Calce Uma Causa

9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

9 livros, documentários e podcasts pra te ajudar a se informar (e se engajar!)

Se você está procurando por fontes pra saber mais sobre assuntos como meio ambiente, feminismo e veganismo, saiba que veio ao lugar certo. De tempos em tempos, renovamos nossa lista de preferidos com lançamentos pra você acompanhar, conhecer, se engajar e quem sabe até indicar para aqueles amigos mais difíceis de convencer.

Acreditamos que conhecimento é a base para entender as lutas que escolhemos e mostrar a importância de cada uma delas. Então prepara que aí vem uma boa dose de conhecimento pra você <3


LIVROS

Ideias para adiar o fim do mundo - Ailton Krenak

O livro de apenas 85 páginas é uma leitura leve, mas consistente. O autor, nascido na região do vale do Rio Doce, traz o olhar dos povos indígenas sobre o momento atual. Fala com propriedade sobre as relações do homem com a natureza, sobre como a modernidade nos fez esquecer que somos todos parte de um sistema e o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do humano como superior aos demais seres.

Fominismo: quando o machismo se senta à mesa - Nora Bouazzouni 

Nesse livro de ensaios, a autora aborda as relações entre o corpo feminino, a alimentação e o patriarcado. Ao longo das páginas, percebemos como a cozinha - e a mesa - estão intimamente ligadas a questões milenares de gênero. É um daqueles livros que você ~devora e no final fica querendo mais. 

Uma vida sem lixo - Cristal Muniz

Um verdadeiro guia para quem está na empreitada de reduzir a produção de lixo e de quebra deixar a vida mais leve, mais prática (sim!) e ter mais autonomia nas escolhas do dia-a-dia. O livro da Cristal é a evolução do conteúdo já produzido no blog e ajuda a simplificar a vida em casa sem precisar colocar a sua saúde e a do Planeta em risco. 


DOCUMENTÁRIOS 

Estou me guardando para quando o carnaval chegar - Marcelo Gomes

O documentário brasileiro mostra o dia a dia na cidade de Toritama, em Pernambuco, a capital brasileira do jeans. É pra você assistir e repensar profundamente o seu consumo, especialmente de peças no material - todo ano, 20 milhões de jeans são fabricados nessa cidade através de longas jornadas em péssimas condições de trabalho. 

Sob a Pata do Boi - Marcio Isensee e Sá

Outro documentário brasileiro, dessa vez abordando o impacto da pecuária na Amazônia. Você já sabe, porque leu aqui, mas sempre vale conferir mais fontes pra entender ainda melhor e sob novas perspectivas o problema! Um documentário que põe o dedo na ferida e denuncia o que acontece por lá e também na esfera política do Brasil. 


The Next Black - David Dworsky e Victor Kohler

Vamos falar de coisa boa também? Nesse doc conhecemos novas tecnologias voltadas para a sustentabilidade e como algumas mentes criativas estão buscando inovação para o futuro da moda. Pra assistir e ver que tem, sim, como pensar um mundo melhor <3


PODCASTS 

Outras Mamas

É bem possível que você já conheça ou já tenha ouvido falar nesse que é o primeiro podcast vegano & feminista do Brasil. Formado pelas maravilhosas Thais Goldkorn e Barbara Miranda, além de convidados mega especiais, fala sobre questões de gênero, veganismo, sociedade, consumo, meio ambiente e ecofeminismo. 

Ouça no Spotify


Backstage 

O Modefica tem um podcast sobre moda, sabia? A cada edição, uma convidada ou convidado aborda o assunto sob sua ótica junto com a editora Marina Colerato. Pense em debates super ricos sobre indústria, carreira, gênero, raça e o que tiver acontecendo no mundo da moda - mas indo muito além da passarela e da capa de revista, claro! 

Ouça no Spotify ou iTunes.


Copiô, parente 

Produzido pelo ISA, Instituto Socioambiental, ONG que defende povos indígenas, comunidades tradicionais, direitos humanos e meio ambiente. O podcast é apresentado por Letícia Leite e nas suas edições semanais traz os principais destaques do universo político em torno das questões dos povos da floresta. É um canal perfeito para quem quer se informar e entender melhor meio ambiente, patrimônio cultural e direitos humanos, mas principalmente as questões das Terras Indígenas no Brasil. 

Ouça no Soundcloud.

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Neguinha metida: uma conversa sobre por que subestimam mulheres negras

Neguinha metida: uma conversa sobre por que subestimam mulheres negras

Desde cedo a mãe da gente fala assim: 'filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor.' Aí passado alguns anos eu pensei: Como fazer duas vezes melhor, se você tá pelo menos cem vezes atrasado pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses... por tudo que aconteceu? duas vezes melhor como ? Ou melhora ou ser o melhor ou o pior de uma vez. E sempre foi assim. Você vai escolher o que tiver mais perto de você, O que tiver dentro da sua realidade. Você vai ser duas vezes melhor como? Quem inventou isso aí? Quem foi o pilantra que inventou isso aí ? Acorda pra vida rapaz"

Eu começo o texto desse mês com esse trecho da música “A vida é um desafio”, dos Racionais MC’s pra falar de auto percepção, a forma como você se enxerga no mundo de acordo com o que o mundo te oferece. A autoestima da mulher negra é tolhida desde muito cedo. Embora os debates feministas tenham trazido à luz nomes como Conceição Evaristo, Carolina de Jesus, e outras autoras que retratam como o racismo coloca a negritude como uma falha, muito ainda falta para compreendermos os efeitos nocivos do racismo na vida das nossas crianças.

