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Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Ser mulher, ser mãe e educar filhos não é moleza, a gente sabe. Mas sabemos também que o mundo tá diferente, tá mudando. Temos uma geração de mães que ensinam empatia, feminismo e consciência ambiental pros filhos porque esses são valores que elas vivem. São mulheres que admiramos demais. Na Insecta temos uma mãe na equipe. A Bia, nossa designer, é mãe da Laura, de 2 anos e 6 meses. Laurinha já tinha muito contato com a natureza mesmo antes de andar, e adora. Ela aprende com a mãe a importância de cuidar do meio ambiente, das plantas, não desperdiçar água e cuidar dos animais. Hoje ela já sabe até separar o lixo e leva a própria sacola pro supermercado ou feira. Imagina a cena, gente ♡

Outra mulher que admiramos é a Timeni, mãe da Helena, de 11 meses. A pequena está em outra fase, ainda mama no peito, aprendendo andar, não fala mamãe nem papai (mas o irmão da Timeni garante que já fala titio). Ela tenta ser a sua melhor versão pra ser um exemplo pra filha. Abriu mão das fraldas descartáveis e usa as de pano, uma escolha bem consciente e sustentável que a gente sabe que demanda sair da zona de conforto.

A Letícia é mãe do Nícolas, de 2 anos e 8 meses, que é uma daquelas crianças que chegou de surpresa e pelo visto já tomou conta: ela contou que ele tem energia de sobra. A família dela é de vegetarianos, e o Nícolas é educado pra tratar bem os animais - que ele gosta até demais, adora apertar os bichinhos (grrrr, ganas).

Já o desafio da Mariana é ser mãe de dois. Ben, de 5 anos, “é um menino da terra, da areia, da lama, do mar”, como ela nos contou. Nina, de 3, sabe o que quer e como quer desde bebê. Os filhos da Mari têm a sorte de conviverem com o sítio dos avós. Eles sabem de onde vem a comida e presenciam os momentos de plantar e colher.

Perguntamos pra essas mulheres como funciona na vida real criar filhos com escolhas mais conscientes e sustentáveis. Bia tem uma horta de temperos em casa e procura ensinar Laurinha a valorizar o sabor real dos alimentos. Timeni encontra com facilidade em São Paulo verduras e grãos orgânicos, mas acha perrengue especialmente produtos de higiene, vestimenta e limpeza mais sustentáveis. Letícia acredita no equilíbrio. Ela dá preferência pra alimentação saudável, mas não priva o filho de provar coisas, como por exemplo um bolo de chocolate em algum aniversário. Mariana contou que a chegada do primeiro filho trouxe uma mudança pra ela também, que passou a se alimentar de orgânicos e integrais e optou por um consumo mais consciente. E a Bia ainda tocou num assunto bem importante que pra nós faz todo o sentido: ela procura roupas em brechós infantis e grupo de trocas de mães - que é uma grande sacada justamente naquelas fases em que as roupinhas duram meses e já não servem mais.

E como levar as ideias de feminismo pra criação dos filhos? Pra Bia, essas questões tem que ser reforçadas quase que diariamente, porque as pessoas não sentem como palavras ditas naturalmente podem ser machistas e ofensivas. Timeni sente a mesma coisa e faz o possível pra educar quem está ao redor da Helena e criar um ambiente sem discursos nocivos. Letícia entende que precisa ensinar o filho que não existe divisão de gênero. Ela pratica esses ensinamentos diariamente, seja na decisão de não cortar o cabelo do filho com um “corte de menino”, comprar roupas confortáveis independente de serem da seção feminina ou masculina e chamar colegas mais próximas de "amigas" e não de "namoradinhas". É isso que deixa ela confiante: “sei que a medida que ele for crescendo vai ser mais difícil barrar as influências externas e que pra isso ele vai ter que ter uma base boa e muito consciente em casa.”

