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Um dia em Gastown, Vancouver

Um dia em Gastown, Vancouver
Vancouver nasceu em Gastown, há exatamente 150 anos. Com apenas um barril de whisky e o dom de contar longas histórias, o marinheiro britânico John ‘Gassy Jack’ Deighton chegou na região em 1867, e abriu um bar próximo ao porto. O local ficava perto de ruas que na época concentravam “grandes empresas”, e atraiu vários trabalhadores. Logo, a região prosperou, e ficou conhecida como Gastown, em homenagem a Jack. 02-min No entanto, após a Grande Depressão de 1929, Gastown passou por dificuldades e se tornou um bairro decadente. Na década de 1960, alguns cidadãos começaram a se preocupar em preservar o bairro e sua arquitetura histórica, que, assim como outros bairros vizinhos, iriam ter seus prédios demolidos para dar espaço a uma freeway que conectaria o novo centro de Vancouver. Em 1971, mobilizações e protestos exigiram que o governo reconhecesse Gastown  como um local histórico. Finalmente, em 2009, o bairro foi considerado oficialmente patrimônio histórico nacional. Atualmente, Gastown é conhecida pela suas ruas pavimentadas com tijolinhos, prédios antigos restaurados, e pela sua diversidade. A região é uma mistura de cafés orgânicos e restaurantes internacionalmente reconhecidos, boutiques e lojinhas de souvenirs, galerias de arte nativa e studios de design, brechós e lojas de moda exclusiva. Nas ruas, vê-se residentes locais, imigrantes, turistas e moradores de rua. Gastown é o coração de Vancouver. 07-min Gastown é um bairro pequeno, mas cheio de vida. Em um dia, é possível explorar toda a região sem pressa. Não há regras - dá pra começar o dia fazendo compras, caminhando pelo porto apreciando a vista das montanhas (que podem ser vistas de qualquer rua da cidade), visitando os pontos turísticos ou explorando as galerias de arte locais. A ordem é apenas determinada pela estação: se for inverno, é importante lembrar que o sol se põe em torno das 16h30, então é melhor deixar para ver as atrações turísticas mais cedo. 06-min Há dois pontos de parada obrigatório para os turistas: a estátua de Gassy Jack e o relógio a vapor, que fica na esquina das ruas Cambie e Water. Em 1977, o relógio foi restaurado para reaproveitar o vapor que era despejado nas ruas e impedir que os moradores de rua dormissem no local nos dias frios. Depois de tirar algumas fotos típicas de turista no local, a dica é caminhar até o Vancouver Lookout no Harbor Center, para desfrutar de uma vista 360º panorâmica da cidade. Os ingressos são válidos o dia todo, então se comprar pela manhã, poderá voltar para ver o pôr-do-sol ou a noite (quantas vezes quiser!).
Vista do Vancouver Lookout Vista do Vancouver Lookout
Se seu interesse é em fazer compras, a região é cheia de lojas independentes e brechós incríveis, como o Lady Madonna, que vende uma variedade de roupas, acessórios e calçados vintage. A dona do local, que se apresenta por Lady Madonna, comanda o brechó sozinha, customiza algumas peças e está aberta a passar um bom tempo conversando com seus clientes. Outro brechó que não dá pra perder é o Community Thrift & Vintage, uma empresa social que direciona todo seu lucro a um centro comunitário que fornece moradia, atendimento e serviços de advogado a pessoas de baixa renda.
Lady Madonna Lady Madonna
Para quem curte arte e sapatos, o Six Hundred and Four é parada obrigatória, nem que seja só para olhar, já que os preços são bem salgados. O negócio tem como objetivo estampar em tênis peças de arte originais de artistas locais. Cada artista tem direito a apenas 604 pares de tênis, que são vendidos por cerca de 350 dólares canadenses. Uma pequena porcentagem do lucro é doada para instituições de preferência do artista.
Six Hundred and Four Six Hundred and Four
Já quem curte música deve passar na loja Vinyl Records, que conta com um acervo com mais de 50 mil LPs usados, de todos os estilos musicais. Dá pra passar um bom tempo explorando. E para quem quer presentear a família e nos amigos que ficaram no Brasil, Gastown é cheia de lojinhas de souvenir. A KimPrints é uma das mais legais da região, com uma variedade de quadros e peças de arte, cartões, lembrancinhas e um ótimo atendimento.