Resolvi falar sobre meninas, especificamente, neste post, para falar também da construção dos conceitos de feminilidade. Quando falamos a respeito, temos em mente que toda menina, de certa forma, é preparada para “ser mulher”, por meio de imposições – umas sutis e outras, nem tanto. A boneca que aprendemos a embalar e que os meninos nem podem chegar perto, o fogãozinho, as roupas e o comportamento esperado são os primeiros sinais da distinção de gênero na infância.

No caso das meninas negras, tudo isso tem o adicional de raça. E quando digo isso, por favor, não entendam como eu querendo colocar opressões em uma hierarquia. O que acontece é um mero recorte racial, necessário quando vamos entender a multiplicidade da sociedade. As mulheres negras crescem com esse mesmo estigma da feminilidade adicionado ao caos de uma sociedade estruturalmente racista que não acredita em suas competências.

Uma mulher negra precisa provar que é boa profissional, que é inteligente, que é capaz, mil vezes mais. E esta é uma pauta feminista porque estamos falando diretamente de empregabilidade, renda, autoestima e saúde mental. Em outras palavras: qualidade de vida. Quando falamos que o feminismo precisa ser inclusivo, o que se quer dizer é que, se há uma sociedade desigual, precisamos olhar para essas desigualdades, e não agir às cegas com o pressuposto de não enxergar essas diferenças. Ou seja, a ação precisa ser proativa.

Mulheres negras são subestimadas em todos os campos da vida porque, historicamente, sempre fomos colocadas como inferiores. Ferramentas como a comunicação de massa (jornais, novelas, cinema, rádio, etc) ajudou a fomentar essa cultura, que está tão sedimentada que passa despercebida – já ouviu falar do teste do pescoço?

Quando essa figura, sempre menosprezada pela sociedade, ousa agir de acordo com o valor que ela sabe que ela tem, ela faz emergir na sociedade racista um profundo desprezo. A “neguinha metida” é aquela mulher que precisa provar incontáveis vezes o que sabe fazer, suas capacidades e conhecimento. E quando eu falo isso, gosto sempre de lembrar que não estou colocando “culpa” em alguém. Culpa é um sentimento cristão maniqueísta.

Mas peço, sim, responsabilidade coletiva para compreender que estamos em uma sociedade onde há um abismo racial, ainda que se queira jogar tudo para debaixo da farsa da democracia racial. Sempre que começo uma palestra, inicio minha fala contando tudo sobre a minha vida profissional. Em seguida, explico o motivo disso: em praticamente todos os ambientes eu sinto que preciso provar o que eu sei para ser minimamente respeitada. Porque, de cara, ninguém imagina que uma mulher negra possa ser graduada em comunicação, especializada em sociopsicologia e estude o idioma árabe.

Será que essa dúvida também recairia sobre mim se eu fosse branca? Será que isso faz de mim uma neguinha metida? E você: já parou para pensar se não está subestimando a mulher negra ao seu lado?

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Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Como é, na prática, educar filhos com feminismo e consciência ambiental?

Ser mulher, ser mãe e educar filhos não é moleza, a gente sabe. Mas sabemos também que o mundo tá diferente, tá mudando. Temos uma geração de mães que ensinam empatia, feminismo e consciência ambiental pros filhos porque esses são valores que elas vivem. São mulheres que admiramos demais. Na Insecta temos uma mãe na equipe. A Bia, nossa designer, é mãe da Laura, de 2 anos e 6 meses. Laurinha já tinha muito contato com a natureza mesmo antes de andar, e adora. Ela aprende com a mãe a importância de cuidar do meio ambiente, das plantas, não desperdiçar água e cuidar dos animais. Hoje ela já sabe até separar o lixo e leva a própria sacola pro supermercado ou feira. Imagina a cena, gente ♡

Outra mulher que admiramos é a Timeni, mãe da Helena, de 11 meses. A pequena está em outra fase, ainda mama no peito, aprendendo andar, não fala mamãe nem papai (mas o irmão da Timeni garante que já fala titio). Ela tenta ser a sua melhor versão pra ser um exemplo pra filha. Abriu mão das fraldas descartáveis e usa as de pano, uma escolha bem consciente e sustentável que a gente sabe que demanda sair da zona de conforto.

A Letícia é mãe do Nícolas, de 2 anos e 8 meses, que é uma daquelas crianças que chegou de surpresa e pelo visto já tomou conta: ela contou que ele tem energia de sobra. A família dela é de vegetarianos, e o Nícolas é educado pra tratar bem os animais - que ele gosta até demais, adora apertar os bichinhos (grrrr, ganas).

Já o desafio da Mariana é ser mãe de dois. Ben, de 5 anos, “é um menino da terra, da areia, da lama, do mar”, como ela nos contou. Nina, de 3, sabe o que quer e como quer desde bebê. Os filhos da Mari têm a sorte de conviverem com o sítio dos avós. Eles sabem de onde vem a comida e presenciam os momentos de plantar e colher.

Perguntamos pra essas mulheres como funciona na vida real criar filhos com escolhas mais conscientes e sustentáveis. Bia tem uma horta de temperos em casa e procura ensinar Laurinha a valorizar o sabor real dos alimentos. Timeni encontra com facilidade em São Paulo verduras e grãos orgânicos, mas acha perrengue especialmente produtos de higiene, vestimenta e limpeza mais sustentáveis. Letícia acredita no equilíbrio. Ela dá preferência pra alimentação saudável, mas não priva o filho de provar coisas, como por exemplo um bolo de chocolate em algum aniversário. Mariana contou que a chegada do primeiro filho trouxe uma mudança pra ela também, que passou a se alimentar de orgânicos e integrais e optou por um consumo mais consciente. E a Bia ainda tocou num assunto bem importante que pra nós faz todo o sentido: ela procura roupas em brechós infantis e grupo de trocas de mães - que é uma grande sacada justamente naquelas fases em que as roupinhas duram meses e já não servem mais.

