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Green Friday: vamos seguir com essa conversa?

Green Friday: vamos seguir com essa conversa?

Lá no final de 2017, mais precisamente no final de novembro, lançamos um vídeo explicando ponto a ponto quanto custa fazer um sapato da Insecta. Lembra? Foi a nossa ação de Green Friday do ano, onde resolvemos nos posicionar e explicar por que não fazemos super promoções na data (se você não ficou por dentro, clica aqui pra dar uma lida no post e ver o vídeo). Durante os dias em que falamos (ou martelamos) sobre o assunto, vocês se engajaram. A resposta foi ainda melhor do que a gente imaginava. Nossos posts abriram um debate importantíssimo, várias questões foram levantadas, respostas foram cobradas (com amor, a gente sabe) e queremos seguir essa conversa. Vamos ponto a ponto, de um jeito bem objetivo?

 

  • A black friday tem os seus prós e contras. Um pró seria dar chance pra quem não tem grana conseguir comprar um produto desejado.

Concordamos, mas em parte. Entendemos que muita gente espera por momentos de promo pra conseguir comprar. E não deixamos de dar oportunidades e descontos, não. Temos uma seção no site só com sapatos com 30% de desconto, tem 10% na primeira compra e eventualmente rolam códigos de desconto pra pares selecionados. Mas mesmo assim, pensamos que o caminho pra deixar as coisas mais acessíveis não é aderir a uma data emblemática do consumismo, e sim, pesquisar maneiras de trazer produtos mais acessíveis. E estamos fazendo isso ;)

 

  • A Insecta não é acessível pra todas as pessoas, o que faz que o conceito de sustentabilidade pareça elitista.

Infelizmente, hoje em dia quem produz do jeito “errado” ainda é maioria e esses produtos saem mais baratos. Toda a nossa cadeia produtiva é remunerada, e são várias pessoas envolvidas. Cada sapato é montado à mão, não produzimos em escala. Isso nos diferencia de muitas marcas, e cuidar de cada elo dessa cadeia tem um custo. Sabemos que o nosso preço ainda não cabe em todos os bolsos e estamos trabalhando numa solução pra isso. Nossa ideia é criar produtos com menos consumo de material e de produção mais simplificada para baixar o custo e disponibilizar por valores mais acessíveis. Dito isso, já avisamos: vem novidade por aí!

 

  • As pessoas não vão deixar de consumir as promoções se a gente não aderir à data.

Comprar ou não é uma decisão de cada um. O que nós queremos é ajudar a trazer um olhar mais crítico, mostrando que consumir só por consumir não faz bem a ninguém. A indústria da moda é, atualmente, uma vilã em termos ambientais. São milhões e milhões de tecidos e roupas descartadas todos os anos. Pilhas de peças sem uso compradas por impulso e depois só “jogam fora” indo pra lixões. Pessoas trabalhando em condições degradantes pra garantir mais peças em menos tempo. A gente também quis mostrar com a campanha que baixar muito mais os preços é inviável pra empresa, e que não faríamos isso só porque ~ todo mundo tá fazendo.

 

  • E os produtos que estão na seção liquida do site?

Às vezes alguns produtos que acabam demorando muito para vender. Então, quando precisamos abrir espaço nos estoque para novas estampas ou modelos, colocamos pares mais antigos em liquidação. Pra dar aquele empurrãozinho, sabe? Ao contrário de outras marcas, não trabalhamos com coleções sazonais, então não temos a virada onde pares antigos vão para um depósito. Nós temos apostas certeiras, justamente pra nada ficar "encalhado". Quando liquidamos, perdemos um pouco de margem na venda, claro, mas é melhor que esses produtos sejam vendidos assim do que fiquem parados no estoque.

 

  • Tornar os produtos ecológicos e os conceitos de veganismo e sustentabilidade acessíveis é importante.

Sim, muito! Quanto mais pessoas tiverem acesso, melhor pra elas e melhor para o planeta, não é? Por isso, precisamos ter uma graninha pra investir na empresa, em pesquisa, em profissionais qualificados que nos ajudem a trazer soluções. Como contamos lá no post da Green Friday, o que mais queremos é ter um lucro estável pra no futuro poder ter uma fundação e virar um negócio social, onde parte desse valor será revertido para o planeta e a sociedade como forma de impacto positivo.

 

  • Como uma empresa que depende das vendas para sobreviver pode se posicionar contra o consumo?

