Calce Uma Causa

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

Feminismo é, antes de mais nada, necessário. É um movimento social, filosófico e político, cujo objetivo principal é alcançar direitos iguais entre os sexos. Não tem nada a ver com ódio aos homens ou pregar que um é melhor do que o outro. É simples assim: o feminismo visa combater o machismo, o sexismo e a misoginia. 

Hoje em dia, felizmente, o feminismo está em pauta e muitos preconceitos e estereótipos estão caindo. Muita gente já entendeu que as feministas não são “mal amadas”, são somente mulheres que desejam lutar por seus direitos sociais e políticos.

Como você já deve saber, aqui na Insecta nos consideramos uma empresa feminista. Não só porque fomos fundadas por mulheres e a maior parte das pessoas que trabalham aqui são mulheres, mas também porque entendemos a urgência e a necessidade de olhar o mundo dessa maneira.


Por que o Feminismo é importante?


Sem dúvidas estamos melhor do que há algumas décadas, mas os direitos entre homens e mulheres ainda não são iguais, e falta muito para chegar lá. Se a gente for começar falando no ambiente de trabalho, por exemplo, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual, o mundo precisará de 257 anos para superar a desigualdade de gênero no trabalho.


No Brasil, as mulheres ganham em média 20,5% menos que os homens em todas as ocupações. A situação piora se forem mulheres negras: elas recebem menos da metade do salário de um homem branco (44,4%). As lideranças também carecem de representatividade. Apenas 2,8% dos cargos mais altos em empresas são preenchidos por mulheres.

E se não bastasse tudo isso, ainda há o trabalho doméstico, que não é computado como trabalho, mas a gente sabe muito bem que é! 88% das brasileiras acumulam a dupla jornada, que une as tarefas domésticas e o trabalho pago, aquele do expediente de todo dia. Entre os homens, o número cai praticamente pela metade. 

Podemos também falar de um assunto bem mais grave e complicado: a violência contra a mulher. Somos o quinto país no ranking mundial de feminicídio. 7 a cada 10 mulheres são violentadas durante a vida, 35% dos feminicídios são causados pelo parceiro íntimo e o número de vítimas entre mulheres grávidas só aumenta. Em 2019, 66,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram mulheres negras 

Na internet também há violência. Ameaças, xingamentos e perseguição, além de tudo aquilo que as pessoas não teriam coragem de dizer ao vivo, são ditas online. Em 70,5% dos casos de exposição de conteúdo íntimo sem consentimento na internet, as vítimas são mulheres.

E as mulheres também foram mais afetadas pela pandemia do Covid-19. Elas representam 70% das pessoas que trabalham na linha de frente. 40,5% tiveram sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse causados pela pandemia. Há ainda estudos que sugerem aumento de pelo menos 10% na violência doméstica contra as mulheres durante a pandemia. 

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

Feminismo, história e conquistas

Os primeiros registros do movimento feminista, com esse nome mesmo, são do fim do século 19, acompanhando a Revolução Industrial. Porém, se a gente olhar com atenção, muito antes disso já existiam mulheres incríveis que lutaram por direitos e liberdade. 

A revista AZmina fez uma análise muito bacana de mulheres brasileiras que não nos contam na escola, mas que tiveram papéis importantíssimos em várias lutas e momentos históricos: 

  • Dandara dos Palmares teria liderado no século 17 as falanges femininas do exército do quilombo do Palmares, participando de lutas de defesa do quilombo na região da Serra da Barriga, em Alagoa. Em 2018 ela passou a compor o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria. 
  • Clara Camarão lutou contra as invasões holandesas na região da capitania de Pernambuco. Também faz parte do Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria, entrando em 2017. 
  • Luísa Mahin liderou uma das principais revoltas negras de resistência à escravidão em Salvador no início do século 19, a Revolta dos Malês. 

Esses são apenas alguns nomes (e talvez você os reconheça do nosso primeiro planner feminista, pois falamos delas lá! ), mas servem para a gente entender que o feminismo é algo que sempre permeou a vida das mulheres, levando a se organizarem e lutarem pelo que acham certo.

