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Stella McCartney, o couro e críticas ao mercado de luxo

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Stella McCartney, o couro e críticas ao mercado de luxo

O mercado de luxo parece passar imune às críticas quando o assunto é sociedade e meio ambiente. Quando falamos sobre todos os milhares de problemas envolvendo a indústria da moda, as grandes redes e varejistas fast-fashion são frequentemente atacados. Enquanto isso, as marcas de luxo mais relevantes continuam sob o radar.

Sem sombra de dúvidas o mercado de fast-fashion tem uma responsabilidade enorme em relação aos danos socioambientais da moda, e foi ele também quem obrigou marcas de luxo a entrarem no jogo frenético atual de diversas coleções por ano e novidades semanais nas lojas, tornando todo o sistema quase insuportável e expulsando veteranos do segmento do jogo.

Entretanto, é um mercado que não apresenta perdas. Ano após ano os grandes conglomerados de luxo crescem, seus ganhos aumentam, eles vendem mais produtos e representam bilhões de dólares (mais especificamente 267 bilhões de euros em 2013) dentro da indústria da moda. Por outro lado, é um mercado estagnado no quesito tecnologia e não vem fazendo absolutamente nada para minimizar seus impactos.

Não é de se estranhar que a londrina Stella McCartney tenha se tornado um tipo de “deusa” dentro desse segmento. Sendo a única a abordar questões de sustentabilidade na moda e colocando em prática suas crenças, ela desafiou um de seus mais importantes stakeholders, o grupo Kering, responsável por grandes marcas como Gucci, que detém parte da marca, a se adequar e abrir os olhos para essas questões.

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Isso significa que seu caminho até o sucesso de hoje não foi fácil. Em 2004, Stella recebeu um ultimato e se as vendas não subissem, a Kering abriria mão da marca. Um dos grandes desafios, o qual Stella admite ser um desafio até hoje, é não usar couro quando todas as grandes marcas de luxo dependem de seus artigos de couro para gerar lucro. “As marcas de luxo praticamente não vendem roupas. Você entre em uma loja de luxo e vê duas araras de roupas, o resto são bolsas, sapatos e outros itens de couro.”

O couro é 20x mais prejudicial ao meio ambiente do que qualquer material natural ou sintético, com exceção do PVC. Por esse motivo, e pelo fato de ser vegetariana, a designer nunca trabalhou com couro – nem em suas coleções, nem em suas parcerias. Isso, absolutamente, torna seus acessórios menos desejáveis. Prova disso, em 2010, sua bolsa Fallabella se tornou uma it-bag, caindo nas graças de celebridades e pessoas interessadas em moda. Além do couro, uma série de iniciativas tornam Stella McCartney uma das únicas, senão a única, marca de luxo realmente comprometida com a sustentabilidade.

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A chefe de sustentabilidade da marca, Claire Bergkemp, explica o quanto isso é incomum nas empresas de moda, principalmente no segmento de luxo: “Para muitas empresas, é só um brilho extra. Ou é manutenção de risco. Eles fazem porque não querem problemas”, diz ela. “Trabalhar em um lugar assim onde é parte do negócio, onde você tem um CEO que se importa com isso, onde Stella se importa com isso – é realmente incomum”.

Críticas tímidas aparecem endereçando essa ausência de atitude por parte das marcas de luxo em sites especializados no assunto e vez ou outra algum escândalo maior vem à tona. Falta de representantes mulheres em cargos de chefia, descaso com artesãos responsáveis por produzir grande parte de seus produtos, e maltrato a animais são algumas delas. Porém, nada disso tem sido suficiente para pressionar essas empresas em busca de melhorias. Nós precisamos falar sobre os problemas do fast-fashion, mas precisamos também falar da inércia do mercado bilionário de luxo.

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