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Para Saber Antes De Comer Seu Filé De Peixe Ou Temaki De Salmão

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Para Saber Antes De Comer Seu Filé De Peixe Ou Temaki De Salmão
“Eu não como peixe porque eu sou um ecologista e tenho visto a diminuição dos peixes nos mares durante toda a minha vida”, explica Paul Watson, co-fundador do Greenpeace e fundador da Sea Shepherd, em uma carta aberta em 2009. Comer peixe e ser ecologista realmente não faz sentido e nós vamos te contar o porquê. A pesca predatória é um assunto urgente, mas pouco debatido por falta de interesse público e privado no tema. Comer peixe é considerado um dos atos mais destrutivos quando o assunto é meio ambiente. A pesca predatória é responsável por capturar mais peixes do que o oceano é capaz de “produzir”, além de ocasionar a “morte secundária” de animais marinhos capturados “sem querer” durante a pesca como tubarões, baleias e tartarugas marinhas. Essa ação contínua e devastadora é responsável por gerar impactos agressivos no meio ambiente, na vida marinha e na vida das pessoas. Nos EUA, a Sea Shepherd é uma das principais ONGs quando o assunto é preservação da vida marinha. Na carta esclarecedora de Paul Watson, é possível entender todo o sistema devastador da pesca. Ele ressalta a importância de esquecer aquela imagem do “pescador de família” que sai de casa em seu barquinho de madeira e sua redinha para pegar peixes para alimentar a mulher e os filhos. “Pescadores industriais de hoje operam máquinas de vários milhões de dólares. Eles estão equipados com equipamento tecnológico complexo e caro projetado para caçar e capturar todos os peixes que possam encontrar”, diz ele. E para quem precisa de provas, é só assistir qualquer documentário sobre o assunto. Barcos gigantescos e redes de captura imensas pegam tudo que passam pelo seu caminho de maneira impiedosa. Instantaneamente, nos arrependemos de cada peixe que já comemos antes do vegetarianismo. Mas não para por ai. Conforme Watson nos explica de maneira clara: “A desnutrição generalizada está afetando os peixes, aves, e as populações de animais de nossos oceanos. Nós não só estamos esgotando as suas populações, como também estamos matando de fome os sobreviventes. Estamos alimentando gatos, porcos e galinhas com peixe, e nós estamos sugando dezenas de milhares de pequenos peixes do mar para alimentar os peixes maiores criados em cativeiro . Gatos domésticos estão comendo mais peixe do que focas; porcos estão comendo mais peixe do que tubarões; e galinhas de criação de fábrica estão comendo mais peixe do que papagaios do mar e albatrozes.” A ONU vem há tempos tentando levantar a questão, mas todas as organizações juntas são muito fracas quando comparadas à força da ganância global por peixes a preços baixos .  Um relatório de 2009 da UN FAO (Organização da ONU de Alimentação E Agricultura) já mostrava o tamanho da devastação: “mais de 70% das espécies de peixes do mundo ou são totalmente exploradas ou estão esgotadas. O aumento dramático de técnicas de pesca destrutivas em todo o mundo destrói mamíferos marinhos e ecossistemas inteiros”. Nesse ritmo, a expectativa é de um oceano sem peixes em 2048. São cerca de 2,7 trilhões de animais retirados do mar todos os anos. Cerca de 650.000 golfinhos, focas e baleias são “pescadas” por ano no que eles chamam de by-kill – algo como “sub-morte”. A devastação dos oceanos causa aumento da acidificação, aquecimento global, poluição química, entre outros males responsáveis por desestabilizar a vida humana – impactando primeiramente e de maneira mais impiedosa a vida de pessoas com situação econômica fragilizada. Por isso, a Sea Shepherd Conservation Society deixa bem claro: “não estamos tomando uma posição  de direitos dos animais sobre esta questão quando dizemos que as pessoas devem parar de comer peixe e parar de comer carne alimentada por peixes. A nossa posição é baseada unicamente sobre a realidade ecológica que a pesca comercial está destruindo nossos oceanos.”. Agora você pode estar pensando nos “peixes sustentáveis” à venda em supermercados “conscientes” como Whole Foods nos EUA e nos restaurantes que dizem só vender “peixes ecofriendly”. Não existe nada sustentável quando pensamos na demanda global por peixes a preços baixos. Quando pensamos em sustentabilidade, precisamos pensar em demanda. Não importa como os peixes sejam criados, jamais será possível suprir a atual demanda de maneira “holística”. Não precisamos ser engenheiros ambientais para entender que é impossível fornecer 50 milhões de kilos de peixe por ano de maneira ecofriendly. “Temos de parar de comer os oceanos. Comer peixe é para todos os efeitos - um crime ecológico. Não há pesca oceânica sustentável – nem ao menos uma. Aquele pequeno cartão de sustentabilidade que algumas pessoas carregam com a pretensão de ser consumidores ecologicamente corretos  é simplesmente uma fraude, uma tentativa de nos fazer sentir bem, enquanto continuamos a comer os mares.” Nós ficamos felizes que esse assunto vem sido trazido à tona, aos trancos e barrancos, com mais frequência. Por mais que algumas pessoas considerem o pensamento do fim da pesca comercial como extremo, o que nós consideramos extremo é matar os oceanos, a biodiversidade marinha e consequentemente a vida humana apenas para poder comer um peixe, que será digerido e acabará no esgoto – poluindo ainda mais os oceanos. Isso é o que consideramos extremo (descaso). Como todo problema complexo, a solução exige respostas complexas. Precisamos parar de comer peixe e animais alimentados com rações à base de peixe. Precisamos também de uma articulação eficiente entre governos, iniciativa privada e pública, e ONGs para uma maior conscientização da população. Para evitar que a proibição da pesca comercial ou regulamentações duras criem um mercado paralelo ilegal, é necessário ações conjuntas para criar fontes de rendas alternativas e sustentáveis para os pescadores que vivem da pesca e são a ponta mais fraca dessa indústria. Definitivamente, não há uma saída fácil. Mas o mais importante é: há uma saída.

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