Calce Uma Causa

Quando o algodão é orgânico e fairtrade todo mundo sai ganhando

Quando o algodão é orgânico e fairtrade todo mundo sai ganhando
O algodão é a segunda fibra têxtil mais produzida no mundo. Fica só atrás do poliéster. É um negócio bilionário, já que o algodão está por toda parte, não só nas nossas roupas, mas os pequenos produtores estão levando a pior. A Fairtrade Internacional divulgou faz pouco tempo os resultados de uma pesquisa que comparou os impactos socioambientais do plantio de algodão convencional e orgânico com a certificação de comércio justo, ou fairtrade. Eles concluíram que os custos socioambientais do fairtrade são 5 vezes menores do que o convencional. Essa pesquisa analisou impactos ambientais e sociais em famílias rurais na Índia, um dos maiores produtores mundiais de algodão. Segundo eles, a melhoria mais significativa é a social. Agricultores certificados recebem pagamentos mais dignos, assim como benefícios para a comunidade, como acesso à educação para as crianças. Nas questões ambientais, o orgânico certificado bate o convencional em todas as categorias, menos uma: o tamanho da área necessária para o cultivo, já que o rendimento de plantações orgânicas é menor do que o convencional, por depender mais de fatores naturais. Sim, a gente também acha que o fato da própria organização Fairtrade ter conduzido o estudo pode ser questionável, já que eles podia estar puxando pro seu lado. Mas a verdade é que todo mundo já percebeu que a produção de algodão do jeito que está se tornou insustentável. Por exemplo, lembra quando falamos sobre os impactos de uma camiseta de algodão? Só pra relembrar, são 2.700 litros de água envolvidos na produção de uma peça. Além disso, o algodão convencional usa 10% dos agrotóxicos e 25% dos pesticidas de todas as plantações. Isso sem mencionar os transgênicos, que dominam a produção de algodão no mundo. São sementes são muito caras, e os produtores pequenos precisam recorrer a empréstimos para terem acesso. Enquanto isso, as sementes de algodão normal se tornaram praticamente indisponíveis para os agricultores indianos por causa do controle da Monsanto do mercado de sementes. Ainda por cima, as plantações menores não possuem sistemas de irrigação de alta tecnologia e dependem das chuvas. Quando o clima não ajuda, não tem colheita, não tem como pagar os empréstimos, e muitos perdem as suas fazendas por conta das dívidas. Tudo isso leva a uma relação direta ao crescimento de suicídios de fazendeiros na Índia (uma média de um a cada 30 minutos), dado levantado pelo documentario Bitter Seeds Então, mesmo podendo ser um pouquinho - ou muito - tendencioso, esse  estudo da Fairtrade serve pra nos lembrar de todas essas questões e levantar discussões sobre formas de produzir. Além disso, ajuda as marcas (não só de moda) a entenderem que elas também possuem responsabilidades sociais e ambientais. E fica aquele recado pro consumidor, que não pode nunca parar de exigir transparência. Pra quem quer saber mais sobre a certificação Fair Trade, a gente contou mais nesse post aqui. 
Continue lendo