No caso da Mariana, que tem um filho e uma filha, o desafio é mostrar que apesar do que ainda é dito por aí, os dois são iguais, com os mesmos direitos. Ela ensina que eles devem cuidar e apoiar um ao outro na busca dos seus sonhos, e ambos têm o mesmo incentivo e as mesmas oportunidades. Feminismo também é sobre se conectar com outras mulheres, ter um momento de trocas, conversas e conselhos. Alguns períodos de adaptação, como o puerperio (quando a mãe e o bebê estão “se conhecendo”), são difíceis e Mariana acredita que teria sido ainda mais se não fosse pelas conversas com outras mães. Também temos a vantagem da internet, onde rolam grupos de discussão, blogs, vlogs, stories, apps, como lembrado pela Timeni.

Quando o assunto é uma educação mais sustentável e feminista, a Bia conta que alguns assuntos ainda devem ser abordados aos poucos, ou com mulheres que compartilham das mesmas ideias para que sejam enriquecedor e prazeroso, sem julgamentos. E num exemplo de sororidade na prática, Letícia contou que as amigas não tem filhos, mas apoiam a maneira que ela cria o Nícolas, dão dicas, compartilham links de reportagens e também aprendem muito com ela.

Esse texto foi pensado pra o Dia das Mães, mas a gente quer mais é ver a mulherada se conectando, trocando, se apoiando e ajudando diariamente pra tornar o mundo mais saudável pra todos. Como a Mari disse, “criar seus filhos para o mundo junto a pessoas que acreditam no mesmo que você é muito mais fácil”. Vamos juntas? ♡

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#PergunteAUmaMulher

#PergunteAUmaMulher

Sem clichê, por favor. Estamos em 2018. Vamos falar sobre o que é ser mulher hoje? E antes de mais nada, vamos lembrar que pra entender o que pensa e o que sente uma mulher só tem um jeito: perguntando e deixando ela falar. Quando o assunto é ser mulher hoje no mercado de trabalho, foram muitos avanços sim, mas ainda é claro que tem grandes barreiras pra quebrar: as mulheres representam 43,8% dos trabalhadores brasileiros e recebem, em média, 76% do salário dos colegas homens.

As mulheres ocupam só 37% dos cargos de direção e gerência no Brasil, e nesses cargos, recebem salários que correspondem a 68% dos homens na mesma função. No mundo, 34% das empresas não possuem mulheres em cargos de liderança. Na América Latina 48% das empresas não têm mulheres em cargos de liderança sênior.

E só as mulheres sabem como é fazer parte dessa realidade. A Insecta é uma empresa criada, dirigida e composta na esmagadora maioria por mulheres. Cada uma com suas referências, vivências e área de atuação. Perguntamos umas pras outras e dividimos ao longo dessa semana nas redes sociais. Aqui está o conteúdo completinho pra você saber tudo que a gente pensa (e nos conhecer melhor).

Barbara Mattivy

Idade: 32

O que faz: Fundadora da Insecta, responsável pelas áreas de branding, marketing e administrativo/financeiro. Vou desde os stories até os boletos kkk

Por que fomentar o empreendedorismo feminino? Sem conseguir fugir do clichê, acho que o futuro é feminino e o mundo precisa de mais liderança feminina. Além de dados que dizem que empresas dirigidas por mulheres têm uma sobrevivência mais longa e pensam melhor a questão da sustentabilidade, a mulher no papel de líder consegue trazer uma gestão mais empática, humana e responsável. Fica nas mãos dela reduzir a desigualdade de gênero, contratar e empoderar mais mulheres, trazer mais diversidade para a equipe e dirigir uma empresa do bem, sem que o lucro venha a qualquer custo.  

Aline Dalbem

Idade: 24

O que faz: Como assistente administrativo, atuo nas funções financeiras e administrativas da Insecta, entre as atividades diárias estão pagamento de fornecedores, conciliações bancárias, controle dos caixas das lojas, gerenciamento de benefícios para o time e muitas outras.

Como é ser mulher em uma função majoritariamente exercida por homens? Desde o início da faculdade de Engenharia sempre me deparei com desafios por ser mulher e ter meu trabalho reconhecido com igualdade. Foi na Insecta em que eu me encontrei como mulher e futura engenheira atuando em algo que faz a diferença.    

