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#FeitoNoBrasil: Comas

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#FeitoNoBrasil: Comas
A Comas é uma marca de upcycling que transforma camisas masculinas descartadas pela indústria em peças femininas. Tudo começou no Uruguai, mas se desenvolveu e se estabeleceu em solo brasileiro. Augustina Comas é formada em Design Industrial com habilitação Têxtil e Moda no Uruguai. O contato com o Brasil aconteceu por meio do pai, que faz negócios no Brasil desde que Augustina era menina. Quando estava no último ano da faculdade, em 2003, conseguiu embarcar como impressa para acompanhar a São Paulo Fashion Week. Foi nesse momento que ela decidiu que queria trabalhar, pelo menos por um tempo, na indústria de moda brasileira. Com a cidadania  brasileira do pai, as coisas ficaram um pouco mais fáceis. Deu seus pulos, conseguiu o visto e veio tentar a sorte. Aterrissou no Brasil em 2004 no melhor lugar onde poderia estar na época: com Jun Nakao para um estágio durante a produção do famoso desfile “A Costura do Invisível”. O estágio virou fixo e foram 4 anos com o famoso estilista. Quando Jun se afastou da moda e estreitou o laço com as artes plásticas, Agustina foi junto e continuou como sua assistente. Em 2008, migrando do preto para o branco, Comas começou a sentir vontade de trabalhar na indústria grande, com gigantes do setor e no fast fashion. Conseguiu uma vaga na 284, o braço jovem e com preços mais baratos da Daslu. Por esse caminho chegou na equipe da Daslu Homem, comandada por Lu Pimenta, o que Agustina chama de sua segunda grande escola, onde ficou por 5 anos. 11717518_843118985763937_8629410230277630168_o Mas sua primeira grande escola, a com Jun Nakao, não foi só de aprendizagem prática e técnica, foi inspiração para quebrar regras e um empurrão para Agustina pensar fora da caixa da moda.  Em 2008, em paralelo ao seu trabalho na Daslu Homem, começou um projeto de upcycling em parceria com Ana Pires, uma colega de faculdade de Montevidéu. Elas começaram o projeto com uma multimarcas da capital uruguaia e foi nesse momento que Agustina se viu diante dos desafios de desenvolver metodologias para trabalhar na criação de roupas a partir de roupas. “Começaram a surgir conceitos que eu utilizo até hoje como design por restrição, que é trabalhar o design dentro das limitações que o material e a peça que você está usando têm; conhecimento congelado, que é conservar as características iniciais industriais do produto na peça final como repertório de criação, e outras coisas que norteiam meu trabalho e minha pesquisa”, contou ela. Em paralelo ao trabalho na Daslu, o projeto começou a rolar, vendendo peças de upcycling no Uruguai e no Brasil. Com uma fonte inesgotável de roupas descartadas pré-varejo – ou seja, roupas com falhas e defeitos, não aprovadas, que sofrem acidentes em lavanderias, etc - dentro da própria Daslu, Agustina começou a trabalhar muito com camisas masculinas também nesse projeto paralelo. A Comas já começava a tomar forma aí, mas ela nem imaginava. 11880462_862322240510278_8896476449779416382_n 11953260_862321820510320_4143051463170153297_n Ao sair da Daslu, em 2013, Agustina tinha certeza que queria trabalhar com projetos focados em sustentabilidade, só não sabia como. O caminho foi se desenhando até que ela decidiu que, o jeito mais fácil e que mais condizia com sua ideia de uma moda atemporal, era olhar para o masculino e, em específico, para a camisaria. Em 2014, com as ideias mais alinhadas, surgiu então a Comas. Mas transformar roupas prontas em novas roupas, fazer grade e escalar é desafiador. Há muitas questões e uma delas é o fazer em si. Agustina explicou que dentro da Comas isso funciona em dois processos: criação e produção. Na criação, vem o design por restrição, imaginar formas e dar significado às peças. Depois vem o processo racional, de trabalhar modelagem, caimento, conforto, pensar em grade e criar uma “receita” que será reproduzida em cada lote de peças descartadas que aparece. Antes disso, há a cadeia de fornecimento, ou seja, da onde virá esse material? A Comas trabalha com sobras e descarte da indústria, parte desse material a marca compra por preços mais acessíveis parte é doado pra ela, mas não há ainda um entendimento muito grande por parte da própria indústria e do varejo de que esse descarte pode virar algo novo, então rastrear e pegar esse material é bastante desafiador. O que facilita para Agustina são seus contatos dos antigos fornecedores da Daslu, mas a  grande vontade da estilista, porém, é trabalhar com  camisas masculinas sobras do varejo. Estoques que ficam, literalmente, mofando em galpões e dentro das confecções. “Falta as marcas entenderem que elas já amortizaram essa perda, que elas podem vender por um valor acessível para outra pessoa dar continuidade no processo”, explica ela. A Comas vem ganhando visibilidade por meio também das parcerias. Trabalhou com a Básico, tem um relacionamento sério com a Japonique, esteve em foco no SPFW por conta da parceria com a estilista Fernanda Yamamoto, que levou o tecido Oricla, criado a partir de ourelas de tecidos para camisaria jeans, para a passarela, e também rolou Insecta Shoes e Comas no Inspiramais, onde os cabedais dos sapatos foram produzidos com os punhos das camisas. Olhando pra frente, o que Agustina quer é escalar para transformar a Comas em um negócio financeiramente sustentável e que seja capaz de realmente causar impacto na redução de resíduos têxteis. “Eu quero conseguir vender volumes maiores para poder fazer um impacto”, explica ela. “Nossa visão é eliminar o conceito de sobra na cadeia produtiva”. Ela também quer fazer com que as fábricas disponham o material-descarte de alguma forma para que outras marcas possam utiliza-lo como matéria-prima de forma frequente e que possam criar seus negócios em cima disso de verdade. Pois é, o upcycling transformador da Comas tem a ver com roupa, mas, como podemos ver, vai muito além disso.

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