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Calce Uma Causa

Mulheres que Inspiram: Jéssica Behrens

Mulheres que Inspiram: Jéssica Behrens
A primeira startup a ser incubada em Harvard é comandada por uma mulher. Conheça a história de Jessica Behrens na série especial em colaboração com o Mulheres que Inspiram. Se você tá a fim de vender ou trocar aquela roupa esquecida no armário, vai curtir demais a entrevista de hoje. O Tradr é um aplicativo baseado em economia colaborativa onde você cria a sua própria loja, cadastra seu produto e pode vender ou TROCAR à vontade. Os objetos aparecem como perfis no Tinder e você pode indicar seu interesse ou simplesmente deslizar a tela para o lado e visualizar um novo produto. A ideia começou como um desafio do desapego. A brasiliense Jéssica Behrens estava no final do curso de Comunicação, sem saber ao certo que carreira gostaria de seguir e numa daquelas crises existenciais de quem está prestes a cair no mercado de trabalho, quando se propôs o desafio de se desapegar de uma coisa por dia durante 1 ano. Nesse exercício de desapego, ela percebeu que não existia uma forma fácil de conectar seus desapegos à sua rede de contato. Até criou um grupo no Facebook com essa finalidade, mas não deu muito certo. Comprometida com o desafio, persistiu na sua missão: resolveu colocar os objetos nos pontos de ônibus. “Eram coisas legais, não podiam ir pro lixo. Então todo dia eu deixava algum objeto com um bilhetinho no mesmo ponto. No dia seguinte, o objeto já não estava mais lá, alguém sempre pegava. Nesse tempo, continuei pensando se não existiria uma forma de conectar pessoas a objetos e, meses depois, surgiu a ideia de desenvolver uma espécie de Tinder que fizesse essa conexão de forma divertida, inteligente e personalizada. Comecei a contar a ideia pros meus amigos e um deles sugeriu que eu aplicasse pra Harvard. E foi assim que a TRADR foi a primeira startup do Brasil a ser incubada por lá". jessicaegabrielle (1) Em 6 meses, Jéssica recebeu todo suporte de mentores, estudou muito sobre Empreendedorismo e Tecnologia, e começou a encarar sua ideia como um business. De volta ao Brasil, convidou a Gabrielle Lobo, que já cultivava um enorme interesse por Slow Fashion e Consumo Consciente, pra tocar o projeto com ela. Em dezembro do ano passado, o app foi lançado oficialmente e selecionado pra startup Farm, que é a maior aceleradora de startups da América Latina. Uma característica importante do app é o seu algoritimo capaz de mapear os seus gostos. Quanto mais você demonstra interesse por determinadas peças, mais o  TRADR passa a oferecer outros produtos que podem chamar sua atenção. Ou seja, quanto mais usa, mais chances de ser apresentada a roupas e objetos que são a sua cara! E ainda tem mais uma vantagem: se você confecciona algum produto e ainda não tem loja física ou virtual, pode usar o TRADR como uma plataforma de venda, uma ótima solução pra facilitar a vida dos pequenos produtores e de quem trabalha com artesanato, por exemplo. O "Tinder do Desapego" é mais um case super inspirador de empreendedorismo feminino e inovação social pra te ajudar a dar um pontapé nas suas ideias e colocar em prática os seus sonhos e desejos mais profundos. Continue lendo

Mulheres que Inspiram: Natália Pietzsch

Mulheres que Inspiram: Natália Pietzsch
A sexta entrevista do Mulheres que Inspiram pro Insecta é sobre uma iniciativa que quer mudar o mundo: a Re-ciclo, da engenheira ambiental Natália Pietzsch, vem mudando o destino do resíduo orgânico em Porto Alegre. Uma ideia transformadora que tem como desejo criar uma sociedade mais equilibrada e sustentável.   - Me conta um pouquinho sobre você! Onde nasceu e cresceu? Quais são as suas melhores lembranças de infância? Meu nome é Natália Pietzsch. Sou natural de Porto Alegre e sempre morei aqui. Minhas melhores lembranças da infância me remetem a parques e teatros. Meu pai me levava para o Parcão ou para o Marinha para andar de bicicleta, roller e brincar, ou me levava a apresentações de teatros infantis ou cinemas. Eu tive muitos primos, então uma das lembranças que eu tenho é estar sempre por perto de algum deles, aprontado. Eu era muito espoleta. Minha mãe me conta que eu queria trabalhar no Green Peace quando criança, ajudando o planeta e os animais, e que também queria ser professora. Hoje, quando olho o que venho traçando para minha vida, vejo como esses sonhos de criança se concretizaram, parte por ter fundado a Re-ciclo, que tem por principal objetivo contribuir para uma sociedade mais sustentável, e parte por ter dado aulas no mestrado e realizar as oficinas que a Re-ciclo oferece. - Qual a sua formação? Já passou pelo mundo corporativo? Entrei na faculdade de Engenharia Ambiental da UFRGS em 2007. Como eu gosto muito de estar sempre em movimento, colocando em prática tudo que aprendo, a partir do 4º semestre na faculdade eu comecei a fazer estágios, bolsas de iniciação científica e voluntariados. No final da faculdade, decidi trancar um semestre para fazer dois intercâmbios pela AIESEC. Primeiro fui para Camarões trabalhar por 2 meses em uma consultoria ambiental local e depois fui direto para Itália, ensinar inglês e temas relacionados a sustentabilidade para jovens do ensino médio. Foram duas experiências completamente diferentes que me ensinaram a valorizar muito o país que vivo e as coisas simples da vida. Quando eu voltei, comecei a atuar como consultora ambiental em projetos de licenciamento, planos de saneamento para municípios e tudo mais que estivesse relacionado a resíduos sólidos, que é a minha paixão desde a faculdade. Antes de me formar eu já havia sido aprovada para o mestrado da Engenharia de Produção. Escolhi como tema da minha dissertação a filosofia Lixo Zero, que incentiva ao máximo a redução na geração de resíduos e o total reaproveitamento e reciclagem dos resíduos. Segundo esta filosofia, menos de 10% dos resíduos deveriam ser descartados, todo o restante teria valor para ser reciclado. Infelizmente, hoje vemos o contrário acontecendo: 10% do material sendo reciclado e 90% sendo encaminhado para aterros sanitários. DSC_1803   - O que é a Re-Ciclo? Quando e como surgiu essa ideia? Qual foi a sua maior inquietação pra dar início a essa iniciativa? Quando terminei o mestrado estava muito inquieta, querendo aplicar na prática o resultado de dois anos de pesquisa e aliar à isso a vontade de contribuir para uma sociedade mais equilibrada e sustentável. Foi aí que comecei a pesquisar modelos de negócios, viáveis técnica e economicamente, para colocar em prática na minha cidade. Descobri que estados como RJ, MS e