Beatriz Griep

Idade: 33

O que faz: Sou responsável pelos desenvolvimentos, pesquisas constantes para atualizações e novos modelos da marca,  busca na melhoria de processos, componentes, matéria prima entre outros. Definição de cartela de cores, estamparia, contato com fornecedor  e equilíbrio da coleção também fazem parte do meu escopo de trabalho

Qual é o principal desafio de ser mãe e estar no mercado de trabalho? Com certeza é conseguir conciliar vida pessoal e trabalho, não é qualquer empresa que entende isso (na verdade quase nenhuma). Normalmente tu tens que estar a disposição da empresas 24h por dia (tem muitos profissionais que se sujeitam a isso) para ser considerada uma boa profissional, o que ao meu ver não é uma verdade. O equilíbrio para mim é o maior motivador que existe, dá tempo sim para trabalhar e ter filho, desde que se trabalhe focada e que você seja respeitada enquanto estiver em casa.  

Giuliana Almada

Idade: 27

O que faz: Sou analista de produto, cuido de toda a parte de contato com fornecedores e acompanhamento de produção. Faço a compra dos materiais e planejo os nossos pedidos de coleção. Analiso a demanda dos nossos clientes, o que dá certo e o que não dá, e planejo qual será a nossa oferta de opções, volume e numeração. Além disso, faço a ponte com lojas que revendem nossos sapatos lá fora e cuido de todo o procedimento de exportação.

Quais são os desafios de negociar com fornecedores homens? O maior desafio é me fazer respeitar, não apenas por ser mulher, mas também pelo combo gênero/idade/experiência. Por sorte temos fornecedores muito parceiros, com quem já criei uma relação bacana, e daí é muito mais fácil ser natural. Mas em algumas ocasiões fica claro que não está havendo uma "confiança" que eu sei o que estou falando. Nessas situações, preciso agir de forma bem assertiva e direta, me munir de informações para rebater questionamentos (que sempre ocorrem), justamente para afirmar minha competência e impor respeito.  

Lucy Horn

Idade: 28

O que faz: Sou assistente de ecommerce :) Faço contato com nossos sistemas entrega (transportadora/bike) e NF, cadastro o produto, confirmo o seu pedido e faço o besouro chegar lindinho na sua casa <3

O que é indispensável no relacionamento à distância com a consumidora? É indispensável quando se está a distância ter uma comunicação clara e objetiva. Fazer a consumidora se sentir tranquila na hora da compra online. Nós mulheres sempre temos mais segurança em compras online, pois sabemos exatamente o que e como queremos. Então, mantendo essa comunicação redondinha, não tem erro. :)    

   

Jéssica Albuquerque

Idade: 31

O que faz: Designer, faço a direção criativa (pensando os conceitos das fotos, dos vídeos, campanhas em geral) e direção de arte (criando os materiais visuais da marca).

Qual é a importância de representar diferentes tipos de mulheres em campanhas? Retratar a nossa pluralidade, na busca de gerar visibilidade e identificação.   

 

Luísa Saldanha

Idade: 32

O que faz: Sou redatora da Insecta. Cuido de praticamente tudo que aparece escrito em nome da marca. Também ajudo a equipe de marketing a pensar campanhas e planejar estratégias. Alguns dos textões lá do blog são meus também: tenho a sorte de poder pesquisar bastante sobre assuntos que me interessam como veganismo, meio ambiente e consumo consciente.

Como ser mulher influencia na criação dos seus textos? Ainda tem muita coisa por aí sendo escrita pra mulheres, mas não por mulheres. Quando escrevo, acredito que alcanço de forma mais empática mulheres que me leem. Ser uma mulher que escreve também é procurar mulheres como fonte e referência e, consequentemente, poder ser uma referência para as outras. <3 

 

Luiza Lambert

Idade: 22

O que faz: Sou assistente de marketing. Respondo os clientes da Insecta em todos os pontos de contato, como e-mail, Facebook e Instagram. Faço planejamento de conteúdo para as redes sociais e auxilio na produção das fotos mensais da Insecta.

Qual é a importância de ouvir outras mulheres? Ouvir uma mulher é ter empatia. É ter a consciência que, mesmo que a gente se identifique com a outra em diversos aspectos, nós somos super diferentes uma da outra. É mais do que compreender e respeitar, é sentir com ela.     

