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Mulheres que Inspiram: Cristal Muniz

Mulheres que Inspiram: Cristal Muniz
Ela decidiu tentar parar de produzir lixo e viver uma vida sem desperdício, mais natural, mais saudável e mais feliz. A entrevistada de hoje é a incrível Cristal Muniz do "Um ano sem lixo". Ah! E se você quiser se inspirar com outras mulheres e suas iniciativas maravilhosas, veja aqui as últimas entrevistas do Mulheres que Inspiram pra Insecta!    - Me conta um pouco sobre você! Onde nasceu e cresceu? Quais são as suas melhores lembranças de infância? Eu nasci em Florianópolis, onde morei com meus pais até os 4 anos e meio. Vivia na barra da saia da minha mãe, atrás do meu pai (que é artista e tinha um ateliê no mesmo terreno) e perto dos meus avós: o vô que era um doce e a vó que era um furacão e tinha uma fábrica de roupas ali na casa. Depois fui morar em São Carlos - SC, uma cidadezinha de 5 mil habitantes na época, onde a família da minha mãe morava e pra onde ela foi quando separou do meu pai. Morávamos com meus avós numa rotina super do interior. Tudo o que a gente quer hoje em dia eu tinha lá: produção local (o que não tinha na horta na própria casa, tinha na fazenda do produtor vizinho) e orgânica (tudo da horta era sem agrotóxico, a maioria das coisas que a gente pegava dos vizinhos também). Eu era uma criança bem quietinha e calma. Lia muito, muito mesmo! Não gostava de brincar na rua porque tinha medo de me machucar (#canceriana) e gostava de brincar com meus cachorros/gatos/coelho/tartaruga (a gente sempre teve um monte). Sempre tive blog, desde os 13 anos. Sempre escrevi muito, sempre falei muito sobre mim na internet. Meu álbum preferido da infância era o "Cravo Cor-de-rosa Carvão" da Marisa Monte, que eu ganhei do meu tio quando fiz 10 anos. Sempre quis aprender costuras: costurar, bordar, tricô, crochê, ponto cruz. Sei um pouco de tudo, aprendi com minha vó e depois uma tia que me deu algumas aulas. - Desde 2015 você se dedica ao "Um ano sem lixo". O que é esse projeto? Como começou? O Um ano sem lixo é um projeto de vida. Quero viver sem produzir lixo. Tudo começou quando descobri a Lauren Singer e seu blog Trash is for Tossers. Li uma matéria que ela dizia que não produzia lixo há alguns anos e fiquei super encantada. Depois, o fato dela ter quase a mesma idade que eu e morar em Nova Iorque, e não em uma fazendinha, também me pegou de jeito. Então criei o blog no final de 2014 pra em 2015 eu aprender a parar de produzir lixo. Sigo aprendendo, com novos desafios o tempo todo. - O que significa não produzir lixo ou lixo zero? Basicamente não produzir nenhum tipo de resíduo que precise ir pro aterro sanitário. Isso significa parar de usar e precisar de tudo aquilo que não for reciclável ou compostável. Mas também é reduzir muito a produção de lixo reciclável. Menos, melhor. A ideia do lixo zero é usar muito mais vezes as coisas antes delas precisarem ser descartadas. Vivemos num mundo que descarta coisas com segundos de uso. Isso não pode ser sustentável de ser mantido - e é isso que temos visto acontecer. - Até agora, qual a sua maior dificuldade com relação à não produção de lixo?  Sempre falo do papel higiênico, que ainda não consegui parar de usar e só consigo descartar pro aterro sanitário. Acho que a principal dificuldade é em ter opções. Preciso saber se as embalagens são 100% recicláveis (do que ainda preciso comprar embalado) e essa informação nem sempre está na embalagem, depois se tem uma opção melhor ou menos pior. Como descartar corretamente coisas que não são tão comuns, mas que fazem parte da vida de todo mundo como eletrônicos e lâmpadas. E onde comprar as coisas, isso parece uma caça ao tesouro! - Paris acaba de inaugurar seu primeiro mercado totalmente sem embalagens. Por aqui, ainda não vejo muito avanço