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Ser vegano é muito mais do que não comer carne

Ser vegano é muito mais do que não comer carne

Hoje em dia, “veganismo” não é mais um palavrão. Mas quando a Insecta nasceu, o mundo era um lugar um pouco diferente. Em 2014 era difícil encontrar produtos veganos em lojas e supermercados convencionais, e eram poucas as marcas que trabalhavam pensando no meio ambiente e nos animais.

De lá pra cá, muita coisa mudou. 

E isso é  uma ótima notícia, principalmente quando a gente lembra que a cada dia, uma pessoa vegana poupa 1,1 mil litros de água, 20,4 quilos de grãos, 2,7 metros quadrados de terra florestada e a vida de pelo menos um animal. (fonte).

O crescimento do veganismo significa mais e mais pessoas ampliando essa estimativa, o que é só vantagem para todo mundo. Nem precisamos falar que está mais do que comprovado que o veganismo não é um modismo ou uma “dieta” passageira, né?

Além de ir muito além de apenas alimentação, é um estilo de vida baseado na empatia, que vem ganhando adeptos e sendo apoiado pela ciência.

Você pode ler aqui e ali alguma pesquisa enviesada falando sobre perigos de aderir a uma alimentação vegetariana estrita, mas pode ter certeza: o veganismo é uma das melhores maneiras individuais (com reflexos coletivos) de contribuir para a proteção do nosso planeta, que mais do que nunca precisa que todo mundo se mexa!

Estamos em uma emergência climática e isso também não é novidade. Só para relembrar, Vários estudos comprovam que a pecuária lança para a atmosfera pelo menos 32 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO²) por ano, praticamente metade de todas as emissões de gases de efeito estufa em todo o mundo.

A pecuária também é responsável por 65% de todas as emissões humanas relacionadas com o óxido nitroso, outro gás do efeito estufa que é muito mais nocivo que o dióxido de carbono e que ainda por cima permanece na atmosfera por 150 anos.

Aqui no Brasil, 80% do desmatamento é causado pela pecuária. A Amazônia está virando pasto, e a gente tem falado sobre isso faz tempo.

No mundo, a soja é o segundo maior fator de desmatamento, e antes que alguém diga que é culpa dos veganos, vamos lembrar que a esmagadora maioria da soja produzida é para alimentação de animais - que são engordados para o abate, transformados em produtos e consumidos por uma pequena parcela da população, enquanto a maioria passa fome. 

Além de tudo, o consumo de carne é uma prática elitista e excludente. Ser vegano é muito mais do que não comer carne, é ter consciência coletiva.

Um estudo recente da Universidade de Oxford indicou que se quisermos manter o aquecimento global abaixo de 2 graus neste século, é preciso reduzir em 75% o consumo de carne bovina e em 90% o de carne suína em todo o mundo. Nós achamos que é possível, mas precisamos de todo mundo junto nessa! 


Os impactos positivos do veganismo 

O veganismo pode ajudar a poupar água, em números muito mais expressivos do que banhos curtos e torneira desligada durante a escovação dos dentes. Em tempos de crise hídrica no Brasil, pensar nisso como uma estratégia a longo prazo para solucionar esse problema é importantíssimo.

O gasto de água no cultivo de grãos para alimentar animais para o consumo humano, por exemplo, representa 56% de toda a água consumida nos Estados Unidos.  Aliás, quando pensamos nessa questão de tudo que é investido para criar e alimentar animais que serão sacrificados, o impacto é ainda maior.

Interrompendo esse ciclo, só os Estados Unidos poderiam alimentar 800 milhões de pessoas com a sua produção de grãos. E para a galera do “nem peixe?” vamos lembrar alguns estudos projetam que em 2048 não vai mais ter peixes comestíveis no mar.

E não é só isso: a pesca tem um impacto na vida de outros animais marinhos, como tubarões, baleias, golfinhos e tartarugas. Em média, 40% do que é pescado no mundo todo é descartado porque é capturado nas redes por acidente. 