E como levar as ideias de feminismo pra criação dos filhos? Pra Bia, essas questões tem que ser reforçadas quase que diariamente, porque as pessoas não sentem como palavras ditas naturalmente podem ser machistas e ofensivas. Timeni sente a mesma coisa e faz o possível pra educar quem está ao redor da Helena e criar um ambiente sem discursos nocivos. Letícia entende que precisa ensinar o filho que não existe divisão de gênero. Ela pratica esses ensinamentos diariamente, seja na decisão de não cortar o cabelo do filho com um “corte de menino”, comprar roupas confortáveis independente de serem da seção feminina ou masculina e chamar colegas mais próximas de "amigas" e não de "namoradinhas". É isso que deixa ela confiante: “sei que a medida que ele for crescendo vai ser mais difícil barrar as influências externas e que pra isso ele vai ter que ter uma base boa e muito consciente em casa.”

No caso da Mariana, que tem um filho e uma filha, o desafio é mostrar que apesar do que ainda é dito por aí, os dois são iguais, com os mesmos direitos. Ela ensina que eles devem cuidar e apoiar um ao outro na busca dos seus sonhos, e ambos têm o mesmo incentivo e as mesmas oportunidades. Feminismo também é sobre se conectar com outras mulheres, ter um momento de trocas, conversas e conselhos. Alguns períodos de adaptação, como o puerperio (quando a mãe e o bebê estão “se conhecendo”), são difíceis e Mariana acredita que teria sido ainda mais se não fosse pelas conversas com outras mães. Também temos a vantagem da internet, onde rolam grupos de discussão, blogs, vlogs, stories, apps, como lembrado pela Timeni.

Quando o assunto é uma educação mais sustentável e feminista, a Bia conta que alguns assuntos ainda devem ser abordados aos poucos, ou com mulheres que compartilham das mesmas ideias para que sejam enriquecedor e prazeroso, sem julgamentos. E num exemplo de sororidade na prática, Letícia contou que as amigas não tem filhos, mas apoiam a maneira que ela cria o Nícolas, dão dicas, compartilham links de reportagens e também aprendem muito com ela.

Esse texto foi pensado pra o Dia das Mães, mas a gente quer mais é ver a mulherada se conectando, trocando, se apoiando e ajudando diariamente pra tornar o mundo mais saudável pra todos. Como a Mari disse, “criar seus filhos para o mundo junto a pessoas que acreditam no mesmo que você é muito mais fácil”. Vamos juntas? ♡

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#PergunteAUmaMulher

#PergunteAUmaMulher

Sem clichê, por favor. Estamos em 2018. Vamos falar sobre o que é ser mulher hoje? E antes de mais nada, vamos lembrar que pra entender o que pensa e o que sente uma mulher só tem um jeito: perguntando e deixando ela falar. Quando o assunto é ser mulher hoje no mercado de trabalho, foram muitos avanços sim, mas ainda é claro que tem grandes barreiras pra quebrar: as mulheres representam 43,8% dos trabalhadores brasileiros e recebem, em média, 76% do salário dos colegas homens.

As mulheres ocupam só 37% dos cargos de direção e gerência no Brasil, e nesses cargos, recebem salários que correspondem a 68% dos homens na mesma função. No mundo, 34% das empresas não possuem mulheres em cargos de liderança. Na América Latina 48% das empresas não têm mulheres em cargos de liderança sênior.

E só as mulheres sabem como é fazer parte dessa realidade. A Insecta é uma empresa criada, dirigida e composta na esmagadora maioria por mulheres. Cada uma com suas referências, vivências e área de atuação. Perguntamos umas pras outras e dividimos ao longo dessa semana nas redes sociais. Aqui está o conteúdo completinho pra você saber tudo que a gente pensa (e nos conhecer melhor).

Barbara Mattivy

Idade: 32

O que faz: Fundadora da Insecta, responsável pelas áreas de branding, marketing e administrativo/financeiro. Vou desde os stories até os boletos kkk

Por que fomentar o empreendedorismo feminino? Sem conseguir fugir do clichê, acho que o futuro é feminino e o mundo precisa de mais liderança feminina. Além de dados que dizem que empresas dirigidas por mulheres têm uma sobrevivência mais longa e pensam melhor a questão da sustentabilidade, a mulher no papel de líder consegue trazer uma gestão mais empática, humana e responsável. Fica nas mãos dela reduzir a desigualdade de gênero, contratar e empoderar mais mulheres, trazer mais diversidade para a equipe e dirigir uma empresa do bem, sem que o lucro venha a qualquer custo.  

Aline Dalbem

Idade: 24

O que faz: Como assistente administrativo, atuo nas funções financeiras e administrativas da Insecta, entre as atividades diárias estão pagamento de fornecedores, conciliações bancárias, controle dos caixas das lojas, gerenciamento de benefícios para o time e muitas outras.

Como é ser mulher em uma função majoritariamente exercida por homens? Desde o início da faculdade de Engenharia sempre me deparei com desafios por ser mulher e ter meu trabalho reconhecido com igualdade. Foi na Insecta em que eu me encontrei como mulher e futura engenheira atuando em algo que faz a diferença.    

Beatriz Griep

Idade: 33

O que faz: Sou responsável pelos desenvolvimentos, pesquisas constantes para atualizações e novos modelos da marca,  busca na melhoria de processos, componentes, matéria prima entre outros. Definição de cartela de cores, estamparia, contato com fornecedor  e equilíbrio da coleção também fazem parte do meu escopo de trabalho

Qual é o principal desafio de ser mãe e estar no mercado de trabalho? Com certeza é conseguir conciliar vida pessoal e trabalho, não é qualquer empresa que entende isso (na verdade quase nenhuma). Normalmente tu tens que estar a disposição da empresas 24h por dia (tem muitos profissionais que se sujeitam a isso) para ser considerada uma boa profissional, o que ao meu ver não é uma verdade. O equilíbrio para mim é o maior motivador que existe, dá tempo sim para trabalhar e ter filho, desde que se trabalhe focada e que você seja respeitada enquanto estiver em casa.  