Entendendo Sua Roupa Desde A Fibra

Entendendo Sua Roupa Desde A Fibra
Saber sobre a mão de obra e o lugar onde sua peça de roupa foi confeccionada (ou seja, transformada de tecido em peça) é importantíssimo, por isso que nós falamos sempre sobre isso por aqui. Mas é importante também ficar atento à fibra que compõe a peça que você está levando para casa e entender de onde ela veio. Primeiro, vale esclarecer que a fibra é o material do qual é composto o tecido das roupas, e que descobrir de qual fibra é feita cada peça não é difícil, basta olhar na etiqueta de composição (a mesma etiqueta que vai te contar como você deve cuidar da sua peça em casa). O segundo passo é entender o tecido e do onde ele veio – da árvore? Do petróleo? Do animal? – e como foi o processo de transformação de matéria prima em fibra. O processo de produção das fibras pode ser extremamente danoso – como é o caso do algodão ou couro – ou bem mais eco-friendly e consciente. Aqui, nós te contamos aos detalhes sobre as 5 fibras mais eco-friendly disponíveis no mercado e por que optar por elas pode te ajudar a preencher mais uma base do ‘diamante da compra consciente’, que mostramos no post “como praticar moda ética na hora de ir às compras?”.   1 - Lyocell O lyocell é um tipo de fibra extraída de árvores específicas e certificadas com o selo FSC™ (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal). São árvores que crescem muito rápido e precisam de pouca água e poucos pesticidas durante o plantio, além de todo o processo de produção da fibra ser eco-friendly, livre de químicos e produtos tóxicos. O lyocell é uma fibra obtida através da transformação da celulose (polpa da árvore) em fibra, igual ao processo de obtenção da viscose. Porém, além da viscose ser normalmente extraída de árvores nativas, seu processo de produção pode ser muito tóxico e poluente, diferente do processo do lyocell. Existem dois tipos de fibras feitas através do lyocell:   - Tencel® Extraído de eucaliptos certificados com o selo FSC™, o Tencel® foi criado e patenteado pela empresa austríaca e eco-friendly Lenzing. O processo de produção do Tencel® tem ciclo fechado, isso significada que tudo é reciclado e nada é desperdiçado. Esse processo especial recebeu o prêmio europeu "European Award for the Environment". Além disso, tecidos de Tencel® são mais resistentes e absorventes que tecidos feitos de algodão, mais suaves que tecidos de seda e mais frescos que tecidos de linho. Ciclo fechado: closed_loop - Monocel® Obtido através do mesmo processo do Tencel®, com a diferença de ser extraído de bambus certificados com o selo FSC™. O bambu é uma espécie de grama abundante na natureza, especialmente na China, e que cresce de maneira orgânica, sem necessidade de água e pesticidas, e com muita rapidez – algumas espécies de bambu chegam a crescer um metro por dia. A diferença do Monocel® para os tecidos comuns de viscose de bambu é o processo de produção, que, diferente da viscose, se assemelha à produção do Tencel® - é eco-friendly, tem ciclo de produção fechado e precisa de muito menos energia para ser produzido.   2 - Modal Também da Lenzing, o Modal® é obtido através de um processo de produção simbiótico e auto-sustentável, a partir da extração da polpa das espécies de árvores Faia (beech) da Áustria. Chamado de tecnologica Edelweiss, seu processo é excepcionalmente ecológico porque a extração da polpa da faia é feita no mesmo local que a produção da fibra. A empresa explica: “A integração completa no local da Lenzing na Áustria torna possível produzir a fibra de uma forma ambientalmente correta devido à geração de energia excedente e a valorização de componentes da madeira. Mesmo a produção de celulose da Lenzing é auto-suficiente em termos de energia e é um importante fornecedor de energia para toda a operação”. Além disso, o Modal® é uma fibra macia e brilhosa, que absorve bem as cores e tem boa durabilidade, o que o torna excelente opção para malhas leves e frescas.   3 - PET Reciclado O tecido de PET reciclado não é novo, desde 2001 já se fala na transformação de garrafas PET em fios de poliéster para moda, mas foi só agora, com a tecnologia que alia o fio de poliéster ao de algodão mais avançada, que o tecido começou a ganhar mais apelo na moda. No ano passado, a G-Star RAW lançou sua primeira coleção RAW For The Oceans, com tecidos compostos de 30% de fios de poliéster provenientes de garrafas PETs recolhidas dos oceanos (iniciativa da Bionic Yarn e Parley For The Oceans). Segunda a diretora de marketing da G-Star RAW, Tracey Waters, a ideia é que essa porcentagem aumente nas próximas coleções e os tecidos ganhem maior quantidade de poliéster reciclado sem perder o toque e o conforto. Recentemente, a Adidas divulgou seu novo tênis feito com o mesmo poliéster reciclado, também em colaboração com a Parley For The Oceans, que deixou todo mundo intrigado e querendo um par. Por enquanto, é só um protótipo, mas a expectativa é que o tênis chegue ao mercado muito em breve. A Insecta, inclusive, já fez versões de PET reciclado para seus besouros. Obviamente que acabaram tão rápido que não deu nem para o cheiro, mas a promessa é de que venham outras edições de PET por ai. Pra ficar atento.   4 - Algodão orgânico Nós já contamos aqui sobre os problemas que a produção de algodão vem causando no mundo (secas, desmatamento, uso pesado de materiais poluentes e desvalorização da mão de obra). Todos os tecidos listados nesse post são ótimas alternativas para o algodão convencional, e o algodão orgânico é mais uma delas. Durante o plantio do algodão e produção da fibra, não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos. Para ser considerado orgânico, o produto tem que ser produzido em um ambiente de produção orgânica, onde se utiliza como base do processo produtivo os princípios agroecológicos que contemplam o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais. O algodão orgânico tem o mesmo toque suave do algodão normal, a principal diferença entre eles, além do vital processo de produção, é a qualidade e durabilidade da fibra. Tecidos produzidos a partir de algodão orgânico são um pouco mais delicados e tendem a perder a forma com mais facilidade, estudos e pesquisas nesse campo já estão em andamento para melhorar o desempenho da fibra e torná-la ainda mais atraente para a indústria.   5 - Outras fibras recicladas Algodão, seda e lã são todas fibras passíveis de serem transformadas em roupas novas através de um processo inverso: descosturar, cortar e transformar o tecido em novos filamentos de fibra para daí produzir um novo tecido que será transformado em uma nova peça. Uma das primeiras grandes marcas que começou a recuperar roupas velhas para transformar em roupas novas foi a gigante do fast-fashion H&M, mas o processo ainda é muito trabalhoso e precisa ser aprimorado. Por exemplo, uma peça só pode ter 30% de algodão reciclado, os outros 70% precisam vir de fibras virgens – é melhor que nada, mas ainda é muito pouco. Outro ponto de vista sobre as fibras recicladas, nós podemos ver no documentário de 15 minutos Unravel, onde o diretor Meghna Gupta acompanha todo o processo de reciclagem das roupas que são despachadas do ocidente para o oriente e transformadas em cobertores, que depois são despachados novamente para o ocidente. São toneladas e mais toneladas de roupas, desconstruídas através das mãos de diversas mulheres indianas que pensam que não temos água para lavarmos nossas roupas, por isso jogamos elas fora e compramos outras: “Talvez a água seja muito cara para lavá-las”. É interessante e mostra, novamente, o quanto precisamos nos reconectar com o processo de produção e pós-consumo das nossas peças de roupa.

  Continue lendo

X vinnu_lennartc

Opssss

A gente tá trabalhando em algumas novidades e por isso a loja estará instável das 16h as 18h.

Logo, logo estaremos de volta, tá!