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Guia dos microplásticos: quem são, de onde vem, para onde vão?

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Guia dos microplásticos: quem são, de onde vem, para onde vão?

A essa altura você provavelmente já ouviu (e leu) muito sobre os microplásticos, forma de poluição encontrada em todo canto do mundo, no ar, na água e até no organismo humano. Mas você sabe o que são esses microplásticos? Vem com a gente para entender melhor e saber o que pode ser feito para que eles sejam reduzidos.

Os microplásticos são fragmentos, ou partículas de plástico. Alguns pesquisadores consideram o tamanho máximo de 1 milímetro, enquanto outros adotam a medida de 5 milímetros. Esses fragmentos sintéticos são tão pequenos que seu diâmetro é medido em micrômetros, o equivalente a 1 milímetro dividido em mil.

Esses resíduos podem ser de origem primária ou secundária: os de primária são os pellets, pequenas esferas plásticas muito presentes em cosméticos. Os de secundária são formados pela degradação e quebra do plástico.

A primeira detecção de microplásticos no meio ambiente foi no ano de 1970. Em 2001, o resíduo foi descoberto na água doce. Mas foi só em 2004 que o termo foi utilizado na literatura científica pelo pesquisador britânico Richard Thompson. Hoje em dia, está por toda parte e é uma preocupação para o meio ambiente e para a saúde dos seres vivos. 

Onde estão?

Os microplásticos são onipresentes. Já foram encontrados nos lugares mais isolados do planeta, como o monte Everest, as fossas oceânicas e dentro do corpo de animais, insetos e humanos. Aliás, um estudo recente revelou que os humanos ingerem e respiram entre 74 mil e 121 mil partículas de microplástico por ano, principalmente os que consomem água engarrafada e frutos do mar. 

Estima-se que todo ano 8 milhões de toneladas de plástico entram no oceano, mas apenas 1% desse resíduo é encontrado em forma visível. O grande volume de plástico que habita os oceanos é composto por microplásticos. 

Os microplásticos foram encontrados em quase todas as marcas de água engarrafada e no intestino de animais que habitam algumas das regiões oceânicas mais profundas da Terra. Os animais marinhos comem microplásticos porque os confundem com pequenas presas ou partículas de comida, facilitando assim sua entrada na cadeia alimentar. 

Pesquisadores da USP encontraram resíduos plásticos até em amostras de tecido pulmonar. As análises revelaram a presença de partículas poliméricas e fibras de polietileno e polipropileno. Segundo os autores, a contaminação dos pulmões ocorreu por inalação. Estamos respirando plástico. 

De onde vem

A maior parte do lixo plástico é direcionado a aterros, incinerado ou reciclado, mas boa parte dele acaba no meio ambiente. Como o plástico não se decompõe nem biodegrada facilmente, ele se fragmenta em pedaços cada vez menores até que os microplásticos sejam pequenos o suficiente para serem lançados no ar, na água ou carregados através da chuva, por exemplo.

Tudo que é feito de plástico, ou seja, qualquer derivado do petróleo, pode gerar microplásticos durante a sua vida de uso. Os microplásticos podem vir do desgaste de pneus, do uso de utensílios feitos de plástico, do contato do material com altas temperaturas (quando você ferve algo de plástico para limpar, por exemplo), do descarte de resíduos, e mesmo do processo de reciclagem.

Porém, uma grande fonte de microplásticos que nos interessa diretamente é o tecido sintético. Um estudo publicado pela Universidade da Califórnia em Santa Bárbara revelou que ambientes terrestres recebem 176,5 mil toneladas métricas de microfibras sintéticas anualmente, principalmente de poliéster e nylon.  

Segundo a Global Fashion Agenda, os têxteis representam 34,8% da produção global de microplásticos, sendo os tecidos sintéticos (poliéster, poliamida, acrílico, entre outros) 60% do consumo mundial de vestuário. Esses tecidos podem liberar até 700.000 microfibras durante a lavagem na máquina. 

Como eliminar?

Metade dos plásticos leva até cem anos para se degradar, a outra metade, até mil anos. Isso significa que os microplásticos não vão a lugar algum: seguirão circulando pelo Planeta por um bom tempo, até que seja inventada uma tecnologia que consiga capturá-los e neutralizá-los.

Além de contaminar oceanos, animais e até os alimentos que ingerimos, eles também contribuem para as mudanças climáticas. Os efeitos de longo prazo sobre os seres humanos e o meio ambiente ainda não são conhecidos, mas já se sabe que podem gerar danos à saúde, desregular ecossistemas, causar morte e doenças em animais. 

Para limitar as consequências da poluição, é urgente que o uso de plásticos descartáveis seja significativamente reduzido pra ontem. Os cientistas recomendam que a poluição por microplásticos seja reduzida em 96% nos próximos anos para que os danos possam ser parados e futuramente reduzidos.

Mas aí está o problema: reciclar não basta, o problema é de escala industrial. O plástico é o material mais presente em nossas vidas, sendo utilizado para praticamente tudo. É difícil se livrar dele, e em muitos casos não há alternativas. 

A redução do uso de plásticos no dia a dia tem grande impacto, mas as indústrias também precisam entender que esse não é um sistema sustentável e investir em pesquisa e tecnologia para desenvolver novos materiais, tão versáteis quanto o plástico, mas não poluentes. 

Por aqui, incentivamos as pequenas ações diárias: eliminar sacolinhas e embalagens descartáveis sempre que possível, usar xampus e cosméticos em barra, fazer os produtos de limpeza em casa, reduzir drasticamente o consumo de peças de roupa em poliéster, adotar o filtro de barro e aposentar a água e outras bebidas em garrafas. 

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