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Cinco marcas brasileiras criadas por mulheres

Cinco marcas brasileiras criadas por mulheres
Já falamos aqui sobre como todo mundo sai ganhando com mais mulheres empreendendo e ocupando posições de destaque. A Insecta é uma marca fundada e gerida por mulheres, e temos muitas parceiras que começaram assim, da mesma forma que nós, e admiramos demais. Já entrando no clima do Dia Internacional da Mulher, queremos mostrar – mais uma vez – que lugar de mulher é aonde ela quiser e comprovar que a moda só ganha quando tem mãos e mentes femininas dispostas a criar e renovar. Separamos cinco marcas brasileiras criadas por mulheres que têm a sustentabilidade como pilar pra você conhecer melhor:   1_COMAS Idealizada pela designer uruguaia Augustina Comas, a marca trabalha com upcycling de uma forma bem especial: transformando camisas masculinas descartadas em peças femininas. Augustina conheceu de perto os grandes volumes de descartes têxteis quando trabalhou com fast-fashion. Ao descobrir que muitas das peças reprovadas pelo controle de qualidade das empresas possuíam defeitos mínimos, mas mesmo assim nunca chegavam às lojas, percebeu a oportunidade. Em 2008 iniciou junto com a colega de faculdade Ana Pires o que se tornaria a Comas, fundada oficialmente em 2014. Desde então, a marca vem crescendo e fechando cada vez mais parcerias, inclusive com a Insecta - no Inspiramais, transformamos punhos de camisas em cabedais de sapatos. 16463194_1227448643997634_8228439398512344651_o   2_LINA DELLIC A marca paulistana é fruto da criatividade de Gabriela Bereta e Mariana Zaguini. O slow fashion, o minimalismo e especialmente valorização e união entre as mulheres são pilares do negócio. As peças da marca são produzidas de forma local e elas procuram sempre unir todas as pontas dos processos, valorizando as origens dos materiais as relações entre quem as produz. Como elas frisam, coincidência ou não, a equipe atual da Lina Dellic é composta inteiramente por mulheres. As fundadoras da dizem também ser atraídas a parcerias com outras empresas também geridas por mãos femininas. A união faz a força! 13557911_2202135733258722_1734440338534019169_n   3_ADA À frente da Ada estão Camila Puccini, bacharel em Design de Moda e pós-graduada em Modelagem do Vestuário e Melina Knolow, estudante de Ciências Sociais. Dessa mistura de referências e vivências surgiu a marca, que tem na sua base três conceitos principais: slow fashion, minimalismo e veganismo. Ao criarem a Ada, as fundadoras desejavam produzir uma moda atemporal, responsável e engajada. Elas mesmas produzem todos os vestidos, que são lançadas em tiragens menores, valorizando a exclusividade. Outro diferencial é que os nomes dos modelos são homenagens a mulheres importantes da história, assim como o próprio nome da marca: Ada Augusta Byron King foi quem criou o primeiro algoritmo processado por uma máquina, que deu origem aos primeiros computadores. 15129581_1419350454749676_7621765334766937937_o   4_FLAVIA ARANHA A marca com sede na Vila Madalena, em São Paulo, foi fundada e é gerida pela estilista desde 2009. Com foco na sustentabilidade e no slow fashion, Flavia trabalha de perto em todo o processo de desenvolvimento das peças. Sua intenção é fomentar uma cadeia produtiva mais justa e humanizada, valorizando as relações entre todas as pessoas envolvidas. Os trabalhos artesanais, as técnicas e conhecimentos tradicionais dos artesãos são valorizados e são diferenciais nas peças, que através dessas histórias nos possibilitam criar conexões afetivas com a roupa. Flavia também está sempre pesquisando e procurando maneiras de produzir de forma mais ética e sustentável, e os tingimentos naturais são uma característica forte da sua marca. Junto com ela, criamos uma collab que resultou em dois Scarabeus e duas Cordulias, lembra? 15032733_1201403749924917_6318726666524689061_n   5_COLIBRII A Colibrii é uma iniciativa criada por duas amigas, Gabriela Ruiz Gonçalves e Marília dos Reis Martins. A ideia surgiu após conhecerem de perto o trabalho de grupos de artesãs e pequenos negócios de regiões periféricas de Porto Alegre. As duas já tinham na bagagem experiência em trabalho com ONGs e projetos sociais, e esse é o enfoque que decidiram dar para a Colibrii. A marca tem como objetivo ajudar mulheres a movimentar a economia nas suas comunidades, atuando como co-criadoras de produtos e coleções feitas a partir de materiais reutilizados de forma criativa. Elas prestam consultoria e funcionam como um canal de comunicação entre as artesãs e o mercado, aumentando o alcance do seu trabalho. E como você já deve saber, a Colibrii é uma parceira do besouro. Junto com elas, produzimos uma linha de mochilas e necessaires que vem com tags assinadas pelas artesãs responsáveis pela sua elaboração. 13308248_1731069427141016_6142155207705326384_o   Por mais mulheres empreendendo e gerando impactos positivos! <3 Continue lendo

