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Um dia em Reykjavik, Islândia

Um dia em Reykjavik, Islândia
Se você curte cenários lindos e inóspitos, passeios na natureza e aventuras no meio de geleiras, a Islândia é o seu lugar. Mas é injusto dizer que o país é só isso: Reykjavik, a capital, borbulha com bares ótimos, restaurantes incríveis e muita, muita cultura. A cidade é pequena, principalmente se você considerar outras capitais européias. Ao todo, são 120 mil habitantes, o que deixa tudo com bastante clima de vilarejo - prepare-se pra encontrar as mesmas pessoas nas ruas algumas vezes, esbarrar com o seu match do Tinder na livraria e ter seu drink of choice memorizado depois da terceira visita a um bar. E, ainda assim, a quantidade de opções pra se divertir passa longe de lembrar a de um povoado. Não priemos cânico: além de ter poucos moradores, a cidade também é geograficamente pequena, o que faz com que explorar tudo a pé seja fácil – mesmo debaixo de tempestades de neve assustadoras pra mim e pra você, meros mortais habituados ao clima subtropical. Processed with VSCOcam with f2 preset Acordando bem Com smoothies, bolos caseiros, trilha sonora boa (Nina Simone e Joni Mitchell inclusas) e várias opções vegetarianas, o Café Babalú é certeiro. A decoração é bem kitsch, o lugar é bem iluminado e o wi-fi funciona que é uma beleza, caso você precise perguntar pro Google pra onde ir em seguida. Almoço Historicamente, a Islândia tem uma culinária bem peculiar, cheia de ingredientes inimagináveis. Hoje em dia, eles já quase não fazem parte do cotidiano local – a tendência é que os moradores sugiram fortemente que você não coma nenhum dos pratos old school, inclusive -, mas ainda existem restaurantes que capitalizam o exótico pra fisgar os turistas. Se você estiver nessa vibe, vá ao Café Lóki, que faz versões deles. A culinária contemporânea islandesa é bem mais interessante, com fusion de várias outras cozinhas. Pra quem quer ser menos turistão, o Fiskifélagið vai garantir uma das melhores refeições da sua vida. Pra passar a tarde gastando pouco (ou nada) A regrinha do “quem converte não se diverte” nunca me caiu tão bem quanto na Islândia. O preço médio de tudo não tem nada de médio, então passeios gratuitos ou de low-cost sempre são boas pedidas. Como na maior parte do ano a temperatura do país não combina muito com ambientes externos, o Harpa é o abrigo perfeito: funcionando como um combo de teatro, casa de shows, centro de conferências e polo cultural, o prédio é lindo e cheio de lugares pra você sentar e passar um tempo escrevendo, lendo, desenhando ou seja lá o que for. O passeio por museus também não pesa no bolso: o Reykjavik Art Museum é dividido em três prédios e a parte mais legal, Hafnarhus (focada em arte contemporânea), fica colada no Photography Museum da cidade. Os dois museus tem pouco acervo fixo, mas as exposições que passam por lá valem muito a pena. E, pra terminar o dia quebrando o clima artsy, vale ver a maior coleção de pênis do mundo no Phallogical Museum, que inclui falos de baleias, morsas e elefantes. Agora imagina. Processed with VSCOcam with c3 preset Pra quem tiver disposto a encarar o frio, mesmo no inverno vale a pena explorar as áreas abertas da cidade. Pra caminhar e pensar na vida, existem três lugares facinhos de chegar que valem a visita: a Sæbraut, avenida de frente pro mar – vá bem agasalhado, MESMO; o Hljómskálagarður, parque que abriga um lago completamente congelado; e, ainda por ali, o Hólavallagarður, cemitério que fica ainda mais macabro e fotogênico com as árvores peladas e a neve caindo. Processed with VSCOcam with g1 presetAquelas compras clássicas de viagem – roupas, eletrônicos, cosméticos – são uma bela de uma enrascada na Islândia. Os preços são tão altos que é melhor deixar seu dinheiro bem guardadinho. Mas, pra entrar no clima de recordações, a cidade é ótima. Até as lojinhas de souvenir são bem mais interessantes que o normal: chocolates islandeses, produtos feitos a base de cinzas de vulcão, água de geleiras e bebidas bastante diferentes (voltar com uma garrafa de Brenevinn é fundamental!) fazem parte do catálogo das lojinhas locais. E a melhor parte: tudo com embalagens maravilhosas, herança do design escandinavo. Mas talvez o melhor jeito de deixar o consumismo tomar conta seja visitando as lojas de discos da cidade.  Pra quem é rato de música, dá pra trocar uma ideia com os vendedores (que são sempre os próprios donos, mesmo) e descobrir uma penca de bandas islandesas que você nunca tinha ouvido falar. A maior e melhor, de longe, é a Lucky Records (pertinho do museu do pênis, já aproveita), mas também vale passar na Reykjavik Records (menorzinha, mas o dono é maravilhoso, ~tanto no pessoal quanto no profissional~) e na 12 Tónar (que é mais um selo do que uma loja de discos, na real, mas ainda dá pra encontrar umas coisas legais). Pra livros, vale passar na Eymundsson, que prioriza autores locais e independentes e tem uma seleção interessante de publicações islandesas. Pra arte, as lojas dos museus de arte contemporânea e de fotografia (que falei ali em cima) tem revistas, zines e foto-livros maravilhosos. Vai fundo. Pra ter um rolê completo de noite Se alguém tivesse só uma noite pra aproveitar em Reykjavík, o roteiro que eu sugeriria seria esse, sem erro: pra começar, um jantar no Kól, que deve ser, fácil, um dos melhores restaurantes da história dos restaurantes (haha, eu adoro hipérboles, mas essa é bastante verdadeira, eu juro). O lugar é lindo, o atendimento é ótimo e os drinks são de chorar. Pra seguir e já começar a animar, o Mengi é um espaço de shows (e atenção: SÓ pra shows) bem pequeno, pra umas 80 pessoas, com som ótimo e bandas novas. Ele abre pouco antes da apresentação começar e fecha logo depois, então você vai precisar de um terceiro lugar pra estender a noite. Processed with VSCOcam with c2 preset Processed with VSCOcam with b6 preset Como tudo é pertinho, acho que o melhor jeito de aproveitar a cidade é fazer um bar-hopping e conhecer o maior número possível de lugares: vale ir escolhendo no olho, mesmo, nas não deixe de passar no Kaffibarinn (criado pelo Damon Albarn, com preços um pouco menos salgados que o resto da cidade), no Tíu Dropar (um bar subterrâneo mal iluminado que sempre tem um trio tocando música francesa) e no bar do Kex Hostel (esse, sem dúvida, o mais pretensioso dos três – mas ainda assim o ambiente é uma delícia e, caso a fome já esteja batendo novamente, o melhor hambúrguer da cidade está aqui). O Kex fecha cedo, a uma da manhã, que é justamente quando os clubes da cidade começam a ficar legais. Então, pra começar (e provavelmente terminar a madrugada, a não ser que você esteja MUITO PILHADO MESMO), o Hurrá é o lugar mais maravilhoso: espaçoso, pra ninguém passar aperto, e sem aquelas músicas-topo-das-paradas-pra-atrair-os-turistas-festeiros-europeus; lá, o som é cheio de Animal Collective, Caribou, Chromeo e até Radiohead (com um remix ou outro, óbvio). Pegue sua cerveja islandesa (eles não são muito bons de cerveja, parece, mas tudo pela IMERSÃO CULTURAL, não é mesmo?) e vem :) Continue lendo
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