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O problema não é o plástico

O problema não é o plástico
Quando você pensa que não tem mais nada pra problematizar, a gente vem e PÁ. Problematiza a problematização do plástico. Por mais que se fale muito (e cada vez mais, que bom) na poluição plástica, esse não é o único problema ambiental que o planeta enfrenta. Já parou pra pensar que alguns substitutos ao plástico podem ter impacto ainda maior? Olha como a coisa é complicada: um estudo Dinamarquês comparou sacolas de vários tipos de plástico, papel e algodão, e a menor pegada ambiental é... das plásticas. É onde se gasta menos energia e emite menos CO². Eles analisaram materiais diferentes considerando as sacolas disponíveis na Dinamarca:  LDPE (Polietileno de baixa densidade), PP (Polipropileno), rPET (PET reciclado), Poliéster, Biopolímero, papel pardo e algodão. No fim das contas, quem ganhou foi a LDPE - aquele plástico mais firme de algumas sacolas de supermercado. Os caras ainda fizeram estimativas de quantas vezes uma sacola de cada material precisa ser reutilizada pra compensar o impacto da sua produção e chegar aos pés da famigerada sacolinha plástica: 37 vezes para as de polipropileno, 43 vezes para as de papel pardo (papel branco tem uma pegada muuuito maior devido ao processo de branqueamento), 7100 vezes para as de algodão e cerca de 20000 se o algodão for orgânico   Mas calma, não precisa entrar em pânico. Eles analisaram quesitos bem específicos nesse estudo - o lixo marinho, por exemplo, não foi considerado. Essa pesquisa teve foco na extração de material virgem, emissões de carbono durante fabricação e transporte, geração de resíduos durante a produção, entre outros. E daí, nesses quesitos, o plástico bate o algodão.  A conclusão? Reutilize tudo até desmanchar. E quando desmanchar, conserte. A orientação final do estudo é usar e reusar até não poder mais mesmo as sacolinhas de plástico.  Essa notícia serviu pra duas coisas: 1) dar tela azul na cabeça, e 2) fazer a gente lembrar que não dá pra entrar numa guerra cega contra o plástico e esquecer de outras coisas que também são problemáticas - como, por exemplo, o processo de produção de algumas coisas, como o algodão virgem, essa fibra sedenta Quer mais um exemplo bem próximo de problematização da problematização? A história dos canudinhos. Quando a capital do Rio de Janeiro aprovou a lei que impede os vendedores de servir bebidas com canudo de plástico, muita gente comemorou. Mas como tudo nesse mundo, tem o outro lado também. Como muito bem lembrado pela Ligia nesse texto aqui, o plástico é extremamente barato. O vendedor humilde do quiosque e o pequeno comerciante já saem perdendo nessa mudança. Enquanto os grandes restaurantes tem canudos diferentões, biodegradáveis e caros, o ambulante faz o que? Opta pelo copo de plástico, que é mais barato, mas ainda é um problema ambiental.    E da inclusão, alguém lembrou? Canudos de plástico são os mais adequados para PcD (pessoas com deficiência), como a Mariana trouxe nesse desabafo. Banir o canudinho é trazer um problema para as pessoas que precisam dele. E não adianta vir com soluções como “leva um na bolsa”, ou “deixa lá é só pedir”, porque isso não é inclusão. Inclusão é, como ela falou aqui, ser apenas mais um, sem ter que ficar pedindo ajuda.  O debate é longo, e surge aqui uma baita oportunidade pra empresas e pesquisadores investirem no desenvolvimento de versões biodegradáveis e realmente eficientes de canudos dobráveis. É preciso trabalhar, antes de qualquer coisa, a empatia, e daí surgem as soluções reais.  Como sempre, não estamos trazendo nenhuma solução mágica. Queremos ampliar a conversa. Vamos respirar fundo e admitir: o problema não é o plástico. Esse é um material que trouxe muitas soluções pra muitas coisas e facilita a vida quando usado da maneira correta. O problema é como o plástico é usado. Vamos parar de tratar como descartável algo que dura pra sempre? Continue lendo

Uma peça de roupa pode liberar milhares de microplásticos na lavagem

Uma peça de roupa pode liberar milhares de microplásticos na lavagem

Microplásticos. Uma palavra, um problemão. E você ainda vai ouvir falar muito nisso, porque eles estão em tudo - tudo mesmo, incluindo a água que bebemos, a água do mar, o sal marinho, as nossas roupas e até a sua cervejinha do fim de semana. 

