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Um Carnaval sem lixo é possível?

Um Carnaval sem lixo é possível?

O assunto aqui é, mais uma vez, o lixo gerado durante os bloquinhos de Carnaval. Mais um ano se passa e a gente tem que voltar a martelar nisso, infelizmente. A essa altura você já deve ter visto esse cenário pós-apocalíptico (ou pós-carnavalesco) no Largo da Batata, em São Paulo, clicado pelo Maurício Lanza, que viralizou. Já deve também ter lido essa matéria bem assustadora sobre o pré-carnaval na Vila Madalena, e tantas outras que começam a aparecer.

Tem muito compartilhamento dessa imagem acompanhado de ironia: "ufa, ainda bem que usaram glitter biodegradável!" - e a gente não vai tirar a razão, não. De nada adianta discurso na internet se na prática o que acontece é isso aí. Já parou pra pensar que uma noite de festa é capaz de gerar TONELADAS de lixo?

Como a gente contou aqui, em 2015 foram recolhidas 1.129,84 toneladas de lixo no Rio de Janeiro, nos 4 dias de festa.  Em São Paulo, em 2017, foram 643,3 toneladas de lixo no feriadão. Em dados mais atuais, no Carnaval passado foram cerca de 400 toneladas de lixo no Rio de Janeiro e mais de 700 em Salvador - com direito a 48 kg de lixo recolhido por mergulhadores do fundo do mar da Barra depois do feriadão.

Você tá indo pro bloco nesse Carnaval? Não deixa de levar o seu copo, a sua garrafa, descartar o lixo no lugar certo e falar com os amigos sobre isso. A gente fez um material bem bacana com dicas pra você reduzir o seu lixo sem passar trabalho - clica aqui pra ver! Já falamos, mas não custa repetir: se organizar direitinho, todo mundo se diverte sem fazer sujeira.

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Eco-Gentrificação: viver mais verde está ficando inacessível?

Eco-Gentrificação: viver mais verde está ficando inacessível?

Lembra quando existia um estereótipo do “ecologista” - aquela pessoa super engajada, ativista, que põe a mão na massa e vive com poucos luxos? Em algum momento, não se sabe quando, rolou uma metamorfose radical e essa pessoa se tornou um ser inatingível, com uma vida perfeita e feed de Instagram irretocável.

Que fim levou aquela vida verde raiz? De uma hora pra outra parece que é preciso ter todos os produtinhos da moda (ao invés de reusar o que você já tem), comer e comprar em lugares caros (ao invés de aprender receitas e fazer mais visitas ao mercadinho do seu bairro).

Essa blogueira que fala sobre maternidade e sustentabilidade fala das icônicas jarras de lixo da galera do lixo zero: “Quando eu leio alguns blogs de lixo zero, tenho a nítida sensação de que eu deveria desistir. Quando uma pessoa tenta me inspirar mostrando uma jarra com um ano de lixo, estou pronta para desistir antes mesmo de começar. Isso está tão longe da minha realidade que me desencoraja até mesmo de considerar o objetivo”.

Ou seja, quando é tudo ou nada, se você não está acabando com todo o seu lixo, 100%, parece que é melhor nem tentar. E quem tem filhos sabe que viver completamente sem lixo é um desafio longe de ser alcançado. Vamos pensar aqui: por que a sustentabilidade seria sinônimo de riqueza quando as camadas mais pobres da sociedade sofrem mais com os impactos das mudanças climáticas? Essas pessoas deveriam ter tanto acesso a um estilo de vida mais sustentável quanto qualquer outra.

Parece que a vida mais verde se tornou algo mais “ego” do que “eco”. Uma provocação nesse sentido saiu desse post aquique fala sobre o estilo de vida eco-friendly estar sendo esvaziado e elitizado. Dê uma volta pelos bairros mais hypados da cidade e você verá áreas verdes, hortas, bicicletários, restaurantes orgânicos e um mundo lindo e limpo. Mas a poucos metros você poderá encontrar uma comunidade esquecida, sem coleta de lixo, sem saneamento básico e sem acesso aos serviços mais indispensáveis.

Será que trazer espaços verdes para certas regiões das cidades podem acabar expulsando as pessoas que se pretende ajudar? A resposta é sim, às vezes pode. Essas melhorias tornam o bairro mais atrativo para novos empreendimentos, o que faz os preços subirem, e assim a população de renda mais baixa é obrigada a fugir por não dar mais conta do novo padrão de vida.