Tá bom, por mais que a gente sonhe, não é possível que o mundo todo vire vegano do dia para a noite. Mas pra ter uma ideia, se durante um ano, uma vez por semana uma pessoa deixar de comer um hambúrguer de carne e optar por um à base de plantas, isso evita a emissão de 1,5 tonelada de CO². É difícil visualizar esse número, né?É o mesmo que ir e voltar de Natal (RN) a Porto Alegre (RS) em um carro comum. 

Mas e se todo mundo virasse mesmo vegano?

As vacas se multiplicariam e tomariam conta do planeta? Por mais que muitos não veganos achem que isso é uma possibilidade, não tem como acontecer, pois grande parte dos bovinos criados em fazendas se reproduzem por inseminação artificial atualmente. Na verdade, o que se sabe é que seria reduzido em até 75% o uso do solo em todo o planeta.


Somos um mercado em crescimento, com muito orgulho!

E vamos de boas notícias. Uma pesquisa do IPEC revelou que mais de 30% dos entrevistados já escolhem opções veganas em restaurantes e outros estabelecimentos, mesmo não sendo veganos ou vegetarianos. 

De 2014, ano do nascimento da Insecta, a 2018, foi calculado um crescimento de 677% na oferta de produtos veganos aqui no Brasil. Aliás, nosso país é o sexto que mais tem lançado produtos veganos nos últimos anos. É orgulho que fala?

Os leites vegetais estão ficando cada vez mais populares. Não só entre os veganos, mas também para pessoas com alergias, restrições alimentares e preocupação com a saúde. Só em 2018 o mercado das alternativas aos lacticínios cresceu 51,5%. Aqui no Brasil, o mercado de proteína vegetal vem em um crescimento contínuo de 11% ao ano. E isso a gente consegue ver na prática, com novos produtos aparecendo todo dia, e melhor do que isso: cada vez com preços mais acessíveis e democráticos. 

Lembra da quantidade assustadora de grãos que são cultivados para alimentar animais para consumo humano? E se isso, ou parte disso, fosse voltado para desenvolver alternativas veganas à carne? Todos os anos são 250 milhões de toneladas de grãos. O nosso país tem um enorme potencial para produzir proteína vegetal e as empresas sabem disso!

 

Veganismo não é só sobre comida


A popularização do veganismo impacta todas as áreas. Consumidores mais exigentes cobram das empresas uma responsabilidade maior com os animais e o meio ambiente. 

Na moda, o mercado onde a Insecta está, não é diferente. Você deve ter notado a quantidade de novas marcas veganas que surgiram nos últimos anos, mas além disso, gigantes já estabelecidas estão sendo obrigadas a rever seus conceitos. 

Só nos últimos anos, nomes de peso como Versace, Burberry, Prada, Gucci, Michael Kors, Alexander McQueen, Balenciaga e Chanel dispensaram o uso de pele nas suas coleções. Algumas dessas marcas foram além e deixaram de usar couros exóticos, como píton, crocodilo, lagarto e outros animais que eram cruelmente criados e sacrificados em nome da moda. O fim do uso de peles parece estar cada vez mais próximo. Na Califórnia, a partir de 2023, será proibido comercializar esse tipo de “produto”. Reino Unido, Áustria e Japão já proibiram a criação de animais para o uso de suas peles. 

Também precisamos falar sobre o couro, que é um material muito presente na indústria calçadista - no caso, o segmento ao qual a Insecta pertence. Sapatos e bolsas de couro ainda são o padrão, mas tem cada vez mais novidades e tecnologias mostrando que outros caminhos são possíveis. 

Uma delas é o “couro” feito de frutas. Um dos mais conhecidos é o de abacaxi, conhecido como Piñatex, que deu vida a alguns calçados por aquiCriado por uma mulher, esse material é feito a partir da folha do abacaxi, que é descarte da produção da fruta. São 25 milhões de toneladas de "lixo" proveniente do abacaxi todo ano, que poderiam ser transformadas nesse super material! De quebra, o Piñatex é vegano e pensado de forma circular. Tem também os couros de maçã, uva, kombucha, milho e claro, os cogumelos, queridinhos do momento. 