Os famigerados microplásticos já contaminaram o gelo do Ártico. E não vão parar de contaminar tudo se a gente continuar despejando eles às toneladas, todos os dias, nos nossos mares. Os microplásticos são pedacinhos de plástico com cerca de 5 milímetros, mas já se fala sobre pedaços de 1 milímetro ou menos em estudos científicos. E ainda tem as primas dos microplásticos, as microfibras. São fibras têxteis com menos de 5 milímetros de comprimento que são liberadas pelos tecidos durante a lavagem.  

Todo ano TRILHÕES de microfibras são liberadas nas lavagens de roupas, segundo esse estudo da Ellen Macarthur FoundationNesse relatório fica bem claro: as microfibras presentes em materiais como poliéster, acrílico e nylon foram identificadas como grandes contribuintes pro problema dos microplásticos nos oceanos. Isso significa nada menos do que: a sua brusinha pode estar intoxicando o planeta.

Num estudo brasileiro, foram feitas lavagens com e sem detergente em peças de algodão, acrílico, poliéster e poliamida. Todas as peças liberaram fibras, e ainda mais nas lavagens com detergente. A conclusão foi que uma única peça de roupa pode desprender entre milhares e centenas de milhares de fibras. Num cenário de tratamento de esgoto ideal, a conta chegou mais de 700 toneladas de fibras sintéticas em escala mundial chegando aos mares. 

Enquanto não desenvolvem filtros que impeçam essas fibras de escaparem das máquinas de lavar, tem gente tentando minimizar o problema. Tipo os caras que criaram o Guppyfriend, um saquinho pra lavar as roupas dentro, que promete segurar boa parte das fibras. Tem também a Cora Ball que você joga na máquina junto com as roupas e captura um certo volume de microfibras.

Essas (e outras que tão aparecendo todo dia) são boas ideias pra ajudar a reduzir esse problema sim, mas não são soluções. A conclusão mais lógica pra resolver essa tragédia ambiental você já deve estar imaginando. Não dá mais pra consumir sintéticos como se não houvesse amanhã, porque do jeito que tá, é possível que não haja mesmo.

Então o que cada um de nós pode fazer é optar sempre que possível por peças de materiais naturais (como algodão, liocel, fibra de bambu, linho, modal), otimizar as lavagens das roupas na máquina  e (essa a gente sabe que é difícil, mas não custa tentar) lavar menos na máquina e mais à mão. Pra saber mais sobre toda a questão do plástico nos oceanos, nós indicamos a websérie Mares Limpos produzida pelo Menos 1 Lixo em parceria com a ONU Meio Ambiente. E pra uma dose bem didática e rápida de informação tem esse vídeo que fala justamente sobre as microfibras:

Nada como entender o problema pra conseguir agir da melhor maneira, né? Ah, e vale sempre lembrar: não precisa se preocupar com a liberação de microplásticos nos nossos tecidos PET! Explicamos direitinho nesse post como tá tudo sob controle por aqui.

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Webserie "Mares Limpos" vai falar sobre o problema do plástico nos oceanos

Webserie "Mares Limpos" vai falar sobre o problema do plástico nos oceanos

Você que nos acompanha já deve estar por dentro de toda a questão do lixo nos oceanos, né? Vira e mexe falamos por aqui sobre o problema dos plásticos descartáveis e sempre que podemos trazemos dicas pra contornar a situação que não é nada animadora. 8 milhões de toneladas de plástico são descartadas anualmente nos oceanos, e por conta disso há previsões de que em 30 anos vai ter mais plástico do que peixe no mar. Ninguém mais está livre: os famigerados microplásticos já chegaram nas águas da Antártida.

A Fe Cortez, do Menos 1 Lixo, produziu em parceria com a ONU Meio Ambiente uma websérie falando justamente sobre essa situação. "Mares Limpos" é uma produção com 10 episódios bem educativa, que tem tudo pra ser aquele empurrão que falta pra muita gente começar a pensar melhor as suas escolhas cotidianas. 

Mas a gente não tá aqui só pra te contar que vai rolar essa série e falar pra você assistir. Queremos que você compartilhe, mostre pros amigos, marque a família nos comentários e faça que mais pessoas comecem a pensar em maneiras de reduzir o plástico na vida e, consequentemente, nos oceanos. Bora todo mundo junto? A websérie Mares Limpos vai ao ar a partir de hoje, 07 de junho, no canal do Menos 1 Lixo. Já começa a assistir!