Interior da Vinyl Records Interior da Vinyl Records
Com tanto lugar para ir, é importante fazer uma pausa durante o dia para almoçar, nem que seja só um lanche, como é muito comum no Canadá. Embora seja uma das cidades canadenses com maior custo de vida, Vancouver é cheia de restaurantes e cafés deliciosos e super em conta - e o melhor de tudo: a maioria abre para o almoço e fica aberto até bem tarde. O Tacofino é um dos restaurantes mais conhecidos da costa oeste canadense. O negócio inicou como um foodtruck em Tofino, uma das mais famosas praias da região, e hoje tem trucks e bares também em Vancouver e Victoria. O local é famoso pelos seus fish tacos que, diga-se de passagem, são uma delícia. No espaço em Gastown, há opção de entrar e sentar, ou de takeaway. Nessa última, a sensação são os burritos, e há opção vegana. Cada taco custa em média 6 dólares, e os burritos ficam na faixa dos 10. O local fica aberto até a meia noite. Vancouver não decepciona ninguém, muito menos os veganos. O MeeT é um dos restaurantes/cafés mais legais de Gastown. Todos os itens do menu - que vende risotos, massas e burgers - são veganos e a maioria é sem glúten. O preço de uma refeição fica na faixa dos 10 a 15 dólares. O local fica aberto das 11 da manhã às 11 da noite nos dias de semana. 13-min Uma dica para os amantes da culinária chinesa, é caminhar para o bairro vizinho, Chinatown, e aproveitar a quantidade e variedade de restaurantes chineses da região. Dá pra comer muito bem por muito pouco - raramente uma refeição completa sairá por mais de 10 dólares. Para quem prefere uma cozinha mais local (e barata), o Warehouse é um pub/bar que vende qualquer comida do menu por 4,95 dólares. Parece loucura? Vancouver é cheinha de lugares assim. Dependendo do prato, a quantidade de comida é modesta, mas se você pedir um burguer, por exemplo, pode ter certeza que não irá passar fome. O local fica aberto até às 2 da manhã, e tem uma vibe de pub, com música mais alta, então a dica é deixar para ir lá à noite, e, se quiser continuar até de madrugada, seguir para uma casa noturna ou um pub na região. 04-min E, para os mais aventureiros, Gastown não deixa a desejar. A primeira dica não é nenhuma novidade: a maconha para uso medicinal no Canadá já é legalizada há algum tempo. No entanto, agora qualquer pessoa com mais de 19 anos - turistas também! - pode comprar maconha em um dos muitos dispensários espalhados pela cidade, desde que apresentem um documento de identificação. E em Gastown, claro, há alguns deles. E também um local chamado New Amsterdam Café, que para quem nunca visitou a capital holandesa, é no mínimo interessante. Quem tiver um pouco mais de tempo pela cidade - ou sorte de conseguir um horário no mesmo dia - uma dica valiosa é visitar a Float House. Para quem já assistiu a série Stranger Things, do Netflix, os tanques de privação sensorial talvez sejam familiares, mas a maioria das pessoas ainda não conhecem ou ouviram falar deles. O primeiro tanque foi criado por um médico psicanalista e neurocientista na década de 1950, e desde então têm sido utilizados para relaxamento, experiências com drogas, e como medicina alternativa. E claro, eles existem em Vancouver. Não, não há drogas envolvidas. O espaço oferece, além da flutuação no tanque, massagens terapêuticas e outros serviços de relaxamento. Como funciona, afinal? Uma sessão custa em média 60 dólares e dura 90 minutos. Cada pessoa entra em uma sala, tira a roupa, toma banho e entra no tanque. Cada tanque tem espaço para uma pessoa deitada, geralmente com 25cm e 35cm de água e 327 a 544 kg de sal de Epsom (sulfato de magnésio). A grande quantidade de sal permite que qualquer pessoa flutue sem o menor esforço, e a temperatura da água e do ar dentro do tanque, que são ajustados para ficarem próximos à temperatura do corpo, que faz com que não seja possível distinguir entre as partes do corpo que estão imersas e as que não estão. O tanque é à prova de som e completamente escuro. O objetivo é não sentir nada, e ficar em contato apenas com a sua consciência. Uma das experiências mais ricas para se ter em Vancouver. Gastown não tem grandiosas atrações turísticas nem museus gigantes para passar horas dentro. O charme do bairro é exatamente esse: um lugar acolhedor, plural e repleto de pequenas grandes experiências. Das múltiplas sensações ao desligamento sensorial, é fácil se apaixonar por Gastown.   Continue lendo