Giuliana Almada

Idade: 27

O que faz: Sou analista de produto, cuido de toda a parte de contato com fornecedores e acompanhamento de produção. Faço a compra dos materiais e planejo os nossos pedidos de coleção. Analiso a demanda dos nossos clientes, o que dá certo e o que não dá, e planejo qual será a nossa oferta de opções, volume e numeração. Além disso, faço a ponte com lojas que revendem nossos sapatos lá fora e cuido de todo o procedimento de exportação.

Quais são os desafios de negociar com fornecedores homens? O maior desafio é me fazer respeitar, não apenas por ser mulher, mas também pelo combo gênero/idade/experiência. Por sorte temos fornecedores muito parceiros, com quem já criei uma relação bacana, e daí é muito mais fácil ser natural. Mas em algumas ocasiões fica claro que não está havendo uma "confiança" que eu sei o que estou falando. Nessas situações, preciso agir de forma bem assertiva e direta, me munir de informações para rebater questionamentos (que sempre ocorrem), justamente para afirmar minha competência e impor respeito.  

Lucy Horn

Idade: 28

O que faz: Sou assistente de ecommerce :) Faço contato com nossos sistemas entrega (transportadora/bike) e NF, cadastro o produto, confirmo o seu pedido e faço o besouro chegar lindinho na sua casa <3

O que é indispensável no relacionamento à distância com a consumidora? É indispensável quando se está a distância ter uma comunicação clara e objetiva. Fazer a consumidora se sentir tranquila na hora da compra online. Nós mulheres sempre temos mais segurança em compras online, pois sabemos exatamente o que e como queremos. Então, mantendo essa comunicação redondinha, não tem erro. :)    

   

Jéssica Albuquerque

Idade: 31

O que faz: Designer, faço a direção criativa (pensando os conceitos das fotos, dos vídeos, campanhas em geral) e direção de arte (criando os materiais visuais da marca).

Qual é a importância de representar diferentes tipos de mulheres em campanhas? Retratar a nossa pluralidade, na busca de gerar visibilidade e identificação.   

 

Luísa Saldanha

Idade: 32

O que faz: Sou redatora da Insecta. Cuido de praticamente tudo que aparece escrito em nome da marca. Também ajudo a equipe de marketing a pensar campanhas e planejar estratégias. Alguns dos textões lá do blog são meus também: tenho a sorte de poder pesquisar bastante sobre assuntos que me interessam como veganismo, meio ambiente e consumo consciente.

Como ser mulher influencia na criação dos seus textos? Ainda tem muita coisa por aí sendo escrita pra mulheres, mas não por mulheres. Quando escrevo, acredito que alcanço de forma mais empática mulheres que me leem. Ser uma mulher que escreve também é procurar mulheres como fonte e referência e, consequentemente, poder ser uma referência para as outras. <3 

 

Luiza Lambert

Idade: 22

O que faz: Sou assistente de marketing. Respondo os clientes da Insecta em todos os pontos de contato, como e-mail, Facebook e Instagram. Faço planejamento de conteúdo para as redes sociais e auxilio na produção das fotos mensais da Insecta.

Qual é a importância de ouvir outras mulheres? Ouvir uma mulher é ter empatia. É ter a consciência que, mesmo que a gente se identifique com a outra em diversos aspectos, nós somos super diferentes uma da outra. É mais do que compreender e respeitar, é sentir com ela.     

Raisa Machado

Idade: 27

O que faz: Sou assessora de imprensa com um pé na criação de campanhas, vídeos e projetos. Escrevo releases sobre a marca, atendo veículos de comunicação, agendo entrevistas, estreito o relacionamento entre a marca e influenciadoras inseridas no nosso universo e chamo mulheres incríveis pra tomar cerveja com a gente em dia de evento. Sou olheira de Instagram, estou sempre online no Whats App e atenta em referências visuais e comportamentais.

Por que se conectar com outras mulheres? Me conectar com outras mulheres é criar uma rede de união e sororidade, é juntar forças, dar suporte e também ser apoiada. É entrar em contato com diferentes universos e redescobrir o meu, compreender que todas carregamos diferentes histórias e que esse é o tempero que nos torna tão especiais. Me conectar com outras mulheres é um eterno aprendizado. É ter um super orgulho pelo quanto somos incríveis, ter respeito e admiração pela trajetória individual de cada mulher que conheço e ainda vou conhecer e ter a certeza de que juntas ninguém nos segura.  

Lívia Belfort

Idade: 32

O que faz: Atendo nossos clientes no casulo paulista e cuido das rotinas de funcionamento da loja.

Por que é importante criar uma relação de confiança entre mulheres? Crescemos sendo estimuladas a competir entre nós, e basta uma quebrar essa lógica para inspirar todas ao seu redor. Quando criamos esse tipo de confiança, de exaltar outra mulher sem pensar que somos menos por isso, nós incentivamos outras mulheres e assim por diante! A gente se transforma e procura evoluir todos os dias porque criamos elos de troca muito especiais, fora a força que dá sentir que temos aliadas na vida, né? Ficamos mais corajosas pra agir, sentir, ser.

Klarissa Santos Alves

Idade: 27

O que faz: Sou vendedora do casulo de Porto Alegre. Fazer conferências, cuidar do caixa e atender o público são os principais quesitos, além da organização que preso no ambiente de trabalho. Recebo produtos, faço envio de pedidos, remessas e transferências em caixas grandes (os famosos corrugados), separo pares para os ensaios de fotos e além das parcerias que a empresa tem e disponibiliza os calçados em um curto período de tempo.