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8 Maneiras de viver com menos plástico, começando hoje

8 Maneiras de viver com menos plástico, começando hoje
O mês de julho está se despedindo. Mas mesmo assim a gente quer aproveitar o gancho do Plastic Free July pra falar desse velho conhecido, o plástico. A campanha existe desde 2011, e como já dá pra imaginar é reduzir ao máximo o consumo de descartáveis durante um mês como forma de aprendizado e conscientização. Tipo o #SegundaSemCarne, sabe?   Nós usamos por pouco tempo coisas que duram por gerações. Já parou pra pensar que todo plástico produzido ainda está por aí? Pense no copinho de iogurte dos Jogos de verão de Montreal de 1976, encontrado em uma praia canadense em 2016. Praticamente intacto e 40 anos depois.   Captura de Tela 2017-07-26 às 17.30.16   A Race for Water, da Suíça, divulgou um estudo falando de 250 milhões de toneladas de plástico produzidas por ano. Disso, 35% disso são usados uma vez, por cerca de 20 minutos. Eles falam também de lixões de plásticos, ou sopas de lixo, que chegam a 15 milhões de quilômetros quadrados espalhados pelos oceanos. Tá, mas e como, na prática, ajudar a mudar essa situação? Você pode começar assim, ó: #1. Consuma menos em geral. Faça um planejamento bacana pra comprar só o necessário. Se for comprar coisas para casa, por exemplo, considere bazares e antiquários, onde você vai encontrar peças em metal muito mais duradouras, sem mencionar a beleza, e que não vem embaladas.   #2. Na hora de fazer compras a granel, leve-a-sua-sacolinha. Não precisa ser de pano, se você não tiver. Comece não jogando fora os saquinhos plásticos que você já tem. Reutilize sempre, cuide para que durem. Tente aumentar a vida útil de tudo que você já tem antes de providenciar algo novo.   #3. A gente sempre fala aqui, mas vale lembrar: recuse_o_canudinho. Sério. Você não precisa dele. E se por acaso precisar, considere reutilizar. Guarde, lave, não jogue fora. Ou procure por canudos de metal ou bambu, pra levar sempre na bolsa. quote_02-OK #4. Recuse a sacolinha na farmácia. Você não precisa de um saco para levar uma cartela de comprimidos que cabe no bolso. E se tiver uma ecobag à mão, já resolve o caso de uma compra maior.   #5. Acostume a deixar o “kit” ecobag, copo e garrafinha de água perto da porta pra não esquecer quando for sair de casa. Dependendo da saída, algumas coisas serão mais ou menos necessárias. Com o tempo você vai pegando a prática e pode incluir novos itens, como talheres portáteis e guardanapos de pano.   #6. Cuide bem do que você já tem. Viver uma vida sem plástico significa eliminar o chamado “single use plastic”, ou seja, o descartável que é usado uma vez (às vezes por segundos). Já que esse material dura pra sempre, aproveite o potencial do que você já tem pra reutilizar ~ ad infinitum.   #7. Repense como você descarta os resíduos recicláveis. A gente já falou sobre usar ou não as sacolinhas do supermercado nesse momento, lembra?   #8. Comprou algo com embalagem descartável? Não precisa sofrer. Se certifique que ela está limpa (veja como limpar aqui) e encaminhe corretamente para a coleta seletiva ou cooperativas de reciclagem.   E pra ter ainda mais inspiração e seguir nessa empreitada, ainda recomendamos acompanhar a Cristal Muniz. Ela é uma das nossas referências quando o assunto é vida com menos lixo. Dona do blog Um Ano sem Lixo, cheinho de dicas, receitas e ideias bem para a vida real, sem ingredientes complexos ou necessidade de habilidades especiais. A gente entrevistou a Cristal aqui no blog, e ela falou um pouco mais sobre essa trajetória inspiradora.   Mesmo depois de todos esses dados, a gente sabe que certas coisas não dá pra cortar da vida. Como seringas descartáveis para aplicação de medicamentos, alguns remédios e claro, preservativos. Você não vai deixar de se cuidar porque não quer produzir resíduo, não é? Uma notícia bacana é que no blog da Lauren Singer tem (em inglês) uma entrevista com a Meika Hollender, co-fundadora da empresa Sustain Condoms, de preservativos sustentáveis. Quer dizer, já existe camisinha com essa pegada sustentável, e é questão de tempo pra que isso se torne mais acessível.   Ah, mas julho já está no final, né? Não tem problema. Dá pra começar o “dia 30 de julho sem plástico”, ou a semana sem plástico, agosto, setembro, “sem plástico até o natal”, enfim. Dá pra começar agora estabelecendo a meta que você quiser, porque a gente tem certeza que vai mudar a sua percepção sobre consumo e logo vai virar um hábito.    
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