Existe couro vegano e sustentável?

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Existe couro vegano e sustentável?

Existe uma grande confusão em relação a “couros”, com várias denominações e termos que se misturam. Afinal de contas, existe couro vegano? Couro PU é vegano? O que é couro vegetal? Couro ecológico é vegano? O que é couro vegetal? E por aí vai. É tanta confusão que tem até lei envolvida nisso.

Antes de começar essa conversa, é bom entender algumas das principais denominações. Entre couro legítimo, couro sintético, laminado vegetal, couro ecológico e mais uma pá de nomes que são vistos por aí, é importante saber principalmente do que são feitos esses materiais, para poder fazer uma distinção real do que é e não é vegano e ecológico.

Pra você ter uma ideia, aqui no Brasil existe a “lei do couro”, que diz que a palavra “couro” só pode ser usada para peles de animais, ou seja, o chamado “couro legítimo”. Termos como “couro sintético”, “couro vegano” ou “couro vegetal” são proibidos, e empresas podem inclusive ser multadas se forem pegas usando esse tipo de denominação para produtos que não sejam de origem animal. 

De qualquer forma, aqui entre nós, é possível que em alguns momentos a gente use termos tidos como “incorretos”, mas só a título de explicação, combinado? 

De onde veio o tal do couro ecológico?

A ideia de desenvolver produtos em couro ecológico parte principalmente de dois pontos: o primeiro deles, claro, vem das pessoas que não concordam com a exploração animal. O couro é, como já falamos, um símbolo dessa exploração, e não só veganos e vegetarianos optam por não alimentar essa indústria por questões éticas. 

Outro ponto é o impacto negativo da produção do couro. Muitos pensam que o couro é um produto natural, biodegradável e de baixo impacto ambiental por ser “natural”,  mas é importante lembrar que para que possa ser transformado em produto ele passa por um extenso processo químico extremamente poluente.

O couro legítimo não é biodegradável pois é tratado justamente para que a pele tenha uma longa duração. Sim, se formos fazer uma comparação com materiais sintéticos, é possível que o couro se degrade mais rápido, mas é um processo de degradação que gera gases poluentes da mesma maneira devido às altas concentrações de químicos no material.

couro ecológico

Portanto, o couro ecológico tem como diferença do couro tradicional principalmente a fabricação e tingimento do tecido, mas pode também incluir estratégias mais sustentáveis de tratamento e descarte de resíduos. O curtimento, momento mais poluente do processo produtivo do couro tradicional, é feito com taninos vegetais ao invés de metais pesados e corantes sintéticos.

Bom, então para quem chegou até aqui, a dúvida fica respondida: Couro ecológico é vegano? Não, não é!

O que é couro vegano?

O que é vendido por aí como “couro vegano” e acaba sendo atrelado a uma ideia de sustentabilidade é o material sintético, que também tem os seus problemas. O PU, ou poliuretano, é um tecido artificial feito de um polímero termoplástico. É bastante flexível, resistente à oxidação e a aditivos químicos, com textura bastante similar à espuma. Por ser totalmente sintético, sem nada de origem animal, em teoria pode ser considerado vegano, mas não é necessariamente ecológico.

Apesar de não conter exploração animal, o PU também tem impactos ambientais negativos, graças a uma produção poluente que envolve vários químicos, e mesmo assim, em todo o seu ciclo, o impacto do ambiental sintético representa apenas 1/3 do impacto ambiental do couro legítimo.

Além disso, o PU não é biodegradável e é feito a partir do petróleo, uma fonte de matéria-prima não renovável. 

Um dos primeiros registros de referências a um tipo de “couro sintético” é de 1825, quando o processo de produção do material foi patenteado. Lá atrás, esse couro artificial era feito de borracha misturada a várias outras fibras. 

Mais tarde, já na década de 1940, os polímeros artificiais foram introduzidos na produção do couro sintético. Na década de 1960 o material já tinha essa configuração que conhecemos hoje: praticamente um plástico mais maleável, algumas vezes sobre uma base têxtil, mas quase sempre uma mistura de poliuretano com poliéster. E foi nessa época, em 1965, que saiu a tal “lei do couro”, devido ao sucesso e uso em larga escala do PU. 

De lá pra cá pouca coisa mudou, e essa segue sendo uma alternativa ao couro muito utilizada por ter um aspecto semelhante ao natural e um preço muito inferior, tornando os produtos de PU mais acessíveis. Só que a qualidade do PU é bastante questionável. É muito comum o material começar a descascar com o uso, fazendo o produto perder o valor e ser descartado de forma precoce. 

