de campanhas, vídeos e projetos. Escrevo releases sobre a marca, atendo veículos de comunicação, agendo entrevistas, estreito o relacionamento entre a marca e influenciadoras inseridas no nosso universo e chamo mulheres incríveis pra tomar cerveja com a gente em dia de evento. Sou olheira de Instagram, estou sempre online no Whats App e atenta em referências visuais e comportamentais.

Por que se conectar com outras mulheres? Me conectar com outras mulheres é criar uma rede de união e sororidade, é juntar forças, dar suporte e também ser apoiada. É entrar em contato com diferentes universos e redescobrir o meu, compreender que todas carregamos diferentes histórias e que esse é o tempero que nos torna tão especiais. Me conectar com outras mulheres é um eterno aprendizado. É ter um super orgulho pelo quanto somos incríveis, ter respeito e admiração pela trajetória individual de cada mulher que conheço e ainda vou conhecer e ter a certeza de que juntas ninguém nos segura.  

Lívia Belfort

Idade: 32

O que faz: Atendo nossos clientes no casulo paulista e cuido das rotinas de funcionamento da loja.

Por que é importante criar uma relação de confiança entre mulheres? Crescemos sendo estimuladas a competir entre nós, e basta uma quebrar essa lógica para inspirar todas ao seu redor. Quando criamos esse tipo de confiança, de exaltar outra mulher sem pensar que somos menos por isso, nós incentivamos outras mulheres e assim por diante! A gente se transforma e procura evoluir todos os dias porque criamos elos de troca muito especiais, fora a força que dá sentir que temos aliadas na vida, né? Ficamos mais corajosas pra agir, sentir, ser.

Klarissa Santos Alves

Idade: 27

O que faz: Sou vendedora do casulo de Porto Alegre. Fazer conferências, cuidar do caixa e atender o público são os principais quesitos, além da organização que preso no ambiente de trabalho. Recebo produtos, faço envio de pedidos, remessas e transferências em caixas grandes (os famosos corrugados), separo pares para os ensaios de fotos e além das parcerias que a empresa tem e disponibiliza os calçados em um curto período de tempo.

Qual o papel da mulher negra como porta-voz de uma marca? Eu como mulher negra acho gratificante poder mostrar que a Insecta Shoes é para todas nós, que há opções para todos os gostos e inspirações. Contar a proposta e a história por de trás da marca acaba tendo retorno até pra pessoas que nunca ouviram falar, e isso nos aproxima, como exemplo as mulheres da minha família: "Nos sentimos representadas quando vemos duas modelos no vídeo e outra nas fotos de ensaio, dá vontade de usar mesmo."  

Yara Rufina

Idade: 17

O que faz: Atendo os clientes no casulo paulista e ajudo a cuidar do nosso estoque.

Qual é a importância de ter mulheres negras inseridas em uma marca? A representatividade negra (principalmente da mulher) em marcas de moda e beleza possui o poder de injetar uma intensa carga de autoestima em um público que está acostumado ao protagonismo das características caucasianas em todos os meios. Estamos em 2018 e percebe-se que quebrar com os estereótipos da mulher negra na sociedade tem sido um processo demorado e é para isso que a representatividade também serve. E tem vindo em um momento bastante especial, visto que a maior parte da juventude preta possui hoje bagagem suficiente para compreender as razões pelas quais não éramos representados antes e força suficiente para lutar contra isso.  

Laura Madalosso

Idade: 32

O que faz: Sou uma das sócias da empresa e, como tal, resumidamente, me envolvo com todas as frentes de trabalho. Ainda assim, minha principal área de atuação é o produto, na gestão holística da área: do planejamento das coleções e acompanhamento do desempenho de cada linha, ao estilo e desenvolvimento de cada produto, à pesquisa de fornecedores e novas matérias primas, o garimpo, o acompanhamento da qualidade e durabilidade dos modelos, até a produção e o fechamento do ciclo. E estando na matriz, em Porto Alegre, também respondo pela importantíssima gestão do departamento canino do besouro, que tem lady Biga e Badok, o terrível, como crew <3

Por que contratar mulheres? Aqui na Insecta temos um ambiente de trabalho 100% seguro para mulheres serem exatamente quem elas querem ser. Contratamos mulheres porque elas são profissionais maravilhosas, com skills naturalmente alinhadas com a nossa visão de presente e futuro. Estamos cansadas de vê-las não explorando seu total potencial ou tampouco sendo remuneradas de acordo quando o fazem.  