Isso é eco-gentrificação em poucas palavras.

Mas então trazer melhorias para a cidade é ruim? Não, se essas melhorias não forem maquiagem. Isso é um olhar limitado do que significa tornar uma cidade mais sustentável. O que torna uma cidade (ou um bairro, uma comunidade, que seja) mais sustentável é garantir a qualidade de vida e a qualidade ambiental - por exemplo, trazer o saneamento básico para um bairro carente, ou garantir a coleta seletiva de lixo. Essa seria uma “anti-gentrificação consciente”, como falam nessa matéria aqui

um bairro fofo com hortinha orgânica, mas sem separação de lixo não resolve nenhum problema

É por conta dessa maquiagem que muitos pensam que viver de forma mais responsável é mais caro. Como a gente falou aqui, não é e não deveria ser. Há um conceito errôneo por aí de que viver mais verde é sobre comprar produtos melhores, quando, na verdade, viver mais verde é sobre comprar menos e ter mais consciência. Ações que não custam nada, como se esforçar para garantir a coleta seletiva na sua casa, comer frutas e verduras da época e aproveitar os alimentos de maneira integral, por exemplo, devem ser pensamentos rotineiros de quem se preocupa com o meio ambiente.

Bom, e quando a gente fala nesse assunto, não dá pra deixar de lado o preço dos nossos sapatos. Explicamos direitinho nesse post  toda a relação dos nosso valores e fomos além nesse aqui, respondendo dúvidas que vocês tiveram.

Ainda não somos perfeitos, mas estamos (mesmo, nesse momento) pesquisando maneiras de trazer produtos mais acessíveis sem prejudicar nenhum elo da nossa cadeia de produção. Entendemos como tornando produtos sustentáveis mais acessíveis todos saem ganhando, e é isso que buscamos ;)

Começamos o post falando sobre uma nova geração que torna a sustentabilidade inacessível, mas não podemos deixar de falar das pessoas que estão aí pra ajudar a mudar essa ideia. Aqui e aqui contamos quem são essas pessoas e quais são as iniciativas que nos inspiram (vale a leitura!).

Ah, e se você vê o preço das coisas como uma barreira para veganizar de vez ou para levar uma vida mais verde, nossa dica eterna é ler esse texto que bombou e não deve parar nunca de bombar. Indicamos também o canal da Nátali Nery, sempre maravilhosa que falou nesse post sobre como ser vegana na vida real. Pra um feed vegano acessível, pode começar a seguir agorinha: @vegana.raiz , @veganoperiferico, @veganapobre e @oqueosveganoscomem_

Quer nossa ajuda? Estamos sempre disponíveis pra responder dúvidas e levar essas e outras questões mais adiante no hello@insectashoes.com

