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Um dia no centro histórico de Porto, Portugal

Um dia no centro histórico de Porto, Portugal

Banhada tanto pelo Rio Douro quanto pelo Oceano Atlântico, Porto é a principal cidade do norte de Portugal e o segundo maior destino turístico do país. O primeiro é a capital Lisboa e as comparações entre as duas partem não só de viajantes, como existe uma certa rixa entre lisboetas e portuenses. No entanto, ninguém precisa criar rankings no coração e é possível amar intensamente as duas, entendendo que cada uma apresenta peculiaridades que fazem delas diferentes, mas complementares.

O melhor de tudo? É possível visitar Porto em uma viagem de final de semana a partir de Lisboa, já que, de trem, o trajeto leva menos de 3h. Por isso, quando em Portugal, visitar Porto é obrigatório e este roteiro pelo centro histórico mostra o porquê. Não se assuste com o tamanho do texto! O roteiro foi pensado (e testado) com consciência de que, muitas dessas atrações, são de passagem ou não levam muito tempo para conhecer. Também está cheio de descrições e contextos históricos, perfeito para o viajante curioso que vê no turismo uma oportunidade de expandir a mente. 

Manhã Uma das melhores formas de iniciar o contato com uma cidade é vendo-a de cima. De um mirante ou prédio alto, é possível não só ter uma ideia geral da configuração urbana, mas também descobrir pontos de interesse a visitar. Porto possui um local perfeito para isso: a Torre dos Clérigos oferece ampla vista do centro e está no topo de uma ladeira, então o resto deste roteiro, todo a pé, é quase sempre em descidas (em várias cidades portuguesas, pensar na inclinação da rota é sempre muito importante!).

A Torre dos Clérigos é o local perfeito para iniciar um dia em Porto.

A belíssima construção, inaugurada em 1763 pela Irmandade dos Clérigos, tornou-se na época a mais alta torre sineira (que abriga sinos) do país e serviu, ao longo dos séculos e entre muitas outras funções, para orientação dos marinheiros que chegavam pelo Douro. Então encare as escadas, pois a vista faz valer cada um dos 240 altos degraus.

De volta às charmosas ruas de Porto, dirija-se para a Igreja dos Carmelitas e, no caminho, dê uma paradinha na Livraria Lello, famosa pelas gigantescas estantes, escadarias ondulares e detalhes em dourado. É preciso pagar 3 euros para entrar, o que faz a livraria faturar mais de 10 mil euros por dia e vender mais livros do que quando não cobrava a entrada, já que o valor de entrada é abatido de qualquer compra na loja. Chegando à igreja, você vai perceber que, na verdade, são duas igrejas! À direita está a do Carmo e, à esquerda, a dos Carmelitas (mas o local como um todo é mais conhecido pelo segundo nome). Observe com atenção os azulejos da lateral da Igreja do Carmo, um exemplo importante e de alta qualidade dessa arte portuguesa. O arabescos e anjos, pintados de azul na cerâmica, combinam perfeitamente com a fachada Rococó da construção.

 

Já a dos Carmelitas é de estilo Barroco, porém mais suave do que muitas construções do gênero e com um certo ar islâmico na torre. E, se os azulejos da do Carmo são o destaque do exterior, o interior da dos Carmelitas distingue-se pela harmonia, já que, mesmo rica em detalhes, não é exagerada. Caminhando pelo relaxante Jardim da Cordoaria, chegaremos à principal rua da região, a Campo dos Mártires da Pátria, onde está o Centro Português de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação, um enorme prédio de pedra e cimento, hoje pintado de amarelo. O museu é gratuito e pouco disputado, com um acervo fotográfico apaixonante para qualquer admirador da arte.

 

Nosso próximo destino é a Rua São Bento da Vitória, atrás do museu e onde é possível entender como Porto mescla perfeitamente os atributos de uma metrópole com a simplicidade de uma cidade pequena. As diversas casinhas, de cores intensas ou azulejos detalhados, os carros estacionados por cima das calçadas, as roupas penduradas nas janelas e, principalmente, a calmaria fazem da travessa um caminho delicioso. No final da rua, a igreja homônima prova (para quem ainda não percebeu) que é quase impossível andar algumas quadras em Portugal e não encontrar, pelo menos, uma igreja. Toda essa simplicidade desemboca em um local nada interiorano de Porto, o não muito conhecido Miradouro da Vitória. Além da vista incrível, que mostra a grandiosidade da cidade, é cercado por prédios abandonados e deteriorados, apresenta algumas pichações e guarda duas árvores, uma inteira e outra que sobrou apenas o toco. Esse último se transformou em um “banco natural” - perfeito para relaxar enquanto aprecia o clima excêntrico do miradouro.

 

Dali voltaremos para a rua principal e partiremos em direção à já visitada Torre dos Clérigos. Ao lado da torre está a rua que nos levará aos próximos pontos e que também oferece uma ótima opção para o almoço. O Hand’ Go é um mini restaurante estilo “take away” que oferece pizzas deliciosas e, o melhor de tudo, com diversas opções veganas montadas na hora! Há sabores com funghi e trufas, além de sucos naturais cheios de sabor, tudo com a possibilidade de comer na bancada esprimidinha ou levar para saborear em um banco pelas ruas.

 

Tarde Seguimos em direção à Praça da Liberdade, onde é possível sentir os ares de uma cidade grande e importante como Porto. Há muito movimento e energia passando pela praça e, ao fundo, ela é embelezada pela imponente Câmara Municipal do Porto.

Logo depois da praça, vemos um prédio intrigante com azulejos azuis e janelas amarelas que, se não fosse pela pequena cruz no topo, mal daria para perceber que se trata de um local religioso: é a Igreja de Santo António dos Congregados.

A Igreja de Santo António dos Congregados quase se passa por um prédio secular. Dali já é possível avistar a grandiosa Estação São Bento, nossa próxima parada. Lá dentro, pare entre as centenas de turistas e nativos que chegam e partem de Porto a partir desta clássica estação e admire os murais.

Os murais da Estação São Bento frequentemente a colocam entre as mais belas estações ferroviárias do mundo.

Mas admire com atenção, pois é possível, através deles, conhecer partes da história e costumes portugueses em representações de batalhas, da realeza e de civis na vida cotidiana. Detalhes dos murais revelam aspectos da vida portuguesa.

Partimos pela rua Av. Dom Afonso Henriques até chegar a Sé do Porto, catedral que começou a ser construída ainda no século XII, sendo, assim, um dos mais antigos monumentos do Porto. O prédio mescla os estilos Românico, Gótico e Barroco e seu claustro (pátio interior de uma igreja ou monastério para descanso dos religiosos) é imperdível pelos azulejos ricos em arabescos, figuras de animais e natureza e pinturas de colunas detalhadas.

 

Do Terreiro da Sé, amplo espaço em frente a catedral, é possível avistar o Douro e frequentemente encontrar estudantes de arte que ali sentam-se para observar e desenhar as linhas ecléticas da construção.

Em uma caminhada de 5min a partir da Sé, chegamos ao ponto mais alto (literal e metaforicamente) do nosso roteiro: a Ponte Luís I. Inaugurada em 1886, a obra de Théophile Seyrig, ex-sócio e similar estético de Gustave Eiffel, é referência mundial para pontes em formato de arco. Mesmo para quem não entende ou se interessa por arquitetura, é impossível não se surpreender pela estrutura e se apaixonar pela vista que caminhar pela parte superior proporciona.

 

É do topo da ponte que é possível entender por que Porto é considerada por muitos uma das mais belas cidades da Europa. O visual combina prédios históricos e religiosos, áreas verdes que tomaram conta de muros, as antigas muralhas da cidade, o Cais da Ribeira, alguns grafites, a moderna Ponte do Infante... tudo que faz de Porto fascinante e singular.

 

Caminhar na parte superior da Ponte Luís I é uma das atrações mais fantásticas de Porto.