Qual o papel da mulher negra como porta-voz de uma marca? Eu como mulher negra acho gratificante poder mostrar que a Insecta Shoes é para todas nós, que há opções para todos os gostos e inspirações. Contar a proposta e a história por de trás da marca acaba tendo retorno até pra pessoas que nunca ouviram falar, e isso nos aproxima, como exemplo as mulheres da minha família: "Nos sentimos representadas quando vemos duas modelos no vídeo e outra nas fotos de ensaio, dá vontade de usar mesmo."  

Yara Rufina

Idade: 17

O que faz: Atendo os clientes no casulo paulista e ajudo a cuidar do nosso estoque.

Qual é a importância de ter mulheres negras inseridas em uma marca? A representatividade negra (principalmente da mulher) em marcas de moda e beleza possui o poder de injetar uma intensa carga de autoestima em um público que está acostumado ao protagonismo das características caucasianas em todos os meios. Estamos em 2018 e percebe-se que quebrar com os estereótipos da mulher negra na sociedade tem sido um processo demorado e é para isso que a representatividade também serve. E tem vindo em um momento bastante especial, visto que a maior parte da juventude preta possui hoje bagagem suficiente para compreender as razões pelas quais não éramos representados antes e força suficiente para lutar contra isso.  

Laura Madalosso

Idade: 32

O que faz: Sou uma das sócias da empresa e, como tal, resumidamente, me envolvo com todas as frentes de trabalho. Ainda assim, minha principal área de atuação é o produto, na gestão holística da área: do planejamento das coleções e acompanhamento do desempenho de cada linha, ao estilo e desenvolvimento de cada produto, à pesquisa de fornecedores e novas matérias primas, o garimpo, o acompanhamento da qualidade e durabilidade dos modelos, até a produção e o fechamento do ciclo. E estando na matriz, em Porto Alegre, também respondo pela importantíssima gestão do departamento canino do besouro, que tem lady Biga e Badok, o terrível, como crew <3

Por que contratar mulheres? Aqui na Insecta temos um ambiente de trabalho 100% seguro para mulheres serem exatamente quem elas querem ser. Contratamos mulheres porque elas são profissionais maravilhosas, com skills naturalmente alinhadas com a nossa visão de presente e futuro. Estamos cansadas de vê-las não explorando seu total potencial ou tampouco sendo remuneradas de acordo quando o fazem.  

Marília Glauche

Idade: 22

O que faz: Estagiária de Design de Produto. Cuido da parte dos pedidos para o atelier, catalogação das peças vintages e retalhos de produção. Participo também do desenvolvimento dos produtos e estampas.

O que você aprende trabalhando com mulheres? Aprendo a ser persistente e buscar meu espaço. Ser mulher no mercado de trabalho exige ter muita resiliência e força. Por isso, ter mulheres como exemplo profissional e em cargos de liderança, satisfaz e inspira por saber todas as dificuldades e lutas para se estar nessa posição.    

* Agora vamos levar essa conversa adiante? Estamos usando a hashtag #pergunteaumamulher pra levar o assunto pra todos os canais e você pode acompanhar e participar também. Tem alguma pergunta pra fazer pra gente? Quer saber mais sobre a Insecta, sobre o que (e como) fazemos por aqui? Vamos te responder. Pode ser aqui, por email (no hello@insectashoes.com) ou nos dando um alô nas nossas redes sociais.  

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Dados
https://glo.bo/2m8lmM9 Business Report (IBR) – Women in Business, Grant Thornton
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As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

As pessoas realmente entenderam o que é assédio?

Eu estava vendo este vídeo do Catraca Livre e fiquei preocupada. Me parece que o tema “assédio” ainda não é levado com a seriedade com que deveria. Os caras que aparecem na matéria, que procura saber se as pessoas estão ligadas nas diferenças entre paquera e assédio são os mesmos caras que convivem comigo e com você no trabalho, nos barzinhos, nas faculdades. São homens adultos, que viveram sob as mesmas regras sociais que as mulheres, que já devem ter sido bombardeados em seus perfis de redes sociais por campanhas e vídeos sobre assédio. Alguma noção eles deveriam ter.

Mas ao que tudo indica, ainda há um caminho longo a ser percorrido. Para o mês de fevereiro, naturalmente meu primeiro insight foi escrever um texto que explicasse o que é assédio e ajudasse as pessoas a identificarem essas situações. Entretanto, muitos veículos e personalidades já estão fazendo isso, como no vídeo em que a Jout Jout LITEREALMENTE desenha quando a gente pode entender que determinadas situações simplesmente não estão ok. “Ah, mas e se ela estiver fazendo charminho...?” NÃO. “Mas será que ela disse não querendo dizer sim?” NÃO. “Olha, mas tem aquelas que usam roupas REALMENTE curtas, aí fica difícil, né” NÃO.

Não só tem um significado: não. Visto que tem tanta gente falando sobre isso, por que ainda encontramos homens que tentam um certo malabarismo retórico para justificar assédio? Eu não acho a resposta fácil. Dizer que vivemos em uma cultura que naturaliza o assédio é chover no molhado, porque isso já sabemos. O que eu quero trazer hoje é uma reflexão que perdure pelo ano todo, e não apenas na época da folia. O carnaval é a festa mais popular do nosso país, ele une gente de todos os cantos, e é justamente por isso que ele acaba espelhando em uma semana o que acontece todos os outros dias do ano. Acaba sendo um bom espelho onde vemos nossa sociedade ser desenhada na base da violência.