SC vinham implementando, através de iniciativas privadas, modelos de gestão de resíduos orgânicos de casas e condomínios e, em março deste ano, fui visitar algumas destas. Foi paixão à primeira vista e a ideia não saiu mais da minha cabeça. Todo o resíduo orgânico gerado nas casas e condomínios do município de Porto Alegre vão direto para um Aterro Sanitário, localizado há 120Km de distância da capital. É um desperdício de dinheiro público, de matéria prima rica para adubação de hortas, parques, jardins e, ainda por cima, gera diversos danos ao meio ambiente como poluição atmosférica e superlotação de aterros sanitários e geração de gás metano – gerador do efeito estufa. A Re-ciclo surgiu do grande desconforto gerado por essa situação e da vontade de mudar essa realidade, sem esperar a ação de órgão públicos ou outras iniciativas. Junto com mais dois sócios, Filipe de Ávila Soares e Thiago de Melo Rocha, realizamos a coleta dos resíduos orgânicos (cascas de frutas, legumes, borra de café, e outros) de casas e condomínios e transformamos esse material, que era antes considerado “lixo”, em adubo para ser utilizado em hortas e jardinagem. Temos como desejo fechar o ciclo da matéria orgânica. Ou seja, após o consumo dos alimentos, as sobras de alimentos são transformadas em composto orgânico que é utilizado em hortas para produção de alimentos que serão comercializados e consumidos, gerando mais resíduos orgânicos que serão compostados, reiniciando o ciclo NATURAL dos alimentos, que a Re-ciclo tem por objetivo reintroduzir no nosso dia-a-dia. DSC_1526 - Por enquanto só funciona em Porto Alegre? A Re-ciclo atua apenas em Porto Alegre, por enquanto. Temos muito desejo de expandir nossas atividades para outros lugares, pois nosso desejo é que todas as pessoas tenham o poder de escolha de dar uma destinação mais adequada para seu resíduo orgânico.   - Quais são seus planos e sonhos para a Re-Ciclo? São tantos... Ideias nunca faltam! Temos desejo de introduzir hortas comunitárias e composteiras em diversos terrenos na cidade, propiciando maior sensibilização ambiental para os moradores, maior contato e aproximação com a natureza e o contato com a terra – que no meio urbano são raros – e ocupando áreas que antes era marginalizadas, dando mais vida a esses locais. Esse sonho já está virando realidade e em breve teremos novidades. Queremos expandir as oficinas, que a Re-ciclo já vem realizando, para quebrar essa visão de que o “lixo” não tem valor e, desta forma, capacitar as pessoas para fazerem sua própria composteira ou optar por uma coleta adequada para seu resíduo. Queremos ainda viabilizar esse serviço para a cidade inteira, já que hoje alguns bairros ainda não são atendidos, gerando emprego, renda, capacitação e inclusão para jovens profissionais. DSC_1633 Nosso sonho grande é ter uma Re-ciclo em cada cidade! E isso é possível. Um mundo melhor é possível, começando por cada um de nós. Tenho certeza que a Re-ciclo alcançará cada um desses sonhos e geraremos muitos impactos positivos.   Continue lendo

Mulheres que Inspiram: Cristal Muniz

Mulheres que Inspiram: Cristal Muniz
Ela decidiu tentar parar de produzir lixo e viver uma vida sem desperdício, mais natural, mais saudável e mais feliz. A entrevistada de hoje é a incrível Cristal Muniz do "Um ano sem lixo". Ah! E se você quiser se inspirar com outras mulheres e suas iniciativas maravilhosas, veja aqui as últimas entrevistas do Mulheres que Inspiram pra Insecta!    - Me conta um pouco sobre você! Onde nasceu e cresceu? Quais são as suas melhores lembranças de infância? Eu nasci em Florianópolis, onde morei com meus pais até os 4 anos e meio. Vivia na barra da saia da minha mãe, atrás do meu pai (que é artista e tinha um ateliê no mesmo terreno) e perto dos meus avós: o vô que era um doce e a vó que era um furacão e tinha uma fábrica de roupas ali na casa. Depois fui morar em São Carlos - SC, uma cidadezinha de 5 mil habitantes na época, onde a família da minha mãe morava e pra onde ela foi quando separou do meu pai. Morávamos com meus avós numa rotina super do interior. Tudo o que a gente quer hoje em dia eu tinha lá: produção local (o que não tinha na horta na própria casa, tinha na fazenda do produtor vizinho) e orgânica (tudo da horta era sem agrotóxico, a maioria das coisas que a gente pegava dos vizinhos também). Eu era uma criança bem quietinha e calma. Lia muito, muito mesmo! Não gostava de brincar na rua porque tinha medo de me machucar (#canceriana) e gostava de brincar com meus cachorros/gatos/coelho/tartaruga (a gente sempre teve um monte). Sempre tive blog, desde os 13 anos. Sempre escrevi muito, sempre falei muito sobre mim na internet. Meu álbum preferido da infância era o "Cravo Cor-de-rosa Carvão" da Marisa Monte, que eu ganhei do meu tio quando fiz 10 anos. Sempre quis aprender costuras: costurar, bordar, tricô, crochê, ponto cruz. Sei um pouco de tudo, aprendi com minha vó e depois uma tia que me deu algumas aulas. - Desde 2015 você se dedica ao "Um ano sem lixo". O que é esse projeto? Como começou? O Um ano sem lixo é um projeto de vida. Quero viver sem produzir lixo. Tudo começou quando descobri a Lauren Singer e seu blog Trash is for Tossers. Li uma matéria que ela dizia que não produzia lixo há alguns anos e fiquei super encantada. Depois, o fato dela ter quase a mesma idade que eu e morar em Nova Iorque, e não em uma fazendinha, também me pegou de jeito. Então criei o blog no final de 2014 pra em 2015 eu aprender a parar de produzir lixo. Sigo aprendendo, com novos desafios o tempo todo. - O que significa não produzir lixo ou lixo zero? Basicamente não produzir nenhum tipo de resíduo que precise ir pro aterro sanitário. Isso significa parar de usar e precisar de tudo aquilo que não for reciclável ou compostável. Mas também é reduzir muito a produção de lixo reciclável. Menos, melhor. A ideia do lixo zero é usar muito mais vezes as coisas antes delas precisarem ser descartadas. Vivemos num mundo que descarta coisas com segundos de uso. Isso não pode ser sustentável de ser mantido - e é isso que temos visto acontecer. - Até agora, qual a sua maior dificuldade com relação à não produção de lixo?  