Não somos uma ONG, somos uma empresa. Mas somos uma empresa que busca usar o seu alcance para também fazer o bem. Se não fossem os lucros, a gente não conseguiria chegar a lugar algum. A discussão aqui é sobre a forma que a maioria das empresas lida com o lucro (e como muitas vezes tem que vir a todo custo). Não nos posicionamos contra o consumo, mas sim contra o consumismo. Contra comprar muito por valores muito baixos, porque nessa equação geralmente alguém sai perdendo (o planeta, as pessoas, os animais...) O nosso crescimento depende diretamente do volume de vendas, sim, mas isso não significa que a gente queira que você compre um sapato que não precisa só por comprar.  

E a conversa para por aí? Esperamos que não! Estamos sempre disponíveis pra responder dúvidas e levar essas e outras questões mais adiante no hello@insectashoes.com.   Aqui na Insecta nós sempre falamos que temos a humildade de entender que não vamos conseguir mudar o mundo. Mas fazemos o melhor possível pra ajudar, e te convidamos pra fazer parte dessa mudança. :)

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Como uma caneta pode fazer a gente repensar nossos hábitos

Como uma caneta pode fazer a gente repensar nossos hábitos

Quando o meio ambiente entra em pauta, ultimamente se fala muito sobre plástico. Mas isso não quer dizer que deixamos de pensar em poluição do ar, não. Essa palavrinha ~poluição~ parece até um pouco batida, de tanto que a gente ouve desde os tempos de escola, mas é um sério problema. E não é algo controlado. Só piora.

Em 2015, a Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório que falava da urgência em reduzir as emissões de gases poluentes. Além de serem causadores de mudanças climáticas, são ligados a 7 milhões de mortes todos os anos. Em seguida, foi a vez do Banco Mundial publicar o seu relatório, em 2016. Segundo eles, a poluição atmosférica é o quarto fator de morte prematura no mundo. O ar contaminado causou a morte de 2,9 milhões de pessoas em 2013. As doenças causadas pela poluição ambiental são responsáveis por uma morte em cada dez todos os anos.  

Mas parece que só falar esse monte de número (incrivelmente) não causa tanto impacto como se tiver uma prova visual. Lá na Índia, onde nas grandes cidades o nível de poluição é assustador, um grupo de inovação desenvolveu uma caneta que usa tinta feita de fuligem.

Para fazer a Air-Ink, eles usam um dispositivo acoplado em escapamentos e chaminés para coletar as emissões. Toda a fuligem é tratada para remover metais pesados e poluentes cancerígenos, e em seguida vira ingrediente principal dessa tinta atóxica. A fabricação tem uma grande vantagem: eles não só tiram fuligem do ar, mas também deixam de emitir CO2 ou queimar combustíveis fósseis na produção dos ingredientes da tinta. Eles pegam um elemento que está literalmente flutuando por aí e aproveitam pra fazer algo que é útil, e ainda com essa pegada de conscientização.

O problema virando arte

de fuligem a tinta

Fazendo a tinta eles chegaram a uns números bem impactantes. Cada 45 minutos de emissão de poluentes podem virar 30ml de tinta, que equivale a uma caneta comum. Imagina quanta caneta sairia de um dia numa cidade grande? Quantas pessoas dariam conta de usar tudo isso? O recado que fica é esse. Só no Brasil, são 51.296.981 automóveis e 20.942.633 motocicletas, segundo uma pesquisa de 2016 do IBGE.  

Reduzir as emissões é necessário, tanto quanto parar de usar canudinho de plástico. São novos hábitos que a gente precisa - urgente! - adotar. Aqui na Insecta a gente também procura fazer o máximo possível. As nossas entregas do ecommerce são feitas de bicicleta na cidade de São Paulo, uma metrópole conhecida pelo alto índice de poluição atmosférica. O pessoal que trabalha por aqui também prioriza a bicicleta, sempre que possível, como transporte para ir até os escritórios.

E a gente quer te convidar pra fazer as suas próprias revoluções também. Pense em organizar ou usar carona, usar o transporte coletivo ou a bicicleta quando puder. Deixe o carro em casa durante a semana e quando for viajar, procure saber se tem mais alguém indo para o mesmo lugar que você para aproveitar ao máximo os lugares. Tem vários aplicativos de carona solidária pra te ajudar a se organizar (Bynd, Caronetas, Blablacar, Carona Direta e Meleva, só pra citar alguns) e ter menos carros indo pro mesmo lugar.

Editorial Monóxido

Do nosso editorial "Monóxido"

Pra se aprofundar mais nessas ideias e saber como se engajar, dá um pulo nesse post aqui, que a gente deu várias informações sobre as questões climáticas. Vamos repensar maneiras de fazer coisas e começar a questionar? Como no caso da tinta da caneta, às vezes a solução está (com o perdão do trocadilho) flutuando no ar.

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