No dia mundial do veganismo a gente pergunta: carne vegetal é mesmo para veganos?

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No dia mundial do veganismo a gente pergunta: carne vegetal é mesmo para veganos?

Parece carne, tem gosto de carne, às vezes até cheiro de carne… mas é feito de vegetais. No ano de 2019 vimos a “carne vegetal” tomar conta de menus e prateleiras rapidamente. É verdade, esse assunto não é novo- já falamos sobre em 2016, mas o que lá atrás parecia uma coisa distante, daquelas que “não tem no Brasil, meninas”, se tornou uma realidade e já tá rendendo polêmica.

O sucesso é grande e tá todo mundo de olho nesse mercado. Os hambúrgueres vegetais já correspondem a 30% das vendas totais (!!!) do Grupo Pão de Açúcar em São Paulo, depois de só 4 meses nas prateleiras dos supermercados. No mundo, só em 2018 as vendas das tais “carnes” chegaram a US$ 19,5 bilhões.

É muita grana envolvida, e empresas nada veganas como Nestlé, Tyson Foods, JBS e BRF querem a sua fatia. A Seara, do Grupo JBS, e o BRF, maior exportadora mundial de frango, não só lançaram os seus burgers vegetais como estão investindo em pesquisa para comercializar alternativas vegetarianas para frango e peixe.

A Marfrig, uma das líderes mundiais em abate de animais e produção de carne, chegou chutando a porta com o seu lançamento e rendeu uma discussão amigável com a Fazenda do Futuro. Redes de fast food como Burger King e McDonald’s aos poucos ganham seus lanches à base de vegetais e tudo isso divide opiniões. 

E aí, essas ~carnes~ são de fato veganas? E são para veganos? A verdade é que o principal alvo desses produtos é o público que gosta de carne. Por mais que o consumo de carne siga estável em escala mundial, não tem como negar que muitas (e muitas!) pessoas estão reduzindo ou deixando de consumir por diversos motivos. A proposta é facilitar a transição para uma alimentação com menos (ou sem) proteína animal, mostrando que não é preciso abrir mão do sabor de um hambúrguer.

Opções “veggie” estão cada vez mais abundantes, deixando de mirar em um público nichado, deixando pra trás preconceitos e ampliando o leque de adeptos. Mas é preciso ser cuidadoso ao rotular um produto como vegano. Por mais que ele seja produzido sem crueldade e sem ingredientes de origem animal, pode pertencer a uma empresa que não trabalha com esses valores - aqui o “greenwashing” vira “vegan washing”

A produção e o consumo da carne estão entre as maiores responsáveis pela crise climática. Já falamos sobre isso aqui, e não é difícil encontrar dados para entender o tamanho do problema. Isso que nem falamos do quesito crueldade.

No Brasil, para cada 1 milhão de reais obtidos com a pecuária bovina são 22 milhões de custos em prejuízos ambientais. Para fazer os hambúrgueres vegetais são necessários 96% menos terra, 87% menos água e 89% menos CO² em comparação aos de carne. Além disso, não são usados antibióticos e as toneladas de soja que são plantadas para alimentar os animais que logo serão abatidos não são mais necessárias. Mas apesar de tudo isso ainda se trata de uma comida processada. É fast food, mesmo que menos danoso à saúde e ao meio ambiente. Não podemos esquecer que a melhor maneira de ter uma vida saudável sendo vegano ou não é a “comida de verdade”

Então, se você quiser experimentar uma carne vegetal e levar os amigos carnívoros junto, vá na boa! Mas não esqueça que o caminho para uma alimentação mais saudável para todos é a valorização da produção local, agroecológica, orgânica e justa. Aqui nós falamos um pouco sobre soberania alimentar e super indicamos a leitura se você quer começar a se inteirar sobre esses assuntos. 

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