Sempre falo do papel higiênico, que ainda não consegui parar de usar e só consigo descartar pro aterro sanitário. Acho que a principal dificuldade é em ter opções. Preciso saber se as embalagens são 100% recicláveis (do que ainda preciso comprar embalado) e essa informação nem sempre está na embalagem, depois se tem uma opção melhor ou menos pior. Como descartar corretamente coisas que não são tão comuns, mas que fazem parte da vida de todo mundo como eletrônicos e lâmpadas. E onde comprar as coisas, isso parece uma caça ao tesouro! - Paris acaba de inaugurar seu primeiro mercado totalmente sem embalagens. Por aqui, ainda não vejo muito avanço nesse sentido. Você já descobriu algum estabelecimento assim? Acha que falta muito pra isso acontecer? Já existem muitas lojas a granel e a maioria aceita que a gente leve os próprios potes ou saquinhos. Acho que aqui a gente esbarra no problema de subestimar o consumidor, achando que ele não vai entender, não vai comprar a ideia ou não vai ser capaz. Ainda fazemos o comércio pensando na pressa das pessoas, em ter muitos saquinhos e tudo pronto pra facilitar a rapidez da compra. E também por várias questões legais: as normas de vigilância e a Anvisa tem muitas regras que indicam a utilização de descartáveis, por exemplo. Mas eu sei que existem muuuuuitas alternativas legais por aí, só que são geralmente marcas pequenas que aparecem pouco. - Na sua rotina diária, que produtos você teve que substituir pra zerar a produção de lixo?  Digamos que tudo?! hahahaha! Parei de comprar cosméticos convencionais. Tô usando o que tenho até acabar e aí procuro uma receita pra eu mesma fazer ou compro de uma marca que seja de preferência, orgânica e sustentável. Por isso também uso muito menos coisa hoje em dia e porque os produtos que faço geralmente são multiuso, como os hidratantes que servem pra todas as partes do corpo. Os produtos de limpeza: parei de comprar mil coisas embaladas e uso vinagre, bicarbonato de sódio e sabão de coco. Faço meu próprio sabão pra roupas, faço misturinhas com vinagre pra desinfetantes e também parei de usar esponja e troquei pela bucha vegetal. Escova de dentes normal de plástico troquei pela de bambu que é compostável. Pasta de dente normal troquei pela que faço com óleo de coco e bicarbonato de sódio. Absorventes troquei pelo coletor menstrual. <3 Vários descartáveis troquei pelos reutilizáveis como: guardanapos de pano, copo retrátil de alumínio, saquinho de pano, caneca, talheres, hashis, canudos de bambu. - Tem alguma coisa que você ainda não encontrou solução? Tem algumas coisas que, se tivéssemos um processo de descarte correto, iriam ser recicladas. Mas tenho muitas dúvidas sobre. Eletrônicos, pilhas e baterias, móveis, remédio, lâmpadas, coisas adesivadas, restos de coisas, coisas quebradas, roupas e calçados. Tento não descartar, tento comprar opções que durem muuuuuito e de 2ª mão, mas nem sempre é possível. Por isso eu não ostento um pote de lixos como outras blogueiras lixo zero. Aqui a quantidade de problemas ainda é maior (mas não é impossível). - Aos poucos, como podemos nos tornar mais conscientes da produção alarmante de lixo?  Acho que é importante encarar o lixo como um problema, sabe? A gente finge que acha tudo um absurdo, mas é fechar a sacolinha que passamos o problema pra frente. É um problema e é nosso problema, porque vivemos nesse mundo, nesse país e nessa cidade. A gente precisa fazer nossa parte, achar horrível toda vez que precisar jogar algo fora, se sentir mal quando pedir um delivery e vierem 50 embalagens. - E que ações simples podemos realizar em casa? Primeiro: olhar pro lixo que você produz e saber o que tem nele. Assim, você consegue saber que problemas tem que enfrentar. Depois: ter uma composteira em casa. É super simples e fácil de cuidar e você vai reduzir quase 50% do seu lixo em casa, transformando os resíduos orgânicos em adubo! Trocar os descartáveis pelos reutilizáveis é essencial também. Tudo que der, substitua pela versão em pano: toalha, guardanapo, saquinho, absorventes, fraldas, etc. - Pode dividir com a gente alguma receitinha especial?  Eu adoro a liberdade e independência que a receita de sabão pra roupas nos dá. Aqui: http://www.umanosemlixo.com/2015/10/receita-para-fazer-em-casa-sabao-de-coco-em-po-para-lavar-roupas.html E a receita de hidratante natural é sempre suuuucesso: http://www.umanosemlixo.com/2015/07/receita-para-fazer-em-casa-hidratante-natural-vegetal.html Continue lendo

Mulheres que Inspiram: Paloma Zaragoza

Mulheres que Inspiram: Paloma Zaragoza
A entrevistada de hoje é jornalista de formação e cozinheira de coração. Pós graduada em Gastronomia, é chef voluntária da ONG Banco de Alimentos e criadora do Como Me Lo Como, um blog que reúne paixões e inspirações na cozinha. Na quarta entrevista da série especial em parceria com o Mulheres que Inspiram, conheçam Paloma Zaragoza! Paloma 2 - Onde você nasceu e cresceu? Quando criança já sabia o que queria fazer? Nasci e cresci em São Paulo e Goiânia. Quando criança e até os 20 e poucos anos meu sonho era trabalhar no teatro, mais precisamente no teatro de comédia. Mas a vida e meus outros interesses foram me levando por outros caminhos e o que prevaleceu foi a Gastronomia e a Sustentabilidade. - Quais são as suas melhores lembranças de infância relacionadas à comida? Da fazenda dos meus avós maternos o lambari frito que pescávamos na represa e as laranjas descascadas pela minha avó. Da avó materna, sapatinhos de maçã (mini pastéis de massa folhada recheados de purê de maçã) e as enormes paellas. - Qual a sua formação? Que cursos já fez? Em que cidades já morou?  Uma epopeia! rsrsrs! Sou formada em Jornalismo e especializada em Gastronomia. Já fiz cursos de teatro, dança, canto, roteiro... Já morei na Espanha, no Canadá e nos Estados Unidos. - Como a Gastronomia entrou na sua vida? E em que momento o Jornalismo saiu?! O Jornalismo e a Gastronomia se encontraram quando criei o blog comomelocomo. Aos poucos fui me envolvendo em eventos de gastronomia e quando vi estava produzindo e cozinhando nos meus próprios eventos. - Quais são as suas melhores lembranças com relação a esse processo de mudança de profissão? As dores e as delicias de ser uma empreendedora! Acho que a mais marcante foi quando fiz meu primeiro Mercado dos Chefs. Lembro de mim e de uma amiga que é tricoteira, no meu apartamento de 62m2, abrindo e limpando 30 quilos de milho pro evento. Eu não sabia se chorava ou se ria! Mas isso pra dizer que a melhor parte mesmo foi o apoio incondicional dos  meus amigos, que me ajudaram como puderam, seja descascando milho ou até trabalhando de graça comigo! - O que é o "Como me lo como"? Quando e como surgiu a ideia? "como me lo como" é o nome de um restaurante em Madrid. Na época eu era estudante de Jornalismo e tinha a grana curta. Portanto, quando juntava um pouco mais, ia comer nesse restaurante. Uso o nome hoje para me lembrar de como tudo começou e me orgulhar de onde cheguei. Gosto de dizer que a "como me lo como" é um grande guarda-chuva de ideias. Gosto de agregar todo tipo