O que me deixa mais feliz é ver que, mesmo com a insistência de homens que buscam todas as formas para deslegitimar as negativas das mulheres, é também no Carnaval que nós entendemos conceitos importantes como sororidade e empoderamento. Mulheres estão atentas e unidas contra o assédio, e esse felizmente é um caminho sem volta. Mas, o alerta dado aqui, precisa seguir ao longo do ano inteiro. Respeita as mina durante o carnaval e durante o ano todo.  

- *Na foto em destaque as minas do bloco Pagu, que tem a bateria formada só por mulheres e é um dos tantos blocos feministas que tem surgido nos últimos carnavais. Esse movimento de transformar a festa em um ambiente seguro para mulheres curtirem sem medo só cresce, ainda bem!

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Mulheres no mercado de trabalho: vamos conversar?

Mulheres no mercado de trabalho: vamos conversar?

Ser mulher no Brasil é conviver com diversas expectativas. O estigma místico do que é o feminino - o outro, o desconhecido, o complexo, o cíclico - faz com que todas nós sejamos colocadas em caixinhas que muitas vezes não condizem com a nossa identidade. Uma delas, para Virginie Despentes em “A Teoria King Kong” - leitura que não veio para ser agradável – é a de que não podemos ser viris. Ela deixa claro, já que esquecemos muitas vezes, que temos direito a não servir e, por incrível que pareça, de sermos desagradáveis. “O exercício direto do poder é aquele que nos permite chegar a qualquer lugar sem ter que sorrir para três fulanos quaisquer, esperando que nos contratem para tal posto ou que nos confiem alguma coisa. 

O poder que permite ser desagradável, exigir ir direto ao ponto. E esse poder não é mais vulgar se exercido por uma mulher do que por um homem. Espera-se que renunciemos a esse tipo de prazer em função do nosso sexo.”

Quanto mais eu penso sobre o empreendedorismo feminino mais me afasto de sua definição. É comum quando nasce um movimento dentro de um mercado gerenciado por outro grupo que se construa antônimos dentro de dualidades. Se é feminino é oposto ao masculino. Porém, acredito que, quanto mais nós nos comparamos, mais longe ficamos do que é a nossa essência nos negócios - espaço cada vez mais desejado por nós.

Para ter uma ideia de como anda o avanço das mulheres nos negócios, em 2014, 51,2% dos empreendedores que iniciaram negócios eram mulheres. A principal motivação é a liberdade financeira - muito em reflexo da crise - mas percebemos outros pontos considerados importantes e que, até acontecer esse aumento das mulheres na frente de suas empresas, não eram relacionados ao mundo business.

Encontrar-se na sua profissão, ter um propósito, fazer algo que possa ajudar não só a si mas à comunidade são algumas das razões que levam cada dia mais mulheres a se lançarem na aventura empreendedora. Por mais que falar de empreendedorismo relacione rapidamente aos negócios, percebo que ser a criadora de um negócio é muito mais do que ter um CNPJ para chamar de seu, e sim uma atitude pró-ativa. Esse comportamento pode se manifestar em quem tem carteira assinada, é freelancer, autônoma ou o nome que se quer dar. São as pessoas que não aceitam as coisas como ela são, que acreditam que há um outro caminho que possa ser descoberto, que preferem fazer do que esperar que tudo se resolva.

Mas quem são essas mulheres que se identificam com esse perfil empreendedor? Que acordam todos os dias e gerenciam não só suas vidas mas também suas profissões?

Começando por Porto Alegre, nós queremos conhecer um pouco melhor essas profissionais que estão ativas no mercado de trabalho. Pode ser CLT, freelancer, freela fixo, empreendedora, empresária, o que importa para nós é ouvir a sua opinião. Para participar do nosso estudo, basta clicar aqui. Serão 10 minutinhos que irão nos ajudar a construir juntas novos espaços para as mulheres liderarem no mundo dos negócios.

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PEC 181: pró-vida, pero no mucho

PEC 181: pró-vida, pero no mucho

O ano é novo, mas a luta começa cedo. Em 2018 teremos eleições presidenciais, o que certamente indica que teremos pela frente muitos debates, não apenas sobre os nomes presidenciáveis, mas sobre as pautas que deverão ser cobradas do próximo nome a exercer o cargo mais alto do país. E é aí que entra um papo que ficou levemente esquecido nos últimos dias de 2017: a PEC 181. Que eu, particularmente, chamaria de PEC da carnificina.

A notícia já corre há quase dois meses: a Proposta de Emenda Constitucional 181 torna ilegal a interrupção da gravidez em quaisquer situações, incluindo as que hoje são permitidas por lei, como casos em que a mulher engravidou com consequência de um estupro. Não apenas um óbvio retrocesso, esta PEC escancara algo muito mais intrínseco: a misoginia do nosso país.

Quando falamos do machismo no Brasil nos canais do Não Me Kahlo, coletivo feminista que eu coordeno com outras mulheres, as respostas machistas costumam chegar com frases como: “Vão brigar contra o machismo lá no Oriente Médio, onde as mulheres são obrigadas a serem submissas”; “Vocês já podem votar, já saem pra trabalhar, quer mais o que?”.

O argumento de que o machismo “de verdade” é aquele que acontece do outro lado do mundo e a ideia de que sair pra trabalhar e votar por si só representam toda a luta feminista são, infelizmente, um retrato de uma sociedade que é um caldeirão preocupante. Unem-se ignorância sobre a história do feminismo no Brasil ao total desinteresse sobre quais são as pautas pelas quais as mulheres lutam, com doses cavalares de um esforço para manter o patriarcado firme e forte. Não apenas isso, além de a PEC 181 proteger ideias machistas, elas também encoraja a violência contra a mulher. Explico.