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O problema não é o plástico

O problema não é o plástico
Quando você pensa que não tem mais nada pra problematizar, a gente vem e PÁ. Problematiza a problematização do plástico. Por mais que se fale muito (e cada vez mais, que bom) na poluição plástica, esse não é o único problema ambiental que o planeta enfrenta. Já parou pra pensar que alguns substitutos ao plástico podem ter impacto ainda maior? Olha como a coisa é complicada: um estudo Dinamarquês comparou sacolas de vários tipos de plástico, papel e algodão, e a menor pegada ambiental é... das plásticas. É onde se gasta menos energia e emite menos CO². Eles analisaram materiais diferentes considerando as sacolas disponíveis na Dinamarca:  LDPE (Polietileno de baixa densidade), PP (Polipropileno), rPET (PET reciclado), Poliéster, Biopolímero, papel pardo e algodão. No fim das contas, quem ganhou foi a LDPE - aquele plástico mais firme de algumas sacolas de supermercado. Os caras ainda fizeram estimativas de quantas vezes uma sacola de cada material precisa ser reutilizada pra compensar o impacto da sua produção e chegar aos pés da famigerada sacolinha plástica: 37 vezes para as de polipropileno, 43 vezes para as de papel pardo (papel branco tem uma pegada muuuito maior devido ao processo de branqueamento), 7100 vezes para as de algodão e cerca de 20000 se o algodão for orgânico   Mas calma, não precisa entrar em pânico. Eles analisaram quesitos bem específicos nesse estudo - o lixo marinho, por exemplo, não foi considerado. Essa pesquisa teve foco na extração de material virgem, emissões de carbono durante fabricação e transporte, geração de resíduos durante a produção, entre outros. E daí, nesses quesitos, o plástico bate o algodão.  A conclusão? Reutilize tudo até desmanchar. E quando desmanchar, conserte. A orientação final do estudo é usar e reusar até não poder mais mesmo as sacolinhas de plástico.  Essa notícia serviu pra duas coisas: 1) dar tela azul na cabeça, e 2) fazer a gente lembrar que não dá pra entrar numa guerra cega contra o plástico e esquecer de outras coisas que também são problemáticas - como, por exemplo, o processo de produção de algumas coisas, como o algodão virgem, essa fibra sedenta Quer mais um exemplo bem próximo de problematização da problematização? A história dos canudinhos. Quando a capital do Rio de Janeiro aprovou a lei que impede os vendedores de servir bebidas com canudo de plástico, muita gente comemorou. Mas como tudo nesse mundo, tem o outro lado também. Como muito bem lembrado pela Ligia nesse texto aqui, o plástico é extremamente barato. O vendedor humilde do quiosque e o pequeno comerciante já saem perdendo nessa mudança. Enquanto os grandes restaurantes tem canudos diferentões, biodegradáveis e caros, o ambulante faz o que? Opta pelo copo de plástico, que é mais barato, mas ainda é um problema ambiental.    E da inclusão, alguém lembrou? Canudos de plástico são os mais adequados para PcD (pessoas com deficiência), como a Mariana trouxe nesse desabafo. Banir o canudinho é trazer um problema para as pessoas que precisam dele. E não adianta vir com soluções como “leva um na bolsa”, ou “deixa lá é só pedir”, porque isso não é inclusão. Inclusão é, como ela falou aqui, ser apenas mais um, sem ter que ficar pedindo ajuda.  O debate é longo, e surge aqui uma baita oportunidade pra empresas e pesquisadores investirem no desenvolvimento de versões biodegradáveis e realmente eficientes de canudos dobráveis. É preciso trabalhar, antes de qualquer coisa, a empatia, e daí surgem as soluções reais.  Como sempre, não estamos trazendo nenhuma solução mágica. Queremos ampliar a conversa. Vamos respirar fundo e admitir: o problema não é o plástico. Esse é um material que trouxe muitas soluções pra muitas coisas e facilita a vida quando usado da maneira correta. O problema é como o plástico é usado. Vamos parar de tratar como descartável algo que dura pra sempre? Continue lendo

Uma peça de roupa pode liberar milhares de microplásticos na lavagem

Uma peça de roupa pode liberar milhares de microplásticos na lavagem

Microplásticos. Uma palavra, um problemão. E você ainda vai ouvir falar muito nisso, porque eles estão em tudo - tudo mesmo, incluindo a água que bebemos, a água do mar, o sal marinho, as nossas roupas e até a sua cervejinha do fim de semana. 

Os famigerados microplásticos já contaminaram o gelo do Ártico. E não vão parar de contaminar tudo se a gente continuar despejando eles às toneladas, todos os dias, nos nossos mares. Os microplásticos são pedacinhos de plástico com cerca de 5 milímetros, mas já se fala sobre pedaços de 1 milímetro ou menos em estudos científicos. E ainda tem as primas dos microplásticos, as microfibras. São fibras têxteis com menos de 5 milímetros de comprimento que são liberadas pelos tecidos durante a lavagem.  

Todo ano TRILHÕES de microfibras são liberadas nas lavagens de roupas, segundo esse estudo da Ellen Macarthur FoundationNesse relatório fica bem claro: as microfibras presentes em materiais como poliéster, acrílico e nylon foram identificadas como grandes contribuintes pro problema dos microplásticos nos oceanos. Isso significa nada menos do que: a sua brusinha pode estar intoxicando o planeta.

Num estudo brasileiro, foram feitas lavagens com e sem detergente em peças de algodão, acrílico, poliéster e poliamida. Todas as peças liberaram fibras, e ainda mais nas lavagens com detergente. A conclusão foi que uma única peça de roupa pode desprender entre milhares e centenas de milhares de fibras. Num cenário de tratamento de esgoto ideal, a conta chegou mais de 700 toneladas de fibras sintéticas em escala mundial chegando aos mares. 

Enquanto não desenvolvem filtros que impeçam essas fibras de escaparem das máquinas de lavar, tem gente tentando minimizar o problema. Tipo os caras que criaram o Guppyfriend, um saquinho pra lavar as roupas dentro, que promete segurar boa parte das fibras. Tem também a Cora Ball que você joga na máquina junto com as roupas e captura um certo volume de microfibras.