Cruzando a ponte chega-se a Vila Nova de Gaia, município vizinho e a casa das famosas cavas de Vinho do Porto. Voltamos, porém, para o mesmo lado já que o nosso próximo destino é a parte de baixo do centro. Para descer, duas opções: uma escadaria e um funicular. Esse último, de nome estranho e que lembra certa música italiana, é uma espécie de elevador utilizado para subir ou descer grandes ladeiras. Da estação Batalha é possível pagar 2,50 euros para descer até a estação Ribeira. O valor é um pouco alto por um trajeto de cerca de 1min, porém o ângulo diferenciado da Ponte Luís I faz valer a pena.

 

Final da tarde e noite Seja pelas escadas ou pelo funicular, chegamos ao Cais da Ribeira, área mais baixa do centro e uma das regiões mais características de todo o Porto. Daqui é possível ver a coloração azul escuro e sentir o frescor do Douro, ao mesmo tempo em que se observa uma característica bem marcante da arquitetura lusitana: casinhas de cores fortes, justapostas e com micro varandas cercadas por metal esculpido.

Bares, restaurantes e esporádicas feiras fazem do local bastante movimentado e frequentado não apenas por turistas, mas também por muitos locais. Músicos dão um clima especial. Barcos possibilitam explorar o Douro mais a fundo. A vista surpreende para qualquer ângulo e em cada detalhe.

E é tudo isso que transforma o Cais da Ribeira num local que permite empregar o (brega e hiper utilizado) adjetivo “mágico”. Mais mágico ainda para quem se permitir sentar em um dos bancos de madeira e simplesmente contemplar, ficar em silencio, ler um livro, pensar na vida... ou seja, relaxar, algo muitas vezes esquecido em um roteiro turístico. Quem deseja desopilar ainda mais pode se dirigir a um dos bares de vinho nas casinhas coloridas, como o famoso Wine Quay Bar, que possuem balcões no exterior virados para o rio.

Subindo a bela Rua Alfândega, chegamos à Praça do Infante Dom Henrique. No centro do gramado, a estátua do infante (título dado a filhos legítimos do rei/rainha que não herdarão a coroa) aponta de forma simbólica para o horizonte, para o “além-mar”, já que o nobre foi uma das principais figuras da Era dos Descobrimentos.

Envolta da praça estão o Palácio da Bolsa e o Mercado Ferreira Borges. O primeiro, um majestoso prédio do século XVIII, pode ser conhecido em visitas obrigatoriamente guiadas e tem como grande destaque o Salão Árabe, onde, através de muito ouro, palavras desenhas e detalhes, é possível apreciar as influências islâmicas herdadas no país lusitano após séculos de guerras territoriais e trocas comerciais com os Mouros.

Já o mercado substituiu o já deteriorado Mercado da Ribeira que ali ficava, mas, após as reformas, não voltou a ser destinado para o comércio de alimentos. O belo edifício, de enormes janelas e estrutura em metal vermelho, hospeda hoje o centro cultural Hard Club e sua programação (majoritariamente shows) pode ser a forma perfeita de terminar o dia, entrando em contato com a intensa vida cultural da cidade.

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Um dia em Ilha Grande, no Rio de Janeiro

Um dia em Ilha Grande, no Rio de Janeiro
Que me perdoem a incoerência de começar um texto já contradizendo o título, mas, se eu puder dar uma só dica sobre Ilha Grande, ela seria para não passar só um dia lá. O motivo?
Vila do Abraão Vila do Abraão
Quer mais um?
Lopes Mendes Lopes Mendes
Essa ilha, que fica a umas duas horinhas do Rio de Janeiro (contando o tempo de ônibus mais o barco para chegar lá), é um paraíso recheado de pequenas praias, extensas faixas de areia, verde - muito verde! -, cachoeiras e cantinhos bonitos até onde sua visão alcançar. Por isso, para melhor desfrutar de todas as maravilhas que tornam a ilha esse lugar encantador, o ideal seria passar alguns bons dias lá e curtir tudo com a calma que o ritmo da maré vai naturalmente impor em você. Lá no centrinho, na Vila do Abraão, você vai encontrar diversas agências de turismo que oferecem esses passeios. O que varia de uma pra outra é o valor, mas são todas dentro da mesma faixa e sempre rola pechinchar quando estiver em grandes grupos. Minha dica seria escolher o passeio que dá a volta completa e passa nas praias Caxadaço e Aventureiro (minhas preferidas), e também na mágica Lagoa Azul, um dos melhores lugares da ilhas para praticar snorkeling.
C000837-R1-18-8 Praia do Aventureiro
Como o passeio é longo - começa as 09h30 e vai até umas 17h30 -, é  importante começar o dia com um café bem reforçado, e a dica para um bom desjejum é uma boa tigela de açaí ou uma tapioca e um suco em algum dos diversos cafés e restaurantes da ilha. Também é importante levar alguns reforços refrescantes para o dia, porque a combinação sol + água vai certamente te deixar com fome. Frutas são o ideal, e você pode comprar umas bem fresquinhas nas tendas da Vila.
(sem falar que poucas coisas na vida são tão agradáveis quanto saborear uma fruta fresquinha, com essa vista, na sombra de árvores) (sem falar que poucas coisas na vida são tão agradáveis quanto saborear uma fruta fresquinha, com essa vista, na sombra de árvores)
Lá pelo final do passeio, todos os barcos param em uma praia onde é oferecido almoço, que você pode encomendar do cardápio antes de chegar lá (o próprio pessoal do passeio organiza tudo!), ou se servir no buffet. No cardápio, vão ter várias opções de friturinhas, de peixes e acompanhamentos, então dependendo das suas restrições e filosofias, é legal consultar as opções antes.
Terra à vista. Terra à vista.
Quando você retornar a Ilha, provavelmente vai estar bem acabado, então essa é a hora de dar uma descansada, para poder curtir a noite depois. Aqui, não precisa se arrumar, tirar o chinelo ou gastar muito: a melhor noite é a que rola na rua mesmo, na frente da pracinha, onde músicos tocam sons ao vivo até a meia noite. O melhor do show?  Assistir a mistura entre os locais,turistas, brasileiros e gringos todos juntos arriscando uns passinhos embriagados  ao som do melhor da música popular brasileira. Tudo isso embalado, é claro, a tradicional cerveja litrão - retornável, de preferência. :)
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Um dia em Gastown, Vancouver

