O que fazer com as peças de roupa que você não quer mais?

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O que fazer com as peças de roupa que você não quer mais?

No post anterior nós falamos um pouco sobre Marie Kondo e a “Mágica Da Arrumação”. Falamos sobre como é bom esvaziar o guarda-roupa e deixa-lo só com peças úteis e capazes de nos trazer alegria. Mas a pergunta que não cala é: o que fazer com as roupas da pilha “não me traz alegria”?

Doação é a solução mais rápida e benevolente nesse caso, certo? Errado. A doação pode ser a saída mais fácil, mas nem sempre é a melhor saída. Quando temos uma pilha de roupas as quais não queremos mais, o primeiro passo é separar essa pilha em três outras pilhas: peças aptas para venda, peças aptas para doação e peças sem condição de uso. 

Na pilha de peças aptas para a venda o ideal é colocar peças em excelente estado, praticamente sem uso e de boa qualidade, peças possíveis de serem revendidas em lojas de segunda mão especializadas, como o brechó Cabideria, e até sites de venda direta como o Enjoei. Dessa maneira, é possível incentivar o mercado de peças usadas e fazer uma graninha.

Já para a pilha de doação, o ideal é separar peças em boas condições e sem estragos irreparáveis. Peças que você ainda poderia usar, mas não usa porque não servem, não condizem mais com o seu estilo ou simplesmente não te trazem alegria. Depois é importante checar se todas essas peças estão limpas e sem furos e rasgos possíveis de serem concertados. Caso contrário, lave antes de doar e conserte o que precisa ser concertado. Depois, procure pessoas que realmente farão proveito das peças, seja através de conhecidos, ou através de igrejas ou instituições como orfanatos e projetos sociais. A doação responsável é importante para garantir mais tempo de vida às peças em boas condições, evitando os dois destinos mais indesejáveis para ela: lixões ou aterros sanitários.

A pilha de peças sem condição de uso é, sem dúvidas, a mais complicada. Não apenas por bom senso, mas também por conta da atual Política Nacional De Resíduos Sólidos (PNRS), nós, consumidores, somos responsáveis por dar fim adequado às roupas e sapatos e esse fim adequado não é jogar a peça no lixo convencional.  O ideal é procurar a marca produtora daquela peça para saber se ela possui uma logística reversa instituída na empresa. Algumas marcas brasileiras, como a Havaianas, recolhem os produtos de volta com a intenção de recoloca-los no ciclo de produção.  

Apesar de, na teoria, a PNRS responsabilizar as empresas por seus produtos de pós-consumo, na maioria dos casos, isso não acontece e é ai que sua roupa ou sapato sem condição de uso deve ser enviado para um Ponto De Entrega Voluntária (PEV) ou, em São Paulo, EcoPonto - Estação de Entrega Voluntária de Inservíveis. A partir dai, a prefeitura local será responsável por dar o destino correto a esse produto.

Já adiantamos: no Brasil, a reciclagem têxtil, principalmente quando o assunto é produto usado, é praticamente inexistente. Mesmo que a tecnologia para reciclar os materiais já existam fora do país (como acontece com o algodão e o poliéster), no Brasil esse material será, no máximo, incinerado com aproveitamento de energia. Por isso, mesmo que a matéria prima da sua camiseta surrada não volte para o ciclo de produção, é importante se preocupar em entrega-la no lugar certo e jamais jogá-la no lixo convencional.

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A falta de investimento em tecnologia para reciclagem de têxteis de pós-consumo é o principal motivo pelo qual dizemos que o primeiro passo é procurar a empresa responsável por te vender o produto. Sinalizar nosso conhecimento sobre a PNRS mostra que estamos atentos a isso e sabemos sobre a necessidade da marca em ter uma logística reversa instituída. Grandes marcas ganham milhares de dólares com os produtos vendidos, nada mais justo faze-las investir uma parte desse dinheiro em algo benéfico, como tecnologias de reciclagem, para a sociedade. 

Tudo isso nos faz voltar ao ponto essencial: comprar consciente e de marcas que não incentivam o desperdício. Depois disso, cuidar das peças com atenção e carinho é essencial. Por fim, lembre-se  sempre que fazer o produto desaparecer de vista, não vai faze-lo desaparecer do planeta.

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