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O Que o Óleo de Palma (ou Azeite de Dendê) Tem a Ver com Direitos dos Animais?

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O Que o Óleo de Palma (ou Azeite de Dendê) Tem a Ver com Direitos dos Animais?

Talvez você não saiba disso, mas o óleo de palma, conhecido no Brasil como azeite de dendê, é o óleo vegetal mais consumido no mundo, ficando à frente, inclusive, do óleo de soja. Ele corresponde por 65% da produção global de óleo vegetal.

O óleo de palma é produzido principalmente em florestas tropicais, localizadas em países em desenvolvimento, como Papua-Nova Guiné, Indonésia, Brasil e Índia – e é ai que começam os problemas. 

Vamos começar do começo: o que é o óleo de palma e onde é usado?

O óleo de palma é um óleo vegetal extraído das palmeiras africanas (Elaesis quineesis). As palmeiras crescem em ambientes tropicais e úmidos – como a floresta tropical da Indonésia e a Amazônia. Por seu baixo custo de produção, o óleo de palma é amplamente usado para produzir alimentos industrializados. Pense em salgadinhos, bolachas, queijos, sopas instantâneas, molhos, temperos... praticamente tudo que vem em balado e pronto (ou quase) para consumo.

A indústria alimentícia utiliza cerca de 75% do óleo de palma produzido no mundo. Enquanto algumas empresas identificam o óleo de palma nos ingredientes no rótulo, muitas usam apenas “óleo vegetal”. Logo depois, com cerca de 20% do uso, vem a indústria cosmética e de produtos de higiene pessoal. Produtos de maquiagem, shampoos, cremes, sabonetes... a maioria contém óleo de palma identificado como: palmitato de sódio ou “sodium palm kerenelate”.  

Como é produzido e porque é uma questão de direitos dos animais?

A Malásia e a Indonésia, agora os dois maiores países produtores de óleo de palma, continuam a substituir rapidamente suas abundantes florestas tropicais por plantações de dendezeiros. No Brasil, as plantações de palma ou dendê ocupam cerca de 40 mil hectares e grande parte da produção está localizada na região Amazônica. Atualmente, a Indonésia produz cerca de 85% do óleo de palma usado pelas grandes corporações globalmente. O país ultrapassou o Brasil em desmatamento e cerca de 80% de suas florestas tropicais foram desmatadas e substituídas pela monocultura da palmeira - e estima-se que essa porcentagem chegue a 98% em 2022.

A floresta tropical é o habitat natural de muitas espécies ameaçadas de extinção. Estima-se que, só na Indonésia, cerca de 5.000 orangotangos são mortos anualmente por terem seu habitat devastado. Rinocerontes, tigres, ursos ameaçados de extinção estão desaparecendo. Nas florestas de Sumatra e Bornéu, principais locais de produção de óleo de palma, são cerca de 300 mil espécies que representam 15% da fauna do mundo. Além de morrerem diretamente por conta da falta de habitat, há outras questões como explica a organização Say No To Palm Oil, “o desenvolvimento do óleo de palma aumenta a acessibilidade dos animais aos caçadores ilegais e aos contrabandistas de animais selvagens que capturam e vendem animais selvagens como animais de estimação, os usam para fins medicinais ou os matam por suas partes do corpo. A destruição das florestas tropicais em Bornéu e Sumatra é, portanto, não apenas uma emergência de conservação, mas também uma grande crise de bem-estar animal.

   

O que o óleo de palma significa para as pessoas da região?  

Para muitos, principalmente a população indígena, o óleo de palma também significa destruição de seu habitat. A população nacional da Indonésia é de mais de 242 milhões de pessoas – desses, 30 a 40 milhões identificam-se ou são identificados como povos indígenas, formando mais de 1/6 de toda a população indonésia. Eles estão entre os grupos mais marginalizados do país. As plantações de dendezeiros começam a tomar o lugar das florestas que as comunidades viveram durante séculos e, no processo, eliminaram seus meios de subsistência e única fonte de renda.

A indústria de óleo de palma tem sido frequentemente associada a violações de direitos humanos, incluindo trabalho infantil. As crianças carregam grandes cargas de frutas por meio de campos de ervas daninhas e passam horas, todos os dias, curvadas no chão catando as frutinhas. Muitas vezes, as crianças recebem nenhum ou pouco pagamento pelo trabalho. 

Como explica a organização Palm Oil Action, as leis indonésias e os procedimentos de aquisição de terras fornecem às comunidades locais pouca proteção. Em nome do "interesse nacional", as comunidades estão sendo forçadas a abandonar as suas terras contra a sua vontade e sem uma compensação adequada. Os conflitos entre as empresas de plantação e as comunidades locais são generalizados e continuam a aumentar.

Muitas plantações aumentam a produção de óleo de palma através do uso intensivo de pesticidas. Consequentemente, muitos sistemas fluviais estão poluídos, deixando as comunidades locais sem água fresca para beber ou tomar banho. A poluição também está matando peixes, uma importante fonte de alimento para a população local.  

Existe óleo de palma sustentável?

O boicote total e a eliminação do óleo de palma de maneira bruta não é uma alternativa apoiada por muitas organizações que se preocupam com o problema. Isso porque muitas pessoas já dependem dessas plantações para sobreviver e uma parte das produções são em pequena escala, e ajudam a tirar as pessoas da pobreza. Entretanto, o único certificado que garante uma produção de óleo de palma mais sustentável – o RSPO (Sustainable Palm Oil Roundtable), organizado pela WWF e que tem como associados grandes empresas como Unilever e Nestlé, vem sendo duramente criticado por outras grandes organizações, como o Greenpeace, por ser frouxo e deixar muitas brechas com espaço de sobra para devastação e insustentabilidade.  

E agora, como agir?

Há ações sendo organizadas no mundo todo acerca do óleo de palma. Como cidadãos, devemos nos engajar e acompanhar as organizações, para entender o que está sendo feito, pressionar por aprovação de leis de rótulos transparentes e que identifiquem produtos feitos com óleo de palma, além de doar tempo e dinheiro como voluntário e ativista. Existe também a possibilidade de ajudar organizações que trabalham com animais silvestres resgatados – no Brasil e fora daqui temos várias organizações como o Projeto Mucky que trabalha com primatas.

Como consumidor, escolher comidas frescas e diminuir nosso consumo de industrializados, assinar petições que pressionem as grandes corporações e também ficar atento às pequenas marcas que estão produzindo com óleo de palma e incentivá-las a buscar alternativas.

Como turistas, procure organizações ligadas ao turismo responsável nas regiões em risco. Você pode conhecer de perto a situação e ainda contribuir para o avanço de uma produção de óleo de palma menos devastadora.

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