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9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

Se você está procurando por fontes pra saber mais sobre assuntos como meio ambiente, feminismo e veganismo, saiba que veio ao lugar certo. De tempos em tempos, renovamos nossa lista de preferidos com lançamentos pra você acompanhar, conhecer, se engajar e quem sabe até indicar para aqueles amigos mais difíceis de convencer.

Acreditamos que conhecimento é a base para entender as lutas que escolhemos e mostrar a importância de cada uma delas. Então prepara que aí vem uma boa dose de conhecimento pra você <3


LIVROS

Ideias para adiar o fim do mundo - Ailton Krenak

O livro de apenas 85 páginas é uma leitura leve, mas consistente. O autor, nascido na região do vale do Rio Doce, traz o olhar dos povos indígenas sobre o momento atual. Fala com propriedade sobre as relações do homem com a natureza, sobre como a modernidade nos fez esquecer que somos todos parte de um sistema e o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres.

Fominismo: quando o machismo se senta à mesa - Nora Bouazzouni 

Nesse livro de ensaios, a autora aborda as relações entre o corpo feminino, a alimentação e o patriarcado. Ao longo das páginas, percebemos como a cozinha - e a mesa - estão intimamente ligadas a questões milenares de gênero. É um daqueles livros que você ~devora e no final fica querendo mais. 

Uma vida sem lixo - Cristal Muniz

Um verdadeiro guia para quem está na empreitada de reduzir a produção de lixo e de quebra deixar a vida mais leve, mais prática (sim!) e ter mais autonomia nas escolhas do dia-a-dia. O livro da Cristal é a evolução do conteúdo já produzido no blog e ajuda a simplificar a vida em casa sem precisar colocar a sua saúde e a do Planeta em risco. 


DOCUMENTÁRIOS 

Estou me guardando para quando o carnaval chegar - Marcelo Gomes

O documentário brasileiro mostra o dia a dia na cidade de Toritama, em Pernambuco, a capital brasileira do jeans. É pra você assistir e repensar profundamente o seu consumo, especialmente de peças no material - todo ano, 20 milhões de jeans são fabricados nessa cidade através de longas jornadas em péssimas condições de trabalho. 

Sob a Pata do Boi - Marcio Isensee e Sá

Outro documentário brasileiro, dessa vez abordando o impacto da pecuária na Amazônia. Você já sabe, porque leu aqui, mas sempre vale conferir mais fontes pra entender ainda melhor e sob novas perspectivas o problema! Um documentário que põe o dedo na ferida e denuncia o que acontece por lá e também na esfera política do Brasil. 


The Next Black - David Dworsky e Victor Kohler

Vamos falar de coisa boa também? Nesse doc conhecemos novas tecnologias voltadas para a sustentabilidade e como algumas mentes criativas estão buscando inovação para o futuro da moda. Pra assistir e ver que tem, sim, como pensar um mundo melhor <3


PODCASTS 

Outras Mamas

É bem possível que você já conheça ou já tenha ouvido falar nesse que é o primeiro podcast vegano & feminista do Brasil. Formado pelas maravilhosas Thais Goldkorn e Barbara Miranda, além de convidados mega especiais, fala sobre questões de gênero, veganismo, sociedade, consumo, meio ambiente e ecofeminismo. 

Ouça no Spotify


Backstage 

O Modefica tem um podcast sobre moda, sabia? A cada edição, uma convidada ou convidado aborda o assunto sob sua ótica junto com a editora Marina Colerato. Pense em debates super ricos sobre indústria, carreira, gênero, raça e o que tiver acontecendo no mundo da moda - mas indo muito além da passarela e da capa de revista, claro! 

Ouça no Spotify ou iTunes.


Copiô, parente 

Produzido pelo ISA, Instituto Socioambiental, ONG que defende povos indígenas, comunidades tradicionais, direitos humanos e meio ambiente. O podcast é apresentado por Letícia Leite e nas suas edições semanais traz os principais destaques do universo político em torno das questões dos povos da floresta. É um canal perfeito para quem quer se informar e entender melhor meio ambiente, patrimônio cultural e direitos humanos, mas principalmente as questões das Terras Indígenas no Brasil. 