Raisa Machado

Idade: 27

O que faz: Sou assessora de imprensa com um pé na criação de campanhas, vídeos e projetos. Escrevo releases sobre a marca, atendo veículos de comunicação, agendo entrevistas, estreito o relacionamento entre a marca e influenciadoras inseridas no nosso universo e chamo mulheres incríveis pra tomar cerveja com a gente em dia de evento. Sou olheira de Instagram, estou sempre online no Whats App e atenta em referências visuais e comportamentais.

Por que se conectar com outras mulheres? Me conectar com outras mulheres é criar uma rede de união e sororidade, é juntar forças, dar suporte e também ser apoiada. É entrar em contato com diferentes universos e redescobrir o meu, compreender que todas carregamos diferentes histórias e que esse é o tempero que nos torna tão especiais. Me conectar com outras mulheres é um eterno aprendizado. É ter um super orgulho pelo quanto somos incríveis, ter respeito e admiração pela trajetória individual de cada mulher que conheço e ainda vou conhecer e ter a certeza de que juntas ninguém nos segura.  

Lívia Belfort

Idade: 32

O que faz: Atendo nossos clientes no casulo paulista e cuido das rotinas de funcionamento da loja.

Por que é importante criar uma relação de confiança entre mulheres? Crescemos sendo estimuladas a competir entre nós, e basta uma quebrar essa lógica para inspirar todas ao seu redor. Quando criamos esse tipo de confiança, de exaltar outra mulher sem pensar que somos menos por isso, nós incentivamos outras mulheres e assim por diante! A gente se transforma e procura evoluir todos os dias porque criamos elos de troca muito especiais, fora a força que dá sentir que temos aliadas na vida, né? Ficamos mais corajosas pra agir, sentir, ser.

Klarissa Santos Alves

Idade: 27

O que faz: Sou vendedora do casulo de Porto Alegre. Fazer conferências, cuidar do caixa e atender o público são os principais quesitos, além da organização que preso no ambiente de trabalho. Recebo produtos, faço envio de pedidos, remessas e transferências em caixas grandes (os famosos corrugados), separo pares para os ensaios de fotos e além das parcerias que a empresa tem e disponibiliza os calçados em um curto período de tempo.

Qual o papel da mulher negra como porta-voz de uma marca? Eu como mulher negra acho gratificante poder mostrar que a Insecta Shoes é para todas nós, que há opções para todos os gostos e inspirações. Contar a proposta e a história por de trás da marca acaba tendo retorno até pra pessoas que nunca ouviram falar, e isso nos aproxima, como exemplo as mulheres da minha família: "Nos sentimos representadas quando vemos duas modelos no vídeo e outra nas fotos de ensaio, dá vontade de usar mesmo."  

Yara Rufina

Idade: 17

O que faz: Atendo os clientes no casulo paulista e ajudo a cuidar do nosso estoque.

Qual é a importância de ter mulheres negras inseridas em uma marca? A representatividade negra (principalmente da mulher) em marcas de moda e beleza possui o poder de injetar uma intensa carga de autoestima em um público que está acostumado ao protagonismo das características caucasianas em todos os meios. Estamos em 2018 e percebe-se que quebrar com os estereótipos da mulher negra na sociedade tem sido um processo demorado e é para isso que a representatividade também serve. E tem vindo em um momento bastante especial, visto que a maior parte da juventude preta possui hoje bagagem suficiente para compreender as razões pelas quais não éramos representados antes e força suficiente para lutar contra isso.  