A chamada primeira onda do feminismo surgiu no século 19 na Europa. O direito ao voto foi a grande bandeira das sufragistas, além dos direitos à educação, ao trabalho e ao divórcio. No Brasil, a primeira onda também foi marcada pela luta pelo voto, direito conquistado apenas em 1932. 

A escritora e educadora Nísia Floresta é um dos grandes nomes da época, por ter, entre outras coisas, criado uma escola para meninas com aulas de matemática, ciências sociais e línguas. 

Nas décadas de 1960 e 1970 surgiu a segunda onda, influenciada pelo livro "O Segundo Sexo", de Simone de Beauvoir, lançado em 1949. Nessa onda a grande discussão foi em torno do direito ao corpo e ao prazer. 

O Brasil vivia a ditadura militar, e foi quando aconteceram as primeiras manifestações feministas do país, protestando contra o governo. Em 1977 o divórcio passou a ser permitido por lei para as brasileiras, e é chocante pensar que faz tão pouco tempo. A atriz Leila Diniz é um símbolo da época, indo à praia grávida e usando biquíni, quando não era bem visto mostrar a barriga. 

Nessa época surgiu o Movimento Negro Unificado (MNU), que teve entre suas fundadoras a filósofa, antropóloga e militante dos movimentos negro e feminista Lélia Gonzalez. 

Em seguida, nos anos 1980, Angela Davis e Patricia Hill Collins foram os grandes nomes, quando o feminismo negro ganhou força e visibilidade. O feminismo no Brasil entrou em sua terceira fase junto com o fim da ditadura, e junto com tudo isso surgiram várias políticas públicas: foram criados o Conselho Nacional da Condição da Mulher (CNDM), em 1984, e a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher, em 1985.  

Hoje se fala sobre uma quarta onda, que ainda não é unanimidade, mas seria caracterizada pela ampliação do feminismo graças à internet e as redes sociais. Não há dúvidas que o acesso à informação ajudou muitas mulheres a se organizarem, se entenderem como feministas e a impulsionar o movimento em países latino-americanos. No Brasil, a alteração do Código Penal em 2015, classificando o feminicídio como homicídio qualificado e em 2018 a criminalização da importunação sexual. 

Ao longo da história surgiram vertentes e maneiras diferentes de pensar o feminismo. São várias, e muitas vezes você pode se ver em mais de uma. Cada mulher tem uma vivência diferente partindo do seu recorte de classe social, raça, orientação sexual, origem e alinhamento político. Aqui na Insecta, gostamos de ver o feminismo sob a ótica interseccional. 


Feminismo interseccional

o que é feminismo interseccional, sororidade e ecofeminismo?

O feminismo interseccional não é considerado uma vertente, e sim uma maneira de entender que existem outras opressões além do gênero. Esse olhar leva em consideração raça, classe social, origem, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, entre outros fatores. 

A interseccionalidade acontece quando partimos do princípio que não existe uma mulher universal, mas vários grupos de mulheres diferentes com questões e vivências específicas. É ir além do machismo e do sexismo, lutando para acabar com todos os sistemas de opressão que afetam as mulheres, cada uma à sua maneira.

Um dos grandes desafios do feminismo interseccional é sair da sua bolha. Como feministas, precisamos aprender sobre as questões que não nos afetam pessoalmente e compreender a sua importância. É também um exercício de aceitar o nosso privilégio e usá-lo para ajudar quem está em situações mais vulneráveis. 

Entender que a luta de outras mulheres é válida mesmo sendo diferente da sua realidade é uma questão de empatia, ou, como se fala dentro do feminismo, sororidade. 


Sororidade 

A palavra sororidade vem do latim: soror significa “irmã”. Até pouco tempo atrás, era um neologismo na língua portuguesa, mas em 2017 passou a integrar o dicionário Houaiss. No mesmo ano, a pergunta “o que é sororidade?” foi a quinta mais feita por brasileiros na categoria “o que é?” do Google.