Essas (e outras que tão aparecendo todo dia) são boas ideias pra ajudar a reduzir esse problema sim, mas não são soluções. A conclusão mais lógica pra resolver essa tragédia ambiental você já deve estar imaginando. Não dá mais pra consumir sintéticos como se não houvesse amanhã, porque do jeito que tá, é possível que não haja mesmo.

Então o que cada um de nós pode fazer é optar sempre que possível por peças de materiais naturais (como algodão, liocel, fibra de bambu, linho, modal), otimizar as lavagens das roupas na máquina  e (essa a gente sabe que é difícil, mas não custa tentar) lavar menos na máquina e mais à mão. Pra saber mais sobre toda a questão do plástico nos oceanos, nós indicamos a websérie Mares Limpos produzida pelo Menos 1 Lixo em parceria com a ONU Meio Ambiente. E pra uma dose bem didática e rápida de informação tem esse vídeo que fala justamente sobre as microfibras:

Nada como entender o problema pra conseguir agir da melhor maneira, né? Ah, e vale sempre lembrar: não precisa se preocupar com a liberação de microplásticos nos nossos tecidos PET! Explicamos direitinho nesse post como tá tudo sob controle por aqui.

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Usamos PET reciclado nos nossos sapatos e tá tudo bem

Usamos PET reciclado nos nossos sapatos e tá tudo bem

Já passamos do dia da sobrecarga do planeta , que veio mais cedo que nunca, mas nem tudo está perdido. Nesse ano de 2018 a campanha do Julho Sem Plástico virou assunto, tem leis banindo canudinhos e sacolas plásticas e temos visto várias ações que mostram que sim, tem como pensar num mundo com menos lixo. E junto com isso, as pessoas começaram a pensar mais e questionar o uso desse material como descartável.

Um dos debates mais interessantes que vimos é o do Modefica, que questiona como ninguém muitas verdades absolutas. Então, vamos logo ao ponto: é verdade que PET reciclado não é uma solução sustentável pra moda?

Antes de mais nada, vamos falar sobre responsabilidade. Tem a responsabilidade estendida, que é da empresa. Isso significa que quando fazemos e vendemos algo, isso é problema nosso pra sempre. Basicamente, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que produz" - ainda mais se for plástico.

Quando esse produto é comprado, vira responsabilidade do consumidor também. Isso é responsabilidade compartilhada. Os nossos sapatos não vão parar em aterros sanitários se depender de nós (e “nós” inclui você e a Insecta).

Temos um projeto de fechamento de ciclo, onde você devolve o sapato usado e nós transformamos em componentes para sapatos novos. Então, independente da composição do tecido (que pode ser 100% PET ou PET + algodão reciclado), ele vira recheio de palmilhas. E vira muitas vezes sem problemas. Sem aterro, sem plástico indo parar onde não deve.

Quando o problema é microplástico, vale lembrar que essa é uma questão muito mais ligada a roupas, que são lavadas constantemente e soltam esses resíduos no enxágue. Sapatos nem devem ser lavados em máquina ou ficar de molho, né? Aconselhamos limpar os nossos com um pano úmido ou escova macia. A sujeira sai, mas os microplásticos não.

E agora vale aquela lembrança: nós trabalhamos com materiais reaproveitados sempre que possível. Damos vida nova a materiais que já existem e que podiam virar lixo. É o caso das garrafas PET que transformamos em tecido - pra ter ideia, em quatro anos de empresa, cerca de 10.532 garrafas de plástico viraram sapatos, e muitos já voltaram para o fim de ciclo, ao invés de irem para o lixo.

Entendemos que esse sistema pode não ser perfeito. Mas como gostamos de falar, aqui na Insecta nós temos a humildade pra saber que não vamos conseguir curar o mundo, por mais que tenhamos muita vontade. Nosso objetivo é incentivar as pequenas ações pra que todo mundo saiba que pode ajudar sim, e que aos pouquinhos as mudanças acontecem.

E além de tudo isso, vale lembrar que estamos sempre pesquisando e trabalhando pra criar soluções melhores. Nada é definitivo. Sempre pode melhorar.