Marília Glauche

Idade: 22

O que faz: Estagiária de Design de Produto. Cuido da parte dos pedidos para o atelier, catalogação das peças vintages e retalhos de produção. Participo também do desenvolvimento dos produtos e estampas.

O que você aprende trabalhando com mulheres? Aprendo a ser persistente e buscar meu espaço. Ser mulher no mercado de trabalho exige ter muita resiliência e força. Por isso, ter mulheres como exemplo profissional e em cargos de liderança, satisfaz e inspira por saber todas as dificuldades e lutas para se estar nessa posição.    

* Agora vamos levar essa conversa adiante? Estamos usando a hashtag #pergunteaumamulher pra levar o assunto pra todos os canais e você pode acompanhar e participar também. Tem alguma pergunta pra fazer pra gente? Quer saber mais sobre a Insecta, sobre o que (e como) fazemos por aqui? Vamos te responder. Pode ser aqui, por email (no hello@insectashoes.com) ou nos dando um alô nas nossas redes sociais.  

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Dados
https://glo.bo/2m8lmM9 Business Report (IBR) – Women in Business, Grant Thornton
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Quem é Insecta neste dia da mulher?

Quem é Insecta neste dia da mulher?

Aqui no blog vocês acompanham, mensalmente, textos sobre diversos temas afins ao feminismo. No Dia Internacional da Mulher do ano passado eu expliquei por quê essa data existe, e por quê ela não tem nada a ver com o clichezão sobre feminilidade que a mídia difundiu. Falei também sobre mercado de trabalho, empoderamento e sororidade. E, justamente, foi a partir desses três pilares que a Insecta nasceu.  

Empoderamento

Achamos importante que, neste dia tão simbólico para a história das mulheres, vocês saibam que o cerne da marca é colocar em prática tudo isso que vocês leem em nosso blog. A Insecta é praticamente uma criança, né? Nasceu em 2014, é novinha, mas já tem muita história pra contar e muita energia criativa pra fazer acontecer. Acontece que nada disso é fácil e nem acontece de uma hora para outra. Tudo isso é construído, e essa história tem tudo a ver com o dia da mulher. O cuidado com quem faz a Insecta acontecer vai desde a fabricação até a venda. E isso não é uma propaganda, é uma fotografia da nossa realidade. Afinal, quando falamos de empoderamento, falamos, também, de um ambiente saudável para que mulheres possam exercer sua profissão e terem seus direitos respeitados. Ser inclusivo vai além da seleção de um casting diverso. Significa enxergar valor nas diferenças e nas experiências que cada pessoa traz consigo.  

Mercado de Trabalho

Trabalhar esse tal de “empoderamento” na prática nos coloca em cheque em muitos momentos. Criar uma marca que busca um propósito junto com seus consumidores esbarra em diversos poréns, especialmente quando são mulheres dando a cara a tapa em um mercado de trabalho machista e que sempre questiona nossa capacidade. A gente vive em um sistema econômico que trabalha crises cíclicas, ou seja, momentos de altos e baixos, pleno emprego alternado com recordes de desemprego. E as mulheres são especialmente afetadas. Isso quer dizer que temos que ignorar homens desempregados e agir como se apenas mulheres representassem a força laboral do país? Não! – infelizmente muitas pessoas usam esse argumento falho quando querem diminuir a importância dos debates de gênero.