No começo de 2021, a Hermès, marca tradicional e conhecida pelas peças de couro, anunciou uma parceria com a startup MicroWorks, que produz o Fine Mycelium, tecido que imita o couro animal, mas é feito a partir de cogumelos. Outro material feito de fungos, o Mylo, também já está começando a aparecer no mercado de moda. 

Em 2020 foi criado o Mylo Consortium, composto de marcas como Adidas, Lululemon, Stella McCartney e o conglomerado Kering. Todas essas marcas já estão trabalhando em lançamentos com esse material que é ao mesmo tempo natural e tecnológico, mas sem crueldade animal e ambientalmente correto.

O mercado dos cosméticos também vem avançando muito. Segundo um relatório da Grand  View Research, os cosméticos veganos estão tendo um crescimento de até  25%  ao  ano,  cerca de  10%  a  mais  do  que  os cosméticos  comuns - já conseguimos vislumbrar um futuro onde ser vegano será o padrão, como deveria ser! 

Quando o assunto é indústria de cosméticos e higiene a gente logo lembra: e os testes em animais? Esse é outro tema que vem sendo cada vez mais discutido e a gente vibra a cada conquista.

Em lugares como Colômbia, Reino Unido, Israel, Austrália, Índia, Guatemala, Noruega, Nova Zelândia, Suíça e Turquia os testes em animais já são totalmente proibidos. Nos Estados Unidos, estados como Califórnia, Nevada, Illinois, Virginia, Maryland e Havaí também já proibiram essas práticas cruéis e desnecessárias. Outra ótima notícia é que em 2020 o governo chinês revogou a obrigatoriedade do uso de animais em testes de produtos de beleza e higiene pessoal. 

Aqui no Brasil também estamos progredindo. Em oito estados diferentes (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo) o uso de animais é proibido em determinadas indústrias. O Rio de Janeiro, aliás, foi o primeiro estado nas Américas a promulgar uma proibição completa dos testes em animais para cosméticos. 


Um futuro vegano vem aí 

Quantos veganos há no Brasil? Infelizmente, não existe nenhuma pesquisa com números precisos, mas a Sociedade Vegetariana Brasileira fez uma estimativa em comparação a outros países e chegou a um número aproximado de 7 milhões. Segundo esse cálculo, teríamos também 30 milhões de brasileiros vegetarianos atualmente. 

Falando em pesquisas, em 2017, segundo a Datafolha, 73% dos brasileiros se sentiam mal pensando sobre a origem da carne que consumiam, e 63% afirmaram que pretendiam reduzir esse consumo (Ficamos pensando aqui quantos será que conseguiram, e se você é um deles, parabéns!). 

Outra pesquisa, realizada pelo IPEC para a Sociedade Vegetariana Brasileira, mostrou que 46% dos brasileiros deixaram de consumir carne pelo menos uma vez por semana por vontade própria (veja aqui). Segundo um estudo feito pela Mind Miners, 30% dos entrevistados que afirmaram que estão pensando em mudar sua forma de alimentação falaram que o vegetarianismo era a principal opção. 

Um ponto muito importante que a gente percebe quando vai analisar essas pesquisas é que há dois principais motivos para as pessoas virarem veganas ou pelo menos considerarem o veganismo: um deles é o impacto causado pelo consumo dos produtos de origem animal no meio ambiente (aquela lista de números e porcentagens que a gente falou no começo do post, por exemplo).

Mas o principal, claro, é a empatia com o bem-estar dos animais. A preocupação com a saúde e busca por uma alimentação mais saudável também aparece, mas quase sempre em terceiro lugar, depois desses dois grandes motivos. 

Em 2019, a revista The Economist declarou aquele como “o ano do vegano”, quando foi calculado que ¼ dos millennials se identificavam vegetarianos ou veganos. Seja qual for a motivação, o que importa é que o interesse pelo veganismo tem crescido no mundo todo, de maneira constante.

Grande parte das pesquisas indica os millennials como público que vem puxando a fila, mas sabemos que tem gente de várias idades e gerações repensando seu consumo e sua relação com o planeta e os animais.

Por aqui, acreditamos que falar sobre o assunto, trazer informações e promover o debate é um dos melhores caminhos para tornar o veganismo cada vez mais popular e atraente. 

Vamos juntos?

 

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Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!