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NFTs e matriz energética: vamos conversar melhor?

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NFTs e matriz energética: vamos conversar melhor?

Quando publicamos este post sobre o impacto do gasto energético do ambiente digital, nunca imaginamos que iria render tanta polêmica! É verdade, muita gente que leu entendeu o nosso enfoque principal: o problema não é o NFT, a criptomoeda ou o gasto energético em si, e sim a matriz energética. 

 

Teve gente que achou que abordamos o tema de uma forma muito superficial e talvez tendenciosa, falando apenas do impacto negativo. Bom, a ideia era realmente chamar atenção para os problemas que podem existir nesses processos, mas concordamos que podemos trazer exemplos de boas práticas - além de mostrar que sim, as coisas podem melhorar!

 

Outra coisa que precisamos ressaltar é que não nos posicionamos contra criptomoedas, ok? Nosso intuito foi alertar que há ainda muitos sistemas que se baseiam em fontes de energia poluentes e não renováveis. Não somos contra inovação, tecnologia e não temos a intenção de comparar “quem é melhor” - bancos tradicionais e criptomoedas. 

 

Nós somos contra a mineração de carvão, a economia baseada no petróleo, a exploração dos recursos naturais. O consumo de eletricidade na mineração de criptomoedas ou na criação de NFTs não libera CO2, mas a produção dessa eletricidade poderá, de acordo com a sua fonte. 

 

Quando uma tecnologia ou inovação surge fazendo o barulho que os NFTs fizeram, é normal muita gente se opor e enxergar apenas o lado ruim. Por aqui, acreditamos demais na arte e sabemos que essa tecnologia revolucionou a vida de muitos artistas independentes que finalmente começaram a ter seu trabalho reconhecido e bem remunerado.

 

Precisava problematizar, Insecta?

 

Então por que resolvemos alertar sobre os problemas? Porque defendemos que uma transição energética mundial é mais do que urgente. Segundo essa publicação da FGV, as fontes de origem fóssil como petróleo, carvão e gás natural são predominantes na matriz energética global e são grandes emissores de gases de efeito estufa.

 

De acordo com o WWF [leia aqui], o relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) - Net-Zero by 2050: A Roadmap for the Global Energy Sector destaca três caminhos principais para zerar as emissões no setor energético: aproveitar ao máximo as tecnologias existentes (solar, eólica, eficiência energética, veículos elétricos); impulsionar a inovação (captura e armazenamento de carbono) e a redução drástica do uso de combustíveis fósseis. 

 

Vimos nesta matéria que alguns estudos apontaram que uma peça criada em NFT pode colaborar com a emissão de mais de 200 quilos de gases de efeito estufa, o que seria equivalente a dirigir por mais de 800 quilômetros um veículo a gasolina. Na Universidade de Cambridge, cientistas estimaram que a mineração de criptomoedas usa mais eletricidade do que países inteiros como a Argentina, Suécia e o Paquistão.

 

Outra comparação envolve a rede Ethereum, onde ocorre a maioria das transações de NFT, que consome cerca de 40 TWh (terawatts-hora) por ano, nas estimativas de Alex De Vries, fundador do site Digiconomist. O site compara este valor ao gasto energético ao da Nova Zelândia. [fonte]. 

 

Só que na verdade é difícil calcular exatamente a fatia de gasto energético das NFTs dentro da rede. O Etherium existe com ou sem NFTs. Além disso, muitas etapas do processo não têm uma pegada de carbono conhecida, e há poucos estudos científicos no tema. 

 

O Digiconomist estima a pegada de carbono de uma transação da Ethereum em 33,4 kg CO2, enquanto Memo Akten (criador do site CryptoArt.wtf) estima que uma transação média especificamente para NFTs tem uma pegada de carbono de cerca de 48 kg de CO2. [fonte]

 

Como falamos em nosso post original, o gasto energético vem da criação dos blocos falados na Blockchain. O sistema mais usado é o proof-of-work, que exige computadores ligados trabalhando sem parar. 

 

O que pode reduzir o consumo de energia drasticamente é uma mudança para o modelo de proof-of-stake na verificação de transações. Muitas blockchains como Solana, Polkadot e Cardano já usam este modelo e a própria Ethereum já anunciou que está trabalhando para uma transição.

 

O lado bom das coisas

 

Acreditamos muito na tecnologia como agente de mudanças para o bem. O Blockchain, por exemplo, é um sistema que tem muito a contribuir na moda, como já comentamos. Essa tecnologia pode ser uma grande aliada na transparência e na rastreabilidade das transações que envolvem a cadeia produtiva. 

 

Outro caso de sucesso é da nossa parceira Eureciclo, que utiliza o Blockchain para assegurar a gestão correta dos resíduos, transformando-os em certificados digitais de forma transparente e auditável na rede. [fonte]

 

Ainda há novidades como a plataforma MOSS.Earth, que lançou “NFTs ambientais” para criar uma nova utilidade aos tokens, permitindo que sejam criados para contribuírem para alguma causa social, gerando engajamento ou levantando recursos [fonte]

 

E sabemos que tem muito mais inovações e uma corrida para adequar as tecnologias a uma operação mais ecológica e sustentável. Dos grandes aos pequenos, tem muita gente se mexendo para ajudar nessa transição, enquanto os governos ainda engatinham para rever suas maneiras de produzir e consumir energia. 

E aí, conseguimos explicar melhor? Ficou dúvida? Conta pra gente, porque como você já sabe, o diálogo por aqui está sempre aberto.

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