O que esse fato nos traz é que se nós quisermos diminuir a vulnerabilidade econômica da população precisamos olhar, sobretudo, aos que mais sofrem com essa situação. E quando falamos de mulheres no mercado de trabalho, temos que relembrar à exaustão os seguintes fatores: preconceito contra mulheres com filhos, múltiplas jornadas de trabalho, dependência financeira, violência doméstica (que muitas vezes derivam do item anterior, pois acabam não tendo condições de sair de uma relação abusiva). Por isso o trabalho da Insecta é focado em uma forma de organização que se preocupa com as pessoas envolvidas na cadeia de produção dos produtos.

Sororidade

Eu acho bem triste ter percebido uma descrença na sororidade nos últimos tempos. Percebo em meu círculo de convivência que existem muitas mulheres decepcionadas com o feminismo por conta de desentendimentos e desavenças. Acredito que talvez a gente tenha se perdido nesse conceito de sororidade em algum momento. Somos seres humanos, com qualidades, defeitos, limitações, sonhos, ego. Temos formações, experiências e expectativas diversas. As diferenças vão existir. Os conflitos surgirão. Neste dia da mulher nós queremos frisar a importância da sororidade não como um cenário edílico onde todas as mulheres concordarão umas com as outras sempre, mas como uma maneira de construir relacionamentos e cumplicidade para que nossos sonhos possam sair do papel. Trabalhar de forma a apoiar outras mulheres. Ajudar no desenvolvimento profissional de outras trabalhadoras. Apoiar os estudos das meninas. Nós por nós. Vamos nessa?

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As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

Eu estava vendo este vídeo do Catraca Livre e fiquei preocupada. Me parece que o tema “assédio” ainda não é levado com a seriedade com que deveria. Os caras que aparecem na matéria, que procura saber se as pessoas estão ligadas nas diferenças entre paquera e assédio são os mesmos caras que convivem comigo e com você no trabalho, nos barzinhos, nas faculdades. São homens adultos, que viveram sob as mesmas regras sociais que as mulheres, que já devem ter sido bombardeados em seus perfis de redes sociais por campanhas e vídeos sobre assédio. Alguma noção eles deveriam ter.

Mas ao que tudo indica, ainda há um caminho longo a ser percorrido. Para o mês de fevereiro, naturalmente meu primeiro insight foi escrever um texto que explicasse o que é assédio e ajudasse as pessoas a identificarem essas situações. Entretanto, muitos veículos e personalidades já estão fazendo isso, como no vídeo em que a Jout Jout LITEREALMENTE desenha quando a gente pode entender que determinadas situações simplesmente não estão ok. “Ah, mas e se ela estiver fazendo charminho...?” NÃO. “Mas será que ela disse não querendo dizer sim?” NÃO. “Olha, mas tem aquelas que usam roupas REALMENTE curtas, aí fica difícil, né” NÃO.

Não só tem um significado: não. Visto que tem tanta gente falando sobre isso, por que ainda encontramos homens que tentam um certo malabarismo retórico para justificar assédio? Eu não acho a resposta fácil. Dizer que vivemos em uma cultura que naturaliza o assédio é chover no molhado, porque isso já sabemos. O que eu quero trazer hoje é uma reflexão que perdure pelo ano todo, e não apenas na época da folia. O carnaval é a festa mais popular do nosso país, ele une gente de todos os cantos, e é justamente por isso que ele acaba espelhando em uma semana o que acontece todos os outros dias do ano. Acaba sendo um bom espelho onde vemos nossa sociedade ser desenhada na base da violência.

O que me deixa mais feliz é ver que, mesmo com a insistência de homens que buscam todas as formas para deslegitimar as negativas das mulheres, é também no Carnaval que nós entendemos conceitos importantes como sororidade e empoderamento. Mulheres estão atentas e unidas contra o assédio, e esse felizmente é um caminho sem volta. Mas, o alerta dado aqui, precisa seguir ao longo do ano inteiro. Respeita as mina durante o carnaval e durante o ano todo.  

- *Na foto em destaque as minas do bloco Pagu, que tem a bateria formada só por mulheres e é um dos tantos blocos feministas que tem surgido nos últimos carnavais. Esse movimento de transformar a festa em um ambiente seguro para mulheres curtirem sem medo só cresce, ainda bem!

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X vinnu_lennartc

Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!