Um dia em Gastown, Vancouver
Vancouver nasceu em Gastown, há exatamente 150 anos. Com apenas um barril de whisky e o dom de contar longas histórias, o marinheiro britânico John ‘Gassy Jack’ Deighton chegou na região em 1867, e abriu um bar próximo ao porto. O local ficava perto de ruas que na época concentravam “grandes empresas”, e atraiu vários trabalhadores. Logo, a região prosperou, e ficou conhecida como Gastown, em homenagem a Jack. 02-min No entanto, após a Grande Depressão de 1929, Gastown passou por dificuldades e se tornou um bairro decadente. Na década de 1960, alguns cidadãos começaram a se preocupar em preservar o bairro e sua arquitetura histórica, que, assim como outros bairros vizinhos, iriam ter seus prédios demolidos para dar espaço a uma freeway que conectaria o novo centro de Vancouver. Em 1971, mobilizações e protestos exigiram que o governo reconhecesse Gastown  como um local histórico. Finalmente, em 2009, o bairro foi considerado oficialmente patrimônio histórico nacional. Atualmente, Gastown é conhecida pela suas ruas pavimentadas com tijolinhos, prédios antigos restaurados, e pela sua diversidade. A região é uma mistura de cafés orgânicos e restaurantes internacionalmente reconhecidos, boutiques e lojinhas de souvenirs, galerias de arte nativa e studios de design, brechós e lojas de moda exclusiva. Nas ruas, vê-se residentes locais, imigrantes, turistas e moradores de rua. Gastown é o coração de Vancouver. 07-min Gastown é um bairro pequeno, mas cheio de vida. Em um dia, é possível explorar toda a região sem pressa. Não há regras - dá pra começar o dia fazendo compras, caminhando pelo porto apreciando a vista das montanhas (que podem ser vistas de qualquer rua da cidade), visitando os pontos turísticos ou explorando as galerias de arte locais. A ordem é apenas determinada pela estação: se for inverno, é importante lembrar que o sol se põe em torno das 16h30, então é melhor deixar para ver as atrações turísticas mais cedo. 06-min Há dois pontos de parada obrigatório para os turistas: a estátua de Gassy Jack e o relógio a vapor, que fica na esquina das ruas Cambie e Water. Em 1977, o relógio foi restaurado para reaproveitar o vapor que era despejado nas ruas e impedir que os moradores de rua dormissem no local nos dias frios. Depois de tirar algumas fotos típicas de turista no local, a dica é caminhar até o Vancouver Lookout no Harbor Center, para desfrutar de uma vista 360º panorâmica da cidade. Os ingressos são válidos o dia todo, então se comprar pela manhã, poderá voltar para ver o pôr-do-sol ou a noite (quantas vezes quiser!).
Vista do Vancouver Lookout Vista do Vancouver Lookout
Se seu interesse é em fazer compras, a região é cheia de lojas independentes e brechós incríveis, como o Lady Madonna, que vende uma variedade de roupas, acessórios e calçados vintage. A dona do local, que se apresenta por Lady Madonna, comanda o brechó sozinha, customiza algumas peças e está aberta a passar um bom tempo conversando com seus clientes. Outro brechó que não dá pra perder é o Community Thrift & Vintage, uma empresa social que direciona todo seu lucro a um centro comunitário que fornece moradia, atendimento e serviços de advogado a pessoas de baixa renda.
Lady Madonna Lady Madonna
Para quem curte arte e sapatos, o Six Hundred and Four é parada obrigatória, nem que seja só para olhar, já que os preços são bem salgados. O negócio tem como objetivo estampar em tênis peças de arte originais de artistas locais. Cada artista tem direito a apenas 604 pares de tênis, que são vendidos por cerca de 350 dólares canadenses. Uma pequena porcentagem do lucro é doada para instituições de preferência do artista.
Six Hundred and Four Six Hundred and Four
Já quem curte música deve passar na loja Vinyl Records, que conta com um acervo com mais de 50 mil LPs usados, de todos os estilos musicais. Dá pra passar um bom tempo explorando. E para quem quer presentear a família e nos amigos que ficaram no Brasil, Gastown é cheia de lojinhas de souvenir. A KimPrints é uma das mais legais da região, com uma variedade de quadros e peças de arte, cartões, lembrancinhas e um ótimo atendimento.
Interior da Vinyl Records Interior da Vinyl Records
Com tanto lugar para ir, é importante fazer uma pausa durante o dia para almoçar, nem que seja só um lanche, como é muito comum no Canadá. Embora seja uma das cidades canadenses com maior custo de vida, Vancouver é cheia de restaurantes e cafés deliciosos e super em conta - e o melhor de tudo: a maioria abre para o almoço e fica aberto até bem tarde. O Tacofino é um dos restaurantes mais conhecidos da costa oeste canadense. O negócio inicou como um foodtruck em Tofino, uma das mais famosas praias da região, e hoje tem trucks e bares também em Vancouver e Victoria. O local é famoso pelos seus fish tacos que, diga-se de passagem, são uma delícia. No espaço em Gastown, há opção de entrar e sentar, ou de takeaway. Nessa última, a sensação são os burritos, e há opção vegana. Cada taco custa em média 6 dólares, e os burritos ficam na faixa dos 10. O local fica aberto até a meia noite. Vancouver não decepciona ninguém, muito menos os veganos. O MeeT é um dos restaurantes/cafés mais legais de Gastown. Todos os itens do menu - que vende risotos, massas e burgers - são veganos e a maioria é sem glúten. O preço de uma refeição fica na faixa dos 10 a 15 dólares. O local fica aberto das 11 da manhã às 11 da noite nos dias de semana. 13-min Uma dica para os amantes da culinária chinesa, é caminhar para o bairro vizinho, Chinatown, e aproveitar a quantidade e variedade de restaurantes chineses da região. Dá pra comer muito bem por muito pouco - raramente uma refeição completa sairá por mais de 10 dólares. Para quem prefere uma cozinha mais local (e barata), o Warehouse é um pub/bar que vende qualquer comida do menu por 4,95 dólares. Parece loucura? Vancouver é cheinha de lugares assim. Dependendo do prato, a quantidade de comida é modesta, mas se você pedir um burguer, por exemplo, pode ter certeza que não irá passar fome. O local fica aberto até às 2 da manhã, e tem uma vibe de pub, com música mais alta, então a dica é deixar para ir lá à noite, e, se quiser continuar até de madrugada, seguir para uma casa noturna ou um pub na região. 04-min E, para os mais aventureiros, Gastown não deixa a desejar. A primeira dica não é nenhuma novidade: a maconha para uso medicinal no Canadá já é legalizada há algum tempo. No entanto, agora qualquer pessoa com mais de 19 anos - turistas também! - pode comprar maconha em um dos muitos dispensários espalhados pela cidade, desde que apresentem um documento de identificação. E em Gastown, claro, há alguns deles. E também um local chamado New Amsterdam Café, que para quem nunca visitou a capital holandesa, é no mínimo interessante. Quem tiver um pouco mais de tempo pela cidade - ou sorte de conseguir um horário no mesmo dia - uma dica valiosa é visitar a Float House. Para quem já assistiu a série Stranger Things, do Netflix, os tanques de privação sensorial talvez sejam familiares, mas a maioria das pessoas ainda não conhecem ou ouviram falar deles. O primeiro tanque foi criado por um médico psicanalista e neurocientista na década de 1950, e desde então têm sido utilizados para relaxamento, experiências com drogas, e como medicina alternativa. E claro, eles existem em Vancouver. Não, não há drogas envolvidas. O espaço oferece, além da flutuação no tanque, massagens terapêuticas e outros serviços de relaxamento. Como funciona, afinal? Uma sessão custa em média 60 dólares e dura 90 minutos. Cada pessoa entra em uma sala, tira a roupa, toma banho e entra no tanque. Cada tanque tem espaço para uma pessoa deitada, geralmente com 25cm e 35cm de água e 327 a 544 kg de sal de Epsom (sulfato de magnésio). A grande quantidade de sal permite que qualquer pessoa flutue sem o menor esforço, e a temperatura da água e do ar dentro do tanque, que são ajustados para ficarem próximos à temperatura do corpo, que faz com que não seja possível distinguir entre as partes do corpo que estão imersas e as que não estão. O tanque é à prova de som e completamente escuro. O objetivo é não sentir nada, e ficar em contato apenas com a sua consciência. Uma das experiências mais ricas para se ter em Vancouver. Gastown não tem grandiosas atrações turísticas nem museus gigantes para passar horas dentro. O charme do bairro é exatamente esse: um lugar acolhedor, plural e repleto de pequenas grandes experiências. Das múltiplas sensações ao desligamento sensorial, é fácil se apaixonar por Gastown.   Continue lendo