A definição de sororidade é: “sentimento de irmandade, empatia, solidariedade e união entre as mulheres, por compartilharem uma identidade de gênero; conduta ou atitude que reflete este sentimento, especialmente em oposição a todas as formas de exclusão, opressão e violência contra as mulheres”. 

Só lendo a definição já dá pra ver que tem muito dos ideais do feminismo aí, né? A sororidade nada mais é do que um laço entre as mulheres, unidas para lutar contra as opressões e discriminações de gênero. 

A sororidade vem como uma resposta ao mito de que as mulheres são naturalmente rivais. Isso não passa de uma construção da sociedade baseada no machismo estrutural, onde meninas aprendem desde cedo que homens têm amizades sinceras baseadas na fraternidade, mas mulheres estão sempre competindo. 

Graças à sororidade surgem as redes de apoio, poderosos meios de fazer com que as mulheres não se sintam sós, se organizem e apoiem umas às outras, fazendo que todas as vozes sejam ouvidas por igual. 

É sobre entender que coletivamente temos mais força para movimentar as estruturas sociais e promover as mudanças que buscamos. Acima de tudo, é entender que somos aliadas, e não inimigas, sem nunca deixar de observar todos os recortes, dando voz e força a todas as lutas femininas. 


Ecofeminismo 

Estudos e estatísticas confirmam: as pessoas mais afetadas pela crise climática são as mulheres. Segundo a ONU, as mulheres representam 80% das pessoas obrigadas a deixar suas casas em função das mudanças climáticas e seus desdobramentos. 

Em grande parte dos casos, isso acontece porque as mulheres ficam para trás para proteger os filhos, ou porque não têm meios para sair de casa, da cidade ou do país por conta própria. Muitas mulheres não têm condições (ou permissão) para usar transporte privado sozinhas, não têm carro, não sabem dirigir ou não podem pagar por combustível.  

As Nações Unidas afirmam que as mulheres enfrentam “maiores riscos e maiores encargos” com os impactos das mudanças climáticas. A maioria das pessoas pobres do mundo são mulheres, e as pessoas pobres são as mais propensas a sofrer com a catástrofe climática. 

E mesmo assim, segundo a ONU, a maioria dos países com maior sucesso no combate à pandemia da Covid-19 é chefiada por mulheres - mesmo que as mulheres sejam chefes de Estado e de Governo em apenas 20 países no mundo todo. 

Por que estamos falando tudo isso? Para introduzir um assunto que gostamos demais, o Ecofeminismo. Essa é uma vertente do movimento feminista que conecta a luta pela equidade de gênero com a defesa do meio ambiente. 

A  ideia  de  superioridade  do  ser  humano foi uma das bases para a formação de sociedades ocidentais capitalistas e patriarcais que exploram economicamente a natureza e oprimem as pessoas que estão fora desse ideal. Entender esse cenário antropocêntrico, colonialista, racista e sexista, levando em consideração as relações entre um ambiente em desequilíbrio  com  as  desigualdades  sociais,  é  um  dos  pontos  de  partida  do  ecofeminismo.

O termo teria surgido durante a década de 1970, cunhado pela feminista francesa  Françoise d’Eaubonne. Ela usou a expressão “ecological feminisme” ao falar sobre as conexões entre as mulheres e seu potencial para uma “revolução ecológica” - lembrando que durante essa década o debate sobre meio ambiente estava a todo vapor, quando finalmente os debates começaram a ser mais levados a sério. 

Um exemplo de literatura ecofeminista que é bem provável que você conheça é o livro A política sexual da carne: Uma teoria feminista-vegetariana, da autora Carol J. Adams. Esse livro é o resultado da pesquisa que ela fez relacionando historicamente (indo lá para as cavernas, inclusive!) ideias como machismo, sexismo e fazendo conexões entre o consumo de carne, a exploração dos animais e a exploração das mulheres. 

Nem todas as autoras ecofeministas incluem os animais em seus discursos. Por isso, assim como o próprio feminismo, o ecofeminismo possui várias vertentes e olhares, mas sempre partindo do mesmo ponto: a dominação das mulheres e da natureza.

