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Desmitificando o amor romântico

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Desmitificando o amor romântico

A vida adulta escancara na gente que o amor romântico não é um filme da sessão da tarde. Crescemos rodeados de animações com príncipes salvando donzelas indefesas.

Que estavam em sono profundo por comer maçãs envenenadas ou machucam o dedo em máquinas de fiar e entram em um cochilo eterno.

É nessa parte do filme que surge o cavalheiro, o príncipe, a fera. Acordam estas jovens com um beijo (alerta vermelho, estranho, estranho, estranho).

A gente cresce e percebe que não tem príncipe nenhum, apenas seres humanos, cheios de falhas e preferências diferentes.

 

Às vezes um príncipe quer outro príncipe.

Às vezes a princesa quer outra princesa.

Às vezes quer os dois.

Às vezes quer mais de um.

E ao longo da vida não é dito como atender os desejos e reconhecer a si mesmo. Crescemos com um imaginário coletivo que não nos prepara para o desencanto.

Somos colocados sem querer sob as regras de grandes instituições. A desejar mais que tudo um casamento lindo com uma pessoa perfeita, dessas de filme da Disney, que jamais existiu.

Não existiu porque as pessoas se machucam, traem, manipulam.

 

E quebram o pacto que elas têm com o outro e consigo mesmo.

 

Mas acontece da gente não saber como criar esse pacto também, acabando por tomar as escolhas erradas (dentro de um casamento, de um namoro).

 

A gente também descobre que pode se configurar de maneira diferente.

 

Longe dos clichês da monogamia, mas entendendo que cada pessoa tem

Ama mais de um ao mesmo tempo, compartilhando todo o afeto que tem na gente.

Os desejos do coração do outro jamais serão entendidos totalmente por nós.

E entender isso tem um custo: o da exposição.

necessidades diferentes e ama de formas diferentes.

 

Ama apenas um, ao longo de toda uma vida.

 

Bate o medo, a insegurança.

O que a família vai pensar?

O que vão dizer no meu trabalho?

Será que vão me excluir dos almoços de domingo?

Eu fui criado na igreja, não posso pensar diferente!

A gente se fecha por medo de ser feliz.

Caminha uma vida toda silenciando os próprios desejos.

Em um casamento infeliz, em um namoro capenga em que talvez as partes se sentiriam melhores encontrando outras pessoas e voltando para casa com saudade do parceiro(a).

Talvez seria melhor até ter uma relação a três.

Ou apenas se relacionar sem a pretensão de se casar e ter filhos.

 

Por que não?

Quantas caras tem o tesão? Quais são nossos desejos?

A gente se frustra, nos voltamos para dentro, com aflição. Esses sentimentos nocivos se tornam uma bomba com hora marcada para explodir.

E explode. Em brigas, traição, separação, violência.

Acontece toda hora e a gente sabe disso.

O amor romântico está com os dias contados. É preciso atender as raízes do próprio coração e do coração do outro (independente do pronome, sexo biológico e gênero).

 

Só amar e ser amado, sem amarras, da forma que quiser e com quem quiser.

Essas reflexões chegaram até a gente por conta dos dias dos namorados. Pensamento vai e pensamento vem, ficamos imaginando as múltiplas formas de amor que a modernidade nos permite hoje.

 

E essa multiplicidade acaba montando um triplex na cabeça da gente, né? Hahahaahahahaha

E nessas buscas de entender melhor, encontramos uns vídeos bem bacanas da Casa do Saber, uma plataforma sobre filosofia, artes, psicologia e psicanálise que busca entender sobre a existência humana e as formas de comportamento da sociedade.

 

É lá que nos deparamos com o conteúdo da Maria Homem. Psicanalista, pesquisadora do Núcleo Diversitas FFLCH/USP e professora da FAAP ela analisa de forma muito didática, simples e apaixonante como estamos chegando no fim do amor romântico, aquele clichê de novela (ou aquele clichezão que sua mãe espera de você: case e tenha filhos).

 

E ainda nos dá um soco no estômago falando sobre um papo pesado: traição.

 

Por que dói tanto? Tem alguma engrenagem na sociedade que nos leva a trair? A monogamia colabora pra isso? Quais são os pactos que devemos ter com nossos parceiros para evitar esse tipo de surpresa?

 

São temas bem recorrentes pra gente hoje em dia. Vale totalmente o play e a reflexão neste dia dos namorados.

 

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