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Precisamos falar sobre as diretoras que contam a história da música brasileira no cinema nacional

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Precisamos falar sobre as diretoras que contam a história da música brasileira no cinema nacional
Pense no último filme que você assistiu. Ele tinha pelo menos duas mulheres no elenco? Elas conversavam uma com a outra? Os diálogos eram sobre algum assunto que não fosse homens? Se você respondeu “sim” para todas as perguntas, o filme passou pelo Teste de Bechdel, que mede o preconceito de gênero no cinema, mas saiba que isso é uma raridade. Apesar dos avanços das últimas décadas em termos de equiparação de gêneros, o setor audiovisual ainda é majoritariamente masculino e branco, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Geena David de Gênero e Mídia revelou que apenas 37,1% das personagens de filmes brasileiros são mulheres e que só 20% são protagonistas. Além disso, apenas 30% falam durante os filmes, sendo muitas vezes utilizadas apenas com finalidade sexual dentro das narrativas. Nos bastidores do cinema, a desigualdade de gênero é ainda maior. Dados divulgados pela Ancine (Agência Nacional de Cinema), revelaram que, em 2015, dos 2606 produtos audiovisuais que foram certificados pela categoria, apenas 19% são dirigidos por mulheres e 23% tiveram uma mulher como roteirista. Nesse sentido é urgente e importantíssimo que estas mulheres tenham visibilidade. Começamos separando uma lista de filmes incríveis dirigidos por mulheres, que contam a história da música popular brasileira através de documentários:   1- Palavra (En)Cantada, Helena Solberg (2008) Em 1995, a diretora e roteirista Helena Solberg retratou a música brasileira sob o olhar de Carmen Miranda, um dos principais ícones brasileiros da década de 1940. O documentário foi muito bem recebido pela crítica e pelo público e abriu caminho para que em 2008 a diretora lançasse o seu segundo filme sobre a música feita no Brasil: o documentário Palavra (En)Cantada. O filme não retrata uma figura da MPB como o primeiro, mas traça um diálogo entre diversos interlocutores da nossa música, utilizando a própria música brasileira como protagonista do documentário. No filme, artistas que vão de Chico Buarque até BNegão interpretam letras brasileiras e as relacionam com a poesia e a literatura. Os depoimentos ainda são costurados por fotos e vídeos de shows inesquecíveis, dando um toque especial e único para o documentário.

2 - Na Trilha da Canção, Vera Egito (2013)

Vai ser difícil assistir esse documentário e ouvir MPB da mesma forma. Em “Na Trilha da Canção”, Vera Egito, a mesma diretora de filmes como “Amores Urbanos” e “Serra Pelada”, concretiza um sonho da apresentadora e ex-VJ da MTV Sarah Oliveira: encontrar as conexões entre grandes clássicos da música brasileira. No documentário, Sarah entrevista nomes consagrados como Rita Lee e Ney Matogrosso e nomes da “nova MPB” como Criolo e Tulipa Ruiz. Mostrando que os artistas não estão ligados apenas no âmbito musical, por meio de influências de som, mas também no campo emocional porque compartilham histórias afetivas sobre as músicas. É fascinante :)   3 - Los Hermanos - Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida, Maria Ribeiro (2015) Em 2007, depois de uma década juntos e quatro discos lançados, o Los Hermanos anunciou um hiato por tempo indeterminado. Cinco anos depois, a banda fez uma turnê por 12 cidades brasileiras. Foi aí a chance de Maria Ribeiro - atriz, diretora e fã da banda - pedir permissão pra documentar o reencontro. Depois de muitas tentativas, Maria conseguiu permissão pra acompanhar cinco desses shows bem de pertinho - desde os bastidores até os palcos. O documentário é inspirado pela música “Conversa de Botas Batidas”, cujo trecho dá nome ao filme, e mostra com uma sutileza de detalhes de pertinho a relação da banda com os fãs e dos próprios integrantes. É lindo demais, a melhor declaração de amor que a diretora e fã dos Los Hermanos poderia ter feito para a banda.

  4 - Paulinho da Viola - Meu Tempo é Hoje, Izabel Jaguaribe (2004) Izabel Jaguaribe jogou luz sobre a história de um dos nomes mais importantes da música popular brasileira: Paulinho da Viola. Em 2004, no documentário “Meu Tempo é Hoje”, a diretora expôs para o mundo, em tom de crônica, a relação de Paulinho com a escola de samba Portela, a herança musical do pai, segredos do cotidiano do músico, como a paixão pela marcenaria, e ainda encontros memoráveis com Marina Lima, Zeca Pagodinho, Marisa Monte e outros artistas que marcaram a carreira do sambista.

  5 - Vou Rifar Meu Coração, Ana Rieper (2011) Desde o começo dos anos 2000, quando o historiador Paulo César de Araújo lançou o livro “Eu Não Sou Cachorro Não”, a música brega de artistas como Odair José e Amado Batista vem passando por uma revalorização na cena brasileira. “Vou Rifar Meu Coração”, dirigido por Ana Rieper em 2011, segue a linha do livro e conta como as músicas desses e outros artistas genericamente chamados de cafonas mudou a vida de muita gente nos últimos 40 anos. É muito <3

 

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