Um dia em Malasaña, Madrid

Um dia em Malasaña, Madrid
Com suas ruas encantadoras e vida cultural agitada, Malasaña é o bairro de Madri que roubou meu coração <3 Host de vários eventos como ¡PintaMalasaña!, Malakids! e Coctelsaña, organizados pela própria comunidade através da Plataforma Maravillas; esta parte da cidade respira e inspira vida, reunindo o mais variado público de diversas idades. O bairro é todo cool. Lá encontramos muita street art, lojas de marcas locais, brechós, livrarias, bares e cafés; sempre com uma programação recheada de shows, feirinhas, teatros e festas. No terceiro sábado de cada mês rola a Adelita Market, uma feira com produtos de segunda mão idealizada pela Associação Adelita, uma organização sem fins lucrativos dedicada à educação e promoção do consumo consciente e responsável.
// oh-oh, lelê ♥ fazendo parte da cultura de rua em Malasaña // // oh-oh, lelê ♥ fazendo parte da cultura de rua em Malasaña //
O melhor para explorar a região é ir se perdendo e descobrindo novos caminhos. Aqui vão algumas diquinhas para guiar vocês por um dia no bairro mais charmoso de Madri:
  // Café da manhã
Escolher um café em Madri não é tarefa fácil, tem um mais lindo que o outro. Mas uma coisa é certa: você não pode deixar de provar os churros e as tostadas de tomate y aceite, pratos típicos da Espanha. A maioria dos cafés possui menu especial para desayuno, abaixo está uma listinha dos meus preferidos, tanto para manhã como a tarde:
La Bicicleta Café // Plaza de San Ildefonso, 9 Verbena Bar // Calle Velarde, 24 Vacaciones // Calle del Espíritu Santo, 15 Toma Café // Calle de la Palma, 49 Levadura Madre // Calle de San Joaquín, 4 La Fiambrera // Calle del Pez, 7
//cappuccino vegano com leite de soja no La BicicletaCafé // //cappuccino vegano com leite de soja no La BicicletaCafé //
 
Let’s go explore!
Saia para caminhar e deixe-se surpreender pelas ruas do bairro, coloque no seu roteiro: // BRECHÓS Biba Vintage // Calle Velarde, 1 La Mona Checa // Calle Velarde, 2 Flamingo Vintage Kilo // Calle de Espíritu Santo, 1 Alphaville Vintage Shop // Calle Velarde, 1
// LIVRARIAS
The Cómic Co. // Calle Divino Pastor, 17 Tipos Infames // San Joaquín, 3 Cervantes y Compañía // Calle del Pez, 27 Librería Reno // Calle Monteleón, 14 Panta Rhei // Calle Hernán Cortés, 7
//decoração Flamingo Vintage Kilo// //decoração Flamingo Vintage Kilo//
  // Pausa para o almoço
Estes são os meus restaurantes preferidos, cada um com sua especialidade e todos com muito charme: Ay mi Madre! // Calle de la Palma, 41 La Hummuseria // Calle Hernán Cortés, 8 Slow Mex // Calle de San Vicente Ferrer, 33 Naif Burguer & Bar // Calle de San Joaquín, 16 Francesco’sPizzeríaNeoyorquina //CalledeFuencarral,57 Crêperie La Rue // Calle de Colón, 14
  Separe a tarde para ir ao Museo del Romanticismo (entradas: 3 € inteira e 1,50 € reduzida // free nos sábados a partir das 14h) e na Fundación Telefônica (entrada gratuita). Tenha em mente que entre 14h30 – 17h é o horário da siesta, quando a maior parte do comércio fecha – e um ótimo momento para visitar as exposições :)
// exposição “HITCHCOCK, MÁS ALLÁ DEL SUSPENSE” na Fundación Telefônica // // exposição “HITCHCOCK, MÁS ALLÁ DEL SUSPENSE” na Fundación Telefônica //
  // Janta
Não deixe de ir no restaurante Ojalá // Calle de San Andrés no 1; lá eles oferecem uma variedade bem grande de cervejas, sidras, vinhos & sangria, muito bem acompanhado de deliciosas tapas. Porque, claro, estamos na Espanha!
// subsolo do Ojalá, você vai se apaixonar <3 // // subsolo do Ojalá, você vai se apaixonar
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Um dia em Kreuzkölln, Berlim

Um dia em Kreuzkölln, Berlim
Situado no sul de Berlim, “Kreuzkölln” é a junção de dois bairros que hoje concentram boa parte da cultura alternativa da cidade: Kreuzberg, antigo bairro operário que alocou a mão de obra turca que reconstruiu a cidade no pós-guerra, e Neukölln, bairro estudantil cuja vida noturna tornou-se uma das favoritas entre os locais. A cidade carrega consigo as cicatrizes da guerra bem como separação do muro. Em praticamente qualquer lugar em que se lance o olhar, é possível ver um testemunho do holocausto: da discrepância arquitetônica entre os poucos edifícios que sobreviveram aos bombardeios Da mesma maneira, é possível observar a existência de duas Berlins que se tornaram uma só a partir da coexistência da arquitetura comunista da Berlim Oriental com as construções ocidentais. Durante a divisão das Alemanhas, a Berlim Ocidental, ilhada atrás da cortina de ferro, era o lugar perfeito para o governo alemão da BRD (Alemanha Ocidental) enviar os ativistas políticos que representassem uma ameaça aos ideais daquela nação, um tanto conservadora. Assim, durante a divisão das Alemanhas, a Berlim ocidental era também um ninho de idéias progressistas em meio à Alemanha Oriental, o que moldou a personalidade da cidade para torná-la o que ela é hoje. Conhecido como a “pequena Istambul”, o bairro de Kreuzberg sofreu uma grande desvalorização após a queda do muro, permitindo que uma massa estudantil ali se estabelecesse. Juntamente com os locais turcos, criaram uma imagem paradigmática da cidade: o diálogo da cultura turca com a Alemã. É uma região permeada por diversos bistrôs que oferecem variada gama de cozinha internacional, da Vietnamita à Indiana, destacando a culinária Turca e as opções veganas ofertadas. À noite é um bairro ativo, frequentado especialmente pelo público LGBTQI, o que lhe confere uma das opções noturnas mais plurais no contexto europeu. Neukölln, por outro lado, é um bairro hoje habitado por estudantes que fugiram da elevação de aluguel nos bairros de Prenzlauer Berg, Friederichshain e, posteriormente, no próprio Kreuzberg. Onde há estudantes, há bares. Foi assim que se criou a já gentrificada Weserstraße, rua recheada de barzinhos (kneipen), cafés, sebos de livros e algumas surpresas. Um dia ideal em Kreuzkölln começa obrigatoriamente pela Oranienstraße. Essa rua, coração de Kreuzberg, é recheada de Brechós e Antiquários. Os antiquários em Berlim não são caros, mas sim estabelecimentos para se comprar livros, roupas e obras de arte a preços acessíveis. Pegue a linha U-8 e desça na estação Kottbuser Tor. Saindo da estação, siga ao norte pela Adalbertstraße e vislumbre a pequena Istambul, onde escuta-se mais turco do que alemão. Dobre à Direita na Oranienstraße e siga até o Charlie’s Vegan Food & Coffee, peça pelo chá vietnamita. O estabelecimento oferece também uma série de opções de café da manhã que variam com os produtos frescos que recebem. As lojas turcas são uma das grandes atrações culturais da região: é possível comprar frutas secas e sementes a preços muito acessíveis. Um dos meus pontos favoritos do bairro é a Orient Musikhaus, umas das mais populares lojas de instrumentos musicais turcos em Berlin. Vale a pena entrar para ver os instrumentos e, caso você tenha sorte, é possível presenciar uma palhinha de música turca de artistas que ali vão tomar chá. Caminhando pela região o contraste cultural se manifesta. Há muita arte de rua; a paisagem do bairro propicia o contato com diversas intervenções, grafites e pôsteres interessantes. Além disso, existem diversos restaurantes pelos arredores, entre eles se recomenda o Miss Saigon, de comida vietnamita e, talvez o mais tradicional do bairro, o restaurante Hasir, onde pela primeira vez um trabalhador turco resolveu colocar o Kebab dentro de um pão prensável para que os trabalhadores o pudessem levar como almoço para as obras. Foi assim que o sr. Hasir inventou um dos pratos mais tradicionais da cidade: o Dönner. As opções com falafel ou berinjela são extremamente saborosas. Após o almoço é hora de dar um relax. Siga na direção sul pela Kottbuser Damm até chegar ao Tempelhof, o maior parque da cidade. Dê uma deitada na grama e fique olhando para as antigas pistas de pouso daquele que foi o maior Aeroporto da Europa antes da segunda guerra. As construções do antigo aeroporto ali restam até hoje entre jovens andando de bicicleta e praticantes de paraglider. Para se revigorar após o soninho vá ao Café Engels na Lichtenraderstraße. O ambiente é extremamente acolhedor e os funcionários são muito simpáticos. Do Café caminhe pela Hermannstraße até a Hermannplatz, encontrando ali a feirinha de rua que oferece desde comida até moda e souvenirs. Além da feira, ao redor da praça (Platz = Praça) encontram-se alguns centros de cultura alternativa na cidade, principalmente alguns pequenos cinemas, como o Movimiento, no qual é possível assistir filmes experimentais contemporâneos com legendas em inglês. Prepare-se para a noite. Quando a tarde começar a cair vá para a Weserstraße: uma das ruas com vida noturna mais agitada da cidade. Para jantar antes da noitada, vá ao Sahara Imbiss, restaurante sudanês, que oferece o melhor molho de amendoim que existe no Universo! Peça o falafel vegano e peça um extra do molho. Uma vez alimentado: noite! Para fazer um pubcrawl se recomenda os seguintes bares: primeiramente vá ao ORi,  um bar/galeria de arte, localizado na esquina da Weserstraße com a Friedelstraße. Dali siga pela própria Friedelstraße até à Lenaustraße, onde se localiza o Lenau-Stuben, bar que oferece um ótimo White russian. Se preferir a boa e velha cerveja, ou até mesmo o bom vinho alemão (sim, existe!), dobre à esquerda na Hobbrechtstraße e se dirija ao Fuk;s Bar. A trilha sonora varia da Chanson francesa até o aquece para as festas de música eletrônica. Seguindo o ritmo do aquece vá até o Ä, um dos bares mais famosos da Weserstraße. Os atendentes são extremamente simpáticos assim como os frequentadores. É muito fácil puxar assunto por ali e descobrir que há de festas boas para a noite. O circuito mais alternativo do bairro fica ao sul. Na esquina da Hermannstraße com a Nogatstraße há o Kuss-kuss, um bar cujos donos são músicos e deixam diversos instrumentos para que os clientes sintam-se à vontade para musicar o ambiente. Mas cuidado, os músicos ali são ótimos! Da Weserstraße há duas alternativas de programa para a sua noite encerrar na manhã seguinte: a primeira é procurar um club no próprio bairro, entre os quais há os excelentes Kulstätte Keller, localizado em um porão na Karl-Marx-Straße, e o Griessmühle, com música eletro e uma boa área ao ar livre. A Segunda opção, para os que gostam de música ao vivo, principalmente Folk, é o Madame Claude, que recebe em seu palco os jovens talentos da música alemã e européia. Outra opção muito interessante do bairro é ir até o Arkaden Neukölln, o Shopping local, mas não pelo shopping em si. No último andar do estacionamento, localiza-se o Klunkerkranich, que fica ao ar livre, oferecendo boa música, cerveja e talvez a melhor vista da cidade. Nos domingos pela manhã ainda é possível visitar os insuperáveis Flohmarkts de Berlim. Um autêntico mercado de pulgas onde se consegue quase tudo pechinchando (Eu consegui uma jaqueta Jeans por 3 Euros!). O flohmarkt mais legal de Kreuzkölln é o Flowmarket Kreuzboerg, que oferece ainda almoço vegano por 7 Euros, com direito a cerveja feita pelos próprios! Não é mais possível traçar uma clara diferença entre as ofertas desses dois bairros, sintetizando, por isso, a maior herança que Berlim nos legou: a importância de não se ter muros. Continue lendo

