O mundo obscuro por trás do fast-fashion

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O mundo obscuro por trás do fast-fashion
A notícia era: “Dono da Zara desbanca Bill Gates e é o mais rico do mundo.” Em geral, a mídia resumia a notícia comparando as fortunas, os outros magnatas deixados para trás, o método utilizado pela Forbes para criação do ranking. Mas a repercussão nas redes sociais tinha um tom de questionamento e indignação, relacionando a tal maior fortuna com notícias mais antigas que revelavam um comportamento relapso e irresponsável da marca quanto às condições de trabalho de seus funcionários no Brasil. Por exemplo, em 2011, foi flagrada uma oficina contratada pela Zara com trabalhadores em condições análoga à escravidão, e, posteriormente, a mesma marca foi autuada pelo Ministério Público do Trabalho por não cumprir com um acordo de melhorar as condições de trabalho em oficinas brasileiras (estas condições incluíam trabalho infantil, ampla jornada de trabalho e servidão por dívida - e, para reforçar: não foram cumpridas as medidas de melhoria).  Ou seja, o homem mais rico do mundo no dia 8 de setembro (no dia seguinte foi novamente ultrapassado por Bill Gates), é dono de um grupo que, dentre outras empresas, gerencia a marca global de fast-fashion. A Zara é uma das maiores marcas do setor, é tida como um grande exemplo dessa moda rápida que transformou o comportamento de compra em geral, de consumo de moda e revisou o valor das peças que usamos. As consequências dessa nova maneira de “viver” a moda, a gente já sabe: diversos problemas socioambientais, gerados por um consumo insaciável. É a segunda indústria mais poluente do mundo; é comumente acusada de uso de trabalho escravo ou em condições degradantes; é responsável por uma produção absurda de lixo; por imposição de padrões estéticos inatingíveis, dentre outras coisas. O questionamento que foi feito é válido: não podemos ignorar que o responsável por uma empresa dessa magnitude (com atitudes morais tão duvidosas) seja tão bem sucedido financeiramente, sem questionar no que se baseia esses tantos bilhões de dólares. Por outro lado, é intrigante pensar que, no Brasil, a Zara é responsável por levar esse conceito de fast-fashion a um grupo de consumidores com melhor poder aquisitivo. Seus preços são mais altos e sua dinâmica de lojas e localização levam a crer que se trata de uma marca “superior” às outras marcas do setor; ou seja, são pessoas geralmente mais esclarecidas, que investem um valor maior, que provavelmente poderiam estar comprando em outras lojas. Aparentemente esses escândalos não abalaram a marca nem seu consumidor. O ponto é que, neste momento, não adianta muito criar demônios e personalizar um problema que é, em suma, muito maior. O Senhor Zara pode ser rico por diversos motivos - inclusive a exploração de trabalhadores -, mas o grande problema é como nós deixamos nossa vida ser impactada por esses comportamentos de consumo destrutivos. Podemos criticar essa conduta moral da marca, mas não adianta muito se formos no sábado experimentar a nova coleção da semana e passar tudo no crédito, não é mesmo? Então, voltando para a tecla sempre batida: compre menos, compre de forma assertiva (quando necessário, considerando sua individualidade, fugindo das “modas” passageiras, priorizando menor quantidade e qualidade mais elevada), prefira roupas de segunda mão ou feitas em produção local ou artesanal, e cuide bem das peças. Acima de tudo, acompanhe os debates, discuta, conscientize quem vive ao seu redor. Transforme você sua realidade.   Para saber mais sobre a indústria da moda e ajudar na fiscalização, acompanhe a Fashion Revolution Brasil, o Roupa Livre e baixe o aplicativo do Moda Livre. Para aprender a se relacionar com a moda de outra maneira, veja nosso e-book sobre consumo de moda consciente, desenvolvido pela consultora de estilo Dani Valente. Clique aqui para fazer o download! 

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