Laura Madalosso

Idade: 32

O que faz: Sou uma das sócias da empresa e, como tal, resumidamente, me envolvo com todas as frentes de trabalho. Ainda assim, minha principal área de atuação é o produto, na gestão holística da área: do planejamento das coleções e acompanhamento do desempenho de cada linha, ao estilo e desenvolvimento de cada produto, à pesquisa de fornecedores e novas matérias primas, o garimpo, o acompanhamento da qualidade e durabilidade dos modelos, até a produção e o fechamento do ciclo. E estando na matriz, em Porto Alegre, também respondo pela importantíssima gestão do departamento canino do besouro, que tem lady Biga e Badok, o terrível, como crew <3

Por que contratar mulheres? Aqui na Insecta temos um ambiente de trabalho 100% seguro para mulheres serem exatamente quem elas querem ser. Contratamos mulheres porque elas são profissionais maravilhosas, com skills naturalmente alinhadas com a nossa visão de presente e futuro. Estamos cansadas de vê-las não explorando seu total potencial ou tampouco sendo remuneradas de acordo quando o fazem.  

Marília Glauche

Idade: 22

O que faz: Estagiária de Design de Produto. Cuido da parte dos pedidos para o atelier, catalogação das peças vintages e retalhos de produção. Participo também do desenvolvimento dos produtos e estampas.

O que você aprende trabalhando com mulheres? Aprendo a ser persistente e buscar meu espaço. Ser mulher no mercado de trabalho exige ter muita resiliência e força. Por isso, ter mulheres como exemplo profissional e em cargos de liderança, satisfaz e inspira por saber todas as dificuldades e lutas para se estar nessa posição.    

* Agora vamos levar essa conversa adiante? Estamos usando a hashtag #pergunteaumamulher pra levar o assunto pra todos os canais e você pode acompanhar e participar também. Tem alguma pergunta pra fazer pra gente? Quer saber mais sobre a Insecta, sobre o que (e como) fazemos por aqui? Vamos te responder. Pode ser aqui, por email (no hello@insectashoes.com) ou nos dando um alô nas nossas redes sociais.  

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Dados
https://glo.bo/2m8lmM9 Business Report (IBR) – Women in Business, Grant Thornton
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Quem é Insecta neste dia da mulher?

Quem é Insecta neste dia da mulher?

Aqui no blog vocês acompanham, mensalmente, textos sobre diversos temas afins ao feminismo. No Dia Internacional da Mulher do ano passado eu expliquei por quê essa data existe, e por quê ela não tem nada a ver com o clichezão sobre feminilidade que a mídia difundiu. Falei também sobre mercado de trabalho, empoderamento e sororidade. E, justamente, foi a partir desses três pilares que a Insecta nasceu.  

Empoderamento

Achamos importante que, neste dia tão simbólico para a história das mulheres, vocês saibam que o cerne da marca é colocar em prática tudo isso que vocês leem em nosso blog. A Insecta é praticamente uma criança, né? Nasceu em 2014, é novinha, mas já tem muita história pra contar e muita energia criativa pra fazer acontecer. Acontece que nada disso é fácil e nem acontece de uma hora para outra. Tudo isso é construído, e essa história tem tudo a ver com o dia da mulher. O cuidado com quem faz a Insecta acontecer vai desde a fabricação até a venda. E isso não é uma propaganda, é uma fotografia da nossa realidade. Afinal, quando falamos de empoderamento, falamos, também, de um ambiente saudável para que mulheres possam exercer sua profissão e terem seus direitos respeitados. Ser inclusivo vai além da seleção de um casting diverso. Significa enxergar valor nas diferenças e nas experiências que cada pessoa traz consigo.  

Mercado de Trabalho

Trabalhar esse tal de “empoderamento” na prática nos coloca em cheque em muitos momentos. Criar uma marca que busca um propósito junto com seus consumidores esbarra em diversos poréns, especialmente quando são mulheres dando a cara a tapa em um mercado de trabalho machista e que sempre questiona nossa capacidade. A gente vive em um sistema econômico que trabalha crises cíclicas, ou seja, momentos de altos e baixos, pleno emprego alternado com recordes de desemprego. E as mulheres são especialmente afetadas. Isso quer dizer que temos que ignorar homens desempregados e agir como se apenas mulheres representassem a força laboral do país? Não! – infelizmente muitas pessoas usam esse argumento falho quando querem diminuir a importância dos debates de gênero.