Ouça no Soundcloud.

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Neguinha metida: uma conversa sobre por que subestimam mulheres negras

Neguinha metida: uma conversa sobre por que subestimam mulheres negras

Desde cedo a mãe da gente fala assim: 'filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.' Aí passado alguns anos eu pensei: Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... por tudo que aconteceu? duas vezes melhor como ? Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez. E sempre foi assim. Você vai escolher o que tiver mais perto de você, O que tiver dentro da sua realidade. Você vai ser duas vezes melhor como? Quem inventou isso aí? Quem foi o pilantra que inventou isso aí ? Acorda pra vida rapaz"

Eu começo o texto desse mês com esse trecho da música “A vida é um desafio”, dos Racionais MC’s pra falar de auto percepção, a forma como você se enxerga no mundo de acordo com o que o mundo te oferece. A autoestima da mulher negra é tolhida desde muito cedo. Embora os debates feministas tenham trazido à luz nomes como Conceição Evaristo, Carolina de Jesus, e outras autoras que retratam como o racismo coloca a negritude como uma falha, muito ainda falta para compreendermos os efeitos nocivos do racismo na vida das nossas crianças.

Resolvi falar sobre meninas, especificamente, neste post, para falar também da construção dos conceitos de feminilidade. Quando falamos a respeito, temos em mente que toda menina, de certa forma, é preparada para “ser mulher”, por meio de imposições – umas sutis e outras, nem tanto. A boneca que aprendemos a embalar e que os meninos nem podem chegar perto, o fogãozinho, as roupas e o comportamento esperado são os primeiros sinais da distinção de gênero na infância.

No caso das meninas negras, tudo isso tem o adicional de raça. E quando digo isso, por favor, não entendam como eu querendo colocar opressões em uma hierarquia. O que acontece é um mero recorte racial, necessário quando vamos entender a multiplicidade da sociedade. As mulheres negras crescem com esse mesmo estigma da feminilidade adicionado ao caos de uma sociedade estruturalmente racista que não acredita em suas competências.

Uma mulher negra precisa provar que é boa profissional, que é inteligente, que é capaz, mil vezes mais. E esta é uma pauta feminista porque estamos falando diretamente de empregabilidade, renda, autoestima e saúde mental. Em outras palavras: qualidade de vida. Quando falamos que o feminismo precisa ser inclusivo, o que se quer dizer é que, se há uma sociedade desigual, precisamos olhar para essas desigualdades, e não agir às cegas com o pressuposto de não enxergar essas diferenças. Ou seja, a ação precisa ser proativa.

Mulheres negras são subestimadas em todos os campos da vida porque, historicamente, sempre fomos colocadas como inferiores. Ferramentas como a comunicação de massa (jornais, novelas, cinema, rádio, etc) ajudou a fomentar essa cultura, que está tão sedimentada que passa despercebida – já ouviu falar do teste do pescoço?

Quando essa figura, sempre menosprezada pela sociedade, ousa agir de acordo com o valor que ela sabe que ela tem, ela faz emergir na sociedade racista um profundo desprezo. A “neguinha metida” é aquela mulher que precisa provar incontáveis vezes o que sabe fazer, suas capacidades e conhecimento. E quando eu falo isso, gosto sempre de lembrar que não estou colocando “culpa” em alguém. Culpa é um sentimento cristão maniqueísta.

Mas peço, sim, responsabilidade coletiva para compreender que estamos em uma sociedade onde há um abismo racial, ainda que se queira jogar tudo para debaixo da farsa da democracia racial. Sempre que começo uma palestra, inicio minha fala contando tudo sobre a minha vida profissional. Em seguida, explico o motivo disso: em praticamente todos os ambientes eu sinto que preciso provar o que eu sei para ser minimamente respeitada. Porque, de cara, ninguém imagina que uma mulher negra possa ser graduada em comunicação, especializada em sociopsicologia e estude o idioma árabe.

Será que essa dúvida também recairia sobre mim se eu fosse branca? Será que isso faz de mim uma neguinha metida? E você: já parou para pensar se não está subestimando a mulher negra ao seu lado?

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