A  história  mostra  que  muitas  lutas  contra  a  exploração  do  meio  ambiente  tiveram  mulheres  na  linha  de  frente,  mesmo  quando  não   foram  reconhecidas   como   principais   lideranças. Mulheres  indianas  lideraram  o  Movimento  Chipko,  enfrentando  madeireiros  e  impedindo  a  derrubada  de  árvores  nas  florestas do  país.  

As  campesinas  bolivianas  tiveram  forte  participação  na  resistência contra a privatização das águas, conhecida como “Guerra da Água”, no começo dos anos 2000. O Movimento Cinturão Verde, que plantou milhões de árvores em regiões pobres e devastadas do Quênia, teve como principal nome Wangari Maathai, vencedora do Nobel da Paz, e a participação de muitas mulheres. 

Também foram elas que lideraram as mobilizações recentes contra a construção da barragem de Belo Monte, no Pará. Esses   são   apenas   alguns  exemplos   de   como   as   mulheres,   em   especial  aquelas  que  vivem  em  regiões  periféricas  ou  rurais,  de povos  tradicionais  e  originários, movimentam  suas  comunidades  em busca de justiça socioambiental ao longo do tempo.

O Ecofeminismo já é algo “natural” para aquelas que vivem junto à natureza e conseguem enxergar com mais clareza a dependência que nós, seres humanos, temos dela. O desafio para muitas pessoas é entender o quanto estamos relacionados, nós e o meio ambiente, e partir daí para um olhar mais ativista.


Feminismos, Ecofeminismos e novos olhares para o seu dia a dia 


Para nós, pensar o feminismo e todas as suas complexidades é um exercício diário, levando em consideração todas essas coisas que acabamos de te contar. Por isso, há alguns anos, resovemos criar um planner feminista, feito para ajudar mais mulheres a levar esses pensamentos (e aprendizados!) pra suas próprias vidas. 

Dia  após  dia,  ano  após  ano,  fica cada vez mais gritante a importância de cuidar, lutar, se unir, buscar o melhor para si e para o mundo. Defender causas grandiosas e importantes começa pelo autocuidado,  construído  e  exercitado  todos os dias.  As  lutas  sociais,  feministas,  antirracistas  e  ambientais  precisam  de  pessoas  empoderadas  e  conscientes, capazes de gerar transformações individuais e coletivas. E, quando fazemos isso em conjunto, somos ainda mais fortes.

Há alguns anos, nosso planner se propõe a ser uma  ferramenta  de  autocuidado,  autoconhecimento, reflexão  e inspiração. Trazemos ideias para melhorar o dia a dia, ajudando cada mulher a se conectar com a natureza e com a sua essência. 

planner feminista 2022

Na edição de 2022 (que é não datada) trouxemos também informações e histórias de mulheres  e  movimentos  que  lutam  por  um  planeta  melhor  para  todos  os  seres  que  vivem  nele.  Porque  acreditamos  que  a  preocupação  com  o  ambiente  precisa  estar  em  tudo,  assim  como  a  luta  contra todos os tipos de desigualdades.

Em 2022, a proposta do nosso planner é trazer, além de todo o conteúdo que você já conhece e sabe que é o nosso diferencial, um enfoque ecofeminista, e te convidar a fazer parte desse universo junto com a gente. 

Além do conteúdo, lá dentro você vai encontrar um planner semanal, que pode ser usado na forma de planner personalizado - do jeito que quiser, anotando o que quiser e definindo metas, exercícios e compromissos do jeito que preferir. 

planner feminista 2022

Nosso planner 2022 ainda tem dicas para estimular hábitos sustentáveis, informações sobre impacto das coisas cotidianas (como por exemplo consumo de carne, ovos e laticínios - aquele empurrãozinho para você considerar o veganismo!), muita informação sobre feminismo, mulheres inspiradoras e claro, com um visual maravilhoso pra inspirar só de olhar, do jeito que a gente gosta. 

 

Continue lendo

X vinnu_lennartc

Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!