Daí vem mais um problema. O poliuretano é um plástico termorrígido, que faz que os seus fragmentos não possam ser derretidos e fundidos novamente para serem aproveitados em um material plástico do mesmo tipo. Ou seja, ele não é reciclável. Então, seu destino final é quase sempre o aterro, emitindo gases poluentes, se combinando a outros materiais que foram descartados e agravando um problema ambiental que já é gigante. 

Então, resumindo tudo isso, você acha que o PU pode ser considerado um “couro vegano”? Levando em conta todo o impacto ambiental no seu ciclo de vida, nós achamos que não, e é por isso que não trabalhamos com PU aqui na Insecta. 

 

Então não existem opções veganas? 

Mais do que nunca o mercado tem falado e dando espaço para os “couros veganos”, que são materiais com aspecto semelhante ao couro, mas feitos a partir de vegetais, com origem totalmente natural, mesmo que obtidos por processos tecnológicos. 

Aqui na Insecta nós já trabalhamos com uma das opções mais tradicionais, que é chamada por aí de “couro vegetal”, ou laminado natural. Esse material é feito de borracha proveniente da Amazônia, é biodegradável e bastante utilizado para bolsas e sapatos veganos. 

Outro material que já passou por aqui mais recentemente é o Piñatex, que é feito de fibra de abacaxi. Ele é um subproduto da colheita de abacaxi, vegano, biodegradável e pensado de forma circular. 

Além disso, ainda temos pesquisas bastante avançadas com materiais feitos de outras frutas, como maçãs, vinho e até cerveja. Esses materiais com bases naturais já vêm sendo testados há algum tempo, e gostamos do olhar mais natural e sustentável deles.

Entretanto, a realidade é que esses materiais mais naturais ainda estão em fase de teste, tem valor elevado e o mais utilizado quando o assunto é alternativa sem pele animal ainda é o PU. Será que isso vai mudar? Acreditamos que sim!


Materiais veganos high-tech vem aí

Felizmente, o mundo está mudando, os consumidores estão cada vez mais conscientes e toda a indústria do couro está passando por uma reviravolta. Entram aí novas propostas de materiais veganos e sustentáveis, muito mais tecnológicos e que prometem ser mais fáceis de escalonar - ou seja, produzir produtos em quantidade com uma boa qualidade. 

Alguns estudos estimam que o mercado de “couro vegano” valerá US$ 89,6 bilhões até 2025, impulsionado pela entrada de gigantes como grupos de luxo como Kering (dono de Balenciaga, Gucci e Saint Laurent), LVMH (dono de Stella McCartney, Louis Vuitton e Dior) e marcas como a Hermès, tradicional pelos produtos em couro!

A grande novidade é a biotecnologia, que está criando híbridos sintéticos e ecológicos a partir de fibras naturais, como as do cogumelo, queridinho do momento. As grandes indústrias estão se unindo a startups e trabalhando para aperfeiçoar seus seus produtos e torná-los biodegradáveis.

Mas mesmo nesse universo, é importante a gente ficar de olho, porque nem todos os produtos veganos são ecológicos. Alguns ditos “couros vegetais” são combinados a materiais sintéticos não biodegradáveis para melhorar a performance, gerando um produto que no fundo pode até ser sem couro, mas não é ecológico nem natural.

Uma pesquisa feita no início de 2021 analisou amostras de alguns desses materiais veganos e encontrou uma frustrante realidade: polímeros, espumas e poliéster foram incorporados ao material, resultando em um “couro vegano” feito de plástico, com uma quantidade baixíssima de material orgânico.


Por aqui, se é vegano tem que ser sustentável

Quem nos acompanha, já sabe: na Insecta, não queremos apenas que os produtos não contenham nada de origem animal. Queremos também contribuir para a conservação e o cuidado com o meio ambiente. Por isso, para nós não faz o menor sentido algo ser considerado vegano e ao mesmo tempo criar um problema de poluição.

Seguimos acompanhando o surgimento desses novos materiais, que estão chegando para revolucionar uma indústria que ainda carece de opções confiáveis e de qualidade. Por enquanto, optamos por trabalhar com materiais que têm a nossa cara, como tecidos reaproveitados e fibras recicladas - opções ecológicas, sem exploração animal e cuja qualidade podemos confiar. 

Se você gosta do visual do couro e gostaria de consumir produtos com essa estética, nossa dica é pensar muito na hora de escolher e colocar todos esses fatores na balança. Como foi feito? De que forma será reciclado? Qual a durabilidade? De que maneira esse material impacta o meio ambiente, os animais e as pessoas? 

A sua compra deve refletir o que você pensa e os seus valores. Então, na dúvida, pare, reflita e entenda. Pesquise sobre o que você está querendo comprar e só então decida - e isso vale para qualquer compra! 

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