de projeto que envolva gastronomia, comer e beber culturalmente. Hoje tenho um espaço que é uma cozinha de produção e também um espaço cursos e eventos. Paloma 1 - Qual a sua especialidade na cozinha? O que ama fazer? E o que não faz de jeito nenhum? Minha especialidade na cozinha é comida brasileira / caipira e o conceito de Zero Desperdício nas receitas. O que eu não faço de jeito nenhum? Acho que  confeitaria. Não tenho mão para doces sofisticados. - O que é o Zero Desperdício? A questão do Zero Desperdício começou quando me tornei chef voluntária da ONG Banco de Alimentos, onde aprendi a importância de não jogar fora os talos, as cascas e as sementes dos alimentos. Pensando nisso, acabei evoluindo por este caminho e me especializando no tema. Hoje dou cursos e ministro workshops em empresas sobre a Otimização dos recursos e Zero desperdício, ou seja, ensinar as pessoas a aproveitarem melhor os seus alimentos, sejam in natura utilizando as partes não convencionais, seja dando uma segunda chance a comidas já prontas. O combate ao desperdício começa quando aprendemos a otimizar os recursos, ou seja, nem sempre reciclar é a melhor solução, mas sim saber consumir, comprar, armazenar e cozinhar os alimentos. Esse tipo de conceito pode ser tirado da cozinha e colocado em todos os aspectos da nossa como otimizar nosso tempo, nossas 'coisas', nosso trabalho. O exercício do Zero Desperdício começa na lista de compras e vai até a forma como vê e entende o que é realmente lixo. - Alguma receita simples e rápida pra salvar um domingo chuvoso? Um Penne qualquer, manteiga, queijo ralado e pimenta do reino. Quando o penne estiver al dente, retire todo o excesso de água da panela e deixe somente um fundo. Aumente o fogo, jogue uma colher de manteiga e mexa com delicadeza. Até a água começar a ganhar corpo e virar um creme. Jogue a pimenta do reino e o queijo ralado e pronto! - Qual foi o último sonho que você realizou? E qual será o próximo? Último sonho: conhecer o Japão. O próximo: comprar uma moto e viajar o Brasil. Paloma 3 Continue lendo

Mulheres que Inspiram: Fabíola Pecce

Mulheres que Inspiram: Fabíola Pecce
Fabíola Pecce é uma mulher inspiradora que aprendeu desde cedo que "Lixo só é lixo se estiver no lugar errado. Se estiver no lugar certo, passa a ser insumo". Fundadora da Pasárgada – Oficina de sustentabilidade, ela conta como o seu trabalho orienta e facilita ações provocando o menor impacto ambiental. 262952_10150255002338402_7229199_n - Me conta um pouco sobre você! Onde nasceu e cresceu? Quando criança participava de algum projeto/iniciativa ambiental? Nasci em Foz do Iguaçu, Paraná, e venho de uma família de 7 irmãos. Seis meninas e um menino. Desde pequena minha mãe nos ensinou a cultivar alimentos sem agrotóxicos e processa-los de forma orgânica, rendendo habilidades culinárias, de tear, bordado e marcenaria. Além de aprender a arte essencial do capricho em si que reserva o melhor uso e valoração de pertences pessoais. - Você se formou em Administração e optou por fazer especialização em E-business e Gestão Ambiental. O que motivou suas escolhas? Você já tinha algum plano do que exatamente queria trabalhar? A primeira especialização (em E-business) foi uma escolha para poder usar melhor os recursos que a Internet estava acrescentando em nossas vidas (foi concluída em 2001) e para aprender sobre mobilização de rede. Já  quando decidi que iria trabalhar com sustentabilidade (por motivação pessoal e desconforto com excessos e ineficácia de processos) não imaginava nem de perto quais seriam minhas atribuições. Confusa e pensando que salvar animais era "biologia" demais para a formação que eu tinha e que eliminar poluição era "química" demais para meu caminhãozinho, escutei uma frase do Lutzemberg que mudou a minha vida. A frase dizia: "Lixo só é lixo se estiver no lugar errado. Se estiver no lugar certo, passa a ser insumo". Na época eu estava completando 15 anos trabalhando com logística internacional e me senti completamente apta a colocar resíduos no lugar certo. Desde então, minha maior fissura tem sido estudar como eliminar os piores lixos do mundo. Adepta de metodologias da economia circular/lixo zero/cradle to cradle/closed loop, acredito que, se após o uso pelo consumidor, você não consegue reintroduzir seu produto na cadeia de transformação, então é responsável por investir em pesquisa e desenvolvimento para reconceber seu produto. Por isso hoje estou cada vez mais me especializando em conversar com designers, pois se estes se posicionarem como precursores de sustentabilidade, então salvamos o mundo.  Afinal, tudo que consumimos (carro/relógio /carro/roupa, etc) foi concebido por um designer. Se este time for comprometido com sustentabilidade e tiver conhecimentos técnicos, então temos essa equação solucionada. - O que é a Pasárgada? Como funciona o seu trabalho? Em que frentes você atua? A Pasárgada é uma organização que orienta e facilita ações para menor impacto ambiental. Trabalhamos com uma postura de transformação pró ativa. Quando se fala sobre resíduos estamos falando de mudança de comportamento para evitar e minimizar ou de logística para eliminar passivos. Trabalhamos no primeiro grupo. Qualquer proponente que esteja alinhado com os objetivos da economia circular pode ser um potencial cliente. - O que é a Semana Lixo Zero? É uma iniciativa sua? É possível reproduzir a ideia em outras cidades? A semana Lixo Zero é uma iniciativa do Instituto Lixo Zero no Brasil e está sendo espalhada para outros países já tendo acontecido também no Uruguai. Fora do Brasil é o Zero Waste International Alliance que coordena. Eu sou responsável pelas edições de Porto Alegre. No Brasil são pelo menos 5 capitais (Porto Alegre / Curitiba / São Paulo / Rio / Floripa) e umas 10 cidades do interior. 20150913_134909 - Suas oficinas são voltadas apenas pra empresas ou qualquer um pode participar? Sustentabilidade é um tema transversal. Trabalhamos com qualquer tipo de público que tenha um interesse em comum. Os setores mais recorrentes são escolas e universidades,  construção civil;  indústria da saúde e poder público. - Qual a situação do Brasil hoje com relação à geração de lixo? O Brasil tem a melhor lei do mundo (desde 2010) e soma-se a isso uma pesquisa feita pela ONU em que foi identificado que temos o povo com maior motivação ambiental do mundo. Se olharmos para o presente, estamos ainda com muito tema de casa, mas estaremos aqui para assistir a velocidade de transformação dos entornos que vivemos. Você já nota modificações ao seu redor? Se sim, é disso que estamos falando. - De uma forma simplificada, como podemos contribuir no nosso dia a dia com a redução de lixo? Levante da cadeira agora. Vá até a lixeira que você mais usa e vire ela de cabeça para baixo. Escolha um único lixo para eliminar da sua vida (pode ser o mais volumoso ou o que mais te incomodar, por exemplo). Depois de fazer isso, escolha um próximo alvo. 387344_10150487639243402_1815996352_n Continue lendo