Um dia em Parkdale, Toronto

Um dia em Parkdale, Toronto
Toronto é a cidade mais importante do Canadá, a quarta maior área metropolitana da América do Norte com 6 milhões de habitantes e uma das cidades mais multiculturais do mundo. Viver aqui é como viver um pouco de cada lugar do mundo. Uma das avenidas principais de Toronto, a Queen St. West, é considerada uma das ruas mais bacanas do mundo pela Revista Vogue. Na Queen tem uma concentração de lojas incríveis, galerias de arte, restaurantes e cafés maravilhosos, mas por ser um pouco longa para apenas um dia, vamos focar na parte mais vibrante e cool da Queen: o bairro Parkdale. O Parkdale é o último bairro da Queen St. W. e recentemente tem atraído ainda mais atenção dos torontoniansCliché definitivamente não tem chance aqui. Turistas são raros. O bairro é o coração de artistas locais, alternativos, e empreendedores em busca de um lugar autêntico e original para morar, viver, trabalhar e curtir Toronto com todo seu potencial. Café da manhã: Comece o seu dia no Capital Espresso, um dos primeiros cafés independentes e locais da cidade. O dono do café trabalhou como barista em muitos lugares até abrir de vez o seu próprio empreendimento. Esse café é ponto de encontro a galera do bairro e frequentado por muitos profissionais criativos que buscam por um lugar aconchegante e inspirador para trabalhar. IMG_5163 No final do café você encontra um salão de beleza super despretensioso e escondido: o pessoal entra pra tomar um espresso e sai de lá com um novo corte de cabelo! E porque não né? A Leesa Berry é hiper descolada e corta o cabelo de todos os moderninhos da cidade. Brechós: Definitivamente o Parkdale reune vários lojas incríveis de vintage e roupas de segunda mão. Logo na frente do Capital Espresso, tem a Common Sort, uma thrift store cheia de acessórios e roupas em ótimo estado. A maioria das peças não passa de $20 dólares. A The Future of Frances Watson é uma loja que vende peças antigas e marcas mais atuais, focando na velha mistura high-low. Logo mais adiante, você encontra também uma pop up coletiva chamada The Everyday. Esse projeto reúne artistas locais que produzem coisas bacanas mas não necessariamente tem um espaço para expor. Toda semana mudam as lojas e artistas, trazendo sempre super novidades por lá. As peças tem uma ótima curadoria e os preços bem acessíveis. Almoço: No Parkdale está um dos melhores mexicanos da cidade: o Grand Eletric. Lugar hiper disputado, que une um ambiente bacana e preços convidativos, eles tem um menu de dar água na boca. Não deixe de experimentar o guacamole e o taco de couve-flor! Yumm! Se conseguir sentar no patio escondido no final do restaurante, melhor ainda! : ) IMG_5292 Workshops de um dia (ou melhor, duas horas): Depois da paradinha estratégica para almoçar, aproveite que está no bairro e faça um curso de terrário no Crown Flora. Crown Flora é uma das lojas mais lindas de plantas da cidade. Só de visitar a loja já vale a pena. É lindo demais, eles tem plantas super exóticas e viraram referência em plantas tropicais e suculentas em Toronto. Logo atrás da Crown Flora, você pode andar pelo Milky Way, uma viela super escondida, cheia de graffitti e menos conhecida que a famosa Graffiti Alley, que fica na parte mais turística da Queen St West. Lugar super inspirador para tirar fotos diferentes e andar por um lugar mais tranquilo e arborizado. Se plantas não é