#FeitoNoBrasil: Comas

#FeitoNoBrasil: Comas
A Comas é uma marca de upcycling que transforma camisas masculinas descartadas pela indústria em peças femininas. Tudo começou no Uruguai, mas se desenvolveu e se estabeleceu em solo brasileiro. Augustina Comas é formada em Design Industrial com habilitação Têxtil e Moda no Uruguai. O contato com o Brasil aconteceu por meio do pai, que faz negócios no Brasil desde que Augustina era menina. Quando estava no último ano da faculdade, em 2003, conseguiu embarcar como impressa para acompanhar a São Paulo Fashion Week. Foi nesse momento que ela decidiu que queria trabalhar, pelo menos por um tempo, na indústria de moda brasileira. Com a cidadania  brasileira do pai, as coisas ficaram um pouco mais fáceis. Deu seus pulos, conseguiu o visto e veio tentar a sorte. Aterrissou no Brasil em 2004 no melhor lugar onde poderia estar na época: com Jun Nakao para um estágio durante a produção do famoso desfile “A Costura do Invisível”. O estágio virou fixo e foram 4 anos com o famoso estilista. Quando Jun se afastou da moda e estreitou o laço com as artes plásticas, Agustina foi junto e continuou como sua assistente. Em 2008, migrando do preto para o branco, Comas começou a sentir vontade de trabalhar na indústria grande, com gigantes do setor e no fast fashion. Conseguiu uma vaga na 284, o braço jovem e com preços mais baratos da Daslu. Por esse caminho chegou na equipe da Daslu Homem, comandada por Lu Pimenta, o que Agustina chama de sua segunda grande escola, onde ficou por 5 anos. 11717518_843118985763937_8629410230277630168_o Mas sua primeira grande escola, a com Jun Nakao, não foi só de aprendizagem prática e técnica, foi inspiração para quebrar regras e um empurrão para Agustina pensar fora da caixa da moda.  Em 2008, em paralelo ao seu trabalho na Daslu Homem, começou um projeto de upcycling em parceria com Ana Pires, uma colega de faculdade de Montevidéu. Elas começaram o projeto com uma multimarcas da capital uruguaia e foi nesse momento que Agustina se viu diante dos desafios de desenvolver metodologias para trabalhar na criação de roupas a partir de roupas. “Começaram a surgir conceitos que eu utilizo até hoje como design por restrição, que é trabalhar o design dentro das limitações que o material e a peça que você está usando têm; conhecimento congelado, que é conservar as características iniciais industriais do produto na peça final como repertório de criação, e outras coisas que norteiam meu trabalho e minha pesquisa”, contou ela. Em paralelo ao trabalho na Daslu, o projeto começou a rolar, vendendo peças de upcycling no Uruguai e no Brasil. Com uma fonte inesgotável de roupas descartadas pré-varejo – ou seja, roupas com falhas e defeitos, não aprovadas, que sofrem acidentes em lavanderias, etc - dentro da própria Daslu, Agustina começou a trabalhar muito com camisas masculinas também nesse projeto paralelo. A Comas já começava a tomar forma aí, mas ela nem imaginava. 11880462_862322240510278_8896476449779416382_n 11953260_862321820510320_4143051463170153297_n Ao sair da Daslu, em 2013, Agustina tinha certeza que queria trabalhar com projetos focados em sustentabilidade, só não sabia como. O caminho foi se desenhando até que ela decidiu que, o jeito mais fácil e que mais condizia com sua ideia de uma moda atemporal, era olhar para o masculino e, em específico, para a camisaria. Em 2014, com as ideias mais alinhadas, surgiu então a Comas. Mas transformar roupas prontas em novas roupas, fazer grade e escalar é desafiador. Há muitas questões e uma delas é o fazer em si. Agustina explicou que dentro da Comas isso funciona em dois processos: criação e produção. Na criação, vem o design por restrição, imaginar formas e dar significado às peças. Depois vem o processo racional, de trabalhar modelagem, caimento, conforto, pensar em grade e criar uma “receita” que será reproduzida em cada lote de peças descartadas que aparece. Antes disso, há a cadeia de fornecimento, ou seja, da onde virá esse material? A Comas trabalha com sobras e descarte da indústria, parte desse material a marca compra por preços mais acessíveis parte é doado pra ela, mas não há ainda um entendimento muito grande por parte da própria indústria e do varejo de que esse descarte pode virar algo novo, então rastrear e pegar esse material é bastante desafiador. O que facilita para Agustina são seus contatos dos antigos fornecedores da Daslu, mas a  grande vontade da estilista, porém, é trabalhar com  camisas masculinas sobras do varejo. Estoques que ficam, literalmente, mofando em galpões e dentro das confecções. “Falta as marcas entenderem que elas já amortizaram essa perda, que elas podem vender por um valor acessível para outra pessoa dar continuidade no processo”, explica ela. A Comas vem ganhando visibilidade por meio também das parcerias. Trabalhou com a Básico, tem um relacionamento sério com a Japonique, esteve em foco no SPFW por conta da parceria com a estilista Fernanda Yamamoto, que levou o tecido Oricla, criado a partir de ourelas de tecidos para camisaria jeans, para a passarela, e também rolou Insecta Shoes e Comas no Inspiramais, onde os cabedais dos sapatos foram produzidos com os punhos das camisas. Olhando pra frente, o que Agustina quer é escalar para transformar a Comas em um negócio financeiramente sustentável e que seja capaz de realmente causar impacto na redução de resíduos têxteis. “Eu quero conseguir vender volumes maiores para poder fazer um impacto”, explica ela. “Nossa visão é eliminar o conceito de sobra na cadeia produtiva”. Ela também quer fazer com que as fábricas disponham o material-descarte de alguma forma para que outras marcas possam utiliza-lo como matéria-prima de forma frequente e que possam criar seus negócios em cima disso de verdade. Pois é, o upcycling transformador da Comas tem a ver com roupa, mas, como podemos ver, vai muito além disso. Continue lendo

X vinnu_lennartc

Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!