Mulheres que Inspiram: Fê Canna

Mulheres que Inspiram: Fê Canna
Essa é a segunda entrevista da série em parceria com o Mulheres que Inspiram, um projeto que reúne e compartilha histórias de mulheres que acreditam em seus sonhos e investem em carreiras com mais amor e propósito. Se você perdeu a primeira entrevista, clique aqui! E se quiser acompanhar todas as histórias do projeto, é só acessar o Insta do Mulheres: @mulheresqueinspiram A mulher inspiradora de hoje é empreendedora, vegetariana, já trabalhou com moda e sustentabilidade e hoje dedicada seu tempo a escrever sobre estilo de vida consciente. Senhoras e senhores, conheçam Fê Canna!   - A sua relação com a Moda começou muito cedo. Você sempre quis trabalhar na área? De que forma esse assunto se fazia presente na sua infância? Minha relação com a moda começou já empreendendo. Com 12 anos eu comecei a fazer camisetas e bolsas e coloquei na internet (na época era no fotolog, ainda nem existiam lojas virtuais em pequena escala). A marca durou 6 ou 7 anos e aí já parecia bastante óbvio para mim seguir esse caminho, então cursei Moda na Faculdade Santa Marcelina.   - Quando e por que você se tornou vegetariana e como essa escolha vem guiando a sua vida pessoal e profissional desde então?   Faz mais ou menos 15 anos que me tornei vegetariana. Foi uma escolha completamente racional, eu acredito que a gente não precisa de carne para viver e decidi que tinha que agir de acordo com essa minha convicção. Esse interesse pelo vegetarianismo me levou a estudar outros caminhos, como da alimentação saudável, consumo de orgânicos e da beleza natural. Na minha cabeça todos os assuntos estão interligados, tem a ver com levar uma vida mais consciente. IMG_3318_baixa - Como surgiu a Canna? Quais são as maiores dificuldades de comandar um negócio que envolve sustentabilidade, matéria prima 100% vegana e design? A Canna surgiu depois que me formei, eu sabia que queria empreender novamente e tinha essa dificuldade em encontrar bolsas e acessórios sem couro, que não fossem feitos na China com mão de obra exploratória. Então decidi fazer essa linha de bolsas veganas, feitas com mão de obra artesanal, material brasileiro e design atemporal. As dificuldades são todas as de se ter um negócio pequeno (dificuldade para comprar material e produzir em pequena quantidade, ter que fazer tudo sozinha, no meu caso, ou com equipe enxuta, etc.) e também educar os fornecedores e prestadores de serviços sobre o modelo de negócios, sobre a escolha de materiais. No começo eu sentia que tinha que educar o consumidor também, mas nesse ponto acho que deu super certo, porque eu senti uma enorme diferença entre o começo e a última coleção.   - A Canna está dando uma pausa? A que projetos você está se dedicando no momento? Sim, no momento a Canna está dando um tempo. Tenho dedicado meu tempo a escrever sobre estilo de vida consciente, criando uma audiência para esse tema. Desenvolvi a Jornada Beleza do Bem, para ajudar pessoas que querem aprender a fazer escolhas melhores na sua rotina de beleza. Também faço a curadoria de lugares e marcas sustentáveis, locais e orgânicos para o guia @vailasp no Instagram.   - A sua relação mais saudável com a alimentação fez com que você se aprofundasse em temas como beleza natural, moda ética e estilo de vida. O que você pensa sobre a relação das brasileiras com a beleza? Acha que já existe uma preocupação em buscar produtos e procedimentos mais naturais? A mulher brasileira tem, sem dúvida, uma grande preocupação com a beleza, com os cuidados faciais, com as unhas e com os cabelos. Coisas que não notamos com tanta intensidade em outras culturas, como a europeia, por exemplo. Essa preocupação está tão inserida na nossa sociedade que acaba parecendo natural uma criança de 6 anos alisar os cabelos com químicas que não deveriam ser usadas nem em adultos. Mas é justamente no tratamento dos cabelos que eu tenho notado maior mudança. As mulheres têm cada dia mais se libertado do alisamento e da chapinha. Os cuidados naturais com os cabelos são grandes aliados para conseguir fazer essa mudança então elas passam a olhar para óleos, argilas e outras matérias primas de outra forma.   - Qual é a sua rotina de beleza? De quais produtos não abre mão? E quais não usa de jeito nenhum? Minha rotina de beleza tem sido cada vez mais simples. Eu adoro fazer produtos caseiros, mas apenas as receitas mais simples e possíveis de encaixar em uma rotina comum. Na maior parte dos dias eu uso apenas sabonete natural artesanal (nos cabelos, no rosto e no corpo), tônico de chá de camomila no rosto e uma manteiga ou óleo vegetal para hidratar. Uso maquiagens nos dias que tenho compromisso na rua, mas também exercito minhas escolhas naturais e orgânicas nessa compra. Também uso um protetor solar físico, desodorante e pasta de dentes em versões naturais, sem químicas polêmicas. Só tenho pintado as unhas em ocasiões especiais. Eu ainda uso produtos convencionais que eu já tinha, principalmente de maquiagem, que são itens que duram mais e para mim não faz sentido jogá-los no lixo. Quando acabarem vou substituir por alternativas orgânicas ou naturais. IMG_3705_baixa - Acredito que a melhor parte de mergulhar nesse universo deva ser a experimentação. Com que frequência você se dedica a elaborar receitinhas caseiras de beleza? E qual foi a sua descoberta mais valiosa? Toda semana eu experimento uma receita nova, ou um jeito diferente de usar algum óleo, fruta, etc. Mas isso porque faz parte do meu trabalho e sou muito curiosa, como você falou, acho que a experimentação é uma parte muito gostosa, onde a gente pode encontrar o que faz mais sentido pra nossa rotina ou na nossa pele. Eu adoro o meu esfoliante feito com sementes de maracujá ou chá, porque são coisas que iriam para o lixo e eu consigo dar um novo uso na rotina de beleza. Quase a mesma coisa acontece com a barra esfoliante de café, feita com manteiga de cacau. E o tônico feito com chá que é maravilhoso, deixa a pele muito gostosa e às vezes eu misturo com vinagre ou água floral de tea tree para evitar acne.   - Onde podemos acompanhar as suas dicas?! Por enquanto principalmente pela minha newsletter, pelas redes sociais ( sou /fecanna no Twitter, Instagram e Facebook) e no Medium. Continue lendo

