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O Boto Cor De Rosa E A Pesca Predatória: Entenda O Problema E Como Se Envolver Em Soluções

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O Boto Cor De Rosa E A Pesca Predatória: Entenda O Problema E Como Se Envolver Em Soluções
Quando falamos sobre o impacto ambiental da pesca predatória e seu poder de aniquilar espécies, lembramos de um debate que acontece em solo nacional, bem pertinho de nós, e é responsável por incomodar qualquer pessoa que fica sabendo sobre ele: o uso do boto cor de rosa como isca para pesca do piracatinga, um peixe carniceiro também chamado de urubu d´água. O boto cor de rosa, também conhecido como boto rosa ou boto vermelho é uma das três espécies de golfinhos fluviais, sendo a maior espécie de golfinhos de água doce. No Brasil, eles vivem nas bacias do rio Amazonas e Solimões, e na bacia do rio Araguaia. Por serem dóceis, os botos são ferramentas para a bototerapia. Em uma reportagem no Fantástico sobre as ameaças ao boto cor de rosa, o menino Leo mostra desenvoltura depois de muitas sessões com o boto Cicatriz em um braço do Rio Negro. Ele nasceu sem os braços e com as pernas atrofiadas. Hoje já consegue usar os pés para escrever. Segundo o fisioterapeuta Igor Simões, os botos dão motivação ao tratamento e a bototerapia é capaz de ativar áreas do cérebro e desenvolver movimentos antes congelados. Na matéria Leonardo Souza, de 16 anos, conta: “Cada vez que eu venho pra cá mais, eu consigo ficar mais tempo debaixo d´água, respiração, melhora meu andar”. Na Reserva do Mamirauá, onde um grupo de cientistas há vinte anos faz um censo anual da população do boto rosa, os botos são capturados com cuidado e marcados para terem sua história de vida acompanhadas, além de maior entendimento sobre a espécie. Uma fêmea, capturada e marcada em 2009, na época com três anos, durante a reportagem, em 2014, já se encontrava em idade reprodutiva e os cientistas esperavam ansiosamente por uma gravidez. Mas ainda não. “Notícias de gravidez são muito esperadas. Porque o registro dos últimos oito anos é alarmante”, explicam os cientistas.   Durante 15 milhões de anos, o boto estava no topo da cadeia alimentar e não era ameaçado. Os índios e a população ribeirinha sempre respeitaram o boto, mas depois que a pesca da piracatinga, um peixe pequeno vendido a R$1 o kilo, começou na região, os pescadores matam os botos para usar sua carne de isca. Poderia ser usada gordura dos porcos abatidos nos frigoríficos, mas o boto é de graça. Segundo a reportagem do Fantástico, a piracatinga é capturada na época do defeso, quando a pesca das espécies comerciais é proibida. “Começa a proibição, a gente começa a pescar ela”, diz um pescador. Na noite das filmagens, os pescadores capturam uma fêmea grávida. Ela e seu filhote em desenvolvimento são mutilados e a carne jogada nas gaiolas de pesca. Todos os frigoríficos sabem como o boto é pescado, mas o tom de “defesa” do pescador permanece no discurso, mesmo sabendo que todo pescador tem direito a receber um salário mínimo na época da proibição da pesca. Em maio de 2014, um projeto visava a proibição da pesca por 5 anos enquanto alternativas eram analisadas. Com pouca vontade e sob pressão da população e ambientalistas, o Ministério da Pesca E Agricultura aprovou a moratória, que entrou em vigor em janeiro de 2015. A efetividade da moratória divide opiniões. Uns acreditam ser o primeiro passo, enquanto outros afirmam que ela passa longe de ser suficiente. Na matéria do Instituto Ciência Hoje, a oceanógrafa Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que acompanha desde 2003 a pesca de piracatinga no município de Tefé, no Amazonas, “acredita que a moratória não terá um efeito muito significativo, pois a área é muito extensa e a capacidade dos órgãos de fiscalização, limitada”. Para ela, outros problemas além da pesca da piracatinga precisam ser abordados: “A moratória não resolverá o problema dos abates por conflitos que existem na área, que ocorrem por muitos motivos, como o medo em relação aos jacarés, a crença de que botos são seres encantados que podem engravidar mulheres e a própria competição entre o boto e o pescador pelos peixes”, explica. “É preciso criar um programa para envolver e educar a comunidade, desenvolvendo estratégias conjuntas de valorização dos recursos naturais.” O mais significativo projeto de proteção aos botos, o Alerta Vermelho, da AMPA, tem como principais objetivos o apoio à força tarefa de fiscalização e controle, o financiamento do desenvolvimento de métodos e iscas alternativas, apoio a pesquisas e projetos com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre os botos e apoio de projeto de turismo sustentável com esses animais. Para além dos cientistas e ambientalistas, é importante que todos os cidadãos se envolvam na criação de alternativas aos pescados e na proteção dos mamíferos do Amazonas para que o boto cor de rosa não vire, de fato, lenda.  

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