Quer continuar essa conversa? Tem alguma dúvida? Quer saber mais sobre como fazemos nossos sapatos? Vamos conversar. Pode ser pelas nossas redes sociais ou pelo hello@insectashoes.com

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O seu cristal pode ser um problema

O seu cristal pode ser um problema

Sabe aquele cristal de quartzo ou ametista que você tem aí pra atrair boas energias? Você por acaso sabe de onde essa pedra veio? É bem provável que não, porque não é moleza ter esse tipo de informação. E lamentamos informar, até os inofensivos cristais podem ser fruto de exploração de pessoas e danos ao meio ambiente. ):

Você já ouviu falar em toda a questão dos diamantes e de como a sua extração envolve crimes seríssimos contra pessoas, animais e o planeta, né?

Os cristais de menor valor (as chamadas “pedras semi-preciosas) também podem ser bem problemáticos, principalmente por conta dos garimpos clandestinos. É problema que não acaba mais: trabalho escravo, desmatamento, degradação ambiental, riscos à saúde dos trabalhadores e outros impactos que vão muito além, como a produção de lixo nos acampamentos, fogueiras, caça de animais silvestres e escavações feitas sem nenhum cuidado. Ainda tem o impacto social, que chega nas cidades próximas. Vai desde o aumento na demanda dos serviços locais até o aumento da violência e prostituição.

 

Garimpo ilegal de ametista em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

Lá em 2011 aconteceu a Operação Senzala em Diamantina. Foram libertadas 31 pessoas que viviam em condições análogas à escravidão numa mina de cristal de quartzo. Estavam sem água potável nem instalações sanitárias, sem treinamento pra operar máquinas (o que aumenta o risco de acidentes) e trabalhando em jornadas exaustivas sem equipamentos de proteção individual (os famosos EPIs). Se quisessem botas, luvas, chapéus e material de higiene, isso era por conta de cada um. Outro problemão é em relação à saúde dos trabalhadores. Nas galerias subterrâneas, eles fazem perfurações nas rochas e usam explosivos pra abrir novos caminhos. Isso libera poeira e gases tóxicos que podem causar danos à saúde como a silicose, uma doença pulmonar crônica e incurável, causada pela exposição à sílica, muito comum nesses ambientes.

Garimpo ilegal de ametista em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

Por isso, quando você vai comprar aquela pedra toda mística e energizada é muito importante exigir do comerciante que ele trabalhe com mineradoras de acordo com o comércio justo. Segundo o presidente do Sindijoias de Minas Gerais, os comerciantes só podem comprar pedras preciosas de mineradoras legalizadas ou de cooperativas de garimpeiros - sejam esses empresários daqui mesmo ou de fora do Brasil.  

Mas a realidade do contrabando e do garimpo clandestino ainda é muito comum. Comprar pedra lá fora pode ser cilada também. Muitos comerciantes da Índia, China, Tailândia e Japão enriquecem garimpos clandestinos levando pedras daqui para fora do país E aí se o papo é clandestinidade você já sabe, né? O consumidor final paga barato por um produto que deixou pra trás trabalhadores explorados, invasão de terras indígenas, violência e danos ao meio ambiente.

Até o garimpo legalizado precisa de etapas como o desmatamento da área antes de fazer a perfuração, então pense nos ecossistemas que podem ser degradados pra sempre se isso for feito sem planejamento. A exploração mineral ilegal, feita com equipamentos como escavadeiras hidráulicas, brocas e furadeiras, pode ainda trazer mercúrio à superfície. Ele contamina a água e entra rapidinho na cadeia alimentar, prejudicando desde os menores bichinhos até as pessoas que vivem perto. Trabalhos de garimpos ilegais soterram nascentes e acabam com a água de comunidades próximas, que são, muitas vezes, comunidades carentes que dependem desses rios para ter acesso à água e viver. Já o garimpo mecanizado (com máquinas), pode destruir margens de rios e acabar com ecossistemas locais.

Garimpo ilegal em Sento Sé, Bahia (foto: Arisson Marinho)

E aí, como fazer pra saber se estamos compactuando com isso tudo? Infelizmente, ainda não é fácil ter uma garantia da origem dos cristais em questão. Pra esse caso não temos uma resposta simples. A melhor saída é aquela mesma de sempre: dar preferência pra produção local, comprar de marcas menores e de quem vende pedras extraídas em garimpos próximos (onde é possível ter o contato mais direto com os responsáveis), exigir da sua marca ou loja preferida que ela corra atrás desse controle. Pensar, questionar, se informar e exigir que as empresas se atualizem. Assim como você pergunta quem fez suas roupas, saber de onde veio qualquer coisa é muito, muito importante para um consumo mais consciente e responsável.

