Já passou da hora de pararmos com os testes em animais

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Já passou da hora de pararmos com os testes em animais
Faz pouco tempo, o PETA virou notícia quando apoiou uma decisão do presidente Trump (!), pessoa, digamos, pouco querida especialmente pelos ativistas ambientais. A proposta aplaudida pela ONG fala em cortar $5.8 bilhões do orçamento do NIH, (National Institutes of Health) para o ano que vem. O NIH é nada menos que o maior órgão público do mundo financiador de experimentos com animais (deu pra entender agora, né?) em nome de pesquisas biomédicas. Eles fazem testes que usam cães, ratos, macacos, camundongos, coelhos e vários outros bichos como “modelos” para a fisiologia humana. O corte no orçamento significaria uma redução drástica nesses experimentos, o que aparentemente não afetaria em nada a saúde pública e seria um ganho – tanto para a ciência quanto (especialmente) para os animais, segundo vários especialistas. Não é muito difícil de chegar a essa conclusão se a gente pensar - de uma forma nada científica, tá certo, mas lógica - que espécies diferentes terão reações diferentes a drogas. É o que uma matéria recém publicada no NPR confirma. Depois de entrevistar vários especialistas em áreas diversas da medicina, o autor descobriu que a maioria das novas medicações falham quando usadas em pacientes humanos, e um dos motivos é que antes de serem usadas por pessoas, são testadas em ratos e outros animais. Como esperar o mesmo efeito de um remédio em um ratinho e uma pessoa? Parece mesmo uma ideia estranha. Nessa mesma matéria, um especialista em Alzheimer diz que só quando se aplica um tratamento em um paciente humano se pode confirmar o efeito real de uma nova droga. Outra opinião sobre a situação é a do Dr. John Pippin, Membro da associação americana PCRM, o Comitê Médico Pela Medicina Responsável. Ele disse em entrevista que se o uso de animais em testes parasse agora mesmo, não haveria perda nenhuma para o avanço científico. Os membros dessa associação acreditam que os resultados são tão incompatíveis que não faz o menor sentido continuar com esse tipo de teste, e vão mais além: não deveria ser feito nem se não tivéssemos outras alternativas. Os cientistas ainda acrescentaram que esse tipo de prática é um atraso para a ciência e relembraram situações como a do Vioxx - um anti-inflamatório que não causou efeitos negativos nos testes em animais, mas chegou a triplicar o risco de morte por ataque cardíaco nos pacientes humanos e foi retirado às pressas do mercado nos Estados Unidos em 2004. E se olhar de perto, até quem apoia ou lucra com isso sabe que é errado: a maior parte das pesquisas em animais acontecem em ambientes acadêmicos, financiadas com dinheiro público nos Estados Unidos, através do NIH. O orçamento do órgão gira em torno de 30 bilhões de dólares por ano e mais ou menos a metade disso vai para experimentos com animais. Ou seja, tá na cara que um dos motivos da resistência no uso de animais em pesquisa é a lucratividade. E mesmo assim, o próprio NIH já admitiu que usar animais não é garantia de nada, gasta dinheiro à toa e ainda deixa pacientes aguardando por tratamento. Outro grande motivo que perpetua essas práticas é o hábito. As empresas farmacêuticas querem ter os remédios aprovados pelo FDA (Foods and Drugs Administration, a vigilância sanitária dos EUA) o quanto antes, e a maneira mais rápida é apresentar resultados de pesquisas com animais, porque o FDA já está acostumado. E mesmo assim, o próprio FDA já admitiu que testes em animais não são eficazes. Há dados que falam que 92% das drogas testadas com sucesso em animais falham de alguma forma quando aplicadas em humanos. Estamos falando especificamente sobre medicamentos, mas sabemos que animais padecem em testes desnecessários para cosméticos, agrotóxicos (e venenos em geral), produtos de limpeza e – pasmem – até papéis higiênicos e absorventes íntimos. Quais seriam as alternativas mais eficientes ao teste com animais? Hoje em dia, são inúmeras. A principal é a área das células-tronco, mas tem até métodos baseados em software. Muitas empresas farmacêuticas já usam e já admitiram que esse é o futuro. A verdade é que não faltam opções, e sair do piloto automático é (mais uma vez) primordial.

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