Um dia no centro de Belo Horizonte

Um dia no centro de Belo Horizonte
Minas Gerais é doce e simpática em todo canto, dos interiores à capital. Mesmo o centro de Belo Horizonte tem toda a queridice mineira que eu imaginava, e com direito a muita coisa legal para fazer e comer (inclusive vegetarianas, pra minha felicidade). Na minha visita, fiquei pela área central de BH, e para mim pareceu o melhor lugar do mundo para quem ama diversidade e passeios a pé. Numa cidade cheia de sobe-desce, caminhar no clima suave pelo centro quase plano e descobrir seus cantinhos e cheiros é o paraíso. A cidade é ótima para quem está disposto a uma experiência que mistura, como poucos lugares que conheci, o melhor do tradicional e da vanguarda.
O centro de BH é cinza e verde. E ótimo pra conhecer a pé.
O Mercado Central e as delícias democráticas Estamos em Minas. Comecemos pela comida. BH é perfeita para comer carnes e queijos. Mas também é muito generosa com vegetarianos como eu. No Mercado Central a gente encontra todas as delícias em muitas versões. Não perdi a experiência da culinária mineira no tradicional Casa Cheia, no segundo piso. Um bom mexido virou veg com muita naturalidade. O prato, um arroz com verduras bem temperado, vai bem com uma mandioca cozida à mineira.
Saindo de lá e voltando ao primeiro piso, em meio a canequinhas e cachaças, você pode ter a sorte, como eu, de dar de cara com o Roça Capital. Enquanto escolhe entre geleias e outras iguarias para levar, pode comer o melhor do pão de queijo de Minas com um cafezinho na caneca de alumínio.
Edifício Maletta para todos os gostos
Tem mais comida boa, gente interessante e energia apaixonante no Edifício Maletta, um símbolo de Belo Horizonte - e que virou de longe meu lugar preferido de lá. Na esquina da Avenida Augusto de Lima com Rua da Bahia, ele foi refúgio durante a Ditadura Militar e abrigou muitos artistas e intelectuais. Hoje, segue como o principal ponto de encontro da diversidade e da tolerância da cidade.
Quem entra pela primeira vez demora um pouco a captar a coisa. Mas é só subir a escada rolante (que não rola há muito tempo) e encontrar os bares no segundo piso. É amor imediato.
Durante o dia, o Las Chicas serve aquele almoço vegano sem frescura, com muito sabor e baratinho. O cafezinho pode ser tomado no Marcelina Belmiro, bem na varanda, onde tudo é orgânico. Bolos, brownies e café passado à escolha do freguês. O Marcelina também serve almoço e simpatia infinita.
Um cafézinho no Marcelina Belmiro, na varanda do Edifício Maletta.
O Arcângelo Café é outro com bons pratos para todas as horas. O risoto de limão é famoso, mas vegetarianos têm seu lugar no coração do querido argentino Santiago. Ele improvisa um prato feito com arroz, feijão e outras delícias muito coloridas para substituir a carne. Mas de noite, o Olympia Coop Bar é parada obrigatória. O lugar é uma cooperativa e tem a maior diversidade de gênero que eu já vi. É uma coisa linda de se ver enquanto se come a famosa coxinha de jaca, digna do melhor dos cardápios veg. Tudo é vegetariano e saboroso demais.
  A Praça da Liberdade e os museus Um dos lugares lindos para passar o dia é a Praça da Liberdade. Feita para abrigar a sede do poder mineiro, hoje ela é rodeada pelo neoclássico, por art déco e por Niemeyer, na Biblioteca Pública e no Edifício Niemeyer. Estar na Praça da Liberdade num domingo já é uma experiência cultural. Enquanto de um lado você pode ouvir um bom jazz ao ar livre, do outro pode assistir a cosplays. Mas recomendo entrar nos prédios em volta, por melhor que esteja o clima lá fora. O Memorial Minas Gerais é ideal para quem, como eu, já se sentia inspirado pela cultura mineira mesmo antes de ir pra lá. O museu tem acervo dos principais artistas mineiros: Guimarães Rosa, Sebastião Salgado, Lygia Clark e tanta gente genial (nunca tinha reparado como Minas consegue produz tanta gente genial!). Também tem espaços com a história e a cultura do estado num estilo muito atraente e interativo. Rola inclusive presenciar os diálogos da conspiração da Inconfidência Mineira. Tudo isso regado a um concerto no jardim central.
Do outro lado da rua tem ainda o CCBB, que traz exposições de artistas internacionais como Mondrian, que estava por lá na minha visita.
Ver grandes artistas, como Mondrian, no CCBB já faz valer a visita a BH. Ver grandes artistas, como Mondrian, no CCBB já faz valer a visita a BH.
 