Mulheres que Inspiram: Marina Colerato

Mulheres que Inspiram: Marina Colerato
O que te inspira? O que te move? O que faz o seu coração vibrar? O 'Mulheres que Inspiram' mergulha fundo nas questões do universo feminino remexendo os desejos, talentos e habilidades de mulheres que acreditam em seus sonhos e investem em carreiras com mais amor e propósito. A partir de hoje, numa colab com a Insecta, o Mulheres vai compartilhar algumas dessas histórias e iniciativas especiais. Inspire-se à vontade!   - Me conta um pouquinho sobre você! Onde nasceu e cresceu? Quando criança já sabia o que queria fazer? Eu nasci na Av. Paulista e cresci por lá também. Sempre tive muito mais contato com a cidade e com nossa praia urbanizada, o Guarujá, quando era pequena. Minha paixão e meu ritmo cosmopolita talvez venha dessa vida totalmente urbana de SP. Mas, por outro lado, passava férias com meus avós em Guarulhos e meu avô me levava pra pegar amora no pé e plantar árvore na praça. Ele era mais ativista e de esquerda, e tinha esse lance com a natureza. Ele também era sapateiro, fazia sapatos de celebridades paulistanas lá pelos anos 60. Não duvido que esse meu lado criativo e ativista tenha vindo dele. Nunca fui dessas crianças que tinham ideia do que queria ser quando crescer. Na adolescência, quando já tava na hora de pensar nisso mesmo, lá com os meus 15/16 anos, quis ser muitas coisas: bailarina, psiquiatra, médica legista, jornalista e estilista. Risos. - Qual a sua formação? Que experiências profissionais você teve antes do Modefica? Eu sou formada em Design de Moda pela Belas Artes de São Paulo. Mas sempre gostei de estudar sobre coisas que gosto (o que não quer dizer que eu era uma boa aluna no colégio). Depois da faculdade, fiz uma série de cursos, desde styling até antropologia. Gosto da sala de aula. Ensaio uma pós há anos, mas até agora não achei nada que valesse o investimento. Nossa, eu já fiz de tudo um pouco na real. Comecei trabalhando em escritório cuidando de parte administrativa: fechamento de caixa, fluxo de caixa, planilhas e contato com funcionários. Depois trabalhei com vendas. Dai na área de moda já trabalhei em backstage de desfile, produção de moda, marketing e criação de catálogos. Depois fui para pesquisa de tendência, fazendo produção de conteúdo e sendo editora assistente. Nessa época cobri desfiles em São Paulo e RJ, e até feiras internacionais. Foi uma experiência ótima, mas que acabou se esgotando nela mesma. Daí veio o Modefica. marina-colerato-MODEFICA-04 - Empreender criativamente exige que a gente descubra a fundo nossos talentos e paixões. Quais foram as suas maiores motivações e inquietações pra criar o Modefica? Qual é a proposta do site? Que tipos de ações você realiza? Empreender criativamente exige da gente um tanto de coisas, né. Mas minha mãe é muito empreendedora e sempre quis mudar a vida das pessoas através da empresa, e meu pai nunca bateu cartão também, sempre teve as próprias empresas. Então essa realidade de assinar folha de pagamento e cumprir horário nunca foi o exemplo que eu tive. Em casa, era sempre sobre trabalhar muito, afinal, você tem uma baita responsabilidade. Dificilmente eu não iria empreender, até porque eu não consigo ficar muito tempo seguindo ordens que, pra mim, não fazem o menor sentido. O primeiro pensamento do que poderia ser o Modefica, antes de ter nome ou qualquer coisa, era ser um escape da mídia convencional, tipo Vogue e Elle, lotada de produtos e propagandas de marcas como Prada, Louis Vuitton, Coach e Chanel. Aquilo não fazia sentido nenhum pra mim, essa moda é pra uma porcentagem muito pequena da população e é sempre a mesma coisa - que graça tem usar a mesma bolsa Chanel igual a todas as outras 30 meninas no restaurante? Isso pra mim não é moda, nem estilo, é só autoafirmação. Queria mostrar estilistas brasileiros e novos estilistas, gente que tá fazendo diferente, coisas legais. Sempre me enveredei pro jornalismo, então uma revista online que falasse de uma moda mais nossa seria uma boa opção. Só que daí, no meio termo, eu virei vegetariana, e quando a gente vira vegetariana, uma porta na mente se abre. Não dá pra consumir de qualquer jeito, você começa a ver todos os impactos de tudo que consome e é um efeito dominó. Sua visão de tudo vai mudando. Dai veio o Modefica, pra falar sobre isso com um olhar divertido, atraente e “fashionista” (não gosto muito dessa palavra, mas acho que ela me faz ser entendida). Logo, o Modefica virou um site pra falar de um estilo de vida mais consciente, maneiras de sermos melhores cidadãs e mulheres mais felizes e livres. Basicamente, a inquietação permanente é: se eu tenho que viver nesse mundo uns 50, 60, 70 ou até 100 anos, que seja de maneira não conformada e sempre procurando maneiras de melhorá-lo. O começo que eu encontrei pra fazer isso foi através da informação, conscientização e papo sincero com as pessoas através do Mode. A proposta do site é informar e mostrar alternativas - seja de consumo, seja de estilo de vida. Nós partimos do princípio que a pessoa só pode fazer escolhas conscientes se ela realmente sabe sobre todas as alternativas que ela tem em mãos. Ao mesmo tempo, um consumidor informado pode incentivar, através do consumo, empresas que compartilham dos mesmo valores que ele, e, a partir desse princípio, nós buscamos incentivar a economia e o empreendedorismo brasileiro. Nós temos uma gama de assuntos tão diversificada como uma revista ou um portal como o M De Mulher, mas a gente pensa e peneira muito bem nossos textos para levar só o mais interessante e útil pra quem nos acompanha. No online, é matéria atrás de matéria informando e questionando. Nós escrevemos para outras marcas e sites que queiram que seus consumidores se engajem em assuntos importantes. No Instagram, a gente mostra iniciativas, pessoas, marcas, restaurantes que a gente acredita e indica. Além de mostrar mulheres que fazem acontecer na área das artes, moda, cultura, empreendedorismo (dá pra pesquisar por #ElasAcontecem, #DicaModefica, #ShopModefica e #RotaModefica). No offline, nós fizemos um grande evento só de mulheres criativas, com loja pop-up de várias empreendedoras conscientes, bate-papo com mais de 10 mulheres importantes em diversas áreas (entre elas a fundadora da Surya Cosméticos, Paula Gandin, a reconhecida nutricionista de veganos famosos, e Nana Lima, co-fundadora do Think Olga e Eva), arrecadamos doações voluntárias para o Projeto Cão Sem Fome e tudo no evento era vegan. Foi super legal e abriu portas pra gente fazer encontros e workshops para reunir essas meninas que não se conhecem, mas estão pensando diferente. Ainda no offline, eu fui convidada para dar aula na Perestroika POA sobre moda consciente e organizo workshops sobre o tema, com foco em falar com empreendedores de moda, consultoras de estilo e interessados no geral.   - Desde quando você é vegana? O processo de transição foi muito complicado? Como os amigos e a família lidam com essa escolha? De que forma essa decisão afetou e afeta a sua vida?  Primeiro, acho válido fazer um rápido esclarecimento sobre termos pra quem não é muito íntimo desse universo. Veganismo tem a ver com um estilo de vida que vai além da alimentação, é erradicar produtos de origem animal da vida sempre que possível. Couro, maquiagens com derivados de animais, cosméticos testados em animais, peles, penas, etc. Além de não apoiar zoológico, circos, e nenhuma diversão que venham a partir do sofrimento animal. Vegetarianismo é se alimentar de plantas, ou seja, erradicar da alimentação tudo que é de origem animal. Ovo-lacto vegetariasmo é erradicar da alimentação tudo de origem animal exceto leite e ovo. Os termos hoje são usados de maneira errônea o que, ao meu ver, enfraquece o movimento. Por isso acho importante ressaltar. Peixe, frutos do mar, leite, ovo, nada disso vem da terra. É importante a gente entender essa diferença. Bom, quanto a mim, fiquei ovo-lacto vegetariana por 3 anos e vegetariana estrita há 1 ano (totalizando 4 anos de transição). Mas sempre fui dessas que nunca comeu fígado de ganso, pato, rã, coelho e carneiro. Então sempre teve algo dentro de mim que me fez relacionar a carne do animal com o animal. No estilo de vida, já aboli diversas coisas, mas ainda estou em processo, diria que em fase de polimento. Rs! Ainda tem um caminho pra eu sentir que posso dizer, sem enfraquecer o movimento, que sou vegan. Olha, os amigos no geral ficam constrangidos até hoje. Não conseguem sentar num restaurante sem tocar no tema. Eu não toco no assunto, mas o simples fato de ter uma vegana (meus amigos e conhecidos me classificam como vegana) na mesa incomoda e gera constrangimento.  Então é um pouco delicado. Mas eu entendo e só prolongo assunto com quem está afim de conversar, entender e se engajar. Não tenho muita paciência. A minha mãe veganizou também, foi ótimo. Meu pai demorou um pouco pra entender, mas entendeu e já sabe que restaurante tem que ter opção pra mim. Pra ele, se eu fico doente, tropeço, corto o dedo, espirro é porque eu sou vegan. Rs! Mas isso é uma mudança de mentalidade que demora mesmo. Há 4 anos eu falo pra ele que comer carne sempre não era legal, ano passado ele disse que ele viu uma reportagem e cortou a carne quase 100%. Então está além de nós, ativistas, nos fazermos entender também. Tá no sistema, na indústria, na medicina. A gente é a ovelha negra remando contra uma cultura totalmente apegada ao que come - faça bem, faça mal. Sobre como afetou minha vida. Por um lado, a máxima de que a ignorância é uma bênção é válida. Não é fácil saber que 70 bilhões de animais morrem todos os anos e são tratados da pior maneira possível. É também muito insano você ver a OMS colocando bacon e salsicha como tão cancerígenos quanto o cigarro e o governo do estado deixar o McDonald’s fazer propaganda no metrô o dia inteiro e a Seara forrar vagões de trem com imagem de frango industrializado. Obesidade, AVC e câncer são problemas muito reais para as pessoas e para as contas públicas. Então, quando a gente deixa de ser ignorante com relação a isso, conviver com o funcionamento do sistema fica muito mais difícil. Fica mais difícil também, senão impossível, conviver com pessoas que falam “bacon é vida”. Não dá, eu não consigo. É a mesma coisa que conviver com amigos que não enxergam machismo e sexismo. A gente filtra mais nosso círculo de amizades, afinal, você quer sair e se divertir, e não ouvir essas bobagens. No final, a comida em si é o de menos. Comida vegetariana estrita tem em todo lugar. A paciência é que a gente precisa desenvolver pra lidar com tudo e dar aquele sorriso amarelo pra milionésima pessoa que te diz, sem você ter perguntado, que não conseguiria viver sem queijo. Por outro lado, assim como no feminismo, o veganismo é uma comunidade. É claro que tem muita gente pirada, mas gente pirada tem em todo o lugar, somos todos pirados. Hehehe. Mas é uma comunidade que vem crescendo, compartilhando receitas, dicas de nutrição e se apoiando. São pessoas que enfrentam praticamente as mesmas aflições e só conseguem compartilhá-las com outros veganos/ativistas. Além disso, fiquei muito mais ciente do meu corpo, do funcionamento do meu organismo, e muito mais preocupada com saúde e nutrição. E do mesmo jeito que passei a filtrar comida, só tentando absorver o melhor, fiz o mesmo com informação, pessoas, trabalho, etc.   - E sobre os cosméticos e marcas de moda? Ainda é muito difícil encontrar produtos veganos no Brasil? Como você enxerga esse mercado? Cosméticos de cuidados para a pele e cabelo até que tem bastante, viu? E de todos os preços, orgânicos, não orgânicos. A variedade por aqui já tá bem boa, está longe de podermos falar que é difícil. Pra maquiagem, daí já é mais complicado. Na Sephora tem marcas cruelty-free e com uma variedade de produtos vegan, mas já não é tão natural ou orgânico. As makes orgânicas que temos acabam não sendo tão atraentes, pelo menos não pra quem gosta muito de make. Você encontra base, primer, rímel, alguns tons de blush, mas pra quem gosta mesmo de make-up isso não é suficiente. Tem que recorrer mesmo pra alguma marca tipo Kat Von D ou Nars na Sephora ainda. Espero que marcas como Tarte e Aromi Beauty cheguem no Brasil em breve, ou que alguém por aqui empreenda nessa área. Temos algumas marcas bacanas já, como Bioart e Alva, mas uma oferta maior de produtos seria ainda melhor. Já na moda, sapato e bolsa são os maiores desafios. O brasileiro tem uma ligação com o couro mantida há anos pelo marketing da indústria do couro. As marcas por aqui ainda usam esse material como símbolo de qualidade e luxo, enquanto em outros países já existem marcas veganas fazendo coisas de luxo com materiais menos poluentes e livres de crueldade. Mas é possível encontrar algumas coisas por aqui, tem que ponderar e procurar ou, numa viagem ou em uma fase com mais grana, comprar de fora. O mercado é crescente, você vê na gringa como isso tá crescendo. É que aqui a gente é mais lento para absorver determinadas coisas. O veganismo começou a gerar demanda na moda agora, as pessoas tão falando mais sobre isso e pedindo mais. A Arezzo tem uma linha de sapatos veganos de tanto as meninas chegarem lá e pedirem sapatos de material sintético. Os empreendedores precisam enxergar essa demanda e a população precisa garantir que está sendo ouvida: falar com as vendedoras, entrar em contato com o SAC das empresas, enfim. Demonstrar que ela não quer um produto oriundo do sofrimento animal e/ou de uma indústria suja e totalmente poluente, e sim o outro, mas com a mesma qualidade e estética dedicados aos produtos “convencionais”.   - Por quê levantar a bandeira a favor da alimentação e consumo mais conscientes incomoda tanto as pessoas? Porque a zona de conforto é onde as pessoas querem estar. Ninguém quer pensar, muito menos pensar que, através das próprias atitudes, está detonando com o planeta ou gerando um baita sofrimento aos seres vivos humanos ou não. Mudar não é fácil e o ser humano faz de tudo para não ter que mudar, geralmente encontrando desculpas para se manter onde está. Muita gente se sente atacada quando a gente fala que determinada atitude, que a pessoa sabe que tem, não é boa e seria legal pensarmos em alternativas. Daí, na defensiva, vem o ataque. No quesito alimentação, a ligação emocional das pessoas com a comida é muito forte, grande parte da população é dependente emocional da comida (é só a gente ver a epidemia de obesidade). Se tá bem: come, se não tá: come. Se a gente fala em comer mais legumes e vegetais, é elitista (porque legumes e vegetais dá mais trabalho de fazer do que abrir um pacote de salsicha, e só tem tempo de fazer comida quem tem dinheiro, isso segundo muita gente por aí). Se a Bela Gil põe batata doce na lancheira da menina, ela é gordofóbica e tá submetendo à filha a “restrições alimentares”. Mas se coloca bolacha recheada e Toddy, tudo bem, mesmo que ela esteja realmente restringindo a filha de todos os nutrientes necessários pra ela crescer bem, saudável e não ser uma criança obesa. Eu posso comprar na Forever 21 e tomar Coca-Cola, mas eu sei das desvantagens disso pra mim e pro mundo. Eu não fico dizendo que Coca-Cola faz bem pra saúde pra quem não toma refrigerante. Não faz e bom pra ela que ela não toma. Ela não tomar não significa um ataque pessoal dela à minha pessoa, que ainda não me livrei desse hábito mesmo sabendo que é péssimo. Acho que as pessoas têm dificuldade em entender também que questionar e informar, ou até mesmo fazer diferente, não quer dizer impor ou mesmo competir. Acho também que as pessoas se sentem constrangidas e impotentes perante as próprias barreiras e isso incomoda demais a ponto de gerar os ataques. Falta humildade pra entendermos que não somos perfeitos, que nãos sabemos de tudo, que não fazemos tudo certo e que sempre há espaço para mudar pra melhor, crescer e amadurecer independente da idade. No final, acredito que a indústria fez um excelente trabalho em doutrinar as pessoas ao mais “cômodo" e vem ganhando trilhões de dólares com isso. Eles ficam ricos, nós e o planeta ficamos doentes e pobres. marina-colerato-MODEFICA-01 - Você acha que a população, de forma geral, tem se interessado em comprar produtos e valorizar empresas que não agridam o meio ambiente? Sim e não. Parece controverso, mas é bem linear esse comportamento. Existe uma demanda indiscutível por transparência por parte das marcas - e não só na moda. A H&M lançou um programa de reciclagem e uma linha Conscious por demanda do público, por exemplo. É uma tendência de comportamento exigir práticas melhores por parte empresas. Mas, ao mesmo tempo, a gente não quer ter muito trabalho, abrir mão de determinadas coisas e nos contentamos em ouvir o que as empresas falam que fazem. Sendo verdade ou não. Basicamente: nós não queremos deixar de comprar moda a preços super baratos, mas queremos que as marcas tratem melhor as pessoas que as costuram. Então, a gente diz isso isso para as marcas, elas lançam uma linha verde com 10 peças duas vezes por ano e ai fica tudo certo. Ir além, abrir mão da moda barata e juntar uma graninha pra comprar uma moda mais consciente, e até mesmo não comprar (trocar, pedir emprestado) ainda é uma prática de um nicho da população. E vou te dizer, não tem muito a ver com grana. Já vi menina ai com vários mil seguidores no Instagram, várias amigas, dizendo que “precisava de uma roupa pra um evento" e não tinha grana pra comprar de uma marca consciente e por isso ia à Forever 21. Gente, será que essa pessoa com mais de 30 mil seguidores não tem amigas que podem emprestar pra ela uma peça bacana? Eu duvido. A tendência é isso crescer e se alastrar, é o que todos os estudos de comportamento demonstram. Mas as mudanças precisam ser mais profundas do que linhas verdes e meia dúzia de produtos eco-friendly.   - Pode citar alguns sites ou pessoas que te inspiram a manter um consumo mais consciente? Quais são as suas maiores referências no assunto?  Na alimentação, a minha musa é a Kimberley Snyder. Foi através do primeiro livro dela (The Beauty Detox Solution) que minha relação com a comida mudou completamente. Na área de beleza é a Tashina Combs do Logical Harmony (http://www.logicalharmony.net/#axzz3xz3mqJKt). Na moda, daí já é mais complicado, não acho que tem muita gente. Mas gosto muito do trabalho da Stella McCartney, acho que ela não é perfeita, mas ela se esforça dentro do universo do luxo. Eu gosto muito de uma revista online da qual faço parte do time, a Vilda Magazine, que fala sobre moda e estilo de vida vegan. É muito bacana e tenho certeza que as meninas me inspiram muito. A Livia Firth é também um referência quando o assunto é moda consciente e ela vem promovendo ações muito bacanas, como o The Green Carpet Challange.   - Pode revelar alguma receitinha vegana simples e deliciosa que qualquer um consegue fazer? Olha, talvez uma receita de leite vegetal seja a mais útil e simples. É só bater uma xícara de castanha de caju ou amêndoa crua (deixada de molho por 8 horas, dispensando a água do molho depois) ou amendoim ou gergelim ou côco fresco com 800ml de água. Bate bem, durante uns cinco minutos. Coe. Você vai ter leite pra colocar no café, nas receitas, bater com cacau em pó. Um receita fácil e muito gostosa e nutritiva, já com o leite em mãos, é:   INGREDIENTES  – 3 bananas grandes – 1/2 xícara de tâmaras picadas (compre as tâmaras com caroço e tire o caroço em casa) - é pra adoçar então pode trocar por Stevia, açúcar mascavo ou demerara orgânicos ou até mesmo uva-passa. – 1 colher de sopa de manteiga de amendoim integral e pura – 1/2 colher de chá de canela em pó – 1 xícara de leite vegetal INSTRUÇÕES  Bata tudo no liquidificador e pronto. Você pode variar a quantidade de leite de acordo com a consistência desejada.   Continue lendo
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