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Usamos PET reciclado nos nossos sapatos e tá tudo bem

Usamos PET reciclado nos nossos sapatos e tá tudo bem

Já passamos do dia da sobrecarga do planeta , que veio mais cedo que nunca, mas nem tudo está perdido. Nesse ano de 2018 a campanha do Julho Sem Plástico virou assunto, tem leis banindo canudinhos e sacolas plásticas e temos visto várias ações que mostram que sim, tem como pensar num mundo com menos lixo. E junto com isso, as pessoas começaram a pensar mais e questionar o uso desse material como descartável.

Um dos debates mais interessantes que vimos é o do Modefica, que questiona como ninguém muitas verdades absolutas. Então, vamos logo ao ponto: é verdade que PET reciclado não é uma solução sustentável pra moda?

Antes de mais nada, vamos falar sobre responsabilidade. Tem a responsabilidade estendida, que é da empresa. Isso significa que quando fazemos e vendemos algo, isso é problema nosso pra sempre. Basicamente, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que produz" - ainda mais se for plástico.

Quando esse produto é comprado, vira responsabilidade do consumidor também. Isso é responsabilidade compartilhada. Os nossos sapatos não vão parar em aterros sanitários se depender de nós (e “nós” inclui você e a Insecta).

Temos um projeto de fechamento de ciclo, onde você devolve o sapato usado e nós transformamos em componentes para sapatos novos. Então, independente da composição do tecido (que pode ser 100% PET ou PET + algodão reciclado), ele vira recheio de palmilhas. E vira muitas vezes sem problemas. Sem aterro, sem plástico indo parar onde não deve.

Quando o problema é microplástico, vale lembrar que essa é uma questão muito mais ligada a roupas, que são lavadas constantemente e soltam esses resíduos no enxágue. Sapatos nem devem ser lavados em máquina ou ficar de molho, né? Aconselhamos limpar os nossos com um pano úmido ou escova macia. A sujeira sai, mas os microplásticos não.

E agora vale aquela lembrança: nós trabalhamos com materiais reaproveitados sempre que possível. Damos vida nova a materiais que já existem e que podiam virar lixo. É o caso das garrafas PET que transformamos em tecido - pra ter ideia, em quatro anos de empresa, cerca de 10.532 garrafas de plástico viraram sapatos, e muitos já voltaram para o fim de ciclo, ao invés de irem para o lixo.

Entendemos que esse sistema pode não ser perfeito. Mas como gostamos de falar, aqui na Insecta nós temos a humildade pra saber que não vamos conseguir curar o mundo, por mais que tenhamos muita vontade. Nosso objetivo é incentivar as pequenas ações pra que todo mundo saiba que pode ajudar sim, e que aos pouquinhos as mudanças acontecem.

E além de tudo isso, vale lembrar que estamos sempre pesquisando e trabalhando pra criar soluções melhores. Nada é definitivo. Sempre pode melhorar.

Quer continuar essa conversa? Tem alguma dúvida? Quer saber mais sobre como fazemos nossos sapatos? Vamos conversar. Pode ser pelas nossas redes sociais ou pelo hello@insectashoes.com

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Entendendo Sua Roupa Desde A Fibra