definitivamente algo que te atrai, no Parkdale rola sempre um outro workshop super conhecido de costura. Nada careta e com ideias super modernas, o Workroom Studio ensina técnicas de costura para quem nunca pegou em uma agulha, quiça em uma máquina. Com alguns cursos básicos de duas horas, os clientes saem especialistas em fazer algum produto específico, por exemplo, saia em modelo A. Além disso, eles tem uma seleção de tecidos lindos, delicados, com estampas muito originais e vários importados do Japão. Quem é louco por tecidos estampados vai amar! Chá das 5: Depois de fazer um workshop e explorar um dos becos mais legais da cidade, é hora de conhecer uma das hidden gems de Toronto: a The Kitten and Bear, lugar conhecido como as melhores geleias que se tem notícia até hoje. Eles fazem todo o processo artesanalmente lá mesmo, e o sucesso é tanto que além de vender na loja própria no Parkdale, eles também fornecem os produtos para as confeitarias e restaurantes mais legais da região. Ao contrário dos muitos cafés bacanas (e barulhentos) da cidade, esse lugar é um oasis de paz e tranquilidade, perfeito para recarregar as energias depois de um logo dia cheio de atividades. Eles servem chás no local e a experiência é única. Peça o chá para um (ou para dois, se tiver acompanhado), e sente na janela para acompanhar o movimento do bairro e apreciar o aroma da loja enquanto eles produzem mais geleias. Ainda dá pra levá-las como um souvenir super original de Toronto. Todo mundo ama. Recomendo! IMG_5731 Lojas: A maioria das lojas do Parkdale são de empreendedores e artistas locais, o que definitivamente faz tudo se tornar especial. No final da Parkdale indico duas lojas lindas, a Cambie Design (loja com produtos do Chile, super coloridos e muito de bom gosto), e a Kid Icarius (uma papelaria e loja de posters feitos em Toronto). Noite: Se ainda tiver energia depois de um dia cheio por lá, vale a pena comer algo no Parts & Labour e esticar para a baladinha que rola no térreo do restaurante depois das 11 da noite. A galera é animada e a música rola solta. Uma pena que a vida noturna acaba as 2 da manhã em Toronto. Mas tirando isso, diria que a cidade é o paraíso para morar! Quem sabe você fica bem mais de um dia por aqui, hein? IMG_5811   EXTRA: No verão, uma vez por mês também rola uma Feira de Antiguidades, o Parkdale Flea. Vale muito a pena ir. Para saber mais sobre, clique aqui. E sim, faltaram muitas outras coisas legais sobre Parkdale e Toronto, se quiser saber mais dicas, me segue no Instagram @ledavolli. Se algum dia vier pra cá, não seja tímido e me convide para tomar um café. Vou adorar te conhecer. --   O Parkdale começa na ponte da Queen St. W com a Dufferin e vai até o final da Queen, onde começa a Roncesvalles   Sites: Para conhecer o Parkdale e Toronto sem sair de casa, clique aqui.   Lugares citados no post:   Capital Espresso: http://capitalespresso.ca/ Leesa Berry Hair Studio: http://www.leesahair.com/ Common Sort: https://www.facebook.com/commonsort The Future of Frances Watson: http://tfofw.com/ The Everyday: http://www.vacantful.com/projects/theeveryday/ Crown Flora Studio: http://crownflorastudio.com/ Milky Way Alley (atrás da loja Crown Flora) The Workroom: http://www.theworkroom.ca/ Grand Eletric: http://www.grandelectricbar.com/ The Kitten and Bear: http://www.kittenandthebear.com/ Cambie Design: http://cambiedesign.com/ Kid Icarus: http://kidicarus.ca/home/home/ Parts & Labour: http://www.partsandlabour.ca/#about   - Outras dicas do Parkdale que não couberam no post, mas vale a visita:   Glory Hole Doughnuts: a melhor rosquinha da cidade http://www.gloryholedoughnuts.com/ Rustic Cosmo Café: brunch para vegans e não vegans https://www.facebook.com/pages/Rustic-Cosmo-Cafe/122857811063419 The Tempered Room: o mais novo café do bairro, fantástico http://www.thetemperedroom.com/ Continue lendo
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