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Lavar as mãos (infelizmente) não é uma realidade para todos

Lavar as mãos (infelizmente) não é uma realidade para todos

Nós, como um pequeno negócio, estamos passando por um momento de muitas incertezas desde que fechamos nossas lojas por conta do COVID-19.

Entretanto, é necessário entender nosso lugar de privilégio frente à essa situação, né? Nosso novo Liliocera é o chinelo-pantufa pensado para passarmos por esse momento com muita cor e consciência, e 6% do valor dessas vendas será repassado diretamente para União dos Moradores de Paraisópolis para que possam redistribuir esse $ da melhor forma.

Mas por que Paraisópolis? O que está acontecendo?

Em meio à crise do COVID-19, na internet surgiu um novo desafio ensinando como lavar as mãos corretamente. É um movimento ótimo, afinal de contas lavar as mãos pode mesmo salvar vidas em tempos de surtos virais, e por ser uma medida de higiene tão básica é impactante pensar que não é algo que pode ser seguido por todos.

Quando pensamos em escassez por conta do corona vírus, nosso imaginário pode criar imediatamente cenas com pacotes de papel higiênico pra lá, caixas e mais caixas com mantimentos e álcool gel para cá, afinal pra parte da população o medo de que falte mantimentos os faz querer estocar produtos básicos.

Mas de acordo com o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), hoje quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, representando 16,5% da população do Brasil. Como, então, tomar as medidas básicas de higiene contra o vírus em condições como essas?

Além da falta de água, há a falta de ajuda do governo na prestação de socorro. Explicitando: o SAMU não chega. Isso levou Paraisópolis, a segunda maior comunidade de São Paulo, a contratar um serviço médico privado 24 horas por dia, incluindo ambulâncias, médicos, enfermeiras e socorristas para combater o vírus na comunidade. E isso não é de hoje não, viu?

Equipe médica caminha por Paraisópolis, em São Paulo – Amanda Perobelli/Reuters

Quem estava desassistido pelo Estado, agora está mais ainda. Muitos dos moradores dessa comunidade trabalham no bairro vizinho, o Morumbi, marco zero do surto no Brasil, o que faz com que estejam na linha de frente em termos de risco.

O isolamento também se torna um desafio quando pensamos em casas de um único cômodo abrigando uma família inteira. Na tentativa de enfrentar esse desafio, a associação de moradores está tentando usar duas escolas locais – fechadas devido ao vírus – para abrigar até 500 casos suspeitos e confirmados, sem sintomas graves.

Seja comprando água, sabão, ou auxiliando no pagamento do serviço médico que tem atendido a comunidade, o intuito é ajudar de alguma forma quem mais precisa. Vamos juntos?

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O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que o COVID-19 pode nos ensinar sobre exploração do meio ambiente?

O que estamos vivendo, com todas as consequências catastróficas e milhares de mortes tem, segundo especialistas, origem na exploração da natureza e dos animais. E não é a primeira vez que acontece. 

Em 2003 o vírus SARS surgiu numa situação parecida e matou quase 800 pessoas. Os dois são da família “coronavírus”, transmitidos entre animais silvestres. O que aconteceu foi que seres humanos entraram na corrente de contaminação ao consumir carne em mercados de animais silvestres, mantidos e abatidos sob péssimas condições sanitárias.

A ciência avisou. 

Doenças transmitidas de animais para humanos serão cada vez mais comuns se continuarmos a destruir habitats. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong avisaram em 2007 que se nada mudasse outro caso como o de 2003 aconteceria. Segundo eles, o crescimento da demanda por proteína animal era uma “bomba relógio”. O governo local não fez nada a respeito, inclusive liberando o comércio de animais silvestres algum tempo depois do surto, por interesses econômicos.

Em 2013 a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação divulgou um relatório chamando atenção para o aumento do consumo de carne, expansão das terras agrícolas, mudanças dramáticas e outros pontos críticos para o surgimento de doenças. De acordo com a organização, desde 1940, 70% das novas doenças vieram do consumo de animais. 

Mais tarde saiu o relatório Fronteiras 2016 sobre questões emergentes de preocupação ambiental do PNUMA, citando doenças zoonóticas como Ebola, gripe aviária e Zika Vírus como exemplos das consequências de redução e fragmentação de habitats, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

E a China?

O vírus se expandiu a partir de um ponto na China, sim, mas é importante lembrar que a maioria das pessoas não consome animais silvestres, como bem explicado nesse vídeo. Sob hipótese alguma justificaríamos xenofobia e racismo. A população do país é vítima, assim como em qualquer outro lugar do mundo. 

É fácil apontar, criticar e demonizar o que não é familiar. Mas a criação de animais em confinamento existe no mundo todo, inclusive no Brasil, assim como uso de antibióticos que resultam em superbactérias, venda de carne contaminada e tráfico de animais silvestres.

Entre vários exemplos, vale lembrar do H1N1 em 2009, que surgiu entre porcos criados em confinamento no ocidente. E aqui no Brasil, cerca de 18% da carne de frango apresenta algum tipo de contaminação por salmonela, porque existe uma tolerância de até 20%. Por que isso é considerado normal?

Não é hora de apontar dedos, e sim de pensar o que estamos fazendo com o Planeta. Consumir animais, consumir o meio ambiente, consumir excessivamente qualquer coisa a qualquer custo. Enquanto não repensarmos toda a lógica de consumo, de forma sistêmica, nada vai mudar. 

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Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!