Entendendo Sua Roupa Desde A Fibra
Saber sobre a mão de obra e o lugar onde sua peça de roupa foi confeccionada (ou seja, transformada de tecido em peça) é importantíssimo, por isso que nós falamos sempre sobre isso por aqui. Mas é importante também ficar atento à fibra que compõe a peça que você está levando para casa e entender de onde ela veio. Primeiro, vale esclarecer que a fibra é o material do qual é composto o tecido das roupas, e que descobrir de qual fibra é feita cada peça não é difícil, basta olhar na etiqueta de composição (a mesma etiqueta que vai te contar como você deve cuidar da sua peça em casa). O segundo passo é entender o tecido e do onde ele veio – da árvore? Do petróleo? Do animal? – e como foi o processo de transformação de matéria prima em fibra. O processo de produção das fibras pode ser extremamente danoso – como é o caso do algodão ou couro – ou bem mais eco-friendly e consciente. Aqui, nós te contamos aos detalhes sobre as 5 fibras mais eco-friendly disponíveis no mercado e por que optar por elas pode te ajudar a preencher mais uma base do ‘diamante da compra consciente’, que mostramos no post “como praticar moda ética na hora de ir às compras?”.   1 - Lyocell O lyocell é um tipo de fibra extraída de árvores específicas e certificadas com o selo FSC™ (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal). São árvores que crescem muito rápido e precisam de pouca água e poucos pesticidas durante o plantio, além de todo o processo de produção da fibra ser eco-friendly, livre de químicos e produtos tóxicos. O lyocell é uma fibra obtida através da transformação da celulose (polpa da árvore) em fibra, igual ao processo de obtenção da viscose. Porém, além da viscose ser normalmente extraída de árvores nativas, seu processo de produção pode ser muito tóxico e poluente, diferente do processo do lyocell. Existem dois tipos de fibras feitas através do lyocell:   - Tencel® Extraído de eucaliptos certificados com o selo FSC™, o Tencel® foi criado e patenteado pela empresa austríaca e eco-friendly Lenzing. O processo de produção do Tencel® tem ciclo fechado, isso significada que tudo é reciclado e nada é desperdiçado. Esse processo especial recebeu o prêmio europeu "European Award for the Environment". Além disso, tecidos de Tencel® são mais resistentes e absorventes que tecidos feitos de algodão, mais suaves que tecidos de seda e mais frescos que tecidos de linho. Ciclo fechado: closed_loop - Monocel® Obtido através do mesmo processo do Tencel®, com a diferença de ser extraído de bambus certificados com o selo FSC™. O bambu é uma espécie de grama abundante na natureza, especialmente na China, e que cresce de maneira orgânica, sem necessidade de água e pesticidas, e com muita rapidez – algumas espécies de bambu chegam a crescer um metro por dia. A diferença do Monocel® para os tecidos comuns de viscose de bambu é o processo de produção, que, diferente da viscose, se assemelha à produção do Tencel® - é eco-friendly, tem ciclo de produção fechado e precisa de muito menos energia para ser produzido.   2 - Modal Também da Lenzing, o Modal® é obtido através de um processo de produção simbiótico e auto-sustentável, a partir da extração da polpa das espécies de árvores Faia (beech) da Áustria. Chamado de tecnologica Edelweiss, seu processo é excepcionalmente ecológico porque a extração da polpa da faia é feita no mesmo local que a produção da fibra. A empresa explica: “A integração completa no local da Lenzing na Áustria torna possível produzir a fibra de uma forma ambientalmente correta devido à geração de energia excedente e a valorização de componentes da madeira. Mesmo a produção de celulose da Lenzing é auto-suficiente em termos de energia e é um importante fornecedor de energia para toda a operação”. Além disso, o Modal® é uma fibra macia e brilhosa, que absorve bem as cores e tem boa durabilidade, o que o torna excelente opção para malhas leves e frescas.   3 - PET Reciclado O tecido de PET reciclado não é novo, desde 2001 já se fala na transformação de garrafas PET em fios de poliéster para moda, mas foi só agora, com a tecnologia que alia o fio de poliéster ao de algodão mais avançada, que o tecido começou a ganhar mais apelo na moda. No ano passado, a G-Star RAW lançou sua primeira coleção RAW For The Oceans, com tecidos compostos de 30% de fios de poliéster provenientes de garrafas PETs recolhidas dos oceanos (iniciativa da Bionic Yarn e Parley For The Oceans). Segunda a diretora de marketing da G-Star RAW, Tracey Waters, a ideia é que essa porcentagem aumente nas próximas coleções e os tecidos ganhem maior quantidade de poliéster reciclado sem perder o toque e o conforto. Recentemente, a Adidas divulgou seu novo tênis feito com o mesmo poliéster reciclado, também em colaboração com a Parley For The Oceans, que deixou todo mundo intrigado e querendo um par. Por enquanto, é só um protótipo, mas a expectativa é que o tênis chegue ao mercado muito em breve. A Insecta, inclusive, já fez versões de PET reciclado para seus besouros. Obviamente que acabaram tão rápido que não deu nem para o cheiro, mas a promessa é de que venham outras edições de PET por ai. Pra ficar atento.   4 - Algodão orgânico Nós já contamos aqui sobre os problemas que a produção de algodão vem causando no mundo (secas, desmatamento, uso pesado de materiais poluentes e desvalorização da mão de obra). Todos os tecidos listados nesse post são ótimas alternativas para o algodão convencional, e o algodão orgânico é mais uma delas. Durante o plantio do algodão e produção da fibra, não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. O algodão orgânico tem o mesmo toque suave do algodão normal, a principal diferença entre eles, além do vital processo de produção, é a qualidade e durabilidade da fibra. Tecidos produzidos a partir de algodão orgânico são um pouco mais delicados e tendem a perder a forma com mais facilidade, estudos e pesquisas nesse campo já estão em andamento para melhorar o desempenho da fibra e torná-la ainda mais atraente para a indústria.   5 - Outras fibras recicladas Algodão, seda e lã são todas fibras passíveis de serem transformadas em roupas novas através de um processo inverso: descosturar, cortar e transformar o tecido em novos filamentos de fibra para daí produzir um novo tecido que será transformado em uma nova peça. Uma das primeiras grandes marcas que começou a recuperar roupas velhas para transformar em roupas novas foi a gigante do fast-fashion H&M, mas o processo ainda é muito trabalhoso e precisa ser aprimorado. Por exemplo, uma peça só pode ter 30% de algodão reciclado, os outros 70% precisam vir de fibras virgens – é melhor que nada, mas ainda é muito pouco. Outro ponto de vista sobre as fibras recicladas, nós podemos ver no documentário de 15 minutos Unravel, onde o diretor Meghna Gupta acompanha todo o processo de reciclagem das roupas que são despachadas do ocidente para o oriente e transformadas em cobertores, que depois são despachados novamente para o ocidente. São toneladas e mais toneladas de roupas, desconstruídas através das mãos de diversas mulheres indianas que pensam que não temos água para lavarmos nossas roupas, por isso jogamos elas fora e compramos outras: “Talvez a água seja muito cara para lavá-las”. É interessante e mostra, novamente, o quanto precisamos nos reconectar com o processo de produção e pós-consumo das nossas peças de roupa.

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