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Lixo: A Revolução Começa Em Casa

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Lixo: A Revolução Começa Em Casa
Nós temos falado muito sobre lixo e, sinceramente, acreditamos que precisamos falar ainda mais sobre o tema. Nossa produção de lixo é um problema sério e, por mais que possa não parecer, muito pode ser feito para minimizar nosso impacto ainda dentro da nossa casa. Há uma série de documentários que tratam o tema, com diferentes abordagens, mas um em especial, “Garbage! The Revolution Starts At Home” (Lixo! A Revolução Começa Em Casa) aborda exatamente a nossa produção de lixo e como o sistema governamental lida com ela. O filme é americano/canadense, por isso nos mostra o sistema norte-americano de tratamento de lixo. No Brasil, ainda não temos iniciativas tão eficazes – lá, eles contam com um programa de coleta de lixo orgânico responsável por compostar mecanicamente todo o resíduo orgânico das cidades, por exemplo.  E é importante ter isso em mente porque, por aqui, estamos anos luz de ter alguma ação desse tipo no país todo. No Brasil, o panorama é bem mais arcaico. Segundo uma matéria sobre o tema no G1, do ano passado, dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes a 2012 e que são os mais recentes, apontam que só 3,1% do lixo gerado no país naquele ano foi destinado à coleta seletiva e que 1,5% dos resíduos domiciliares e públicos foram recuperados. Um dos problemas com relação a coleta é que apenas 65% dos municípios brasileiros tinham alguma ação de coleta seletiva, seja pública ou privada. Isso  reflete nesse índice de reciclagem baixíssimo e estagnado desde 2009. Na mesma matéria há um dado extremamente alarmante: nos últimos 11 anos, o aumento da geração de lixo no país foi muito maior do que o crescimento populacional. De 2003 a 2014, a geração de lixo cresceu 29%, enquanto a taxa de crescimento populacional foi de 6%. A produção de lixo per capita em 2014 foi 387kg de lixo, dos quais 1,062kg são resíduos sólidos possíveis de reciclagem. Isso mostra que grande parte do lixo que produzimos são: resíduos orgânicos e lixo não reciclável que ainda é despejado incorretamente em lixões ou aterros sanitários. Depois de vermos o documentário e pensarmos um pouco sobre o funcionamento do sistema de coleta e tratamento de lixo no Brasil, tentamos entender como podemos gerar menos impacto.   1 - Entender o lixo Nem sempre o que parece é. Isso é válido para o nosso lixo reciclável. Nem tudo é reciclável e, mesmo que determinada coisa seja, isso não significa que temos um sistema apto para reciclá-la. A prova disso são as cápsulas de café expresso, que já falamos sobre por aqui, e bandejas de isopor (aquelas que estão por todos os lugares embrulhando frutas, cogumelos e carnes). A partir do momento que entendemos que determinadas coisas são recicláveis e outras não, nós passamos a repensar o consumo sem jogar toda a responsabilidade nas costas da reciclagem. Dê preferência por produtos cujas embalagens são, na prática, recicláveis.   2 - Diminuir O Consumo E O Descarte É essencial minimizar. A reciclagem é um processo oneroso e complicado, é a última alternativa para garantir que determinado material não vá para o lixão ou aterro. Por isso, quanto menos nós consumirmos e descartarmos, melhor. Nós sabemos que não é algo fácil, praticamente tudo vem super embalado e conseguir produtos sem plástico, papel e etiqueta é um enorme desafio. Trocar o mercado pela feira vai ajudar a eliminar embalagem. Preferir produtos à granel (em SP, até açúcar orgânico já tem opção à granel na Zona Cerealista, por exemplo) é outra alternativa. Abra mão de sacolas e embalagens dispensáveis quando você for em lojas e farmácias, muita coisa podemos carregar na mão, não precisa de sacola, nem plástica, nem papel. Ficar atento às pequenas coisas também é importante. Esse canudo descartável embalado individualmente é necessário para você desfrutar do seu suco? Abandone copos de plástico (para quem estiver preocupado com a crise hídrica: lavar um copo gasta menos água que produzir um)e fuja de tudo que é embalado individualmente (balas industrializadas são um exemplo). No processo, você vai acabar tendo uma vida com mais alimentos integrais, e menos produtos industrializados.   3 - Garantir Que O Lixo Reciclável Seja Reciclado 30% do lixo poderia ser reciclado, entretanto, como falamos lá em cima, apenas 3% é. Isso porque a coleta, é de fato, pouco efetiva. Em São Paulo, Loga e Eco Urbis são as duas empresas que passam para recolher o lixo reciclado e só em um rota bem específica. Entretanto, até nos bairros que os caminhões passam, muitos prédios e casas não fazem a separação do lixo e colocam tudo junto. Se você mora em um local atendido pela coleta seletiva em São Paulo (você pode ver a rota aqui ou aqui), garanta que seu prédio tenha o container de lixo (é preciso fazer o pedido na prefeitura). Os moradores só precisarão separar o lixo orgânico do sólido, nada muito complexo. A dica é entrar no site da prefeitura da sua cidade para entender o programa de coleta seletiva de cada região. Entretanto, se o seu bairro não é atendido pela coleta, o Brasil conta com PEV (Pontos de Entrega Voluntária), que recebem resíduos sólidos – desde gesso da reforma da casa até lata de refrigerante. Só precisa levar separado. Tente achar um PEV na sua rota para ficar fácil de você passar por lá uma ou duas vezes por semana para deixar seu lixo reciclável ou outros resíduos sólidos. Para achar o mais perto da sua casa, uma busca rápida no Google é suficiente. Não tem um PEV perto de casa, mas tem um hipermercado Extra ou Pão De Açúcar? A iniciativa privada também conta com ações de recolhimento de lixo sólido em parceria com cooperativas. O Extra, por exemplo, tem centros de reciclagem em parceria com a P&G e diversos supermercados da rede contam com pontos de coleta.   4 - Compostar Mas, como já falamos lá em cima, grande parte do nosso lixo é orgânico. Matéria que não precisaria de jeito nenhum ir parar em um aterro sanitário. Dê uma chance à compostagem e composte. Nós já falamos sobre isso por aqui, o projeto Composta São Paulo e o Morada Da Floresta tem um guia ótimo. Ah, e para quem pode desembolsar uma graninha, a composteira elétrica nos aprece ge-ni-al.   5 - Espalhar A Ideia Agora que você sabe de tudo isso, é preciso espalhar a ideia. Seja reclamando com o dono do horti-frut perto da sua casa do excesso de embalagens, seja compartilhando matérias e documentários sobre o tema ou conversando com os amigos. Os supermercados têm que dar conta de recolher as embalagens de produtos “práticos” que eles mesmo produzem. Junte e devolva, mostre que você está por dentro da lei e sabe sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (todas as empresas e varejistas precisam ter um plano de logística reversa, ou seja, recolher o material que vendeu e dar o fim correto – que não é jogar no lixo – no produto/embalagem). Através da nossa atitude diária conseguimos atingir mais gente. Como o próprio documentário e título desse texto atesta: a revolução começa em casa.

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