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Webserie "Mares Limpos" vai falar sobre o problema do plástico nos oceanos

Webserie "Mares Limpos" vai falar sobre o problema do plástico nos oceanos

Você que nos acompanha já deve estar por dentro de toda a questão do lixo nos oceanos, né? Vira e mexe falamos por aqui sobre o problema dos plásticos descartáveis e sempre que podemos trazemos dicas pra contornar a situação que não é nada animadora. 8 milhões de toneladas de plástico são descartadas anualmente nos oceanos, e por conta disso há previsões de que em 30 anos vai ter mais plástico do que peixe no mar. Ninguém mais está livre: os famigerados microplásticos já chegaram nas águas da Antártida.

A Fe Cortez, do Menos 1 Lixo, produziu em parceria com a ONU Meio Ambiente uma websérie falando justamente sobre essa situação. "Mares Limpos" é uma produção com 10 episódios bem educativa, que tem tudo pra ser aquele empurrão que falta pra muita gente começar a pensar melhor as suas escolhas cotidianas. 

Mas a gente não tá aqui só pra te contar que vai rolar essa série e falar pra você assistir. Queremos que você compartilhe, mostre pros amigos, marque a família nos comentários e faça que mais pessoas comecem a pensar em maneiras de reduzir o plástico na vida e, consequentemente, nos oceanos. Bora todo mundo junto? A websérie Mares Limpos vai ao ar a partir de hoje, 07 de junho, no canal do Menos 1 Lixo. Já começa a assistir!

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Entenda a importância de iniciativas como o Banco de Tecido

Entenda a importância de iniciativas como o Banco de Tecido

Você sabia que mais de 80% dos resíduos têxteis que vão parar em aterros poderiam ser reutilizados ou reaproveitados de algum jeito? Quando falamos em “resíduos têxteis” queremos dizer qualquer pano que vai pro lixo. Pode ser roupa velha, pode ser retalho da confecção e pode ser até rolo de tecido sem uso. Pois é, quando os rolos de tecido ficam mito tempo parados em estoques, eles viram um problema e muitas vezes o destino é o lixo. Já falamos aqui sobre o descarte e a reciclagem de roupas. Contamos como são produzidas 175mil toneladas de resíduos têxteis todo ano no Brasil e só 20% são reciclados. O resto vai pro aterro ou é queimado.

Ainda sobre isso, vale lembrar também do relatório “A new textiles economy: Redesigning fashion’s future”, que saiu no final de 2017. A publicação fez bombar muito uma manchete impactante: É estimado que a cada segundo o equivalente a um caminhão cheio de tecido é queimado ou despejado em aterros sanitários. Provavelmente você leu sobre isso. E não esquece que esse problema só piora porque 70% dos tecidos usados no mundo são feitos com fibras sintéticas, que não são biodegradáveis.

Essa história de jogar tecidos fora não é só sobre roupitchas compradas por impulso e pouco usadas. Aqui também entram os tecidos comprados pelas confecções, muitas vezes em quantidades exageradas. As modas passageiras vão embora e o material fica lá, parado no estoque. Depois de um tempo vira um problema, porque ocupa espaço e não tem utilidade (pra empresa, porque logo você vai ver como esses materiais são muito úteis!). Muitas empresas não acham saída se não mandar pro aterro mesmo.

O Banco de Tecido surgiu como uma luz no fim do túnel pra esses tecidos abandonados. Lá, desde retalhos até rolos têm sua chance de estrear novas criações. Desse jeito, o ciclo se fecha e uma cadeia de produção mais sustentável começa a se desenvolver. O que uma empresa ou pessoa não quer mais pode ser muito valioso pra outra empresa ou pessoa - a mesma lógica que usamos quando trabalhamos com peças de roupas vintage. Como não podia deixar de ser, o Banco de Tecido é nosso parceiro (amamos). De tempos em tempos, a nossa equipe criativa dá uma garimpada legal por lá. 

 

O que é mais legal de criar em cima de tecidos do Banco de Tecido (além do óbvio, reutilizar coisas que já estão por aí) é que os besouros que nascem são como os vintages: peças exclusivas, limitadas e super desejadas. É a vez daquele tecido que tava abandonado dizer: "parece que o jogo virou, não é mesmo?" e voar por aí na forma de sapato novinho. 