O que esse fato nos traz é que se nós quisermos diminuir a vulnerabilidade econômica da população precisamos olhar, sobretudo, aos que mais sofrem com essa situação. E quando falamos de mulheres no mercado de trabalho, temos que relembrar à exaustão os seguintes fatores: preconceito contra mulheres com filhos, múltiplas jornadas de trabalho, dependência financeira, violência doméstica (que muitas vezes derivam do item anterior, pois acabam não tendo condições de sair de uma relação abusiva). Por isso o trabalho da Insecta é focado em uma forma de organização que se preocupa com as pessoas envolvidas na cadeia de produção dos produtos.

Sororidade

Eu acho bem triste ter percebido uma descrença na sororidade nos últimos tempos. Percebo em meu círculo de convivência que existem muitas mulheres decepcionadas com o feminismo por conta de desentendimentos e desavenças. Acredito que talvez a gente tenha se perdido nesse conceito de sororidade em algum momento. Somos seres humanos, com qualidades, defeitos, limitações, sonhos, ego. Temos formações, experiências e expectativas diversas. As diferenças vão existir. Os conflitos surgirão. Neste dia da mulher nós queremos frisar a importância da sororidade não como um cenário edílico onde todas as mulheres concordarão umas com as outras sempre, mas como uma maneira de construir relacionamentos e cumplicidade para que nossos sonhos possam sair do papel. Trabalhar de forma a apoiar outras mulheres. Ajudar no desenvolvimento profissional de outras trabalhadoras. Apoiar os estudos das meninas. Nós por nós. Vamos nessa?

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As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

Eu estava vendo este vídeo do Catraca Livre e fiquei preocupada. Me parece que o tema “assédio” ainda não é levado com a seriedade com que deveria. Os caras que aparecem na matéria, que procura saber se as pessoas estão ligadas nas diferenças entre paquera e assédio são os mesmos caras que convivem comigo e com você no trabalho, nos barzinhos, nas faculdades. São homens adultos, que viveram sob as mesmas regras sociais que as mulheres, que já devem ter sido bombardeados em seus perfis de redes sociais por campanhas e vídeos sobre assédio. Alguma noção eles deveriam ter.

Mas ao que tudo indica, ainda há um caminho longo a ser percorrido. Para o mês de fevereiro, naturalmente meu primeiro insight foi escrever um texto que explicasse o que é assédio e ajudasse as pessoas a identificarem essas situações. Entretanto, muitos veículos e personalidades já estão fazendo isso, como no vídeo em que a Jout Jout LITEREALMENTE desenha quando a gente pode entender que determinadas situações simplesmente não estão ok. “Ah, mas e se ela estiver fazendo charminho...?” NÃO. “Mas será que ela disse não querendo dizer sim?” NÃO. “Olha, mas tem aquelas que usam roupas REALMENTE curtas, aí fica difícil, né” NÃO.

Não só tem um significado: não. Visto que tem tanta gente falando sobre isso, por que ainda encontramos homens que tentam um certo malabarismo retórico para justificar assédio? Eu não acho a resposta fácil. Dizer que vivemos em uma cultura que naturaliza o assédio é chover no molhado, porque isso já sabemos. O que eu quero trazer hoje é uma reflexão que perdure pelo ano todo, e não apenas na época da folia. O carnaval é a festa mais popular do nosso país, ele une gente de todos os cantos, e é justamente por isso que ele acaba espelhando em uma semana o que acontece todos os outros dias do ano. Acaba sendo um bom espelho onde vemos nossa sociedade ser desenhada na base da violência.

O que me deixa mais feliz é ver que, mesmo com a insistência de homens que buscam todas as formas para deslegitimar as negativas das mulheres, é também no Carnaval que nós entendemos conceitos importantes como sororidade e empoderamento. Mulheres estão atentas e unidas contra o assédio, e esse felizmente é um caminho sem volta. Mas, o alerta dado aqui, precisa seguir ao longo do ano inteiro. Respeita as mina durante o carnaval e durante o ano todo.  

- *Na foto em destaque as minas do bloco Pagu, que tem a bateria formada só por mulheres e é um dos tantos blocos feministas que tem surgido nos últimos carnavais. Esse movimento de transformar a festa em um ambiente seguro para mulheres curtirem sem medo só cresce, ainda bem!

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