Da casca comestível aos vegetais feios: precisamos repensar nossa relação com a comida

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Da casca comestível aos vegetais feios: precisamos repensar nossa relação com a comida

Encontre o erro nessa notícia:  “Empresa japonesa lança banana com casca comestível”

Não encontrou? Explicamos: não sabíamos que foi uma empresa japonesa quem inventou a banana, porque até onde se sabe, a casca da fruta sempre foi comestível. Esse lançamento no mercado japonês veio muito mais pra solucionar algumas das dificuldades de cultivo que eles têm por lá devido ao clima do que pra resolver a fome no mundo. Mas o olhar que as notícias pelo mundo tem dado é esse: AGORA você pode comer a casca da banana, olha que revolução. Tudo graças a essa super-fruta produzida de 10 em 10 unidades, vendida por cerca de R$18 e embalada em plástico. Uhul!  

Talvez pela quantidade de venenos aos quais as frutas são expostas a gente acabe esquecendo que as cascas da maioria dos vegetais são comestíveis - até a do Kiwi. Mas a maneira com que esses alimentos estão sendo vendidos, cada vez mais modificados com a intenção de resolver "problemas", pode também ser um problema. A casca da banana provavelmente não é tão apetitosa se você morder sem descascar (não recomendamos), mas contém vitaminas, nutrientes e rende várias receitas gostosas - se for orgânica, claro.

Então, esquecer que a casca é uma parte comestível é um grande desperdício. A gente já falou sobre isso por aqui, mas vale sempre relembrar: metade de toda a comida produzida no mundo é jogada fora, somando um total de 1,3 bilhões de toneladas, segundo as últimas estimativas da ONU. Enquanto isso, 795 milhões de pessoas sofrem por falta de comida. E o que isso tem a ver com a casca da banana, afinal? Quando se descarta uma casca de fruta ou verdura, boa parte do potencial nutritivo está indo pro lixo. É comida que você está desperdiçando. Se antes era sem saber, agora você já sabe e pode começar a pensar melhor e mudar. Toca aqui e vamo que vamo! o/\o   

Tá na hora de mudar a nossa relação com a comida. Antes de qualquer coisa, precisamos entender que somos privilegiados pelo acesso à fartura e ainda poder escolher o que queremos levar pra casa. Quer ver um exemplo? Os vegetais “feios”, que nem chegam ao mercado por não se enquadrarem no padrão estético Maçã da Branca de Neve. Quando você faz feira, leva aquela cenourinha com formato meio estranho ou nem chega a ver uma dessas entre um mar de cenouras parecidas? Ditadura da beleza até pra comida, parece brincadeira, mas é a pura verdade. Ou você acha que todas as batatas e tomates nascem iguais, perfeitinhos e uniformes?

Nos Estados Unidos, por exemplo, 52% de tudo que é produzido não chega ao prato do consumidor, sendo um dos fatores a estética. O The Ugly Fuit and Veg é um projeto que rende vários memes e legendas engraçadas no Instagram,  mas tem por trás uma campanha séria, ajudando quem quer encontrar produtinhos ~ feios e divulgando dados pra conscientizar a galera.

Aí surgiram aquelas iniciativas que a gente queria que virasse moda, tipo a Imperfect Produce com seu feed fofíssimo e um serviço de entrega de produtos diferentões pra quem sabe ver além das aparências. Aqui no Brasil tem a Fruta Imperfeita, com a mesma proposta: frutas e verduras custando a METADE do preço por não terem cara de artistas de cinema, mas com todo o seu sabor e potencial nutritivo.

Como saímos da casca da banana e chegamos aqui? Porque o assunto ainda é o mesmo. Mudar a nossa relação com a comida e o jeito que pensamos no que vai ou deixa de ir pro nosso prato. Temos um ebook com receitas que ensinam justamente a aproveitar todas as partes das verduras. É um bom começo pra quem quer aprender a pensar o consumo e viver sem desperdício. 

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