Em nenhum momento da história feminista e em nenhum escrito médico está a informação de que um aborto é algo prazeroso de ser feito. Fato é que ele é feito, ponto. A sua proibição não diminui o número de procedimentos de interrupção da gravidez, mas tira das mulheres a oportunidade de contarem com o aporte necessário para sua saúde física e mental. Ou seja, aborto seguro e com apoio psicológico.

Já se sabe, e não é de hoje, que proibição não resolve, então porque a insistência em uma política que mantém mulheres morrendo? A resposta é a própria misoginia. A negação ao direito de comandar o próprio corpo é um aviso do patriarcado que seremos castigadas por vivermos nossa sexualidade. E agora, com uma PEC que proíbe o aborto até em casos de estupro, ou seja, a relação sexual não consentida - o que inclui mesmo relações sexuais dentro do casamento, quando o marido obriga a esposa a transar mesmo que ela não queira-, é uma forma de dizer às mulheres que nossos corpos podem ser violados.

Quem se coloca a favor da PEC 181 denomina a si mesmo como “pró-vida”, alguém em defesa de crianças inocentes. A ironia é que essa luta não permanece quando a criança nasce, especialmente se for uma criança pobre. Aparentemente, um amontoado de células sem sistema nervoso formado tem mais direitos do que um bebê que efetivamente precisa do apoio do Estado.

Lá no começo desse texto eu citei que esse ano será de turbulência política, e é por isso que precisamos falar sobre a PEC à exaustão.E não apenas por ser ano de eleição, mas porque isso tudo demonstra que a participação popular, aclamada de dois em dois anos quando nos convidam para irmos às urnas, na verdade tem se mostrado muito mais uma farsa do que um exercício real de democracia. Esse tema está sendo gerenciado majoritariamente por homens que se esforçam para atender aos interesses da bancada evangélica. Lembremos que o aborto não é um assunto individual, mas uma pauta de saúde pública, um tema que afeta a todos direta ou indiretamente.

Recomendação útil: o documentário O aborto dos outros.

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Donas de si, donas do mundo: mulheres e empreendedorismo

Donas de si, donas do mundo: mulheres e empreendedorismo

Ao falar desse grande universo chamado “mulheres”, onde várias realidades se cruzam em diferentes cenários, de uma coisa eu tenho certeza: o mercado de trabalho é uma de nossas principais preocupações. E existem muitos motivos para isso. Em conversas sobre a busca pelos direitos da mulher, é comum a seguinte argumentação:


“Ué, mas já pode trabalhar, votar e dirigir, quer mais o que?”


Inegavelmente, nas últimas décadas nós logramos conquistas importantes, e o mercado de trabalho é uma delas. Mas muita coisa ainda precisa ser discutida, incluindo a participação das mulheres no empreendedorismo e todas as dificuldades que essa trajetória pode trazer.


Antes, precisamos entender que o tal ato de empreender é amplo demais. Existem muitos caminhos que levam uma mulher a essa atividade. Pode ser que ela tenha tido esse sonho desde sempre, pode ser que ela tenha perdido o emprego abruptamente e esteja se vendo em uma situação urgente, onde precisa tomar decisões com pouco ou nenhum apoio extra, pode ser que ela seja uma mãe – e sabemos que o mercado de trabalho é especialmente cruel com mães -  e ela esteja planejando alternativas para sua carreira.

Ou talvez ela seja uma imigrante refugiada começando uma vida nova após muita luta. Ela pode ser uma profissional liberal ou uma artesã, uma executiva ou alguém dando os primeiros passos na profissão. E por que cada detalhe desses importa? Porque as histórias dessas mulheres não podem ser apagadas.

Eu chamo atenção a esse detalhe sobre a pluralidade de perfis de mulheres empreendedoras para evidenciar que empreendedorismo não é moda, tampouco uma atividade fácil, que se decide da noite para o dia. Do grande “plim” após uma ideia, até o planejamento e concepção, precisamos ter em mente que ser dona do próprio negócio não é nadar em glamour ou ter vida fácil – muito pelo contrário!


Reside aí a importância de conhecermos e valorizarmos iniciativas dessas mulheres. E onde o feminismo entra aí? Bom, naturalmente eu não defendo que haja um “empreendedorismo feminista”, afinal, empreendedorismo não é uma pessoa ou entidade, mas uma atividade. Feminista é a atitude de luta por direitos, comum no trabalho dessas mulheres, que batalham em um ambiente ainda majoritariamente masculino, e cuja subsistência depende de uma batalha difícil nesse grande mar de incertezas. E as conquistas já alcançadas pelas mulheres ao longo da história não significam que já estamos bem e podemos parar de pensar e batalha. Pelo contrário: essas vitórias mostram que só a luta muda um mundo tão cheio de desigualdade, e que é possível conseguir essa mudança.


Particularmente, um mantra que carrego comigo é: seja inconformada, sempre.
A inconformidade nos tira da inércia e da fantasia de que tudo já está bem. E repensar a forma como lidamos com o trabalho na nossa sociedade é mandatório para compreendermos a importância da luta feminista.
Ser feminista é defender a ideia da emancipação política e econômica feminina, lutar por direitos civis e reprodutivos da mulher e reconhecer o trabalho das mulheres que trabalham por essa mudança.

Este é um caminho possível para a diminuição de problemas derivados do machismo, como a violência doméstica e a disparidade de salários. Mas, diferente do que teorias liberais pregam, não basta apenas querer. A luta aqui é para que nós mulheres tenhamos igualdade no acesso à informação e educação, o que nos permitirá ter o pleno direito a escolhas. O que pode ser óbvio para alguns, ainda é um caminho cheio de obstáculos no dia a dia.