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O que têm em comum PANCs, autonomia alimentar e Jardim Botânico?

O que têm em comum PANCs, autonomia alimentar e Jardim Botânico?

Na última Virada Sustentável fizemos uma expedição ao Jardim Botânico de Porto Alegre. As guias foram as biólogas Paula Braga Fagundes e Denise Dalbosco Dellaglio, que foram conversando e trazendo vários assuntos que amamos durante o passeio. Achamos tudo tão interessante que deu vontade de trazer aqui pra quem não estava lá aprender também.

A escolha do Jardim Botânico não foi por acaso. É um dos nossos cenários preferidos pra fotos e abriga a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, que tá correndo risco de ser fechada por falta de apoio do governo. Encerrar atividades de fundações como essa mostra uma baita falta de interesse na pesquisa e na produção de conhecimento em relação ao meio ambiente. E isso tem bem a ver com os dois conceitos que as biólogas apresentaram no nosso passeio: autonomia alimentar e soberania alimentar.

De um jeito beeem simplificado, a ideia é valorizar o cultivo de espécies locais por agricultores locais. Se pensar no Brasilzão, parece loucura não aproveitar todo nosso potencial. Quando o assunto é biodiversidade, somos um dos países mais importantes do planeta (isso sempre ouvimos na escola, lembra?). Só que apesar disso a nossa agricultura ainda é muito baseada em espécies que nem são naturais daqui, cultivadas com pesticidas e sementes geneticamente modificadas.

A coisa é tão doida que chega ao ponto de empresas de herbicidas tratarem pitangueiras, goiabeiras, carqueja, cambará e outras plantinhas nativas como ervas daninhas que devem ser eliminadas. Os alimentos que compramos em supermercados viajam milhares de quilômetros enquanto a produção local fica de lado por falta de incentivos.

Como a própria Paula Fagundes nos contou: "pensar em soberania alimentar serve pra refletirmos sobre a diversidade oferecida nos supermercados, que se restringe a poucas e sempre mesmas espécies, enquanto moramos no país com a maior biodiversidade em plantas do planeta". A bióloga trouxe o exemplo da feijoa/goiabeira serrana (Acca selowiana), uma goiabinha da serra gaúcha muito consumida na Nova Zelândia, mas não aqui. A produção local, que além de ser mais saudável, evitar desperdício, gastos com transporte, poluição e valorizar a biodiversidade, ainda valoriza o produtor. Quanto mais regionalizada a produção, mais bem remunerado é o agricultor. É ganha-ganha-ganha.

Aí voltamos ao assunto do Jardim Botânico: trabalhos como o da Fundação Zoobotânica ajudam a cuidar do nosso patrimônio natural. Eles tem projetos de pesquisa e proteção da biodiversidade local, planejamento de conservação de biodiversidade, produção de sementes e mudas, acolhimento e destinação de animais silvestres feridos ou vítimas de tráfico (o CETAS - Centro de Triagem de Animais Silvestres), e, claro, tudo isso ainda oferecendo um espaço lindo cheio de verde 💚  Um dos jeitos de valorizar as plantas nativas e ter mais autonomia é pensar nas PANCS, as plantas alimentícias não convencionais. É bem provável que você já tenha ouvido falar nelas.

O professor Valdely Kinupp (que é um dos grandes nomes quando o assunto é PANC) fez uma pesquisa na região metropolitana de Porto Alegre e encontrou 1.500 espécies nativas, sendo que 311 delas (21%) podem ser consumidas como alimento e gerar renda. Provavelmente muitas delas crescem livremente em quintais, mas vão sendo eliminadas porque ninguém sabe do seu potencial!  

Como a gente adora mostrar o lado otimista aqui, muita gente anda botando a mão no mato (não ia fazer essa piada, mas não deu pra resistir). Tem muitos (muitos!) blogs bacanas e iniciativas falando sobre PANCs, ensinando como cultivar, cozinhar e como valorizar essas plantinhas com tanto potencial. Pra citar alguns: Outra Cozinha, Come-se, Jaca Verde, Crioula, Movimento Other Food e Projeto colaborativo Ka'a-eté, que mapeia PANCs. Concordamos com Glenn Makuta: comer é um ato político.

Tudo que a gente põe no prato tem uma história e é muito bom ter o poder de decidir qual história valorizar. Quando se pensa em meio ambiente, além de tirar a carne do prato, comprar na feirinha orgânica e fechar a torneira, é importante também apoiar políticas que valorizem os produtores locais e a conservação da nossa biodiversidade.