A feirinha hippie e o parque Como é cidade grande, o melhor mesmo é aproveitar a região num domingo. É mais tranquilo, e ainda tem a "feirinha hippie" no Parque Municipal. Não entendi o porquê do nome, porque vende do artesanal ao produto da china, mas vale o passeio para ver gente diferente e interessante. Porque essa, no fim das contas, é a melhor coisa de BH! O bom é aproveitar para conhecer o parque, que fica ali do lado, mas nem tanto. Como muitas no Brasil, essa é mais uma das cidades que caiu na armadilha de cercar o verde. Mas entrando pelo portão, é lindo de ver o parque de diversões e os laguinhos. Ao lado está o Palácio das Artes, por onde passam os principais artistas e eventos culturais na cidade. Vale dar uma olhada na agenda antes de marcar a viagem.
Parque Municipal de BH: para ver gente interessante e curtir o verde. Parque Municipal de BH: para ver gente interessante e curtir o verde.
Mas como eu disse, Minas Gerais é doce e simpático em todo canto. Então dê uma passadinha pelo encantador Santa Tereza, suas casas e bares. Vá a Savassi, à Pampulha e à Praça do Papa. Conheça o interior e visite Inhotim. Mas conheça Minas e os mineiros, e prepare-se para voltar pra casa leve e cheio de paz.
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Um dia na ilha de Boipeba, Bahia

Um dia na ilha de Boipeba, Bahia
Sabe aquelas ilhas desertas dos filmes que a gente sempre deseja conhecer? Uma coisa meio Náufrago, A Ilha ou Lost (sem urso polar)? Então, Boipeba é tipo isso, um paraíso escondido no centro da Bahia. Não tem como passar um dia só. Nós ficamos sete, e foi o ideal, nem muito nem pouco - apesar de todo dia eu sonhar que morava naquele lugar. Rodeada por coqueiros, Boipeba faz parte do município de Cairu, e pra chegar lá só por um rolê via ferry boat + busão + lancha, saindo de Salvador, ou voando (se você tem uns $ sobrando). Não existe carro na ilha, e você vai de um lugar pra outro a pé, de lancha ou de trator (!). Ah, o sinal do 3G é super fraco também, e quase nenhum lugar tem wifi, então vá preparado pra um delicioso detox digital. Processed with VSCO with hb2 preset Processed with VSCO with hb2 preset Se você se hospedar pela Velha Boipeba, o vilarejo com mais ~agito, comece seu dia tomando uma água de coco natural e geladinha com uma tapioca de raiz na pracinha da cidade. Por lá tem várias tendinhas que vendem tapiocas, acarajés e caipirinhas com frutas locais e, pros paulistas, exóticas, pra quem já quiser começar os trabalhos alcoólicos logo de manhã :P Nós ficamos nessa linda casinha da foto abaixo, esse Airbnb aqui, que fica mais isolada e distante do centro, perto da praia de Tassimirim. Processed with VSCO with hb2 preset Desça até a beira do rio e caminhe em direção a Moreré. Passe bastante filtro solar, porque o sol bate forte e a caminhada é de mais de 8km. Ao longo do caminho, dá pra ver uma praia mais linda que a outra. Mas as maiores dessa trilha são a Tassimirim, linda demais e com mar mais calmo, quase uma piscina, e a da Cueira, onde rola um pequeno surf e dá pra catar bastante conchinha. Nessa última tem barraquinhas, cadeiras de praia e um restaurante, então quem quiser repor as energias, pode fazer uma parada por ali. Processed with VSCO with hb2 preset Seguindo o trajeto, você vai passar pelo rio Oritibe, e entrar numa mini trilha pela mata, muito linda, cercada de coqueiros, grama verde, vacas, cavalos e burrinhos. Logo na saída você já consegue avistar as piscinas naturais, e um bar flutuante que passa parte do dia por lá, vendendo caipifrutas pros turistas. Se a maré estiver bem baixa, talvez você consiga caminhar até elas. Mas o pessoal chega lá com lancha mesmo, através de um passeio que faz a volta na ilha toda e dura o dia todo. Processed with VSCO with hb2 preset Chegando em Moreré, tem um pouquinho mais de civilização. Restaurantes, campings, mercadinhos e um mini centrinho. O mar é também uma piscina, transparente, com nada de ondas. E por lá encontramos os melhores bolinhos de aipim do mundo (!!!), eleitos por eles mesmo, o Zé e a Daluz. Tem opção vegetariana e, se pedir sem recheio, vegana também. E uma cervejinha bem gelada combina que é uma beleza. Ou até umas caipirinhas na barraca do Giba, que também é legalize. Processed with VSCO with hb1 preset Processed with VSCO with hb2 preset Com o estômago forrado, cruze mais uma trilha, bem verde, e siga a caminhada até a próxima praia, a do Bainema. Igualmente bela, mas bem mais deserta, é um lugar legal pra curtir uma sombrinha, e dar uns mergulhos. Se ainda estiver com fôlego, caminhe mais um bocadinho até a praia dos Castelhanos, na minha opinião, a mais maravilhosa da ilha. Não é a toa que muita gente diz que Boipeba é o Caribe brasileiro. Chegando em Castelhanos você vai entender o porquê. Ali não tem casa nenhuma, nem pousada, nem restaurante. Só umas 3 barraquinhas que vendem pastel e caipirinha, e a galera que tá ali oferecendo essas delícias caminha todo dia 2 horas pra ir e voltar da Cova da Onça e poder ~alimentar os turistas. Há boatos que recentemente a Globo comprou todo o terreno dessa praia e em breve pretende construir um resort. Então visite esse paraíso enquanto ainda é tempo. Processed with VSCO with hb2 preset Processed with VSCO with hb2 preset Você já caminhou tanto e a maré já deve estar subindo, então é hora de voltar, se não você não vai conseguir mais andar pela beira da praia, porque, dependendo da maré, o mar sobe bastante, viu? Se estiver sem forças pra voltar a pé, pode pegar um trator em Moreré. Mas, olha, a caminhada de volta é ainda mais gostosa, porque o sol já tá bem mais baixo e começa a iluminar os coqueiros, deixando eles todos dourados e com um visual mágico. Se quiser finalmente bater um rangão, porque só petiscou o dia inteiro, a dica é parar na barraca do Bobó, que fica entre a praia da Cueira e Tassimirim. Na nossa humilde opinião, o melhor restaurante da ilha, muito fofo, tudo preparado na hora e com preços um pouco mais camaradas. Processed with VSCO with hb1 preset Processed with VSCO with hb1 preset Faça a digestão na praia logo ao lado, que vira quase um laguinho com água bem quente e rodeada por pedras. Depois caminhe em direção ao pôr do sol, que se põe na Boca da Barra (de onde você saiu de manhã) bem no rio, e deixa o céu num degradê fantástico. Se der sorte, você vai se divertir com os cachorros da ilha que aproveitam esse horário pra tomar um último banho de mar por ali. Processed with VSCO with hb2 preset Processed with VSCO with hb2 preset Processed with VSCO with hb2 preset Quando a noite chegar, nada de ficar em casa. Pegue a lanterna e um vinho, e volte pra beira da praia. O céu estrelado vai encher seus olhos, e se a lua estiver cheia, é só desligar tudo que a luz já vai ser mais que suficiente. Deite na areia e agradeça pelo seu dia e a oportunidade de estar num dos lugares mais fantásticos desse planeta. P.S.: Boipeba é do ladinho de Morro de São Paulo, então caso esteja planejando uma visita por lá, não deixe de incluir esse pedacinho especial no seu roteiro. Continue lendo

