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Os brechós são o futuro da moda circular?

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Os brechós são o futuro da moda circular?

Dizem por aí que os brechós e o mercado de segunda mão é uma das melhores soluções para os excessos da moda. Por aqui, somos suspeitos para falar, porque a Insecta nasceu de um brechó. Nossos primeiros besouros já foram pensados para reaproveitar roupas que existiam, ampliando a sua vida útil em forma de sapatos. 

E convenhamos, não tem motivo para não amar um bom brechó. Hoje em dia, esse é um mercado gigante, muito diferente do que se via antigamente. Existem brechós de vários estilos, de roupas de época até coisas bem moderninhas. Basta você procurar e vai encontrar um universo de possibilidades. 

A realidade é que o Planeta precisa, mais do que nunca, dos brechós. O relatório Overproduction: Taboo in Fashion já mostrou que 30% das roupas produzidas nunca são vendidas, e há pesquisas que afirmam que 1 em cada 5 peças de roupas produzidas são descartadas sem nunca serem usadas.

Já falamos aqui e você provavelmente já sabe: um caminhão de lixo de têxteis é jogado em aterros sanitários ou queimado a cada segundo no mundo. De acordo com o relatório da ShareCloth, são produzidas 150 bilhões de peças por ano na indústria da moda global. Precisamos de tanta coisa nova? Tem pesquisas que apontam que se pararmos de produzir hoje mesmo, ainda temos roupas prontas para os próximos 200 anos. 

Na ótica da economia circular, os brechós são um exemplo perfeito. São roupas que já existem, portanto, toda a matéria-prima virgem já foi extraída, energia foi gasta na produção, emissões inevitáveis de CO2 e resíduos já estão aí e a peça está prontinha. Faz muito mais sentido que ela siga sendo usada do que fazer outra roupa nova, passando por todo esse processo e criando todos os problemas atrelados a ele.

A moda circular é uma chance da indústria deixar de emitir cerca de 143 milhões de toneladas de gases do efeito estufa até 2030. Se quisermos de fato atender a meta do Acordo de Paris, de manter a elevação da temperatura do Planeta em 1,5 graus, pesquisas da McKinsey e Global Fashion Agenda indicam que pelo menos 1 a cada 5 peças sejam oriundas de negócios circulares. 

Felizmente, estamos vivendo uma transformação no mercado de moda. Segundo James Reinhart, CEO da thredUP, os consumidores priorizam sustentabilidade e as marcas e empresas já começaram a aderir ao formato de revenda que a economia circular vislumbra. No relatório publicado pela empresa, eles trazem a informação de que comprar peças de segunda mão ajuda a reduzir a pegada de carbono em até 82%.

Por muito tempo, as pessoas tinham preconceitos com brechós. Acreditavam que as roupas eram sujas, estavam em mau estado ou, ainda, que traziam más energias por terem pertencido a um desconhecido que poderia até já não estar nesse plano astral. Porém, pense com a gente: se você acredita que roupas transportam energias, por que uma roupa feita com trabalho escravo não seria ruim?

Seja qual for a sua crença, temos certeza de que uma boa lavada, um banho de ervas e uma re-energização são suficientes para deixar a roupa de segunda mão zerada, pronta para ser usada e escrever novas histórias. 

O mercado de segunda mão promete dobrar de tamanho nos próximos 5 anos. Segundo a GlobalData, a estimativa é de que até 2030, quase 20% dos armários do mundo todo sejam compostos por produtos ditos circulares. Segundo o Sebrae, o comércio de produtos de segunda mão cresceu 48,5% de 2020 para 2021 e mais de duas mil novas empresas desse segmento surgiram.

Outra previsão, que achamos o máximo, é que nos próximos 10 anos o mercado de segunda mão irá triplicar de valor, atingindo o dobro do tamanho do fast fashion. Um estudo do Boston Consulting Group, realizado com 12 mil consumidores em dez países, incluindo o Brasil, mostrou que as vendas de produtos de segunda mão vêm crescendo, em média, 12% ao ano em nível global, contra 3% dos produtos novos.

O caminho para uma moda mais consciente e circular já está traçado e já começou. Esse tipo de boa notícia nos entusiasma muito! 

Conta pra gente: você faz parte dessa porcentagem de consumidores de peças de segunda mão? 

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