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Shwe + Insecta: estampas, cor e empoderamento

Shwe + Insecta: estampas, cor e empoderamento

Lembra daquele dia que a gente mostrou saquinhos de tecidos estampados e prometeu contar mais? Chegou o dia. Respira fundo. Contaremos mais. Hoje você vai descobrir o resultado da nossa parceria com a Shwe. Como você já deve saber, a Shwe é uma marca Sul-Africana que trabalha com artesãs em situação de vulnerabilidade.

O principal pilar da empresa é o empoderamento feminino, e esse é um dos motivos da gente ter se apaixonado pelo trabalho deles. Tudo gira em torno de um projeto que capacita mulheres para que possam ser profissionais com a sonhada independência financeira, além de terem condições de sustentar as suas famílias e gerar renda para as comunidades onde vivem. ♡ Uma das coleções da Shwe é feita em parceria com as senhoras do asilo municipal de Durban, lá na África do Sul.

Eles se encantaram pelas histórias que elas contam enquanto costuram, no tradicional chazinho da tarde, e desse ambiente de trocas saiu a coleção “SHWE – The Wearable Library”. O nome é uma brincadeira com esse momento de contação de histórias, e como elas ficam “impressas” em cada peça feita pelas artesãs.   É aí que a gente entra. São os excedentes da produção - ou seja, tecidos - dessa coleção que dão vida à nossa Collab. A matéria-prima que elas usam é 100% algodão com padrões simplesmente incríveis.

O famoso Shweshwe, tecido estampado tradicional da África do Sul, se transformou em Cordulias e Papilios. Além de bonitões, esses pares também são especiais porque assim como os vintages, são feitos de tecidos reaproveitados. Então, não existe dois pares exatamente iguais. As estampas se encaixam de jeitos diferentes em cada sapato, e em alguns casos acontecem misturas inesperadas. Olha só o resultado:

Insecta + Shwe Insecta + Shwe Insecta + Shwe

E além dos sapatos, com os mesmos tecidos também foram feitos saquinhos, que a gente já mostrou. Que obviamente você vai usar pra qualquer coisa, menos pra ficar escondido na gaveta em casa, né?

Insecta + Shwe

Agora vem ver todos os detalhes sobre cada besouro e encontrar a estampa perfeita na sua numeração aqui.

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Permita seu corpo primaverar

Permita seu corpo primaverar

Empoderada. EM-PO-DE-RA-DA. Leia essa palavra novamente, pausadamente. Um termo gasto e absorvido pela mídia, que nos dá a falsa impressão de liberdade. Somos empoderadas mesmo? Temos poder sobre nós mesmas? A primavera vem aí, falta pouquinho pra estação mais florida do ano, e por não falar no nosso processo de florescimento, também? A esta altura todos nós já sabemos o básico: pessoas adultas têm pelos.

Então por que, em pleno 2017, uma foto que mostre uma mulher com pelos pode causar um reboliço tão grande, e até mesmo demonstrações de violência? Nojento, anti-higiênico, desleixo...quantos adjetivos nos dão, não é mesmo? Você se depila hoje e daqui quinze dias já está aflita, porque os pelos estão longos o suficiente para serem vistos, mas ainda muito curtos para serem novamente arrancados. E dá-lhe calça jeans e manga que esconda as axilas, mesmo debaixo de um sol de quarenta graus.

Tudo isso porque as pessoas ao redor não podem nem imaginar que temos os tão naturais pelos. “Uma mulher adulta com pelos, poros, cravinhos? CREDO!” E dá-lhe gilete, cera, sabonete íntimo, desodorante íntimo, qualquer coisa para detonar a flora vaginal para agradar o outro. A gente pode até tentar se enganar dizendo que faz só pra se sentir bem, mas no fundo sabemos que tem mais coisa por trás de uma rotina quase obsessiva em busca da pele perfeitamente lisa, da vagina com cheiro de fruta e da axila perfeita como seda. E mudar tudo isso não é fácil.

É um exercício diário que já fazemos diante do espelho, mas a contrapartida precisa existir. Ou seja, as pessoas ao redor precisam entender que pouco importa a opinião pessoal delas, o respeito é uma obrigação. Agredir verbalmente alguém que escolheu não seguir as convenções sociais faz com que a denominação  “animal racional” pareça incondizente com nossa espécie. Enquanto parte de nós busca olhar pra si mesma com olhos desnudos de pré-definições, toda a sociedade se esforça para que sigamos escravas de padrões.

Em tempo: percebam que em momento algum eu condeno o ato de depilação em si, mas a forma como esse hábito é imposto, e deixa de ser mera escolha para se tornar obrigação. Não há nada de nojento em pelos. Afinal, homens estão ai ostentando sua natureza sem maiores problemas. Sabemos que a questão não é falta de higiene e que os pelos femininos só soam nojentos porque fomos ensinados assim. Tudo aquilo que não se assemelhar a uma capa de revista será condenado: gordura, fluidos vaginais, menstruação e... pelos. Eles, que formam parte de um importante mecanismo de defesa e proteção à nossa pele e órgão genitais.

Cuidados com higiene pessoal são diferentes de sacrifícios para buscar adequação social e aceitação. O primeiro caso, todos os seres humanos, independente de seu gênero, precisam fazer. É mandatório manter bons hábitos para a manutenção da boa saúde (Sra. Óbvia ataca novamente). Mas o extremo da vaidade, aquele que prende e mutila mulheres para que continuemos submissas a um sistema, não tem a ver com limpeza corporal, mas com poder e controle. O florescimento de nossos corpos, o auto-amor, o auto-cuidado e o entendimento do funcionamento do nosso organismo são essenciais para que nos mantenhamos fortes. E para aqueles que acham errado a ideia de ter pelos, ok, tire os seus, estamos bem assim. Repito que não existe um problema em escolher o que fazer com seu corpo. Desde que seja, de fato, uma escolha.

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