Um dia em Vielle Ville, Nice

Um dia em Vielle Ville, Nice
Eu me mudei recentemente para Nice, parte de um plano de estudos de dois anos. É claro que eu não estou nem perto de entender como vivem os locais, mas já consigo apreciar e me encontrar nos passeios e na gastronomia. E é um pouco disso que eu quero compartilhar com vocês, e quem vier para o sul da França pode me escrever para um café, tá? 2-senhorinhas Pra começar, vale pensar em como chegar nos pontos mais interessantes. Os moradores de Nice parecem bastante apegados aos seus carros, por todos os lados, muitos motores. É difícil de entender já que a cidade é pequena e pode ser explorada a pé, ou de bike. Se eu fosse você, escolhia sapatos confortáveis (oi, Insecta!) que vão permitir conhecer as principais zonas da cidade e saborear o estilo de vida dos franceses da costa mediterrânea. 3-chas A Côte D'azur é uma região de luxo e ostentação, mas pode ir além dos turistas russos passeando na praia vestindo a alta costura de Paris. Para um passeio mais tranquilo, economize no café da manhã e compre algumas frutas orgânicas para comer com vista para o mar. Pra isso, passe no mercado de rua do Cours Saleya ou em algum mercado orgânico (o que eu mais gosto é o Biocoop). Além de matar a fome, a visita pode render ótimas descobertas. Na Europa o assunto da certificação é sério e esses lugares vendem a versão verde de tudo que você puder imaginar: desde biscoitos artesanais a granel até maquiagens. Não esqueça de levar a sua própria sacola. 4-biocoop A praia é de pedras, e não areia. Eu gosto, especialmente para sentar por lá entre um compromisso e outro para ler um livro. Não é raro ver os franceses fazendo pique-nique com os amigos, mesmo durante a semana. A água é cristalina e calma, tem um tom de verde maravilhoso. Outro lugar para valorizar (e perceber que temos obrigação de cuidar!) a natureza é a Promenade du Paillon, um parque linear que liga duas importantes atrações culturais, o museu de arte contemporânea (MAMAC) e o Théatre de Verdure, um teatro de arena à céu aberto. É no encontro da Promenade du Paillon com a Place Masséna que fica um dos grandes cartões postais da cidade, os chafarizes que dançam junto com crianças correndo pra lá e pra cá. 5-socca Para o almoço, as ruelas do Vielle Ville (cidade velha), guardam boas surpresas para os vegetarianos e veganos. Por acaso, a especialidade gastronômica de Nice, a "socca", é vegana e gluten-free. É uma espécie de panqueca feita no forno a lenha, é deliciosa e leva apenas farinha de grão de bico, água, azeite e sal - a dica é temperar com bastante pimenta do reino. Quem quiser um prato mais colorido pode almoçar no Caju, um restaurante com ambiente delicioso, onde tudo é preparado pelos donos Callie e Julien. O Koko Green é outra opção, que eu ainda não provei, mas é muito gracinha, ele também abre à noite aos sábados, então pode salvar os mais famintos. 6-cajuvegan Falando em delícias sem ingredientes de origem animal, várias sorveterias têm sabores sinalizados como veganos. Um refresco para o calor que faz no verão. O meu preferido é do Mera-Viglia, feito com azeite de oliva (mas juro que não fica com gosto!). Eles fazem por lá a sobremesa mais refrescante possível, a granita - a de morangos tem sabor de fruta fresca. Também vale experimentar as versões geladas do Amorino, do Novo Boutique e do Love Bio. Você estará a poucos passos da região do porto, e vai ter uma vista impressionante no mirante Rauba-Capèu. Se você resolveu fazer esse passeio todo de bike (ou se gostaria muito de ter feito!), vai se sentir em casa no Café du Cycliste, o café de uma marca especialista em roupas para ciclista. É aconchegante para descansar no final do dia e tomar uma limonada de Menton ou um café gelado. Se você tiver mais uns dias por aqui, eles alugam ótimas bikes para um passeio mais longo até as cidades vizinhas. Ou então, você pode pegar um ônibus, ele chega rapidinho em Cagnes-sur-Mer, Antibes ou Villefranche-sur-Mer. 8-prainha       Continue lendo

Um dia em Williamsburg, Nova York

Um dia em Williamsburg, Nova York
Williamsburg é um bairro do distrito de Brooklyn ligado à Manhattan pela Williamsburg Bridge. Para chegar lá é bem fácil, e uma boa opção é ir de metrô. Pegue a linha L (cinza) e desça na Bedford Avenue station. Williamsburg passou por uma revitalização e é sem dúvidas um dos bairro mais ~cool~ de NY, com gente estilosa, bares em armazéns antigos, brechós, street art em quase todas as esquinas e feirinhas. Tem um clima completamente diferente de Manhattan, dando a impressão de estar em outra cidade e uma oportunidade ótima para fugir do roteiro turístico. foto-1 O legal de Williamsburg é que as pessoas são muito alternativas e o bairro é cheio de referências artísticas, então é fácil encontrar muitos estilos pra se inspirar e um brechó a cada esquina. Assim, seguem algumas dicas de lugares desse bairro incrível.
MANHÃ: Café da manhã + Brechós Um bom lugar para começar o dia é no T-Swirl Crepe. Uma creperia japonesa gluten free que possui os mais diversos sabores, com opções doces, salgadas e vegetarianas . Os crepes têm formato de cone, e eles são tão bonitos que da até pena de comer. Para beber, uma boa pedida é o milkshake de morango com banana. Pra quem está com bastante fome e quer comer algo diferente, é uma ótima parada. Um brechó muito famoso no bairro é o Beacons Closet. Lá tem tantas opções de roupas e acessórios que é bom ir preparado para garimpar. Os preços variam bastante, então com $20 você compra aquela jaqueta jeans antiga, um boné vintage da adidas ou até um óculos de sol. O legal do Beacons Closet é que você pode levar as suas roupas, podendo trocar, vender e até doar. Esse brechó é bem conhecido no bairro, mas andando na rua você encontrará diversas lojinhas menores com roupas expostas na calçada mesmo. TARDE: Street Art + Feirinha Williamsburg é um bairro repleto de arte urbana. É impossível não se apaixonar a cada segundo por alguma street art. Até a caçamba de lixo é repleta de stickers. Um dos meus grafites favoritos é o do Basquiat e Andy Warhol, do artista brasileiro Kobra. Mas a melhor maneira de conhecer as artes espalhadas é ir caminhando sem rumo e roteiro. Não esqueça de ir fotografando o trajeto. foto-3 foto-4 Aos sábados acontece uma feirinha gastronômica chamada Smorgasburg, com barraquinhas cheias de opções exóticas. Lá você pode comer de batata frita com diferentes opções de molho até um hambúrguer feito de noodles. Não deixe também de conferir os letterings nas placas de cada barraca.
FIM DE TARDE: Cervejaria + East River Park + Restaurante A parada essencial do fim de tarde é a Brooklyn Brewery, uma cervejaria que tem sua fábrica localizada no bairro e é uma das mais famosas de Nova Iorque. Ela oferece tours gratuitos onde você pode conhecer a sua história e ainda degustar vários sabores. Com $20 você tem direito a cinco copos de cerveja, e é difícil escolher entre tantas opções. Ótimo lugar para ir no fim de tarde, com muita música boa, grupo de amigos bebendo e pessoas jogando cartas. foto-7
Saindo da cervejaria, caminhe por aproximadamente cinco minutos em direção ao East River State Park. A beira do East River tem uma das vistas mais bonitas da skyline de Manhattan. Aberta ao público e gratuito, o parque é um lugar muito tranquilo, e colocar os pés na areia vai te afastar da sensação caótica de Manhattan. Ótimo lugar para relaxar, sentir o ventinho no rosto e é maravilhoso para fotos. foto-8
Para fechar a noite, o restaurante Juniper tem um hambúrguer com fritas delicioso. O local funciona no sistema byob - bring your own beverage - então certifique-se de levar sua própria bebida e peça sweet potato fries para acompanhar.
Williamsburg é um bairro para ir mais de uma vez e explorar lugares novos. Pegue sua câmera e vá sem roteiro para esse bairro tão amado pelos nova-iorquinos e turistas.   *Endereços citados no post: - T-Swirl Crepe: 148 N 7th St, Brooklyn, NY 11249 - Beacons Closet: 74 Guernsey St., Brooklyn, NY 11222 - Smorgasburg: 90 Kent Ave, Brooklyn, NY 11211 - Brooklyn Brewery: 79 N 11th St, New York, NY 11249 - East River State Park: 90 Kent Ave, Brooklyn, NY 11211 - Juniper: 237 W 35th St, New York, NY 10001 *Dica: um ótimo Instagram para se seguir é o @yeswilliamsburg. Lá eles postam várias dicas sobre o bairro e lugares novos pra visitar, desde galerias a brechós espalhados pelas ruas. *Fotos de Paula Hentges e Sara Hackbart.
   