nesse sentido. Você já descobriu algum estabelecimento assim? Acha que falta muito pra isso acontecer? Já existem muitas lojas a granel e a maioria aceita que a gente leve os próprios potes ou saquinhos. Acho que aqui a gente esbarra no problema de subestimar o consumidor, achando que ele não vai entender, não vai comprar a ideia ou não vai ser capaz. Ainda fazemos o comércio pensando na pressa das pessoas, em ter muitos saquinhos e tudo pronto pra facilitar a rapidez da compra. E também por várias questões legais: as normas de vigilância e a Anvisa tem muitas regras que indicam a utilização de descartáveis, por exemplo. Mas eu sei que existem muuuuuitas alternativas legais por aí, só que são geralmente marcas pequenas que aparecem pouco. - Na sua rotina diária, que produtos você teve que substituir pra zerar a produção de lixo?  Digamos que tudo?! hahahaha! Parei de comprar cosméticos convencionais. Tô usando o que tenho até acabar e aí procuro uma receita pra eu mesma fazer ou compro de uma marca que seja de preferência, orgânica e sustentável. Por isso também uso muito menos coisa hoje em dia e porque os produtos que faço geralmente são multiuso, como os hidratantes que servem pra todas as partes do corpo. Os produtos de limpeza: parei de comprar mil coisas embaladas e uso vinagre, bicarbonato de sódio e sabão de coco. Faço meu próprio sabão pra roupas, faço misturinhas com vinagre pra desinfetantes e também parei de usar esponja e troquei pela bucha vegetal. Escova de dentes normal de plástico troquei pela de bambu que é compostável. Pasta de dente normal troquei pela que faço com óleo de coco e bicarbonato de sódio. Absorventes troquei pelo coletor menstrual. <3 Vários descartáveis troquei pelos reutilizáveis como: guardanapos de pano, copo retrátil de alumínio, saquinho de pano, caneca, talheres, hashis, canudos de bambu. - Tem alguma coisa que você ainda não encontrou solução? Tem algumas coisas que, se tivéssemos um processo de descarte correto, iriam ser recicladas. Mas tenho muitas dúvidas sobre. Eletrônicos, pilhas e baterias, móveis, remédio, lâmpadas, coisas adesivadas, restos de coisas, coisas quebradas, roupas e calçados. Tento não descartar, tento comprar opções que durem muuuuuito e de 2ª mão, mas nem sempre é possível. Por isso eu não ostento um pote de lixos como outras blogueiras lixo zero. Aqui a quantidade de problemas ainda é maior (mas não é impossível). - Aos poucos, como podemos nos tornar mais conscientes da produção alarmante de lixo?  Acho que é importante encarar o lixo como um problema, sabe? A gente finge que acha tudo um absurdo, mas é fechar a sacolinha que passamos o problema pra frente. É um problema e é nosso problema, porque vivemos nesse mundo, nesse país e nessa cidade. A gente precisa fazer nossa parte, achar horrível toda vez que precisar jogar algo fora, se sentir mal quando pedir um delivery e vierem 50 embalagens. - E que ações simples podemos realizar em casa? Primeiro: olhar pro lixo que você produz e saber o que tem nele. Assim, você consegue saber que problemas tem que enfrentar. Depois: ter uma composteira em casa. É super simples e fácil de cuidar e você vai reduzir quase 50% do seu lixo em casa, transformando os resíduos orgânicos em adubo! Trocar os descartáveis pelos reutilizáveis é essencial também. Tudo que der, substitua pela versão em pano: toalha, guardanapo, saquinho, absorventes, fraldas, etc. - Pode dividir com a gente alguma receitinha especial?  Eu adoro a liberdade e independência que a receita de sabão pra roupas nos dá. Aqui: http://www.umanosemlixo.com/2015/10/receita-para-fazer-em-casa-sabao-de-coco-em-po-para-lavar-roupas.html E a receita de hidratante natural é sempre suuuucesso: http://www.umanosemlixo.com/2015/07/receita-para-fazer-em-casa-hidratante-natural-vegetal.html Continue lendo

