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Quanto custa um sapato Insecta?

Quanto custa um sapato Insecta?

Nas últimas semanas teve muita gente nos perguntando se a Insecta faria algo na Black Friday. E de fato nós preparamos uma ação. Por aqui temos a Green Friday, nossa campanha pra você comprar só se tiver vontade, e não por um impulso que vai virar arrependimento ou fazer mal para o planeta. Queremos propor um novo olhar sobre o consumo. Pra pensar bem e entender como comprar deve ser um ato consciente e responsável, sempre. Esse ano, nesse mar de descontos e preços caindo loucamente, resolvemos falar sobre isso: o PREÇO. Quanto custa fazer um sapato da Insecta? Abrimos a nossa planilha de custos e vamos compartilhar ela com você (mas de um jeito bem fácil, que até quem é de humanas vai entender, calma). Olha só:   

Green Friday Insecta from Insecta Shoes on Vimeo.

 

 

Ficou dúvida? Vamos rever então. Nosso preço é composto desse jeito:

 

CUSTO DO PRODUTO 34%

DESPESAS ADMINISTRATIVAS 31%

DESPESAS COM VENDAS 7%

IMPOSTOS 10%

REINVESTIMENTO OU LUCRO 18%

 

E o que significa isso? É o seguinte: O custo do produto é tudo que envolve a sua produção. Metade vai para a mão de obra, e a gente só trabalha com fábricas que contratam pessoas de forma regular e remuneram de maneira justa. Se não for pra ser assim, nem fala com a gente. A outra metade é a matéria-prima: estamparia, cadarço, embalagem, caixa, saquinho, palmilha e tudo que compõe o seu besouro.

Se um sapato Insecta custa R$ 290 isso quer dizer que, em média, R$99 é gasto nessa etapa. Daí vem as despesas administrativas, que envolvem toda a estrutura da nossa empresa. São salários e benefícios de quem trabalha junto todos os dias pra criar, comunicar e administrar a Insecta.

Hoje temos 12 funcionários com carteira assinada, no regime CLT com todos os direitos em dia, a Celci, mais os nossos ~agregados (freelas e prestadores de serviço). E ainda tem toda aquela parte que inclui aluguel, luz, água e claro, os nossos mascotes Biga e Badok. Isso tudo dá R$90 no valor final do sapato.

Sabia que vender gera despesas? É, acontece. E corresponde a R$20 no valor do nosso produto. São as comissões das vendedoras, taxas de cartão de crédito, e toda a verba do marketing, incluindo fotos, vídeos, mídia, e até o frete pra compra chegar à sua casa (na Insecta o frete é sempre grátis pro Brasil todo, nas compras acima de R$185).

Os impostos, bom, acho que nem precisa explicar, né? O que sobra dessa conta é o valor de lucro ou reinvestimento, em média R$52. Esse valor é o que a gente prevê pra investir na empresa: novos projetos, novas lojas, pesquisa de novos materiais, desenvolvimento de novos produtos, novas contratações… tudo que envolve crescimento. E depende diretamente do nosso volume de vendas.

Se a gente não bater as metas mínimas mês a mês, a nossa conta não fecha e não sobra grana pra reinvestir. Tá, mas você já viu a Insecta dando desconto. Explicamos então. É desse valor que a gente acabou de falar que saem os descontos de primeira compra, aniversário e também os descontos nos pares em liquida, que em geral são peças que serão descontinuadas para dar espaço a novas apostas no nosso estoque. Então, toda vez que decidimos baixar os preços, deixamos de investir na empresa, porque é melhor tirar um pouco do lucro do que deixar de pagar os boletos, né não? E como o papo de hoje é sobre transparência, a gente aproveita pra contar que por enquanto ainda não rola por aqui distribuição de lucros porque a Insecta ainda está em crescimento. Ou seja, quando sobra essa grana, a gente reinveste em contratações e abertura de novas lojas, por exemplo.

O que a gente mais quer é ter um lucro estável (quem não?) pra no futuro poder ter uma fundação e virar um negócio social, onde parte desse valor será revertido para o planeta e a sociedade como forma de impacto social positivo. O resultado de todo esse cálculo é esse vídeo que a gente preparou pra nossa Green Friday. Clica pra assistir e começar a consumir de forma mais consciente com a gente. 

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Quando o algodão é orgânico e fairtrade todo mundo sai ganhando

Quando o algodão é orgânico e fairtrade todo mundo sai ganhando
O algodão é a segunda fibra têxtil mais produzida no mundo. Fica só atrás do poliéster. É um negócio bilionário, já que o algodão está por toda parte, não só nas nossas roupas, mas os pequenos produtores estão levando a pior. A Fairtrade Internacional divulgou faz pouco tempo os resultados de uma pesquisa que comparou os impactos socioambientais do plantio de algodão convencional e orgânico com a certificação de comércio justo, ou fairtrade. Eles concluíram que os custos socioambientais do fairtrade são 5 vezes menores do que o convencional. Essa pesquisa analisou impactos ambientais e sociais em famílias rurais na Índia, um dos maiores produtores mundiais de algodão. Segundo eles, a melhoria mais significativa é a social. Agricultores certificados recebem pagamentos mais dignos, assim como benefícios para a comunidade, como acesso à educação para as crianças. Nas questões ambientais, o orgânico certificado bate o convencional em todas as categorias, menos uma: o tamanho da área necessária para o cultivo, já que o rendimento de plantações orgânicas é menor do que o convencional, por depender mais de fatores naturais. Sim, a gente também acha que o fato da própria organização Fairtrade ter conduzido o estudo pode ser questionável, já que eles podia estar puxando pro seu lado. Mas a verdade é que todo mundo já percebeu que a produção de algodão do jeito que está se tornou insustentável. Por exemplo, lembra quando falamos sobre os impactos de uma camiseta de algodão? Só pra relembrar, são 2.700 litros de água envolvidos na produção de uma peça. Além disso, o algodão convencional usa 10% dos agrotóxicos e 25% dos pesticidas de todas as plantações. Isso sem mencionar os transgênicos, que dominam a produção de algodão no mundo. São sementes são muito caras, e os produtores pequenos precisam recorrer a empréstimos para terem acesso. Enquanto isso, as sementes de algodão normal se tornaram praticamente indisponíveis para os agricultores indianos por causa do controle da Monsanto do mercado de sementes. Ainda por cima, as plantações menores não possuem sistemas de irrigação de alta tecnologia e dependem das chuvas. Quando o clima não ajuda, não tem colheita, não tem como pagar os empréstimos, e muitos perdem as suas fazendas por conta das dívidas. Tudo isso leva a uma relação direta ao crescimento de suicídios de fazendeiros na Índia (uma média de um a cada 30 minutos), dado levantado pelo documentario Bitter Seeds Então, mesmo podendo ser um pouquinho - ou muito - tendencioso, esse  estudo da Fairtrade serve pra nos lembrar de todas essas questões e levantar discussões sobre formas de produzir. Além disso, ajuda as marcas (não só de moda) a entenderem que elas também possuem responsabilidades sociais e ambientais. E fica aquele recado pro consumidor, que não pode nunca parar de exigir transparência. Pra quem quer saber mais sobre a certificação Fair Trade, a gente contou mais nesse post aqui. 
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