"Se faltar paz, Minas Gerais": 10 artistas mineiros que são brisa pros ouvidos

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"Se faltar paz, Minas Gerais": 10 artistas mineiros que são brisa pros ouvidos
“Se você ficar sozinho/ Pega a solidão e dança/ Se faltar a paz/ Se faltar a paz, Minas Gerais”: os versos de “Três Dias”, do Marcelo Camelo, nunca fizeram tão sentido. Depois de pesquisar à fundo o cenário musical mineiro, ficou claro o motivo de tamanha admiração por um lugar que já nos presenteou com Clube da Esquina, João Bosco e Ary Barroso, e que hoje floresce novos sons. Separamos uma leva de 10 artistas dessa nova safra, que você vai gostar de ouvir :)   1 - GUSTAVITO Gustavo Amaral, o Gustavito, não é um nome novo na cena independente de Belo Horizonte, mas merece destaque nessa lista por estar sempre ajudando a reinventar a cena local. No ano passado, por exemplo, o  músico participou como cantor e violonista do bloco “Pena de Pavão de Krishna”. O movimento cultural, social e político vem transformando o carnaval de rua de BH com a sua celebração singular feita com mantras e clássicos da MPB em ritmo de Ijexá - ritmo africano, comum no candomblé. De quebra, as referências afro-brasileiras e indianas do bloco serviram de influência para o último disco de Gustavito e a Bicicleta - nome da banda que o acompanha. “Quilombo Oriental” tem uma sonoridade brasileira, alegre e solar, que alegra qualquer dia cinza :) Gustavito   2 - NOBAT Luan Nobat é outro músico mineiro que se reinventou um tanto no ano passado. Em 2012, ele ficou conhecido pelo ótimo “Disco Arranhado”, que veio recheado de jogos de guitarras, batidas e vozes rápidas. Parece que o tempo fez Nobat desacelerar. Em 2015, ele lançou seu segundo disco, “O Novato”, com um viés bem mais delicado. Se você procura por músicas alegres, meigas e bonitinhas, esqueça. O álbum é denso, intenso e dono de uma psicodelia própria. E ainda rolam participações especiais do Hélio Flanders, da Vanguart, e de Tatá Aeroplano <3 Nobat   3 - JONATHAN TADEU Jonathan Tadeu é fotógrafo, videomaker, músico e integrante do coletivo artístico Geração Perdida - grupo mineiro de músicos, poetas e artistas visuais que produzem arte colaborativamente. Mas, acima de tudo, é apaixonado pelo estilo “Faça Você Mesmo” (o Do It Yourself, da gringa). Jonathan Thadeu Prova disso é que ele gravou, compôs, arranjou, produziu e fez todo o projeto gráfico - da capa até o encarte - do seu primeiro disco. “Casa Vazia” é lo-fi real, não por estilo, e dialoga com álbuns introspectivos e tristes que misturam folk e indie-rock, como o lindo Carrie & Lowell do Sufjan Stevens, lançado no ano passado. Vale muito a pena ouvir.   4 - COLETIVO A.N.A. Na ativa desde 2011, o A.N.A. (ou Amostra Nua de Autoras) é um coletivo mineiro que dá voz e espaço para mulheres que produzem arte em diversas área, desde música até artes plásticas. Atualmente, o grupo é composto por 8 cantoras que usam a sua voz como instrumento para disseminar pautas importantes feministas. Coletivo A.N.A. Além de questionar o sistema através das letras das músicas, o coletivo também é diferente na forma como é construído, de forma completamente horizontal, onde todos tem voz. O primeiro disco delas, “Mulher”, de 2014, tem diversas influências. Cada mulher do coletivo gosta de um tipo de som: uma é rock, a outra samba e ainda tem MPB e congado, mas juntas elas produzem uma sonoridade própria, que você só descobre ouvindo o disco.   5 - ICONILI Ser uma banda independente no Brasil não é uma tarefa fácil. Agora, imagina produzir música independente, instrumental e com 12 integrantes? Só o fato da Iconili existir, já é um mérito. Iconili E não é a toa que existe. A banda, ao lado da Bixiga 70, fez o cenário instrumental brasileiro mais rico nos últimos anos. Com dez anos de carreira, o grupo faz hoje um som que mistura sopros, guitarras e teclados à ritmos como jazz, ethio, rock, samba, carimbó e cúmbia. Essa é daquelas bandas pra dar play e deixar o cérebro “explodir”. Que sonzeira!   6 - DOM PEPO A Dom Pepo nasceu da união dos mais diversos instrumentos (sanfona, choro, cavaquinho, sintetizador, guitarra) e da vontade mútua de seus integrantes em querer fazer um som que fugisse de um gênero musical estático. Passeando pela soul music, pelo rock, pela MPB e pela psicodelia, tudo que a banda não quer é ser rotulada. Dom Pepo Em 2013, eles ganharam bastante atenção durante as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus, pois realizavam diversos shows durante os atos em Belo Horizonte. Depois da repercussão, a Dom Pepo lançou seu primeiro EP, “Mu”, com um som frenético e letras que falam sobre assuntos contemporâneos como, por exemplo, o orgulho das etnias e a importância de valorizar o cabelo crespo <3   7 - ABSINTO MUITO Absinto Muito é rock, MPB e psicodelia. Muito pautados pelo rock progressivo produzido nos anos 1960 e 70, a banda não poupa o ouvinte de guitarras distorcidas, letras desconexas e roupas extravagantes nos shows. O grupo parece (realmente) ter vindo de tempos passados. O som deles, definido como MPB (música psicodélica brasileira), nos faz ir e voltar do presente pro passado à cada estrofe. E é eletrizante. Absinto Muito   8 - MAMUTTE Mamutte é funk, viola caipira, rabeca, abôio, ijexá, maculelê, maracatu, carimbó e muito mais. Mesmo assim, o mineiro batizou o seu EP como “Quase-Disco”, mas de metade ele não tem nada! Com uma estética e uma dinâmica própria, o álbum é rico em canções que contam histórias de amor, refletem sobre as políticas culturais brasileiras e relembras histórias das artes visuais e da música popular brasileira em seus versos. É pura poesia :) Mamutte   9 - TIÃO DUÁ  O Tião Duá é um power trio feito por músicos mineiros bem conhecidos na cena local. Luiz Gabriel Lopes é do Graveola, Gustavo Amaral tem projeto solo, o Gustavitto e a Bicicleta, e Juninho Ibituruna faz parte da banda Cabezas Flutuantes. Tião Duá De nomes, a banda não traz novidades, mas isso não quer dizer que o som deles é igual aos projetos dos quais participam. O grupo é a união das referências dos três e faz um som marcado pela brasilidade e pelo suingue. Além de compor músicas próprias, a banda também faz releituras de clássicos da MPB de 1960 e 70. Pra descobrir quais são, só dando play no Radio Mandinga, primeiro e único disco deles :)   10 - CABEZAS FLUTUANTES A Cabezas Flutuantes se define como um grupo de noise-canção. A banda tem dois discos no currículo: Registro, de 2013, e Experimental Macumba, lançado agora em março de 2016. Os álbuns são marcados por uma mistura de ritmos brasileiros (que vão da lambada ao axé), com um toque de psicodelia e um acabamento alegre e leve, que colore até dia cinzento.  

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