5 Ações Conscientes Que Deram O Que Falar Em 2015

5 Ações Conscientes Que Deram O Que Falar Em 2015

Encerrando 2015 com olhar positivo e muita coisa para comemorar, nós listamos 5 iniciativas conscientes que nos trouxeram um olhar mais apurado e sincero sobre as nossas atitudes.

Escolhemos projetos responsáveis por nos tirar da zona de conforto e questionar comportamentos rotineiros, mas que precisam ser transformados. Repensar nosso lixo, nossas roupas, nossa alimentação e nosso machismo enraizado é pra ontem. Por isso, é com muito alegria que celebramos o alcance de todas essas iniciativas que tratam exatamente dessas questões e deram o que falar esse ano.

1.    Um Ano Sem Lixo

Viver produzindo o mínimo de lixo possível, essa foi a iniciativa audaciosa da Cristal Muniz, do blog Um Ano Sem Lixo. Inspirada em Lauren Singer, a nova iorquina do Trash Is For Tossers, Cristal se comprometeu a repensar todas as suas atitudes de consumo pelo impacto residual. Ou seja, cada compra era pensada de trás pra frente, a partir do comprometimento com o lixo zero.

A Cristal saiu nos jornais, na Globo, e em milhares de blogs e sites contando como ela vem conseguindo tal façanha. No blog, ela dá dicas pra você praticar o lixo zero no seu dia a dia também: compostagem, produtos do-it-yourself, muito sabão de coco e bicabornato de sódio, além de um kit básico de sobrevivência para comer fora de casa.

2.    Prêmio EcoEra

Não é de hoje que a ex-modelo, stylist e designer Chiara Gadaleta vem falando sobre sustentabilidade na moda, com foco, principalmente, no reuso.  Porém, esse ano, a idealizadora do Movimento EcoEra ganhou mais espaço na mídia com o Prêmio EcoEra.

O Prêmio tem como objetivo homenagear empresas inspiradoras e multiplicadoras de práticas conscientes em toda a cadeia produtiva, dos setores de moda e beleza. O apoio de uma das publicações de moda mais tradicionais do país, a Vogue Brasil, ajudou a levar dezenas de marcas conscientes ao conhecimento de consumidores ávidos por novidades.

3.    Trocaria, Projeto Gaveta, Roupateca e Roupa Livre

Trocar e compartilhar roupas para que elas tenham vida útil prolongada. A partir do conhecimento dos impactos da produção de moda no mundo, essa prática ganhou os holofotes e projetos como Trocaria e Gaveta tiveram força e espaço na mídia (e no coração das pessoas) em 2015.

A empreitada pioneira de trazer o conceito de “biblioteca de roupas” para o Brasil também foi importante e a Roupateca abriu as portas em São Paulo já com a lista de primeiros cinquenta assinantes completa. A prática da troca e do armário compartilhado deve se fortalecer ainda mais em 2016. Prova de que as pessoas estão ligadas e apostando nisso é o financiamento coletivo bem sucedido do aplicativo do Roupa Livre, que promete ser um Tinder para trocas de roupa.

4.    #PrimeiroAssédio

Quem não leu sobre a hashtag “primeiro assédio” provavelmente não teve acesso a Internet esse ano. O movimento de conscientização sobre a erotização do corpo feminino infantil, que surgiu a partir da indignação com os comentários sexualizando uma menina de 12 anos participante do Master Chef Junior BR, tomou a Internet e revelou como o assédio sexual começa muito cedo na vida das mulheres.

A iniciativa da Jules De Faria, co-fundadora do coletivo feminista Think Olga, responsável também pelo movimento Chega De Fiu Fiu, saiu em revistas, jornais e chamou a atenção para um problema enraizado na nossa cultura e que passa(va) desapercebido: a normatização da pedofilia. Relatos de abusos tomaram as redes sociais e a hashtag entrou nos trending topics do Twitter, revelando experiências de assédio, abuso e estupro em idades muito tenras: 3, 5, 9 anos. O movimento foi tão impactante que fez a pesquisa por “o que é assédio” ser uma das mais numerosas do ano no Google Brasil.

5.    Se Você Ama Um, Por Que Come O Outro?

A Sociedade Vegetariana Brasileira vem fazendo um trabalho notável de disseminação da alimentação vegetariana estrita. Esse ano, a campanha “Se Você Ama Um, Por Que Como O Outro?”, que questiona nossos hábitos de amar cachorros e comer porcos, saiu de São Paulo, onde já tinha ganhado espaço surpreendente nas estações de metrô, e ganhou outras cidades.

Além disso, a SVB já está com um programa em fase de implantação nas 49 unidades dos restaurantes Bom Prato em São Paulo, que servirão refeições vegetarianas por R$1 todas as segundas-feiras como parte da iniciativa Segunda Sem Carne. A expectativa é que todas as unidades adotem os pratos vegetarianos até o final de 2016.

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Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!