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Por que o veganismo vai muito além da alimentação?

Por que o veganismo vai muito além da alimentação?
O interesse geral sobre veganismo só cresce, olha que coisa linda. Como a gente contou nesse post aqui, só no Brasil foi um crescimento de 500% nas buscas no Google nos últimos 5 anos. E agora, desde o lançamento do filme Ojka no Netflix, mais e mais pessoas têm procurado saber o que é esse tal de veganismo, o que fazem e de que se alimentam afinal de contas esses veganos. Inclusive tem grandes chances de você estar nos lendo justamente pra aprender um pouco mais sobre o assunto, né? Bom, então vamos começar pelo básico. O que é veganismo? A melhor definição é a da Vegan Society, que diz assim: “Veganismo é uma maneira de viver que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade com animais para comida, roupas e qualquer outro propósito.” Ou seja, é muito mais um estilo de vida do que dieta ou culinária, como muita gente gosta de chamar. É no quesito alimentação, aliás, que acabam acontecendo várias confusões. Explicamos aqui as diferenças entre vegetarianismo, ovo-lacto-vegetarianismo e veganismo, e mostramos que não existe isso de “dieta vegana”. Só que acaba ficando tudo concentrado na alimentação mesmo. É só dar uma olhada nas principais pesquisas relacionadas ao termo “veganismo” lá no Google Trends: a maioria fala sobre receitas e restaurantes. E a gente também cai nessa rapidinho, quer ver? Dá uma navegada aqui no blog pra ver como o filtro "veganismo" tem muito mais receitinhas do que qualquer outra coisa. Não que seja ruim, porque afinal a revolução começa na mudança de alimentação, que é um passo super difícil para a maioria. Mas é importante entender que ser vegano engloba muito mais do que apenas optar por comer ou não algum ingrediente. Conforme a definição que falamos antes, o negócio é reduzir ao máximo a exploração animal em todos os sentidos. Provavelmente você conhece alguém que não come carne, mas compra sapatos de couro e roupas de lã. O que muita gente não sabe é que a maioria desses produtos depende de sofrimento e dor para chegar até as araras das lojas. A gente falou nesse post aqui sobre isso. E antes que te digam “mas a lã da marca x é retirada de forma humanizada, as ovelhinhas são felizes e ganham até massagem”, #ficaadica: não usar materiais de origem animal é mais fácil do que tentar descobrir quais fornecedores são “humanizados”. Especialmente depois de saber que até a Stella McCartney caiu nessa cilada. Não é melhor eliminar logo a possibilidade de compactuar com crueldade? Ser vegano também é apoiar políticas que acabem com testes farmacêuticos em animais, comprovadamente obsoletos, assim como os testes para a indústria dos cosméticos. Se você não come nada de origem animal, mas usa maquiagens e produtos de marcas que são testados neles, está financiando sim dor e sofrimento. Por conta disso, veganizar te ajuda a abrir os olhos e começar a pensar nos animais e no meio ambiente de forma muito mais ampla. Por exemplo, o caso do óleo de palma, que é o óleo vegetal mais consumido no mundo, mas carrega na sua produção uma trilha de desmatamento. Estima-se que só na Indonésia, cerca de 5.000 orangotangos são mortos anualmente por terem seu habitat devastado. Veganos são curiosos e desconfiados. Ler lista de ingredientes é um hábito que se torna automático. Você quer saber exatamente de onde veio e quem fez o que você está comprando. Seja na hora de comprar um molho pronto no supermercado, escolher uma roupa na loja ou até pesquisar um roteiro turístico. E isso só tem vantagens pra todo mundo. O que é ser “chato” pra muitos é ser analítico e cuidadoso, e vai te prevenir de comprar coisas como, por exemplo, couro de cachorro, ou dar moral pra uma atração como a Ilha dos Porcos. E pra você não cair naquela armadilha de “ah mas veganismo é impossível, até pneu de bicicleta tem ácido esteárico de origem animal” ou “quer dizer que você não vai tratar uma doença porque a medicação é da empresa y que testa em animais” a gente relembra: como a definição de veganismo pela Vegan Society deixa claro, viver de maneira livre de crueldade dentro do possível e do praticável. Colocar obstáculos é o primeiro passo para permanecer inerte, na zona de conforto e aceitar a situação como ela é. A mudança tem que começar por algum lugar, certo? A gente falou um pouco sobre essa questão, que é chamada de essencialismo, aqui nesse post e vale muito a leitura. E pra fechar ainda queremos indicar uma olhada nesses documentários para repensar o consumo em geral, e uma lida nesses livros que falam de veganismo muito além do que colocamos no prato.
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