 
 
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Um dia em Centrul Vechi, Bucareste

Um dia em Centrul Vechi, Bucareste
Bucareste é uma cidade de contrastes visuais. Além da perceptível desigualdade entre a elite romena e os demais habitantes do país, um dos mais pobres da Europa, há uma narrativa muito forte da conflitante história da cidade explicitada nas suas ruas e prédios. Junto às várias construções medievais, da época em que o governante do país era o temido príncipe Vlad Tepes, que deu origem ao mito de Drácula, convivem pacificamente a arquitetura neoclássica que, no século passado, confeririu à Bucareste o apelido de “Paris do Leste” e, claro, a o tradicional estilo arquitetônico comunista, que ocupou grande parte da cidade com seus blocos de prédios idênticos. Acima de tudo isso, se ergue opressivamente no ponto mais alto da cidade o inimaginavelmente luxuoso Palácio do Parlamento, que conta um complexo sistema de túneis subterrâneos cujos destinos até hoje nunca foram revelados ao público e é o considerado prédio mais pesado do mundo. E, nas calçadas e jardins e porões, os bares moderninhos, galerias de arte, restaurantes de cozinha molecular e projetos experimentais diversos que associaram à Bucareste o título não oficial de “nova Berlin”. O Centrul Vechi me parece uma junção de tudo isso - das partes boas e ruins de uma cidade resiliente que, até não muito tempo atrás, tinha suas manifestações de individualidade e criatividade reprimidas por uma ditadura, mas que é, hoje, radicalmente cheia de vida. Pra começar um dia no Centrul Vechi, a dica é pegar um café da manhã pra levar e já ir explorando o bairro. Aproveita pra experimentar o covrigi, uma pastelaria típica que, apesar dos protestos romenos contra a comparação, é muito parecida com um pretzel. Dá pra encontrar essa delícia em praticamente qualquer lugar, mas a rua Regina Elisabeta está lotada de padarias sem nome grudadinhas uma na outra. Escolha o covrigi que estiver recém saindo do forno e não se acanhe pela simplicidade dos estabelecimentos - o sabor caseiro não vai decepcionar. Foto 1 Caminhando de lá até o nosso próximo ponto, a hypadíssima livraria Cărtureşti Carusel, se passa pelo prédio do Palácio da Economia - na minha opinião, um dos mais bonitos da área - e se adentra a parte das ruazinhas de pedra exclusivamente para pedestres. É bom ir na Cărtureşti com bastante tempo pra matar - além de uma seleção ótima de livros em inglês, o subsolo é uma galeria de arte e o andar de cima é um bistrô. No térreo, além de todo o tipo de gadget tecnológico bacaninha, se encontra uma seleção incrível de chás e vinhos romenos. Aliás, apesar de os vinhos de lá não serem muito conhecidos aqui pelo Brasil, a Romênia é um dos maiores produtores de vinho do mundo e a grande popularidade do enoturismo na região confirma a qualidade do produto. Pra quem gosta de vinhos, a dica é aproveitar a existência de tipos de uvas endêmicas à região e experimentar vinhos completamente diferentes, como os feitos a partir da uva Fetească neagră. Foto 2b Caso agora a vontade seja encontrar um lugarzinho tranquilo pra folhear o livro recém-comprado, a dica é ir visitar o Monastério Stavropoleos e aproveitar pra relaxar no jardim. O lugar é super pequeninho, mas vale a pena visitar o interior pela arte bizantina, que é bem diferente do padrão estético que estamos acostumados a ver aqui no Brasil ou nas igrejas da Europa Ocidental. Foto 3 Para o almoço, não há como errar indo no sensacional Cara’cu Bere, unânime entre turistas e moradores. O restaurante, cujo nome significa “carrinho de cerveja”, existe desde 1879 e uma das práticas seguidas nos seus anos iniciais era a de sempre servir almoço gratuito aos estudantes da cidade. Hoje em dia já não é mais assim, mas eles oferecem um menu especial pra estudantes que custa 12,50 lei (aproximadamente 10 reais) - um preço que está bem abaixo da média dos demais pratos do restaurante e ainda inclui um chopp da casa! Além disso, o lugar é lindíssimo e toda a noite rolam apresentações de música erudita e/ou música e dança romena tradicional. Sério, não dá pra perder. Foto 4 Bem pertinho do restaurante acontece uma feirinha de antiguidades e artesanato que rola dentro de um prédio histórico na Strada Doamnei. O espaço é bem pequeno e completamente abarrotado de todo o tipo de coisa, de decoração de natal à capacetes usados por soldados na Primeira Guerra Mundial. Vale a pena dar uma passada por lá pra explorar os objetos antigos e encontrar coisas muito bonitas entre os artesanatos locais. Foto 6 Pra quem curte arte de rua, vale a pena caminhar um pouco mais pro norte, até a fronteira do bairro, pra visitar a Garajul Ciclop, uma enorme garagem abandonada que foi completamente coberta por pinturas e grafitti. Lá perto fica também o provável melhor café da cidade, no Camera din Față. Eles têm uma seleção imensa de grãos e blends do mundo inteiro - o único problema sendo que, assim como vários estabelecimentos em Bucareste, eles não têm menu em inglês. Aqui a nossa salvação é o fato do romeno ser uma língua latina, o que nos permite, com um pouco de esforço, entender a maior parte dos ingredientes descritos. Inclusive, já ouvi de vários romenos que eles conseguem entender espanhol e português com facilidade - muito mais do que nós conseguimos entender eles. Ou seja, no aperto, precisando muito se comunicar com alguém que só fala romeno, tá valendo falar um português bem devagarinho e tentar a sorte! Foto 7 De tardezinha, tem um barzinho aberto ao público no terraço Hostel Pura Vida onde se pode ir assistir pôr do sol e aproveitar uma vista de cima da parte mais antiga da cidade. Se for verão, só não dá pra esquecer de chegar cedo pra garantir uma mesa antes que o lugar fique lotado! Inclusive, se estiver muito calor, outra dica que pode ser útil é a do melhor gelato do bairro: Cremeria Emilia, sem erro. Outra opção é explorar a Pasajul Macca-Villacrosse, uma rua coberta lindíssima e cheia de barzinhos de shisha/narguilé. No mais, o melhor (e mais barato) kebab da cidade é o Dristor Kebap e, pra finalizar um dia no Centrul Vechi, não há outra recomendação senão as ruas Lipscani e Franceză. A atmosfera de lá é ótima, influenciada pelo estado de espírito alegre do povo romeno, e as ruas ficam cheias de gente aproveitando a noite e a cidade. Foto 8   Continue lendo
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