As instituições que trabalham com pesquisa nessa área são cada vez mais necessárias - a bióloga Paula Fagundes contou que as espécies nativas são um foco de estudo muito importante pra contornar a fome que será acentuada pelas mudanças climáticas (que já tão aí). Só assim a gente consegue chegar num patamar de soberania alimentar, aproveitando tudo que temos sem depender (e pagar caro) só das coisas que vem de fora.

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Da casca comestível aos vegetais feios: precisamos repensar nossa relação com a comida

Da casca comestível aos vegetais feios: precisamos repensar nossa relação com a comida

Encontre o erro nessa notícia:  “Empresa japonesa lança banana com casca comestível”

Não encontrou? Explicamos: não sabíamos que foi uma empresa japonesa quem inventou a banana, porque até onde se sabe, a casca da fruta sempre foi comestível. Esse lançamento no mercado japonês veio muito mais pra solucionar algumas das dificuldades de cultivo que eles têm por lá devido ao clima do que pra resolver a fome no mundo. Mas o olhar que as notícias pelo mundo tem dado é esse: AGORA você pode comer a casca da banana, olha que revolução. Tudo graças a essa super-fruta produzida de 10 em 10 unidades, vendida por cerca de R$18 e embalada em plástico. Uhul!  

Talvez pela quantidade de venenos aos quais as frutas são expostas a gente acabe esquecendo que as cascas da maioria dos vegetais são comestíveis - até a do Kiwi. Mas a maneira com que esses alimentos estão sendo vendidos, cada vez mais modificados com a intenção de resolver "problemas", pode também ser um problema. A casca da banana provavelmente não é tão apetitosa se você morder sem descascar (não recomendamos), mas contém vitaminas, nutrientes e rende várias receitas gostosas - se for orgânica, claro.

Então, esquecer que a casca é uma parte comestível é um grande desperdício. A gente já falou sobre isso por aqui, mas vale sempre relembrar: metade de toda a comida produzida no mundo é jogada fora, somando um total de 1,3 bilhões de toneladas, segundo as últimas estimativas da ONU. Enquanto isso, 795 milhões de pessoas sofrem por falta de comida. E o que isso tem a ver com a casca da banana, afinal? Quando se descarta uma casca de fruta ou verdura, boa parte do potencial nutritivo está indo pro lixo. É comida que você está desperdiçando. Se antes era sem saber, agora você já sabe e pode começar a pensar melhor e mudar. Toca aqui e vamo que vamo! o/\o   

Tá na hora de mudar a nossa relação com a comida. Antes de qualquer coisa, precisamos entender que somos privilegiados pelo acesso à fartura e ainda poder escolher o que queremos levar pra casa. Quer ver um exemplo? Os vegetais “feios”, que nem chegam ao mercado por não se enquadrarem no padrão estético Maçã da Branca de Neve. Quando você faz feira, leva aquela cenourinha com formato meio estranho ou nem chega a ver uma dessas entre um mar de cenouras parecidas? Ditadura da beleza até pra comida, parece brincadeira, mas é a pura verdade. Ou você acha que todas as batatas e tomates nascem iguais, perfeitinhos e uniformes?

Nos Estados Unidos, por exemplo, 52% de tudo que é produzido não chega ao prato do consumidor, sendo um dos fatores a estética. O The Ugly Fuit and Veg é um projeto que rende vários memes e legendas engraçadas no Instagram,  mas tem por trás uma campanha séria, ajudando quem quer encontrar produtinhos ~ feios e divulgando dados pra conscientizar a galera.

Aí surgiram aquelas iniciativas que a gente queria que virasse moda, tipo a Imperfect Produce com seu feed fofíssimo e um serviço de entrega de produtos diferentões pra quem sabe ver além das aparências. Aqui no Brasil tem a Fruta Imperfeita, com a mesma proposta: frutas e verduras custando a METADE do preço por não terem cara de artistas de cinema, mas com todo o seu sabor e potencial nutritivo.

Como saímos da casca da banana e chegamos aqui? Porque o assunto ainda é o mesmo. Mudar a nossa relação com a comida e o jeito que pensamos no que vai ou deixa de ir pro nosso prato. Temos um ebook com receitas que ensinam justamente a aproveitar todas as partes das verduras. É um bom começo pra quem quer aprender a pensar o consumo e viver sem desperdício. 

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